SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.17 issue2Violence, women and psychological care in the Amazonia and the Distrito FederalReversion of mathematics anxiety: some data from literature author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

  • Have no similar articlesSimilars in SciELO

Share


Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372

Psicol. estud. vol.17 no.2 Maringá Apr./June 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722012000200014 

ARTIGOS

 

A atuação do psicólogo diante dos desastres naturais: uma revisão

 

The work of psychologist concerning  to natural disasters: a review

 

La labor del psicólogo frente a los desastres naturales: una revisión

 

 

Roberta Borghetti AlvesI; Márcia Alves de Camargo LacerdaII; Eduardo José LegalIII

I Graduada em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajai (2011). Mestranda pelo Programa de Pós-Graduaçao em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (2012). Membro do grupo de pesquisa do Laboratório de Psicologia Ambiental (LAPAM-UFSC)
II Psicóloga. Possui graduação em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajaí (2011)
III Graduado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (1993), mestrado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo (1996) e doutorado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo (2002). Atualmente é professor da Universidade do Vale do Itajaí e do Instituto de Educação Superior Avantis

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Os desastres naturais vêm afetando cada vez mais pessoas em todo o mundo, causando muitas vezes sofrimento psicológico às populações atingidas. Diante disso, questiona-se: como o psicólogo pode atuar em relação aos desastres naturais? Este artigo objetivou analisar a produção científica no campo da psicologia, disponível em bibliotecas virtuais nacionais e internacionais no período de 2000 a 2010, acerca da atuação do psicólogo diante dos desastres naturais. Para tanto, foi realizada uma análise de conteúdo da produção bibliográfica disponível nos bancos de dados CRID, BIREME e LILACS.  Dos 72 trabalhos acessados, 47,67% relacionavam-se ao tema, sendo 43,33% em língua portuguesa. Quanto às práticas descritas, verifica-se maior enfoque nas ações do pós-desastre, especificamente no tratamento de transtornos mentais, em especial no transtorno do estresse pós-traumático. A partir dos dados levantados, salienta-se a necessidade de produzir artigos e outros trabalhos científicos como forma de divulgar orientações que sejam capazes de subsidiar as ações dos psicólogos diante dos desastres naturais, não focando somente o pós-desastre, mas também ações preventivas que visem fortalecer e preparar a comunidade para enfrentar os desastres naturais.

Palavras-chave: Desastres naturais; psicologia dos desastres naturais; atuação do psicólogo.


ABSTRACT

Natural disasters are increasingly affecting people around the world, causing many times psychological suffering to affected populations. Before this, one wonders how the psychologist may act against the natural disasters? This article aimed to analyze the scientific production in the field of psychology, available in national and international virtual libraries from 2000 to 2010, about the work of psychologist concerning to natural disasters. For both, we conducted a content analysis of bibliographical production available in the following data banks CRID, BIREME and LILACS. From the 72 work accessed, 47.67 % were related to the subject, being 43.33 % in the portuguese language. As to the practices described, there is more focus in the actions that happen post-disaster, specifically in the treatment of mental disorders, in particular in posttraumatic stress disorder. From the data collected, we emphasize the need to produce articles and other scientific work as a way to disseminate guidelines that are able to subsidize the actions of psychologists concerning to natural disasters, not focusing only in post-disaster, but on preventive actions that aim to strengthen and prepare the community to cope with natural disasters.

Key words: Natural disasters; psychology of natural disasters; psychologists performance..


RESUMEN

Los desastres naturales afectan cada vez más personas en todo el mundo, causando muchas veces sufrimiento psicológico a las poblaciones afectadas. Antes de esto, uno se pregunta cómo el psicólogo puede actuar contra las catástrofes naturales? Este artículo pretende analizar la producción científica en el campo de la psicología, disponibles en las bibliotecas virtuales nacionales e internacionales en el período 2000-2010, acerca de la labor del psicólogo frente a los desastres naturales. Por lo tanto, hemos realizado un análisis del contenido de producción bibliográfica disponible en bancos de datos CRID, BIREME y LILACS. De los 72 accede, 47,67 % estaban relacionadas con el tema, 43,33 % en lengua portuguesa. En cuanto a las prácticas descritas, se ha prestado más atención en las acciones de intervención después del desastre, más concretamente en el tratamiento de los trastornos mentales, en particular de trastorno por estrés postraumático. Por tanto, se llevó a cabo un análisis del contenido de producción bibliográfica disponible en bancos de datos CRID, BIREME y los datos recogidos, se hace hincapié en la necesidad de producir artículos y otros trabajos científicos como una manera de difundir las directrices que sean capaces de subvencionar las acciones de los psicólogos frente a los desastres naturales, no solamente se centra en posteriores a los desastres, y sí en las medidas preventivas que apuntan a fortalecer y preparar a la comunidad para hacer frente a los desastres naturales.

Palabras-clave: Los desastres naturales; psicología de los desastres naturales; actuación del psicólogo.


 

 

Os desastres naturais vêm afetando cada vez mais pessoas em todo o mundo, causando muitas vezes sofrimento psicológico às populações atingidas, notadamente àquelas que vivem em piores condições econômicas e sociais, seja sob o aspecto dos danos físicos sofridos, com perdas de moradias e bens materiais, seja no aspecto social, pela desestruturação das políticas sociais, ou ainda, pelos danos psicológicos diante das perdas vivenciadas.

No Brasil, segundo os números apresentados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em janeiro de 2011, entre 2000 e 2010, sessenta desastres naturais atingiram o país, deixando "sete milhões e meio de brasileiros sem casas, com prejuízos econômicos, físicos e psicológicos" (Gazeta do Povo, 25/01/2011). Nestes dados ainda não haviam sido computados os deslizamentos de terra na serra fluminense em janeiro de 2011. Com relação aos dados mundiais, a ONU levantou que entre 2000 e 2010 o número de desastres naturais registrados foi em média, de 385 por ano, afetando 2,4 bilhões de pessoas (Estadão, 30/04/2010). Só em relação ao ano de 2003, Figueroa, Marín e González (2010) afirmam que uma em cada 25 pessoas no mundo foi afetada por algum desastre.

Para a Defesa Civil brasileira, os desastres são situações que causam dano ou prejuízo à vida humana, podendo ser definidos em termos de intensidade ou frequência. Os desastres ainda podem ser classificados por categorias, sendo divididos em naturais, tecnológicos, de guerra e sociais. (Ministério da Integração Nacional, 2010). Diante dos dados citados pelos autores Figueroa, Marín e González (2010) os quais mostram o número de desastres que atingiram o Brasil e o número de pessoas atingidas, serão levantados neste artigo os trabalhos realizados apenas na categoria desastres naturais.

No tocante às pesquisas sobre as ações do psicólogo diante dos desastres naturais, Figueira (2004), Ruíz (2003), Krum (2007) e Díaz & Delgadillo (2000) relatam que existem poucos artigos no Brasil que orientem o psicólogo quanto a este tipo de atuação. Krum e Bandeira (2008) confirmam os autores supracitados ao colocarem que estes tipos de estudo estão dando os primeiros passos no Brasil. Bruck (2007) coloca que para suprir esta escassez de produções científicas no país é preciso fazer mais pesquisas que orientem sobre a atuação do psicólogo diante dos desastres naturais.

A partir destas considerações, este artigo objetivou analisar a produção científica no campo da Psicologia, disponível em bibliotecas virtuais nacionais e internacionais no período de 2000 a 2010, acerca da atuação do psicólogo diante dos desastres naturais.

 

METODOLOGIA

A pesquisa bibliográfica foi realizada dentro de uma abordagem qualitativa, pois objetivou analisar o conteúdo que consta nas produções científicas acerca da atuação do psicólogo relacionada aos desastres naturais. Para este tipo de pesquisa foram utilizados a técnica de leitura e o roteiro de leitura. A primeira consistiu em leituras sucessivas do material selecionado obedecendo às etapas de reconhecimento, exploração, seleção, reflexão e interpretação (Lakatos, 1991); e o segundo consistiu na construção de um instrumento para o roteiro de leitura, visando auxiliar no levantamento de conceitos e considerações relevantes sobre a temática. 

Na primeira etapa da análise de dados foi realizada a coleta e classificação da documentação, obedecendo-se aos parâmetros de escolha das fontes, que serão citados a seguir. Como fontes foram utilizadas três bibliotecas virtuais, nas quais foram acessadas as publicações do período de 2000 a 2010: Centro Regional de Información sobre Desastres América Latina y El Caribe - CRID (Biblioteca 1); Biblioteca Virtual em Saúde - BIREME (Biblioteca 2);  Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde - LILACS (Biblioteca 3).

Em relação à biblioteca 1, inicialmente foram utilizadas como critério de pesquisa as palavras "Psicologia" e "Desastres" em inglês e espanhol, uma vez que nesta biblioteca foi encontrado apenas um artigo na língua portuguesa. Na biblioteca 2 foram utilizadas as palavras-chave "Desastres Naturais" e "Psicologia dos Desastres" apenas em português. Na biblioteca 3, foram utilizadas as palavras-chave "Psicologia" e "Desastres" nas línguas  portuguesa, inglesa e espanhola. Quanto à escolha das bibliotecas, cabe esclarecer que vários trabalhos das bibliotecas 2 (BIREME) e 3 (LILACS) direcionavam à biblioteca 1 (CRID). Já com relação à escolha dos diferentes parâmetros linguísticos, a publicação na biblioteca 1 é basicamente nas línguas espanhola e inglesa. Assim, os demais trabalhos nestas línguas foram acessados na biblioteca 3, sendo a biblioteca 2 eleita para a recuperação apenas dos trabalhos na língua portuguesa, os quais se repetem na biblioteca 3.

A segunda etapa da análise de dados consistiu no teste do Instrumento, a fim de verificar a sua validade para a proposta de estudo, o que permitiu o seu prosseguimento. Nesta fase, analisando as referências dos artigos recuperados nas bibliotecas eleitas, foram acessados outros trabalhos, que, apesar de não terem como palavras-chave as utilizadas nas pesquisas anteriores, foram considerados importantes por conterem referências ao trabalho do psicólogo nos desastres naturais. Os trabalhos recuperados nesta fase estão relacionados neste estudo como "Outras" fontes de pesquisa.

Ainda durante a segunda fase da análise foram excluídos: os artigos que não se referiam aos desastres naturais; os que não faziam menção ao trabalho do psicólogo; aqueles que se encontraram repetidos em duas versões linguísticas ou em bibliotecas diferentes; os que não se encontravam diretamente acessíveis no site ou não referiam a data de publicação; e, finalmente, os manuais ou trabalhos organizados em forma de tópico.

Após a seleção das obras procedeu-se à análise da documentação e do conteúdo das informações coletadas, com levantamento das principais categorias conceituais relacionadas ao tema de estudo, nas quais foram levadas em considerações as diferentes formas de atuação, sendo elas relacionadas às diferentes fases dos desastres (Carvalho & Borges, 2009): (1) atuação do psicólogo antes do desastre, (2) durante o desastre, e (3) após o desastre; e por último (4) sugestões de pesquisas que subsidiem a atuação do psicólogo diante dos desastres naturais.

A fase final da análise de dados refere-se à síntese integradora, a qual consistiu no produto final do processo de investigação, em que se teve como objetivo apropriar-se do problema de estudo e da produção científica sobre a atuação do psicólogo diante dos desastres naturais.

 

RESULTADOS

Conforme os dados apresentados na tabela 1, trinta (41,67%) dos setenta e dois trabalhos acessados estão relacionados com o objeto de estudo. Na Biblioteca 1 (CRID), em termos absolutos, foram encontrados nove trabalhos, o que corresponde a 30% do total dos relacionados ao estudo. Já em termos relativos, levando-se em consideração o número de publicações sobre o tema estudado, foi a Biblioteca 3 (LILACS) que concentrou o maior percentual (62,50%) da produção indexada. Importante observar que tanto na Biblioteca 1 como na 3 foram pesquisados apenas os trabalhos nas línguas inglesa e espanhola, pois os trabalhos na língua portuguesa estão relacionados apenas na Biblioteca 2 (BIREME), e, em termos absolutos, totalizam quatro trabalhos, representando 13,33% dos trabalhos relacionados ao tema.

Quanto aos totais apresentados nas "outras" fontes de pesquisa, o resultado obtido se deve ao fato de tais fontes terem sido recuperadas por indicação. 

No que se refere ao ano de produção de trabalhos relacionados ao tema, observa-se uma maior concentração nos anos de 2007 e 2009, seguidos nos anos de 2000 e 2010, sendo que no ano de 2001 nenhum trabalho relacionado ao tema foi publicado.

A partir da análise dos trabalhos selecionados, verifica-se que as ações dos psicólogos estão diretamente relacionadas com a fase do desastre em que são empreendidas. Carvalho e Borges (2009) referem que, para a Sociedade Chilena de Psicologia das Emergências e dos Desastres (SOCHPED), as atuações serão derivadas das três fases dos eventos adversos, o pré-desastre, o evento e o pós-desastre. Na fase do pré-desastre, as ações estão direcionadas basicamente a treinar respostas e construir planos de emergência. No momento do evento, consistem em instalar planos de manejo hospitalar para pessoas em vulnerabilidade; e na fase do pós-desastre, constituem-se no levantamento dos impactos psicológicos de todas as pessoas envolvidas, tanto as vítimas como o pessoal das equipes de socorro.

Machado, Machado e Cohen (2009), partindo de uma visão abrangente sobre a atuação do psicólogo diante dos desastres naturais, ressaltam que é a partir da compreensão dos comportamentos dos sujeitos em todas as fases do desastre que se devem desenvolver as ações da Psicologia. Com base nestes referenciais serão apresentados os resultados das categorias a seguir.

Atuações no pré-desastre

No que se refere às ações preventivas de desastres, Mattedi (2008) relata que o trabalho da Psicologia nos desastres naturais precisa desenvolver ações que ultrapassem a intervenção sobre os efeitos na condição mental dos indivíduos e compreendam também o caráter dinâmico das redes sociotécnicas das quais o indivíduo faz parte. Para este autor, a contribuição da Psicologia neste campo é a construção de comunidades mais seguras e capazes de criar redes de apoio para enfrentar os desastres naturais. Com base nestes mesmos pressupostos, Ruiz (2003) aponta que o trabalho do psicólogo deve ser desenvolvido a partir de uma visão sistêmica, ou seja, o psicólogo deve analisar a realidade do micro, meso, exo e macrossistema. A primeira refere-se às relações do sujeito com a família; a segunda, às relações fora da família, como a escola e os vizinhos; a terceira, à comunidade em que as sujeitos estão inseridos; e a última, à cidade em que ocorreu o episódio, de modo que sejam tomadas iniciativas capazes de abranger a complexidade que envolve a vivência de um desastre natural.

Ainda na mesma linha de pesquisa empreendida pelos autores preocupados com a construção de um enfoque integral em saúde mental na prevenção de desastres, Benyakar (2002) levanta a importância do desenvolvimento de programas de saúde mental flexíveis, com base em experiências do passado, na liderança comunitária e na demanda de cada caso especifico.

Entre as formas de ação de caráter preventivo embasadas em uma visão sistêmica, pode-se constatar nas propostas dos autores supracitados a inserção da Psicologia em equipes multiprofissionais e interdisciplinares de cuidados à saúde, na implementação de ações destinadas à mitigação de desastres por meio de educação comunitária, com o fortalecimento das pessoas, comunidades e redes sociais (conhecido como empowerment), na inserção em políticas públicas relacionadas à defesa civil, na compreensão acerca da cultura e representação social, bem como no que as pessoas entendem por riscos e vulnerabilidade (Mattedi, 2008; Ruiz, 2003; Benyakar, 2002).

Campos (2000) elenca diversas ações que podem ser empreendidas pela Psicologia, as quais vão desde a promoção de fóruns nacionais permanentes sobre a prevenção de desastres como um problema em saúde mental, até o aperfeiçoamento dos instrumentos psicológicos para a produção de dados de investigação.  Para Carvalho e Borges (2009), a Psicologia pode estar inserida nos órgãos públicos de assistência à população, realizando uma ação contínua com a comunidade ou refletindo sobre a criação de um projeto de promoção condizente com a realidade local. Por sua vez, Albuquerque (1997 citado por Carvalho & Borges, 2009) levanta a importância da inserção da Psicologia em equipes interdisciplinares, nas políticas públicas e na realização de cursos de capacitação. Gil, Martinez & Garcia (2009) alertam sobre os perigos de uma inadequada formação das equipes de cuidados primários à saúde, sejam estas constituídas de profissionais ou de voluntários atuantes nas ações destinadas à prevenção e mitigação de desastres.

Díaz e Delgadillo (2000) apontam como pontos importantes no trabalho dos psicólogos em desastres naturais a compreensão acerca do que as pessoas entendem por riscos e suas capacidades de responder. Neste sentido, Krum (2007) levanta a importância de identificar as estratégias de coping utilizadas no enfrentamento do estresse decorrente da vivência de um desastre, investigando qual o impacto dessas estratégias sobre as respostas que são dadas pelo indivíduo diante do desastre, propondo reflexões acerca da prevenção em futuros desastres (Krum & Bandeira, 2008).

Partindo do referencial teórico da Psicologia Ambiental, Kuhnen (2009) ressalta que os desastres colocam em evidência a fragilidade da sociedade e da condição humana, procurando demonstrar a importância dos estudos da Psicologia Ambiental no entendimento ampliado da relação entre a pessoa e o ambiente e dos estudos das representações sociais, abrindo a possibilidade de construção de uma imagem de fenômenos previsíveis e de mais fácil controle, fatores que facilitariam o planejamento de ações emergentes e políticas públicas eficazes no enfrentamento dos desastres naturais.

Nos estudos acerca da percepção das pessoas sobre o evento estressor, Segreda e Calvo (2000) esclarecem que, por mais informação cientifica e técnica que se tenha sobre as ameaças físicas de um desastre, os mitos, as crenças e o pensamento mágico (desastres concebidos como castigo e/ou como ações divinas) têm influência e determinação na forma como as pessoas compreendem e atuam ante a informação recebida sobre um desastre natural, o que leva a refletir acerca da influência da cultura sobre a percepção de risco de uma população.

Atuações durante o desastre

Segundo Henley, Marshall e Vetter (2010), os profissionais que trabalham com emergências precisam ter em mente duas necessidades programáticas abrangentes em situações durante o desastre. A primeira é baseada em uma abordagem ampliada, usando uma variedade de meios e práticas de orientação à comunidade afetada, com foco na resiliência individual e coletiva e na criação de estrutura social, de forma a proporcionar estabilidade, incentivando a interação e coesão comunitárias. A segunda consiste em estabelecer tratamentos baseados em evidências - sejam estes  grupo ou individuais - adaptados à cultura local.

Figueira (2004) ressalta que, para os mais vulneráveis, é fundamental a intervenção junto à família, a valorização dos recursos naturais da própria comunidade, bem como a detecção das pessoas propensas a desenvolver TEPT (Transtorno do estresse pós-traumático). Massing, Lise e Gaio (2009), buscando avaliar e evitar o desenvolvimento de TEPT, utilizaram a técnica Debriefing psicólogico. Esta técnica, aliada à escala de medição do estresse (PERI - Psychiatric Epidemiology Research Interview Demoralization Scale) e outros questionários de autoavaliação de estresse, possibilita que o sujeito relate e reelabore a experiência que teve no desastre natural.

Atuações no pós-desastre

Constata-se que, em grande parte, os estudos foram realizados com base nas ações empreendidas na fase pós-desastre. Tais estudos demonstram a importância do trabalho do psicólogo e demais profissionais da saúde mental na busca da minimização dos impactos psicopatológicos sofridos pelas vítimas de desastres naturais como: (1) terremotos - como o de Bam no Irã (Montazeri, Baradaran, Omidvari, Ali Azin, Ebadi,  Garamaroudi, Mahmood Harirchi, & Shariati (2005), de Marmara na Turquia (Vehid, Alyanak, Eksi, 2006), de Northridge no Sul da Califórnia em 1994 (Horan, Ventura, Mintz, Kopelowicz, Wirshing, Christian-Herman, Foy & Liberman, 2007), do Chile em 2010 (Vogel & Vera-Villaroel, 2010; Figueroa, Marín & González, 2010; Reyes, 2010); (2) furacões - como o Katrina (Kessler, Galea, Jones, Parker, 2006), o Georges, que devastou a República Dominicana em 98 (Ceballos & Roca, 2000) o Iniki em Kauai/Havai (Chemtob, Nakashima, Hamada, 2002), o Mitch na América Central (Campos, 2000; Kohn, Levav, Donaire, Machuca, Tamashiro, 2005), o Wilma em Cuba (Gil, Martínez, García, 2009); (3)  tsunâmis como o de 2004 na Índia (Figueira, 2004); (4) tornados como o ocorrido em 2005 no Rio Grande do Sul (Krum, 2007), (5) a seca no Nordeste Brasileiro (Favero & Diesel, 2008).

As ações empreendidas no pós-desastre visam avaliar o sofrimento psíquico e atender as vítimas, bem como subsidiar futuras atuações mais eficazes (Montazeri,  Baradaran, Omidvari, Ali Azin, Ebadi, Garamaroudi, Mahmood Harirchi, & Shariati 2005; Kessler et al., 2006; Kohn et al., 2005; Gil et al., 2009; Favero & Diesel, 2008; Chemtob et al., 2002; Ceballos & Roca, 2000).  No tocante às práticas pós-desastre, os autores levantam diferentes técnicas e instrumentos utilizados na verificação da incidência de transtornos mentais variados ou do TEPT. É a partir dos resultados encontrados com estas técnicas que os profissionais têm constatado que a vivência do desastre causa diversas reações que podem ser consideradas normais neste contexto, mas que não necessariamente geram transtornos mentais em longo prazo.

São normalmente utilizados instrumentos como escalas, entrevistas, questionários e diferentes formas de abordagem do problema. Entre os autores que preferem instrumentos quantitativos estão Coêlho, Adair e Moccelin (2004 citados por Krum & Bandeira, 2008), que utilizaram três instrumentos: um para medição da ansiedade (STAI), um para investigação do sofrimento emocional (SRQ-20) e um terceiro para verificação da incidência de estresse pós-traumático (TSQ). Para diagnosticar o estresse pós-traumático, Kohn et al. (2005) utilizaram o Composite International Diagnostic Interview, e para a investigação de outros sintomas psicológicos utilizaram o Self Reporting Questionnaire e a escala de investigação de impacto de eventos estressores (IES). Esta mesma escala foi utilizada por Horan et al. (2007) após o terremoto de Northridge, ocorrido na Califórnia, em 1994. Vehid, Alyanak & Eksi (2006) utilizaram o Inventário de Depressão Beck (BDI) a fim de investigar as condições psicológicas de sobreviventes do terremoto de Marmara, na Turquia, enquanto Kessler et al. (2006), em pesquisa com os sobreviventes do furacão Katrina, utilizaram a escala K6 para rastrear doenças mentais e ideação suicida, depois de terem feito uma investigação quanto a outras condições médicas, psiquiátricas e psicossociais por meio do questionário NCS-R (National Comorbidity Survey Replication - NCS-R).

Como autores que procuram mesclar instrumentos quantitativos com qualitativos podemos citar Montazeri et al. (2005) que, logo após a ocorrência de um terremoto devastador na cidade de Bãm, no Irã, realizaram inicialmente entrevistas com uma amostra da população daquela cidade, para depois aplicarem um instrumento de medição de estresse (General Health Questionnaire - GHQ-12). O trabalho desenvolvido por Chemtob et al. (2002), que teve como objetivo identificar e tratar as crianças com sintomas persistentes de trauma dois anos após a vivência de um furacão na ilha de Kauai, no Hawai, iniciou por uma pré-seleção em toda a comunidade escolar daquela região, para depois encaminhar as crianças mais fragilizadas para três grupos de tratamento - individual, em grupo e espera -, sendo estes grupos de tratamento conduzidos por conselheiros de classe especialmente treinados para tal. Além destas estratégias, os autores utilizaram um questionário autoaplicável para levantamento de sintomas de trauma - The Kauai Reaction Inventory - KRI e Child Reaction Inventory, sendo esta uma entrevista clínica semiestruturada que levanta sintomas de TEPT em crianças.

Em pesquisa de cunho qualitativo, Krum (2007) empreendeu uma seleção prévia de famílias que foram afetadas pelo tornado ocorrido no município de Muitos Capões - RS em 2005, para depois aplicar a técnica do grupo focal. Esta técnica também foi utilizada por Gil et al. (2009), após aplicação de questionários, em pessoas afetadas pela passagem do furacão Wilma em Cuba.

Kohn et al. (2005) levantam dados de pesquisas feitas com a população norte-americana e hispano-americana os quais sugerem que a população hispânica tem maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de TEPT se comparada à população dos Estados Unidos. Henley et al. (2010) esclarecem que, entre as múltiplas vulnerabilidades para o desenvolvimento de TEPT após exposição a um evento traumático de grandes proporções, estão o nível de apoio social, as variáveis demográficas etnia, sexo, isolamento social, nível educacional, antecedentes psiquiátricos e outros problemas dessa ordem que precisam ser cuidadosamente investigados.

Nesta linha de pesquisa, muitos estudos procuram investigar a incidência de transtornos mentais no pós-desastre, em especial o TEPT (Montazeri et al, 2005), sua correlação com a depressão e a ideação suicida (Vehid, Alyanak, & Eksi, 2006; Kessler et al., 2006), como estas afetam as pessoas vulneráveis e como se manifestam em crianças (Chemtob et al., 2002). Kohn et al. (2005) revelaram que 10,6% da amostra de seu estudo apresentaram TEPT após a vivência do furação Mitch, esclarecendo que, apesar de este transtorno ser o mais comum, ele não é o único que acomete vítimas de desastres e não tem sido suficientemente investigado em comunidades da América Latina. Figueroa et al. (2010) concordam com esse ponto ao ressaltarem a necessidade de investigação mais sistemática dos sintomas pós-traumáticos.

Horan et al. (2007) lembram a importância de considerar que pessoas e grupos diferem quanto à vulnerabilidade diante de eventos traumáticos. Dentre os vários estudos que investigam o TEPT e os demais transtornos psiquiátricos, o de Figueira (2004) procura esclarecer que tem sido verificado na prática que os sintomas característicos deste transtorno são reações normais após a vivência de desastres naturais e que sua incidência tem se mostrado pequena em relação ao esperado pelos pesquisadores. Neste sentido, estudos com foco na resiliência emocional, no suporte social e no papel das equipes de resgate têm ganhado credibilidade e espaço nas investigações sobre as reações psicológicas diante dos desastres, delineando as ações preventivas características da fase do pré-desastre (Carvalho & Borges, 2009).

Henley et al. (2010) demonstram a importância e a tendência atual de desenvolvimento de programas comunitários que enaltecem a resiliência, sugerindo uma nova forma de abordagem em pós-desastre, que ofereça estrutura, estabilidade, suporte e coesão à comunidade.

Sugestões de pesquisas

Contata-se que os autores preocupados com a tendência de aumento da frequência, variedade e intensidade dos desastres e com a pobreza nos países em desenvolvimento, apontam a escassez de estudos empreendidos em países como o Brasil e a Espanha, salientando a necessidade de pesquisas que atendam às novas demandas conceituais e ao aumento dos suporte teóricos acerca da atuação do psicólogo diante dos desastres naturais (Figueira, 2004; Ruíz, 2003; Krum, 2007; Díaz & Delgadillo, 2000, Figueroa et al., 2010). Os autores ressaltam que, das pesquisas existentes, poucas são longitudinais e ainda apresentam sérias carências metodológicas (Figueira, 2004).

Em relação às expectativas dos autores referidos, foram encontrados em publicação recente os trabalhos de Vogel e Vera-Villarroel (2010) e Figueroa et al. (2010). O primeiro faz uma compilação de oito artigos científicos produzidos por profissionais e pesquisadores que vivem e trabalham nas zonas devastadas pelo terremoto que atingiu o Chile em 27 de fevereiro de 2010, procurando demonstrar as estratégias que têm sido seguidas nos primeiros meses após o desastre; já o segundo, também um estudo chileno, trata de uma revisão bibliográfica feita em abril de 2009 com 36 artigos, tendo como objetivo elaborar um modelo de intervenção psicológica na língua espanhola, em vista da pouca produção encontrada no referido idioma (segundo os dados levantados pelos autores em sua busca pela PubMed: sete trabalhos em espanhol contra 1.820 em inglês).

No Brasil, as poucas pesquisas recuperadas confirmam as afirmações dos autores de língua espanhola quanto à carência de trabalhos na área realizados e publicados em sua língua (Figueira, 2004; Ruíz, 2003; Krum, 2007; Díaz & Delgadillo, 2000). Segundo Krum e Bandeira (2008), os estudos no Brasil estão dando os primeiros passos, sendo que a Psicologia Ambiental vem procurando responder às crises ambientais, desenvolvendo pesquisas sobre ambientes de risco e a relação sujeito-ambiente. Favero e Diesel (2008) apontam a necessidade de pesquisas que discriminem as reações psicológicas diante dos desastres naturais, enquanto Bruck (2007) levanta a escassez de pesquisas empíricas, ressaltando que as poucas publicações nacionais sobre o tema focalizam apenas as repercussões específicas em relação à saúde física e aspectos sanitários.

Por fim, em pesquisas mais recentes, como a de García e Mardones (2010, citados por Vogel & Vera-Villaroel, 2010), fica evidente a necessidade da contribuição da Psicologia enquanto prática profissional nesta área, tendo-se em vista que o período atual está caracterizado por uma demanda explícita e implícita de serviços psicológicos em zonas afetadas por desastres, fato que, segundo os autores, provavelmente continuará aumentando progressivamente em médio prazo.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O levantamento bibliográfico levado a efeito demonstra a existência de poucos estudos publicados quanto ao papel dos psicólogos diante dos desastres, principalmente no tocante a países como o Brasil e a Espanha, sendo que no Brasil a situação ainda é bem mais precária. Isso caminha na contramão da tendência atual de aumento dos desastres naturais e da consequente necessidade de prestar auxílio multiprofissional às pessoas e comunidades afetadas.

A recuperação de trabalhos por meio das referências bibliográficas que foram acessadas contribuiu de forma decisiva, como visto, para o número total de estudos publicados, porém cabe lembrar que eles não estavam disponíveis a partir dos descritores utilizados no estudo, demonstrando que os trabalhos científicos produzidos não estão disponibilizados diretamente nas bibliotecas virtuais consultadas, o que dificulta o acesso aos estudos sobre o tema, a divulgação de informações e o aumento das práticas neste contexto.

Nota-se a abertura do caminho para os estudos com foco  em questões como: a resiliência individual ou coletiva e as diferentes vulnerabilidades; a importância da compreensão dos processos cognitivos na interpretação e na resposta aos desastres, como, por exemplo, as estratégias de coping; a necessidade de apoio e suporte social às comunidades atingidas por desastres naturais;  os fatores de risco e proteção (resiliência) provenientes das condições sociais, políticas e econômicas - fatores que demonstram a multideterminação dos desastres e a necessidade de olhares multiprofissionais.

Quanto às práticas dos psicólogos descritas nos trabalhos recuperados, verifica-se que a maior parte das produções científicas focaliza as ações a serem empreendidas no pós-desastre, buscando avaliar a existência de transtornos mentais e tratar desses transtornos, tendo como principais focos o Estresse Pós-Traumático (TEPT) e, a partir disso, utilizando os diversos instrumentos psicológicos disponíveis para confirmar ou refutar o transtorno -como o STAI, o SRQ-20 e o TSQ, a Composite International Diagnostic Interview, o Self Reporting Questionnaire, o IES e outros.

Os dados levantados mostram também a necessidade de produzir artigos e outros trabalhos científicos como forma de divulgar informações que sejam capazes de subsidiar futuras ações. Tais estudos não devem voltar-se somente a atuações no pós-desastre, mas também a ações preventivas que visem fortalecer e preparar a comunidade para enfrentar os desastres naturais, bem como ações que possam ser realizadas durante o desastre, que no caso desta pesquisa, foi a categoria menos citada pelos autores.

O fato de se ter de aplicar o que está insuficientemente colocado na teoria demonstra a urgência de estudos sobre o tema em muitos países que ainda não criaram linhas de pesquisa específicas nesta área. Constata-se como problema principal a falta de modelos psicológicos nacionais para atuação, apesar de termos observado a ação de profissionais de Psicologia nas enchentes de 2008 em Santa Catarina e, antes disso, um movimento do Conselho Federal de Psicologia para a popularização da temática no Brasil. Não obstante, isto ainda é incipiente e, neste sentido, confirma-se a preocupação de vários autores com a necessidade de maior produção científica, principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil.

 

REFERÊNCIAS

Benyakar, M. (2002). Salud mental y desastres. Nuevos desafíos. Revista Neurologia, Neurocirugía y Psiquiatria, 35 (1), 3-25.         [ Links ]

Bruck, N. R. V. (2007). A psicologia das emergências: um estudo sobre angústia pública e o dramático cotidiano do trauma. Tese de doutorado em Psicologia, Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.         [ Links ]

Campos, A. (2000). Prevención de desastres: Una mirada desde la salud mental / Disaster Prevention: A perspectiva from Mental Health. In N. U. Estrategia Internacional para la Reducción de Desastres; Organización Panamericana de la Salud. Huracán Mitch: Una mirada a algunas tendencias temáticas para la reducción del riesgo. San José, NU. Estrategia Internacional para la Reducción de Desastres; Organización Panamericana de la Salud. Recuperado em 15 de maio, 2011 de http://www.crid.or.cr/digitalizacion/pdf/spa/doc12680/doc12680.htm.         [ Links ]

Carvalho, A. C., & Borges, I. (2009). A trajetória histórica e as possíveis práticas de intervenção do psicólogo frente às emergências e os desastres. In V Seminário Internacional da Defesa Civil - DEFENCIL, São Paulo.  Anais Eletrônicos Defensil. São Paulo: Parque Anhembi - Centro de Eventos e Convenções da cidade. Recuperado em 23 de outubro, 2010 de <http://www.defencil.gov.br/?pg=anais-eletronicos>         [ Links ].

Ceballos, N. M., & Roca, A. M. (2000) Asistencia psicológica a niños víctimas de desastres. PLAN Internacional. República Dominicana. Instituto de Desarrollo y Salud Integral (INDESUI). Santo Domingo. DO. Recuperado em 15 de maio, 2011 de http://www.crid.or.cr/digitalizacion/pdf/spa/doc13101/doc13101.htm.         [ Links ]

Chemtob, C. M., Nakashima, J. P., & Hamada, R. S. (2002). Psychological Intervention for Postdisaster Trauma Symptoms in Elementary School Children: A Controlled Community Field Study. Arch Pediatr Adolesct Med, (156), 211-216. Recuperado em 15 de maio, 2011 de http://www.crid.or.cr/digitalizacion/pdf/eng/doc17382/doc17382.htm.         [ Links ]

Díaz, J. P. O., & Delgadillo, J. E. (2000). Salud psicosocial em desastres : de la teoría a la práxis. In Díaz, J. P. O, Ramírez, M. S. Salud psicosocial en un desastre complejo: el efecto del huracãn Mitch en Nicaragua. (p. 55-102). Guatemala, Nicaragua. Cruz Roja Nicaragüense; U. S. American Red Cross;Nicaragua. Universidad para la Paz, agosto.         [ Links ]

Estadão. (2010). Resposta global aos desastres naturais. Jornal Online. Recuperado em 23 de maio, 2011, de http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,resposta-global-aos-desastres-naturais,544761,0.htm.         [ Links ]

Favero, E., & Diesel, V. (2008). A seca enquanto um hazard e um desastre: uma revisão teórica. Aletheia, 27(1), 198-209.         [ Links ]

Figueira, I. (2004). Tsunami 2004 - Qual Será o Impacto dessa Tragédia? Psiquiatria Hoje - Jornal da Associação Brasileira de Psiquiatria, 26(6), 18-22.         [ Links ]

Figueroa, R. A., Marín, H., & González, M. (2010). Apoyo psicológico en desastres: Propuesta de un modelo de atención basado en revisiones sistemáticas y metaanálisis. Rev. méd. Chile, 138(2). Recuperado em 8 de maio, 2011, de http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-98872010000200001&lng=es&nrm=iso.         [ Links ]

Gazeta do Povo. (2011). Chuva Devastadora. Jornal Online. Recuperado em 23 maio, 2011, de http://www.gazetadopovo.com.br/chuvadevastadora/conteudo.phtml?id=1090098.         [ Links ]

Gil, I. Y. S., Martínez, V. T. P., & García, J. P. (2009). Repercusión psicosocial del huracán Wilma en la comunidad del consejo popular Miramar, del municipio Playa. Rev Cubana Med Gen Integr, 25(2). Recuperado em 15 maio, 2011, de http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0864-21252009000200007&lng=es.         [ Links ]

Henley, R., Marshall, R., & Vetter, S. (2010). Integrating Mental Health Services into Humanitarian Relief Responses to Social Emergencies, Disasters, and Conflicts: A Case Study. The Journal Of Behavioral Health Services And Research, 38 (1), 132-141.         [ Links ]

Horan W. P., Ventura J., Mintz J., Kopelowicz, A., Wirshing, D., Christian-Herman J., Foy D., & Liberman R. P. (2007). Stress and coping responses to a natural disaster in people with schizophrenia. Psychiatry Res Y, 151(1-2), 77-86.         [ Links ]

Kessler, R. C., Galea, S., Jones, R. T., & Parker, H. A. (2006). Mental Illness and Suicidality after Hurricane Katrina. Bulletin World Health Organization; 84(12), 930-939. Recuperado em 15 maio, 2011 de http://www.crid.or.cr/digitalizacion/pdf/eng/doc17385/doc17385.htm.         [ Links ] 

Kohn R., Levav I., Donaire I., Machuca M., & Tamashiro R. (2005). Psychological and psychopathological reactions in Honduras following Hurricane Mitch: implications for service planning. Rev Panam Salud Publica, 18 (4-5), 287-295. Recuperado em 15 de maio, 2011 de http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1020-49892005000900009&lng=en.         [ Links ]

Krum, F. M. B. (2007). O Impacto e as Estratégias de Coping de Indivíduos em Comunidades Afetadas por Desastres Naturais. Dissertação de Mestrado em Psicologia, Faculdade de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Recuperado em 15 de maio 2011, de http://www.bibliotecadigital.ufrgs.br/da.php?nrb=000661780&loc=2008&l=3f8f85f8cc489276.

Krum, F. M. B., & Bandeira, D. R. (2008) Enfrentamento de desastres naturais: uso do copping coletivo. Paidéia, 18(39), 73-84.         [ Links ]

Kuhnen, A. (2009). Meio Ambiente e vulnerabilidade: A percepção ambiental de risco e o comportamento humano. Geografia, 18(2), 37-52.         [ Links ]

Lakatos, E. M., Marconi, M. A. (1991). Fundamentos de metodologia científica. (3a ed). São Paulo: Atlas.         [ Links ]

Machado, M. dos S., Machado, S. W. S., & Cohen, S. C. (2009). Impactos psicossociais causados pela inundação de 2008 em Petrópolis, RJ. In V Seminário Internacional da Defesa Civil - DEFENCIL, São Paulo. Anais Eletrônicos Defensil. São Paulo: Parque Anhembi - Centro de Eventos e Convenções da cidade. Recuperado em 23 de outubro, 2010 de http://www.defencil.gov.br/?pg=anais-eletronicos.         [ Links ]

Massing, C. R., Lise, F. A., & Gaio J. M. (2009). Psicologia das emergências e dos desastres: Intervenções em Guaraciaba - SC. In V Seminário Internacional da Defesa Civil - DEFENCIL, São Paulo.  Anais Eletrônicos Defencil. São Paulo: Parque Anhembi - Centro de Eventos e Convenções da cidade. Recuperado em 23 outubro, 2010, de http://www.defencil.gov.br/?pg=anais-eletronicos.         [ Links ]

Mattedi, M. A. (2008). A Abordagem Psicológica da Problemática dos Desastres: Um Desafio Cognitivo e Profissional para a Psicologia. Rev. Psicologia Ciência e Profissão, 28(01), 162-173.         [ Links ]

Ministério da Integração Nacional (2010). Secretaria Nacional da Defesa Civil. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. Gestão de Riscos e de Desastres: Contribuições da Psicologia. Florianópolis: CEPED.         [ Links ]

Montazeri, A., Baradaran, H., Omidvari, S., Ali Azin, S., Ebadi, M., Garamaroudi, G., Mahmood Harirchi, A., & Shariati, M. (2005). Psychological distress among Bam earthquake survivors in Iran: a population-based study. BMC Public Health, 5 (4), 1-6. Recuperado em 15 de abril, 2011 de http://www.biomedcentral.com/1471-2458/5/4.         [ Links ]

Reyes, B. H. (2010). Chile se pone de pie otra vez. Rev. méd. Chile, 138 (3). Recuperado em 8 de maio, 2011, de http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-98872010000300001&lng=es&nrm=iso.         [ Links ]

Ruiz, A. L. (2003). Apoyo Psicológico en desastres. Cuba, 2003. Recuperado em 03 de março, 2011, de http://www.sld.cu/galerias/pdf/sitios/desastres/articulo_dr_alexis_lorenzo_apoyo_psicologico_desastres.pdf.         [ Links ]

Segreda, L. S., & Calvo, J. M. S. (2000). Intervención psicológica en situaciones de desastre. In N. Garita & J. Nowalski (Eds.), Del desastre al desarrollo humano sostenible en Centroamérica. (p.153-78-177). San José, Centro Internacional para el Desarrollo Humano Sostenible; Banco Interamericano de Desarrollo, março.         [ Links ]

Vehid, H. E., Alyanak B., & Eksi A. (2006). Suicide ideation after the 1999 earthquake in Marmara, Turkey. Tohoku J Exp Med., 208(1), 19-24, Jan. Recuperado em 02 de março, 2011, de http://www.jstage.jst.go.jp/article/tjem/208/1/19/_pdf.         [ Links ]

Vogel, E. H., & Vera-Villaroel, P. (2010). Psychology and Natural Disasters: Earthquake and Tsunami in Chile on February 27, 2010. Ter Psicol, Santiago, 28 (2). Recuperado em 23 de abril, 2011 de http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0718-48082010000200001&lng=es&nrm=iso.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Roberta Borghetti Alves. Rua Antônio Broglio, 275, Bairro: Glória, CEP: 95200-000, Vacaria-RS, Brasil.
E-mail: rborghettialves@gmail.com

Recebido em 04/09/2011
Aceito em 25/05/2012