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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372On-line version ISSN 1807-0329

Psicol. estud. vol.12 no.1 Maringá Jan./Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722007000100004 

DOSSIÊ- PSICOLOGIA E FAMÍLIA

 

Habilidades sociais conjugais e filiação religiosa: um estudo descritivo1

 

Marital social skills and religious affiliation: a descriptive study

 

Habilidades sociales conyugales y filiación religiosa: un estudio descriptivo

 

 

Miriam Bratfisch VillaI; Zilda Aparecida Pereira Del PretteII; Almir Del PretteIII

IDoutora em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto
IIProfessora Titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos e docente orientadora do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da UFSCar e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da USP-Ribeirão Preto
IIIProfessor Titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos e docente orientador do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da UFSCar

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O desenvolvimento e a manutenção do repertório social são influenciados por múltiplos fatores, aí se incluindo crenças e normas. A influência religiosa sobre comportamentos sociais ocorre em diferentes contextos, inclusive o conjugal. Avaliou-se neste estudo a relação entre filiação religiosa e habilidades sociais de 74 casais, divididos em três grupos (católicos, presbiterianos e sem filiação) que responderam ao Inventário de Habilidades Sociais Conjugais, preencheram uma ficha de dados pessoais, um questionário sobre conhecimento doutrinário e um sobre a relação estabelecida entre ensinamentos da Igreja e habilidades conjugais. Os resultados mostraram que: 1) não houve diferença entre os grupos nos indicadores de habilidades, nem na influência de variáveis relacionadas às práticas religiosas; 2) muitas associações relacionavam habilidades sociais conjugais a conceitos cotidianos sobre relacionamento conjugal mais do que a ensinamentos doutrinários; 3) presbiterianos foram mais enfáticos ao associar habilidades a ensinamentos doutrinários. Concluiu-se que os ensinamentos religiosos não  constituem fator determinante de habilidades sociais conjugais.

Palavras-chave: habilidades sociais conjugais, filiação religiosa, casamento.


ABSTRACT

The development and maintenance of social skills are influenced by many factors, including faiths and norms. Since, as a rule, religious faith regulates social behavior which includes relationships between spouses, the influence of religious affiliation on social skills is evaluated. Seventy-four couples (Catholic, Presbyterians and no religious affiliation) completed the Marital Social Skills Inventory (MSSI) and a personal data form. Catholic and Presbyterians also answered a questionnaire in which they showed their religious knowledge and another one where they were asked to establish their churches’ principles with regard to marital social skills. Results showed that: (1) the three groups presented no difference either in social skills indicators or in the influence of variables related to religious practice; (2) religious associations linked marital social skills more to common sense concepts than to religious teachings; 3) Presbyterians gave more importance to marital social skills than to religious teachings. Religious teaching may not be a determinant factor of marital social skills.

Key words: Marital social skills, religion affiliation, marriage.


RESUMEN

El desarrollo y la manutención del repertorio social están influenciados por múltiples factores, incluyéndose en ello creencias y normas. La influencia religiosa sobre comportamientos sociales ocurre en distintos contextos, incluso el conyugal. Se evaluó en este la relación entre filiación religiosa y habilidades sociales de 74 parejas, divididas en tres grupos (católicos, presbiterianos y sin filiación) que contestaron al Inventario de Habilidades Sociales Conyugales, rellenaron una ficha de datos personales, un cuestionario sobre conocimiento doctrinario y uno sobre la relación establecida entre enseñanzas de la Iglesia y habilidades conyugales. Los resultados mostraron que: 1) no hubo diferencia entre los grupos en los indicadores de habilidades, ni en la influencia de variables relacionadas a las prácticas religiosas; 2) muchas asociaciones relacionaban habilidades sociales conyugales a conceptos cotidianos más de lo que a enseñanzas doctrinarias; 3) presbiterianos fueron más enfáticos al asociar habilidades a enseñanzas doctrinarias. Se concluyó que las enseñanzas religiosas no constituyen factor determinante de habilidades sociales conyugales.

Palabras-clave: habilidades sociales conyugales, filiación religiosa, casamiento.


 

 

A Psicologia, mais especificamente o campo teórico-prático das habilidades sociais, tem demonstrado, em diversas pesquisas, a importância de um repertório elaborado de habilidades sociais nos diversos contextos de vida (Caballo, 1998; Del Prette & Del Prette, 1996, 1999; MacKay, 1988), o que também está diretamente ligado à saúde mental e ao ajustamento psicossocial (Trower, 1995). O termo habilidades sociais refere-se ao repertório de comportamentos que um indivíduo apresenta para lidar com situações interpessoais de forma adequada (Del Prette & Del Prette, 2001; MacKay, 1988); já competência social está relacionada ao desempenho do indivíduo em determinada situação e aos resultados obtidos, tendo, portanto, caráter avaliativo (Del Prette & Del Prette, 2001).

A literatura da área mostra que a competência social é determinada por múltiplos fatores, entre os quais o pessoal, o situacional e o cultural (Del Prette & Del Prette, 1999). A dimensão cultural refere-se às regras, normas e valores sobre os padrões de desempenho social valorizados, tolerados ou reprovados em diferentes contextos; a dimensão situacional está relacionada aos padrões socialmente estabelecidos para as interações em diferentes contextos e com diferentes interlocutores, de modo que um mesmo desempenho pode ser considerado adequado em um contexto e não em outro ou com outros interlocutores (especificidade situacional); a dimensão pessoal refere-se aos padrões comportamentais, cognitivo-afetivos e fisiológicos que a pessoa apresenta em seus relacionamentos cotidianos, dependendo, inclusive, de características sociodemográficas. Esses fatores se sobrepõem em todas as interações sociais e podem, portanto, ser também examinados no contexto do relacionamento conjugal. Os contextos cultural e situacional definem padrões, normas e expectativas de desempenhos socialmente valorizados ou reprovados nas interações conjugais, e tais padrões podem, teoricamente, ser influenciados por outras variáveis - como idade, sexo, número de filhos, nível socioeconômico, escolaridade, etc.

Em termos históricos, o desenvolvimento de novos padrões de desempenho conjugal e afetivo pode ainda alterar tais expectativas e normas. Assim, a análise do desempenho social não pode negligenciar o papel das regras, normas e valores presentes no contexto cultural. Estes são assimilados pelo indivíduo em forma de crenças e sentimentos (comportamentos encobertos) que influenciam suas ações e suas relações com as demais pessoas. Dentre as várias instâncias sociais e culturais que geram regras, normas e valores, inclusive morais, podem-se destacar a religião e as crenças religiosas (Del Prette & Del Prette, 2003), cuja influência se torna certamente maior com a inserção do indivíduo em comunidades que compartilham tais crenças.

O casamento e o relacionamento conjugal têm sido temas de diversos estudos no decorrer de décadas, devido à sua complexidade e, ao mesmo tempo, a sua importância na vida das pessoas e da sociedade. Pode-se dizer que o relacionamento conjugal se encontra no centro de um emaranhado de relações interdependentes na vida dos cônjuges (Feldman & Wentzel, 1990). O contexto conjugal também possui sua especificidade em termos de demandas próprias, tanto para a resolução dos problemas compartilhados pelos parceiros como para a expressão de sentimentos e intimidade (Del Prette & Del Prette, 2001). Assim, entre os fatores que incidem sobre a qualidade do relacionamento conjugal, vários autores reconhecem a importância do repertório de habilidades sociais dos cônjuges (Bratfisch, 1997; Dela Coleta, 1992; Flora & Segrin, 1999; Gottman & Rushe, 1995; Rangé & Dattilio, 1995; Sanders, Halfor & Behrens, 1999; Starkey, 1991). No âmbito da Terapia Conjugal, há autores (por exemplo, Gottman & Rushe, 1995) que chegam mesmo a definir habilidades específicas que seriam cruciais para relacionamentos conjugais satisfatórios e deveriam ser aprendidas ou aperfeiçoadas por meio de programas terapêuticos ou educativos. Esses autores defendem um programa de “Terapia Conjugal Mínima”, que incluiria cinco classes de habilidades sociais: a) acalmar-se e identificar um estado de alteração fisiológica em si e/ou no outro; b) ouvir de forma não defensiva; c) validar o sentimento do outro; d) reorganizar o esquema de interação de modo a romper ciclos de queixa-crítica-defensividade-desdém ou desprezo-afastamento; e) desenvolver estilos mais adaptativos de persuasão ou negociação.

A forma como cada um dos cônjuges lida com as demandas interpessoais do relacionamento conjugal depende, destarte, do seu repertório de habilidades sociais e é afetada por fatores culturais, entre os quais certamente suas crenças e valores religiosos. Questões acerca de religiosidade e espiritualidade sempre estiveram presentes nos contextos da filosofia e da psicologia, sendo objeto de estudo de vários autores em diferentes épocas. Enquanto a religião é vista por alguns autores como fonte de controle sobre seus membros (Banaco, 1996), outros rejeitam essa idéia (Ribeiro, 1997), mesmo admitindo que as igrejas exercem influência sobre aspectos subjetivos como as crenças e o imaginário e reconhecendo que esses aspectos podem influenciar comportamentos em diferentes áreas da vida cotidiana.

Mais recentemente, têm-se observado significativas mudanças de concepção e de comportamento na população brasileira com relação às crenças e práticas religiosas. No censo realizado pelo IBGE em 20022, verificou-se, por exemplo, o crescimento das religiões evangélicas nos últimos anos, com 15% da população brasileira identificando-se como evangélica. Esse percentual aparece também em termos de impacto em outras áreas, como: futebol (comportamento diferenciado apresentado pelos “Atletas de Cristo”), política (candidatos “das igrejas”), educação (na média, os evangélicos lêem o dobro do que a população em geral) e até mesmo no crescimento populacional (mulheres evangélicas têm menor número de filhos e dois terços delas utilizam métodos contraceptivos).

Alguns pesquisadores em Psicologia (Caldana, 1991; Connors, Tonigan & Miller, 1996; Schoenfeld, 1993; Thornton, Axinn & Hill, 1992; Weaver, Koenig & Larson, 1997) têm estudado a influência da religião sobre questões de família e casamento. Thornton, Axinn e Hill (1992) mostraram que, quanto maior o nível de religiosidade, mais os sujeitos casavam-se oficialmente, seguindo as regras da igreja, e quanto menor o nível de religiosidade, menor o número de casamentos oficiais e maior a adoção de prática de morar junto. Weaver, Koenig e Larson (1997) apontam vários estudos que mostram a associação entre envolvimento religioso e redução de comportamentos de risco para o casamento, expectativas positivas com relação à família, ajustamento e satisfação conjugais, minimização de conflitos e aumento da tolerância. Pinezi-Barbosa (1999) verificou que os evangélicos reinterpretavam os princípios religiosos a fim de articulá-los aos novos valores e modelos de relação de gênero, divisão sexual do trabalho e moralidade sexual, concluindo que “a religião está de tal maneira integrada na vida dos indivíduos que seria impossível pensá-la de forma isolada em relação a todos os aspectos da vida social” (Pinezi-Barbosa, 1999, p. 06).

Em resumo, embora vários autores apontem para o impacto da religiosidade sobre diversos setores da vida, ainda se carece de análises a respeito da sua influência sobre comportamentos mais privados e restritos ao âmbito familiar, como, por exemplo, o relacionamento entre os cônjuges e outras variáveis associadas a essa possível influência. Juntamente com este fato, já que a literatura tem apontado para a importância das habilidades sociais no contexto conjugal (Bratfisch, 1997; Dela Coleta, 1992; Del Prette & Del Prette, 2001; Flora & Segrin, 1999; Gottman & Rushe, 1995; Rangé & Dattilio, 1995; Sanders, Halfor & Behrens, 1999; Starkey, 1991), é imperativo buscar identificar variáveis que podem estar interferindo e a forma como se daria esta interferência no repertório social dos indivíduos – neste caso, variáveis relacionadas à filiação religiosa.

Com base nas considerações e preocupações anteriormente delineadas, este trabalho teve como objetivo identificar a influência da religião sobre as habilidades sociais conjugais, comparando dois grupos com diferentes filiações e um terceiro sem nenhuma filiação declarada. Nos dois primeiros grupos foram tomados como indicadores da filiação religiosa aspectos como: freqüência prévia e atual à igreja, tempo de filiação, conhecimento doutrinário, relação que o respondente estabelece entre comportamentos cotidianos e ensinamentos da igreja, atribuições quanto à influência da filiação religiosa no seu cotidiano.

 

MÉTODO

Amostra

Foram selecionados, por indicação de padres, pastores e leigos, 74 casais distribuídos em três grupos: G1 - sem filiação religiosa: composto por indivíduos que se declararam sem filiação religiosa ou que não freqüentavam regularmente nenhuma igreja há, no mínimo, quinze anos; G2 – participantes declaradamente católicos, que haviam freqüentado a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) nos últimos três anos e a freqüentavam atualmente pelo menos uma vez por mês; G3 – participantes declaradamente presbiterianos, que haviam freqüentado a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) nos últimos três anos e a estavam freqüentando pelo menos uma vez por mês. Os critérios para a amostragem requeriam que os dois cônjuges apresentassem a mesma filiação religiosa e pelo menos um dos cônjuges tivesse escolaridade mínima de terceiro grau completo ou em andamento. As características sociodemográficas da amostra estão descritas na Tabela 1.

 

 

Utilizou-se também, para uma das análises, um critério diferenciado segundo a freqüência à igreja, comparando-se dois grupos contrastantes: um de participantes identificados como “muito religiosos”, caracterizados pela freqüência de duas ou mais vezes por semana à igreja e outro de “pouco religiosos”, com freqüência de menos de duas vezes por semana à igreja.

Como se vê na Tabela 1, os grupos de católicos e presbiterianos apresentaram o mesmo número de sujeitos e o de participantes sem filiação religiosa somente dois a menos. A média de idade na amostra total foi de 39,46 anos, concentrando-se na faixa dos 20 aos 49 anos; para o sexo masculino a média de idade foi 40,73 e para o feminino, 38,18, portanto mais baixa que a dos homens, como ocorre na maioria da população. O grau de instrução dos respondentes foi, em todos os casos, no mínimo o segundo grau completo, sendo que a maioria apresentou terceiro grau completo. A classificação socioeconômica, conforme o Critério Brasil (que divide a população nas classes A1, A2, A1, B2, C, D e E), fornecido pelo IBOPE, ficou entre as classes A e C, concentrando-se maior número de respondentes nas classes A2 e B1.

Instrumentos

Questionário Doutrinário (QD). Instrumento elaborado para esta pesquisa, testado com população análoga, com dez itens de múltipla escolha para verificação do conhecimento doutrinário do participante, segundo a religião por ele professada.

Inventário de Habilidades Sociais Conjugais (IHSC). Instrumento baseado no Inventário de Habilidades Sociais (Del Prette & Del Prette, 2001), com alterações para torná-lo mais específico às situações próprias do relacionamento conjugal. A versão adaptada para este estudo constituiu-se de 31 itens, a serem julgados individualmente pelo respondente em uma escala do tipo Likert, de cinco pontos, variando de “nunca ou raramente (zero a 20% das vezes)” a “sempre ou quase sempre (81 a 100% das vezes)”, tomando-se a freqüência de comportamentos socialmente habilidosos como um indicador de competência social conjugal.

Questionário Doutrinário X Habilidades Sociais (QD/HS-1 e QD/HS-2). Instrumento planejado para esta pesquisa, com duas partes. A primeira contém uma lista de habilidades sociais, sendo o respondente solicitado a assinalar aquelas que considera relacionadas a ensinamentos doutrinários por ele professados. Na segunda parte, o respondente deve descrever o conteúdo doutrinário que relacionou a alguma habilidade mencionada na primeira parte. 

Procedimento de coleta de dados

A coleta de dados ocorreu em reuniões na igreja e na residência dos respondentes, em presença da pesquisadora. Após explicação sobre a pesquisa e os procedimentos éticos pertinentes, foram entregues os instrumentos na seguinte ordem: IHSC, Questionário de Identificação, QD/HS-1, QD/HS-2 e QD. Cada um dos cônjuges respondeu individualmente e em separado os seus questionários. Ao G1 (grupo sem filiação religiosa) não foi solicitado preenchimento do QD, nem do QD/HS-1 e QD/HS-2.

Tratamento dos dados

Foi realizada inicialmente a tabulação dos dados obtidos nos instrumentos QD, IHSC e QD/HS-1 e a sua organização em planilhas com os valores dos itens de cada instrumento e escores de cada respondente. Com base nesses dados, procedeu-se a análises estatísticas descritivas e cruzamento das respostas ao IHSC e QD/HS-1 com as variáveis sexo, religião, escolaridade, profissão, tempo de casamento, obtendo-se, assim, uma caracterização de cada grupo e indicação da influência dessas variáveis nos escores de cada um dos grupos, bem como em itens específicos. Os três grupos foram comparados entre si no IHSC (ANOVA) e os dois grupos religiosos foram comparados nos escores no QD/HS-1 e no QD (Teste t). Foram feitas análises comparativas entre os escores do IHSC e escores do QD/HS-1 (Correlação de Pearson) e entre itens específicos de cada um desses instrumentos (Teste de Associação c²).

Os dados do QD/HS-2 foram organizados em tabelas, examinando-se o conteúdo das falas nas quais os respondentes estabeleceram associações entre habilidades específicas e ensinamentos da igreja. Tomando-se o conjunto das falas associadas a cada item de habilidades sociais do IHSC, foram comparados os grupos católico e presbiteriano, adotando-se como critério as questões norteadoras: a) os respondentes estão se referindo ao comportamento habilidoso ou ao não habilidoso?; b) na associação, os ensinamentos são do tipo doutrinário ou regras gerais de convivência que independem de filiação religiosa?; c) há diferenças na quantidade de respondentes (de uma ou outra religião) que indicou a habilidade sob análise?; d) há diferença de gênero (entre os dois grupos presentes) nas falas registradas para a habilidade sob análise; e) pode-se identificar alguma especificidade na forma como os dois grupos se expressam em relação à habilidade sob análise?

 

RESULTADOS

Os resultados obtidos em cada um dos conjuntos de dados e para cada um dos três grupos são apresentados a seguir. Com relação ao repertório de habilidades sociais conjugais, os dados obtidos com o IHSC estão dispostos na Tabela 2.

 

 

A Tabela 2 mostra que, nos escores de habilidades sociais conjugais do IHSC, os três grupos não apresentaram diferença significativa entre si (F2,145=0,924; p=0,399). Comparando os dois grupos filiados a religiões, também não foram encontradas diferenças entre católicos e presbiterianos (t1,98=-0,145; p=0,885). Ao se utilizar o critério diferenciado, conforme freqüência às atividades e serviços do grupo religioso, a diferença entre os escores dos dois grupos no IHSC também não foi significativa (t1,145=1,969; p=0,316). A análise de variância mostrou que a religião foi relacionada somente ao conjunto de itens do Fator 5 (Controle da agressividade), onde os presbiterianos apresentam escores mais baixos. Nos demais fatores (comunicação assertiva, expressão de sentimento positivo/agrado, expressão de desacordo/desagrado, desinibição/ espontaneidade) os três grupos não se diferenciaram, contrariando a hipótese de influência da filiação religiosa sobre as habilidades sociais conjugais.

A investigação sobre a relação que os respondentes estabeleciam entre habilidades sociais conjugais e os ensinamentos da igreja foi organizada em dados quantitativos (QD/HS1) e qualitativos (QD/HS2).

Em termos quantitativos, computou-se o total de itens de habilidades sociais conjugais que foram relacionados aos ensinamentos de sua igreja, conforme se mostra na Tabela 3.

 

 

Os escores médios no QD/HS1 não mostraram diferenças estatisticamente significativas: católicos e presbiterianos apresentam proporções semelhantes de itens em que relacionaram ensinamentos de suas igrejas às habilidades sociais conjugais. Examinando-se por item do IHSC, em apenas um foi constatada diferença significativa entre católicos e presbiterianos: católicos associaram ensinamentos da igreja à habilidade de “levar na esportiva as brincadeiras e/ou gozações do cônjuge”, enquanto que presbiterianos não a associaram. Esses dados foram também examinados em termos de correlação entre escores do IHSC e QD/HS1, que se apresentou não significativa (r=,044; p=,665), mostrando que, no escore geral e na quase-totalidade dos itens (com exceção de apenas um), o fato de um respondente associar mais ou associar menos as habilidades sociais conjugais aos ensinamentos de sua igreja não estava relacionado ao quanto ele é socialmente habilidoso, ou vice-versa.

Os resultados da análise qualitativa sobre as relações estabelecidas pelos respondentes mostraram que estes se referiram tanto ao comportamento habilidoso como ao não habilidoso e que os itens do IHSC foram associados tanto a ensinamentos do tipo doutrinário como a regras gerais de convivência, que independem de filiação religiosa. As Tabelas 4, 5 e 6 apresentam exemplos de falas dos respondentes e associações aqui referidas.

Os dados das tabelas mostram que, ao se solicitar dos respondentes que relacionassem itens específicos do IHSC a ensinamentos doutrinários, verificou-se que:

a) Os respondentes se referiram mais ao comportamento habilidoso que ao não habilidoso em todas as relações feitas com os itens do IHSC, com exceção dos itens três e quatorze; nestes, a freqüência de relatos de comportamentos não habilidosos justificados por supostos ensinamentos da igreja foi a mesma tanto para católicos como para presbiterianos.

b)  A associação entre habilidades sociais conjugais e ensinamentos doutrinários ocorreu para todos os itens do IHSC, por parte de ambos os grupos, sendo em maior proporção para respondentes presbiterianos (8,38%) do que para católicos (6,19%); da mesma forma, todas as habilidades foram associadas a regras gerais de convivência, que independem de filiação religiosa, por ambos os grupos, sendo em maior percentual para os respondentes do grupo dos presbiterianos (10,57%) do que para o dos católicos (5,52%).

c)  Quanto ao gênero, as associações feitas pelos homens e mulheres foram proporcionalmente semelhantes nos casais filiados às religiões: nos presbiterianos, 53,26% e 46,73%, respectivamente e nos católicos 50,40% e 49,6%.

d) Em termos de expressões lingüísticas, foi possível identificar maior ênfase por parte do grupo de presbiterianos em regras e deveres estabelecidos pela igreja do que pelos católicos, que apresentaram uma fala mais generalizada, enfatizando doação, caridade, paciência e ajuda.

 

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo mostram que, com relação ao repertório de habilidades sociais avaliado, não houve diferenças significativas entre os participantes com e sem filiação religiosa e entre os participantes filiados às duas religiões investigadas. Pode-se concluir que as regras de relacionamento social para o casamento (e provavelmente para outras áreas de relacionamento), veiculadas pelas igrejas são muito parecidas e, ainda, que se encontram disseminadas na cultura de modo a atingirem também os casais sem filiação religiosa. Essa conclusão encontra apoio em uma análise (assistemática) dos ensinamentos sobre relacionamento conjugal, que as comunidades religiosas procuram veicular por meio de diferentes estratégias (cursos, palestras e outros eventos educativos). Nessas ocasiões também não se verificam diferenças doutrinárias fundamentais, com exceção de alguns conceitos e normas acerca do relacionamento conjugal (como o conceito de sexo com finalidade exclusivamente reprodutiva e casamento como sacramento - obrigatório). Além disso, a literatura de auto-ajuda e os veículos de comunicação (jornais, revistas, programas de rádio e TV) têm disseminado muitas informações (com e sem base científica) sobre relacionamentos em geral e sobre relacionamentos conjugais em particular.

É importante considerar que a avaliação do repertório social dos cônjuges para lidar com situações do relacionamento foi feita a partir de um instrumento (IHSC) capaz de avaliar várias facetas deste repertório, ainda que não o avalie exaustivamente. Por exemplo, desempenhos sociais considerados importantes no relacionamento conjugal (como as habilidades empáticas e de resolução de problemas) que porventura pudessem estar relacionados à filiação religiosa não foram contemplados neste estudo, cabendo investigações posteriores sobre eles.

Sobre a relação entre filiação religiosa e repertório de habilidades sociais conjugais, é interessante lembrar, aqui, o estudo de Call e Heaton (1997), que identificou influências da filiação religiosa sobre a estabilidade conjugal, mas estas influências desapareceram quando as características demográficas foram levadas em consideração. Esses dados referem-se à população americana e neste estudo, mesmo se controlando grande parte das características demográficas, a influência da filiação religiosa sobre as habilidades sociais conjugais não foi observada. Call e Heaton (1997) lembram que a experiência religiosa é claramente diversa e multifacetada e entendem que seria impossível medir a influência da religião (seja com relação à estabilidade conjugal ou a outros aspectos, como é o caso das habilidades sociais conjugais) por meio de dimensões únicas ou separadas (freqüência, afiliação, conhecimento doutrinário, tempo de igreja). Essa posição é coerente com a de Amatuzzi (1999), que diferencia a experiência emocional de fé (enquanto algo pessoal e íntimo) e a filiação declarada a uma religião (que pode ser separada daquela): a primeira teria maior probabilidade de gerar conseqüências na forma como a pessoa vive (por exemplo, maior desapego às coisas materiais, uma alegria mais profunda e um senso de fraternidade universal), mas poderia ser independente de uma filiação religiosa específica.

Esses estudos sugerem que a influência religiosa não pode ser eficazmente avaliada com base somente na filiação declarada a determinada religião, uma vez que nos três grupos estudados (católicos, presbiterianos e sem religião) poderiam existir pessoas que passaram e pessoas que não passaram por esta experiência religiosa profunda e marcante a ponto de causar transformação de vida, inclusive no relacionamento conjugal. Também conforme Del Prette e Del Prette (2003), não obstante, em sua essência, os princípios cristãos serem favoráveis ao comportamento socialmente habilidoso, a filiação religiosa por si só não garante tal desempenho. Discutindo sobre habilidades sociais cristãs, esses autores afirmam que, além de questões pessoais sobre as quais a instituição não tem controle, as religiões muitas vezes têm falhado na tarefa de orientar os fiéis no paradigma cristão, que seria, em sua visão, compatível com comportamentos socialmente habilidosos.

Outro fator que deve ser considerado na análise da influência religiosa, conforme Jablonski (1991/1998), é o processo de secularização pelo qual a sociedade passa, ou seja, uma redução da influência das instituições religiosas sobre setores da sociedade, o que leva os indivíduos a analisarem o mundo e a decidirem sobre seu dia-a-dia sem o auxílio da religião. Jablonski (1991/1998) e Ribeiro (1997) afirmam também que o sentimento religioso em si (a crença no sobrenatural, a fé e o conforto moral/espiritual provenientes deste sentimento) não diminuiu, mas sim, a obediência a normas e regras institucionais, o que pode também explicar a falta de diferenças entre religiosos e não-religiosos no presente estudo.

A análise do conteúdo das falas mostrou relações, estabelecidas pelos respondentes de ambas as religiões, entre as habilidades sociais conjugais não somente com ensinamentos doutrinários, mas também com regras gerais de convivência e conceitos cotidianos sobre relacionamento conjugal. Em ambos os casos, as relações foram estabelecidas tanto com comportamentos socialmente habilidosos como não habilidosos. Pode-se supor que, apesar de os respondentes conhecerem os ensinamentos doutrinários e os associarem a várias habilidades sociais conjugais, o seu comportamento social parece ser pouco controlado por tais ensinamentos. Por outro lado, seriam importantes para justificar as reações por eles comumente adotadas e estabelecer alguma coerência com tais ações, buscando o respaldo de suas comunidades religiosas, mesmo que os ensinamentos aí obtidos não sejam propriamente doutrinários. Isto foi mais forte no caso dos presbiterianos que, inclusive, mostraram-se mais enfáticos na tarefa de associar tais ensinamentos a habilidades sociais conjugais. Outra hipótese é que as igrejas podem estar fornecendo informações relativas ao casamento e à família e que estas informações não são necessariamente de cunho doutrinário, assumindo, assim, um papel educativo bastante efetivo. Caberiam, portanto, estudos posteriores no sentido de verificar mais detalhadamente, em uma amostragem ampla e independente de religião, a quais fatores (educação, normas sociais e culturais, questões éticas ou humanitárias etc.) os sujeitos associam seus comportamentos conjugais socialmente habilidosos.

Os resultados sugerem que a filiação às religiões católica e presbiteriana não pode ser, em si mesma, considerada como influência facilitadora ou restritiva de comportamentos socialmente habilidosos. Esses dados, no entanto, não permitem uma generalização para outros modelos religiosos, em especial para aqueles em que as fronteiras grupais são mais demarcadas como, por exemplo, os mórmons e testemunhas de Jeová. Em algumas situações, a prática de um mesmo comportamento, considerado socialmente habilidoso, pode ser defendida ou criticada utilizando-se argumentos religiosos. Seria necessário analisar especificamente quais ensinamentos (ou a maneira como eles são veiculados em cada comunidade e interpretados pelos fiéis) poderiam facilitar comportamentos conjugais socialmente habilidosos ou justificar comportamentos não habilidosos. Em outras palavras, apesar de os indivíduos ansiarem por viver conforme os ensinamentos da igreja, algumas vezes os distorcem, amoldando-os à sua prática de vida, possivelmente porque as regras e normas da igreja (levadas ao pé da letra), em alguns casos, não estão sendo funcionais para eles. Esta constatação é coerente com Jablonski (1991/1998), que, referindo-se principalmente à Igreja Católica, mas extensivas às igrejas protestantes (com exceção das pentecostais, que tradicionalmente exercem um controle mais eficiente sobre seus membros), aponta uma perda gradativa da influência e prestígio da igreja no que se refere ao acatamento, por parte dos fiéis, de normas e regras por ela ditadas.

As conclusões aqui apresentadas são limitadas, no momento, ao escopo deste estudo, que incluiu duas religiões cristãs tradicionais e a uma amostragem que se restringiu a respondentes da classe média. Certamente seria interessante verificar o que ocorre com religiões minoritárias, nas quais a diferenciação pode ser considerada como valor de sobrevivência dos grupos maiores. Também é importante destacar que o IHSC é um instrumento bastante específico, ou seja, avalia apenas algumas habilidades sociais envolvidas no relacionamento conjugal. Um estudo mais amplo sobre relacionamento conjugal certamente incluiria itens adicionais não contemplados neste instrumento, o que poderia ser objeto de estudos futuros.

Considerando-se o crescimento do fenômeno religioso na sociedade atual e o aumento significativo de novos movimentos religiosos que se pretendem renovadores, pode-se supor que investigações semelhantes possibilitam um conhecimento mais detalhado sobre o relacionamento conjugal e, por extensão, o familiar. Tais conhecimentos constituem material importante tanto para os serviços de saúde como para a educação e orientação de jovens nos contextos familiar e escolar.

 

REFERÊNCIAS

Amatuzzi, M. M. (1999). Desenvolvimento psicológico e desenvolvimento religioso: uma hipótese descritiva. Em M. Massimi & M. Mahfoud (Orgs.), Diante do mistério: Psicologia e senso religioso (pp. 123-140). São Paulo: Loyola.        [ Links ]

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Caballo, V. E. (1998). El papel de las habilidades sociales en el desarrollo de las relaciones interpersonales. Em D. R. Zamignani (Org.), Sobre comportamento e cognição: A aplicação da análise do comportamento e da terapia cognitivo-comportamental no hospital geral e nos transtornos psiquiátricos (pp. 229-233). Santo André: Airbytes.         [ Links ]

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Endereço para correspondência:
Miriam Bratfisch Villa.
Via Jurandir da Paixão de Campos Freire, 500.
Condomínio B, Bloco 6, apto. 23A,
CEP 13480-970, Limeira-SP.
E-mail: bratfischvilla@itelefonica.com.br

Recebido em 19/09/2005
Aceito em 23/03/2006

 

 

1 Apoio: FAPESP.
2 Revista Veja de 03/07/2002, ed. 1 758.

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