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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372

Psicol. estud. vol.16 no.4 Maringá Oct./Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722011000400004 

ARTIGOS

 

Ajustes entre pais e filhos adultos coabitantes: limite e transgressão1

 

Adjustments between cohabiting parents and adult children: boundary and transgression

 

Ajustes entre padres e hijos adultos cohabitantes: límite y transgresión

 

 

Celia Regina HenriquesI; Terezinha Féres-CarneiroII; Elsa RamosIII

I Bolsista pesquisadora PDJ-CNPq no Departamento de Psicologia da PUC-Rio. Brasil
II Professora titular do Departamento de Psicologia da PUC-Rio. Brasil
III Maître de Conférence em Sociologia na Université Paris Descartes, pesquisadora do CERLIS-CNRS

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho é investigar a relação entre pais e filhos adultos coabitantes no ambiente doméstico familiar e sublinhar os aspectos transformadores dessa dimensão interativa. Empreendemos uma discussão teórica interdisciplinar, incluindo autores como Singly, Giddens, Berger e Luckman. Pesquisamos esse universo por meio de um estudo de campo, realizando entrevistas semiestruturadas com oito famílias cariocas de classe média. Foram entrevistadas, separadamente e depois em conjunto, quatro díades mãe-filho, três díades mãe-filha e uma díade pai-filha. Entre os temas que emergiram da análise dos dados, destacamos os ajustes cotidianos nas instâncias relacionais. Verificamos que, na dinâmica interativa, diferentes ajustes cotidianos são estabelecidos. Pais e filhos se autorizam a romper ou esticar as regras de convivência, revelando o aspecto poroso da relação e estabelecendo um contexto propício para se jogar com as regras. Evidencia-se um jogo de reconstrução constante em um movimento ilimitado de avanços e recuos na esfera relacional.

Palavras-chave: Relação pais e filhos adultos; cotidiano familiar; dinâmica relacional.


ABSTRACT

The study presents a theoretical synthesis about the logic and forms of thought in practical activity as a consequence of relations between man and objective reality and its implications in the pedagogical process. The theoretical and methodological aspects of the study focus on the cultural-historical psychology and the historical dialectical materialism.It is concluded that the active processes of appropriation of knowledge, when it is not considered the logical historical development of relationships and the constitution of the human psyche, create limitations for the thought and language which are enhanced by the educational process. It follows from this the need to review the theoretical frameworks present in the l training of professionals in education and psychology for the higher purpose of education that is the development of human potential.

Key words: Parents-adult children relationship.


RESUMEN

El objetivo de este trabajo es investigar la relación entre padres e hijos adultos cohabitantes en el ambiente doméstico familiar y subrayar los aspectos transformadores de esa dimensión interactiva. Emprenderemos una discusión teórica interdisciplinar, incluyendo autores como Singly, Giddens, Berger y Luckman Pesquisamos ese universo por medio de un estudio de campo, realizando entrevistas semi-estructuradas con 8 familias de clase media carioca. Fueron entrevistadas, separadamente y después en conjunto, 4 pares madre-hijo, 3 pares madre-hija y 1 par padre-hija. De entre los temas que emergieron del análisis de los datos, destacamos, en este trabajo, los ajustes cotidianos en las instancias relacionales, por ser una categoría más abarcadora. Verificamos que, en la dinámica interactiva, diferentes ajustes cotidianos son establecidos. Padres e hijos se autorizan a romper o estirar las reglas de convivencia, revelando el aspecto poroso de la relación y estableciendo un contexto propicio para jugar con las reglas. Se evidencia un juego de reconstrucción constante, un movimiento ilimitado de adelantos y retrocesos en la esfera relacional.

Palabras-clave: Relación padres e hijos adultos; cotidiano familiar; dinámica relacional.


 

 

O fenômeno do prolongamento da convivência familiar, pano de fundo do presente trabalho, é compreendido como uma construção da sociedade ocidental contemporânea. Esta noção tem como fundamento a ideia de que tal fenômeno é forjado na conjugação de fatores intrafamiliares (a ambivalência de sentimentos em relação à partida e à perda dos papéis conquistados) e extrafamiliares, fruto de um contexto social fortemente marcado por instabilidade e incerteza.

Desta visão do alongamento da convivência, parte-se para um estudo direcionado à dinâmica interativa vivida por esses pais e filhos adultos nos limites do espaço doméstico-familiar. Esta conduta permite uma investigação mais aprofundada dos mecanismos de convivência adotados pelos indivíduos em questão nas interações que se situam no universo de suas vidas cotidianas.

Entre as considerações iniciais que serviram de base para este trabalho, uma refere-se ao dilema de viver junto e de viver só, uma incerteza colocada pelo individualismo da atualidade. De acordo com Singly (2005b), o processo de individualização vivido na sociedade ocidental vem se constituindo como um paradoxo para o indivíduo contemporâneo, pois o autoriza a sonhar com uma vida que congregue, ao mesmo tempo, estar só e estar junto. Dessa forma, pais e filhos adultos coabitantes tentariam se acomodar a uma dupla vida, articulando a esfera pessoal e a coletiva.

A outra questão inicial a orientar as reflexões que permeiam este estudo consiste em um desdobramento da primeira. A vivência da conciliação entre as duas esferas, a pessoal e a coletiva, processa-se na dinâmica interativa; assim, sublinhar o contexto de interações entre esses indivíduos e as suas formas de ele se relacionar e fazer combinarem os interesses mútuos é fundamental para o conhecimento dessa dinâmica. Desse modo, aponta-se especificamente para uma dimensão interativa que se constitui através de cada diálogo travado nas circunstâncias da convivência. Esses diálogos permitem conhecer pequenos detalhes da convivência do dia a dia que expõem os ajustes realizados na relação, necessários para o prosseguimento da vida em comum. A partir das observações mencionadas é desenvolvido este estudo, que tem como objetivo investigar a dinâmica relacional entre pais e filhos adultos, buscando destacar os aspectos transformadores dessa dimensão interativa. Assim, são enfatizados, sobretudo, os acordos, a autonomia e as negociações, vividos em um espaço considerado próximo da igualdade e sujeito às tensões e ambiguidades, próprias do ir e vir entre os territórios coletivos e individuais.

 

A VIDA COTIDIANA E A DINÂMICA INTERATIVA

A dimensão interativa no ambiente doméstico-familiar leva a considerar a relevância dos pequenos momentos da convivência, os quais revelam os ajustes na dimensão relacional e garantem o desenrolar da vida em comum. Esses ajustes seriam a construção, a reconstrução ou a ruptura das regras familiares, organizadoras das vidas desses membros, que irão, nessa medida, legitimar seus interesses pessoais e coletivos.

A concepção do uso da linguagem na construção do mundo e das relações a partir da perspectiva de Berger e Luckman (1966/1991) constitui-se como um importante instrumento de compreensão dos ajustes relacionais mencionados. A realidade do dia a dia é tomada como objeto de estudo, ou, mais precisamente, o conhecimento que guia a vida cotidiana torna-se o ponto principal de uma análise sociológica conforme com o que propõem os autores. A realidade mais "real" para o indivíduo é a do dia a dia, pois ela se impõe à consciência de forma imperativa, apresentando-se "de uma maneira impactante, urgente e intensa" (p. 35).

A realidade da vida comum do dia a dia é vivida em diferentes graus de proximidade e distância, todos espacial e temporalmente organizados, mas em suas abordagens os autores asseveram que o aspecto temporal tem mais relevância. Com isso, querem dizer que o indivíduo está mais pragmaticamente interessado no que é possível apreender no "aqui e agora", embora essa realidade compreenda também fenômenos que não estão presentes nesse "aqui e agora". Seguem os autores: "toda a minha existência no mundo é continuamente ordenada pelo tempo e englobada por ele" (p. 41). Dessa forma, o relógio, a agenda e o calendário são recursos de avaliação da maneira como o indivíduo ordena sua realidade, como também, fontes de avaliação da intersubjetividade, que também possui uma dimensão temporal.

A linguagem na situação interativa da vida cotidiana possui uma inerente qualidade de reciprocidade, conforme Berger e Luckman (1966/1991), segundo os quais "a produção de signos vocais pode ser sincronizada com a produção de intenções na conversação" (p. 52). Podemos admitir que as qualidades objetivas e subjetivas se justapõem na interação, criando e recriando realidades. Assim, quando falamos de nós mesmos, ou, nas palavras dos autores, "quando nos ouvimos falar de nos mesmos" (p. 52), o nosso mundo subjetivo torna-se mais compreensível e passa a ser mais real para nós. Dentro dessa perspectiva, destacamos, ainda, a seguinte proposição: "A linguagem torna a minha subjetividade mais real não somente na conversação, mas também para mim mesmo" (p. 53). Dessa forma, ao falar de si próprio, o indivíduo cria uma narrativa sobre si, em uma reflexão espontânea e não deliberada, e ao mesmo tempo a compartilha com o outro, na interação.

A partir da noção de que a realidade do dia a dia se impõe à consciência de forma imperativa, introduzimos a ideia de Kaufmann (2007). Segundo o autor, de início podemos não compreender as frases banais, pois elas passam despercebidas em meio às conversações, sob a forma da linguagem casual; mas se, como pesquisadores ou terapeutas, nós nos interessarmos por elas, a fim de compreendermos uma determinada concepção de mundo, deveremos rastreá-las em seus aspectos recorrentes e contraditórios nos discursos dos indivíduos.

Dentro desse horizonte, Schnitman (1996) propõe que o pesquisador ou terapeuta de famílias preste particular atenção às flutuações e variações ocorridas nas conversas no contexto familiar, com o objetivo de utilizá-las como potencialidades para gerar novas alternativas ou para recuperar e reciclar o que já existe. Uma dimensão estética emerge a partir do incentivo de busca pela criatividade, com base na capacidade de encontrar ou recuperar ações e sínteses de significados, de visões e versões inéditas dos mesmos. Para tanto, as histórias que nos serão contadas passarão pelo crivo da desconstrução dos relatos dominantes. As ambiguidades e as incertezas serão rastreadas para que seja encontrado o despercebido e assim se obtenha a possibilidade de expressões reformuladas dos significados atribuídos a essas experiências relacionais.

Assim, a dimensão interativa, evidenciada na vida cotidiana familiar, aponta para a importância das conversas triviais, que revelam a constituição e a reconstituição constantes dos ajustes na relação. Tais ajustes são mecanismos utilizados por pais e filhos adultos para assegurar a vida em comum.

 

UM ESPAÇO ENTRE QUASE IGUAIS

Hoje as relações não estão mais ancoradas na vida social e econômica, e sim, na capacidade de produzir satisfação de modo recíproco: elas existem por si mesmas, e se algo vai mal entre os parceiros, este fato é suficiente para abalar a relação. Sem as referências externas advindas de outros indivíduos, grupos ou instituições, as relações surgem como uma trajetória relacionada acima de tudo aos projetos individuais. O compromisso é a sua base e substitui o anterior endossamento dos laços externos preexistentes, como é o caso do sistema de parentesco. O compromisso deve ser entendido numa perspectiva histórica nova; ele faz parte de uma troca de esforços.

Esse tipo de relação - "pura" no entendimento de Giddens (2002) - tem sua gênese, sobretudo, na esfera da sexualidade, do casamento e da amizade, porém é no âmbito da relação entre pais e filhos que ela ganha contornos mais específicos. Nesse caso, observa-se uma relação assimétrica, quando referida a famílias com filhos pequenos ou adolescentes. Há um desequilíbrio de poder , uma relação mais desigual, em razão da demanda de deveres e obrigações esperados dos pais. Existe um contexto de dependência infantil referendado no processo de socialização, mas então o relacionamento é desenvolvido de uma forma mais suave e mais igualitária que em momentos tradicionais anteriores. Assim, a transformação das relações na esfera interpessoal se verifica na relação entre pais e filhos, só que de uma forma diferenciada: à medida que os filhos crescem e vão ganhando autonomia, mais o relacionamento vai se aproximando do que Giddens defende como relação pura.

Seguindo com Giddens, admite-se que o relacionamento entre pais e filhos adultos é normatizado pela relação pura, e só se mantém porque é satisfatório para ambas as partes; no entanto, caso exista dependência emocional na relação, encontra-se uma desigualdade, a qual se desdobra em outra questão: a hierarquia na família. Por mais que esta tenha se flexibilizado, existe e deve ser considerada na compreensão da dinâmica familiar.

Assim, certo desequilíbrio de poder se configura neste universo, como indica o estudo de Henriques, Féres-Carneiro e Magalhães (2006). A relação contém tensões internas e contradições, porém não é vulnerável. O horizonte da lealdade não só com o outro, mas com a relação é uma importante fonte de apoio neste contexto familiar. Nesse caso, não há a exclusão de critérios morais externos, uma vez que a relação entre pais e filhos é um referencial da cultura tradicional.

Por sua vez, o discurso igualitário se dá mais no âmbito das ideias do que em termos de prática cotidiana, de acordo com Kaufmann (1992). O discurso pode se dar no domínio do ideal, porém os gestos e os atos podem se revelar profundamente desiguais. O autor não nega a potência do ideal igualitário, contudo o relativiza ao evidenciá-lo como um imperativo social que obriga o indivíduo a se posicionar e se justificar diante de tal ideal. A regra da igualdade perde sua força no cotidiano , nas desigualdades inscritas na concretude das práticas, mas a ideia de igualdade funciona de modo operacional, constituindo-se, de acordo com Zanetti e Gomes (2009), numa forma essencial de estruturação dos papéis domésticos no presente e no futuro da vida em comum.

A diferença entre o ideal e a prática remete à evidência de contradições e impasses vividos na esfera doméstica, quando o tema em questão é a divisão das tarefas da casa, no caso dos cônjuges estudados por Kaufmann (1992). Acrescente-se que na atualidade essa mesma descontinuidade pode se dar na esfera da convivência entre pais e filhos. Os discursos tradicionais e igualitários convivem na prática cotidiana da família e se expressam como dois registros diferentes e construídos em momentos históricos e socioculturais da mesma forma diferentes. Assim, podem trazer ao espaço familiar situações de mal-estar e impasses na relação entre pais e filhos ao criarem um ambiente de contrastes e ambiguidades na comunicação da família. A "ideia" é fluida em suas aplicações no domínio familiar de adultos, uma vez que existe a hierarquia parental — esmaecida, porém presente nas relações.

A autonomia e a autoridade são categorias indispensáveis em uma discussão que tenha o propósito de compreender a dinâmica interna destas famílias. Assim, o autodesenvolvimento deve ser livre e igual, como também deve haver limitação de poder. Este deve ser distribuído como em uma democracia, em seu sentido de esfera pública; todavia, essa contenção de poder não significa uma negação da autoridade; para Giddens (2002), esta só se justifica até o ponto em que reconheça o princípio de autonomia. Segundo a noção de relação pura na esfera de adultos, a autoridade existe como um aspecto de especialização. Em outras palavras, uma pessoa desenvolve habilidades específicas que a outra não possui, o que não seria exatamente autoridade sobre o outro, e sim, uma sabedoria a mais. Em uma relação em que a autoridade se faça presente , como aquela entre pais e filhos, de modo explícito ou não, a suposição é a de que haja espaço para a exposição de argumentos em nível de igualdade.

Singly (2005 b) afirma que a independência adquirida com a emancipação deve ser associada à autonomia, à capacidade de dispor de seu próprio mundo. A independência deve servir à edificação de um mundo pessoal, autônomo, no qual o indivíduo crie suas próprias normas. Para um filho adulto que mora com os pais, de acordo com Ramos (2006), a questão da definição de si próprio como adulto é menos importante que a noção de autoria de sua própria vida, ou seja, a sua autonomia, sobretudo no terreno das relações intergeracionais.

No momento atual parece haver uma discrepância entre a definição do que é ser adulto e a concepção de autonomia. A ausência de rituais de passagem promovidos pelo coletivo, observada na sociedade contemporânea, dificulta a visão cíclica do desenvolvimento. As etapas de vida sincronizadas não se coadunam com as mudanças, prolongamentos e adiamentos destes estágios evolutivos presentes no contexto contemporâneo.

Ramos (2002) propõe uma nova perspectiva: a de que a autonomia desses filhos é construída na relação com os pais e se processa através de micromudanças vividas no espaço familiar, como o lugar de cada um na relação, o estabelecimento de novas regras de convivência , a utilização do espaço físico da casa, entre outras. Estas microtransformações na vida cotidiana são acompanhadas de ações que permitem a elaboração de um sentido de autonomia e de definição de si: "a dimensão do grupo familiar cede lugar às negociações interindividuais" (Ramos, 2002, p. 46).

Assim, a autonomia é forjada na interação e tem uma relação contingente diante da normatização dos contextos externos. Dessa forma , a relação entre pais e filhos adultos põe em relevo o que faz sentido para ambas as partes, e as negociações se estabelecem em função das demandas cotidianas e podem conferir ao espaço familiar um ambiente de parceria; mas o território da família é, também, um lugar tenso, ambíguo e imprevisível, o que relativiza as demandas das ideologias das culturas da atualidade.

 

MÉTODO

Participantes

No intuito de alcançar as metas estabelecidas, foram escolhidos como sujeitos da pesquisa famílias dos estratos sociais médio e médio-alto, residentes no Rio de Janeiro, cujos membros a serem entrevistados, pais e filhos adultos, deveriam ser coabitantes. Como critério de características individuais dos participantes, optou-se por definir a priori somente o perfil dos filhos adultos: estes deveriam ser solteiros, graduados em nível universitário, estar trabalhando e ter idade superior a 26 anos. Nossos sujeitos são sete mães, um pai, quatro filhos e quatro filhas, pertencentes a oito famílias.

Esses entrevistados compõem uma amostra não probabilística de conveniência, o que faz com que os dados colhidos não possam ser generalizados para a totalidade da população sobre a qual incide o tema da pesquisa. Acrescenta-se que, em virtude do tamanho e da natureza da amostra, a pesquisa pretende ser exploratória, e os dados colhidos serão representativos de um pequeno segmento de nosso objeto de estudo.

Procedimentos e análise de dados

Adotou-se como instrumento de pesquisa o conceito de entrevista semidiretiva, elaborada de acordo com as proposições de Kaufmann (2007) e Ramos (2006). Esses autores propõem a participação ativa do pesquisador, de forma livre e descontraída, de modo a permitir que a empatia abra as portas do mundo dos entrevistados. No que concerne ao roteiro de entrevista, foram buscadas as orientações de Blanchet e Gotman (2007), que afirmam ser o roteiro a interface do trabalho de conceituação da pesquisa no campo.

As entrevistas com as famílias foram gravadas com a permissão dos entrevistados. Todos os participantes do grupo selecionado concordaram em participar do estudo e formalizaram sua anuência mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Os depoimentos foram colhidos em três momentos diferenciados para cada uma das famílias. Foi realizado um encontro com um representante do casal parental, ou seja, entrevistamos ou o pai ou a mãe; depois ouvimos o filho ou a filha não necessariamente nessa ordem e, finalmente, ocorreu a entrevista interativa com o pai ou a mãe e o filho ou a filha.

A análise dos dados das entrevistas dividiu-se em dois momentos. No primeiro, foram analisados os textos provenientes das entrevistas individuais e, em sequência, foram constituídos os seguintes temas iniciais: "As regras parentais"; "As reatualizações"; "As rupturas"; e "A instituição de novos acordos de convivência". Após esse procedimento, foi construído o roteiro da entrevista interativa. Cada um dos oito encontros interativos contou com um roteiro diferenciado, constituído a partir da análise dos diálogos individuais.

O segundo momento da análise de dados diz respeito ao exame do texto interativo, no qual foram demarcados os fragmentos de discursos significativos que deram origem aos temas de análise. Em seguida, procedeu-se ao cruzamento desses temas entre todos os textos interativos e, a partir dessa ação, chegou-se a dois temas principais de análise: "Os ajustes de convivência" e "Um jogo interativo". Tais temas se desdobraram nos seguintes subtemas: as regras que são cumpridas; a ruptura e a elasticidade das regras; os acordos, negociações e reformulações.

 

 

UM CAMPO DE AVANÇOS E RECUOS

As regras familiares e a hierarquia, não sendo, em princípio, categorias, são construídas, sustentadas, questionadas e negociadas nas relações entre os membros da família, em um momento do ciclo vital no qual são esperadas diversas mudanças. Nesse processo de construção colaboram a cultura, a singularidade, o gênero, os imperativos sociais e outros fatores, que se constituem em uma rede de múltiplos atravessamentos.

Féres-Carneiro (2005) afirma que, de modo geral, as famílias funcionais expressam seus conflitos e têm recursos para resolvê-los, desde que demonstrem uma comunicação clara e direta. Ao lado disso, Borges e Magalhães (2009) sublinham o exercício constante de negociação entre pais e filhos adultos a respeito de suas posições na esfera da relação. Desse modo, admite-se que a capacidade de utilização dos múltiplos "eus" de cada indivíduo, mobilizados de acordo com os interesses e possibilidades do contexto interacional, revela um jogo de ir e vir das instâncias relacionais. Para Féres-Carneiro, Henriques e Jablonski (2011), "trata-se de uma sucessão de idas e vindas, que se constituem como estratégias de convivência, configurando o jogo interativo" (p. 244).

Na esfera dessas interações, diferentes dimensões podem ser hierarquizadas e priorizadas de acordo com as necessidades do momento. Pode-se ir e vir mais próximo ou mais distante. Trata-se de experimentar na prática, de avaliar o que funciona e o que não funciona naquele momento na relação. Assim, a transformação das regras inclusive de seus recuos é possível com o empenho de cada um na dinâmica relacional, em um suceder de passos calcados nos sentimentos e interesses dos membros em interação.

Caio 29 anos, médico, solteiro muda de posicionamento quando a mãe, Cláudia 59 anos, casada há 35, psicóloga de formação, dona de casa aventura-se a aconselhá-lo sobre o seu trabalho: essa "invasão" de seu espaço pessoal o impele a lembrá-la desse deslize. Caio diz: "Ela não gosta do meu emprego, mas ela não pode dizer nada, não é o fato de ela não gostar que vai fazer eu mudar alguma coisa". Cláudia responde: "Está certo, mas é só preocupação, interesse, nada mais que isso". Desse modo, Caio "lembra" a mãe o seu posto de "mãe de filho adulto". O reenquadramento dessas funções foi uma conquista da relação. Nessa medida, Caio expressa a defesa de seu território.

Sendo a autonomia construída na relação por meio de pequenos movimentos que a levam mudar e a promovem, faz sentido pensar na importância da sua manutenção e nos aspectos complementares que ela provoca no outro, como no exemplo mencionado acima. A vida em família carrega a dualidade dos territórios coletivos e individuais, oscila entre a vida em comum e os espaços pessoais; dessa maneira, a dimensão interativa atua de forma clara ou ambígua. Singly ( 2005 a ) sublinha o dilema do indivíduo contemporâneo, no que se refere à busca de autonomia em um contexto de dependência, como o paradoxo da convivência.

Diante de uma situação conflitante, Elisa 32 anos, psicóloga, solteira se transforma em mãe de sua mãe Eva 60 anos, casada há 34, professora aposentada. O ajuste de interesses vem a ser o terreno dentro do qual essa dinâmica se configura. Assim, quando Eva expressa um aspecto de si própria, provoca em Elisa um aspecto complementar a este, criando uma regulação momentânea na interação. Nessa esfera de interações, diferentes dimensões foram hierarquizadas, sendo priorizada aquela que se apresenta como possível no momento. Elisa relata: "Quando ela fica irritada, eu me irrito também, ela fala muito, eu falo: para de falar. Ela fala mais alto". Eva complementa: "Ela é intolerante e ríspida, eu me aborreço muito com isso, mas é do momento, eu cedo". Elisa retruca: "É a forma dela de ser, não tem muito jeito, a gente pontua e tal, eu peço o apoio do meu pai, com um "né, pai?", ele não entra na coisa, mas sinto que concorda".

A camisa manchada de Henrique 30 anos, advogado, solteiro serve de exemplo da forma como os acordos são revistos e reformulados dentro da perspectiva de ciclo vital familiar. Nas famílias em que filhos são adultos, é esperado que a negociação faça parte do contexto familiar, de forma que as necessidades de cada membro da família possam ser constantemente revistas, facilitando o percurso para o consenso. Para que isso possa ocorrer , é necessário que a família disponha de uma capacidade suficiente de flexibilidade nos domínios relacionais, no que concerne ao universo de suas regras de convivência . Henrique fala:

Eu mostrei a mancha para ela e ela falou: "Vai ver que foi você mesmo que fez isso"; eu argumentei que não, e ela falou: "Então manda lavar na lavanderia"; eu disse: "É, essa é a coisa mais fácil para você, em vez de disciplinar a empregada".

Helena, sua mãe, 59 anos, divorciada, médica aposentada comenta: "A solução tem que ser dele, tem que vir dele, ele que tem que mandar lavar as roupas fora". Henrique responde ao comentário da mãe: "Eu sei que dou uma de mimadinho às vezes, daí eu paro".

O consenso em torno da criação de um espaço relacional mais igualitário e de uma relação menos assimétrica foi decisão da dupla; porém Henrique recorre ao antigo lugar de filho para fazer valer seu direito de ter uma mãe responsável pelas atividades domésticas da casa, ou seja, por disciplinar e controlar a empregada. Essa atitude de Henrique é oposta às novas combinações da relação propostas e acordadas em conjunto pelos dois. Diante disso, Helena o recoloca no lugar de filho parceiro e, assim, defende seu próprio lugar de mãe, descompromissada da vigilância do cotidiano da casa. Nesse sentido, reitera e reforça o acordo inicial, apesar da investida do filho em sentido contrário.

Ramos (2002) se refere às estratégias utilizadas pelos membros da família como uma relação de forças. De um lado, os pais vão procurar conservar as características do espaço comum familiar, e de outro, os filhos vão buscar margens de manobra para a conquista de mais espaço em relação às ordens iniciais, objetivando romper ou esticar as regras instituídas.

A negociação deve ser cuidadosa, a fim de não colocar em risco o equilíbrio da relação, de forma que, à medida que os filhos forçam ou vão longe demais em suas demandas, os pais podem fazê-los recuar por meio de estratégias de apelo a algum tipo de ordem instituída e à reafirmação do espaço da casa como parental. Neste sentido, pode-se chegar a um meio-termo que redefina esse contexto, mas nem isso impede que os filhos continuem insistindo em suas formas de esticar as regras da casa, por meio de pequenos atos que se infiltram no corpus parental e visam à legitimação de mais autonomia.

Breno 31 anos, advogado e solteiro e sua mãe Berenice 55 anos, economista e divorciada estabeleceram que o primeiro só poderia trazer a namorada para dormir na residência da família nos fins de semana. Segundo o relato de Breno: "Às quartas-feiras a Bianca [namorada nova] dá plantão de manhã cedo aqui perto de casa, ela acabou que dormiu aqui, porque ia ficar tarde para ir e voltar no dia seguinte".

O acordo entre mãe e filho, que abriga a noção de que a namorada só pode dormir na casa nos finais de semana, foi uma deliberação de Berenice com a aceitação de Breno, mas o consenso inicial pode estar perto de ser reformulado, por conta do sinal positivo de Berenice diante da argumentação do filho pela ruptura do acordo naquela noite. Essa atitude entre mãe e filho de rever um acordo abre uma brecha para a legitimação dos interesses do filho, no âmbito da relação.

A expressão verbal é uma poderosa forma de administrar as insatisfações no domínio interacional, no entanto ela pode se apresentar como fonte de dificuldades, em razão da sua capacidade de se engajar explicitamente em uma espécie de " prestação de contas", em um caminho cujos efeitos podem ser fatigantes e custosos. Dessa forma , é comum que os integrantes das famílias escolham os percursos mais silenciosos nas suas transações, muitas vezes omitindo, ou até mesmo mentindo, para evitar os conflitos abertos. No que tange ao universo dos filhos adultos, concorda-se com Ramos (2002) quando diz que a estratégia da omissão , do silêncio e da mentira visa a regular a autonomia destes e a resguardar seus espaços pessoais na relação com os pais. Pode-se acrescentar que a mesma tática pode ser utilizada pelos pais, que, por meias-palavras, mímicas corporais ou ironia, podem expressar seus sentimentos e inquietações.

O relato de uma conversa travada entre Cláudia e Caio na cozinha da residência da família expõe esse contexto. Caio diz: "Essa geladeira está bem fraca de suco natural, iogurte de marca boa, requeijão de pote. Falta também o meu sorvete preferido". Cláudia argumenta: "É, ela está magra, mas você pode fazer um passeiozinho no supermercado para ela ficar mais gordinha". A utilização da ironia e da brincadeira disfarça a seriedade da circunstância em que ocorre, como também mascara a intenção de controle e regulação.

 

LIMITES, TRANSGRESSÕES E UM DOMÍNIO DE PERMISSÕES VELADAS

Observa-se nessas relações um campo de permissões veladas, inscritas na esfera do não dito. Os filhos, ao romperem com as normas dos pais, têm uma atitude de enfrentamento, e parece que o fazem com o consentimento silencioso dos últimos. Cada um vai até determinado ponto: observa, reconhece a área e atua para modificar seu contorno inicial. O passo de um indica a direção do passo do outro e, com isso, novas regras poderão vir a ser estabelecidas. Dessa forma, constitui-se um campo de avanços e recuos na dinâmica relacional, configurando-se um jogar com as regras, um jogo de reconstrução constante em um movimento ilimitado.

Foucault (1963/2009) afirma que existe um jogo sustentado pelo campo de enunciados (aquilo que é dito) e o campo das evidências (aquilo que é visto), que constituem um estrato. Esse jogo de forças é construído peça por peça na história e pode ser desconstruído por meio de métodos referentes a uma arqueologia do saber e uma genealogia do poder. Para esse autor, analisar o limite é se situar na linha onde o poder "costura" o visível e o dizível a um estrato. Coutinho (1992) adiciona que o limite é aquilo que é extremo na fronteira do próprio jogo. O limite não tem um lugar, ele se constitui em uma linha de contorno, onde existe um ponto de fragilidade, uma "sutura".

Dessa forma, o limite é algo que pode sempre ser ultrapassado. Quando se estranha alguma coisa, é possível remeter-se para fora do estrato, olhar à distância, descobrir possibilidades de passagens de um campo para o outro. O limite de uma experiência permite a saída de algo, o que torna possível a transgressão. Sendo assim, o limite e a transgressão poderiam ser entendidos como faces da mesma moeda, pois no momento em que se toca em um limite, segundo Vaz (1992), já ocorre a transgressão e esta passa a ser englobada por um novo limite.

Seguem-se alguns exemplos de diálogos sutis que envolvem a dinâmica interativa em seu locus de ação, a residência da família. Cláudia afirma: "De vez em quando ele não arruma a cama... ele tenta enrolar se puder, joga a colcha por cima de qualquer jeito, joga as almofadas". Caio replica: "Dia de semana eu acordo quase de madrugada, mas no final de semana eu faço". Cláudia acrescenta: "Primeiro lê jornal, toma banho, e a arrumação vai ficando para trás".

Esse jeitinho ou a "enrolação" de Caio, na definição de Cláudia, pode estar relacionado a uma atitude de experimentação na rotina, de tentar ir além dos limites da relação, tocá-lo e, assim, esticar o seu espaço em direção a um campo de maior amplitude. Ao lado disso, Cláudia acolhe a "enrolação" do filho e apresenta um sinal verde para a transgressão.

Da mesma forma, o diálogo travado entre Eva e Elisa demonstra um campo facilitador para a conquista de espaço na relação. Eva relata: "E as roupas passadas quem guarda? É a mamãe. As blusas ficam dando sopa na sala uns três dias". Elisa responde: "Em algum momento eu vou chegar e vou encontrar as roupas no meu quarto, eu fico na esperança que ela guarde no armário, mas nem sempre ela faz isso".

Elisa sabe o que a mãe vai fazer, é só uma questão de saber esperar, analisar as possibilidades, a partir da hesitação de Eva. Com isso, Elisa desenvolve estratégias de enfrentamento do estabelecido e persiste no rumo de aumentar a sua área de atuação. Os movimentos de espreitar e analisar as lacunas são seguidos de perto pela mãe, em uma espécie de consentimento silencioso à transgressão.

Dessa forma, os pais autorizam a ruptura ou o esticamento das regras, revelando o aspecto poroso da relação. Aliviada da rigidez das posições iniciais, essa atitude acobertadora ou hesitante instiga à criação de um terreno apropriado para as rupturas demandadas pelos filhos. Estes, no intuito de ganhar mais espaço, testam diferentes investidas e argumentações para ampliar seus domínios pessoais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante assinalar que não se pode perder de vista o conhecimento, a expertise que esses indivíduos têm de suas próprias histórias de vida em comum, que são calcadas nas minúcias de um saber acumulado. Acredita-se que esse saber é constituído de pequenas verdades não aparentes, portanto, talvez possa ser dito que esses indivíduos se debruçam com paciência sobre os detalhes do convívio, pesquisando formas de ir em frente, em um mesmo espaço de convivência.

Filhos e pais parecem estar, frequentemente, aguardando os resultados das investidas sutis (e de seu acolhimento) em direção ao questionamento de um limite. Tal investida diz respeito a ambos: uns transgridem e outros permitem veladamente a transgressão. Dessa forma, configura-se um acordo sem palavras, forjado nas iniciativas pessoais e em sentimentos comuns circulantes.

O jogo que envolve as esferas do limite e da transgressão contempla o encontro de um ponto sensível no campo relacional, e desse modo, a possibilidade de ir além, avançar. Quando se atinge um limite ocorre a transgressão, que por sua vez transforma-se em um novo limite. Assim, observa-se um movimento ilimitado, um jogo de reconstruções constantes na dinâmica relacional.

Nesse jogo revela-se a capacidade de reinvenção, deflagrada a partir de minúcias, de reduzidos movimentos que expressam a necessidade de não se conformar ao que está instituído, bem como de questionar, em comum, os acordos da relação. Essa situação parece ocorrer de forma tênue, sem grandes alardes.

Assim, apresentou-se a importância de detalhes e minimanifestações expressas nas interações vividas no cotidiano da família. Entendeu-se que o processo interativo se faz a partir de pequenos gestos e de palavras pronunciadas na relação. Entendeu-se ainda que o poder destes instantes reforça o valor da análise da vida doméstica como recurso de compreensão da dinâmica familiar e, especificamente, da relação entre pais e filhos adultos.

 

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Endereço para correspondência
Celia Regina Henriques. Rua Farme de Amoedo 150/ cob-01, Ipanema, CEP 22420-020, Rio de Janeiro.
E-mail: celiahenriques@globo.com

Recebido em 04/11/2010
Aceito em 08/02/2012

 

 

1 Apoio: CNPq.
2 Os nomes fictícios sublinhados referem-se aos membros das famílias que foram entrevistados.