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Acta Ortopédica Brasileira

Print version ISSN 1413-7852On-line version ISSN 1809-4406

Acta ortop. bras. vol.16 no.5 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-78522008000500002 

ARTIGO ORIGINAL

 

Infecção pós-estabilização intramedular das fraturas diafisárias dos membros inferiores: protocolo de tratamento

 

 

Alecsander Guillaumon Pereira da SilvaI; Fernando Brandão de Andrade e SilvaI; Alexandre Leme Godoy dos SantosII; Carlos Augusto Malheiros LuzoIII; Marcos Hideyo SakakiIII; Arnaldo Valdir ZumiottiIV

IMédico Residente em Ortopedia e Traumatologia do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP
IIAluno do Programa de Pós-Graduação de Ortopedia e Traumatologia da FMUSP
IIIMédico Assistente do Grupo do Trauma do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP
IVProfessor Titular do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O tratamento das infecções pós-estabilização intramedular das fraturas dos membros inferiores apresenta uma grande variedade de opções, desde a limpeza cirúrgica com manutenção da haste até a retirada da haste e colocação de fixador externo. O espaçador diafisário ainda é uma técnica pouco utilizada para o tratamento desse tipo de infecção, existindo poucos relatos na literatura sobre sua aplicação. No IOT HCFMUSP, esta técnica vem sendo empregada de maneira crescente e, no presente trabalho, temos o objetivo de descrever o protocolo de tratamento utilizado em nossa instituição, bem como a apresentação de nossa casuística inicial. O protocolo consiste na antibioticoterapia endovenosa, retirada da haste intra-medular, desbridamento cirúrgico do canal medular e colocação do espaçador diafisário. Revisamos retrospectivamente o prontuário de 11 pacientes com 13 fraturas, sendo cinco femorais e oito tibiais, submetidos à técnica apresentada. O tempo de seguimento variou de 6 a 36 meses, média de 14,27 meses, com resultados satisfatórios ocorridos em dez das treze fraturas estudadas, representando uma taxa de eficácia de 76,93%. Concluímos que o método representa uma boa alternativa para o tratamento destes casos, necessitando ainda novos trabalhos comparativos para a avaliação de suas vantagens e para difundir o uso do método.

Descritores: Infecção; Osteossíntese intramedular de fraturas; Fraturas do Fêmur; Tíbia.


 

 

INTRODUÇÃO

As fraturas diafisárias do fêmur e da tíbia apresentam destaque no trauma ortopédico devido à elevada incidência e impacto econômico-social. Embora existam critérios bem padronizados para indicações de tratamento não-cirúrgico, os métodos cirúrgicos são preconizados devido aos melhores resultados funcionais e ao menor período de reabilitação. As hastes intramedulares bloqueadas - HIMB - são opção terapêutica preferencial de muitos autores pelo fato de apresentarem técnica cirúrgica simples, padronizada e reprodutível, não causarem maior dano aos tecidos moles e permitirem carga precoce(1).

Uma das complicações mais temidas do tratamento cirúrgico é a infecção pós-operatória, elevando o custo e duração do tratamento de maneira significativa e causando prejuízos nos resultados funcionais e na reabilitação a longo prazo; representando, dessa forma, um desafio para o cirurgião ortopédico. Os principais fatores de risco para a infecção pós-operatória das fraturas são(2):

1. Grau de energia do trauma.
2. Grau de lesão de partes moles.
3. Grau de contaminação local.
4. nTempo cirúrgico de osteossíntese.
5. nEstado imunológico do paciente.

Diante de um caso de infecção pós-operatória em uma fratura diafisária fixada com HIMB, o cirurgião ortopédico encontra alguns desafios, como a resolução do processo infeccioso, o espaço morto referente ao canal medular criado após a retirada da haste, e a manutenção da redução e estabilização da fratura. Freqüentemente o processo infeccioso se instala antes de ocorrida a consolidação da fratura, o que dificulta ainda mais o tratamento(3). Diversos métodos são utilizados e estudados para o tratamento dessas infecções, o que mostra a dificuldade no manejo(4,5).

O objetivo do estudo é avaliar o Protocolo de Tratamento para infecção pós-estabilização com HIMB das fraturas diafisárias dos membros inferiores utilizado no IOT-HC-FMUSP.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Protocolo de Tratamento

O Protocolo de Tratamento das infecções pós-operatórias das fraturas diafisárias do fêmur e tíbia tratadas com HIMB é:

1. Retirada do material de síntese.
2. Desbridamento cirúrgico do canal medular.
3. Aplicação de um espaçador diafisário de cimento com antibiótico.
4. Antibioticoterapia endovenosa empírica, modificada de acordo com as culturas bacterianas e antibiogramas obtidos.

O espaçador utilizado é confeccionado manualmente através de uma haste de Ender ou fio de Steinmann. Este é envolto por cimento ortopédico misturado com antibiótico de ação bactericida, com propriedades ativas em contato com o cimento. São usadas duas unidades de cimento (80g) misturadas com 1g de Vancomicina e azul-de-metileno (5ml a 1%) para obtenção de coloração azulada do material, com objetivo de diferenciação em relação ao tecido ósseo.

Depois de preparado, o cimento é moldado manualmente ao redor da haste de Ender, tendo-se como base o diâmetro externo da haste retirada. Procura-se obter boa homogeneidade na superfície do espaçador e diâmetro pouco menor que o da haste, para que não seja encontrada dificuldade na introdução do espaçador. Outro cuidado a ser tomado é quanto à manutenção de uma alça na extremidade proximal do sistema, que possibilite a utilização de um gancho para a posterior retirada. Espera-se o cimento estar totalmente endurecido e seco para a introdução no canal medular, caso contrário pode ocorrer integração entre o cimento e osso, tornando impossível a retirada habitual, podendo até ser necessária osteotomia em casos em que a retirada é imperiosa.

O desbridamento do canal é realizado logo após a retirada da HIMB, enquanto o espaçador é preparado por outro cirurgião em mesa auxiliar. Inicialmente, realiza-se a fresagem, preferencialmente com diâmetro maior que o da haste removida, com objetivo de retirada do endósteo contaminado. Curetas longas também podem ser utilizadas para um desbridamento adicional. Em seguida, realizamos a abertura de uma janela óssea de ± 1cm2 na extremidade oposta à da entrada da haste e, então, irrigação abundante com solução fisiológica. Este passo tem o objetivo de promover uma lavagem com fluxo unidirecional do canal medular, permitindo a saída de debris juntamente com a solução empregada, evitando o acúmulo de tecido contaminado no interior do canal. Finalmente, após desbridamento adequado do canal, o espaçador é introduzido, geralmente sem dificuldades quando cumpridos adequadamente todos os passos descritos.

O tratamento é instituído logo que notados sinais infecciosos pós-operatórios como secreção na ferida operatória, fístula, hiperemia e a presença ou não de febre. Alterações laboratoriais de VHS, PCR e leucograma podem estar associadas. Em alguns casos, em que a infecção é considerada superficial, são tentadas medidas para a preservação da haste, como a limpeza cirúrgica local e obtenção de culturas para antibioticoterapia direcionada. Na maioria dos casos, no entanto, a infecção é considerada como tendo contigüidade com os planos profundos. A indicação de retirada da haste e utilização do espaçador se dá prontamente.

A duração de uso do espaçador e o número de trocas são guiados pela evolução do quadro infeccioso. Casos em que ocorre uma boa evolução, a substituição do espaçador por uma nova haste é realizada após o prazo de 21 dias. Em casos em que o processo infeccioso se mantém, são necessários maiores períodos de uso do espaçador, podendo chegar até vários meses. O número de trocas do espaçador é influenciado pela evolução do quadro, bem como pelas condições cirúrgicas do paciente e até por fatores logísticos do serviço, podendo uma troca programada não ser realizada devido à influência de algum dos fatores citados.

A estabilidade e consolidação da fratura são questões importantes em casos de infecção pós-operatórias. O espaçador geralmente é instalado após um prazo maior que algumas semanas de uso da HIMB. Isto muitas vezes permite que já exista algum grau de estabilidade no foco, tanto angular como rotacional, permitindo que a menor estabilização conferida pelo espaçador cumpra a função de manutenção da posição inicial, conseguida com a colocação da HIMB, sem a necessidade de imobilização adicional. Nos casos em que encontramos uma boa evolução infecciosa e boa progressão da consolidação, esta muitas vezes ocorre em vigência do uso do espaçador, não sendo necessária à substituição por uma nova HIMB. Optamos, então, pela retirada do espaçador, que em geral é conseguida com facilidade. Temos a experiência de casos em que, apesar da técnica correta na instalação do espaçador, ocorreu a integração entre o tecido ósseo e o cimento do espaçador. Nestes, a tentativa de retirada pelos métodos habituais se mostrou impraticável, ocorrendo até a extração da haste de Ender isoladamente, permanecendo o cimento no interior do canal medular. Casos como este, em que o paciente se encontre assintomático em relação à presença do espaçador e com o processo infeccioso resolvido, optamos pela conduta expectante e acompanhamento periódico, sendo indicada a retirada em caso de qualquer evento sintomático relacionado ao espaçador.

 

CASUÍSTICA

Onze pacientes com treze fraturas diafisárias dos MMII (oito tíbias e cinco fêmures), ocorridas de agosto/2004 a janeiro/2007, tratadas pelo protocolo exposto, tiveram seus prontuários analisados, fornecendo os dados para análise. Nove pacientes eram do sexo masculino (81,82%) e dois do sexo feminino, com idades variando entre 20 e 58 anos, média de 31,2 anos (mediana de 29). Todos os pacientes foram vítimas de acidentes automobilísticos envolvendo motocicletas. Das treze fraturas, nove eram expostas (63,23%), sendo duas do tipo I de Gustilo (22,22%), uma do tipo II (11,11%), cinco do tipo III A (55,56%) e uma do tipo III B (11,11%); quatro fraturas eram fechadas. Dos onze pacientes, sete tinham lesões em outros membros, tronco ou TCE, sendo considerados politraumatizados (63,64%); quatro pacientes tinham lesões apenas no membro fraturado (Tabela 1). Nove pacientes tiveram culturas positivas em algum momento (81,82%), colhidas do osso em que o espaçador foi utilizado, sendo o s.aureus presente em todos os casos, exceto um em que a cultura foi positiva para pseudomonas aeruginosa. A bactéria gram negativa enterobacter estava presente em associação com o s.aureus em dois casos, enquanto o gram negativo acinetobacter estava presente em outros dois casos (Tabela 2); ambos tiveram sua antibioticoterapia endovenosa modificada para cobertura específica. Mesmo nestes casos em que havia associação com algum germe gram negativo, o espaçador foi confeccionado apenas com vancomicina, visando a ação sobre o s.aureus, deixando a antibioticoterapia endovenosa responsável pela cobertura adicional. Dois casos apresentaram cultura negativa em todas as limpezas cirúrgicas realizadas, apesar de apresentarem sinais evidentes de infecção pós-operatória, ressaltando-se que ambos se encontravam em uso de antibioticoterapia endovenosa.

Quanto ao tempo decorrido do momento do trauma até a colocação da HIMB, das treze fraturas, três tiveram a haste colocada imediatamente (no dia do trauma), em nove, houve um retardo que variou de 2 a 20 dias e em um caso a haste foi colocada após um período de 260 dias (mediana de 10 dias). Nos casos de colocação não-imediata, a estabilização inicial foi dada pelo uso de fixador externo e em apenas um caso, uma fratura fechada de tíbia, foi usada uma tala gessada inguino-podálica. A duração de uso da HIMB até sua substituição pelo espaçador foi bastante variável, com uma mediana de 6 semanas. Quatro pacientes tiveram um uso prolongado da haste até a sua retirada, com aparecimento tardio dos sinais infecciosos. Nestes, a haste foi usada por um período de 21 a 64 semanas, após o qual foi substituída pelo espaçador. Os outros sete pacientes apresentaram quadro infeccioso mais precoce e permaneceram um período de 1 a 7 semanas com a HIMB até sua substituição (Tabela 3).

 

 

 

 

 

 

O tempo de permanência do espaçador também apresentou grande variabilidade, com uma média de 10,7 semanas e variação de 2 a 35 semanas (Tabela 4). Duas fraturas, ocorridas no mesmo paciente (fêmur e tíbia ipsilaterais), consolidadas em vigência do uso dos espaçadores, tiveram estes deixados como síntese definitiva após tentativa de retirada sem sucesso, após 21 semanas de uso. Este paciente apresenta boa evolução, sem sinais infecciosos, com seguimento de 13 meses a partir da colocação dos espaçadores.

 

 

RESULTADOS

Das treze fraturas estudadas, dez apresentaram uma evolução satisfatória quanto à resolução do processo infeccioso e à consolidação, representando uma taxa de eficácia de 76,93%, com um seguimento médio de 14,27 meses, variando de 6 a 36 meses, desde a colocação do espaçador até o último seguimento realizado. Três fraturas, após o uso do espaçador por um prazo médio de 16 semanas, tiveram o tratamento modificado devido à persistência dos sinais infecciosos. Em um destes casos o espaçador foi retirado e substituído por fixação com Ilizarov. Nas outras duas fraturas, fêmur e tíbia ipsilaterais, ocorridas no mesmo paciente, foi mantida imobilização com tala gessada na tíbia e colocação de novo espaçador no fêmur. Ambos se encontravam ainda em tratamento, sem resolução do processo infeccioso e sem sinais de consolidação à época da elaboração do trabalho.

A substituição do espaçador por uma nova HIMB foi realizada em apenas três fraturas (23,08%) (Tabela 4). Destas, um caso apresentou recidiva da infecção após colocação da nova HIMB, a qual foi novamente substituída por espaçador, mantido por mais quatro semanas, evoluindo com consolidação da fratura e resolução da infecção; os outros dois casos apresentaram boa evolução, com consolidação e resolução do processo infeccioso, mantendo uso da nova HIMB até o último registro. Nas outras dez fraturas estudadas, não houve a colocação de uma nova HIMB. Destas, sete apresentaram consolidação da fratura em vigência do espaçador, sendo cinco retirados e dois mantidos após tentativa de retirada sem sucesso. As outras três fraturas correspondem aos casos de alha já relatados (Tabela 5).

 

 

DISCUSSÃO

O uso das hastes intramedulares bloqueadas teve seu início durante a década de 1980, como evolução das hastes de Küntscher, e teve grande ascendência nos anos subseqüentes, tornando-se o método preferido pela maioria dos autores para o tratamento das fraturas diafisárias dos membros inferiores(6,7). Juntamente com sua maior utilização, os primeiros casos de infecção pós-operatória trouxeram um novo cenário no manejo destas fraturas, apesar da incidência significativamente baixa.

Grandes séries mostram taxas de infecção inferiores a 1% para fraturas fechadas e taxas entre 2,4 % a 4,8% para fraturas expostas(8,9). Estudos com fixação intramedular para fraturas expostas indicaram que a taxa de infecção das fraturas abertas tipo I e II de Gustilo tratadas com colocação imediata da haste é semelhante àquela das fraturas fechadas(10-12). Em contraposição, a fixação com HIMB das fraturas abertas tipo III da diáfise femoral tem uma taxa de infecção significativamente mais alta (4 a 5%)(13). O uso de qualquer HIMB após fixação externa usada por mais do que poucos dias parece ter um risco aumentado de infecção intramedular. Se a infecção ocorrer durante a fixação externa, mesmo que ela seja tratada com sucesso, sua recorrência após fixação definitiva com HIMB deve constituir uma real preocupação. Embora retardos de várias semanas ou mais entre a remoção do fixador e a inserção da haste possam diminuir um pouco o risco de infecção, este permanece elevado quando comparado com aquele em uma fratura na qual infecção não ocorreu(14,15).

Diferentes abordagens são utilizadas e continuamente estudadas para o tratamento das infecções pós-estabilização intramedular. A manutenção da haste acompanhada de limpezas cirúrgicas seriadas e antibioticoterapia é uma opção usada por diversos autores(1,2,16,17). Esses recomendam que a haste seja mantida até que a fratura apresente algum grau de estabilidade pela formação de calo ósseo e só então a síntese seja removida e o canal desbridado. Chen et al(18) comparou um grupo tratado com manutenção da haste e desbridamento cirúrgico com outro grupo em que as hastes foram retiradas e as fraturas estabilizadas com fixador externo. Todas as fraturas do primeiro grupo consolidaram, enquanto um maior número de complicações foi encontrado no grupo tratado com fixador externo. Ele conclui indicando a manutenção da haste em casos em que a fixação se mantém estável e a infecção sob controle. O fixador externo é indicado para os casos de osteomielite incontrolável ou pseudoartrose infectada. A estabilização da fratura é um fator importante para a resolução do processo infeccioso e deve ser sempre almejada durante o tratamento da infecção(19-21).

O cimento ortopédico (PMMA) impregnado com antibiótico, usado como espaçador, foi usado inicialmente em artroplastias de quadril infectadas(22). Posteriormente, o uso do colar de pérolas antibióticas ganhou grande popularidade e passou a ser usado como importante opção no tratamento da osteomielite crônica e como método profilático em fraturas expostas(23,24). No entanto, esse método apresenta a desvantagem da falta de suporte estrutural à fratura e o crescimento ósseo ao redor das esferas, que torna bastante difícil sua retirada após 2 a 3 semanas(16,25). O uso do cimento como espaçador diafisário ainda é uma técnica em desenvolvimento, pouco utilizada na prática ortopédica, com poucos relatos na literatura(26-28). A sua principal vantagem seria a associação entre o efeito de liberação de antibiótico localmente, como no uso do colar de pérolas, e o suporte estrutural conferido pela haste, usada na alma do espaçador. A comprovação de suas vantagens teóricas pode tornar o método uma importante alternativa às estratégias atualmente utilizadas, como a manutenção da HIMB, que em geral encontra dificuldades na resolução do processo infeccioso ou a fixação externa. Pailey e Herzenberg(26) realizaram com sucesso o tratamento de 9 casos de infecção pós-estabilização com haste através do uso de espaçadores diafsários. Em seu trabalho foram tratados seis fêmures, duas tíbias e um úmero, sendo que em oito casos a HIMB foi usada para alongamento ou fixação de osteotomia corretiva e em apenas um caso para fixação de fratura. Todos os casos evoluíram com consolidação da osteotomia ou fratura e em nenhum houve recidiva da infecção após um seguimento médio de 40,9 meses. Foram citadas as vantagens da fixação temporária da fratura e o baixo custo do método. Em nosso trabalho, o objetivo é a exposição da técnica empregada em nossa instituição e a análise de nossa casuística inicial juntamente com seus resultados preliminares. Todos os dados foram captados de uma maneira retrospectiva através da análise de prontuários e em nenhum momento métodos diferentes foram comparados para que a indicação absoluta de um ou outro tipo de tratamento fosse realizada. O desenvolvimento de trabalhos prospectivos randomizados ainda se faz necessário e a determinação das reais vantagens da técnica e suas principais indicações aguardam resultados de novos trabalhos para que sua utilização se torne mais abrangente e fundamentada.

 

CONCLUSÃO

Os espaçadores diafisários constituem uma técnica em desenvolvimento para o tratamento da infecção pós-estabilização intramedular das fraturas diafisárias dos membros inferiores. A liberação de antibiótico local associada à estabilização temporária das fraturas e o seu baixo custo representam as principais vantagens do método. Trabalhos futuros serão necessários para a determinação das principais indicações do tratamento e sua comparação com os métodos atualmente em uso na prática ortopédica.

 

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Endereço para correspondência:
Rua: Oscar Freire, 1735, ap 22 - Pinheiros
São Paulo - SP - Brasil - CEP 05409-010
E-mail: fbrandao86@yahoo.com.br

Trabalho recebido em 17/08/07
aprovado em 28/10/07

 

 

Trabalho desenvolvido no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

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