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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372On-line version ISSN 1807-0329

Psicol. estud. vol.12 no.2 Maringá May/Aug. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722007000200010 

DOSSIÊ - PSICOLOGIA E ADOLESCÊNCIA

 

Valorização de beleza e inteligência por adolescentes de diferentes classes sociais

 

Adolescents of different social classes giving value of beauty and intelligence

 

Valorización de belleza e inteligencia por adolescentes de diversas clases sociales

 

 

Gizelle Regina GomesI; Sandro CaramaschiII

IPsicóloga pela Faculdade de Ciências da Universidade Estadual de Paulista – UNESP/Bauru
IIDoutor. Professor Assistente do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual Paulista – UNESP/Bauru

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Participaram do estudo 180 adolescentes (90M e 90F) com idades variando entre 15 e 17 anos, alunos do ensino médio, pertencentes a diferentes classes sociais. Foram comparados gêneros e classes sócio-econômicas a respeito dos valores de beleza e de inteligência que adolescentes atribuem a si próprios e, numa situação hipotética e de forma mutuamente exclusiva, qual desses atributos foram mais valorizados para si mesmos e para possíveis parceiros. Os resultados mostraram que os rapazes de classe alta atribuíram-se maiores notas de inteligência. Adolescentes de ambos sexos pertencentes à classe baixa gostariam de possuir um maior nível de inteligência em detrimento da beleza, enquanto que adolescentes de classe alta preferem o equilíbrio entre beleza e inteligência. As moças valorizam mais a inteligência em seus parceiros que os rapazes, os quais valorizam mais a beleza em suas parceiras.

Palavras-chave: beleza, inteligência, auto-imagem.


ABSTRACT

The study sample comprised 180 adolescents aged 15 to 17 years, being 90 males and 90 females, attending high school and with different socioeconomic backgrounds. Genders and socioeconomic backgrounds were compared as to the values of beauty and intelligence assigned by adolescents to themselves. In a hypothetical and mutually exclusive manner, these characteristics were assessed to check which were the most valued for themselves and possible partners. The results demonstrated that boys with high socioeconomic background assigned higher intelligence scores for themselves. Adolescents of both genders from low socioeconomic background would like to have a higher level of intelligence instead of beauty, whereas adolescents from high socioeconomic background prefer a balance between beauty and intelligence. The girls assigned more value to intelligence in their partners than the boys, which assigned more value to beauty in their partners.

Key words: Beauty, intelligence, self image.


RESUMEN

Participaran del estudio 180 jóvenes (90 varones y 90 mujeres) con edades entre 15 y 17 años, alumnos de la educación secundaria, pertenecientes a diversas clases sociales. Fueron comparados géneros de clases socio-económicas respecto a valores de belleza y de inteligencia que los jóvenes se atribuyen a sí mismos y, en una situación hipotética y de forma mutuamente exclusiva, cuál de estas cualidades fueron más valorizadas por sí mismos y por posibles compañeros. Los resultados mostraron que los jóvenes de clase alta se atribuyen mayores notas a la inteligencia; a adolescente de ambos sexos, pertenecientes a la clase baja les gustaría tener un nivel mayor de inteligencia en detrimento de la belleza, mientras que los adolescentes de clases altas prefieren el equilibrio entre belleza e inteligencia. Las mujeres jóvenes valorizan más la inteligencia de sus compañeros que los varones, los cuales valorizan más la belleza en sus compañeras.

Palabras-clave: belleza, inteligencia, auto-imagen.


 

 

A adolescência é um período de duração variável entre a infância e a vida adulta. No seu curso ocorrem várias mudanças no desenvolvimento biológico, psicológico e social do indivíduo, sendo que o fenômeno relacionado às mudanças físicas, no qual o indivíduo se torna apto a se reproduzir sexualmente é denominado puberdade e o fenômeno psicológico, que envolve aspectos emocionais e sociais, denominado adolescência. Biologicamente, começa com a aceleração do crescimento esquelético e início do desenvolvimento sexual; psicologicamente, se inicia com a intensificação do crescimento cognitivo e formação da personalidade e, socialmente, é caracterizada como um período no qual o indivíduo se prepara para seu futuro papel de adulto jovem (Bee, 1997; Kaplan, Sadock & Grebb, 1997).

O corpo do jovem sofre modificações rápidas e profundas que faz com que adquira um significado todo especial. O processo de individuação do adolescente passa pelo conhecimento e adaptação do próprio corpo. Isto inclui a elaboração de uma auto-imagem corporal consistente e estável. Coll, Palacios e Marchesi (1995), dizem que a imagem corporal já está estabelecida muito antes da adolescência. No entanto, o período da adolescência exige sucessivas reconstruções e reformulações da imagem do próprio corpo.

O conceito de imagem corporal segundo Osório (1992) é uma representação condensada das experiências passadas e presentes, reais ou fantasiadas, conscientes ou inconscientes; é a idéia que o indivíduo tem de si próprio.

Deste modo, a necessidade de adequação física, sexual e social é dinâmica e pressiona o jovem a buscar a aceitação por seus grupos de iguais. Se não forem aceitos, podem surgir tensões e conflitos que eliciarão sentimentos de ansiedade, inferioridade, baixa auto-estima e retraimento súbito ou gradual (Kaplan & cols., 1997). Segundo Outeiral (1994), o corpo, nesse momento, assume um importante papel na aceitação ou rejeição por parte da turma.

Os padrões valorizados não são os mesmos para todas as pessoas (Bruck & Melnyk, 2004). Alguns valorizam muito as habilidades acadêmicas, enquanto outros valorizam boas amizades ou atratividade (Miller, 2000).

 

OS ADOLESCENTES E SUA PREOCUPAÇÃO COM A APARÊNCIA

O modelo de corpo ideal, tanto feminino quanto masculino sempre esteve presente em todas as sociedades, veiculado outrora através da arte, hoje isso ocorre principalmente através de meios de comunicação de massa. Há uma normatização da beleza e são estabelecidos os limites do normal, do aceitável e do estético (Wolf, 1992).

A mídia veicula um modelo de beleza (jovem, magro, branco) que é, segundo Botta (1999) possível apenas para pequena parcela da população mundial, masculina ou feminina. A busca por um modelo ideal de beleza, que nunca foi tão estimulada e valorizada, tem deixado um imenso grupo de insatisfeitos e deprimidos, desconfortáveis com o próprio corpo e com a auto-estima em baixa. Dentre esses, os adolescentes são atingidos, pois estão numa fase de construção da identidade e para tal buscam os modelos disponíveis (Duke, 2002).

Além disto, as propagandas existentes, principalmente nas revistas, de uma forma indireta, afirmam que a aparência física é responsável pela felicidade e sucesso, formando uma ilusão de bem-estar que para ser conquistado, será necessário que a pessoa se enquadre no padrão estabelecido de beleza (Thomsen, McCoy, Gustafson & Williams, 2002).

O ideal de magreza pode influenciar o comportamento das adolescentes de fazer dietas que prometem rápida perda de peso e sem sofrimento. Porém essas dietas podem comprometer a saúde, envolvendo aspectos físicos e psíquicos. Como o organismo ainda está em desenvolvimento os efeitos de uma dieta inadequada podem ser graves (Groesz, Levine & Murnen, 2002).

As preocupações dos adolescentes referentes a aparência física difere entre os gêneros. A puberdade mostra que há diferença entre os sexos quanto ao valor atribuído ao peso e à altura. Os rapazes tendem a se preocupar mais com a estatura, enquanto as moças mostram-se preocupadas e intolerantes em relação à obesidade (Brasílio, 2001).

Porém, os homens com um físico pouco atrativo podem contar com outros meios de sedução como riqueza, prestígio, inteligência, poder e humor, não dependendo prioritariamente da sua aparência física para seduzir, como geralmente acontece com as mulheres (Buss & Barnes, 1986; Campos, 2000; Kanazawa & Kovar, 2004; Kenrick, Sadalla, Groth & Trost, 1990).

 

A PREOCUPAÇÃO DO ADOLESCENTE COM A INTELIGÊNCIA

Durante a puberdade, há um aumento das habilidades de compreensão, discernimento, abstração e generalização, sendo que o evento cognitivo mais importante que ocorre na adolescência é o desenvolvimento da capacidade para o pensamento lógico abstrato (operações formais). Ele alcança seu pico na adolescência tardia, quando o indivíduo adquire a capacidade para fazer deduções. O pensamento não mais se limita ao ambiente concreto e imediato, mas envolve-se com um mundo mais amplo (Kaplan & cols., 1997).

Há uma preocupação com o pensar, inventar hipóteses e o experimentar. Ele adquire uma atitude teórica e crítica. A curiosidade sobre os problemas existenciais e sexuais é acompanhada por um desejo de buscar soluções satisfatórias recorrendo a livros, enciclopédias ou pesquisa eletrônica, isto ocorre porque o jovem prefere formular suas próprias respostas a confiar nos julgamentos dos pais e mestres (Tiba, 1986).

Referindo-se à escolha ocupacional, os adolescentes precisam sentir-se independentes, autônomos e satisfeitos com a sua escolha. Eles são influenciados por pais, colegas, professores, conselheiros e também pela existência ou não de chance para um escolarização adicional. Essa escolarização adicional retarda o ingresso no mundo adulto (Kaplan & cols., 1997).

A inteligência, assim como a beleza, é considerada como um atrativo importante porque a pessoa que a possui é vista como mais capacitada e habilitada para lidar com diferentes situações, portanto, pode obter maior êxito profissional, sucesso e, conseqüentemente, felicidade (Stojanowska, 2003; Wright, 1996). A inteligência caracteriza-se assim, como atrativo psicológico na seleção de parceiros (Miller, 2000).

 

SELEÇÃO DE PARCEIROS

Borrione e Lordelo (2005) argumentam que os fatores que levam à seleção de parceiros não se restringem às características dos possíveis pretendentes, mas também se relacionam a experiências relativas às experiências individuais de apego.

Estudos realizados nos Estados Unidos por Buss e Barnes (1986) e Kenrick e cols. (1990) mostraram que homens e mulheres selecionam seus parceiros baseados em diferentes critérios. Em ambos verificou-se que os critérios de inteligência, amizade, entendimento, capacidade de ouvir, criatividade, senso de humor, estabilidade emocional, nível de escolaridade e posição social são importantes para as mulheres escolherem seus parceiros nas relações amorosas. Os homens os consideram também importantes, entretanto, para eles, o critério beleza é mais importante que os demais. Isto mostra que a beleza e inteligência têm valorização diferente entre os gêneros.

Buston e Emlen (2003) afirmam que as pessoas escolhem como parceiros aqueles que têm características físicas e sociais semelhantes, ou seja, nas sociedades ocidentais, homens e mulheres querem parceiros com afinidades para que o relacionamento seja duradouro e assim acompanhar o desenvolvimento dos filhos até a idade adulta. Os autores afirmam que mulheres muito bonitas, por exemplo, sentem-se muito mais atraídas por homens belos do que por homens ricos. Da mesma forma, os homens ricos se interessam mais por mulheres igualmente abastadas do que por mulheres bonitas, para casar. Os autores concluíram que as qualidades mais desejadas em um parceiro eram justamente aquelas que as pessoas mais viam em si mesmas.

A partir das informações apresentadas, torna-se necessário ressaltar que existe uma grande quantidade de bibliografia tendo como tema a adolescência, a beleza e a inteligência. Contudo, até então, não foram encontradas pesquisas que contraponham os conceitos de beleza e inteligência na perspectiva adolescente. Assim, percebendo esta lacuna, este trabalho propôs-se a responder se os jovens valorizam mais a beleza ou a inteligência e se há diferenças entre o gênero e a classe sócio-econômica.

A escolha destes dois quesitos deveu-se a vários fatores. Há no senso comum, a idéia de que beleza e inteligência são características "naturais" que dependem da "sorte de já ter nascido com eles". Desde modo não são vistos como construídos pelos sujeitos, ao contrário de características sociais e de personalidade.

Outro aspecto importante é que a beleza e a inteligência possuem forte representação social e são atributos valorizados e admirados pela sociedade contemporânea, assim, aumentam as chances das pessoas que as possuem terem sucesso, respeito e dinheiro (Dion, Berscheid & Walster, 1972). Um exemplo do sucesso advindo da beleza é das modelos que podem receber salários astronômicos por seu trabalho. Na realidade poucas pessoas conseguem atingir os patamares de excelência exigidos pelas agências especializadas, no entanto, os meios de comunicação podem construir uma imagem fantasiosa de sucesso e poder no imaginário de adolescentes (Wolf, 1992).

Em relação à inteligência, pode-se verificar uma ansiedade intensa no que diz respeito à perspectiva de mercado de trabalho, com as exigências cada vez maiores, enfatiza-se a importância de uma boa preparação. Alguns exemplos bem sucedidos de criatividade e sucesso profissional são veiculados pela mídia com grande ênfase.

Além disto, esses quesitos podem ser facilmente mensuráveis pelo sujeito, ou pela aproximação a um modelo padrão dado pela sociedade, no caso da beleza, ou pelos sucessos obtidos na carreira, no caso da inteligência.

A contraposição entre beleza e inteligência originou-se pela observação de que, no senso comum, existem estereótipos determinantes de que quando um atributo está presente, outro está em falta. As pessoas que são extremamente bonitas são por vezes julgadas como pouco inteligentes, e pessoas extremamente inteligentes e intelectuais, são vistos como feios e desajeitados.

Deste modo, este trabalho propôs-se a comparar os gêneros masculino e feminino em diferentes classes sócio-econômicas, com as respostas dos adolescentes referindo-se à possibilidade de escolha sobre possuir maior quantidade de um atributo, mesmo que para isto, o outro ficasse prejudicado. Assim, pode-se perceber qual quesito é mais valorizado e por quem é valorizado. Outra proposta foi verificar diferenças quanto à importância da beleza e da inteligência no que se refere aos parceiros.

 

MÉTODO

Participantes

Participaram da pesquisa 180 adolescentes entre 15 e 17 anos, sendo metade de cada sexo. Todos eram alunos de ensino médio, dos quais 90 pertencentes à escola pública (período noturno), localizada em um bairro de classe média-baixa e 90 pertencentes à escola privada (período matutino), localizada em um bairro de classe média-alta.

Após se ter definido a quantidade e especificidade dos sujeitos que seriam abordados, foi estabelecido contato com as escolas de ensino médio de uma cidade do interior do estado de São Paulo, para que pudéssemos utilizar alguns de seus alunos na pesquisa. As diretoras das escolas autorizaram a aplicação do instrumento sem restrições.

Material

Os dados foram coletados a partir de um instrumento constituído por três perguntas fechadas. A primeira questão constituiu-se de escore de 1 a 10 referentes às variáveis beleza e inteligência, sendo 1 o valor mínimo e 10 o valor máximo de cada variável. Os participantes atribuíram uma nota de 1 a 10 para si no que se referia a sua beleza. O mesmo procedimento foi realizado referindo-se à sua própria inteligência.

A segunda questão referia-se à possibilidade hipotética dos sujeitos escolherem a proporção da beleza e inteligência desejadas para si mesmos. Para responder tal questão foi utilizada uma escala bipolar composta por dez possibilidades de escolha. Uma das extremidades da escala apresentava a palavra "beleza" e na extremidade oposta a palavra "inteligência".

A configuração da escala impossibilitou o empate entre os quesitos beleza e inteligência, o que fez com que os sujeitos necessariamente escolhessem um quesito em detrimento de outro, ainda que em pequena medida.

A última questão referia-se à escolha de características desejadas em um possível parceiro. Novamente foi utilizada uma escala bipolar de beleza e inteligência idêntica à etapa anterior para que os sujeitos quantificassem um quesito em detrimento de outro.

Procedimento

Os pesquisadores abordaram as turmas em suas salas de aula, trazendo consigo todos os materiais necessários. As turmas permaneceram nas salas de aula para a aplicação do instrumento. O objetivo da pesquisa não foi totalmente explicitado, dizendo-se simplesmente que se tratava de um estudo sobre características de aparência e inteligência.

Os participantes foram informados, mediante um termo de consentimento esclarecido, acerca do caráter voluntário da participação na pesquisa bem como da possibilidade de deixar de participar em qualquer momento da coleta de dados. Todos alunos abordados decidiram participar, assinando o termo de consentimento, os quais foram recolhidos. O tempo de preenchimento dos questionários foi livre e os alunos utilizaram um tempo de aproximadamente 15 minutos para sua realização.

Ao final da tarefa, foram apresentados aos participantes os reais objetivos da pesquisa, com os devidos agradecimentos pela colaboração.

 

RESULTADOS

Os dados obtidos foram comparados através de duas variáveis independentes relativas a classe sócio-econômica e gênero. Para evidenciar melhor as diferenças em relação às variáveis dependentes (valor da beleza e inteligência que os sujeitos atribuem a si próprios; notas dadas para a beleza e inteligência que gostariam de possuir e notas dadas para a beleza e inteligência que são desejadas nos parceiros) os resultados foram organizados em tópicos.

 

 

Comparação entre classes sócio-econômicas

Participantes Femininos

Em relação à nota da beleza que os sujeitos atribuem a si próprios, relativos, portanto, à sua auto-imagem, percebeu-se que as jovens de classe baixa apresentam, em média, valores de beleza, um pouco acima (7,13) da atribuída por jovens de classe elevada a si mesmas (6,29). A diferença observada, entretanto, entre meninas de classe baixa e de classe elevada não é significativa pela prova de Mann-Whitney (U=1,7027 e r= 0,0886).

No que diz respeito à inteligência atribuída a si mesmas detectamos que as jovens de classe média-alta apresentaram média de 6,73 e as de classe média-baixa, média de 7,04. O teste estatístico comparando as duas classes indicou que não há diferença entre os valores atribuídos pelas meninas ao que se refere à inteligência que elas julgam possuir, visto que a prova de Mann-Whitney não foi significativa (U=0,5972 e r=0,5504).

No que se refere à questão 2, é importante ressaltar que a escolha da beleza e inteligência que os sujeitos gostariam de possuir ocorreu simultaneamente de forma simetricamente exclusiva. Ao atribuir o valor da beleza simultaneamente escolhia-se o valor da inteligência. O aumento de um valor implicaria a diminuição do outro.

Deste modo, verificou-se que as jovens com baixo poder aquisitivo gostariam de possuir em média um maior nível de inteligência (7,16) em detrimento do nível de beleza (3,84). Verificou-se pela prova de Wilcoxon a existência de uma diferença significativa (Z=3,147 e r=0,002).

Diferentemente disto, as moças com maior poder aquisitivo optaram por uma escolha onde o valor da beleza (5,38) e da inteligência (5,62) que elas gostariam de possuir ficaram em equilíbrio, sem diferença significativa pela prova de Wilcoxon (Z=0,660 e r=0,509).

Comparando-se os valores atribuídos pelas moças das duas classes sociais relativos à beleza que elas gostariam de possuir verificou-se uma diferença significativa pela prova de Mann-Whitney (U=2,8930 e r=0,0038). Percebe-se que as jovens de classe média-baixa quando são instigadas a escolher uma característica em detrimento da outra priorizam menos a beleza que desejam possuir do que as de classe média-alta. De forma simetricamente oposta, no que diz respeito à inteligência, verifica-se que as moças de classe média-baixa a valorizam significativamente mais do que as de classe média-alta.

Relacionando-se os valores atribuídos para as características beleza e inteligência próprias (questão 1) com os escores obtidos na escala mutuamente exclusiva (questão 2), verificou-se pela prova de correlação, que, no que diz respeito às moças de classe baixa, quanto maior o valor de inteligência atribuído a si mesma, maior é o valor de inteligência que ela gostaria de possuir (Spearmann r=0,296). Os cálculos realizados para correlação linear de Spearmann relativos à beleza das moças de baixa renda e beleza e inteligência nas de classe alta não foram significativos.

Considerando-se os resultados de questão 3, relativa á valorização dos itens beleza e inteligência nos possíveis parceiros de forma mutuamente exclusiva, verificou-se pelo Teste de Wilcoxon que as moças priorizam a inteligência em detrimento da beleza. Isso se verifica tanto quando pertencem à classe baixa (Z=2,813 e r=0,005) como quando fazem parte da classe alta (Z=2,760 e r=0,006).

No que diz respeito à s expectativas das mulheres com relação a possíveis parceiros, a única correlação significativa foi verificada entre as moças de baixa renda, onde verificou-se que quanto maior a nota atribuída à própria inteligência (questão 1), maior é a inteligência exigida em seu parceiro (Correlação de Spearmann r=0,372). Com relação à inteligência nas moças de baixa renda e nos dois quesitos (beleza e inteligência) relativos às respostas das mulheres de alta renda, os mesmos cálculos de correlação não proporcionaram resultados significativos.

Participantes Masculinos

Entre os indivíduos do sexo masculino, com relação aos valores atribuídos à própria beleza (questão 1) verificou-se que os rapazes de alto poder aquisitivo estabeleceram uma média de 6,89 e as respostas dos rapazes de baixo poder aquisitivo resultaram em uma média de 6,78. O teste estatístico aplicado não indicou diferença significativa entre as duas classes no referente ao valor escolhido para a beleza que eles julgam possuir (Mann-Whitney onde U=0,2502 e r=0,8025).

Verificou-se a existência de diferença significativa entre as duas classes no que se refere à inteligência que os meninos julgam possuir. Os rapazes de classe elevada julgaram possuir uma inteligência maior (7,82) que os rapazes de classe baixa (6,82). Neste caso, a prova de Mann-Whitney detectou uma diferença significativa entre as classes (U=2,6953 e r=0,0070).

Considerando-se a questão 2, em que os adolescentes foram orientados a estabelecer valores mutuamente exclusivos de beleza e inteligência pode-se afirmar que rapazes com baixo poder aquisitivo optaram por possuir um maior nível de inteligência (6,51) em detrimento do nível de beleza (4,51). O teste de Wilcoxon aplicado aos dados indicou uma diferença significativa entre os quesitos (Z=3,137 e r=0,002).

Os rapazes com maior poder aquisitivo não apresentaram diferença significativa na escolha de um ou outro quesito com média de beleza um pouco menor (5,20) do que a média de inteligência (5,82), ou seja, optaram por possuir um equilíbrio entre a beleza e a inteligência, sem diferença estatística significativa (Wilcoxon onde Z=0,759 e r=0,448).

Com relação ainda à questão 2, verificou-se que os valores apontados para a beleza que os rapazes gostariam de possuir diferiram entre as duas classes. A média foi de 4,51 para os rapazes de classe média-baixa e de 5,20 para os rapazes de classe média-alta. Pela prova de Mann-Whitney verificou-se uma diferença estatística significativa (U=2,1183 e r=0,0341). Assim, pode-se afirmar que os rapazes de classe média-alta, na situação de escolha mutuamente exclusiva, gostariam de possuir um escore de beleza maior que os rapazes de classe média-baixa.

De forma simetricamente oposta, o mesmo se observa com relação à inteligência, os rapazes de classe baixa atribuem-lhe maior valor em detrimento da beleza. A maior média dos valores de inteligência pertence aos meninos de classe inferior (6,51), enquanto os rapazes de classe superior apontaram uma média menor (5,82). Assim, podemos concluir que os adolescentes pobres gostariam de possuir mais inteligência que os rapazes ricos.

Estes dados apontam para uma diferença entre as escolhas relacionadas às classes sócio-econômicas. Independentemente do gênero, pessoas com baixo poder aquisitivo optam por possuir um alto grau de inteligência mesmo que para isso perdessem sua atratividade. E, pessoas de classe mais elevada optam por um equilíbrio, onde possuiriam beleza e inteligência em quantidades igualitárias.

Os cálculos estatísticos realizados no sentido de verificar correlações (Spearmann) entre os valores atribuídos a si mesmos para beleza e inteligência (questão 1) e os escores escolhidos de forma mutuamente exclusiva (questão 2) não indicaram resultados significativos ao se levar em conta classe social em nenhuma das características investigadas (beleza e inteligência).

No que se refere às expectativas de possíveis parceiros pelos sujeitos masculinos, verificou-se que nas duas classes sociais participantes houve grande proximidade entre os resultados, com predominância do quesito beleza. Os cálculos estatísticos (Prova de Wilcoxon) realizados para verificação de diferenças entre as duas características (beleza X inteligência) nos possíveis parceiros demonstraram diferenças significativas tanto entre os rapazes de classe baixa (Z=-2,426 e r=0,015) como nos de classe alta (Z=-2,472 e r=0,013).

Comparação entre os gêneros

Do mesmo modo como a variável classe sócio-econômica foi comparada, os gêneros masculinos e femininos também o foram. Analisou-se a atribuição de valor para a beleza e inteligência que os sujeitos atribuem a si próprios, as  notas dadas para a beleza e inteligência que gostaria de possuir, bem como expectativas de beleza e inteligência com relação a parceiros.

Valores atribuídos a si próprios

De acordo com a prova de Mann-Whitney não houve diferença significativa entre o gênero masculino e feminino, pertencentes à classe média-baixa, no referente às notas da beleza atribuídas para si mesmo (U=0,8591 e r=0,5558). Também não houve diferença entre o gênero na classe média-alta (U=1,2024 e r=0,2292).

No que diz respeito à inteligência foram verificados alguns resultados inesperados, enquanto que a prova de Mann-Whitney aplicado entre homens e mulheres de classe média-baixa não demonstraram diferença (U=0,5851 e r=0,5585), nos indivíduos de classe média-alta demonstrou uma diferença significativa (U=2,5863 e r=0,0097).

Inteligência X Beleza

A respeito da beleza desejada, pode-se dizer que não houve diferença entre os dois gênero na classe média-baixa (Mann-Whitney onde U=0,5689 e r=0,5694) e nem na classe média-alta (U=0,000 e r=1,0000). De forma simetricamente oposta, o mesmo se verificou para valores de inteligência.

Parceiros

A respeito da escolha da beleza e inteligência no parceiro na classe com menor poder aquisitivo, nota-se uma diferença entre os gêneros (Mann-Whitney onde U=3,5547 e r=0,004). As moças apontaram que a beleza desejada no parceiro encontra-se na média de 4,78 enquanto que para os rapazes a beleza de suas parceiras deveria encontrar-se na média de 6,07. Como a pesquisa foi projetada para que a escolha de um quesito implicasse o detrimento do outro, verificou-se que as moças valorizaram mais a inteligência no parceiro (6,22) que os rapazes (5,02).

O mesmo resultado foi verificado na classe com poder aquisitivo maior. Houve diferença entre os gêneros (Mann-Whitney onde U=3,7322 e r=0,0002) no que diz respeito à beleza e inteligência. Os rapazes apontaram a beleza como mais valorizada em média nas suas parceiras (5,98) que a inteligência (5,04). As jovens apontaram a inteligência como o atributo mais valorizado em média nos parceiros (6,07) que a beleza (4,93).

Assim, os dados demonstraram que há diferença entre os gêneros no que se refere à escolha da beleza e inteligência em parceiros. Moças valorizam a inteligência e os rapazes a beleza nos parceiros.

 

DISCUSSÃO

Classes sócio-econômicas

Auto-Imagem

No que diz respeito à atribuição de valores numéricos à própria beleza e inteligência, podemos perceber a maneira como os jovens julgam a si mesmos, a essa perspectiva denominamos auto-imagem.

Os resultados demonstraram que os rapazes de classe média-alta se consideram mais inteligentes que bonitos, enquanto os rapazes de classe média-baixa apresentam um equilíbrio entre as duas dimensões, considerando-se bonitos de forma semelhante aos de maior poder aquisitivo. Entretanto, uma diferença notável é percebida na atribuição da própria inteligência, podendo-se afirmar que a auto-imagem dos rapazes de classe média-alta é maior que a dos rapazes de classe média-baixa no quesito inteligência.

Nesse particular é necessário lembrar que os alunos de baixa renda normalmente vêm de uma história de fracasso escolar (Araújo, 1998) que, certamente tem um papel importante na baixa auto-imagem verificada. No que diz respeito à beleza, entretanto, talvez esse parâmetro não possa ser aferido socialmente de forma tão objetiva como a inteligência, refletindo uma auto-imagem semelhante à verificada entre rapazes de alta renda.

Com relação à auto-imagem das moças, diferentemente do constatado nos rapazes, nota-se que as moças de classe média-baixa apresentam uma auto-imagem com valores mais elevados que as de classe média-alta tanto em relação à beleza quanto à inteligência, tais diferenças, entretanto, não foram significativas. O fato da auto-imagem dos rapazes ricos ser maior que os meninos pobres no quesito inteligência e a auto-imagem das meninas pobres ser maior que as meninas ricas poderia ser melhor investigada a partir da realização de uma pesquisa qualitativa para  poder verificar quais fatores determinariam essa diferenciação da auto-imagem.

Um outro conceito importante para o contexto analisado é o de auto-estima. É importante lembrar que o nível de auto-estima é resultado da seguinte equação: aquilo que o adolescente gostaria de ser e aquilo que ele pensa ser, de acordo com Harter, (citado por Bee, 1997). Se há uma pequena diferença, significa que o jovem possui auto-estima elevada e se a diferença é significativa, o jovem apresenta uma auto-estima baixa.

A partir deste conceito, percebeu-se que as jovens pobres possuem uma baixa auto-estima em relação à inteligência, pois gostariam de ser mais inteligentes do que pensam ser. Esses resultados indicam que as moças de baixa renda, aparentemente, apresentam maior valorização em relação à inteligência como uma forma de reduzir sua dissonância cognitiva (Festinger, 1962/1975) produzida pelo contexto sócio-econômico. Nesse sentido, a situação social dessa moças é incompatível com os valores veiculados pela mídia e pelo senso comum. Como uma forma de reação cognitiva, tais jovens incrementam a valorização de sua inteligência desejada, ou seja, atribuem maior valor à característica que julgam ter (inteligência).

Já em relação aos demais sujeitos não houve diferença significativa entre aquilo que gostariam de ser e aquilo que pensam ser. Assim, apresentam um bom nível de auto-estima.

Beleza ou Inteligência?

A partir dos resultados obtidos verificou-se que a classe sócio-econômica à qual pertence o adolescente parece influenciar sua preocupação e seus desejos em possuir beleza ou inteligência. O fato dos adolescentes com baixo poder aquisitivo de ambos os sexos, terem priorizado a inteligência pode mostrar que eles estão preocupados em melhorar sua qualidade de vida, pois sabem que para conseguir trabalho e independência financeira o desenvolvimento intelectual é essencial (Guareschi & cols., 2003). Diferentemente disso, os adolescentes com maior poder aquisitivo já possuem estabilidade econômica e melhores condições de vida, o que lhes proporciona uma ampliação a sua rede de interesses, entre eles a beleza.

Valores esperados para o parceiro

Os resultados apontaram que em relação às moças de classe média-baixa, quanto mais inteligência elas atribuem para si próprias, maior é o valor de inteligência que eles buscam em seus parceiros. Na vida a dois existe uma expectativa bem conhecida na literatura especializada (Buss & Schmitt, 1993) e (Kenrick & cols., 1990) de que as mulheres valorizam características indiretas de sucesso social. A inteligência privilegiada, nesse sentido, poderia ser considerada um fator de ascensão social (Kanazawa & Kovar, 2004).

Os demais grupos de participantes não apresentaram correlação significativa entre os atributos indicados para si com os atributos esperados no parceiro.

Diferença entre os gêneros

Considerando-se a escolha de atributos aos parceiros, percebeu-se que as meninas de ambas classes sociais escolhem a inteligência como sendo importante em seu parceiro. Esses resultados confirmam as pesquisas realizadas por Buss e Schmitt (1993) e Kenrick e cols. (1990)

No caso dos rapazes, os dados demonstraram um direcionamento claro à valorização de possíveis parceiras nas quais a beleza é priorizada. Esse fenômeno se verificou nas duas classes sociais investigadas e coincide com dados sobejamente conhecidos na literatura científica sobre critérios de seleção de parceiros (Buss & Barnes, 1986; Kenrick & cols., 1990).

De acordo com a teoria evolutiva, o interesse reprodutivo é determinante da seleção de parceiro. A atração de homens por mulheres jovens e bonitas deve-se ao fato destas serem capazes de gerar filhos saudáveis, enquanto que mulheres escolhem homens que possuem características como inteligência, amizade, estabilidade emocional pois espera-se que sejam bons pais (Fisher, 1992).

Além disto, o fato de meninas pobres que se acham inteligentes optarem por parceiros também inteligentes, está de acordo com uma das conclusões do estudo de Buston e Emlen (2003). Estes autores afirmam que as pessoas escolhem como parceiros aqueles que têm características semelhantes a eles.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho apresentado se propôs a analisar de uma forma integrada, aspectos de valorização social de atributos sumamente relevantes para diversas dimensões da vida das pessoas em geral e particularmente para adolescentes, que se encontram em uma fase de definição de valores de conceitos. O estudo atingiu seu objetivo básico de lançar alguma compreensão sobre variáveis relativas à auto-imagem dos jovens numa perspectiva comparativa de gêneros e classes sociais.

Numa outra perspectiva, foram investigados aspectos de características valorizadas na seleção de parceiros, na ótica da psicologia evolutiva, considerando-se as expectativas relativas a diferentes classes sociais.

De uma forma geral, podemos dizer que a pesquisa desenvolvida se presta a orientar profissionais de ciências básicas, saúde e educação no sentido de conhecer as preocupações dos adolescentes para ajudá-los a vivenciar suas experiências com mais esclarecimento e auxiliá-los a alcançar seus objetivos.

 

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Endereço para correspondência:
Sandro Caramaschi
Departamento de Psicologia, Universidade Estadual Paulista – UNESP
Av. Eng. Luiz Edmundo Carrijo Coube, 14-01
Vargem Limpa, Cep 17015-970, Bauru–SP.
E-mail: caramas@fc.unesp.br

Recebido em 16/01/2006
Aceito em 10/12/2006

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