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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.10  suppl.0 Rio de Janeiro Sept./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232005000500009 

ARTIGO ARTICLE

 

Ocorrência de Cryptosporidium spp. e outros parasitas em hortaliças consumidas in natura, no Recife

 

Occurrence of Cryptosporidium spp. and others parasites in vegetables consumed in natura, Recife, Brazil

 

 

Celiane Gomes Maia da Silva; Samara Alvachian Cardoso Andrade; Tânia Lúcia Montenegro Stamford

Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, UFPE. Rua Jader de Andrade 335, Casa Forte, 52061-060, Recife PE. tlmstamford@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi verificar a ocorrência de enteroparasitas em hortaliças comercializadas e consumidas em Pernambuco. Foram utilizadas 100 amostras de hortaliças: 40 amostras de alface lisa (Lactuca sativa), 40 de agrião (Nasturtium officinale) e 20 de acelga (Beta vulgaris), provenientes de feiras livres e supermercados. A detecção de Cryptosporidium spp. foi realizada conforme Monge e Arias sendo utilizado dois métodos de coloração, Koster modificado e Ziehl-Nielsen. Foi usada a técnica de sedimentação espontânea de Gelli et al. para a análise parasitológica. As análises de coliformes totais e Escherichia coli foram realizadas de acordo com Andrews. Os resultados obtidos mostraram um percentual de contaminação parasitária em 60% de alface, 30% de agrião e 20% de acelga, destacando-se o Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercoralis e Ancylostoma duodenale dentre os helmintos, e o Cryptosporidium spp., Entamoeba coli e o complexo Entamoeba histolytica/Entamoeba díspar, dentre os protozoários com maior freqüência. As hortaliças mais contaminadas por coliformes totais e Escherichia coli foram alface nas amostras de supermercado e agrião em feira livre. Esses dados sugerem a necessidade da adoção de medidas educativas aos produtores, e do monitoramento das águas destinadas à irrigação das hortas.

Palavras-chave: Cryptosporidium spp., Escherichia coli, Enteroparasitas, Hortaliças, Água


ABSTRACT

The study was carried with the aim to evaluate the occurrence of enteroparasites in vegetables commercialized and consumed in natural form in the state of Pernambuco, Brazil. Horticultural samples purchased from supermarket and free market: 40 from lettuce (Lactuca sativa), 40 from watercress (Nasturtium officinale) and 20 from chard (Beta vulgaris) were analyzed. Cryptosporidium spp. detection was realized following Monge and Arias methodology, using two staining processes (Koster modified and Ziehl-Nielsen). Parasitological analysis was determined by the spontaneous sedimentation technique (Gelli et al.), and total coliformes and Escherichia coli following Andrews. The distribution of parasitic contamination was lettuce 60%, watercress 30% and chard 20%, with evidence of helminthes (Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercoralis, Ancylostoma duodenale) and protozoas (Complex Entamoeba histolytica/Entamoeba dispar, Cryptosporidium spp. and Entamoeba coli). Lettuce showed greater contamination of total coliformes and Escherichia coli in samples from supermarket and watercress in samples from free market. These data suggest the need of adoption of educative programs for horticulturalists and monitoration of the water used in horticulture was in evidence as future needs.

Key words: Cryptosporidium spp., Escherichia coli, Enteroparasites, Vegetables, Water


 

 

Introdução

Os vegetais são amplamente recomendados como parte da alimentação diária por seu apreciável conteúdo em vitaminas, sais minerais e fibras alimentares. Tem crescido o interesse, principalmente, por aqueles que apresentam em sua composição substâncias com atividade antioxidante, a exemplo dos carotenóides, vitamina C e flavonóides, que os caracterizam como alimentos funcionais.

As doenças transmitidas por alimentos são resultantes predominantemente do ciclo de contaminação fecal/oral e seu controle tem recebido cada vez maior atenção em todo o mundo. Geralmente, tanto nas áreas rurais quanto urbanas dos países de Terceiro Mundo devido às más condições sanitárias, as parasitoses intestinais são amplamente difundidas, sendo as hortaliças citadas como um dos veículos de suas estruturas infectantes (Slifko et al., 2000). A principal forma de contaminação dessas hortaliças se dá pela água contaminada por material fecal de origem humana, utilizada na irrigação das hortas. Vários autores mencionam a possibilidade de transmissão de parasitoses ao homem por meio da ingestão de frutas e verduras consumidas cruas, provenientes de áreas cultivadas contaminadas por dejetos fecais (Silva et al., 1995; Mesquita et al., 1999; Takayanagui et al., 2000; 2001).

O diagnóstico laboratorial de parasitas de ocorrência em humanos presentes em hortaliças é de grande importância para a saúde pública uma vez que fornece dados sobre as condições higiênicas envolvidas na produção, armazenamento, transporte e manuseio desses produtos e, portanto, sobre os riscos de contaminação dos seus consumidores.

Dentre tantos parasitos que infectam o homem, o Cryptosporidium spp. atualmente se apresenta como um patógeno oportunista freqüente principalmente em pacientes imunodeprimidos. Este parasito cosmopolita de caráter zoonótico é encontrado em todos os continentes, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento nas áreas urbanas e rurais (Lima, 2001; Silva et al., 2002; Lima & Stamford, 2003).

Diversos trabalhos têm sido realizados para pesquisar enteroparasitas em hortaliças, porém poucos têm enfatizado a contaminação destas com o Cryptosporidium spp. É de extrema relevância a pesquisa deste parasito em virtude de sua importância na saúde pública e, principalmente, pelo grande impacto da criptosporidiose em pacientes imunodeprimidos.

O presente estudo teve como objetivo verificar a ocorrência de Cryptosporidium spp. e outros enteroparasitas em hortaliças comercializadas na região metropolitana do Recife (PE), além de avaliar a contaminação por coliformes totais e Escherichia coli.

 

Métodos

Foram utilizadas cem unidades de hortaliças distribuídas em 40 amostras de alface lisa (Lactuca sativa), 40 de agrião (Nasturtium officinale) e 20 de acelga (Beta vulgaris) entre os meses de maio a julho. Do total de hortaliças coletadas, 50% foram provenientes de três diferentes feiras livres e 50% de três diferentes supermercados, ambos localizados na região metropolitana do Recife.

Durante a coleta, as hortaliças foram acondicionadas, individualmente, em sacos plásticos e levadas ao laboratório para serem analisadas.

Preparo das amostras

As folhas das hortaliças foram selecionadas, excluindo-se as danificadas, e pesadas antes de serem submetidas à lavagem com água destilada para retirada de sujidades. Posteriormente, foram processadas pela técnica de lavagem descrita por Monge e Arias (1996), onde 50 g de folhas foram lavadas com 450 ml de solução salina (NaCl 0.85%), esfregando-se com pincel chato nº 16 num recipiente plástico e deixadas em repouso por 5 minutos. A seguir as folhas foram desprezadas e a solução de lavagem submetida às análises microbiológicas e parasitológicas.

Análises microbiológicas

Foram utilizadas placas PetrifilmTM para contagem de coliformes totais e Escherichia coli de acordo com a metodologia de Andrews (1993).

Pesquisa de Cryptosporidium spp.

• Preparo das lâminas

Um volume de 50 ml da solução de lavagem foi submetido à centrifugação a 900 rpm por 30 minutos (Monge & Arias, 1996). Para confecção dos esfregaços foi utilizado um volume de 20 ml do sedimento coletado após centrifugação, em triplicata, num total de 60 ml por amostra. Todas as lâminas foram confeccionadas em duplicata para aplicação de dois métodos de coloração, resultando em 200 lâminas com 600 esfregaços. Através de sucção com pipeta automática os sedimentos foram medidos tendo em média 0,25 ml de sedimento final por amostra.

Processo de coloração

Para a coloração dos esfregaços foram utilizadas as técnicas de Koster modificada (Kageruka et al., 1984) e a técnica de Ziehl-Nielsen (Luna, 1968) modificada pelo uso da fucsina fenolada.

Leitura e contagem dos oocistos

A leitura e a contagem dos oocistos foram realizadas utilizando-se microscopia óptica com objetiva de imersão, percorrendo-se todo o esfregaço. Observou-se a característica dos oocistos referente à forma, cor e estruturas internas em ambos os métodos de coloração (Ongerth & Stibbs, 1987; Bennet et al., 1999).

Para o cálculo do número total de oocistos na amostra utilizou-se a metodologia descrita por Oliveira & Germano (1992a).

Pesquisa de enteroparasitas

O restante da solução de lavagem passou por um processo de sedimentação em cálices cônicos durante 24 horas. Para cada amostra foram utilizados três esfregaços com cerca de 1 ml do sedimento cada, posteriormente corado com lugol e analisado ao microscópio óptico, investigando-se a presença de formas contaminantes de enteroparasitas (Gelli et al., 1979).

Análise estatística

Os dados foram avaliados através da análise de variância (ANOVA), sendo aplicado o Teste de Tuckey e a correlação de Pearson (r) no nível de 5% de significância. As análises estatísticas foram realizadas através do programa Statistica Soft for Windows 6.0.

 

Resultados e discussão

Os percentuais de contaminação por enteroparasitas nas três variedades de hortaliças estudadas foram 60% para alface lisa, 30% para agrião e 20% para acelga. Vale ressaltar que o Cryptosporidium ssp. foi detectado apenas nas amostras de alface lisa, portanto o percentual de contaminação, excluindo-se este parasita, foi de 30% neste vegetal. Através desses resultados observamos que apesar das limitações dos métodos empregados, o nível de contaminação encontrado foi bastante elevado.

Takayanagui et al. (2001), analisando 139 amostras de alface, detectaram 33% de contaminação parasitária, resultado considerado semelhante ao nosso, quando comparado às amostras sem os valores de Cryptosporidium spp. Guilherme et al. (1999) na cidade de Maringá (PR) constataram 21,4% de contaminação parasitária para alface lisa e 100% para agrião, enquanto que Oliveira & Germano (1992a, 1992b) evidenciaram em São Paulo vários tipos de helmintos em 32% das amostras de alface lisa e em 66% de agrião, e na pesquisa de protozoários detectaram 18% e 60%, respectivamente. Estes resultados contrastam com os baixos níveis de contaminação por estruturas parasitárias relatados nas cidades de Niterói e Rio de Janeiro (RJ), onde apenas 3,9% de alface e 2,3% de agrião apresentaram contaminação por enteroparasitas. Os autores sugerem que esses resultados, possivelmente, indicam uma melhoria na qualidade higiênica no plantio, irrigação, armazenagem e distribuição de hortaliças (Mesquita et al., 1999).

É possível que a estrutura física natural das hortaliças estudadas contribua para a ocorrência de diferenças nos percentuais de contaminação observados entre as três variedades. Isto se aplica, sobretudo, aos resultados obtidos em relação à alface e ao agrião, que se mostram maiores que os obtidos para acelga. O agrião, por possuir folhas múltiplas e separadas, permite maior fixação dos cistos. A alface possui folhas largas, justapostas e flexíveis podendo ocorrer contato com o solo durante o cultivo levando a um maior índice de contaminação, dependendo das condições de cultivo. A acelga assemelha-se à alface por possuir folhas largas e justapostas, porém rígidas, promovendo ao vegetal uma forma fechada e firme que dificulta seu contato com o solo, diminuindo sua carga de contaminação.

No nosso experimento, a acelga apresentou um nível de contaminação de 20%, sendo a hortaliça que mostrou menor percentual entre as amostras estudadas. Não foram encontrados na literatura estudos abordando a contaminação da acelga por enteroparasitas, não permitindo comparações.

A análise das freqüências de cada tipo de enteroparasita (Tabela 1) mostrou predominância de protozoários no total de amostras analisadas (complexo Entamoeba histolytica/Entamoeba díspar (14,0%), Cryptosporidium spp. (12,0%) e Entamoeba coli (10,0%) em comparação com os helmintos (Ascaris lumbricoides (5,0%), Strongyloides stercoralis (3,0%) e Ancylostoma duodenale (3,0%)). Entre os enteroparasitas encontrados com menor freqüência incluíram-se Giárdia lambia (1,0%), Trichuris trichuras (1,0%) e Hymenolepis nana (1,0%). A menor freqüência de enteroparasitas foi detectada nas amostras de acelga.

 

 

Devido à dificuldade de fazer a distinção por microscopia entre Entamoeba histolytica e Entamoeba díspar, estas foram classificadas como Complexo Entamoeba histolytica/Entamoeba díspar, ressaltando que Entamoeba histolytica provoca doença intestinal conhecida como amebíase e a Entamoeba díspar não causa doença (Gomes et al., 1999; Freitas et al., 2004).

De acordo com diversos autores, as condições sanitárias do ambiente em que as hortaliças são cultivadas, as práticas de cultivo utilizadas e a sua estrutura física possivelmente justificam as diferenças entre os percentuais de contaminação nas variedades de hortaliças (Mesquita et al., 1999; Coelho et al., 2001; Takayanagui et al., 2001). Deste modo, os menores percentuais de contaminação observados nas amostras de acelga podem ser atribuídos, entre outros fatores, às suas melhores condições de cultivo. Diversos estudos comprovam que os ovos de helmintos podem sobreviver por períodos de tempo mais prolongados no meio aquático (Slifko et al., 2000). Este fato poderia justificar a freqüência encontrada no agrião, cujo cultivo exige terrenos permanentemente úmidos.

Com relação aos enteroparasitas, todos são de importância para a saúde pública. A maioria indica contaminação fecal de origem humana e/ou animal, tal como ocorre com Ascaris lumbricoides, Trichuris trichuras, Hymenolepis nana, Strongyloides stercoralis e Ancylostoma duodenale, uma vez que acometem o homem e outros animais (Cimerman et al., 1999; Slifko et al., 2000). Há, portanto, similaridade entre estes resultados e os observados por outros autores no país quando relacionados à contaminação por enteroparasitas em vegetais (Oliveira & Germano, 1992a; 1992b; Guilherme et al., 1999; Takayanagui et al., 2000), embora tenha ocorrido variação na freqüência das espécies de parasitas quando comparada aos trabalhos citados anteriormente.

Alguns autores consideram, no entanto, que a ordem de freqüência dos enteroparasitas nas hortaliças não é necessariamente a mesma encontrada na população humana do local estudado, devido, sobretudo, às diferenças na carga parasitária e na eliminação diária dos ovos pelos hospedeiros, variáveis para cada tipo de parasita (Rey, 1991; Slifko et al., 2000).

É provável que a contaminação das hortaliças por oocistos de Cryptosporidium spp. e outros parasitas seja proveniente, principalmente, das condições sanitárias do ambiente em que são cultivadas, das práticas de cultivo, da qualidade da água utilizada tanto na irrigação quanto na higienização antes de serem comercializadas em supermercados. Segundo Korich et al. (1990) o Cryptosporidium spp. é resistente ao tratamento convencional de águas de abastecimento utilizando-se cloro.

As médias das contagens de coliformes totais e de Escherichia coli obtida nas amostras analisadas encontram-se na tabela 2. Com relação à contagem de coliformes totais nas amostras provenientes de supermercados, houve diferença significativa entre alface e agrião. Nas amostras provenientes de feiras livres houve diferença significativa entre alface e acelga e entre agrião e acelga. O mesmo não foi constatado na contagem de Escherichia coli em nenhuma das amostras provenientes de supermercados, porém nas amostras oriundas de feira livre, observamos uma diferença significativa (p<0,05) entre as amostras de agrião e acelga. Os dados obtidos revelaram que as amostras de alface adquiridas de supermercados foram as mais contaminadas tanto para coliformes totais como E. coli quando comparadas às outras hortaliças e nas amostras de feiras livres a mais contaminada foi a do agrião.

 

 

Entre as localidades só houve diferença significativa nas amostras de agrião, tanto para a população de coliformes totais como para a de E. coli (Tabela 2). Estes dados mostram que a higienização aplicada às hortaliças antes de estarem expostas à venda nos supermercados não é eficaz na diminuição de bactérias contaminantes em vegetais como alface e acelga. Porém, este procedimento demonstrou eficiência nas amostras de agrião onde aquelas provenientes de supermercados apresentaram resultados mais baixos tanto para coliformes totais como para E. coli.

Um percentual de contaminação de 100% para coliformes totais foi verificado nas amostras analisadas e foi confirmada a presença de Escherichia coli em 50% das amostras de alface, 37,5% de agrião e 5% de acelga. Estes resultados demonstram um grau de contaminação semelhante aos verificados para os enteroparasitas citados anteriormente. Monge et al. (1996) detectaram 50% de amostras de alface contaminadas com coliformes totais onde em 42% foi confirmada a presença de Escherichia coli. Takayanagui et al. (2000), numa fiscalização de hortas produtoras de verduras no município de Ribeirão Preto (SP), detectaram a presença de elevada população de coliformes fecais em 22 das 129 hortas fiscalizadas.

Foi verificado que houve fraca correlação entre a quantidade de oocistos de Cryptosporidium spp. e Escherichia coli nas amostras de alface adquiridas em supermercado e feira livre. Foram utilizados os valores para o Cryptosporidium spp. obtidos com a utilização do método de coloração de Koster modificado, pois este apresentou melhor eficácia na detecção deste protozoário.

Marzochi (1977) relata que a contaminação dos produtos vegetais por enteroparasitas depende da concentração de matéria orgânica de origem fecal nas águas de irrigação provenientes da drenagem de esgotos domésticos. Monge et al. (1996), analisando hortaliças consumidas cruas em Costa Rica, verificaram correlação positiva entre a ocorrência de parasitas intestinais e coliformes fecais.

Na avaliação da qualidade microbiológica de água e alimentos incluindo as hortaliças, as bactérias do grupo coliformes são utilizadas como microrganismos indicadores, portanto a presença de coliformes fecais sugere a presença de patógenos intestinais, porém Harich et al. (1999) citam que os coliformes não são bons indicadores para protozoários patogênicos, sendo de fundamental importância sua pesquisa em alimentos.

Considerando-se os resultados obtidos neste estudo, bem como o risco à saúde que as hortaliças podem apresentar quando contaminadas por parasitas intestinais, ressalta-se a necessidade da adoção de medidas que propiciem uma melhoria do quadro apresentado, através de ações educativas destinadas aos produtores e do monitoramento laboratorial das águas destinadas à irrigação das hortas.

A desinfecção das hortaliças, previamente ao consumo, pode apresentar relevância considerável no sentido de minimizar os riscos de transmissão de enteroparasitoses através desses alimentos, uma vez que a lavagem simples não reduz a contaminação por cistos. Um método simples e eficaz consiste na imersão das folhas em água aquecida a 60ºC, por dez minutos (Oliveira & Germano, 1992b). Este procedimento, pela maior facilidade de execução no nível doméstico, deve ser especialmente considerado na formulação de programas educativos direcionados à população consumidora desses alimentos.

 

Conclusões

A ocorrência de oocistos de Cryptosporidium spp. nas amostras de alface lisa vem alertar sobre o risco de infecção pela população humana, podendo provocar graves danos à saúde. Os demais enteroparasitas, coliformes totais e E. coli foram encontrados em todas as variedades de hortaliças estudadas, comprovando assim a necessidade de ações voltadas para a melhoria da qualidade na produção das hortaliças como da água utilizada na irrigação.

 

Colaboradores

Tese de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Nutrição, área Ciência dos Alimentos, desenvolvida por CGM Silva, sendo a estatística do trabalho realizada pela professora SAC Andrade, sob a orientação da professora TLM Stamford.

 

Agradecimentos

Ao Laboratório de Experimentação e Análise de Alimentos (LEAAL), do Departamento de Nutrição/UFPE, pelo consentimento da utilização dos equipamentos, e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) pela bolsa de mestrado concedida à primeira autora.

 

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Artigo apresentado em 19/08/2004
Aprovado em 24/05/2005
Versão final apresentada em 22/06/2005

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