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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372On-line version ISSN 1807-0329

Psicol. estud. vol.12 no.1 Maringá Jan./Apr. 2007

https://doi.org/10.1590/S1413-73722007000100006 

DOSSIÊ- PSICOLOGIA E FAMÍLIA

 

Concepções de pais e mães sobre comportamento paterno real e ideal1

 

Parents’ beliefs on the actual and ideal paternal behavior

 

Concepciones de padres y madres sobre comportamiento paterno real e ideal

 

 

Alessandra Bonassoli PradoI; Marcelo Richar Arua PiovanottiII; Mauro Luís VieiraIII

IMestre em Psicologia. Professora da Universidade do Oeste de Santa Catarina
IIMestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina
IIIDoutor em Psicologia. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo geral da presente pesquisa foi identificar características da concepção de mães e pais sobre comportamento paterno real e ideal. Participaram do estudo 30 casais (média de 33 anos) com pelo menos um filho na faixa de 3 a 6 anos. A coleta de dados foi realizada mediante a aplicação de escalas de estilo paterno, em que os respondentes avaliam o comportamento do pai em termos reais e ideais. Através da análise quantitativa dos dados, constatou-se que não houve diferença significativa na concepção de mães e pais sobre o que seria o comportamento paterno ideal; contudo, em termos reais, existe a tendência de o pai avaliar sua participação como mais efetiva do que imagina a mãe. Por fim, ambos consideram que o ideal de comportamento paterno está distante do real nos aspectos didáticos e de interação social, mas não em relação à disciplina.

Palavras-chave: comportamento parental, crenças, desenvolvimento infantil.


ABSTRACT

The characteristics on the mother’s and father’s concept on actual and ideal paternal behavior are provided. Thirty couples (mean age 33 years old), with at least one child between 3-6 years old, participated in the investigation. Data collection was undertaken by filling a form with paternal style scales in which the respondents evaluated the behavior of the father in actual and ideal terms. Quantitative analysis of data showed no significant difference in the concepts of mother and father on what would be the ideal behavior of the father concerning the child. However, in real terms, there was a tendency of the fathers to evaluate their participation as more effective than the mothers had in mind. Finally, both parents considered that the paternal behavior ideal is distant from what actually occurs with regard to didactic and social interaction aspects, with the exception of discipline.

Key words: Parental behavior, beliefs, child development.


RESUMEN

El objetivo general de la presente investigación fue identificar características del concepto de madres y padres sobre comportamiento paterno real e ideal. Participaron del estudio 30 parejas (media de 33 años) con por lo menos un hijo en la faja de 3 la 6 años. La colecta de datos fue realizada mediante la aplicación de escalas de estilo paterno, en que los respondientes evalúan el comportamiento del padre en términos reales e ideales. A través del análisis cuantitativo de los datos, se constató que no hubo diferencia significativa en la concepción de madres y padres sobre lo que sería el comportamiento paterno ideal; sin embargo, en términos reales, existe la tendencia del padre evaluar su participación como más efectiva de lo que imagina la madre. Por fin, ambos consideran que el ideal de comportamiento paterno está distante del real en los aspectos didácticos y de interacción social, pero no en relación al aspecto disciplinar.

Palabras-clave: comportamiento parental, creencias, desarrollo infantil.


 

 

A criação de filhos pequenos inclui um conjunto de aspectos relacionados ao ambiente de interação social (responsividade parental e vínculo entre os pais e a criança), ao ambiente didático (oportunidades de obter informações sobre questões fora do círculo familiar e de ampliar o repertório comportamental) e ao ambiente disciplinar (aprendizado de regras e normas sociais) (Belsky, 1984; Bentley & Fox, 1991; Bornstein & cols., 1996). Assim sendo, o cuidado parental é estimulado e modelado pelo tipo de interação entre o casal e pelos papéis que cada um assume. Ambos os progenitores contribuem diretamente para o desenvolvimento infantil. A maneira como a relação entre pai e mãe é percebida mutuamente se reflete no cotidiano interacional da família, tendo conseqüências no tipo de cuidado recebido pelas crianças.

Segundo Bornstein e cols. (1996), a maneira como os pais percebem o ideal de cuidado parental pode revelar modelos que ajudam a guiar o comportamento e representam metas que os genitores poderiam almejar em um domínio específico da criação dos filhos. As representações sobre os padrões ideais de paternidade e maternidade descrevem práticas de cuidado valorizadas dentro do grupo social, em um determinado momento histórico, mas tais práticas mantêm, segundo a perspectiva evolucionista, objetivos básicos como a proteção, a organização do ambiente e a alimentação da prole (Geary & Flinn, 2001; Prado, 2005; Prado & Vieira, 2003;).

No caso específico do comportamento paterno, as mudanças na organização da dinâmica familiar durante o séc. XX geraram a necessidade de o pai assumir um papel mais ativo na educação dos filhos e se engajar em diferentes tipos de interação com a criança (Bornstein & cols., 1996).

Com o objetivo de ilustrar a reestruturação da família, Pleck e Pleck (1997) apresentam uma análise histórica sobre como os padrões ideais de comportamento paterno foram se modificando ao longo da história dos Estados Unidos. Os autores argumentam que no período da América colonial, no qual predominava o sistema econômico rural familiar, o modelo ideal de paternidade era o de patriarca, pouco afetivo, que exercia o poder na família. Cabia a ele a responsabilidade de assegurar que suas crianças crescessem com um senso apropriado de valores e honra e adquirissem condutas religiosas. Com a industrialização, o ideal de paternidade que emergiu entre a classe média foi o de único provedor econômico - ficava submetido a essa condição o valor moral do homem em sociedade. A idéia de paternidade passou a ser a de um homem que se ausentava de casa para trabalhar e obter recursos financeiros. Neste período, a mãe passa a ser representada como o principal agente no desenvolvimento da personalidade de uma criança.

Com o estabelecimento do novo imperativo econômico industrial, entre 1900 e 1970, e com as mudanças na organização familiar, no papel da mulher em sociedade e na economia, o novo ideal de paternidade tinha como característica o envolvimento com os filhos, principalmente em atividades lúdicas com a criança. O pai não necessariamente teria que dividir igualmente as atividades de cuidado, mas era esperado que, pelo menos, brincasse com suas crianças, instruísse-as e verificasse as lições de casa; podendo freqüentemente expressar afeto e amizade, o que até então era raro no padrão ideal do patriarca. Apesar do maior envolvimento do pai com os filhos, a mãe ainda era vista como a principal responsável pela criação das crianças.

Na década de 1970, o modelo ideal de paternidade mudou mais uma vez. A partir de então, passa a ser o de um pai mais intensivamente envolvido com sua criança. Isso se deu, em parte, como resultado de uma relação igualitária entre o marido e a esposa, que foi, de certa forma, “convocada” pelo feminismo, com os questionamentos das desigualdades de gênero, o avanço dos métodos contraceptivos, o desemprego masculino e o ingresso massivo das mulheres no mercado de trabalho (Pleck & Pleck, 1997; Rico & Luna; 2000). O termo que Pleck e Pleck (1997) escolheram para descrever este novo modelo de paternidade, o qual teve como marca central a igualdade de responsabilidade pela criação dos filhos, foi o de pai co-genitor .

Do pai co-genitor da década de 1970 eram esperados o envolvimento com as crianças, divisão igualitária do cuidado físico diário, auxílio para educação de garotos sem estereótipos de gênero e a participação no desenvolvimento da criança, desde o nascimento até a fase adulta. Este é o modelo considerado ideal até os dias de hoje e é ele que tem impulsionado muitas investigações científicas. Segundo Rohner e Veneziano (2001), as construções culturais de paternidade tiveram conseqüências sobre a expressão do comportamento paterno e sobre a produção de quase um século de pesquisas sobre desenvolvimento infantil e família.

Mais especificamente na América Latina, e no Brasil de modo particular, pesquisas têm mostrado que, embora a concepção sobre o papel do pai venha sendo ampliada mediante a participação na educação e socialização dos filhos, além da demonstração de afeto com os demais membros da família, ainda persiste o modelo tradicional de paternidade, ou seja, o de provedor (Trindade, 1993; Rico & Luna, 2000; Trindade & Menandro, 2002).

Nesse sentido, a percepção do pai sobre seu próprio comportamento merece atenção, uma vez que permite ao homem avaliar quanto o seu comportamento se aproxima ou se afasta daquilo que ele considera ideal. Bornstein e cols. (1996) argumentam que os modelos de paternidade podem gerar comportamentos de cuidado ou mediar sua eficiência, ajudando a organizar o ambiente de criação dos filhos. Da mesma forma, a percepção materna sobre o comportamento de seu companheiro oferece alguns aspectos do suporte fornecido pelo pai aos seus filhos e o grau de satisfação da mãe com a participação paterna na dinâmica familiar.

Na tentativa de caracterizar qual é a concepção de paternidade que se tem hoje em dia em uma determinada população urbana de Florianópolis, a presente pesquisa procurou investigar as idéias de jovens casais com filhos sobre o comportamento paterno. O objetivo foi identificar padrões sociais implícitos de paternidade e diferenças entre pais e mães sobre a percepção do comportamento paterno em termos reais e ideais.

 

MÉTODO

A pesquisa foi realizada mediante aplicação de uma escala de estilo paterno e aplicação de um questionário socioeconômico.

Participantes

Participaram deste estudo 30 casais de diferentes níveis educacionais e socioeconômicos, com pelo menos um filho na faixa etária de 3 a 6 anos. A idade dos participantes variou de 19 a 48 anos. A média de idade entre os homens foi de 34 anos e 11 meses (M = 34,90 ± 7,20) e das mulheres, de 32 anos e 6 meses (M = 32,50 ± 7,28).

Os casais possuíam, em média, 2 filhos (2,06 ± 1,27), sendo que 56,7% (n = 17) dos casais estavam dentro deste número, 26,7 % (n = 8) tinham 1 filho e 16,7% três ou mais filhos (n = 5). O tempo da união dos casais variou de 2 a 22 anos (M = 11,20 ± 4,79).

Instrumentos

As escalas utilizadas compõem um instrumento elaborado por Bornstein e cols. (1996) para mensurar como a mãe compreende o comportamento materno e paterno, em termos de comportamento parental real e ideal. O instrumento foi adaptado no Brasil por Maria Lúcia Seidl de Moura e Rodolfo Ribas Jr. (Seidl de Moura & Ribas Jr., 2003).

As escalas Estilo materno e Estilo paterno são constituídas por 34 itens cada uma, divididos em duas partes: 17 itens para o estilo real e 17 itens para o estilo ideal, previstos para serem aplicados somente com mães. Assim sendo, os dois instrumentos foram modificados lexicalmente para serem aplicados tanto à mãe quanto ao pai, e para medirem somente o estilo paterno de cuidado. Dessa forma, os pais e mães participantes receberam uma escala sobre estilo paterno real e ideal com as devidas alterações, de acordo com o sexo do respondente. O principal motivo destas alterações foi limitar o estudo ao comportamento paterno e adequar a concordância nominal das escalas para cada grupo investigado.

Escalas de estilo paterno

Estilo paterno ideal: Esta escala possibilita o levantamento de dados a respeito da percepção dos participantes sobre quais as principais qualidades e comportamentos que um pai deveria apresentar em situações específicas em relação a sua criança. Nesse sentido, determina qual seria o padrão de comportamento ideal para um pai.

Estilo paterno real: Esta escala permite investigar como são percebidos os comportamentos do pai. Por meio da descrição do padrão cultural real, investiga-se como o comportamento paterno pode variar dentro da população estudada.

Os participantes eram instruídos a atribuir a cada afirmativa da escala uma avaliação de 1 a 5, representativa do grau de concordância com as afirmativas apresentadas. A nota 1 quer dizer “discordo totalmente”; nota 2 "discordo parcialmente"; nota 3 "não concordo nem discordo"; nota 4 "concordo parcialmente" e nota 5 quer dizer "concordo totalmente".

As escalas possuíam afirmativas agrupadas em três subescalas: didática, interação social e disciplina.

Subescalas

Aspectos didáticos: representam situações que mostram estratégias e situações corriqueiras que o pai pode utilizar para proporcionar à criança oportunidades de desenvolver e refinar o repertório comportamental. Nesse sentido, as afirmativas chamam a atenção para a importância dos aspectos cotidianos do processo de desenvolvimento infantil e de aprendizagem que estimulam a criança para a consciência de objetos e suas propriedades (massa, altura, densidade, cor, etc.) e demais eventos no ambiente, como, por exemplo, oferecer uma variedade de brinquedos, proporcionar experiências sociais e interativas diversificadas, brincar com a criança, permitir que a criança explore o mundo à sua volta, oferecer um ambiente estruturado e manter-se flexível a respeito das expectativas comportamentais (Bornstein & cols., 1996).

Aspectos sociais: representam afirmativas referentes à importância de perceber quais são as necessidades da criança e responder a elas de maneira adequada. Os itens desta subescala descrevem situações importantes para o estabelecimento de uma relação de confiança entre pai e criança; como, por exemplo, despender algum tempo conversando com os filhos, dar mostras positivas de afeto e atenção, assim como estar atento ao que a criança quer ou está sentindo - características típicas de interações de troca entre a díade pai-criança que envolvem sensibilidade e responsividade paterna (Bornstein & cols., 1996).

Aspectos disciplinares: são afirmativas que colocam em questão a importância, para a criança, da aprendizagem de algumas convenções e regras sociais de interação, com vista a verificar na figura paterna uma das referências para a aprendizagem de aspectos que possibilitem ao pai discernir entre o certo e o errado - por exemplo, chamar a criança à atenção diante do seu mau comportamento (Bornstein & cols., 1996).

Para estimar o estilo paterno de cuidado foram aplicadas perguntas adicionais referentes ao tempo que o pai disponibiliza para ficar com sua criança e desempenhar atividades domésticas.

Questionário de nível socioeconômico

A Escala de Avaliação de Status Socioeconômico de Hollingshead (1975) foi utilizada para avaliar o nível educacional, o prestígio ocupacional e o nível socioeconômico da amostra. A validade desse instrumento para a realidade brasileira foi verificada em estudos realizados anteriormente (Ribas & cols., 2000; Ribas, Seidl de Moura, Gomes, Soares & Bornstein, 2003; Ribas, Seidl de Moura  & Bornstein, 2003; Seidl de Moura & cols., 2004; Prado, 2005).

A verificação do nível educacional leva em conta o número de anos de escolarização formal, tabulada em uma escala de 7 níveis (1: ensino fundamental incompleto; 2: ensino fundamental completo; 3: ensino médio incompleto; 4: ensino médio completo; 5: superior incompleto; 6: curso superior completo; 7: pós-graduação). O prestígio ocupacional foi avaliado com base em uma lista com aproximadamente 450 atividades profissionais e tabulado em uma escala de 9 níveis que aumentam progressivamente em termos de formação profissional e ganhos financeiros. Empregados não qualificados e empregadas domésticas, por exemplo, recebem a menor pontuação da escala, 1; ao passo que executivos e profissionais liberais recebem a maior pontuação da escala, 9.

Com base na pontuação obtida nessas escalas, utilizou-se o Índice Quadrifatorial de Status Socioeconômico, HI (Hollingshead Four Factor Index of Socioeconomic Status). O escore do status socioeconômico de Hollingshead (1975) – HI, utilizado para avaliar o nível socioeconômico da amostra, é calculado, para cada indivíduo, somando-se o nível educacional multiplicado por 3 com o prestígio ocupacional multiplicado por 5. Dessa forma o HI produz um escore que pode variar de 8 a 66. Para famílias nucleares com apenas um cônjuge empregado, o escore é calculado com base no cônjuge empregado; quando ambos exercem atividade remunerada, o status da família nuclear é dado pela média entre os escores de cada um.

Coleta de dados

A aplicação da escala de estilo paterno foi realizada com famílias cadastradas em uma unidade de saúde de Florianópolis. A primeira visita era realizada na companhia de um agente de saúde, e nela foi solicitada ao participante uma data para posterior entrevista. O contato inicial foi realizado com o familiar que estava disponível (pai ou mãe). A segunda visita destinava-se à aplicação do questionário socioeconômico e escala de estilo paterno com cada genitor individualmente (não era necessária a aplicação em uma mesma data para o pai e a mãe).

O número de visitas dependeu da conclusão de todas as etapas previstas no procedimento (aplicação de questionário socioeconômico e da escala de estilo paterno). As famílias em que, por motivos diversos, não foi possível realizar a primeira visita na companhia da agente de saúde, foram contatadas, em um primeiro momento, por telefone. Os dados telefônicos eram obtidos no prontuário de acompanhamento de saúde.

Todos os procedimentos adotados foram aprovados por uma comissão de ética em pesquisa com seres humanos da Universidade Federal de Santa Catarina, sob o protocolo de número 206/2004, com parecer de 07/06/2004.

Análise dos dados

Os dados foram padronizados e comparados utilizando-se o pacote estatístico SPSS (versão 10.0). Para análise de inferência dos dados foram utilizados testes paramétricos. O teste “t” para amostras relacionadas foi utilizado para verificar se havia diferença significativa entre o ideal e o real para um mesmo grupo de respondentes (o pai ou a mãe). Quando a análise envolvia a comparação entre o pai e a mãe, era utilizado o teste “t” para medidas independentes. As diferenças foram consideradas significativas quando o nível de significância (p) era igual ou menor que 0,05 e admitiu-se tendência quando p foi menor ou igual a 0,10.

 

RESULTADOS

Do total de mães, 30% possuíam o ensino fundamental, 40% o ensino médio, 23,5% o ensino superior e 6,5% a pós-graduação. No caso dos pais, 43,5% possuíam o ensino fundamental, 20% o ensino médio, 26,5 % cursaram ensino superior e 10% possuíam pós-graduação. No geral, o índice de desistência escolar foi maior entre os homens. Onze mães deixaram a escola antes de concluir o grau de instrução que estavam cursando, enquanto entre os homens esse número foi de 16.

Em relação ao prestígio ocupacional, os homens apresentaram escore médio de 4,83 (± 2,54) e as mulheres, escore médio de 3,70 (± 3,27). Entre as mulheres, 15 foram classificadas no escore 1, enquanto 7 estavam situadas nos dois últimos escores e as 8 restantes estavam distribuídas entre esses dois extremos. Os homens, por sua vez, tiveram uma distribuição equilibrada entre os diferentes níveis da escala ocupacional

Com base nos escores de escolaridade e ocupacional, foi calculado o nível socioeconômico da amostra, tendo-se obtido a média de 32,03 ± 18,98. Na amostra não houve diferença significativa entre homens e mulheres com relação à escolaridade e ao nível ocupacional. Através desses dados, constata-se que a amostra foi diversificada, não sendo possível caracterizá-la dentro de um status socioeconômico específico.

Escala de estilo paterno ideal

A análise da escala de estilo paterno ideal indica que pais e mães possuem idéias semelhantes sobre o que eles consideram as principais qualidades e comportamentos que um pai deveria apresentar em relação à sua criança (t=1,16; gl=58; p=0,25). Na análise das subescalas, constata-se que não houve diferença significativa entre as respostas de pais e mães para os aspectos didáticos (t=1,07; gl=58; p=0,29), de interação social (t=0,77; gl=58; p=0,44) e disciplinares (t=0,78; gl=58; p=0,43).

Escala de estilo paterno Real

A escala de estilo paterno real permitiu investigar como são percebidos os comportamentos do pai, por ele mesmo e por sua esposa, na interação com seu(s) filho(s). Os homens tendem a perceber a sua participação como mais intensa do que as mulheres acreditam que esta seja (t=1,89; gl=58; p=0,06).

A análise dos dados revelou que essa diferença na percepção de homens e mulheres se dá nas subescalas didática (t=1,87; gl=58; p=0,07) e disciplina (t=1,44; gl=58; p=0,06). Os pais acreditam ter uma atuação mais efetiva, em relação a estes aspectos, do que as mães percebem sobre o comportamento real deles; contudo, esta tendência não se repete em relação à subescala de interação social (t=1,10; gl=58; p=0,28).

De modo geral, a percepção de homens sobre seu comportamento é mais favorável que a das mulheres; eles afirmam que freqüentemente ou sempre realizam os comportamentos descritos nos itens da escala.

Comparação entre a escala de estilo paterno ideal e real

A diferença entre as escalas de estilo paterno ideal e real foi estimada por meio do teste “t” para medidas pareadas. Nesta análise foi identificada, tanto para os pais quanto para as mães, uma diferença significativa entre o ideal e o real nas subescalas didática e interação social (p < 0,001), o que não foi constatado na subescala disciplina (figura 1). Em outras palavras, pais e mães entendem que o pai deveria (ou poderia) fazer mais do que ele faz hoje em dia, a respeito dos aspectos didáticos e de interação social do desenvolvimento de suas crianças.

 

 

Estimativa de disponibilidade paterna

Os casais foram solicitados a estimar o tempo total que o pai passa com seu(s) filho(s) durante uma semana, com ou sem a presença de outras pessoas, assim como o tempo ideal para o pai estar com sua(s) criança(s).

O pai e a mãe estimaram tempos semelhantes para a disponibilidade real do pai, sendo que a média estimada pelos pais ficou em 44 horas e meia e a estimada pelas mães foi de 46 horas e meia (t=-0,44; gl=58; p=0,60). Em relação ao tempo ideal, os pais julgam que este deveria ser, em média ,de 61 horas e meia, e as mães, de 50 horas e cinqüenta minutos; ou seja, os pais tendem a acreditar que deveriam passar mais tempo com suas crianças, em comparação com a opinião das mães (t=1,66; gl=58; p=0,10). Destaca-se que para as mulheres o pai já disponibiliza o tempo considerado ideal para interagir com seus filhos (t=0,85; gl=29 p=0,40); no entanto, para os homens, o tempo real disponível não corresponde ao ideal estimado (t=3,74; gl=29; p=0,001); ou seja, os pais acham que deveriam estar por mais tempo em contato com seus filhos.

Os casais foram solicitados a estimar os principais horários em que o pai está com seu(s) filho(s) em um quadro de horários. Para padronizar esta informação foram estabelecidos três principais períodos ao longo de uma semana (de segunda a sexta-feira): manhã (das 6 às 11 horas), tarde (das 12 às 17 horas) e noite (das 18 às 23 horas). O final de semana (sábado e domingo) foi calculado separadamente, sem distinção de horários. Através dos resultados, foi verificado que os principais momentos em que o pai está junto a sua família são a noite e os finais de semana. A média diária noturna estimada pelos homens foi de 3h35min, e pelas mulheres, de 3h31min. A média diária dos finais de semana também foi maior: 13 horas entre os homens e 12h53min entre as mulheres. O tempo disponível no final de semana é o dobro dos dias de semana (de segunda a sexta-feira), sendo que para a estimativa dos homens este é em média de 6h24 min e para a das mulheres é de 6 horas

Participação em tarefas domésticas

O espaço domiciliar é um dos contextos de desenvolvimento infantil em que a criança permanece por mais tempo. Este espaço é organizado mediante uma série de atividades que visam, de forma geral, à higiene, à alimentação, à organização e à previsibilidade (limpar, arrumar a casa, fazer as refeições, lavar as roupas, etc.). A participação do pai na execução destas tarefas foi avaliada por ele mesmo e por sua esposa, e também em termos do que seria o ideal de atividades domésticas a serem realizadas pelo pai.

Segundo a análise estatística, não houve diferença significativa na avaliação de homens e mulheres com relação à participação do pai na organização deste contexto (t=0,63; gl=58; p=0,53). Contudo, existe diferença com relação ao que eles consideram ser o ideal de participação paterna nas atividades domésticas (t=2,33, gl=58; p=0,02). Em outras palavras, em termos reais, pai e mãe concordam sobre a participação do pai nas atividades da casa. No entanto, a mãe acredita que o ideal seria o pai fazer mais do que ele avalia como sendo seu papel nas tarefas do lar. 

Avaliando a diferença entre o ideal atribuído e a percepção do comportamento real, na avaliação das mulheres, a participação paterna em atividades domésticas não corresponde ao ideal atribuído por elas (t=3,50; gl=29; p=0,002). Por outro lado, na opinião do pai, a participação dele está no nível daquilo que ele considera o ideal (t=0,39; gl=29; p=0,70). Em resumo, as mães acham que os pais deveriam participar das atividades de organização da casa de forma mais intensa, enquanto os homens acham que sua participação está bastante próxima do que seria o ideal. 

 

DISCUSSÃO

As crenças sobre a educação de crianças podem variar e se adaptar a cada necessidade e ambiente (Bornstein & cols., 1996; Bronfenbrenner, 1996). Com as mudanças no contexto social nas últimas décadas, em que as mulheres estão ingressando no mercado de trabalho, têm-se estabelecido novas opções para o cuidado alternativo de bebês e crianças pequenas, como creches e pré-escolas. Especificamente, algumas variações nas crenças sobre os diferentes domínios da participação paterna no cuidado e desenvolvimento das crianças foram identificadas na presente pesquisa e serão discutidas a seguir.

Didática

As sociedades humanas são mais complexas e variadas do que as de qualquer outra espécie. Esta situação requer dos humanos não só uma inteligência flexível para aprender as convenções de suas sociedades, mas também um longo tempo para aprendê-las (Bjorklund, 1997). Os progenitores assumem parte das responsabilidades para que a criança possa ampliar seu repertório comportamental, patrocinando um contexto facilitador para seu desenvolvimento e oferecendo suporte cognitivo e emocional para a criança enfrentar este processo. Esta função pode ser descrita em um grande número de atividades, como brincar com a criança, servir como modelo, apoiar na educação escolar e extra-escolar, participar em atividades cotidianas que incluem a comunicação e o lazer, e ainda contribuir com as tarefas da casa.

A interação didática pode ser identificada em estudos que discutem envolvimento paterno, por compartilhar características comuns à definição deste último, como a acessibilidade, em alguns momentos de interação próxima e de responsabilidade para com as atividades que fazem parte da rotina da criança. O engajamento paterno nestas atividades, como aponta Pleck (1997), tem conseqüências positivas para o desenvolvimento da criança, como: maior competência cognitiva; maior controle interno; maior empatia, diminuição de estereotipias nos papéis de gênero, entre outras. Contudo, não há, segundo o autor, determinantes claros que modulem a participação do pai nestas atividades, sendo as crenças um dos fatores associados ao engajamento paterno.

Entre os casais que participaram da presente pesquisa, existe concordância na compreensão do ideal de interação didática; contudo, pais e mães diferem com relação ao comportamento real expresso, ou seja, os pais avaliam sua participação neste domínio como mais ativa, quando comparada com a avaliação das mães. Resultados semelhantes foram encontrados por Bornstein e cols. (1996) em pesquisa realizada com mães na Argentina e nos Estados Unidos. As mães percebem maior discrepância entre o ideal e o real para o comportamento de interação didática de seu marido em comparação com o seu próprio comportamento. Na França, as mães consideram que o comportamento real do pai está em concordância com a idealização delas para o pai na interação com sua criança; porém os autores argumentam que mães francesas normalmente não esperam que seus maridos se envolvam na instrução de sua criança, especialmente nos primeiros anos de vida.

Em relação às atividades domésticas, pais e mães têm percepções semelhantes sobre o comportamento real do pai; no entanto, eles diferem com relação ao ideal para a participação do pai nas tarefas domésticas. Os pais consideram que a participação deles é o padrão ideal, sendo que para as mulheres o ideal seria superior ao real apresentado. As atividades domésticas, durante o período de patriarcado e de industrialização, estiveram associados ao papel materno e feminino, sendo consideradas de menor valor, por não gerarem renda, e vinculadas a um status menor na hierarquia social. Com o ingresso da mulher no mercado de trabalho e os questionamentos das desigualdades de gênero, o avanço dos métodos contraceptivos e o desemprego masculino, a associação negativa tem se enfraquecido e o pai passa a dividir com a mulher algumas responsabilidades (Pleck & Pleck, 1997; Rico & Luna; 2000). Não obstante, segundo a percepção das mães, na presente pesquisa, a realidade não está em concordância com o idealizado por elas.

Em estudo realizado entre homens com filhos, a percepção da responsabilidade paterna, como apontam Sanderson e Thompson (2002), esteve associada ao status ocupacional do parceiro, mas não ao engajamento no cuidado à criança. Os pais percebem maior habilidade no cuidado da criança quando também percebem alto nível de engajamento e responsabilidade para as atividades que fazem parte das rotinas de cuidado à criança. As autoras verificaram, também, que existia correlação entre a percepção da habilidade paterna, a orientação de papel de gênero do pai e rendimentos familiares. Isto significa que aspectos relacionados à aprendizagem nos papéis de gênero e divisão conjugal do encargo para obter ganhos financeiros estiveram relacionados com a percepção do envolvimento paterno. Pode-se dessa forma supor, na presente pesquisa, que estes também são aspectos intervenientes na percepção do comportamento paterno.

Interação social

O domínio de interação social está associado à sensibilidade e à responsabilidade pelas necessidades físicas e emocionais da criança, favorecendo a vinculação entre mãe, pai e criança (Belsky, 1996; Bridges, Connell & Belsky, 1988; Bowlby, 2002; Jain, Belsky & Crnic, 1996; Lundy, 2003).  No caso específico do pai, inclusive, existe correlação entre alterações hormonais e a expressão do comportamento paterno (Fleming, Corter, Stallings, & Steiner, 2002; Storey, Walsh, Quinton & Wynne-Edwards, 2000; Wynne-Edwards, 2001), embora ainda não se possa afirmar, de modo conclusivo, o que é causa e o que é conseqüência nesse caso; ou seja, ainda não é possível determinar se é o envolvimento paterno que exerce influência nos hormônios ou acontece o contrário.  De qualquer forma, é comprovado que existe uma relação entre essas duas variáveis.

A valorização da interação entre pai e bebê é discutida por Rico e Luna (2000), em pesquisa realizada com homens e mulheres do perímetro urbano no México. Os autores apontam que, independentemente das limitações econômicas para a provisão de recursos financeiros, a atribuição paterna é importante nesta população e a relação afetiva entre o pai e seus filhos e filhas pode adquirir maior relevância. Esta é considerada como “um tipo de relação amorosa duradoura e inquestionável” (p. 269).

Destaca-se que, para os casais da presente pesquisa, o ideal de interação social é significativamente superior ao real percebido. Além disso, os homens acham que deveriam se envolver mais com seus filhos do que o fazem hoje em dia. Com relação à interação pai e criança, Rohner e Veneziano (2001) argumentam que os pais (homens) geralmente interagem com os filhos menos freqüentemente do que as mães, tendendo a se envolver menos em demonstrações de carinho/atenção. Quando interagem com os filhos, eles freqüentemente iniciam tipos de comportamento diferentes dos da mãe. Por exemplo, eles tendem a ocupar-se com atividades físicas - como brincadeiras. Contudo, os autores apontam que amor paterno (aceitação–rejeição do pai) está fortemente implicado na saúde e no bem-estar psicológico de crianças e de adultos, enfatizando do mesmo modo a relação afetuosa entre o pai e a criança.

Disciplina

O domínio de interação parental referente à disciplina não é identificado prontamente dentro de estudos sobre desenvolvimento, mas pode ser associado a pesquisas sobre comportamento desajustado de crianças e adolescentes (Belsky, 1984; Phares, 1997; Bolsoni-Silva & Marturano, 2002), por colocar em questão a aprendizagem de algumas convenções e regras para a criança na interação social e estabelecer uma figura de referência para ensinar aspectos que possibilitem discernir entre adequação e não-ajustamento a estas regras. Estes estudos procuram investigar as possíveis correlações para a causa do comportamento desajustado, entre elas, a interação agressiva entre o pai e a criança e o comportamento paterno coercitivo (ver Cummings & O’Reilly, 1997; Phares, 1997).

Na presente pesquisa, para os casais, este domínio (disciplina) de interação pai-criança é percebido como o de maior participação paterna. Uma das razões pode ser o fato de este domínio de interação no contexto interpessoal assumir, algumas vezes, uma conotação negativa de modelos autocráticos e arbitrários (Bornstein & cols., 1996). Esta correlação, durante muito tempo, esteve associada ao papel do pai, ao longo do patriarcado, nos séculos de XVII a XIX. Nesse período histórico o pai exercia grande poder e controle sobre seus filhos; era ele que estabelecia as regras, as quais não podiam ser questionadas. Cabia a ele, também, o desenvolvimento moral e ocupacional dos filhos, e, embora ele tenha perdido poder no século XIX, com a industrialização, ele manteve seu valor como condutor moral (Pleck & Pleck, 1997; Trindade, 1998). Os pais/homens parecem manter esta associação negativa ao ambiente de limites, uma vez que eles consideram que o ideal para interação com sua criança neste domínio seria menor que o real apresentado.

Os casais possuem percepções semelhantes sobre o ideal e o real para o pai no domínio de interação disciplinar. É possível que este tipo de interação pai-criança seja valorizado por pessoas com filhos, uma vez que existe entre elas a crença de que a forma como os pais educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados. Isto é verificado no discurso, freqüente, de que é necessário ensiná-los a discernir entre “o que é certo e o que é errado” e na prevalência de categorias sociocêntricas para interação social como as de bom comportamento e expectativa social.

Outro indicativo da valorização deste tipo de interação entre pai e filho é a concordância, entre os participantes da pesquisa, em que o comportamento real apresentado corresponde ao ideal de interação pai-criança. O estilo de cuidado parental em que prevalece a decisão dos pais como referência para a instrução da criança, do mesmo modo, não está sempre correlacionado a desajuste, como é apontado por Chao (2000). A autora argumenta que este estilo de cuidado parental esteve correlacionado, em algumas minorias étnicas, à maturidade social em crianças pré-escolares e à realização acadêmica em universitários (afro-americanos e asiático-americanos), sendo também uma prática parental valorizada. Além disso, ele está correlacionado, entre mães asiático-americanas, com metas de socialização para a “demonstração de filiação” que compreende honrar e respeitar a família e antepassados.

De um modo geral, pode-se concluir que os casais com filhos apresentaram concepções semelhantes sobre o que seria o comportamento ideal de paternidade, mas existem divergências entre eles sobre o comportamento real expresso nas subescalas de interação social e didática. De qualquer forma, os resultados mostram-se positivos para as relações familiares e para a criança, uma vez que existem concordâncias entre pais e mães em que o pai é importante para o desenvolvimento infantil e que ele deveria ter um envolvimento mais intenso, na criação dos filhos. O próximo passo será identificar e propor estratégias para que os pais consigam estar mais em contato direto com seus filhos.

As diferentes modalidades de interação social entre os progenitores e a crianças têm sido consideradas como mediadores relevantes de papéis e valores dentro da família (Kreppner, 2000). Essas modalidades apresentam características da relação que os progenitores estabelecem com a criança e quais os aspectos que são por eles valorizados para promover o desenvolvimento dos filhos. Nesse sentido, devem-se desenvolver estudos que utilizam a observação direta do comportamento paterno e parental. Outro aspecto que deverá ser investigado em futuras pesquisas é a influência do nível socioeconômico, condições ecológicas e aspectos culturais na concepção de mães e pais sobre educação e interação com filhos, uma vez que na presente pesquisa a amostra foi diversificada em termos de escolaridade e ocupação profissional.

 

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Endereço para correspondência:
Mauro Luís Vieira.
Departamento de Psicologia,
Universidade Federal de Santa Catarina, Campus Universitário, Trindade,
CEP 88049-900, Florianópolis-SC.
E-mail: mvieira@cfh.ufsc.br

Recebido em 25/10/2005
Aceito em 25/10/2006

 

 

1 Apoio: CAPES e CNPq.

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