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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372

Psicol. estud. vol.17 no.1 Maringá Jan./Mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722012000100016 

ARTIGOS

 

Trabalho imaterial, medo, solidão: "amigos de aluguel" na sociedade líquido-moderna1

 

Immaterial work, fear, loneliness: "friends for rent" in the liquid-modern society

 

Trabajo inmaterial, miedo, soledad: "amigos de alquiler" en la sociedad moderna líquida

 

 

Carmem Ligia Iochins GrisciI; Betina Magalhães BitencourtII; Carolina Freddo FleckIII

IDoutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2000); professora associada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
IIMestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2011); doutoranda em Administração pela UFRGS, bolsista CAPES
IIIDoutora em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil (2012); professora assistente da Universidade Federal do Pampa, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O presente artigo resultou de uma pesquisa exploratório-qualitativa que objetivou colocar em pauta os temas medo e solidão a partir da perspectiva da sociedade líquido-moderna. Para tanto tomou como objeto o inusitado trabalho imaterial denominado Amigos de Aluguel, que teve visibilidade na mídia eletrônica a partir de 2009. As referências de análise emergiram de sites alusivos ao trabalho ofertado que anuncia atender indivíduos que sintam o peso do medo e da solidão na vida cotidiana. Autores como Zygmunt Bauman, Richard Sennett e Vincent de Gaulejac, em especial, mostraram-se importante suporte para a compreensão dos resultados, por indicarem o trabalho imaterial denominado Amigos de Aluguel como um modo de produção de estilos de vida ou de modos de existência e como um indicador do medo e da solidão na sociedade líquido-moderna justamente por sua eficácia, mesmo que momentânea, em mascarar a vivência de ambos.

Palavras-chave: Trabalho imaterial; amigos de aluguel; solidão.


ABSTRACT

This article resulted from an exploratory study that aimed to put out under consideration themes like fear and loneliness in the liquid-modern society. In this regard it took as object the unusual immaterial work called "Friends for Rent" ("Amigos de Aluguel"), which was visible in the electronic media from 2009. The references of analysis emerged from sites allusive to the offered work which aims to meet individuals who feel the weight of fear and loneliness in everyday life. Authors such as Zygmunt Bauman, Richard Sennett and Vincent de Gaulejac, in particular, were important to support the understanding of the results since they indicate that the immaterial labor called "Friends for Rent" as a way of producing life-styles or modes of existence, and an indicator of fear and loneliness in modern liquid society just for its effectiveness, even if temporary, masking the experience of both.

Keywords: Immaterial labor; friends for rent; loneliness.


RESUMEN

Este artículo es el resultado de una investigación exploratoria cualitativa cuyo objetivo fue discutir las temáticas miedo y soledad desde la perspectiva de la sociedad moderna líquida. Utilizando como objeto el inusual trabajo inmaterial llamado "Amigos de Alquiler", que era visible en los medios electrónicos a partir de 2009. Las referencias de análisis surgieron de los centros de trabajo que representan las ofertas que cumplan los individuos y anunció que sienten el peso del miedo y la soledad en la vida cotidiana. Autores como Zygmunt Bauman, Richard Sennett y Vincent de Gaulejac en particular, son importantes para la comprensión de los resultados indicados por el trabajo denominado inmaterial "Amigos de Alquiler" como un modo de producción de estilos de vida o modos de existencia, y un indicador del miedo y la soledad en la sociedad moderna líquida, precisamente por su eficacia, aunque temporal, para enmascarar la experiencia de ambos.

Palabras-clave: Trabajo inmaterial; amigos de alquiler; soledad.


 

 

"Se você não tem amigos e sofre com a solidão, seus problemas acabaram! Agora já é possível contratar um amigo para estar sempre ao seu lado" (Soraggi, 2009). Pode parecer propaganda televisiva de canal de compras querendo vender a última novidade, mas não é. Esta frase de impacto inicia uma reportagem que divulga uma daquelas que seriam as atuais novas formas de trabalho, voltadas a "facilitar a vida das pessoas", as quais tomamos como elemento desencadeador do presente estudo, que objetiva discutir o medo e a solidão na perspectiva da sociedade líquido-moderna.

Constantes mudanças enfrentadas pelos indivíduos, especialmente determinadas pelo ritmo acelerado da vida e relativas à necessidade de manter-se atento às inovações e exigências do mercado de trabalho, vêm trazendo à tona questões árduas como a falta de tempo para a vida pessoal, para a família, para os amigos. Diante da tendência de consumo, em que prevalece a máxima "ter mais é ser melhor", os indivíduos se veem compelidos a trabalhar mais e mais, reforçando a relação capital-trabalho como possibilidade de completude, em seu apelo ao narcisismo (Sant'ana & Kilimnik, 2008; Mansano, 2009), e enfraquecendo os laços de solidariedade (Sennett, 2007).

De acordo com Sennett (2007), os indivíduos vivem um constante processo de provar aos seus chefes, colegas, família, etc., que são perfeitos naquilo que se propõem a fazer e que são capazes de dar o seu melhor em prol da organização à qual se vinculam, a fim de atender ao que lhes é demandado e alcançar reconhecimento como indivíduos bem-sucedidos, entendendo-se Indivíduo, nesse contexto, como sinônimo de individualismo. Desse modo, conforme afirma Bauman (2009a, p. 102), "as cidades têm sido lugares em que estranhos convivem em estreita proximidade, embora permanecendo estranhos".

Nesse contexto surgiu há pouco tempo no Brasil a oferta de um trabalho denominado "Amigos de Aluguel". Esse trabalho, cujas origens não se encontram explicitadas em seu site2 de divulgação, tampouco em outros meios que a ele façam referência, remete a um grupo de jovens que montou um negócio especializado em acompanhamento de pessoas solitárias. Sua proposta é oferecer companhia às pessoas, em eventos, compras, cinema, etc., exceto para fins sexuais, conforme esclarecem em seu site. Tal esclarecimento sugere uma possível diferenciação de outras práticas, como a de damas de companhia que acompanham senhores, ou de mulheres que são contratadas para acompanhar homens, mas não as diferenciam.

Considerando-se a denominação Amigos de Aluguel como mais uma oferta voltada a responder aos apelos por novidade que abundam na sociedade contemporânea, propõe-se aqui pensar sua atuação atrelada a dois aspectos complementares: a solidão que emerge com as demandas por melhores desempenhos no trabalho, e a necessidade de inovação para a inclusão no mercado de trabalho em uma sociedade que prima pela competitividade. Esses aspectos são vistos como facilitadores do surgimento de ofertas integradas à lógica gerencialista (Gaulejac, 2007), sob a noção de trabalho imaterial (Lazzarato & Negri, 2001) que coloca o indivíduo no centro da produção de bens e serviços e em consonância com a vida líquida (Bauman, 2007a), como sugere ser o caso Amigos de Aluguel. Vida líquida, conforme Bauman (2007a, p. 19), "significa constante autoexame, autocrítica e autocensura", tendo como consequência a insatisfação do indivíduo ao sentir-se pressionado a obter a todo o instante melhores resultados.

Ante a compreensão de que a sociedade contemporânea comporta modos de subjetivação ou de produção de estilos de vida ou de modos de existência predominantemente voltados ao consumo e ao afrouxamento dos vínculos entre os indivíduos (Bauman, 2007a, 2007b, 2009a; Sennett, 2007; Gaulejac, 2007), considerou-se o trabalho imaterial ofertado pelos amigos de aluguel pertinente à proposta de estudo que visa apontar indicadores de solidão e medo no inventário dos estilos de vida vigentes. Para tanto, em consonância com Bauman (2007b, p. 10) ao alertar que é chegado "o momento de perguntar como essas mudanças modificam o espectro de desafios que homens e mulheres encontram em seus objetivos individuais e, portanto, obliquamente, como influenciam a maneira como estes tendem a viver suas vidas", procedeu-se a uma pesquisa exploratória qualitativa que considerou as seguintes questões norteadoras:

Que modos de existência configuram a atual vida cotidiana? Ela comportaria alguém a ponto de necessitar pagar por companhia? O surgimento dos Amigos de Aluguel seria um elemento esclarecedor dos modos de existência que configuram a vida cotidiana? E o que caracterizaria tal oferta de trabalho? (Bauman, 2007b, p. 10)

A fim de levantar e analisar as alusões referentes ao trabalho dos Amigos de Aluguel procedeu-se a uma busca em seu próprio site, disponível a partir de 2009, na mídia eletrônica e na impressa em geral com referências a ele, todas disponibilizadas por meio da web. Dada a impossibilidade de realizar entrevistas com os ofertantes deste serviço, uma vez que não houve resposta às solicitações realizadas por parte dos pesquisadores, a presente pesquisa contou exclusivamente com dados disponíveis na internet e nos demais meios de comunicação social que mencionaram o trabalho dos amigos de aluguel.

Em seguida, encontram-se a revisão da literatura, os procedimentos metodológicos, a apresentação e análise de resultados e as considerações finais.

 

TRABALHO IMATERIAL, MEDO E SOLIDÃO NA SOCIEDADE LÍQUIDO-MODERNA

A vida líquida representa uma forma de vida levada na sociedade líquido-moderna em que as situações mudam tão rapidamente que em seu curso não mantêm sua forma por muito tempo. Trata-se de uma vida de ligações frouxas e compromissos revogáveis, vivida por indivíduos que se consideram em casa em muitos lugares, mas em nenhum deles em particular. No limiar dessa vida líquido-moderna, como esclarece Bauman (2009b), o estado de felicidade teria sido substituído, na prática e nos sonhos, pela busca da felicidade. Assim, ainda conforme Bauman (2009b), o advento dessa busca pela felicidade como principal motor do pensamento e ação humanos prenuncia para alguns e ameaça para outros uma revolução cultural, mas também social e econômica. Cultural por se encontrar constantemente na busca pela inovação, ao invés da perpetuação da rotina; social porque se alteram regras tradicionais; e econômica porque a ideia de satisfação de necessidades migra para a de produção dos desejos. Como a produção de desejos se dá sempre em curto prazo, promovendo a transitoriedade, a vida líquida mostra-se uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante e abarcada pelo consumo (Bauman, 2007a).

A sociedade líquido-moderna, segundo Bauman (2007b), denota o constante sentimento de impotência perante as decisões relativas ao curso da vida, uma vez que os indivíduos se encontrariam diante da incerteza do destino e da própria vulnerabilidade. Por isso, para o autor, vive-se com medo: medo de não corresponder às expectativas, medo de perder o emprego, medo de não conseguir outro emprego, medo de se tornar descartável, medo de perder amigos ou parceiros e assim ficar sozinho, "misturado com o medo de ser incapaz de se livrar dos que não são mais desejados" (Bauman, 2009b, p. 219). Enquanto isso, uma cadeia de oportunidades se estrutura em cima dos medos dos indivíduos. Embora possa parecer exagerada a possibilidade de lucrar em cima do sentimento de medo de outros, esta realidade parece ser vivida na sociedade líquido-moderna. (Bauman, 2007a; 2009a; 2009c). Sennett (2007, 2009) atribui essa lógica, em especial, ao afrouxamento dos laços de solidariedade, bem como ao comprometimento de curto prazo que, por meio da flexibilização do trabalho e do indivíduo, promove histórias de vida fragmentadas, guiadas pela sensação de estar à deriva.

Além disso, cumpre considerar que o indivíduo passa a ser demandado como gestor de si diante do que Lazzarato e Negri (2001) entendem por trabalho imaterial. Trabalho imaterial é aquele que "se encontra no cruzamento (é a interface) dessa nova relação produção/consumo" (p. 45). Para Grisci (2006, p. 327), o trabalho imaterial ocorre por meio de um "conjunto de atividades corporais, intelectuais, criativas, afetivas e comunicativas inerentes ao trabalhador (...). Dele resultam, além de produtos materiais, produtos intangíveis como sentimento de confiança e segurança", por exemplo. Assim, diferentemente do trabalho material, que ocorre de modo sistematizado e cadenciado e enaltece a força e a condição física do trabalhador a favor da execução de algo anteriormente determinado, o trabalho imaterial solicita ao indivíduo que disponibilize sua capacidade de se antecipar aos desejos dos consumidores, de suas experiências de vida e de sua inteligência para atividades não prescritas ou definidas a priori. O trabalho imaterial não se reproduz como exploração, mas como reprodução da subjetividade (Lazzarato & Negri, 2001; Grisci, 2006).

Ao trabalho imaterial associa-se a gestão gerencialista, que, segundo ressalta Gaulejac (2007, p. 50) "preocupa-se antes de tudo em 'canalizar as necessidades dos clientes' sobre os produtos da empresa e de transformar os trabalhadores em agentes sociais de desempenho".

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Indubitavelmente, ser amigo de aluguel é uma oferta de trabalho que acarreta surpresa e indagações. Para discutir essa questão, compilou-se um conjunto de dados provenientes de referências alusivas ao trabalho dos amigos de aluguel veiculados na mídia eletrônica e impressa e em seu próprio site de divulgação, passível de acesso a partir de 2009. Todos os dados foram acessados via internet.

O procedimento de compilação de dados ocorreu conforme a descrição que segue. O primeiro foco de busca de dados foi o site Amigos de Aluguel, onde foram identificadas reportagens oriundas de diversas mídias selecionadas por seus próprios integrantes. O segundo foco foi um site de busca denominado "Mecanismo de pesquisa GOOGLE3", para identificar o que existia de informação disponibilizada na internet sobre Amigos de Aluguel. Deste site de busca selecionou-se para análise o material encontrado apenas nos vinte primeiros links de retorno da pesquisa, correspondente às duas primeiras "páginas", uma vez que os demais se distanciavam do objeto em questão.

A análise dos dados foi realizada a partir da técnica de análise de conteúdo. De acordo com Bauer e Gaskell (2007, p. 190), a análise de conteúdo é um tipo de análise que "pode mediar à improdutiva discussão sobre virtudes e métodos", demonstrando que a análise documental pode ir além do que a simples soma de relatos e dados repetidos. "A análise de conteúdo reduz a complexidade de uma coleção de textos. A classificação sistemática e a contagem de unidades do texto destilam uma grande quantidade de material em uma descrição curta de algumas de suas características" (Bauer & Gaskell, 2007, p. 191). Neste estudo, a análise de conteúdo fundamentou-se em aspectos encontrados nos documentos referentes ao trabalho Amigos de Aluguel que pudessem confirmar ou não a busca desse trabalho como indicadora de solidão e medo, no inventário dos estilos de vida vigentes. Para tanto, serviram de base de análise os seguintes dados: título; veículo; data de publicação; tipo de mídia; abordagem; aspectos positivos; aspectos negativos; trechos em destaque; e acesso.

Cabe salientar que os trechos que aparecem na seção a seguir foram destacados na íntegra dos dados compilados e selecionados para o artigo por sua representatividade no conjunto de dados, juntamente com os demais dados que compuseram um quadro, que contemplou os principais meios de divulgação encontrados sobre Amigos de Aluguel e o resumo dos pontos de base da análise.

 

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Trabalho imaterial, medo e solidão na sociedade líquido-moderna: o caso Amigos de Aluguel

Cabe ressaltar que Amigos de Aluguel é a denominação apresentada por alguém ou um grupo a fim de identificar uma alternativa de trabalho que surgiu ainda na primeira década dos anos 2000. Trata-se de um trabalho ofertado com o objetivo de suprimir a solidão cotidiana, por isso é destinado às mais variadas ocasiões em que alguém poderia desejar ou necessitar de companhia, como ir ao cinema, fazer compras, participar de determinados eventos, etc. Ele disponibiliza, àqueles que vivem solitariamente entre indivíduos solitários, não um bem material ou uma realidade mais favorável, mas a sensação de conforto e bem-estar por partilhar companhia uma impressão de confiança e segurança ante as incertezas do convívio social e percepção de serem evitados possíveis constrangimentos em eventos sociais, tudo delimitado pelo espaço-tempo do aqui e agora vigente via contratação.

Da busca por elementos elucidativos que pudessem estar contidos em veículos de comunicação, principalmente na internet, resultaram dados relativos à difusão desse tipo de serviço, inclusive no Japão4, demonstrando que a busca por companhia, mesmo que momentânea e com características de um negócio, não é um fenômeno isolado no nosso país. No Brasil, os Amigos de Aluguel ganharam destaque na mídia impressa e televisiva a partir de abril de 2009. A matéria intitulada "Não quer sair sozinho? Alugue um amigo" não só naturaliza a solidão apresentando-a como tão somente uma opção, mas também oferece de imediato a solução, deixando clara a ausência de problematização da oferta. Os amigos de aluguel realizam um trabalho originado a partir de observações daqueles que se tornaram os primeiros integrantes do grupo. Eles observaram que conhecidos seus viajavam como acompanhantes e escutaram atentamente histórias de quem passou por situações de perigo e constrangimento por estarem sozinhos5. Inicialmente o grupo que formou os Amigos de Aluguel constituía-se apenas de homens. Atualmente constitui-se de três homens e duas mulheres, os quais deixam claro que não estão procurando novos integrantes para compor o quadro.

Os Amigos de Aluguel têm sido muito divulgados nos mais diversos veículos de comunicação, como as revistas Veja e Época, as televisões Globo, RedeTV, Band e MTV, os jornais A Gazeta, A Gazeta online e o Jornal da Tarde, além de diversos sites e blogs. As opiniões que circulam a respeito são variadas.

As matérias a respeito dos Amigos de Aluguel proliferaram na mídia eletrônica e impressa após o lançamento oficial do site institucional do grupo, em abril de 2009. Posteriormente, as notícias sobre este serviço foram divulgadas em diversas fontes de informação, como portal UOL - site A CAPA; site Guanabee (Internacional); portal IG - O que rola; blog Mundo Tosco; blog da Sedução; rede MTV - Furo MTV; rede BAND - Programa da Márcia; Rede Globo - programa Mais Você; RedeTV - programa Manhã Maior; revista Época; revista Veja - São Paulo; jornal A Gazeta (ES), Jornal da Tarde e outros. A mídia que mais cedeu espaço para a divulgação do serviço foi a eletrônica. Os resultados apresentados e analisados no presente estudo originaram-se de dados veiculados nessas fontes de informação no período de abril a setembro de 2009, agrupados em quatro elementos: divulgação, nota, matéria e entrevista. Matéria e entrevista foram os elementos mais utilizados no sentido da promoção do trabalho Amigos de Aluguel.

Os comentários suscitados a partir do trabalho ofertado pelos Amigos de Aluguel contêm aspectos positivos e negativos, que envolvem desde ironias a respeito de sua aparência até críticas fundamentadas na tese de que não é pagando por um amigo que se resolverão problemas de medo e solidão. Os blogs acessados divulgam os seguintes registros:

Acho triste que a sociedade tenha que chegar a necessidade de um serviço como esse. É como contratar uma garota de programa e dizer para todo o mundo que você não tem capacidade de conquistar uma mulher e tenha que pagar por isso. (...) Perdemos a simples capacidade de fazer amizades e ao invés disso contratamos uma pessoa para ser sua amiga em troca de dinheiro, algo que não deveria ter preço (Blog da Sedução, 2009).

(...) lançar mão de companhias temporárias, como as de Hallan, Wesley, Danilo e Pablo, por algumas horas, não é uma opção saudável para resolver questões referentes à vida social. "[Contratar um serviço como o prestado pelos quatro rapazes] apenas atenua a sensação desconfortável de isolamento (Fernando Tavares de Lima, doutor em psicologia da educação pela PUC e psicanalista, Portal IG - O que rola, 2009).

Não gente... Não sei se o pior é ALUGAR um amigo, ou ser visto com ele na rua...Imagina os comentários: "Coitado... Deve ser tão chato que precisa alugar um amigo". E para ver mais sobre esses pobres coitados que se submetem a esse sacrifício de andar com as pessoas mais chatas e insuportáveis do mundo, acessem www.amigosdealuguel.com.br (Blog DJ Felipe Lira, 2009).

O material disponibilizado no clipping do site institucional dos Amigos de Aluguel em nenhum momento alude a comentários que possam desabonar sua proposta de trabalho, ou a justificativas relativas a pontos negativos acerca do serviço prestado.

As matérias relativas à proposta dos Amigos de Aluguel, em especial as divulgadas no clipping do grupo, apresentam aspectos positivos do serviço, como a facilidade contida em não precisar preocupar-se em conhecer e manter relacionamentos. Nesse sentido, contratar um amigo facilitaria a vida, como mostra o depoimento a seguir: "Vida corrida, horários apertados, congestionamentos de trânsito, insegurança generalizada são apenas alguns dos motivos que dificultam conhecer pessoas e fazer amigos para programas e passeios pela metrópole, São Paulo" (rede BAND - Programa da Márcia, 2009).

As chamadas veiculadas na mídia contêm abordagens peculiares classificadas em convidativas e apelativas, sugerindo a quem está conhecendo o serviço oferecido possibilidades de agregar qualidade e novidade às suas vidas. A abordagem convidativa informa e ressalta as qualidades do serviço, relacionando a oferta a uma condição genérica passível de vivência por potenciais clientes em geral. Exemplificam tal abordagem, respectivamente: "Amigos de Aluguel: seus amigos de emergência!"; "Não quer sair sozinho? Alugue um amigo"; "Se você está sozinho e quer companhia, amigo de aluguel pode ser uma opção"; e "Amigos de Aluguel: veja como eles ajudam pessoas a saírem da solidão" (site institucional do grupo; Jornal A Gazeta; Rede Globo - programa Mais Você; RedeTV - programa Manhã Maior).

A abordagem apelativa anuncia a solidão e o individualismo como a atual condição humana, e busca mobilizar as pessoas mostrando-se mais enfática em vivências específicas de solidão. Dirige-se àquelas situações de solidão acompanhadas de sofrimento, àquelas cristalizadas ao longo do tempo, cujo anúncio trata de resolver inserindo a questão do longo prazo com um amigo para sempre ao seu lado, àquelas que dizem de faltas singulares e àquelas que ignoram a formulação de críticas. Exemplificam tal abordagem, respectivamente: "Se você não tem amigos e sofre com a solidão, seus problemas acabaram! Agora já é possível contratar um amigo para estar sempre ao seu lado"; "Na falta de um amigo, alugue um"; "Você, jovem pimpão, anda muito sozinho? Não tem dinheiro para sair e comprar alguma coisinha para ter mais felicidade? (...) agora você pode contratar um amigo de aluguel (...) compre um amigo!"; e "Mal dos tempos, mal da internet, mal da individualidade (...) é difícil fazer um amigo, é difícil manter um amigo?" (portal IG - O que rola; Revista Época; rede MTV - Furo MTV; rede BAND - Programa da Márcia).

A partir dessas abordagens, o serviço é noticiado e ofertado como algo simples, mais um item disponível no balcão das mercadorias de fácil acesso e rápido consumo. Tratar-se-ia de mais um objeto com apelo ao consumo, algo característico da sociedade líquido-moderna "marketizada", conforme sugere Bauman (2007a) ao relacionar falta de dinheiro, menos felicidade e solidão.

Em postagem em blog (blog do Dj Felipe Lira, 2009), Raquel afirma:

Concordo com os que dizem que amigo não se compra, porém eu mesma já precisei de companhia para ir a eventos e não tinha quem levar. Muitos vêem o serviço como uma idiotice, porém eu acredito que é um ótimo serviço, principalmente em São Paulo, onde as pessoas se vêem cada vez mais sozinhas e sem segurança para sair e ter momentos agradáveis sem saber se a pessoa ao lado quer te roubar ou até mesmo sequestrar.

Ou ainda: "Por que não oferecer um serviço só de companhia? (...) sem 'boa noite cinderela' (...) a gente é pago pra isso antes, para não roubar (risos)" (fala de um "Amigo de Aluguel", MTV - Furo MTV, 2009). E mais, o sentimento de insegurança e incerteza aflige a todos os indivíduos podendo ser constatado por parte de quem contrata o trabalho e de quem é contratado para realizá-lo atendendo a uma das características do trabalho imaterial relativas à sensação de confiança e segurança. "Temos que ter esse cuidado. Não vou me encontrar com alguém que tenha cara de psicopata" (Hallan, Amigo de Aluguel, Revista Época, 2009).

Em sua análise acerca da sociedade individualizada, Bauman (2009c) elege três palavras que são esclarecedoras a respeito dos sentimentos evidenciados também pelo presente estudo - de ambivalência, ambiguidade e equivocidade. Transmissoras de um sentimento de mistério e enigma, essas palavras sinalizariam um problema que se traduz na incerteza e em um estado desolador que reflete a indecisão e perplexidade que assolam os indivíduos. "Estamos inclinados a acreditar que nos sentiríamos muito mais seguros e confortáveis se as situações não fossem ambíguas - se o que fazer fosse claro e o que viria a acontecer se o fizéssemos fosse sempre previsível" (Bauman, 2009c, p. 78).

Adotar os Amigos de Aluguel de modo acrítico como prática de consumo corriqueira e inovadora é desconsiderar as carências que a desencadeiam e o afrouxamento dos laços de solidariedade apontado por Sennett (2007). Prestadores do serviço, como Hallan, de 21 anos, o mais procurado para esse tipo de acompanhamento (Revista Época, 2009), afirma que "As [mulheres] mais maduras preferem esconder que fomos contratados, mas as adolescentes fazem questão de nos apresentar para as amigas como 'amigos de aluguel'". Nessa afirmação se observam tanto certo constrangimento pela própria solidão quanto a possibilidade de consumo que reclama por holofotes.

Os Amigos de Aluguel destacam que as mulheres os contratam por solidão, ou pela necessidade de aparecer ou de desabafar pelas decepções enfrentadas, mas não somente mulheres que os contratam, homens também procuram a companhia deles. Geralmente querem se encontrar em um bar para tomar uma bebida ou buscam um parceiro para viagens e a prática de esportes radicais. "Já fiz escalada e rali com um 'amigo'", diz Pablo, de 24 anos, que diz ser o mais aventureiro dos quatro (Revista Época, 2009).

A vida líquida da sociedade líquido-moderna incentiva os indivíduos a gostarem e buscarem facilidades associadas à satisfação imediata no aqui-e-agora. Cumpre considerar, entretanto, que o mundo, que hoje conecta cada vez mais os indivíduos, paradoxalmente também os isola (Sant'anna, 2005). Afoitos por pertencer à sociedade que pretensamente liberta, embora possa produzir sentimentos contraditórios de horror ao outro e de atração ao que ele representa, os indivíduos tornam-se prisioneiros do medo e da solidão (Bauman, 2009a), consequentemente menos abertos para construir e manter relacionamentos. Os depoimentos destacados a seguir são ilustrativos de como o medo e a solidão também influenciam a opinião das pessoas a respeito dos Amigos de Aluguel.

You can take your fake friend shopping, sightseeing, dining - or even invite him (they're all guys) to travel aboard with you.(...) We can see how, if you're a female traveling alone, it might be beneficial to hire a guy who knows the area and the language to accompany you when you're out and about (site Guanabee, 2009)6.

Além disso, em seu site institucional, os Amigos de Aluguel escrevem: "É simples e rápido, é só mandar um e-mail para "seus@amigosdealuguel.com.br" e você consegue uma companhia agradável".

Bauman (2007a) afirma que as pessoas se sentem mais fortes quando têm alguém ao seu lado, assim como aceitam qualquer alternativa para garantir que não estejam envoltas em solidão e medo. Elas mantêm a solidão embora se voltem para a exacerbação do consumo como solução para não viverem sós. Bauman (2009b) apreende bem o estilo de vida da época em que se sugere incluir a oferta de trabalho dos Amigos de Aluguel como um indicador.

As pressões atuais não vão no sentido do autoenclausuramento e do afastamento do mundo; pelo contrário, a libertação do indivíduo em relação à estreita rede de lealdades e obrigações herdadas ou artificialmente compostas, embora sólidas fez os indivíduos libertados se abrirem para o mundo lá fora como nunca havia ocorrido na história humana. A nova abertura reforma o mundo exterior como um enorme contêiner de chances e oportunidades infinitas que devem ser ganhas ou perdidas, desfrutadas ou lamentadas, dependendo das habilidades, da engenhosidade e do esforço do indivíduo. Como tal, o mundo é simultaneamente um local de aventura excitante e uma vastidão de perigos sombrios e apavorantes (o perigo do fracasso, com a vergonha e a humilhação que ele traz, ocupando plausivelmente um lugar de honra entre eles) - ao mesmo tempo objeto de curiosidade e desejo intensos e fonte de terror e do impulso de fugir (Bauman, 2009b, p. 143).

Nem todas as manifestações encontradas nos sites buscados são de apoio ao trabalho oferecido pelos Amigos de Aluguel. Geralmente as reclamações giram em torno da demora de resposta, o que se mostra coerente com a observação do imediatismo que rege a sociedade líquido-moderna. Além disso, houve cerca de cinco tentativas de contato por parte das pesquisadoras com os Amigos de Aluguel, mas nenhum retorno. O site dos Amigos de Aluguel oferece como possibilidade de contato um e-mail e uma ficha de contato online. Não há telefones para contato, ao que alegam: "Nós não damos nosso telefone pessoal." "Na verdade a gente aluga a nossa companhia, a palavra amigo é uma coisa assim, o pessoal acha isso ruim usar a palavra amigo, porém a gente não usa a palavra companhia." "Tudo é profissional, nós temos que ser éticos" (Rede BAND - Programa da Márcia, 2009). Como se pode perceber, a palavra amigo é posta na berlinda nesse excerto de entrevista que ressalta o consumo em detrimento do laço a estabelecer, o que estimula a pensar as vidas contadas e as vidas vividas, tal como propõe Bauman (2009c). O trabalho dos Amigos de Aluguel, uma vez acionado, desperta em quem os contrata tanto a necessidade de sigilo em relação ao fato de o amigo não ser amigo quanto a vontade de exposição do amigo como objeto de consumo ao alcance da mão. Uma e outra se distanciam das vidas vividas e aproximam-se das vidas contadas.

Os clientes desse tipo de trabalho imaterial também são destaque nas matérias sobre o tema. A entrevista concedida ao jornal A Gazeta (2009) por um dos integrantes dos Amigos de Aluguel ressalta: "[os clientes] são geralmente pessoas jovens, descoladas, não o tipo depressivo que a gente imaginou". Além disso, o serviço é para um grupo seleto de clientes, já que apenas quem tem condições financeiras suficientes para pagar o serviço leva a companhia, conforme o trecho do portal UOL (2009), que afirma "que o serviço não é gratuito. O preço varia entre R$ 120 e R$ 200 reais por hora, mais qualquer despesa extra que o solitário planeje fazer".

Há quem registre satisfação pelo trabalho consumido:

(...) Eu jurava que era piada, mas eu liguei e contratei dois dos meninos...Gente vamos falar sério... Eu me diverti muito. Curiosidade que me custou o olho da cara, mas valeu a pena...Eles são uns fofos e detalhe alguns não são gays (...) (relato de uma cliente no Blog Mundo Tosco (2009).

Há também quem registre um modo de ver:

Eu tava só/Sozinho/Mais solitário que um paulistano...". A letra da canção Telegrama, do maranhense Zeca Baleiro, pode soar como exagero para quem vive em uma cidade tão agitada como São Paulo, mas não é. Afinal, se a solidão na metrópole não fosse comum, os jovens Hallan, Danilo, Wesley e Pablo não teriam criado o site "Amigos de Aluguel" (Revista Época, 2009).

Ambos refletem estilos de vida pautados em frágeis pontos de referência de confiança e esperança em relação às necessidades humanas conhecidas.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao propor-se a discutir e apontar indicadores de solidão e medo no inventário dos estilos de vida vigentes, a presente pesquisa indagou sobre os modos de existência que configuram a atual vida cotidiana e se esta comportaria alguém a ponto de necessitar pagar por companhia. Os resultados encontrados corroboram os estudos de Bauman (2007a; 2007b; 2009a; 2009c) e Sennett (2007) a respeito da sociedade líquido-moderna e do afrouxamento dos laços de solidariedade que nela se visualizam, como também permitiram apontar o trabalho imaterial dos Amigos de Aluguel como indicador de medo e solidão no inventário dos estilos de vida vigentes.

O trabalho imaterial ofertado pelos Amigos de Aluguel adquire destaque e propaga-se enquanto objeto de consumo fácil e rápido, ao alcance da mão; porém constitui-se como um modo de subjetivação ou de produção de estilos de vida ou de modos de existência, ao promover sensações, impressões e percepções que mascaram o medo e a solidão na sociedade líquido-moderna tal como aponta Bauman (2007a). É justamente no que o trabalho dos Amigos de Aluguel contém de imaterialidade, de possibilidade de mascarar o medo e a solidão via contato e interação humanos que reside a justificativa de tomá-lo como indicador de ambos nos atuais estilos de vida condizentes com a vida líquida que Bauman (2007a) prenuncia como uma vida que tende a ser levada para frente.

O modo como o trabalho dos Amigos de Aluguel se operacionaliza - ao alcance da mão e por tempo determinado - mostrou-se condizente com a gestão gerencialista analisada por Gaulejac (2007), especialmente nos aspectos de oferta de suposta liberdade que suscita a adesão, mas também em seu motor econômico, que se alimenta de um princípio de obsolescência que tem por alvo os laços de solidariedade (Sennett, 2007).

Cabe considerar que os dados relativos ao presente estudo não contemplam entrevistas individuais com aqueles que ofertam o trabalho denominado Amigos de Aluguel, por ausência de retorno às solicitações de contato para fins de pesquisa acadêmica. Adverte-se que tal lacuna pode restringir o olhar e caracterizar uma limitação do estudo. Para pesquisas futuras, sugere-se contemplar entrevistas com aqueles que oferecem o trabalho, bem como com seus usuários, a fim de ampliar e qualificar a compreensão dos fenômenos subjetivos que se configuram na sociedade liquido-moderna. Além disso, estimula-se a abrangência de outras mídias que também contemplem o assunto Amigos de Aluguel, bem como a observação e análise dos desdobramentos que tal oferta de trabalho poderá registrar com a passagem do tempo cronológico.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência
Carmem Ligia Iochins Grisci
Rua Washington Luiz, 855, Centro
CEP 90010-460, Porto Alegre-RS, Brasil
E-mail: cligrisci@ea.efrgs.br

Recebido em 07/11/2011
Aceito em 10/03/2012

 

 

1 Apoio: CNPq.
2 Site institucional dos Amigos de Aluguel: http://www.amigosdealuguel.com.br.
3 Google Permissions - Guidelines (2009). Google.com. Recuperado em outubro, 2009, de http://www.google.com/permissions/guidelines.html.
4 Segundo matéria do site UOL: "Japoneses alugam 'amigos' para evitar constrangimentos em eventos sociais": http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/09/21/ult1859u1460.jhtm de 21/09/2009.
5 Vieira, Elaine. (2009, 16 de maio). "Não quer sair sozinho? Alugue um amigo". A Gazeta, Divulgação. Recuperado em novembro, 2009, de http://www.amigosdealuguel.com.br/clipping/img/gazetaES.jpg.
6 "Você pode levar seu amigo falso para as compras, passeios, restaurantes - ou até mesmo convidá-los (eles são todos homens) para viajar com você. Nós podemos ver como, se você é uma mulher viajando sozinha, pode ser benéfico contratar um homem que conheça a área e a língua para acompanhá-la quando você estiver passeando" (Tradução livre pelos autores).