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Psicologia em Estudo

Print version ISSN 1413-7372

Psicol. estud. vol.17 no.4 Maringá Oct./Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722012000400003 

ARTIGOS

 

Configuração familiar, género e coping em adolescentes: papel dos pares

 

Family configuration, gender and coping in adolescents: the role of peers

 

Configuración familiar, género y el coping en adolescentes: el rol de los pares

 

 

Mónica CostaI; Catarina Pinheiro MotaII

IMestre em Psicologia Clínica. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)
IIDoutora em Psicologia (Consulta Psicológica e Familiar), Investigadora do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, Portugal. Professora Auxiliar na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Relações interpessoais estabelecidas no contexto de institucionalização, nomeadamente com os pares, são fontes relevantes de suporte emocional e facilitador do processo adaptativo na fase de transição para a adultícia. O objectivo do presente estudo prende-se com a análise da qualidade da ligação de adolescentes aos pares e do seu efeito preditor nas estratégias de coping dos jovens. Pretende-se ainda testar o papel moderador da configuração familiar e do género na associação entre a ligação aos pares e as estratégias de coping. A amostra é composta por 311 adolescentes, 145 institucionalizados e 166 de famílias tradicionais, entre os 14 e os 18 anos, de ambos os géneros. A recolha de dados foi realizada através da Rosenberg Self-esteem Scale (Rosenberg, 1965), Inventory of Peer and Parental Attachment (Armsden & Greenberg, 1987) e o COPE Inventory (Carver, Weintraub & Scheider, 1989). Os resultados sugerem que a qualidade da ligação aos pares se mostra relevante na predição das estratégias de coping adaptativas (coping activo e uso de suporte social emocional).

Palavras-chave: Institucionalização; ligação aos pares; estratégias de coping.


ABSTRACT

The establishment of relationships with peers, in the context of institutionalization, is an important emotional support and facilitates the adaptation process in the transition to adulthood. The goal of this study was to analyze the importance of the relational quality with peers and their predictive effect on the coping strategies of adolescents. We also tested the effects of family configurations and genders on the association between the relationship quality with peers and coping strategies. The participants were 311 adolescents, 145 institutionalized and 166 from traditional families, 14 to 18 aged from both genders. Data was collected trough Rosenberg Self-esteem Scale ( Rosenberg, 1965), Inventory of Peer and Parental Attachment (Armsden & Greenberg, 1987) and COPE Inventory (Carver, Weintraub & Scheider, 1989). The results suggest that the quality of attachment to peers is relevant to predict coping strategies of adolescents, especially adaptive coping strategies (active coping activo and use of emotional social support).

Key words: Institutionalization; attachment; coping.


RESUMEN

El establecimiento de las relaciones interpersonales en el contexto de la institucionalización, en particular con los pares es un importante fuente de apoyo emocional y facilitador del proceso de adaptación en la transición hacia la edad adulta. El objetivo de este estudio es el análisis de la calidad de la relación con los pares y su efecto predictivo en las estrategias de coping de los jóvenes. Otro objetivo es poner a prueba el papel moderador de la configuración familiar y el género en la asociación entre la relación con los pares y estrategias de coping. La muestra está compuesta por 311 adolescentes, 145 y 166 familias tradicionales institucionalizadas, entre 14 y 18 años, de ambos sexos. Los datos han sido recogidos con recurso al Rosenberg Self-esteem Scale (Rosenberg, 1965), Inventory of Peer and Parental Attachment (Armsden & Greenberg, 1987) y COPE Inventory (Carver, Weintraub & Scheider, 1989). Los resultados sugieren que la calidad de los enlaces a los pares que se indica en la predicción de estrategias adaptativas (coping activo y el uso de apoyo social y emocional).

Palabras-clave: Institucionalización; los pares; las estrategias de coping.


 

 

Adolescência e a importância da relação com os pares em contextos desenvolvimentais distintos

Quando abordamos a temática da institucionalização de jovens, destacamos desde logo a importância da qualidade das relações que este meio é capaz de proporcionar-lhes. Bowlby (1980) defendeu, através da Teoria da Vinculação, a necessidade universal de estabelecer ligações afectivas de proximidade. Ao longo do tempo, com a progressiva maturidade emocional, as necessidades afectivas vão sendo preenchidas por outras figuras além dos cuidadores primários, nomeadamente, os pares (Ainsworth, Blehar, Watters, & Wall, 1978). Neste sentido, os pares tornam-se importantes fontes de apoio emocional, pela reciprocidade que caracteriza estas relações (Allen, Porter, McFarland, McElhaney & Marsh, 2007).

No caso específico dos jovens institucionalizados, os factores de risco associados a este contexto podem ser minimizados quando são considerados factores de protecção relacionados com as circunstâncias contextuais e emocionais, passadas ou presentes destes jovens (Mota & Matos, 2010). Desta forma, a instituição de acolhimento surge como um contexto desenvolvimental facilitador do desenvolvimento de relações organizadoras na vida dos adolescentes, salientando-se a relação com os pares. Neste sentido, os pares são extremamente importantes na vida destes adolescentes, não só pelo acompanhamento das mudanças próprias desta fase, mas também pela sensação de suporte advinda de uma elevada proximidade, partilha, reciprocidade e similitude vivencial. Com efeito, uma boa integração no grupo de pares confere nos jovens uma satisfação capaz de aumentar a autoestima (Nunes, 2010).

Outro contexto desenvolvimental de relevo neste estudo é a família tradicional, considerada inúmeras vezes a rede de apoio mais próxima da criança. Hawley e DeHann (1996) defendem que o vínculo positivo entre a criança e os pais ou cuidadores, a ausência de discórdia conjugal e o enfrentamento dos problemas de forma positiva estão relacionados com um ajustamento positivo perante a adversidade. Neste sentido, independentemente da configuração familiar, o estabelecimento de ligações de qualidade com pares pode funcionar como um importante auxílio em situações de estresse.

Destarte, o grupo de pares representa um excelente contexto de aprendizagem de competencias e de resolução de dificuldades. De forma geral, é no contexto de pares que se aprendem e experienciam diversas formas de estar, pensar e ser, validando assim o sentimento de identidade (Meeus, Iedema, Maassen, & Engels, 2005). Neste sentido, a literatura suporta que relações de qualidade estabelecidas pelos jovens facilitam o desenvolvimento de competências pessoais e sociais (Siqueira, Tubino, Schwarz, & Dell'Aglio, 2009). De seguida, serão abordadas as implicações destas relações no desenvolvimento do coping dos adolescentes.

 

Coping e vinculação na adolescência

A adolescência constitui-se, em si mesma, como um período desenvolvimental conturbado, dado que os jovens estão expostos a novas exigências e a mudanças físicas, cognitivas e sociais. Além disso, é marcada por dificuldades como conflitos com os pares e com a família, preocupações escolares, entre muitos outros. Desta forma, o estresse psicossocial marcado neste período desenvolvimental e a forma como os adolescentes desenvolvem o coping constituem um importante factor no seu processo adaptativo.

O coping é definido por Lazarus e Folkman (1984, p. 141) como "constantly changing cognitive and behavioural efforts to manage specific external and/or internal demands that are appraised as taxing or exceeding the resources of the person".

É possível encontrar na literatura diversas referências da interacção de variáveis como a idade, o género, o ambiente familiar e os recursos sociais nas estratégias de coping (Diehl & Hay, 2010). Além disso, originalmente considera-se que a ausência de responsividade das figuras cuidadoras influencia os comportamentos imediatos das crianças, assim como as relações interpessoais futuras na adolescência e adultez (Ainsworth, Blehar, Watters, & Wall, 1978). Desta forma, tem-se sustentado claramente o papel moderador que a qualidade da ligação com figuras significativas, nomeadamente com os pares, exerce no desenvolvimento do coping (Siqueira, Betts, & Dell'Aglio, 2006).

Neste sentido, Seiffge-Krenke e Beyers (2005) realizaram um estudo longitudinal com 112 participantes, iniciado em adolescentes com catorze anos de idade e terminando sete anos depois. O objectivo do estudo era verificar as diferentes trajectórias do coping e as implicações desta variável ao longo do desenvolvimento dos adolescentes. Os resultados corroboraram o preconizado no modelo de Lazarus e Folkman (1984), evidenciando a importância da qualidade das ligações criadas com os cuidadores primários e o desenvolvimento futuro. Deste modo, adolescentes seguros apresentam, sobretudo, competências de coping interno, que tendencialmente aumentam com o avançar do tempo, assim como uma redução do coping retractivo, em comparação com adolescentes inseguros. Além disso, verificou-se que jovens seguros tendem a usar mais o coping activo comparativamente com jovens desligados e o coping interno em comparação com jovens preocupados. Neste sentido, os resultados evidenciam a disponibilidade dos indivíduos para usar estratégias activas quando sentem o apoio da família e amigos (Seiffge- Krenke & Beyers, 2005). De forma geral, as conclusões enfatizam as diferenças nas trajectórias do coping ao longo do desenvolvimento dos indivíduos e dos diferentes estilos de vinculação. Os resultados demonstram que adolescentes seguros mostram-se mais competentes em lidar com eventos estressores, pela capacidade de procurar apoio e reflectir sobre as possíveis soluções. Por seu turno, adolescentes inseguros mostram-se menos disponíveis para procurar apoio nos outros e utilizam estratégias de evitamento perante situações de estresse, devido à dificuldade de gerir-se emocionalmente (Dozier, Stovall-McCough, & Albus, 2008).

Diante de factores potencialmente geradores de desequilíbrio, os mecanismos de protecção - como uma autoestima positiva, uma adequada ligação aos pares e estratégias de coping adaptativas - constituem elementos fulcrais no restabelecimento do equilíbrio perdido e na capacidade de fazer face à adversidade (Pesce, Assis, Santos, & Oliveira, 2004). Deste modo, relações de qualidade com os pares funcionam como um factor protector que está relacionado com o desenvolvimento da capacidade de enfrentar as adversidades, fomentando processos de resiliência e o desenvolvimento adaptativo (Mikulincer & Shaver, 2007). Apesar do interesse pelo coping ser crescente, este tem sido pouco explorado em contextos institucionais, pelo que será abordado de seguida neste estudo.

 

Estudo empírico

Objectivo

O presente estudo pretende analisar a importância da qualidade das ligações com figuras significativas (pares), bem como da autoestima no desenvolvimento de estratégias de coping dos adolescentes em configurações familiares distintas (institucionalização e famílias tradicionais). Pretende-se ainda testar o papel moderador da configuração familiar (institucionalização e famílias tradicionais) e do género na associação entre a qualidade da ligação aos pares e as estratégias de coping.

hipóteses

De acordo com o objectivo proposto, espera-se que a qualidade da ligação aos pares e a autoestima tenham um efeito positivo significativamente preditor no desenvolvimento do coping. Ao mesmo tempo, espera-se que a configuração familiar não exerça um papel moderador na associação entre a qualidade da ligação com os pares e o desenvolvimento do coping. Por fim, espera-se que o género exerça um papel moderador na associação entre a qualidade da ligação com os pares e o desenvolvimento do coping.

Participantes

A amostra do estudo constituiu-se de 311 adolescentes, de idade entre os 14 e os 18 anos (M=16.01; DP=1.142), dos quais 111 eram do género masculino (35,7%) e 200 do género feminino (64,3%). A frequência escolar dos jovens situa-se entre o 5º e o 12º ano de escolaridade (M=6.36; DP=1.78). Quanto à situação familiar, verifica-se que 166 dos jovens provêm de famílias tradicionais (53,4%) e 145 vivem em instituições de acolhimento (46,6%).

Instrumentos

De acordo com os resultados psicométricos encontrados, verificam-se características robustas dos instrumentos, correspondendo à estrutura original dos autores, não só ao nível da consistência interna, mas também ao da confirmação empírica dos modelos teóricos propostos. Desta forma, justifica-se a utilização fiável destes instrumentos no presente estudo.

Neste sentido, utilizou-se um questionário demográfico, que teve por objectivo acessar um conjunto de dados relativos às dimensões sociodemográficas dos participantes. Foram utilizados dois questionários demográficos em função da configuração familiar em causa (adolescentes de famílias tradicionais e institucionalizados). Ambos os questionários permitiram obter informação de natureza pessoal, familiar e escolar.

Foi usado o Inventory of Peer and Parental Attachment (IPPA), versão pares, para avaliar a qualidade da ligação com os pares na adolescência (Armsden & Greenberg, 1987). Trata-se de um questionário de autorrelato, desenvolvido por Armsden e Greenberg (1987; Adaptação de Ferreira & Costa, 1998). É constituído por 25 itens, em que estão presentes três dimensões: confiança, comunicação e alienação. Cada item é avaliado através de resposta tipo Likert com 6 pontos. Os alfas de Cronbach para a presente amostra foram: Confiança=0.87; Comunicação= 0.85 e Alienação= 0.76. A análise factorial confirmatória apresenta índices de ajustamento adequados para o modelo (RMR= 0.046; GFI= 0.968; AGFI= 0.924; CFI= 0.981; RMSEA= 0.077). Das análises efectuadas confirma-se um ajustamento adequado ao modelo teórico do IPPA, com valores [χ2 (28) = 42.670; p= 0.018].

O Cope Inventory foi utilizado para avaliar as diferentes formas como cada indivíduo responde ao estresse, ou seja, para avaliar estratégias de coping (Carver, Weintraub & Scheider, 1989; adaptado por Cabral & Matos, 2004). Trata-se de um instrumento de autorrelato constituído originalmente por onze dimensões. No presente estudo serão usadas apenas três dimensões, a saber: active coping(coping activo), denial (negação) e use of emotional social support(uso de suporte social emocional). A análise factorial confirmatória apresenta índices de ajustamento adequados para o modelo (RMR= 0.063; GFI= 0.948; AGFI= 0.909; CFI= 0.936; RMSEA= 0.066). Das análises efectuadas confirma-se um ajustamento adequado ao modelo teórico do COPE Inventory, 2 (55) = 89.549; p= 0.000].

Por último, utilizou-se a Rosenberg Self-esteem Scale (Rosenberg, 1965, adaptação de Rocha & Matos, 2003) para medir a autoestima pessoal global. Trata-se de uma escala unidimensional constituída por dez itens. O alfa de Cronbach para a presente amostra foi .83. A análise factorial confirmatória apresentou índices de ajustamento adequados (RMR= 0.053; GFI= 0.952; AGFI= 0.914; CFI= 0.960; RMSEA= 0.066), [χ2 (31) = 72.807; p= 0.003].

Procedimento

O presente trabalho enquadra-se numa investigação de índole transversal, uma vez que a recolha de dados se efectuou num único momento, em uma escola secundária e doze instituições de acolhimento das regiões Norte e Centro de Portugal. A recolha de informações foi realizada mediante questionários de autorrelato e uma ficha demográfica. O preenchimento dos diversos questionários decorreu em contexto grupal, em sala de aula ou institucional. Foram aplicados após prévio consentimento informado, conforme solicitado ao Conselho Executivo da Escola e directores das respectivas instituições, os quais aprovaram o carácter ético da investigação. Apesar de alguma resistência por parte dos jovens institucionalizados, sua adesão foi considerável. Cabe ressaltar que em cada administração os jovens receberam um conjunto de instruções standard, sendo-lhes explicados, de forma sucinta, os objectivos gerais do estudo, assim como as instruções para o preenchimento dos questionários de autorrelato. Foi-lhes também assegurada a total confidencialidade e anonimato das suas respostas. Além disso, enfatizou-se claramente o carácter voluntário da sua colaboração e participação. Por último, salienta-se que a ordem dos questionários foi invertida aleatoriamente, no intuito de evitar o enviesamento dos resultados decorrente do factor cansaço e da sequência dos instrumentos.

 

Resultados

Predição do coping em função das variáveis relacionais, configuração familiar e género – modelo de regressões múltiplas hierárquicas

Nesta parte do estudo realizou-se uma análise de regressão múltipla hierárquica utilizando-se como variável dependente o coping. Os resultados foram analisados tendo em conta as dimensões coping activo, negação e uso de suporte social emocional do coping. Optou-se pelo método hierárquico, em comparação com a regressão simples, uma vez que este permite obter resultados mais rigorosos. Neste sentido, foi-nos possível obter um controlo das variáveis precedentes, em que apenas uma variável é testada enquanto preditora de um resultado. Além disso, uma vez que este método engloba todas as variáveis independentes, foi possível observar os resultados em termos de modelo global, tratando-se assim de uma análise integrativa, e não parcelar; por conseguinte, são ponderados os efeitos de todas as variáveis.

Em conformidade com os objectivos propostos, foi testado o efeito preditor da qualidade dos laços afectivos com os pares nas estratégias de coping. Esta análise foi realizada com quatro blocos, no intuito de verificar a importância do género, da configuração familiar, da ligação com os pares e da autoestima dos adolescentes nas estratégias de coping, principalmente no coping activo. Neste sentido, no bloco 1 introduziu-se o género, que explica 0% da variância total (R2= 0.000), contribuindo individualmente com 0% da variância para o modelo (R2change= 0.000). Relativamente ao bloco 2, a configuração familiar explica 2.8% da variância total (R2= 0.028), o que corresponde a um contributo individual de 2.8% (R2change= 0.028) da variância para o modelo. No bloco 3 foi introduzida a ligação com os pares, que explicou 26% da variância total (R2= 0.261), apresentando um contributo individual de 23% (R2change= 0.233). Para finalizar, no bloco 4 foi introduzida a autoestima, que explica 28% do modelo total (R2= 0.283), contribuindo individualmente com 2.2% da variância para o modelo (R2change= 0.022). Pela análise das variáveis independentes dos blocos, verificou-se que três apresentam uma contribuição significativa (p<0.05). Apresentadas por ordem de importância, as variáveis são: a comunicação com os pares (b= 0.220), a confiança nos pares (b= 0.215) e a autoestima (b= 0.184) (Tabela 1).

 

 

Posteriormente, realizou-se uma análise de regressão múltipla hierárquica, utilizando-se como variável dependente a negação. Esta análise foi realizada com quatro blocos, no intuito de verificar a importância do género, da configuração familiar, da ligação com os pares e da autoestima do adolescente nas estratégias de coping, designadamente, a negação. Neste sentido, no bloco 1 introduziu-se o género, que explica 0.7% da variância total (R2= 0.007), contribuindo individualmente com 0.7% da variância para o modelo (R2change= 0.007). Relativamente ao bloco 2, a configuração familiar explica 13.7% da variância total (R2= 0.137), o que corresponde a um contributo individual de 13% (R2change= 0.130) da variância para o modelo. No bloco 3 foi introduzida a ligação com os pares, que explicou 33% da variância total (R2= 0.331), apresentando um contributo individual de 19% (R2change= 0.194). Para finalizar, no bloco 4 foi introduzida a autoestima, que explica 33.5% do modelo total (R2= 0.335), contribuindo individualmente com 0.4% da variância para o modelo (R2change= 0.004). Pela análise das variáveis independentes dos blocos, verificou-se que duas apresentam uma contribuição significativa (p<0.05). Apresentadas por ordem de importância, as variáveis são: a alienação na ligação aos pares (b= 0.410) e a configuração familiar (famílias tradicionais) (b= 0.148) (Tabela 2).

 

 

Para finalizar, realizou-se uma análise de regressão múltipla hierárquica, utilizando-se como variável dependente o uso de suporte social emocional. Esta análise foi realizada com quatro blocos, no intuito de verificar a importância do género, da configuração familiar, da ligação com os pares e da autoestima do adolescente nas estratégias de coping, mais especificamente, no uso de suporte social emocional. Neste sentido, no bloco 1 introduziu-se o género, que explica 2.3% da variância total (R2= 0.023), contribuindo individualmente com 2,3% da variância para o modelo (R2change= 0.023). Relativamente ao bloco 2, a configuração familiar explica 2.4% da variância total (R2= 0.024), o que corresponde a um contributo individual de 0,2% (R2change= 0.002) da variância para o modelo. No bloco 3 foi introduzida a ligação com os pares, que explicou 22.6% da variância total (R2= 0.226), apresentando um contributo individual de 20% (R2change= 0.201). Para finalizar, no bloco 4 foi introduzida a autoestima, que explica 22.6% do modelo total (R2= 0.226), contribuindo individualmente com 0% da variância para o modelo (R2change= 0.000). Deste modo, analisando-se individualmente o contributo de cada uma das variáveis independentes dos blocos, constata-se que apenas uma apresenta uma contribuição significativa (p<0.05). Neste caso, trata-se da comunicação com os pares (b= 0.349) (Tabela 3).

 

 

Papel moderador da configuração familiar na associação entre qualidade da ligação aos pares e as estratégias de coping

Foi medido o efeito da configuração familiar na associação entre os índices de segurança e o coping.Foi realizada uma categorização dos índices de segurança em relação aos pares, que permitiu obter dois níveis, mais especificamente, os seguros e inseguros. A realização desta categorização foi possível através da obtenção da média proveniente da formulação das dimensões do IPPA (Comunicação + Confiança – Alienação/3), sendo inseguros com média <2.4 e seguros com média> 2.4. A MANCOVA realizada revela que a interacção entre a ligação aos pares e a configuração familiar afecta significativamente as estratégias de coping [F (5. 288) = 2.663;p = 0.023], apenas nas dimensões de coping activo [F (1,292)=4.323; p = 0.038] e negação [F (1.292)=3.968;p = 0.047]. Através da análise das diferenças (post-hoc) constatou-se que os jovens institucionalizados com um elevado índice de segurança aos pares, têm maior uso de coping activo do que adolescentes de famílias tra dicionais com um índice baixo de segurança aos pares. Verificou-se ainda que os jovens institucionalizados com um elevado índice de segurança aos pares, têm menor uso da negação do que os jovens com um índice baixo de segurança aos pares, que apesar de viverem numa família intacta recorrem mais à negação.

Papel moderador do género na associação entre qualidade da ligação aos pares e o coping

Posteriormente, realizou-se uma MANCOVA bifactorial no sentido de testar o efeito moderador do género na associação entre os índices de segurança e o coping. Os resultados revelam a inexistência da interacção dos índices de segurança e do género nas estratégias de coping [ F (5. 288)=1.346; p = 0.245], o que implica que não existe um papel moderador do género entre a ligação com os pares e as estratégias de coping.

 

Discussão

O presente trabalho possibilitou o estabelecimento de algumas considerações relevantes em torno da temática de adolescentes de diferentes configurações familiares, nomeadamente, a importância da qualidade da ligação com figuras significativas (pares) para sua adaptação psicossocial.

O coping constitui uma variável de relevo, pelo interesse crescente em perceber as distintas formas de adaptação a circunstâncias adversas dos jovens em diferentes contextos. Neste sentido, o presente estudo evidenciou que o coping activo é predito significativamente pela comunicação e confiança nos pares, bem como pela autoestima dos jovens. Um dos pressupostos teóricos aponta a importância da qualidade das relações que os adolescentes estabelecem com figuras significativas para a construção de modelos internos dinâmicos relacionados com estratégias adaptativas perante situações de estresse. O coping activo, ao simbolizar a procura activa por informação e a mobilização de recursos sociais para tentar resolver a situação estressante, é descrito como uma estratégia de coping adaptativa (Dias, Cruz & Fonseca, 2009). Num estudo levado a cabo por Seiffge-Krenke e Beyers (2005), verificou-se que jovens com ligações seguras tendiam a recorrer mais a estratégias de coping activo, comparativamente com jovens com ligações inseguras. Ainda conclusões de Howard e Medway (2004) apontam que jovens com estilos de vinculação segura tendem a aumentar a comunicação com a família e reduzir o recurso de estratégias de evitamento, ao passo que jovens inseguros tendem a evitar estratégias de coping positivo, provavelmente pela falta de confiança nos outros, por sentimentos de pouco apoio ou por não reconhecerem a necessidade de ajuda. Deste modo, compreende-se a importância da comunicação com os pares e da confiança neles enquanto preditores do coping activo como estratégia adaptativa e funcional. Além disso, uma boa autoestima proporciona aos jovens ter uma percepção positiva de si, o que, por sua vez, permite-lhes perceber o exterior de forma menos ameaçadora, ter estratégias de coping mais adequadas e sentir-se bem consigo e com os outros (Valente, 2002).

Ademais, os resultados sugerem que a alienação em relação aos pares e a configuração familiar mostram um efeito significativo na negação. Neste sentido, tal como seria esperado na literatura, a negação encontra-se associada à alienação em relação aos pares. Estes resultados corroboram a literatura, na medida em que adolescentes seguros procuram apoio e reflectem sobre as possíveis soluções, ao passo que adolescentes inseguros não estão tão disponíveis para procurar apoio nos outros e usam estratégias de evitamento. Neste sentido, parece que em adolescentes inseguros aumenta o risco de obter resultados desadaptativos, já que as estratégias de coping usadas podem não originar a redução dos factores de estresse (Seiffge-Krenke & Beyers, 2005). Neste caso, a configuração familiar significativa são as famílias tradicionais, o que sugere que os jovens provenientes desta configuração familiar tendem a rejeitar a realidade do acontecimento estressante. Howard e Medway (2004) traçaram conclusões empíricas que indicam que jovens inseguros tendem a evitar estratégias de coping positivas, provavelmente pela falta de confiança nos outros, por sentimentos de falta de suporte e falta de reconhecimento da necessidade de apoio. Por seu turno, jovens inseguros apresentam capacidade de manter a comunicação familiar e reduzir o coping de evitamento, diminuindo o impacto do estresse.

No que concerne ao uso de suporte social emocional, apenas se constatou um poder explicativo da variável comunicação com os pares. Deste modo, adolescentes menos defensivos apresentam maior disponibilidade emocional, mostrando-se mais predispostos a se relacionar com os pares, e na maior parte das vezes neles se percebe simetria nas vivências emocionais (Mota & Matos, 2010). Nesta medida, a comunicação com os pares traduz um bom indicador de segurança, facto que é relevante na procura de suporte emocional. Estes resultados corroboram a literatura, segundo a qual adolescentes seguros procuram apoio e reflectem sobre as possíveis soluções, ao passo que adolescentes inseguros não estão tão disponíveis para procurar apoio nos outros, usando mais estratégias de evitamento.

Desta forma, salienta-se a importância das relações com os pares, dado que jovens que sentem proximidade nas suas relações apresentam maior capacidade de expressão emocional e de ideias, estabelecendo uma ligação positiva e empática com os demais. Neste sentido, torna-se claro que este sentimento de pertença e realização potencia o desenvolvimento de competências sociais nestes jovens (Mota & Matos, 2010). Nas análises realizadas com as dimensões de coping em função da configuração familiar dos adolescentes apenas se observaram diferenças significativas nas variáveis de coping activo e negação. Nesta medida, através da análise das diferenças de acordo com o teste de Scheffé (post hoc), constatou-se que os jovens institucionalizados com um elevado índice de segurança em relação aos pares apresentam menor negação do que os jovens de famílias tradicionais com baixa segurança em relação aos pares. Estes resultados sugerem que os jovens de famílias tradicionais, estando num ambiente aparentemente mais estável do ponto de vista afectivo, ao desenvolverem baixa segurança em relação aos pares, apresentam maior negação diante de situações ansiogénicas. Assim sendo, uma baixa segurança na ligação com os pares parece constituir um factor de risco que evidencia alguma vulnerabilidade nos jovens; todavia, numa perspectiva crítica, ressaltamos a subjectividade da noção de adaptação e desadaptação em função da situação e do contexto. Neste sentido, adolescentes que numa situação específica optam pela fuga ou desvalorização poderão estar a desenvolver estratégias mais adaptativas mediante a situação em particular em face de seu estado emocional e suas competências pessoais (Mota, 2008). Desta feita, verificou-se que os jovens institucionalizados com um elevado índice de segurança em relação aos pares apresentam um maior uso de coping activo do que os jovens de famílias tradicionais com um índice baixo de segurança em relação aos pares. Estes resultados sugerem que os índices de segurança podem ser de extrema relevância, independentemente da configuração familiar. Neste sentido, na presente amostra os adolescentes institucionalizados parecem apresentar maior tendência a adoptar medidas de solicitação de ajuda para resolver uma situação problemática. Discutindo esta questão, julgamos que se trata de um dado positivo, uma vez que os jovens institucionalizados desenvolvem estratégias de solicitação directa de ajuda, o que implica confiança e percepção de disponibilidade, que se vão criando na dinâmica da relação da instituição de acolhimento. Green e Diaz (2008) apontam que jovens expostos a situações traumáticas desenvolvem diversas estratégias de coping com vista a aumentar o seu bem-estar. Neste ponto, importa salientar o papel que a ligação com figuras significativas tem no coping activo. Desta forma, a percepção de segurança proporcionada por essas figuras permite aos jovens adoptar estratégias de ajuda voltadas para o exterior, revelando uma forma aberta de enfrentar as dificuldades e perceber a possibilidade de serem ajudados com a ausência de medo de serem rejeitados (Al-Yagon & Mikulincer, 2006). Mais uma vez a literatura suporta esta posição, na medida em que jovens seguros manifestam maior tendência a resolver conflitos pela negociação, enquanto adolescentes inseguros parecem manifestar estratégias de coping de evitamento diante de conflitos (Howard & Medway, 2004). Cabe ressaltar que os jovens institucionalizados parecem oscilar entre a procura activa da resolução problemática e, em casos de maior dificuldade, a adopção de comportamentos de negação. Por outro lado, julgamos que o coping activo também estará inerente nos jovens de famílias tradicionais, todavia parece não se destacar particularmente pelo cariz normativo, vulgarmente associado à ajuda natural que estes jovens desenvolvem no seio familiar. Assim, pode-se concluir que tanto a família como a instituição podem se configurar como factores de risco ou de protecção, e isto dependerá do que estes ambientes proporcionem, ou seja, da qualidade das relações que se estabelecem, da presença de afectividade e possível reciprocidade (Poletto & Koller, 2008).

Para finalizar, os resultados revelam a inexistência da interacção dos índices de segurança e do género nas estratégias de coping. Desta forma, não existe um papel moderador do género entre a ligação aos pares e as estratégias de coping. Estes resultados corroboram os dados encontrados por Dell'Aglio e Hutz (2002), numa amostra de 55 crianças de ambos os géneros, entre os oito e dez anos de idade, uma vez que não encontraram diferenças entre os géneros quanto às estratégias de coping utilizadas. Por outro lado, embora esta questão não tenha sido verificada no presente estudo, salientamos que outros dados na literatura reportam a existência de diferenças de género na forma de coping. Neste sentido, tradicionalmente o género feminino apresenta maior tendência a desenvolver estratégias de procura de suporte social, comparativamente aos rapazes; por outro lado, o género masculino parece desenvolver estratégias de evitamento (Eschenbeck, Kohlmann & Lohaus, 2007).

 

Conclusão

Cabe-nos salientar que a adolescência é um período repleto de desafios, em que o sistema de ligações assume um papel integrador. No caso dos jovens institucionalizados, é possível, não só por vivências passadas, mas também pela transição, seu desenvolvimento ser pautado por algumas dificuldades. Por outro lado, cumpre não esquecermos que, apesar da transição para um novo contexto, a instituição de acolhimento constitui um espaço para a construção de novos relacionamentos afectivos significativos. Nesta medida, a ligação com outras figuras de afecto assume um papel preponderante na trajectória desenvolvimental destes jovens, constituindo um factor de protecção diante de sua vulnerabilidade. As relações que os jovens estabelecem neste contexto são fundamentais, principalmente quando promovem sentimentos de segurança. Estes aspectos caracterizam jovens mais seguros e capazes de se relacionar positivamente, razão pela qual podem alterar a sua trajectória desenvolvimental, tornando-os mais ajustados. Neste sentido, o estabelecimento de ligações seguras e saudáveis permite ultrapassar o risco, independentemente da configuração familiar.

Para finalizar, ressaltamos que o presente estudo mostrou pertinência na exploração de uma temática pouco abordada em Portugal: aquela relacionada com a vivência dos jovens institucionalizados. É sabido que a institucionalização de adolescentes afecta cada vez mais famílias em Portugal. Desta forma, justifica-se a pertinência deste estudo, no sentido de desmistificar crenças associadas muitas vezes a este contexto desenvolvimental, prejudicando assim o desenvolvimento adaptativo dos jovens. Neste sentido, dada a evidência de que tanto a autoestima como a qualidade das ligações com figuras significativas (pares) têm grande influência no desenvolvimento adaptativo dos jovens, considera-se que deve ser dado relevo a um projecto de intervenção numa perspectiva relacional que facilite o ajustamento adequado ante a adversidade. Nesta medida, pretendeu-se mostrar a relevância destas relações dentro das instituições e o seu contributo para o crescimento pessoal e o processo adaptativo dos jovens. 

Por último, torna-se ainda relevante discutir algumas das dificuldades e limitações deste estudo. Ressaltamos o receio de invasão de privacidade e o medo de envolvimento físico e afectivo dos jovens institucionalizados, o que se traduziu na dificuldade em entrar nas instituições e alargar a amostra. Além disso, consideramos que em estudos futuros seria pertinente a realização de um estudo longitudinal, de forma a investigar a estabilidade da utilização das diferentes estratégias de coping e a sua adaptabilidade. Julgamos ainda pertinente a utilização de outras fontes, além da complementaridade das análises qualitativas desenvolvidas através de entrevistas com os jovens e seus cuidadores.

 

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Endereço para correspondência
Mónica Raquel Saraiva da Costa. Departamento de Educação e Psicologia – Edifício do CIFOP. Rua Dr. Manuel Cardona – UTAD, Apartado 1013, 5001-558, Vila Real, Portugal. E-mail: monica_raquelcosta@hotmail.com

Recebido em 21-03-2012
Aceito em 18-07-2012

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