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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372

Psicol. estud. vol.12 no.3 Maringá Set./Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722007000300008 

ARTIGOS

 

A constituição do sujeito na psicanálise lacaniana: impasses na separação

 

The constitution of the subject in lacanian psychoanalysis: impairments in separation

 

La constitución del sujeto en el psicoanálisis lacaniano: impases en la separación

 

 

Maria Cristina Ricotta BruderI; Jussara Falek BrauerII

IMestra em Psicologia Clínica. Colaboradora do LEPPI (Laboratório de estudos e pesquisas dos distúrbios graves na infância), do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
IILivre Docente em Psicologia Clínica. Assessora de gabinete do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este trabalho consiste em uma pesquisa teórica a respeito da constituição do sujeito no âmbito da psicanálise lacaniana. A vertente clínica que motiva esta pesquisa é o atendimento de crianças com problemas graves (psicose, autismo, deficiência mental, etc.) e suas mães, e das dificuldades encontradas num momento privilegiado de seu tratamento, em que ocorreria a separação estrutural entre ambas. Há dois modos pelos quais se constitui o sujeito: segundo o Estádio do Espelho e segundo a topologia da alienação e separação. Ambos são apresentados. Ao explicar a alienação, o estudo enfoca o surgimento do sujeito no inconsciente, distinto do eu, que é essencialmente imaginário. Este surgimento é apresentado de acordo com a leitura lacaniana do cogito ergo sum de Descartes. Os impasses encontrados na clínica quando da separação – especialmente o surgimento de sintomas físicos na mãe - são considerados e analisados à luz das teorias vigentes.

Palavras-chave: alienação, separação, sujeito.


ABSTRACT

A theoretical research on the constitution of the subject in Lacanian Psychoanalysis is provided. The clinical aspect which motivates current research is the dealing with children bearing serious problems (psychosis, autism, mental disability, etc) and with their mothers, coupled to difficulties encountered at a specific moment in the treatment, or rather, when the structural separation between mother and child occurs. There are two ways through which the subject constitutes itself: the mirror phase and the topology of alienation and separation are both carefully presented and investigated. Although alienation is analyzed, the study focuses on the emergence of the subject within the unconscious, as distinct from the ego which is essentially imaginary. Emergence is given according to the Lacanian reading of Descartes’s Cogito, ergo sum. Impairments in the clinical treatment when separation occurs – especially the emergence of physical symptoms in the mother – are taken into account and analyzed in the light of the above-mentioned theories.

Key words: Alienation, separation, subject.


RESUMEN

Este trabajo consiste en una investigación teórica respecto a la constitución del sujeto en el ámbito del psicoanálisis lacaniano. La vertiente clínica que motiva esta investigación es la atención a niños con problemas graves (psicosis, autismo, deficiencia mental, etc.) y sus madres, y las dificultades encontradas en un momento privilegiado de su tratamiento, en el que ocurriría la separación estructural entre ambas. Hay dos modos por los que se constituye el sujeto: según el Estadio del Espejo y según la topología de la alienación y separación. Ambos son presentados. Al explicar la alienación, el estudio enfoca el surgimiento del sujeto en el inconsciente, distinto del yo, que es esencialmente imaginario. Este surgimiento está presentado de acuerdo con la lectura lacaniana del cogito ergo sum de Descartes. Los impases encontrados en la clínica cuando de la separación – especialmente el surgimiento de síntomas físicos en la madre - son considerados y analizados a la luz de las teorías vigentes.

Palabras-clave: alienación, separación, sujeto.


 

 

A clínica dos distúrbios graves na infância fornece o ensejo para o desenvolvimento de investigação no campo da psicanálise. Trata-se, no presente artigo, de pesquisa em curso desde 1987 no IPUSP (Brauer, 1994). Iremos desenvolver aqui uma reflexão que, apesar de fundada na clínica, não é um trabalho de cunho prático; trata-se aqui de uma pesquisa teórica a respeito da constituição do sujeito no âmbito da psicanálise lacaniana.

Trabalhando com crianças que apresentam distúrbios graves, adotamos uma abordagem da estrutura familiar que segue uma estratégia na qual um mesmo analista atende a criança e a mãe ou o pai, conforme se apresentar o caso1. Trata-se, no caso, de crianças muito comprometidas, tidas como psicóticas, autistas, ou deficientes, as quais se apresentam, geralmente, numa ligação extremamente forte e indiferenciada com a mãe; usualmente não falam, configurando uma "colagem" entre a mãe e a criança. "Colagem" não é um conceito lacaniano, mas, antes, um termo que surgiu do próprio trabalho, ao se notar que aparecia um paralelismo significante entre o que fazia a criança em sua sessão e o que dizia a mãe, no seu próprio atendimento.

Nosso objetivo, em termos gerais, era proporcionar condições para que a criança, que víamos como inibida (Brauer, 2000a), pudesse se "descolar" e retomar seu desenvolvimento, o que viria junto com a assunção, por parte da mãe, de suas questões. Isto porque cedo se percebeu que a criança não estava ali como sujeito, e sim, como objeto no fantasma materno, conforme se lê nas Duas Notas sobre a Criança: "o sintoma da criança se situa de forma a corresponder ao que há de sintomático na estrutura familiar (...) a articulação se reduz muito quando o sintoma que chega a dominar tem a ver com a subjetividade da mãe. Aqui é diretamente como correlativo de um fantasma que a criança está implicada" (Lacan, 1969/1998).

Essa ligação tão estreita e essa inibição foram entendidas como expressão da alienação da criança no desejo materno. Em outras palavras, a criança, colocada pela mãe numa posição de objeto, está alienada; trata-se, na verdade, de uma identificação com o traço que o objeto materno aporta à criança. Para entender essa situação, recorremos à topologia que Lacan (1973/1988) desenvolve no Seminário 11, explicando a constituição do sujeito em termos de alienação e separação.

O que nos motivou a estudar esse ponto da teorização de Lacan foi a constatação de que nessas crianças havia alienação, mas nem sempre ocorria a separação – não da criança, mas do sujeito, ser de linguagem. São crianças que não falam, mas estão na linguagem. A separação sempre apareceu como problemática, como um momento de impasse; e o que mais chamou a atenção foi constatar que, em todos os casos, as mães, diante do aparecimento de mudanças que evidenciavam que a criança iria começar a falar, ou a querer algo, ou, enfim, a se recusar como objeto, reagiam com um sintoma físico. Esse sintoma físico não foi considerado do ponto de vista médico – inclusive, quando investigado, nem sempre se encontrou causa orgânica para esse sintoma; tratava-se de sintoma histérico, portanto.

Citaremos um exemplo, bastante resumido, à guisa de esclarecimento do tema que nos ocupa (retirado de Brauer, 2000b, p. 239), referente a um menino que, ao chegar ao Lugar de Vida, encaminhado pela Santa Casa de Misericórdia, tinha 7 anos e se mostrava agitado, com diagnóstico de autismo, e era medicado desde a idade de um ano e meio. Só começou a falar aos 5 anos. A mãe relata que desde muito cedo preocupava-se com ele. O pai achava que sua mulher exagerava, e só começou a se preocupar quando o filho tinha 3 anos. A principal expectativa dos pais era que o menino aprendesse a ler e escrever. Desde o início de seu atendimento aparece a problemática sexual do menino, que, como visto no atendimento da mãe, parece ecoar as questões desta (segundo a história levantada no atendimento, esta mãe é filha de um homem que tinha duas famílias, não sendo casado com sua mãe, havendo esta situação marcado a mãe de um modo importante; em resumo, a bigamia do pai era conhecida e aceita pelas duas famílias, sendo que a família oficial aparece como destituída de qualquer sexualidade, enquanto a família da mãe parecia estar impregnada dela2). Conforme a estratégia deste projeto, ela é atendida pela mesma terapeuta, que a escuta e acompanha o surgimento de dores de cabeça e no abdômen depois que ela elogia os progressos que estão sendo feitos no trabalho com o filho. Com o tempo, vai se dizendo doente: doente da cabeça e das pernas. Há uma sessão importante, em que o menino fala, trazendo sua impulsividade, e batem à porta, avisando a terapeuta de que a mãe está passando muito mal; ela chora de dor no abdômen. Quando se deita nos colchões da sala de atendimento começa a falar. O filho fica quieto, tem um ar preocupado; depois escreve seu nome na lousa. Ela está muito nervosa. Sente muita dor na altura do ovário. Fala que tem medo de ir para o hospital e de operação. Rememora uma operação de vesícula a que sua mãe se submetera quando ela tinha 15 anos. Foi nesse dia que ela teve que ir buscar o pai na casa da outra mulher. Tem medo de anestesia, pois lhe dá dor de cabeça. Pergunta então à terapeuta: "O que a gente tem dentro da gente?" Diz que tem medo de ficar louca, acha que está ruim da cabeça. Após ouvi-la, a terapeuta leva-os ao Hospital Universitário, onde o médico diz que é uma hérnia, coloca-a para dentro, ao que a mãe sente alívio imediato. Depois disso os médicos não encontraram mais nada e ela não sentiu mais dores abdominais.

A questão que resolvemos estudar (Bruder, 2005) poderia ser formulada nos seguintes termos: por que a separação é vivida tão dolorosamente por tantas mulheres, a ponto de não poder surgir em palavras, mas no real do corpo? É como se a mãe não dispusesse de significantes para falar sobre a situação.

O estudo desse processo pelo qual se constitui o sujeito segundo a topologia lacaniana foi realizado, então, visando aos impasses verificados quando da separação estrutural entre criança e mãe. Assim nos detivemos no estudo da alienação, buscando em Lacan e em alguns comentadores argumentos para fundamentar nossa posição, mencionada acima, quanto ao fato de que o sujeito infans está na linguagem, ou seja, foi marcado, sim, pelo significante que lhe vem do Outro. Discutiremos a separação em sua articulação com a clínica.

 

A ALIENAÇÃO

Segundo a formulação de Lacan (1960/1998), a alienação é própria do sujeito; ele nasce por ação da linguagem. O lugar de Outro, que a mãe ocupa neste momento, oferece significantes, através da fala; o sujeito se submete a um dentre os vários significantes que lhe são oferecidos pela mãe. O seu ser não pode ser totalmente coberto pelo sentido dado pelo Outro: há sempre uma perda. Joga-se aí uma espécie de luta de vida e morte entre o ser e o sentido: se o sujeito escolhe o ser, perde o sentido, e se escolhe o sentido, perde o ser, e se produz a afânise, o desaparecimento do sujeito. Segundo Lacan (1973/1988), essa é uma escolha forçada, que tem a reunião como operação lógica subjacente; há nela um elemento que comporta que, seja qual for a escolha operada, tenha-se por conseqüência um nem um, nem outro. Isto é exemplificado por Lacan (1973/1988) no Seminário 11 (Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise) com a frase: "A bolsa ou a vida!". Supõe-se que alguém force o sujeito a escolher entre a bolsa e a vida. Se escolhe a bolsa, perde as duas. Se escolhe a vida, tem a vida sem a bolsa, isto é, uma vida decepada. Há um fator letal aí dentro, diz Lacan, como se percebe nesse enunciado um pouco particular que faz intervir a própria morte: em "A liberdade ou a morte!", qualquer que seja a escolha, têm-se as duas.

Em termos da constituição do sujeito, a alienação consiste no fato dessa escolha forçada. O sentido emerge no campo do Outro. Por isto, ocorre o desaparecimento do ser, que é eclipsado numa grande parte de seu campo devido à própria função do significante. Nesse primeiro tempo, o sujeito não fala, é incapaz de aceder à palavra; como a fala requer a articulação de pelo menos dois significantes, tem que haver esse apelo ao segundo significante. O sujeito, então, se divide em S1 e S2, no sentido que é bem explicado por Lacan (1973/1988, p. 207):

Podemos localizá-lo (...), esse Vorstellungsrepräsentanz, nesse primeiro acasalamento significante que nos permite conceber que o sujeito aparece primeiro no Outro, no que o primeiro significante, o significante unário, surge no campo do Outro, e no que ele representa o sujeito, para um outro significante, o qual outro significante tem por efeito a afânise do sujeito. Donde, divisão do sujeito – quando o sujeito aparece em algum lugar como sentido, em outro lugar ele se manifesta como fading, como desaparecimento. Há então, se assim podemos dizer, questão de vida e morte entre o significante unário e o sujeito enquanto significante binário, causa de seu desaparecimento. O Vorstellungsrepräsentanz é o significante binário.

O sujeito advém como um efeito da articulação S1-S2. "(...) Antes de (...) desaparecer como sujeito sob o significante em que se transforma, ele não é absolutamente nada. Mas esse nada se sustenta por seu advento, produzido agora pelo apelo, feito no Outro, ao segundo significante", diz Lacan (1960/1998, p. 849). Também se pode dizer isso de outra maneira: o sujeito se identifica com o traço significante aportado pelo Outro materno. Ao acontecido na alienação pode-se denominar captura: o sujeito é capturado pelo significante. O sujeito está assujeitado à primazia do significante, como diz Lacan (1960/1998, p. 854):

Conferir essa prioridade ao significante em relação ao sujeito é, para nós, levar em conta a experiência que Freud nos descortinou, a de que o significante joga e ganha, por assim dizer, antes que o sujeito constate isso, a ponto de, no jogo do Witz, do chiste, por exemplo, ele surpreender o sujeito. Com seu flash, o que ele ilumina é a divisão entre o sujeito e ele mesmo.

Falar na primazia do significante remete a uma contingência especificamente humana: trata-se do homem como um ser falante, mergulhado em uma cultura antes mesmo de seu nascimento; ele sofre determinações desse sistema simbólico que é a linguagem, e ingressará nessa ordem simbólica a partir da relação com o Outro – num primeiro momento, presentificado pela mãe – que vai falar com ele, oferecendo-lhe significantes que o constituirão. Mas não se deve confundir o homem, ser humano, o indivíduo, com o sujeito que estamos buscando esclarecer:

No efeito de linguagem, não se trata de nenhum ente. Trata-se apenas de um ser falante. No ponto de partida não estamos no nível do ente, mas no nível do ser. (Lacan, 1978/1992, p. 144).

 

O EU E O SUJEITO DO INCONSCIENTE

Ao estudar a alienação, deparamo-nos com a questão da diferenciação entre "eu" e "sujeito", contribuição de Lacan que configura uma inovação em relação ao ensinamento freudiano na medida em que distingue o eu, uma construção imaginária, do sujeito do inconsciente, o sujeito do desejo. Para Lacan, eu e sujeito não coincidem. Para Freud (1923/1972), o eu é das Ich, uma instância intrapsíquica mergulhada no sistema percepção-consciência, servidor de numerosos mestres (o isso, o supereu, a realidade exterior); não há nenhuma suposição de um sujeito. Esta diferenciação entre os termos eu e sujeito será melhor explicitada a seguir.

De fato, vê-se claramente na topologia lacaniana que o ser e o sujeito são disjuntos; e que Lacan articula suas proposições em torno do cogito cartesiano de modo a questionar o sujeito da ciência ao mesmo tempo em que assume a tese filosófica de que tal sujeito começou a existir com Descartes (2000)3.

Detivemo-nos nas semelhanças e diferenças entre Freud e Descartes, a partir da leitura de Lacan, que pensou no cogito à luz da psicanálise e chegou a uma fórmula negativa: "ou não penso, ou não sou".

A descoberta do inconsciente impõe essa fórmula negativa na medida em que as formações do inconsciente – lapso, esquecimento, ato falho, sonho – não comportam um sujeito capaz de acompanhar suas representações e se assegurar da continuidade de seu ser. Trata-se de uma escolha forçada (pelo não penso); em outras palavras, assim como Lacan falou no vel alienante como escolha forçada entre o ser e o sentido, no cogito, à luz da psicanálise, trata-se da escolha forçada entre o "não penso" e o "não sou". Citando um exemplo de Darmon (1994, p. 192):

quando eu disse a você "minhas felicidades" no lugar de "minhas condolências", eu não o pensava certamente; assim o sujeito se assegura da continuidade de seu "ser"; como nós o vemos, essa certeza não se apóia senão sobre o imaginário, é uma vertente da alienação. O processo psicanalítico consiste, ao contrário, em efetuar a outra escolha: nessa palavra que me escapou, se manifesta o inconsciente, ou seja, um lugar onde eu não sou.

Lacan (1949/1998, p. 96) rejeita a tradição filosófica oriunda do cogito – como se pode ler em "O estádio do espelho como formador da função do eu" – ao conceber a função do eu na experiência psicanalítica, ao mesmo tempo em que retoma o cogito para promover o 'Je', que considera o próprio eixo do trabalho freudiano. A propósito, deve-se destacar que, na língua francesa, existem dois pronomes – Je e moi – para designar o eu, e que essa duplicidade se presta a nomear essa diferenciação, feita por Lacan, entre o eu e o sujeito do inconsciente, que não coincidem. No trabalho citado ("O estádio do espelho como formador da função do eu"), ainda não está clara a distinção entre ambos. Mas, ao reler esse trabalho, percebe-se que, desde sua primeira publicação, em 1949, Lacan falava na formação do sujeito do inconsciente de maneira pouco clara, a julgar pelo título original do trabalho ("Le stade du miroir comme formateur de la fonction du Je, telle qu’elle nous est révélée dans l’experience psychanalytique"), que fala na função do "Je", ou seja, a estruturação de um eu (Je) como posição simbólica do sujeito simultaneamente ao aparecimento de um eu (moi) como construção imaginária. Nesse texto, é rejeitada a existência de um sujeito absoluto, no sentido hegeliano, e não parece existir nenhuma articulação entre esse sujeito e a psicanálise.

No Seminário 2 ("O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise", de 1954-1955), Lacan (1978/1992) volta a falar do cogito; e Descartes vai aparecer plenamente no texto de Lacan (1957/1998, p. 520), em A Instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud, quando fala na introdução da função do sujeito e acrescenta algo ao cogito: uma frase latina (" ‘cogito ergo sum’ ubi cogito, ibi sum" – que se pode traduzir por "Lá onde eu penso: 'eu penso logo eu sou', lá eu sou"). Ele introduz a espacialização na ordem do pensamento, correção decisiva – "é claro que isso me limita a só estar aí em meu ser na medida em que penso que sou (estou) em meu pensamento" (Lacan, p. 520) – já que, a respeito desse cogito, Lacan propõe voltar à "arma da metonímia" e da metáfora, nas quais "jaz o fulcro da conversão freudiana" (p. 521): é quando surge essa separação completa, no sentido daquela espacialização, na apresentação latina : "penso onde não sou, logo sou onde não penso" (p. 521). A introdução do inconsciente freudiano, retomado aqui pelo jogo da metáfora e da metonímia, implica essa inversão completa, pela qual lá onde há pensamento (inconsciente), "eu" (Je) não estou, e lá onde está o "eu" (Je) (na enunciação), isso não pensa mais. Donde a retificação em que conclui: "O que cumpre dizer é eu não sou lá onde sou joguete de meu pensamento; penso naquilo que sou lá onde não penso pensar" (p. 521).

Ser e pensamento são disjuntos, e Lacan vai reinterpretar esse cogito, transformando-o e produzindo como resultado um eu (Je) muito diferente daquele a que Descartes chegou, esse que se toma por uma coisa que pensa.

O procedimento cartesiano coloca o cogito (o "penso, logo sou") com seu sujeito assegurado de ser pelo único fato de que ele pensa; mas o sujeito dessa certeza progride por meio do ego e seus pensamentos. Descartes aspira a um tirano na ordem do saber, que insuflaria ao saber a sua unicidade. É esse sujeito que Lacan evoca ao postular o sujeito do inconsciente como sendo aquele que sabe. Conforme Gaufey (1996, p. 173),

o sujeito lacaniano encontra existência numa encruzilhada onde se cruzam um trabalho sobre a letra e o significante e uma posição descentrada do eu por relação ao processo da fala. Esses dois eixos (relativamente) independentes desenham indiretamente um lugar cujo registro de funcionamento é daqui em diante assegurado pela definição canônica segundo a qual o significante representa o sujeito para outro significante.

Embora ancore sua reflexão no cogito e reconheça que o inconsciente não poderia ser descoberto antes do nascimento da ciência no século XVII, graças ao cientificismo de Freud, paradoxalmente, Lacan (1966/1998) afirma que um único sujeito é aceito na psicanálise: aquele que pode constituí-la científica.

No Seminário 2, Lacan (1978/1992) estuda "O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise" e mostra a dificuldade de abrir mão da noção do eu, sem o qual não conseguimos pensar. Do mesmo modo que Copérnico introduziu a noção de que a Terra não era o centro do universo, e sim, o Sol, ou seja, retirou a Terra desse lugar de centro, igualmente, com Freud, houve o descentramento da noção de eu: a descoberta freudiana mostra que o inconsciente "escapa totalmente a este círculo de certezas no qual o homem se reconhece como um eu" (Lacan, 1978/1992, p. 15). Conforme Lacan, Freud partira da idéia de que aquilo que é da ordem do eu é também da ordem da consciência. Com o avanço de sua obra, Freud confessa que não pode situar a consciência, e podemos dizer, com Lacan, que o [eu] = Je é distinto do eu = moi. O sujeito não se confunde com o indivíduo, a pessoa. "O sujeito está descentrado em relação ao indivíduo" (Lacan, 1978/1992, p. 16) . O sujeito do inconsciente é o sujeito por excelência, e se distingue do eu, função imaginária, que pode ser consciente. A consciência nos ilude, a despeito de esta consciência apreender a si mesma, de modo transparente, e, numa reflexão imediata, permitir ao sujeito apreender a si mesmo numa experiência qualquer:

Mesmo que efetivamente seja verdade que a consciência é transparente a si própria e que é apreendida como tal, fica patente que, nem por isso, o eu lhe é transparente. (...) Mesmo que este eu nos seja efetivamente entregue, no ato de reflexão, como uma espécie de dado imediato em que a consciência se apreende transparente a si própria, nada indica, no entanto, que a totalidade desta realidade – e dizer que se vai chegar a um julgamento de existência já é muito – fique de todo esgotada. (Lacan, 1978/1992, p. 14).

Tal apreensão do eu, centrada numa experiência de consciência, nos cativa, mas é preciso desprendermo-nos disso para ter acesso à concepção lacaniana do sujeito "a fim de permitir-lhes apreender, enfim, onde está, para Freud, a realidade do sujeito. No inconsciente, excluído do sistema do eu, o sujeito fala" (Lacan, 1978/1992, p. 80). Há uma oposição entre o sujeito do inconsciente e a organização do eu: este nos diz muita coisa pela via da denegação, mas isto não explica qual é a relação entre os dois sistemas. Eles não são apenas um o inverso do outro, de forma que a análise do eu fosse a análise do inconsciente ao avesso, o que se deve ao fato da insistência, da repetição. Disso surge a questão de saber qual é a natureza do princípio que regula o que está em causa, ou seja, o sujeito. Se para Descartes (2000) o ser é inerente ao sujeito, Lacan vai escolher este ponto como um primeiro passo no estudo da Identificação, em 1961, no Seminário 9 (inédito), em que ele retoma, desde a primeira sessão, os problemas postos pelo cogito, e novamente condena a formulação de Descartes, dizendo que nada suporta a idéia tradicional filosófica de um sujeito, a não ser a existência do significante e de seus efeitos.

Se o cogito cartesiano não vale mais para a psicanálise, é porque, conforme Lacan (sem data), é preciso subverter o preconceito que baseia essa filosofia:

(...) Aqui trago uma fórmula que é aquela sobre a qual seremos conduzidos a retomar nas próximas vezes, é esta: o de que se trata e como isto nos é dado, já que somos psicanalistas, é subverter radicalmente, tornar impossível este preconceito, o mais radical, e contudo é o preconceito que é o verdadeiro suporte de todo este desenvolvimento da filosofia, do qual se pode dizer que está no limite que nossa experiência ultrapassou, o limite além do qual começa a possibilidade do inconsciente – é que jamais houve, na corrente filosófica que se desenvolveu a partir das investigações cartesianas ditas do cogito, jamais houve senão um único sujeito que fixarei, para terminar, sob esta forma: o sujeito suposto saber. É preciso que vigiem esta fórmula da repercussão especial que, de alguma forma, traz consigo sua ironia, sua questão (...)4.

Há uma crítica de Lacan (sem data) à função do sujeito suposto saber, na filosofia hegeliana, por exemplo. Nesse momento de sua elaboração teórica, Lacan considera a existência de um impasse, e mesmo de uma impossibilidade, nesse "eu penso logo eu sou". A importância deste percurso reside no ponto a que Lacan chegou: ele encontra, no limite da experiência cartesiana como tal do sujeito evanescente, a necessidade de uma garantia, do traço de estrutura mais simples, do traço unário5. Ele toma a bateria significante confrontada a esse traço para discernir o sujeito, constituído como segundo em relação ao significante. O traço unário se marca como tatuagem, o primeiro dos significantes.

O sujeito suposto saber reaparece no final do Seminário 11, quando Lacan (1973/1988), tratando da transferência, articula o sujeito – aquele representado por um significante para um outro significante – e o Outro entendido como o tesouro dos significantes. Sem mencionar Descartes, ele apresenta as duas operações que regulam as relações do sujeito e do Outro, alienação e separação. Já foi explicada a alienação; antes de falar da separação, destacamos que ela faz pressentir a retomada do cogito cartesiano, mas depurado de sua propensão hegeliana, rejeitada em 1961, como visto: esse sujeito afanísico não poderia se manter pura e simplesmente na acumulação progressiva do saber, ou seja, não é um sujeito que conhece e acumula representações da realidade, como se dirá do eu, 'moi'.

A experiência da transferência, segundo Lacan, se funda nessa passagem achada por Descartes que conduz a procura do caminho da certeza a esse ponto mesmo do vel da alienação, para o qual só há uma saída – a via do desejo. Diz Lacan que o eixo é o desejo do analista; isto reproduz o elemento de alienação – há um ponto em que o desejo do sujeito jamais pode reconhecer-se, e como mostra a experiência analítica, "é de ver funcionar toda uma cadeia no nível do desejo do Outro que o desejo do sujeito se constitui". (Lacan, 1973/1988, p. 223).

 

A SEPARAÇÃO

A separação é representada pela intersecção entre os elementos que pertenceriam aos dois conjuntos, o lugar onde se juntariam o sujeito e o Outro, o ser e o sentido. Tal intersecção surge do recobrimento de duas faltas. Uma falta é aquela que o sujeito encontra no Outro e que é própria da estrutura do significante, é o fato de, nos intervalos do discurso do Outro, nesse intervalo cortando os significantes, deslizar o desejo, o que faz o sujeito apreender algo do desejo do Outro. A outra falta é trazida pelo sujeito que responde a essa captura com a falta, anterior, de seu próprio desaparecimento (o desaparecimento que corresponde a sua afânise, ao se submeter ao sentido dado pelo Outro). Em plena alienação, vimos que há a falta do sujeito, vinculada ao significante afanísico, que obtura o que o significante pode dar de "ser" ao sujeito. Esta falta é recuperada com a falta do sujeito como objeto para o Outro. Portanto, estas são as duas faltas: a falta no Outro e aquela produzida pela perda de "ser" intrínseca à alienação, com que o sujeito joga, experimentando a reação do Outro à sua ausência – o primeiro objeto que ele propõe é a sua própria falta: pode ele me perder? A fantasia de sua morte, de seu desaparecimento, é o primeiro objeto que o sujeito tem a pôr nessa dialética, e ele o põe, com efeito, diz Lacan (1973/1988, p. 203). Na separação, o sujeito irrompe na cadeia significante, e se destaca o objeto a. Essa operação de separação permite que o sujeito encontre um espaço entre os significantes onde irá se constituir seu desejo, no que seu desejo é desconhecido; o sujeito retorna então ao ponto inicial, que é o de sua falta como tal. Isso indica que alienação e separação não são "fases" estáticas, e mostra a oscilação permanente que se verifica no analisante entre alienação e separação, como uma alternância sempre renovada. A partir da palavra separação, Lacan (1973/1988, p. 202) faz uma espécie de jogo de palavras, remetendo a um "engendrar-se", sentido pelo qual a separação promove algum acesso à liberdade, ainda que limitada.

 

UMA ARTICULAÇÃO COM A CLÍNICA

Apresentadas desse modo as operações de alienação e separação, pode-se fazer uma articulação com a clínica. Pensamos que a criança se encontra alienada no desejo da mãe, isto é, submetida a um significante que a condena a não ser, já que o sujeito do inconsciente fica petrificado no momento em que escolhe o sentido dado pelo Outro (mãe). Ao postular a separação, vai-se encontrar o outro tempo desta lógica. No tempo da afânise, momento de fechamento do inconsciente, o sujeito é chamado ao Outro, petrifica-se, como visto, na medida em que incorre na identificação constitutiva; neste momento deve ser mencionado o papel da pulsão invocante, na voz que chama o sujeito. O desejo da mãe convoca o sujeito. Com a separação, vislumbra-se o momento da abertura do inconsciente, onde se dá o corte nos significantes – o sujeito vê a si mesmo aparecer no campo do Outro, seu desejo é o desejo do Outro. Destaca-se aqui a importância do olhar, como explica Brauer (2003, p. 162):

Para este autor a constituição do eu repousa sobre uma relação de conhecimento. De um conhecimento que se constrói a partir do olhar, da observação, do fato de ser olhado. Trata-se aqui do estádio do espelho, teorização importante que ele desenvolveu na década de 40. Esta teorização vai reler a teoria freudiana do narcisismo, apontando para o fato de a partir desta fase constituir-se um eu, resultante do estabelecimento de um traço identificatório, o traço unário. (...) A conjugação de um olhar desejante e de uma voz que nomeia o desejo são as condições para a inscrição desse traço que, a partir do processo de identificação, é responsável pela gênese do eu.

Finalmente o Outro lá retorna... Ou seja, há um acabamento da noção de Outro, e passa a ser possível o surgimento do "e", sujeito e Outro. O que define o sujeito e permite que ele saia da alienação – ou seja, que se separe – é aquilo que lhe falta, que constitui o seu desejo. Para que haja a falta, o sujeito vai ser operado por dois significantes, possibilitando, com a separação, que caia um objeto inexistente e alucinado, a (objeto pequeno a). É, então, pela função do objeto a que o sujeito se separa, deixa de estar ligado à vacilação e à indeterminação do ser ao sentido que constitui o essencial da alienação. A separação é a busca da parte perdida do ser. O objeto a aparece então como aquilo que singulariza o sujeito, pois conota a especificidade de seu desejo.

Esta é a maneira esperada, segundo a teoria, para ocorrer a separação. Entretanto, em muitos casos atendidos, a separação traz um impasse. Embora essa teorização se aplique à relação entre o sujeito e o Outro e sua constituição simbólica, nesta clínica (dos distúrbios graves na infância), parece que a separação do sujeito não ocorre por problema do lado da mãe.

Os citados impasses na separação constituem um momento bastante delicado do trabalho clínico, com o aparecimento de algum sintoma físico na mãe e a possibilidade, por exemplo, de abandono do tratamento, devido ao difícil manejo da situação. De certa forma, tal evento, específico para cada uma dessas mães, mostrava algo de sua subjetividade, mas não vinha como sintoma no sentido analítico do termo: vinha no corpo, não simbolizado.

O sujeito dividido, alienado entre o ser e o sentido, quer ser tudo para o Outro, e preencher a falta do Outro materno com sua própria falta. A criança deseja ser o falo, esse é o desejo da mãe. Mas isso é irrealizável; no entanto, é freqüente, na clínica dos distúrbios graves da infância, justamente essa superposição muito problemática entre as faltas – o que chamamos de colagem. Por nosso lado, pensamos que, se o S1 está presente, é possível intervir no nível do significante, e, conforme as colocações posteriores de Lacan, na consistência do real em sua nodulação com o simbólico e o imaginário.

Uma possibilidade lógica é supor que não ocorre o chamado ao sujeito com a voz. Trata-se de um significante, digamos, "emudecido". Será que se trata, então, de uma falha na transmissão do S1? A investir nessa hipótese, tem-se uma falha que impede que ocorra a separação como tal, com sua conseqüência, também lógica, a saber, o não-acabamento da noção de Outro. A "colagem" ficaria, assim, explicada. Em outras palavras, supomos que a mãe, no lugar do Outro, silencia o significante que vai marcar a criança, e que é transmitido, como sempre, inconscientemente, mas de outro modo. O significante S1, que tomamos como o traço unário, de algum modo tem sua inscrição realizada, mas "(...) o que observamos é que a inscrição desse traço unário que permitirá a constituição de um eu na criança, que essa inscrição encontra-se por assim dizer em impasse" (Brauer, 2003, p. 164).

É bem conhecida em nosso meio uma visão que chamamos de "clássica" da separação, que se tornou hegemônica, a qual considera a função do pai e a intervenção da metáfora paterna como condição para a possibilidade de separação. Mas, apesar de estar respaldada pela doutrina lacaniana, principalmente no seu início, essa teoria não oferece uma solução para certos casos; é como se houvesse outras "versões" da constituição subjetiva, outras possibilidades de compreender sua estruturação. Além disso, tem um viés conservador, paternalista.

Neste trabalho, não nos estenderemos nessa discussão, que foi extensamente abordada na citada dissertação de mestrado (Bruder, 2005) e se fundamenta no trabalho de Gaufey (1996), onde se encontra uma teorização já estabelecida quanto à constituição do sujeito, numa leitura pouco conhecida em nosso meio.

Mesmo quando aborda a função paterna, como no Seminário 5, parece-nos que Lacan (1998/1999) já analisa a relação da criança à mãe considerando a posição do sujeito. Chama a atenção, nos textos que apresentamos, o fato de Lacan dar sua visão da constituição do sujeito valendo-se da topologia, e não se referir ao Nome-do-Pai, ou à metáfora paterna, para falar disso. De fato, essa aproximação é feita pelos comentadores quando falam de psicose. Trata-se de uma visão que prioriza o simbólico, e cristaliza a interpretação da forclusão do Nome-do-Pai – que então reapareceria no real. Transparece um enfoque que pode ser considerado distorcido, em que parece ser "melhor"o simbólico e "pior"o real, ou o imaginário, e que não leva em conta, no ensino de Lacan, que as três instâncias – real, imaginário e simbólico – têm o mesmo valor enquanto consistências que se nodulam.

Existem outras formas, portanto, a nosso ver, de pensar a constituição subjetiva, mais aptas a responder às lacunas de nosso conhecimento nos casos graves. Assim, a hipótese de evitação da castração materna por meio da "colagem" foi considerada (Brauer, 2003), bem como a consideração do autismo com a possibilidade de uma transmissão do S1 em ato, ou seja, uma transmissão em que é silenciado o significante. Aponta-se aqui a necessidade de ampliar a visão desse campo entre a criança e a mãe, para poder ler o traço significante que insiste em tentar se escrever, e que vem em ato, para que se possa reconhecer uma inscrição do significante. Isto por considerarmos que o agir da criança traz em si, em sua repetição, algo que é significante, como dissemos no início (o "paralelismo significante"), e por termos percebido (Brauer, 2003) a eficácia de sua utilização como pontuação ao discurso da mãe, que conduz à possibilidade de sua elaboração ao provocar associações e o trabalho analítico. O acting out é o começo da transferência (Lacan, 2005, p. 140); podemos considerar o agir da criança como tal, isto é, como atuações, e isso é útil, por ser a única maneira de saber como lidar com o acting out. Num campo transferencial, a criança atua e o analista lê aí o traço significante.

A transferência não é um elemento exclusivo do trabalho analítico, embora seja operada pelo analista de um modo singular; mas destacamos o fato, enfatizado por Lacan (1973/1988, p. 202), de que "é aí [na separação] que vamos ver despontar o campo da transferência". Os impasses verificados na separação, em nossa clínica, não podem ser compreendidos apenas a partir da leitura "clássica" da teoria que prioriza o simbólico e o significante Nome-do-Pai. Uma "solução" só pode ser pensada em cada caso mediante a possibilidade do surgimento, no tratamento analítico, do significante da transferência, transmitido mudamente nesse caso particular.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência
Maria Cristina Ricotta Bruder.
Rua Purpurina, 155 - cj 24,
CEP 05435-030, São Paulo-SP.
E-mail: mcricotta@yahoo.com.br

Recebido em 28/11/2005
Aceito em 20/07/2007

 

 

1 Leia-se mais sobre esta estratégia em Brauer (2003), cap. 1.
2 Outra versão deste caso pode ser lida no artigo de Reis (2000).
3 A pesquisa do cogito cartesiano segundo Lacan se baseia em Gaufey (1996).
4 Citado por Gaufey (1996, p. 178), tradução nossa. Trata-se de fragmento da sessão de 15 de novembro de 1961 do Seminário 9 ("A identificação"). Tal sessão encontra-se disponível no endereço eletrônico da École Lacanienne de Psychanalyse (www.ecole-lacanienne.net), bem como no CD-ROM da Escola Freudiana de Buenos Aires.
5 Há várias sessões do Seminário 9 (A identificação, inédito) em que Lacan explica e tece considerações sobre o traço unário. Destacamos as sessões de 6, 13 e 20/12/1961. Veja-se também a sessão 2 do Seminário 10 (A angústia), de 21/11/1962.