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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372

Psicol. estud. vol.12 no.1 Maringá Jan./Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722007000100019 

ARTIGOS

 

Percepção dos ambientalistas por universitários: uma análise semântica1

 

Graduate students’ perception on the term ‘environmentalist’: a semantic analysis

 

Percepción de los universitarios hacia los ambientalistas: un análisis semántico

 

 

Eduardo Figueiredo MoreiraI; Ludgleydson Fernandes de AraújoII; Carlos Eduardo PimentelIII

IPsicólogo, Mestre em Psicologia Social. Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú – Uva e da Universidade Aberta Vida – Unavida
IIPsicólogo, Mestre em Psicologia Social. Professor Assistente do Curso de Psicologia da Universidade Federal do Piauí – UFPI -Campus Ministro Reis Velloso/Parnaíba-PI
IIIPsicólogo, Mestre em Psicologia Social. Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Tiradentes – UNIT

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Objetiva-se conhecer as redes de significados (redes semânticas) do conceito de Ambientalista. Participaram 325 universitários das ciências humanas (49%), tecnológicas (29%) e biológicas (22%). Desse total, 182 sujeitos (56%) eram do sexo masculino e 143 (44%) do sexo feminino. A faixa etária variou de 17 a 49 anos (M = 24 anos, DP = 5,73). Utilizou-se um instrumento com a palavra-estímulo “Ambientalista” e dados sociodemográficos, para o qual os estudantes deveriam eleger 10 palavras associadas. Os dados foram analisados pela técnica de redes semânticas. Para os universitários, os ambientalistas foram definidos majoritariamente como “defensores” (distância semântica quantitativa = 100%), “ativistas” (80%) e “preservadores” (77%). Palavras de conotação negativa utilizadas foram “radicais” (73%), “chatos” (61%) e “utópicos” (61%). A compreensão de como esses atores sociais são percebidos pela sociedade pode contribuir para redirecionar ações e estratégias do terceiro setor ou de indivíduos ou grupos ambientalistas, como também ampliar sua eficácia junto à opinião pública.

Palavras-chave: ambientalistas, redes de significados, percepção social.


ABSTRACT

The objective of this study is to evaluate the semantic concepts of the term ‘Environmentalist’, according to university students. 325 university students, male and female, took part in the investigation regarding the concept. They attended different courses at university, in areas such as Human Science (49%), Technological (29%) and Biological (22%) area. Out of that total, 182 subjects (56%) were  male and 143 (44%) belonged to the female sex. The average age was from 17 to 49 years old (M = 24 years old, DP = 5,73). An instrument with the stimulation-word ‘environmentalists’, and also social-demographic data, were used, so that the students could choose 10 words associated to the term. Data was analyzed by using the semantic chain technique. Most of the students, defined Environmentalists as ‘defenders’ (quantitative semantic distance = 100%), whereas others defined them as ‘activists’ (80%) and ‘protectors’ (77%). Adjectives with negative connotation such as ‘radical’ (73%), ‘boring’ (61%) and ‘utopian’ (61%) were also used. The comprehension about the way those social actors are perceived by society may contribute to redirect actions and strategies from the third sector, from environmentalist groups or individuals, as well as to extend or get a better public opinion on Environmentalists’ effectiveness.

Key words: Environmentalists, chain of semantic meaning, social perception.


RESUMEN

Se objetiva a conocer las redes de significados (redes semánticas) del concepto de Ambientalista. Participaron 325 universitarios de las ciencias humanas (49%), tecnológicas (29%) y biológicas (22%). De ese total, 182 sujetos (56%) eran del sexo masculino y 143 (44%) del sexo femenino. La faja de edad tuvo una variabilidad de 17 a 49 años (M = 24 años, DP = 5,73). Se utilizó un instrumento con la palabra-estímulo “Ambientalista” y datos sociodemográficos, para lo cual los estudiantes deberían elegir 10 palabras asociadas. Los datos fueron analizados por la técnica de redes semánticas. Para los universitarios, los ambientalistas fueron definidos mayormente como “defensores” (distancia semántica cuantitativa = 100%), “activistas” (80%) y “preservadores” (77%). Palabras de connotación negativa utilizadas fueron “radicales” (73%), “chatos” (61%) y “utópicos” (61%). La comprensión de cómo esos actores sociales son percibidos por la sociedad puede contribuir para reorientar acciones y Estrategias del tercer sector o de individuos o grupos ambientalistas, como aun ampliar su eficacia hacia la opinión pública.

Palabras-clave: ambientalistas, redes de significados, percepción social.


 

 

Um número expressivo de pesquisas realizadas com as mais diversas variáveis, que incluem atitudes, interesses, significados psicológicos, sistemas de crenças, interesses e comportamentos pró-ambientais, representa esforços importantes da psicologia para lidar com os problemas que afligem o meio socioambiental (Albrecht, Bultena, Hoiberg & Nowak, 1982; Aragonés & Amérigo, 1998; Bechtel, Corral-Verdugo & Pinheiro, 1999; Coelho, Gouveia & Milfont, 2006; Corral-Verdugo, 2000; Cortez, Milfont & Belo, 2001; Moreira, Da Costa, Raymundo & Araújo, 2004; Puy & Aragonés, 1997; Schultz & Zelezny, 1999; Schultz & cols., 2005; Thompson & Barton, 1994; Weigel & Weigel, 1973).

Denota-se que em geral estas investigações têm sido realizadas em contexto sócio-histórico e cultural distinto da realidade brasileira. Ademais, nenhuma delas teve como escopo averiguar quais as percepções acerca dos ambientalistas e qual o conceito formado sobre estes agentes cruciais para o processo de formação de atitudes e comportamentos pró-ambientais.

Urge a inserção dos aspectos psicossociais inerentes à problemática ambiental nas pautas de investigações científicas, de modo que forneçam subsídios para implementação de políticas sociais que venham a garantir a utilização dos recursos naturais de forma sustentável. Sabe-se que os problemas decorrentes da ausência de comportamentos pró-ambientais e a utilização exploratória do meio ambiente constituem algo presente nas relações interpessoais da sociedade contemporânea.

Verificar os conhecimentos acerca dos ambientalistas é essencial para o desenvolvimento de ações pró-ativas referentes à preservação, à conservação e ao desenvolvimento sustentável (Moreira, Da Costa, Raymundo & Araújo, 2004; Hess & Waló, 2001), uma vez que estas pesquisas podem apontar para percepções que não se coadunam com o apoio à implementação de ações pró-ambientais. Por isso, são importantes estes conhecimentos, dado que a população se envolve cotidianamente com o meio.

Considerando esta relevância, o presente estudo buscou conhecer, em uma escala local, o conjunto de significados (a rede de significados, ou a rede semântica) atribuídos aos atores sociais ambientalistas, através do Modelo de Redes Semânticas Naturais, inicialmente proposto por Figueroa, Gonzáles e Solis (1981) e descrito posteriormente por Reyes-Lagunes (1993), o qual pode possibilitar o desenvolvimento de uma medida válida para ser utilizada em pesquisas futuras, consideradas como muito necessárias, sobretudo no Brasil e na América Latina em geral (Pinheiro, 1997ª, 1997b; Weisenfeld, 2001).

A utilização dos dados de redes semânticas para a construção de instrumentos de pesquisa etnopsicologicamente válidos é uma atividade recomendada na literatura especializada (ver Reyes-Lagunes, 1993; Valdez-Medina & Reyes-Lagunes, 1993; Vera-Noriega, 2005; Vera-Noriega, Pimentel & Albuquerque, 2005). Valdez-Medina e Reyes-Lagunes (1993), por exemplo, fazem uso das redes semânticas para a construção de uma escala de autoconceito para mexicanos, e Reyes-Lagunes (1993) exemplifica a construção de uma escala de satisfação laboral também através das redes.

Além das pesquisas antes citadas, realizou-se uma busca no PsychINFO (2006), utilizando as palavras-chave conceito de ambientalistas e percepção dos ambientalistas, mas não se encontrou nenhuma investigação empírica. De fato, o que se apresentará na fundamentação teórica do presente artigo com relação aos conceitos de ambientalistas são posições teóricas da função social dos ambientalistas, as quais, por sua vez, servem para defini-los, conceituá-los.

Posto isto, interessa saber se realmente é esta a concepção que vigora, a que está na memória semântica das pessoas que percebem os atores sociais ambientalistas, pois, além da utilidade psicométrica acima explicitada, é fundamental destacar que estas concepções permeiam as diversas ações individuais e coletivas que ocorrem na esfera socioambiental, visto que a sociedade participa ativamente da preservação/destruição dos recursos ambientais, o que se relaciona à área da responsabilidade social ecológica (Aragonés & Amérigo, 1998), convertendo-se em uma questão política de prioridade máxima (Puy & Aragonés, 1997).

 

O MOVIMENTO AMBIENTALISTA

As ações preventivas e educativas que os ambientalistas têm desenvolvido na sociedade contemporânea propiciam a sensibilização e a preocupação dos setores governamentais, não governamentais e do terceiro setor acerca do uso racional dos recursos naturais (Moreira, 2002; Viola, 1987, 1992; Warren, 1998). Moreira (2002) destaca que a abrangência que perpassa, desde manifestações individuais até coletividades engajadas com as questões ambientais, inclui a formação de plataformas políticas em que são explicitadas propostas pró-ambientais para os governos, bem como programas internacionais de cooperação para a proteção do planeta contra os avanços da degradação ambiental.

O surgimento dos movimentos ambientalistas foi impulsionado pela substancial degradação ambiental decorrente da busca desenfreada pelo aumento do faturamento das empresas e pela exploração predatória dos recursos naturais. Estes fatos constituem um marco sócio-histórico internacional para o surgimento de uma política de gerenciamento ambiental (Konder, 2001; Niskier, 2001).

Neste sentido, como aponta Uzzell (1997), a Conferência de Estocolmo gerou a Declaração sobre o Ambiente Humano e estabeleceu o Plano de Ação Mundial, com o objetivo de inspirar e orientar a humanidade para a preservação e melhoria do ambiente humano. A partir daí, esforços foram desenvolvidos na esfera ambiental para se estabelecer uma base teórico-metodológica.

Em decorrência da preocupação com esta problemática, vários pesquisadores (por exemplo, Leis, 1999; Nascimento & Bezerra, 1999; Viola, 1987) insistem no paradigma teórico da ecologia política e, principalmente, na proliferação de movimentos sociais ecologistas e de grupos sociais envolvidos diretamente com a questão ambiental. Foi em função do quadro mundial de degradação ambiental, percebido como problema global, que os movimentos ambientalistas atuais obtiveram respaldo sociopolítico. Tal fato insere-se no contexto psicossocial, uma vez que resguarda a característica fundamental desta área de estudo, a percepção social, que é o processo de interação social, e para isto, faz-se mister que as pessoas que interagem percebam-se mutuamente (Rodrigues, Assmar & Jablonsky, 2000).

A pluralidade de informações sobre as inter-relações homem-meio ambiente provindas destes estudos pode ser utilizada pelos ambientalistas na defesa do bem comum ambiental e nas formas que lhes são peculiares para atrair a atenção dos cidadãos, da sociedade e de seus atores, ou mesmo da sociedade organizada, em nível governamental e não governamental, por meio da sociedade civil.

 

OS ATORES SOCIAIS “AMBIENTALISTAS”

O termo ambientalista tem estreita vinculação com o termo ecólogo; no entanto, há uma distinção entre os dois termos, uma vez que o ambientalista está relacionada com o movimento social (de mesmo nome), que leva a sociedade a valorizar seus desejos culturais e a natureza, e não somente a propriedade dos meios de produção do homo economicus ou, simplesmente, trabalhador-consumidor (Castells, 2004).

Grisi (2000) salienta que o ecólogo difere do ambientalista no que diz respeito ao nível de envolvimento com as questões ambientais. Enquanto o ecólogo é o cientista que estuda a ecologia, o ambientalista é um adepto da causa social ou do movimento que o “identifica com a harmonização da sociedade com a natureza, da coletividade com o indivíduo e do homem com o seu corpo” (Grisi, 2000, p.66).

A realidade socioambiental brasileira insere-se neste cenário, na medida em que quatro décadas de crescimento econômico acelerado resultaram numa profunda degradação ambiental, fato também verificado entre as nações desenvolvidas. Ademais, com o conseqüente enfraquecimento dos controles estatais sobre a organização da sociedade civil, o Brasil tornou-se o país da América Latina em que os movimentos ecológicos surgiram mais cedo e adquiriram expressividade político-ideológica.

O termo ambientalista diz respeito à pessoa que entende o seu meio ambiente e usa esse entendimento para colaborar na gestão do nosso planeta. Essa gestão envolve alterações nos estilos de vida e nos modos de consumo, ações políticas que exerçam pressões para a mudança de hábitos poluidores e de modos de produção com impacto ambiental negativo e, ainda, mobilização da sociedade e das populações para a criação e aprovação de leis ambientais às quais possam recorrer os cidadãos para tratar de crimes ambientais (Dashefsky, 1997; Norgaad, 2001; Souza Filho, 2001)

Nesta mesma perspectiva, Lima-e-Silva (1999) caracterizam os ambientalistas como pessoas partidárias do ambientalismo, particularmente aquelas que exercem atividades ligadas aos ambientes naturais, aos diversos impactos ambientais, sendo conscientes de sua gravidade, políticos defensores da natureza e especialistas em questões ambientais.

Apesar da abrangência com que o termo ambientalista tem sido definido, verificam-se duas correntes definidoras destes atores sociais: numa visão genérica, ambientalistas são todos os que se interessam ou se preocupam com as questões ambientais; em uma perspectiva mais específica, refere-se àqueles que efetivamente realizam ações voltadas para a preservação ambiental, principalmente ações de natureza sociopolítica.

Os resultados decorrentes da atuação dos ambientalistas e a percepção dessa intervenção conduzem à formação de determinados significados que podem influenciar a interação socialmente desejável do homem com o ambiente. Segundo Figueroa, Gonzáles e Solís (1981), a definição de um conceito ocorre pela totalidade de significados a ele atribuídos. Objetivou-se, portanto, conhecer empiricamente qual é o conceito de “ambientalistas”, qual a dimensão semântica do termo, ou seja, qual o conjunto de significados atribuídos a estes atores sociais, e como eles são percebidos por uma amostra de estudantes universitários paraibanos.

 

MÉTODO

Delineamento e participantes

Trata-se de um estudo exploratório, que não foi orientado por nenhuma hipótese específica e nenhum estudo prévio, resguardando como principal característica a finalidade de prover um conhecimento inicial sobre fenômenos relativamente desconhecidos (Sampieri, Collado & Lucio, 1991), objetivando, pois, suscitar hipóteses para pesquisas futuras e mais estruturadas. É válido ainda mencionar que, para composição da amostra, optou-se por não considerar as diferenças de gênero e áreas de conhecimento na estruturação dos grupos, tendo sido ela, assim, escolhida por conveniência. A amostra (não-probabilística) foi constituída por 325 estudantes universitários do Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), oriundos de 31 cursos dos três principais grupos de conhecimento, distribuídos da seguinte maneira: 72 (22% da amostra) estudantes de Ciências Biológicas; 95 (29%) estudantes de Ciências Tecnológicas e 158 (49%) estudantes de Ciências Humanas. Desse total, 182 sujeitos (56%) eram do sexo masculino e 143 (44%), do sexo feminino. A faixa etária variou de 17 a 49 anos, com média de idade de 24 anos (DP = 5,73).

Instrumento

O instrumento utilizado consistiu de três folhas, tendo sido a primeira destinada a exemplificar o procedimento de como os respondentes deveriam proceder. No instrumento tomou-se como exemplo a palavra-estímulo “carro”. As informações na primeira folha constavam ainda da solicitação de que o participante expressasse, livremente, as dez palavras que melhor definissem “carro”. Após esta fase de associação livre, nas informações constava que o respondente deveria hierarquizar as palavras, tendo em vista a ordem de proximidade semântica com a palavra que melhor definisse a palavra-estímulo, que deveria ser assinalada com o número 1, a segunda que melhor a definisse, assinalada com o número 2, e assim por diante. Todas estas instruções estavam contidas na primeira página. Na segunda página, na qual estava impressa a palavra-estímulo objeto deste estudo “Ambientalista”, constava que o participante deveria seguir o mesmo procedimento do exemplo. A terceira - e última - página destinou-se a colher os dados sociodemográficos (sexo, idade, curso).

Procedimentos

Os participantes responderam ao instrumento individualmente e de forma coletiva, em salas de aula previamente definidas, em contatos anteriores com os setores administrativos e anuência dos professores. Foi assegurado o anonimato dos respondentes e se deixava claro que a participação era voluntária. Mesmo tratando-se de um instrumento auto-administrável, foram repetidas em voz alta todas as instruções previamente descritas para o procedimento de respostas, as quais se encontram impressas no instrumento. Quando os respondentes não entendiam as instruções iniciais, utilizava-se do quadro negro e outro exemplo era dado. Não foi identificada nenhuma recusa em participar da presente pesquisa. O tempo de aplicação variou de 25 a 35 minutos. Por fim, após terem sido checados os instrumentos, agradeceu-se a colaboração da turma pela realização da pesquisa.

Análise dos dados

Os procedimentos adotados para a análise dos dados seguiram os parâmetros recomendados pela literatura específica sobre a técnica de redes semânticas naturais (Reyes-Lagunes, 1993; Vera-Noriega, Pimentel & Albuquerque, 2005; Vera-Noriega, 2005), os quais são: tamanho da rede (TR), núcleo da rede (NR), peso semântico (PS) e distância semântica quantitativa (DSQ). O TR é obtido através do número total de definidoras (palavras utilizadas para definir o conceito). O PS de cada definidora se obtém somando-se a ponderação das freqüências pela hierarquização, em que se assinala com o número 1 (um) a palavra ou definidora mais próxima e se multiplica por dez; com 2 (dois) a segunda palavra mais próxima e se multiplica por nove; com 3 a  terceira mais próxima e se multiplica por oito, até chegar ao número dez, que é multiplicado por um. O NR se consegue mediante as dez palavras definidoras com peso semântico mais alto; estas definidoras que conformam o NR são as que melhor representam o conceito. A DSQ se obtém através das definidoras do NR, assinalando-se a definidora com peso semântico mais alto com o valor 100%. As demais porcentagens são obtidas através de uma regra de três simples.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os ambientalistas foram definidos, majoritariamente, como sendo defensores. Tal fato se evidencia pelo maior peso semântico desta palavra em relação às outras definidoras. Conseqüentemente, esta é a palavra que tem maior proximidade, ou que melhor representa o significado destes atores sociais, sendo a ela atribuído o mais alto valor: 100% .

Pode-se observar (Tabela 1) também que os ambientalistas são categorizados como ativistas, preservadores e radicais. Estas palavras definidoras, do ponto de vista da proximidade semântica, são as mais importantes, depois da definidora defensores. Note-se que estas são as que apresentam a DSQ mais próxima do conceito principal, o que significa dizer que, de acordo com a percepção dos participantes, são mais representativas do que se pensa acerca dos ambientalistas. Optou-se por considerar as dez palavras com maior PS porque um número maior pode tornar confuso o conceito para a elaboração de uma medida, além do fato de que se têm obtido, na maioria das pesquisas com redes, dez palavras para a definição de um conceito (Vera-Noriega, Pimentel & Albuquerque, 2005; Vera-Noriega, 2005).

 

 

Ainda fazem parte do NR que forma o conceito de ambientalistas as palavras: ecologistas, verdes, cuidadosos, chatos, lutadores e utópicos. Estas são também suficientemente consistentes, pois guardam uma relação de constituição de significados complementares, como se observa no núcleo da rede de significados. Quando se observa o NR, parece razoável assinalar que, na percepção social acerca dos ambientalistas, salienta-se o caráter sociopolítico destes atores. A seguir são tecidos alguns comentários para cada significado atribuído.

O fato de que os ambientalistas são percebidos como defensores revela a percepção de aspectos importantes para justificar sua relevância social, os quais compreendem a preocupação com a qualidade de vida, com a coletividade e com o bem-estar social. De acordo com Moreira, Da Costa, Raymundo e Araújo (2004), isto se consegue através da lógica do Paradigma do Desenvolvimento Sustentável e ocorre devido à articulação da sustentabilidade de formas e procedimentos de crescimento e desenvolvimento socioeconômico para que as gerações futuras não venham a sofrer os prejuízos da deterioração dos recursos naturais renováveis e não renováveis do planeta e do sistema ecológico ao qual pertencem.

A percepção referente aos ambientalistas como ativistas evidencia um forte consenso dos universitários, que associam o ator social às ações da militância política. Estes atores sociais buscam conduzir os cidadãos comuns para o cerne das questões ambientais, para a militância propriamente. Isto é representado com uma conotação fortemente marcada pelo modo extremado da expressividade das denúncias ou das providências, realizadas pelos ambientalistas, quando, por exemplo, estes são definidos como chatos.

A luta ecológica ganhou tantos impulsos consideráveis ao ser alimentada pelas mais diferenciadas forças e interesses nas esperas governamentais, no terceiro setor e na sociedade civil, os quais passaram a reproduzir, no seu interior, visões distintas que, ao mesmo tempo, representam diferentes maneiras de se relacionar com os movimentos sociais, com as relações de poder e com os protagonistas da luta ideológica (Fink, 2001; Sader, 1992).

A expressão preservadores atribuída aos ambientalistas remete à função política de maior envolvimento desses atores, implicados em promover possíveis soluções protecionistas para as questões ambientais, em defesa dos interesses que melhor representem as conexões homem-meio ambiente, natural ou construído. Tal fato é consoante com a pesquisa de Fernandes (2004), que indica representações sociais naturalistas e preservacionistas dos técnicos de ONGs sobre o meio ambiente. De acordo com a autora, existe um discurso de desenvolvimento, defendido por estes técnicos, que se fundamenta na sustentabilidade ecológica e na justiça social.

Os atores sociais ambientalistas desenvolvem, em sua atuação nos movimentos ecológicos, ações políticas de desenvolvimento sustentado, com o intuito de utilizar os recursos naturais sem que se produzam impactos ambientais negativos (Castells, 2004; Dashefsky, 1997; Ferreira, 2001). Os autores destacam ainda a necessidade de mobilização da sociedade para a criação e aprovação de leis ambientais para combater crimes ambientais.

Não obstante, o modo de conduzir estas ações políticas traduz uma percepção do grupo como constituído de radicais, percepção que é caracterizada como um aspecto saliente da conduta dos ambientalistas. Isto talvez se explique pela posição exacerbada que alguns ambientalistas expressam ao se exaltarem com os problemas ambientais, posição que leva a uma militância com conteúdo passional e faccioso. A intolerância e a falta de relativismo ou moderação, muitas vezes requisitos necessários para o diálogo político, são características que parecem constituir a imagem social deste agente social.

A palavra ecologista leva a pensar numa visão do ambientalista centrada em questões relativas ao meio ambiente natural ou construído e voltado à natureza e aos ecossistemas. Pode ainda remeter às questões específicas da interatividade dos hábitats humanos e não humanos com o meio ambiente natural ou construído, salientando o objeto das ações concretas dos ambientalistas, os seres vivos, o ar, a água, etc., que expressam uma ampla variedade de elementos que são salientes como zonas de preocupação e de ações concretas dos ambientalistas (ver Dashefsky, 1997; Dias, 2000; Grisi, 2000). Estes autores destacam ainda que a água, o ar, o clima, o hábitat do campo e da cidade, como também a atmosfera, representam o meio ambiente em torno do qual se estruturam e se manifestam as atividades dos ambientalistas, tais como as referentes ao mau uso dos recursos naturais, desperdícios, possíveis reciclagens que se possam fazer de recursos e materiais, o ar e a poluição por gases que afetam as camadas atmosféricas.

Reconhece-se aqui o conteúdo semântico verde como relevante para uma discussão particular, dado que a vinculação do verde aos ambientalistas entre as décadas de 1970 e 1980, a qual é também ressaltada por Viola (1992), mostra que o verde marcou uma geração de ambientalistas politicamente militantes e ativistas, como também a formação de partidos políticos na Europa (Alemanha e França), e posteriormente no Brasil, “Partido Verde”, cujo foco de preocupação são os problemas ambientais (Bernardo & Bastos, 1993). A estratégia desta militância são quase sempre ações protetoras às reservas florestais de mata atlântica nativa, à floresta amazônica, aos cerrados, pântanos e mangues e ao conjunto de seres vivos que estão em específicos hábitats, biomas e ecossistemas. Também é foco a formação de parques nacionais e de reservas ambientais de conservação da natureza protegidas das destruidoras ações humanas. Esta militância conferiu aos Ambientalistas a peculiar adjetivação de verdes.

Estas percepções encontram consonância nos estudos de Castells (1999, 2004) e Ramos (1996). O primeiro autor se refere aos ambientalistas como atores sociais vinculados a diversos tipos de movimentos voltados à defesa do meio ambiente, privilegiando a formação de tipologias que os caracterizam por comportamentos sociais estabelecidos e valorizados ou por oposição a valores imputados a profissionais vinculados às instituições estabelecidas, ou ainda como livres pensadores da ordem social. Ramos (1996), por sua vez, chama a atenção para o papel que a mídia exerce na formação de representações ou visões culturalmente construídas acerca dos ambientalistas.

No que tange à percepção referente aos ambientalistas como cuidadosos, expressa-se um componente de responsabilidade e compromisso com tudo que envolve o ambientalismo e a manutenção dos cuidados com as questões ambientais nas ações sociopolíticas destes atores sociais. Coerentemente, Hernandez e Hidalgo (1998) argumentam que o envolvimento de organizações governamentais e não governamentais, de grupos ecológicos ou de movimentos ambientalistas nas questões ambientais não é suficiente, pois é necessário o envolvimento de todos os cidadãos, para que se possam manter as garantias da preservação e da conservação do meio ambiente salutar para o presente, como também para as gerações futuras.

Quando os ambientalistas são definidos como chatos, apresenta-se uma conotação negativa da percepção social, a qual remete, certamente, aos componentes que se manifestam como peculiares, a exemplo da insistência na pauta ambiental, os quais emergem da premência de ações que chamem a atenção da sociedade em geral para condutas individuais e coletivas mais responsáveis e comprometidas com certa ética entre as diversidades e pluralismos socioculturais.

Categorizados como atores sociais lutadores, por empreenderem incansável luta por um ideal, os ambientalistas se apresentam para a sociedade nos múltiplos aspectos de luta pelas causas ambientais, de sobrevivência e de harmonia entre todos que coabitam os territórios deste planeta.

Por fim, os ambientalistas são definidos como utópicos, o que reflete uma imagem de pessoas que projetam um ideal aparentemente distante, ou em plena construção, muito embora haja uma característica intangível e de desadaptação sociopolítica explícita, que dá a essa imagem uma ênfase talvez negativa, mas remete a uma expectativa de algo melhor, visto que faz parte do imaginário social a necessidade de sonhar para se lograrem realizações. 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho versou sobre a dimensão semântica dos ambientalistas. Os dados coletados revelam, no geral, uma construção social positiva em relação a esse grupo, embasada no seu engajamento em ações de preservação e uso sustentado dos recursos naturais. Por outro lado, embora em menor intensidade, também foram verificadas apreensões negativas, mediadas pela percepção de que os ambientalistas são intransigentes quanto à causa ambiental. Estas análises e conhecimentos podem ser importantes para subsidiar as ações e políticas dos grupos de ambientalistas no sentido de ampliar sua eficácia junto à opinião pública, seja pelo reforço relativo a aspectos da imagem pública dos ambientalistas que podem ser melhorados, seja pelo conhecimento da dinâmica psicossocial envolvida na militância ambientalista. Isto pode também atrair novos adeptos para a causa ambiental.

Os resultados aqui aduzidos podem ser utilizados em pesquisas futuras que pretendam construir medidas para o conceito em apreço. Como sugerido na literatura, poder-se-ia utilizar a rede semântica do conceito em questão para a construção de uma medida para a população específica de universitários, de atitudes frente aos ambientalistas, utilizando uma escala tipo Likert ou um diferencial semântico (Reyes-Lagunes, 1993; Vera-Noriega, Pimentel & Albuquerque, 2005; Vera-Noriega, 2005). É importante destacar que novos estudos deveriam considerar também participantes de outras escolaridades.

Sugerem-se ainda novas pesquisas que possam avaliar o conhecimento psicossocial elaborado acerca dos ambientalistas, tendo como participantes os próprios atores sociais e gestores públicos e do terceiro setor envolvidos com as questões ambientais. Devem-se ainda contemplar profissionais e identificar variáveis que permeiam o conjunto de significados atribuídos aos ambientalistas, bem como as transformações ambientais que têm impactado negativamente as condições de sobrevivência humana. Neste sentido, tem-se destacado a necessidade de profissionais de diversas áreas do conhecimento com intervenções que priorizem comportamentos pró-ambientais (Correa & Rodrigo, 1991).

Espera-se que os resultados aqui apresentados contribuam para a formulação de novos questionamentos acerca do ambientalista na realidade brasileira e para o conhecimento científico acumulado pela psicologia, possibilitando uma melhor compreensão das percepções e dos significados sociais atribuídos a esses atores, o que provavelmente reflete as repercussões de suas práticas e pode subsidiar direcionamentos mais eficazes e abrangentes para a formação e manutenção de comportamentos pró-ambientais.

 

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Endereço para correspondência:
Eduardo Figueiredo Moreira.
Av.: Cabo Branco, n. 3380, ap. 52,
Cabo Branco – 58045-010.
E-mail: moreiraef@hotmail.com

Recebido em 14/12/2005
Aceito em 10/02/2006

 

 

1 Apoio: CAPES.