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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372On-line version ISSN 1807-0329

Psicol. estud. vol.12 no.1 Maringá Jan./Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722007000100007 

DOSSIÊ- PSICOLOGIA E FAMÍLIA

 

Transmissão intergeracional da cultura: um estudo sobre uma família mineira

 

Intergeneration transmission of culture: study of a family from Minas Gerais, Brazil

 

Transmisión intergeneracional de la cultura: un estudio sobre una familia mineira

 

 

Aline Vilhena LisboaI; Terezinha Féres-CarneiroII; Bernardo JablonskiIII

IMestre em Psicologia Clínica. Pesquisadora da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG
IIDoutora em Psicologia. Professora Titular do Departamento de Psicologia da PUC-Rio
IIIDoutor em Psicologia Social. Professor do Departamento de Psicologia da PUC-Rio

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O presente trabalho compreende parte de uma pesquisa de mestrado em parceria com uma pesquisa sobre câncer de mama e história familiar que vem sendo realizada há sete anos no Centro de Psicologia Aplicada da Universidade Federal de Juiz de Fora. A partir de dados clínicos fornecidos por uma das famílias voluntárias da pesquisa da UFJF, categorias de análise como casamento, religiosidade e sexo surgiram no decorrer das entrevistas. A família Silva possui uma identidade cultural própria e típica de uma família mineira de imigrantes do meio rural. Realizamos uma pequena análise sobre as vicissitudes da tradição do mundo contemporâneo em face da transmissão intergeracional da cultura enraizada em valores de sustentação.

Palavras-chave: transmissão intergeracional, cultura, família.


ABSTRACT

Essay comprises a research on breast cancer and family history undertaken during seven years at the Center of Applied Psychology of the Federal University of Juiz de Fora, Juiz de Fora MG Brazil. Clinic data supplied by one of the voluntary families included in the UFJF research revealed such categories as marriage, religiosity and sex issues during interviews. The Silva family has a cultural identity typical of the Minas Gerais immigrant country family. An analysis has been undertaken on tradition within the contemporaneous milieu vis-à-vis the intergeneration transmission of culture in support values.

Key words: Intergeneration transmission, culture, family.


RESUMEN

El presente trabajo abarca parte de una investigación de máster en colaboración con una investigación sobre cáncer de mama e historia familiar que se realiza hace siete años en el Centro de Psicologia Aplicada de la Universidad Federal de Juiz de Fora (UFJF). A partir de datos clínicos suministrados por una de las familias voluntarias de la investigación de la UFJF, categorías de análisis, tales como casamiento, religiosidad y sexo fueron surgiendo en el correr de las entrevistas. La familia Silva posee una identidad cultural propia y típica de una familia mineira de inmigrantes del medio rural. Realizamos un pequeño análisis sobre las vicisitudes de la tradición del mundo contemporáneo correlacionadas a la transmisión intergeneracional de la cultura arraigada a valores de sustentación.

Palabras-clave: transmisión intergeneracional, cultura, familia.


 

 

No mundo contemporâneo a família vem apresentando novas formas de organização e vicissitudes em relação à concepção de sexo, casamento e religião. Temas como transmissão intergeracional e cultura podem dimensionar as vicissitudes de uma família mineira do meio rural do século XXI, mesmo reconhecendo-se que eles possam despertar algumas compreensões diferentes. O conhecimento de particularidades de famílias que viveram a primeira metade do século XX em zonas rurais do Estado de Minas Gerais contribui para a compreensão de pesquisas que apontem dados sobre a tradição e os impasses da transformação dos aspectos culturais. Embora o caso de família apresentado neste trabalho tenha tido, a princípio, uma análise clínica, sugiram novas categorias durante as entrevistas, o que permitiu apresentar também as atitudes sobre sexo, casamento e religião dos entrevistados. Percebe-se que, mesmo com as transformações exigidas pelo mundo contemporâneo, hoje em dia, num grupo familiar do interior de Minas, são encontrados valores e rituais transmitidos desde outras gerações que compreendem uma condição estruturante da cultura e uma manutenção dos vínculos afetivos.

O tema proposto para este trabalho parte de observações clínicas da pesquisa de mestrado realizada na PUC-Rio (Lisboa, 2005), juntamente com a pesquisa sobre câncer de mama e história familiar desenvolvida no Centro de Psicologia Aplicada da Universidade Federal de Juiz de Fora desde 1999 (Cunha & Lisboa, 1999). Mais especificamente, esse estudo compreende um desdobramento da dissertação de mestrado que tem uma abordagem clínica sobre somatização e família. Os temas relacionados a sexo, casamento e religião surgiram como categorias secundárias das categorias clínicas. A família entrevistada na pesquisa foi selecionada a partir do encaminhamento de mulheres com câncer de mama realizado pelo Hospital Universitário para a pesquisa no Centro de Psicologia da UFJF. As entrevistas da pesquisa são baseadas em um roteiro de perguntas semi-estruturadas e constam de tópicos clínicos que avaliam as questões intersubjetivas e o processo de transmissão psíquica familiar no adoecimento somático. Foram realizadas, durante a investigação, três entrevistas com uma família com sujeitos portadores de doenças crônicas e graves, entre elas o câncer de mama.

A pesquisa permitiu compreender particulari-dades culturais de uma família no que diz respeito aos temas casamento, sexo e religião, os quais marcaram de maneira enriquecedora o trabalho, mas não fizeram parte das categorias de análise clínica sobre família e câncer de mama. A abordagem deste trabalho passa pela compreensão dos aspectos culturais transmitidos através das gerações e são referentes ao cotidiano de uma família mineira. Este estudo demanda esclarecimentos teóricos sobre os conceitos de transmissão intergeracional e cultura e é ilustrado com as histórias dos Silva1 sobre sexo, casamento e religião.

 

A FAMÍLIA E A TRANSMISSÃO INTERGERACIONAL DA CULTURA

Compreendemos a família como uma instituição histórico-social que, de acordo com Ruiz Correa (2000), constitui-se num grupo com características singulares e plurais, reunindo elementos de continuidade e contigüidade que incluem laços de aliança, filiação e fraternidade. Na interação desses vínculos encontramos uma importante herança intergeracional, a qual se reflete na relação familiar e afeta as alianças, os pactos e a convivência entre os membros. Na dimensão grupal familiar converge uma trama de complexas intermediações, engendradas pela herança intergeracional e conduzidas também pela cultura.

O conceito de transmissão intergeracional compreende a travessia de uma geração à seguinte de legados, rituais e tradições, a qual pode ser consciente ou inconsciente. Como uma modalidade da transmissão psíquica, a transmissão intergeracional compreende a possibilidade de uma geração transformar uma herança psíquica ou cultural, muitas vezes patológica (Magalhães & Féres-Carneiro, 2004; Ruiz Correa, 2000).  A transmissão intergeracional permite continuar a identidade de uma família através de um legado estruturante de rituais e mitos, por exemplo. O processo de transmissão é importante para o universo grupal, porque é uma função de base na construção de uma identidade grupal (Kaës, Faimberg, Enriquez & Baranes, 2001), assim como permeia a construção da subjetividade dos membros do grupo. Num grupo familiar, o sentido da transmissão ganha estatuto de travessia de uma história particular, de acontecimentos circunscritos nessa história e dos laços estabelecidos de uma pessoa para outra ou de uma geração para outra (Ruiz Correa, 2000). Os discursos parental e social sustentariam a transmissão da cultura e permitiriam ou a elaboração de um legado ou a configuração do tecido vincular com patologias e perturbações, como as que percebemos em alguns sintomas familiares na atualidade.    

Podemos compreender o processo de transmissão intergeracional articulando dois eixos de investigação: um pela via das estruturas psíquicas, ou seja, pelo dinamismo psíquico, e o outro pela cultura. Privilegiamos, neste trabalho, a transmissão da cultura por processos dos quais o sujeito pode ser consciente ou inconsciente e que asseguram a perpetuação de um legado recente e/ou ancestral através das práticas culturais. Alguns autores, como Eiguer (1998), Ruiz Correa (2000) e Kaës e cols. (2001), postulam que a transmissão da cultura se dá, sobretudo, por processos inconscientes, sem que o sujeito perceba os conteúdos herdados culturalmente. Outros autores ainda, como Benghozi (2000), Magalhães e Féres-Carneiro (2004, 2005), apesar de enfatizarem os processos inconscientes na transmissão, mencionam que esta pode se dar também por meio de processos conscientes, na medida em que alguns dos conteúdos herdados da cultura e da família são percebidos e até explicitados como tais pelos sujeitos.  

É de geração em geração que reconhecemos as tradições familiares ancoradas, às vezes, nos mais rígidos e inflexíveis hábitos e atitudes do cotidiano, garantindo a sobrevivência do grupo em meio às transformações sociais e econômicas da sociedade. Contudo, nem sempre esta tradição é garantida pelos membros da família, perpetuando as práticas herdadas pelos parentes e ancestrais. Em gerações posteriores ou no mais remoto ancestral, observamos um membro disposto a transformar o legado de sua família, sendo percebido como uma ameaça pelos outros membros. Muitas vezes, esta tentativa de transformação pelo herdeiro expõe de tal maneira o “sujeito transformador” que a sua integridade física e psíquica podem ser colocadas à prova. Por outro lado, há casos, segundo Magalhães e Féres-Carneiro (2005), em que as pesquisas no campo de família apontam a transmissão intergeracional referindo-se a situações de normalidade e possuindo uma função universalmente organizadora, de caráter estruturante, uma vez que os rituais, as crenças, os valores atravessados pelas gerações repetem e, algumas vezes, renovam o novo laço conjugal a ser construído nas gerações posteriores. Isto quer dizer que a transmissão intergeracional de um legado, de uma cultura, pode ser, ao mesmo tempo, estruturante e transformardora num grupo familiar, sem que atinja a qualidade das relações entre os membros da família.

A formação do grupo familiar parte do encontro de um casal e de suas heranças ancestrais marcados por organizadores específicos (Anzieu, 1993), que podem ser psíquicos e sociais, conscientes e inconscientes, e intermediados pela cultura. Outra questão importante a ser considerada diz respeito ao lugar do sujeito na família. O sujeito precede sua entrada no grupo familiar na medida em que está presente no imaginário dos pais mesmo antes de seu nascimento. Assim, a construção de sua subjetividade advém da dimensão e da convergência de uma trama complexa de intermediações culturais e intergeracionais desta grupalidade. Magalhães e Féres-Carneiro (2004) postulam que o processo de subjetivação se dá a partir de um investimento narcísico dos genitores e de uma trama identificatória com  estes e com outros membros da família, fruto de uma herança intergeracional transmutada nas múltiplas interpretações subjetivas da trama familiar, que são transmitidas de geração a geração. Consideramos que a identidade de um grupo familiar é composta, em parte, pelas subjetividades de seus membros e é sustentada pelos intercâmbios necessários nas relações entre o indivíduo – no sentido biológico – o psíquico e o social.  

A concepção de cultura suscita algumas interpretações diferentes diante de alguns postulados teóricos. Desse modo, a postulação de Geertz concebe a cultura como “um padrão de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de concepções herdadas, expressas em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento e suas atividades em relação à vida” (Geertz, 1989, p. 103). Este padrão de significados é passado de geração a geração (intergeracional) e compõe parte das relações intersubjetivas do grupo familiar. A cultura se expressa nestas relações intersubjetivas por permitir compreender, no plano histórico da herança, as concepções ou ideais de um grupo para que haja harmonia e combinação de elementos determinantes do repertório existencial de uma família. A cultura, ainda, implica um conjunto de símbolos, possuindo relações de sentido (crenças, valores, mitos, rituais), promovendo as diferenças culturais, a fim de que possam ser definidas regras estruturantes de um determinado universo de significações (Anzieu, 1993; Kaës, 1997). Assim sendo, uma família é marcada pela sua história cultural singular e composta de sujeitos com histórias singulares em relação a outros grupos; portanto, a cultura compreende o que é da ordem do singular de um grupo e do sujeito e é, ao mesmo tempo, algo externo ao sujeito e ao grupo, a partir de sua relação com os outros (Ruiz Correa, 2000).

Cada família tem uma vida cotidiana com um estilo de “estar junto”, apresentando diversas maneiras de encontros, sejam eles por gestos de afastamento ou de aproximação, envolvendo toques corporais, que por sua vez tornam-se mais significativos que as palavras. É nesse processo vital que prevalece um meio de expressão particular da cultura familiar, mesmo estando inserida num contexto sociocultural mais amplo. Os rituais familiares são processos vitais, garantindo formas de expressão e de comunicação dos afetos, das lembranças e da história propriamente dita através das gerações. Ainda, estes processos são constituídos por práticas sociais carregadas de simbolismo, sendo suas atribuições asseguradas pela identidade familiar configurada, também, a partir de outras referências grupais. Além disso, os rituais possuem funções, apontando uma defesa contra a angústia diante das mudanças e, em certos casos, estabelecendo um intercâmbio com o divino para amenizar esta angústia e reafirmar uma aliança social, valendo-se da prática do sentimento de pertença, em que o “nós” possa ser praticado (Ruiz Correa, 2000).

A partir de uma análise intrasubjetiva, podemos compreender o símbolo e o simbolismo como uma formação e um processo, respectivamente, substitutivos do modo de representação indireta e figurada de uma idéia, de um conflito e de um desejo inconsciente (Laplanche & Pontalis, 2001), o que para Geertz (1989) compreenderia a “essência do pensamento humano”. A compreensão dos símbolos utilizados por um grupo familiar pode ser interpretada como a evocação de algo impossível de ser percebido, tornando concreto aquilo que não pode ser elaborado pela família, fazendo-se representar na simbolização dos rituais do grupo.  Daí, postularmos que a cultura de uma família pode ser uma tentativa de representar ou responder às demandas do mundo contemporâneo. A cultura ainda compreende uma maneira de estabelecer uma fronteira entre o mundo interno e o externo do grupo, principalmente quando temas como sexo, casamento e religião aparecem. A cultura de uma família pode construir novos significados diante das vicissitudes da sociedade ou compreender uma maneira de conservação dos pontos de vista, a fim de que a preservação e a sustentação da tradição do grupo sejam garantidas.

 

ONTEM E HOJE: CASAMENTO, SEXO E RELIGIÃO

Féres-Carneiro (2001) ressalta que o casamento contemporâneo representa uma relação intensa de significados na vida dos cônjuges, pois envolve um alto grau de intimidade e um grande investimento afetivo. Ainda como função, o casamento organiza e dá sentido à vida do sujeito na medida em que a relação dialógica entre pessoas significativas sustenta o convívio com a realidade do mundo. Por outro lado, os significados do casamento do início do século XX nem sempre estão associados a uma relação mais íntima envolvendo um comprometimento afetivo maior entre os cônjuges.

Desse modo, o casamento pode ser compreendido a partir de duas formas. A primeira delas pela escolha do próprio sujeito com base no amor romântico que, segundo Costa (1998), possui a tendência de afastar o sujeito da rede cultural mais ampla, pois procura priorizar a privacidade. A outra maneira de compreender o casamento implica uma escolha mais “cultural”, quando parentes e a própria sociedade interferem no casamento, determinando acordos conjugais em virtude da manutenção de costumes e tradições (Samara, 1983). Esta segunda forma ancora-se, em sua maior parte, em práticas tidas como pré-modernas de comportamento e encontradas nos propósitos de casamento até as primeiras décadas do século XX. Para Féres-Carneiro e Magalhães (2005), o casamento contemporâneo é constituído por relações conjugais que visam à construção de identidades individuais dos cônjuges, uma vez que o objetivo deste é o de propiciar o desenvolvimento pessoal de cada um. Em meados do século XX, no interior de Minas Gerais, entretanto, o casamento ainda tinha como função acordar os cônjuges a um conjunto de interesses econômicos e culturais, uma vez que o pai, ao determinar o casamento de um filho iria garantir a perpetuação da família e de seus costumes, e acomodar as suas preocupações em relação ao sustento deste filho. Ou seja, o casamento não acontecia para o crescimento e o desenvolvimento pessoal de cada cônjuge, mas sim para a satisfação dos interesses daqueles que estavam envolvidos na “negociação”.

Assim, podemos pensar que a construção do laço conjugal nesta época, muitas vezes, se constituía pelo valor da tradição, pois uma das funções do casamento é assegurar e perpetuar a tradição familiar. O casamento era considerado indissolúvel, consagrado pela Igreja e unido por Deus. O laço matrimonial se sustentava por este pacto e não numa escolha amorosa ou por desejo. Hoje, o homem ou a mulher podem escolher com mais liberdade os seus cônjuges e também se separam com mais facilidade, porém encontram algumas dificuldades ao transformarem as concepções transmitidas pelas gerações anteriores. As diferenças impostas pelas ações dos sujeitos do grupo familiar podem ou não ser superadas ao longo dos anos.  Ou seja, uma separação, por exemplo, pode marcar um sujeito na família por ter sido aquele que “deu mais trabalho”.

O casamento ainda acontecia de acordo com as decisões do patriarca. Esta escolha partia da idéia fantasiosa e, às vezes, real da relação sexual existente entre filho/filha e nora/genro antes do casamento, sustentando, assim, a concepção deste como uma autorização para a prática sexual. Ou seja, o casamento de filhos mais cedo tinha em vista a satisfação sexual dos mesmos. O que estava em jogo não era a condição de virgindade, mas sim o despertar dos desejos sexuais comuns na puberdade.

O sexo e a virgindade eram um tabu com muito mais prerrogativas nessas décadas, no interior de Minas, do que se possa imaginar e ainda faltam estudos e pesquisas que permitam um maior aprofundamento sobre os dados. Além de um quase total desconhecimento sobre as necessidades do corpo, como o período menstrual da mulher e a iniciação sexual, tais necessidades eram relegadas ao plano religioso e vinculadas à idéia de pecado. O corpo era lugar de prazer e pecado ao mesmo tempo, e nele estava inscrita a condição de pecado quando o assunto era sexo. Em relatos coletados em Lisboa (2005), alguns rituais de passagem, principalmente o da puberdade, eram marcados pelo silêncio, representando no grupo familiar uma impossibilidade de reconhecimento do desejo e das necessidades do sujeito.

A religião compreende outra dimensão cultural importante, marcando as relações internas e externas de um grupo familiar. Segundo Geertz (1989), religião implica um sistema de símbolos, atuando para estabelecer poderes, penetrantes e duradouras disposições e motivações realistas nos homens, por meio da formulação de conceitos baseados na existência geral de um grupo e de uma cultura. As disposições para a vida de um grupo e de um homem são tornadas significativas a partir de sua origem e fonte, ao passo que as motivações significativas se referem ao fim para os quais são concebidas e conduzidas. Os símbolos e os rituais sagrados numa família são, ao mesmo tempo, fonte e consumação de um investimento pelo grupo, a fim de que o sofrimento possa ser evitado ou superado.  Os significados representados pela cultura ou particularidades de cada um, geralmente, estão de acordo com a época e o lugar. Além disso, o objetivo da religião é de formular idéias de ordem, apoio e escoamento das tensões impostas, muitas vezes, pelas mudanças sociais.

A religião serve para escoar as angústias da existência de um grupo ou sujeito, à medida que encontrem explicações do desconhecido ou de suas impotências em uma entidade suprema. Isto significa uma tentativa de representar aquilo que está no mais íntimo dos sentimentos de uma família.

 

HISTÓRIAS DA FAMÍLIA SILVA...

O contexto da pesquisa desenvolvida na UFJF (Cunha & Lisboa, 1999) passa pela investigação clínica sobre a relação da história familiar com o adoecimento de câncer de mama. A Família Silva apresentou alguns aspectos peculiares de sua cultura que chamaram atenção para uma compreensão maior das concepções sobre sexo, casamento e religião. Estas concepções surgiram no decorrer das entrevistas, emergindo como categorias no processo de análise do material da pesquisa de mestrado na PUC-Rio (Lisboa, 2005).

A família Silva foi convidada pelos pesquisadores do Centro de Psicologia Aplicada da Universidade Federal de Juiz de Fora para uma pesquisa clínica através de Aurora, filha de Antonio e adoecida de câncer de mama (Cunha & Lisboa, 1999). Ela veio encaminhada pelo Hospital Universitário, inicialmente, para as entrevistas individuais e posteriormente, foi convidada para entrevistas com a sua família. Houve espontaneidade da família e de Aurora na colaboração com os pesquisadores e foram realizadas três entrevistas com a família Silva. Na primeira entrevista o pai e as duas filhas estiveram presentes. Na segunda compareceu também a terceira companheira do pai, e na última esteve presente, além dos demais, o bisneto do pai de Aurora. Eles compareceram aos poucos até que, no na terceira entrevista, conseguiram se reunir, estando presentes quatro gerações da família, menos o neto do patriarca.

Chamaremos de Antônio, o patriarca, com 84 anos de idade, de Inês, a filha mais velha, com 62 anos, de Aurora, a filha caçula, com 48 anos, de Tereza, a terceira esposa de Antonio com 67 anos e de Bruno, o bisneto de Antonio com 7 anos. Não conseguimos trazer nenhum neto de Seu Antonio, pois um deles, envolvido com drogas, estava desaparecido, o outro estava envolvido com álcool e os demais haviam morrido muito cedo na infância.

Moradores de Juiz de Fora, zona da mata de Minas Gerais, os Silva vieram da cidade de Santos Dumont onde o roçado de café era base da economia da região no século XIX até meados do século XX. A origem da população de Juiz de Fora vincula-se ao trânsito de tropas e tropeiros no Caminho Novo - Estrada Real que ligava a região das Minas ao Rio de Janeiro no século XVIII, além dos imigrantes italianos, portugueses, alemães e árabes que se interessaram pela riqueza da produção cafeeira e crescimento da indústria, em meados do século XX, e se somaram aos milhares de negros recém libertos, compondo uma identidade regional marcada pela integração de diversas culturas e conflitos raciais velados (Oliveira, 2005). Hoje, com uma população de aproximadamente meio milhão de habitantes, é a segunda maior cidade de Minas Gerais, caracterizada por uma excelente qualidade de vida, um pólo comercial e de ensino superior.

 Retornando aos Silva, Seu Antonio, o patriarca da família é descendente destes escravos libertos das fazendas de café. Podemos dizer que a família Silva possui uma estrutura patriarcal oriunda desde o final do século XIX e se estende até hoje em pleno século XXI. Embora muitos membros já tenham falecido, num estudo genealógico da família realizado desde a década de 40 do século passado, verificamos suas características quanto à composição e relacionamento entre os membros, além de costumes transmitidos entre as gerações. Os dados apontaram uma família extensa com relações de dependência e obediência a uma figura central, a do pai (Samara, 1983, 2002), mas com uma estrutura que vem se transformando ao longo do tempo, sem que houvesse mudança destas relações de dependência e obediência. Oriundos do meio rural, a base da economia familiar era a prestação de serviços em roçados. Hoje, os trabalhos dos descendentes de Seu Antonio geralmente são domésticos, prestação de serviços gerais e autônomos. Não houve uma modificação significativa do meio de sustento que levasse alguém do grupo a uma ascensão social. Os ofícios foram aprendidos por observação e herdados do pai e da mãe. Havia os ofícios apropriados ao homem como o roçado, a mecânica e serviços de pedreiro, e às mulheres, cabiam-lhes as prendas domésticas, como cozinhar, lavar, passar e fazer doces e quitutes por encomenda. Ainda, alguns filhos foram trabalhar em fábricas em conseqüência do aumento de oportunidade de emprego durante o crescimento industrial na cidade.

As idéias sobre casamento, sexo e religião surgiram a partir do momento em que a família procurava sobreviver, estabelecendo um ponto de interseção e sustentação entre a tradição cultural das gerações anteriores e as constantes transformações do meio social atual. Dessa forma, questionamos se a sobrevivência dos Silva não significa meras modernizações reativas, como ressalta Figueira (1987), em que certas performances dos sujeitos são uma tentativa de encontrar saídas para os conflitos e desestabilizações gerados pela velocidade com a qual se transforma a sociedade. Os sujeitos do grupo familiar sofrem um descompasso diante de acontecimentos não esperados, assim como mudanças de comportamento de um dos membros podem romper a herança tradicional transmitida pelas gerações anteriores. No compasso da velocidade, da mudança, segue ao mesmo tempo, também, uma situação paralisante da construção da subjetividade e um conflito latente e, às vezes, delator da relação intersubjetiva dos membros de uma família.

Percebemos, em nossa investigação, uma maneira particular que cada família ou sujeito utiliza para driblar as situações de conflito. No caso dos Silva, aprendemos que os bailes, a sanfona e a crença religiosa simbolizavam e faziam parte do processo vital do grupo, além de significar a forma de convivência com os conflitos. Por outro lado, podemos postular um favorecimento inocente, progressivo e perigoso da alienação da subjetividade dos membros da família diante da necessidade de mudança. Ou seja, mesmo usando alguns subterfúgios para conviver com as transformações, a família conseguia transmitir o seu legado de valores e costumes através de inusitados acontecimentos.

O casamento, o sexo e a religião foram pontos importantes nesta transformação. Na juventude de seu Antonio, o casamento era visto como um arranjo e um combinado entre duas partes e o sexo tinha sentido de vergonha. Num dado momento de uma das entrevistas, quando perguntamos como haviam aprendido sobre sexo, Seu Antonio respondeu que antigamente os pais e os avós davam uma coça e um “serviço” nos filhos a fim de não pensarem sobre isso. Havia uma maneira muito repressora de lidar com o despertar da sexualidade, o que levava algumas pessoas a sublimarem as necessidades sexuais pelo trabalho. O sexo para eles, além de ser considerado um tabu, era a sentença para um casamento improvisado e sustentado numa crença, às vezes infundada, de relações sexuais antecipadas na quase inexistente fase de namoro. Assim, as filhas casavam em torno de 14, 15 anos de idade. As circunstâncias do casamento advinham de encontros amorosos com a fantasia paterna da consumação antes do tempo. Se o pai pegasse uma filha namorando na rua ou na casa do namorado, este já estava convocado ao casamento no dia seguinte. Não havia espaço para um casamento construído aos poucos e muito menos para uma relação amorosa por desejo, como ressalta Azevedo (1965), mas como um intempestivo ato tirânico contra os desejos sexuais. Quando perguntamos ao Seu Antonio acerca dos motivos pelos quais os casamentos de suas filhas aconteciam, ele falou da existência da lei, uma lei que determinava tudo antigamente, para compensar a vergonha e confirmar a opinião e a obediência. No entanto, ele dizia que a lei não era mais suficiente, pois todos faziam o que queriam. Para seu Antonio, os casamentos aconteciam para sempre e não havia a necessidade do namoro como fase de preparação. O arranjo tinha como objetivo a guarda dos bons costumes e da preservação da honra e da vergonha, o que ao mesmo tempo revelava a impotência dos pais diante dos desejos, das opções e da subjetividade dos filhos. Esta particularidade cultural da família Silva mostra a compreensão do pai em relação à função do casamento, como uma autorização para a prática sexual, levando as filhas de Seu Antonio a se casarem mais cedo.

O casamento eterno também compreendia uma convicção e uma tradição, nesta família, até que a primeira transformação ocorreu na década de 50, quando houve o pedido de separação de uma das filhas de seu Antonio. Segundo Inês, seu marido fora alcoolista e havia muitas brigas entre eles. Ela relatou que tinha se transformado em “tamborim de escola de samba”, por causa dos “sopapos” dados pelo marido. Tempos depois, na década de 90, outra filha pede a separação, Aurora, a caçula, após 28 anos de casamento com um marido também alcoolista. Esta última filha relatou que não havia se separado antes porque o pai dava apoio ao marido dela, uma vez que o casamento só poderia ser desfeito depois da morte. Seu Antonio dizia para as filhas “o que Deus uniu, o homem não separa”, como uma maneira de reafirmar a tradição de casamentos indissolúveis. As filhas separadas receberam a denominação de “filhas que dão trabalho”. Assim, Inês justificava as suas atitudes dizendo que era o “judas da pele pra trás”, uma expressão que teria sentido de traição aos bons costumes da família.

O sexo, na história dos Silva, era um ponto desfavorável ao desenvolvimento do sujeito, porque significava desejo e, antes mesmo deste desejo ser concretizado, havia a imposição ao casamento. Portanto, a virgindade não era um ponto favorável ao casamento, e muito menos um requisito de união estável, ao contrário do observado nas pesquisas de Willems (1953) e Azevedo (1965). O requisito concreto para o casamento na família Silva era a satisfação sexual, o comprometimento com a lei e a vergonha.

A religião fazia parte das concepções do grupo diante do sexo e do casamento. Além disso, a maneira com que lidavam com o sagrado representava a base da cultura dos Silva, pois Seu Antonio afirmava que um homem deveria possuir três coisas importantes: opinião, fé e vergonha. Estes três conceitos formavam o alicerce cultural do grupo diante das relações deste com o meio social. A religião garantiria uma reparação ou justificativa da condição de pecadores, uma vez que em vários momentos da entrevista a família relacionava as perdas e as doenças com o pecado e com o designo de Deus. O pecado estava relacionado aos momentos de diversão que a família mantinha através de bailes e forrós. No entanto, estes momentos despertavam sentimentos ambíguos de pecado e de prazer. Seu Antonio e suas filhas demonstravam igualmente estes sentimentos conflituosos ao narrarem como seguiam o ritual religioso de novenas e rezas. Após cumprir as funções, era de costume tirar os santos da sala, arrastar as cadeiras e mesas e colocar a sanfona para tocar a noite toda até o sol raiar. Esta passagem do sagrado para o profano eles chamavam de “reza de terço de rabo”. Eles tinham o receio de estar pecando e havia a fantasia de que o demônio poderia aparecer dançando no salão, disfarçado com peruca. Mesmo assim, prosseguiam nesta atitude “culposa”, a fim de valorar afetivamente as práticas religiosas.

Este comportamento da família remete-nos às postulações de Geertz (1989) a respeito da devoção. Para o autor, ser devoto não é estar praticando algum ato de devoção, mas ser capaz de praticá-lo. A religião ajuda as pessoas a suportarem situações de pressão emocional e social, abrindo fugas a tais situações e tais impasses que, talvez, nenhum outro caminho empírico abriria, exceto pelo ritual e pela crença num domínio sobrenatural. Mesmo o grupo significando “o terço de rabo” como um ato sagrado e profano, este ritual era um caminho seguido para que o sofrimento frente às doenças, às perdas e às derrotas, ao longo da vida, e a impotência em relação à agonia de um outro membro cessassem e se transformassem em algo suportável e tolerável.

Apesar de estudos recentes apontarem novas formas de estrutura, interação, função e condição da família na sociedade atual (Jablonski, 1998; Féres-Carneiro, 1999, 2001; Samara, 2002; Passos 2005), a família de Seu Antonio é uma história viva dos últimos resquícios de tradições do interior de Minas Gerais. A família é composta de muitos irmãos, primos e filhos, desde os ancestrais de Seu Antonio. No entanto, a partir da geração de seus filhos e netos, a família começa a se configurar de maneira diferente em relação à sua estrutura. Suas filhas ainda tiveram muitos filhos, em média seis, mas a caçula delas, Aurora de 48 anos, optou por ter somente um filho. Os netos de Seu Antonio vêm mudando o tamanho da prole para um e no máximo dois filhos, como no modelo de uma família nuclear contemporânea.

De acordo com os relacionamentos observados, esta família gira em torno da figura paterna, numa convivência dependente da autoridade, constituída de medo e respeito ao mesmo tempo. A cultura da família é alicerçada nos ideais de fé, vergonha e obediência. Até hoje há o costume dos filhos de Seu Antonio de pedirem a benção e, na maioria das vezes, ainda dão satisfação, com certo receio de veto, para onde vão e o que fazem de suas vidas, mesmo alguns deles entrando, hoje, na terceira idade.

Durante nossas investigações, pensávamos estar em alguns momentos na época do Brasil colonial, quando muito se preservavam a honra e a dependência submissa dos membros ao seu patriarca (Samara, 1983; Freyre, 1984) que, de certa maneira, reprimia a subjetividade e as verdadeiras possibilidades de transformação de um grupo. O domínio, a tirania e a onipresença do patriarca, principalmente em relação ao casamento, eram mantidos com o objetivo de garantirem a perpetuação dos valores herdados e transmitidos de outras gerações, além de serviam para preservar a organização familiar ameaçada pelas transformações impostas pela contemporaneidade. O domínio tirânico faz parte de uma época em que eram muito necessárias a repressão das pulsões sexuais e a obediência à lei do pai, a fim de que se salvaguardasse a condição de convivência do homem na sociedade (Freud, 1969/1913-4).

Temos a impressão da existência de dois tempos na história da família Silva: um é o tempo da história transformada pelas influências sócio-econômicas ao longo das décadas, e outro compreendido pela história sustentada por uma outra realidade – a cultural mantida pelos rituais e concepções de épocas anteriores. Percebemos diferenças significativas entre o passado e o presente desta família, face, por um lado, aos valores e às tradições herdadas, e por outro, às transformações da contemporaneidade e à maneira de conviver com as mesmas.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante da questão levantada inicialmente sobre as particularidades da identidade cultural de uma família mineira, transmitidas por gerações, e de suas novas compreensões a respeito de casamento, sexo e religiosidade na contemporaneidade, postula-se que a família Silva tenta se adaptar às mudanças do mundo atual enfrentando, com os seus próprios recursos culturais, os medos e as inseguranças provocados pelo novo. A fé compreende um primeiro recurso e ponto de sustentação da identidade do grupo, que está enraizada nos valores e crenças baseadas na lei paterna, da opinião, vergonha e fé como nos disse Seu Antonio. A Lei é compreendida como um organizador de valores e costumes, mantenedora da ordem na família, mas que, no entanto, dificulta o reconhecimento das subjetividades desejantes de transformação dos seus membros. Acredita-se na existência de um desacordo dos membros frente às exigências da sociedade, traduzido na forma como o casamento e o sexo foram tomando novos significados face aos valores tradicionais da família.

Mesmo diante das transformações culturais e sociais ao longo do século XX, a família Silva deseja permanecer como unidade, sustentando as tradições com as lembranças do passado, como Seu Antonio afirmava que ‘lembrar é viver’, mostrando que os valores de uma família são assegurados pela tradição dos costumes e dos rituais. Da mesma maneira, também pode ser compreendido que estas lembranças e a tradição dos Silva implicam um ponto de impasse da transmissão da cultura, uma vez que nem sempre a herança intergeracional possa ser atualizada e transformada. A identidade cultural dos Silva é uma espécie de âncora que faz do passado e do presente um dispositivo seguro, para ajudar a enfrentar as inquietantes demandas do mundo contemporâneo.

 

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Endereço para correspondência:
Terezinha Féres-Carneiro.
Rua General Góes Monteiro, 8, Bloco D, ap. 2403,
CEP 22290-080, Rio de Janeiro-RJ.
E-mail: teferca@psi.puc-rio.br

Recebido em 04/11/2005
Aceito em 01/06/2006

 

 

1 Todos os nomes são fictícios

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