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Acta Ortopédica Brasileira

Print version ISSN 1413-7852

Acta ortop. bras. vol.18 no.3 São Paulo  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-78522010000300003 

ARTIGO ORIGINAL

 

Fraturas supracondilares tipo III do úmero em crianças - Tratamento com braço reto

 

 

Jamish GandhiI; Geoffrey HorneII

IHutt Hospital, Nova Zelândia
IIWellington Hospital, Nova Zelândia

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: As fraturas supracondilares de Gartland tipo III são as lesões comuns em crianças. Apresentamos um método de redução manipulativa, imobilização e fixação usando gesso-de-Paris, com o cotovelo em extensão total (braço reto).
MÉTODO: Estudo retrospectivo analisando todos os pacientes com fraturas supracondilares de Gartland tipo III no Wellington Public Hospital, durante o período de fevereiro de 1999 a março de 2007. Os sete pacientes foram tratados pela técnica do braço reto, e os desfechos clínicos foram revisados neste estudo.
RESULTADO: Todos os pais ficaram satisfeitos com os resultados. Usando os critérios de Flynn,6 seis pacientes atingiram excelentes resultados e um teve resultado bom quando se analisou o ângulo de alinhamento. Ao verificar a amplitude de movimento, quatro pacientes tiveram resultados bons, um moderado e dois, ruim.
CONCLUSÃO: O tratamento com braço reto das fraturas supracondilares de Gartland tipo III parece ser uma alternativa não-invasiva e segura da fixação com fio K.

Descritores: Fraturas do úmero. Criança. Cotovelo. Fixação interna de fraturas.


 

INTRODUÇÃO

A fratura supracondilar do úmero ocorre no osso metafisário, proximal à articulação do cotovelo, e não envolve a placa de crescimento.1 O tipo de extensão da fratura supracondilar do úmero é a mais comum, ocorrendo em 95% dos casos.2

Os métodos mais usados de tratamento são a redução fechada e a aplicação de gesso, tração (esquelética ou cutânea), redução fechada e fixação percutânea com fio Kirschner (fio K), e redução aberta com fixação interna.3 O tratamento da fratura com deslocamento é repleto de problemas, inclusive contratura isquêmica de Volkmann, deformidade em cúbito varo e dificuldade de se obter e manter a redução.3,4

As fraturas supracondilares do úmero são, em geral, classificadas de acordo com o sistema descrito por Gartland.5 As fraturas do tipo I não têm deslocamento. As fraturas de tipo II têm deslocamento parcial, mas se mantém um certo contato entre o fragmento proximal e o distal. As fraturas do tipo III têm deslocamento completo.

Este estudo apresenta um método de redução manipulativa, imobilização e fixação com gesso-de-Paris e com o cotovelo em extensão total para as fraturas supracondilares tipo III do úmero em crianças. Um estudo de Chen et al.2 apresentou um método similar de redução e imobilização, com resultados promissores.

 

MÉTODO

Realizou-se um estudo retrospectivo. A população consistiu em todos os pacientes que tiveram fraturas supracondilares de Gartland tipo III atendidos no Wellington Public Hospital durante o período de fevereiro de 1999 a março de 2007, pelo autor principal. Empregou-se o banco de dados do hospital para ter acesso aos possíveis pacientes. Os critérios de busca foram os seguintes: sem critérios de data, limitado aos casos em que o autor principal estava diretamente envolvido, limitado aos casos em que o paciente tinha 16 anos de idade ou menos na ocasião da cirurgia. A busca levou a uma lista de 98 pacientes. As informações desses pacientes foram obtidas nos registros médicos do hospital e foram lidas para se determinar se o paciente tinha uma fratura de Gartland tipo III. Havia sete pacientes com esse tipo de fratura.

A média de idade dos pacientes na ocasião da fratura era seis anos e dois meses. A faixa etária foi entre 4 anos e 3 meses e 8 anos e 5 meses. Todos os pacientes que apresentaram fratura de Gartland tipo III durante o período de estudo foram tratados com a técnica do braço reto.

Quando o diagnóstico de fratura de Gartland tipo III era feito com dados clínicos e radiológicos, o paciente era levado para a sala de cirurgia (SC). Um gesso bem moldado acima do cotovelo foi aplicado com o cotovelo em extensão total. O ângulo de alinhamento era compatível com o cotovelo oposto intacto. Fazia-se uma radiografia anterior-posterior (AP) no SC para garantir que o ângulo de Bauman tivesse menos de 80 graus. O paciente recebia alta assim que se sentisse confortável e voltava para nova consulta em uma semana. Nessa ocasião pedia-se uma radiografia AP para verificar o ângulo de Bauman. Não se realizou nenhuma radiografia lateral, porque essa exposição não contribuía para o tratamento.

A data da avaliação deste estudo variou de 7 meses até 5 anos depois da lesão.

A graduação dos resultados foi avaliada pelos critérios de Flynn et al.6 (Tabela 1) Ele é usado para comparar o movimento e o ângulo de alinhamento do cotovelo afetado e do cotovelo intacto. Pirone et al.3 mencionaram em seu estudo que esse é o método de graduação mais rigoroso da literatura, e que é recomendado para facilitar estudos comparativos. A função é classificada em intervalos de 5 graus de perda do arco total de flexão e extensão, e a aparência do cotovelo é classificada em intervalos de 5 graus de mudança do ângulo de alinhamento. Adota-se um grau baixo se houvesse angulação vara. O menor dos dois graus é adotado como o grau mais abrangente.

 

 

O estado neurovascular do membro lesado foi determinado incluindo-se os nervos radial, ulnar e mediano e a artéria radial. Os pais de cada criança foram perguntados se estavam satisfeitos com o resultado.

 

RESULTADOS

Usando o menor de dois graus como o mais abrangente (fator funcional), a Tabela 2 indica que 71% dos pacientes tiveram desfecho satisfatório e 29% tiveram desfecho insatisfatório. Os pacientes com desfechos ruins tinham perda de flexão e extensão de 22 e 23 graus, sendo a redução da extensão de 3 graus. A avaliação estética revelou que todos os pacientes tinham resultado excelente ou bom.

 

 

Todos os membros com lesão tinham função neurológica e estado vascular totalmente intactos. Todos os pacientes e pais estavam contentes com os resultados.

As Figuras 1 e 2 são imagens radiográficas do mesmo pacientes antes e depois da técnica do braço reto.

 

 

 

 

DISCUSSÃO

O método mais comum de tratamento das fraturas de Gartland tipo III é a redução fechada e fixação com fio K. Esse método requer duas operações, sendo a segunda para remover os fios K. Pirone et al.3 apresentaram 96 casos com 75 resultados excelentes, 15 bons, um moderado e cinco ruins.

Barlas and Baga7 trataram 48 pacientes com redução fechada ou aberta e fios K cruzados. Trinta pacientes obtiveram resultados excelentes, nove bons, quatro moderados, e nenhum ruim.

Chen et al.2 usaram o método do braço reto para tratar fraturas de Gartland tipo III e obtiveram resultados promissores, mas não empregaram os critérios de Flynn6 para avaliar os resultados. Quarenta e nove pacientes foram tratados com esse método, sendo que apenas um deles teve redução do ângulo de alinhamento (menos de 5 graus).

Apresentamos uma pequena série de pacientes tratados com o método do braço reto. Usando os critérios de Flynn,6 esse método parece produzir um resultado ligeiramente inferior em comparação com o que usa redução fechada e fixação com fio K. Contudo, considerando-se o erro intraobservador na medida da amplitude de movimento, e o peso dado à amplitude de movimento na avaliação de Flynn, os resultados provavelmente não têm diferença significante. As vantagens do método do braço reto são a ausência de dispositivos de fixação e da necessidade de outra cirurgia para removê-los. Pirone et al.3 constataram que se desenvolveram infecções superficiais no trato do fio em certos casos. O método de fixação com fio K resultou em taxa de 18% de complicação vascular e de 13% de complicações neurais.6

Nenhuma complicação foi registrada com o método de tratamento do braço reto.

 

REFERÊNCIAS

1. Skinner HB. editor. Current diagnosis and treatment orthopedics, 4th ed. New York: McGraw-Hill Medical; 2006.         [ Links ]

2. Chen RS, Liu CB, Lin XS, Feng XM, Zhu JM, Ye FQ. Supracondylar extension fracture of the humerus in children. Manipulative reduction, immobilisation and fixation using a U-shaped plaster slab with the elbow in full extension. J Bone Joint Surg Br. 2001;83:883-7.         [ Links ]

3. Pirone AM, Graham HK, Krajbich JI. Management of diplaced extension-type supracondylar fractures of the humerus in children. J Bone Joint Surg Am. 1998;70:641-50.         [ Links ]

4. Palmar EE, Niemann KMW, Vesely D, Armstrong JH. Supracondylar fracture of the humerus in children. J Bone Joint Surg Am. 1978;60:653-6.         [ Links ]

5. Gartland JJ. Management of supracondylar fractures of the humerus in children. Surg Gynecol Obstet. 1959;109:145-54.         [ Links ]

6. Flynn JC, Matthews JG, Benoit RL. Blind pinning of displaced supracondylar fractures of the humerus in children. Sixteen years' experience with long-term follow-up. J Bone Joint Surg Am. 1974;56:263-72.         [ Links ]

7. Barlas K, Baga T. Medial approach for fixation of displaced supracondylar fractures of the humerus in children. Acta Orthop Belg. 2005; 71:149-53.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
E-mail j.gandhi@xtra.co.nz

Trabalho recebido em 04/03/09, aprovado em 15/05/09

 

 

Todos os autores declaram não haver nenhum potencial conflito de interesses referente a este artigo.
Trabalho realizado no Wellington Hospital, Nova Zelândia

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