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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.16 no.7 Rio de Janeiro July 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000800014 

ARTIGOS ARTICLES

 

Intervenção interdisciplinar enquanto estratégia para o Uso Racional de Medicamentos em idosos

 

An interdisciplinary intervention as a strategy for Rational Use of Drugs by the elderly

 

 

Eloá Fátima Ferreira MedeirosI; Clayton Franco MoraesI; Mauro KarnikowskiII; Otávio Toledo NóbregaIII; Margô Gomes de Oliveira KarnikowskiIII

IPrograma de Pós-Graduação stricto sensu em Gerontologia, Universidade Católica de Brasília. QS, 07. 71966-700 Brasília DF. eloa_medeiro@yahoo.com.br
IISecretaria de Saúde do Distrito Federal
IIIPrograma de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Universidade de Brasília

 

 


ABSTRACT

This research assessed the effectiveness of interdisciplinary interventions involving physicians, pharmacists and nutritionists, aimed at the promotion of the Rational Use of Drugs. It is a study of a prospective and analytical nature conducted with a population of elderly females, where the effectiveness of the intervention was assessed according to indicators of the Rational Use of Drugs established by the World Health Organization. Statistical analysis was performed using the t test or the one-way ANOVA for discrete variables, as well as the chi-square test for categorical analyses. After the intervention, an average reduction in drug consumption was observed in comparison with the research performed prior to the intervention (p=0.001). The drugs used in cardiovascular therapy were those consumed most, which tallies with the diseases mentioned by the elderly. It was seen that interdisciplinary intervention among the elderly can contribute to improve rational drug use indicators, especially prescription drugs.

Key words: Elderly, Drugs, Indicators, Interdisciplinary healthcare team


RESUMO

A presente pesquisa avaliou a efetividade de intervenções interdisciplinares, envolvendo médicos, farmacêuticos e nutricionistas, destinadas à promoção do Uso Racional dos Medicamentos. Trata-se de um estudo de caráter prospectivo e analítico, com uma população de mulheres idosas, onde a efetividade da intervenção foi avaliada de acordo com indicadores de Uso Racional dos Medicamentos preconizados pela Organização Mundial de Saúde. As análises estatísticas foram realizadas utilizando-se do teste t ou one-way ANOVA para variáveis discretas, e o teste de qui-quadrado para avaliação categórica das variáveis. Após a intervenção, houve uma redução média no consumo de medicamentos em relação às consultas da pré-intervenção (p=0,001). Os medicamentos utilizados na terapêutica cardiovascular foram os mais consumidos, o que se encontra em consonância com as doenças autoreferidas pelas idosas. Foi possível verificar que a intervenção interdisciplinar em idosas pôde contribuir para melhoria dos indicadores de Uso Racional dos Medicamentos, em especial os de prescrição.

Palavras-chave: Idoso, Medicamento, Indicadores, Equipe interdisciplinar de daúde


 

 

Introdução

Os estudos demográficos evidenciam um crescente aumento da população idosa no Brasil e no mundo. É estimado que a população idosa cresça mundialmente mais de 80% nos próximos 25 anos1. Atualmente, no Brasil, os idosos representam mais de 18 milhões de pessoas, correspondendo a 10,5% da população, sendo que os idosos com mais de 80 anos alcançaram 1,4% do contingente brasileiro2. Desta forma em menos de 40 anos, o Brasil passou de um perfil de mortalidade típico de uma população jovem para um quadro caracterizado por enfermidades crônicas e múltiplas, próprias das faixas etárias mais avançadas3. Em geral, estas doenças exigem acompanhamento de uma equipe de saúde multidisciplinar, com intervenções contínuas além da necessidade de introdução de terapia farmacológica, gerando custos diretos e indiretos mais elevados e maior atenção de sua família e da sociedade.

O padrão de consumo elevado de medicamentos entre os idosos que vivem na comunidade tem sido descrito tanto no Brasil e no mundo4-7. Em média, 2 a 5 medicamentos são prescritos regularmente a idosos8 e a prevalência de uso é maior entre as mulheres independentemente da faixa de idade4.

É consenso que o desenvolvimento de medicamentos representa um grande avanço na história da ciência e que contribui com relevante significância para a melhoria da qualidade de vida da população9. No entanto, a possibilidade de um dano induzido em decorrência da utilização de fármacos, mesmo quando utilizados nas doses preconizadas e com indicação terapêutica adequada se constitui em fato real10.

A população idosa possui risco elevado de problemas relacionados a medicamentos devido às alterações fisiológicas naturais relacionadas ao envelhecimento associado à maior incidência de múltiplas doenças crônicas e ao grande número de medicamentos consumidos11-13.

A vulnerabilidade dos usuários de medicamentos, em especial os idosos, torna-se pronunciada quando se pratica o uso indiscriminado de medicamentos. A utilização dos medicamentos envolvendo mau uso e abuso de consumo, e a não adesão a tratamentos importantes tem provocado impacto sobre as medidas públicas para prevenção de agravos e promoção da saúde, assim como sobre o ciclo econômico envolvido na prestação dos serviços de saúde14. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais da metade de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos inadequadamente, e que, aproximadamente 50% de todos os pacientes não os utilizam corretamente15.

Ao longo do século XX, o medicamento deixou de ser somente um instrumento de intervenção terapêutica para converter-se em um elemento complexo - técnico e/ou simbólico - na sociedade ocidental16. Atualmente a prescrição farmacoterapêutica tornou-se quase que obrigatória nas consultas médicas, sendo o médico avaliado pelo paciente por esta prática. Assim, a prescrição do medicamento tornou-se sinônimo de boa conduta médica, justificando sua enorme demanda17.

Portanto, a medicalização da vida reforça a necessidade por uma abordagem multidimensional do atendimento, pautada no modelo interdisciplinar aplicado ao envelhecimento e cujo foco está no sujeito da intervenção. Frigotto18 define a interdisciplinaridade como uma necessidade relacionada à realidade concreta, histórica e cultural, constituindo-se assim em questão ético-política, econômica, cultural e epistemológica. No campo da saúde, a interdisciplinaridade acena como a possibilidade da compreensão integral do ser humano no contexto das relações sociais e do processo saúde-doença, rompendo com a fragmentação entre saberes e práticas19. Esta pesquisa se propôs avaliar a efetividade da intervenção interdisciplinar, direcionada ao idoso, objetivando a promoção do Uso Racional dos Medicamentos.

 

Materiais e métodos

Este estudo de caráter prospectivo e longitudinal foi realizado em uma população de mulheres de 60 anos ou mais, residente no Distrito Federal, Brasil, e inscritas no Projeto Promoção da Saúde do Idoso da Universidade Católica de Brasília (UCB). Através de meios de divulgação e palestras-convites foram cadastradas 130 mulheres idosas, as quais foram conduzidas à consulta médica, nutricional e farmacêutica contituindo a amostra total de todas as etapas do estudo.

O estudo foi dividido em duas fases: pré-intervenção e pós-intervenção. A pré-intervenção constituiu-se de duas consultas, sendo a primeira no ano de 2005 e a segunda em 2006/2007. O esquema de procedimentos adotado encontra-se representado na Figura 1. Os objetivos da pré-intervenção foram definir aspectos sócio-econômicos das pacientes, investigar doenças auto-referidas, bem como tomar conhecimento do perfil dos medicamentos utilizados pela população em estudo. A pós-intervenção ocorreu em 2006/2007, sendo os objetivos desta fase a realização das intervenções interdisciplinares e a avaliação da sua efetividade. O tempo entre a segunda consulta da pré-intervenção e a pós-intervenção não ultrapassou um mês.

Durante todas as consultas do estudo foi realizado um levantamento dos medicamentos utilizados e seu perfil de consumo.

Aspectos sócio-econômicos

Os aspectos sócio-econômicos investigados foram: faixa etária, renda familiar e o grau de escolaridade. A renda familiar foi estimada de acordo com salário mínimo (R$300,00) à época do estudo.

Levantamento e perfil de consumo de medicamentos

Foram levantados todos os medicamentos referidos pelas pacientes, porém somente foram incluídos na análise os produtos farmacêuticos industrializados, homeopáticos e fitoterápicos de uso crônico que possuíam composição de princípios ativos claramente determinados. A Denominação Comum Brasileira20 foi utilizada para a identificação dos princípios ativos a partir dos nomes comerciais disponíveis. Os medicamentos foram classificados de acordo com o número de princípios ativos assim denominados: monodroga, bidroga e polidroga (quando possuíam acima de três princípios ativos). Os princípios ativos encontrados em cada medicamento foram agrupados em conformidade com o Sistema de Classificação Anatômico-Terapêutico-Químico (ATC)21.

O consumo concomitante de dois ou mais princípios ativos quaisquer a um mesmo indivíduo, por um período ininterrupto de três meses ou mais foi considerado como polifarmácia22, sendo que polifarmácia maior foi definida como o consumo de 5 ou mais medicamentos23. Foi considerada automedicação o uso de medicamentos sem indicação de um profissional de saúde.

Intervenção interdiciplinar

As intervenções interdisciplinares foram determinadas caso a caso após discussão clínica, com a participação dos profissionais que compunham a equipe interdisciplinar. A equipe interdisciplinar que atuou em todas as etapas da pesquisa foi composta por quatro médicos das especialidades de clínica médica, ginecologia, geriatria e urologia, seis farmacêuticos das áreas de atuação de imunologia, farmacologia, atenção farmacêutica, farmácia comunitária, análises clínicas e farmácia hospitalar e quatro nutricionistas com formação em nutrição clínica. Dentre as intervenções realizadas priorizou-se a terapêutica não farmacológica e quando havia necessidade de terapia medicamentosa esta era embasada nas diretrizes terapêuticas nacionais e internacionais, de acordo com a prevalência das doenças auto-referidas e primando pelo Uso Racional de Medicamentos. Foram respeitadas as particularidades fisiopatológicas do idoso, e também na disponibilidade do medicamento na lista nacional de medicamentos essenciais (RENAME), bem como a autonomia de prescrição do médico. A paciente recebeu alta ambulatorial quando cessou a queixa principal. Foram considerados o tempo de consulta médica e o retorno para avaliar o cuidado ao paciente durante intervenção.

Efetividade da intervenção

Para avaliar a efetividade da intervenção interdisciplinar foram utilizados os indicadores de URM preconizados pela Organização Mundial de Saúde24 e registrados nos períodos pré e pós-intervenção. Os indicadores de URM selecionados nesta pesquisa foram: prescrição, número de medicamentos por consulta, medicamentos prescritos por nome genérico25, medicamentos prescritos contidos nas listas de medicamentos essenciais da OMS (15º WHO Model Formulary)26 e brasileira (RENAME 2006)27. Foi incluído como indicador de URM a prescrição dos medicamentos impróprios a idosos, conforme descritos pelos critérios canadenses28,29.

Os indicadores de URM foram expressos utilizando-se a média ou porcentagem. Quando expressos em média, foram seguidos de desvio padrão tanto na pré quanto na pós-intervenção. Para determinar a relação entre o consumo total de medicamentos de uso crônico e os indicadores de prescrição foi utilizada a razão média. Para determinar a relação entre o consumo total de medicamentos de uso crônico e o consumo de medicamentos impróprios foi utilizada a diferença média.

Análise estatística

As análises estatísticas foram realizadas empregando-se o pacote de programas SPSS versão 10.0 for Windows, utilizando-se as seguintes técnicas: teste t para amostras independentes, One-way ANOVA ou o teste não paramétrico de qui-quadrado.

Esta pesquisa foi realizada após aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UCB constante do ofício CEP /UCB 082/2004, de 25 de outubro de 2004.

 

Resultados

As mulheres idosas participantes deste estudo (n=130) possuíam idade média de 68,2 ± 5,8 anos com renda média de 2,1 salários mínimos, sendo que 60,8% (n=79) da população estudada nunca freqüentou escola ou não concluiu ciclo fundamental de ensino.

Na primeira consulta foi verificado que 114 das 130 idosas atendidas (87,7%) consumiam 414 medicamentos de uso contínuo (4,4 ± 2,9 medicamentos/idosa, amplitude 1 a 16), correspondendo a 492 princípios ativos sendo 115 sem repetição. A diferença entre o número de medicamentos e os princípios ativos consumidos ocorreu, pois 15% dos primeiros se constituem em associações de dose fixa de 2 ou mais princípios ativos: 41 bidrogas e 18 polidrogas. Na segunda consulta, 113 idosas (86,9%) utilizavam 418 medicamentos de uso contínuo (4,1 ± 2,6 medicamentos/idosa, amplitude 1 a 17) num total de 469 princípios ativos, sendo 137 sem repetição. Foram constatadas 10% de associações, das quais 22 eram bidrogas e 10 polidroga. Após a intervenção interdisciplinar realizada, 116 idosas (89,2%) passaram a consumir 348 medicamentos de uso contínuo (3,1 ± 2,0 medicamentos/idosa, amplitude 1 a 14), num total de 370 de princípios ativos, e destes 90 sem repetição, sendo 16 bidrogas e 5 polidrogas.

Não houve diferença significativa em relação à média de medicamentos de uso contínuo consumidos nos dois momentos investigados anteriormente à intervenção. No entanto, após a intervenção houve uma redução média no consumo de medicamentos em relação às duas consultas da pré-intervenção (p=0,001).

Na primeira e na segunda consulta da pré-intervenção, 101 e 98 idosas respectivamente, foram consideradas polimedicadas, e destas, 45,6% (npré2005=45) e 43,9% (npré2006/2007=43) eram polimedicadas maior. Após a intervenção, o número de idosas polimedicadas foi de 95, sendo 24,7% (npós2006/2007=23) polimedicadas maior. A polimedicação maior difere significativamente entre os momentos pré e pós-intervenção (÷2=11,74, p=0,025), observando-se uma redução após a intervenção.

A classe de medicamentos mais consumida durante as fases pré e pós-intervenção foi aquela relacionada ao sistema cardiovascular (Tabela 1), que se encontra em consonância com as doenças autoreferidas pelas idosas (Tabela 2). Cabe ressaltar que a hipertensão arterial, a dislipidemia e a insuficiência cardíaca, que são distúrbios de impacto sobre o sistema cardiovascular, totalizaram a maior parte das doenças autoreferidas (npré2005=114; npré2006/2007=131).

 

 

Os princípios ativos mais utilizados foram a hidroclorotiazida (npré2005=42; npré2006/2007=49; npós2006/2007=49), captopril (npré2005=21; npré2006/2007=26; npós2006/2007=23), enalapril (npré2005=21; npré2006/2007=18; npós2006/2007=28), ácido acetil salicílico (npré2005=17; npré2006/2007=28; npós 2006/2007=23) e indapamida (npré2005=15; npré2006/2007=17; npós 2006/2007=16), todos utilizados nos distúrbios cardiovasculares. O alendronato (npré2005=11; npré2006/2007 =12; npós 2006/2007=12) e o cálcio (npré2005=13; npré2006/2007=15; npós 2006/2007=18), apesar de classificados pela ATC em grupos distintos, são princípios ativos utilizados em distúrbios ósseos, como a osteoporose, e relacionados entre os mais consumidos. Os grupos e subgrupos farmacológicos consumidos encontram-se descritos a seguir (Tabela 1).

Quanto aos indicadores de prescrição observou-se que a relação entre medicamentos prescritos pelo nome genérico, os contidos nas listas nacional e internacional de medicamentos essenciais e o total de medicamentos prescritos no período pré e pós-intervenção apresentaram diferenças significativas (Tabela 3).

A diferença média entre o total de medicamentos prescritos e os medicamentos imprórios utilizados pela população idosa foi de 3,4 (±2,8) na primeira consulta e 3,3 (±2,5) na segunda consulta, no momento pré-intervenção. Após a intervenção esta diferença média foi de 2,7 (±2,0), ressaltando-se que houve diferença significativa (p<0,05) entre ambos os momentos pré e pós. Existiu uma correlação entre a polimedicação e a utilização de medicamento impróprio (Χ2 = 8,11 e p=0,05).

Na primeira consulta, anterior à intervenção, uma entre quatro pacientes consumia algum medicamento considerado impróprio à população idosa. Neste momento foram 47 especialidades farmacêuticas em um conjunto de 20 princípios ativos impróprios, sendo que a fluoxetina, amiodarona, amitriptilina, metildopa, digoxina e diazepam, todos princípios ativos impróprios conforme os critérios de Beers (2003) encontravam-se na RENAME. Na segunda consulta 23,1% (n=30) idosas consumiam 35 produtos farmacêuticos impróprios, sendo 16 princípios ativos e permanecendo os mesmos 6 contidos na RENAME. Após a intervenção 13,8% (n=18) utilizavam 19 especialidades impróprias sendo que dos 9 princípios ativos utilizados, foram mantidos a amitriptilina, amiodarona, digoxina, fluoxetina e metildopa contidas na RENAME.

Em relação ao tempo médio de consulta médica, foram obtidos 32,8 minutos para o primeiro atendimento e 14,7 minutos para os atendimentos de retorno no período de intervenção.

A automedicação foi adotada por 20,2% (n=23) pacientes contemplando 30 especialidades farmacêuticas, sendo um evento total de 44 princípios ativos, dados estes observados durante a primeira consulta. Dentre os medicamentos consumidos por automedicação figuravam aqueles que deveriam ser dispensados apenas sob prescrição médica, correspondendo a 46,7% (n=14) das especialidades farmacêuticas. Na segunda consulta pré-intervenção, 10,6% (n=12) das idosas fizeram automedicação com 17 especialidades farmacêuticas, compondo um evento total de 21 princípios ativos, sendo que destes, 35,3% (n=6) especialidades farmacêuticas só deveriam ser dispensadas mediante prescrição médica.

Dentre aqueles que possuem restrição de venda sem prescrição médica, o diclofenaco foi o princípio ativo mais utilizado por automedicação nas duas consultas pré-intervenção investigadas, correspondendo a 9,1% (n=4) e 11,8% (n=2) respectivamente. Os medicamentos fitoterápicos e homeopáticos apresentaram frequência de consumo por automedicação de 26,6% (n=8) na primeira consulta e 52,9% (n=9) na segunda consulta pré-intervenção investigadas.

 

Discussão

O perfil socio-econômico da população em estudo, mulheres idosas com baixa escolaridade e renda apresentando doenças crônicas não transmissíveis, reflete as condições sócio-demográficas e epidemiológicas dos países em desenvolvimento11, 30.

Os resultados revelam, em consonância com os demais estudos31,32, que apesar da tentativa mundial de promoção racional para o uso de medicamentos, ainda se faz necessário implementar estratégias para melhorar aspectos relacionados à prescrição e à assistência ao paciente. Idosos, em especial do sexo feminino, estão mais propensos à farmacoterapêutica uma vez que a prescrição de medicamentos é a forma de intervenção mais frequente33. Na presente pesquisa, a prevalência do uso de medicamentos pelas idosas, nos dois momentos (pré e pós-intervenção), foi maior que em alguns estudos nacionais, como os realizados em Bambuí34, no município de Santa Rosa-RS35, em Belo Horizonte36 e na região urbana de Fortaleza37, e bem próxima ao encontrado em outros estudos brasileiros6,38. Mesmo mantendo uma alta taxa de consumo após a intervenção interdisciplinar, em torno dos 85%, foi priorizado neste estudo que cada idosa recebesse a melhor indicação terapêutica, sendo ela farmacológica ou não, de acordo com as suas características individuais, tais como as fisiopatológicas, as sócio-econômicas ou as psicológicas. A média de medicamentos por prescrição foi superior aos dados encontrados em estudos4,39,40 sobre o consumo de medicamentos quando a população investigada não envolvia somente idosos, salientando-se que esta geração consome mais medicamentos. Com relação a trabalhos sobre esta população específica, a média de consumo de medicamentos no momento pré-intervenção foi semelhante ao trabalho de Nóbrega et al.41 e menor no momento pós-intervenção5,42 . Torna-se relevante ressaltar que a média de medicamentos por prescrição diminuiu significativamente após a intervenção, o que demonstra uma redução na quantidade individual de consumo. Porém, estes resultados reforçam que idosos consomem muitos medicamentos, configurando que a população de mulheres idosas investigadas permanece polimedicada, uma vez que a Organização Mundial de Saúde preconiza de 1,3 a 2,2 medicamentos por prescrição43. A prevalência de polifarmácia, tanto na pré-intervenção como na pós-intervenção, foi superior aos encontrados em estudo nacional44 e internacionais30,45. Porém, a polimedicação maior, após a intervenção foi inferior ao encontrado em países desenvolvidos45 e semelhante ao encontrado no Brasil44. Embora a redução na quantidade de idosas polimedicadas não tenha ocorrido de forma significativa, a intervenção demonstrou ser efetiva quando diminuiu o índice de polimedicação maior. A redução de eventos de medicação diminui os custos com produtos e serviços de saúde e o risco de reações adversas46.

Os princípios ativos mais utilizados pelas idosas do estudo estão em concordância com as patologias mais prevalentes nesta parcela da população, com os distúrbios cardiovasculares sendo os mais encontrados. Outras doenças presentes foram a osteoporose, a diabetes melito e a depressão, em concordância também com outros estudos47-49. Em estudo semelhante realizado com a população brasileira no Distrito Federal, encontrou-se 54,2% de síndrome metabólica50. O quadro clínico geral do grupo investigado demonstra a importância de se ter uma abordagem interdisciplinar na reflexão sobre a conduta clínica.

Em relação às listas padronizadas de medicamentos (WHO formulary e RENAME), os resultados encontrados, mesmo após a intervenção, apontam uma aceitação abaixo do relatado em outros estudos51,52. A padronização de formulários e listas visa elencar os medicamentos essenciais, o que pressupõem que estes produtos vão atender a maioria das necessidades da população, já que se baseiam no perfil epidemiológico de doenças. No entanto, a população idosa, maior consumidora de medicamentos, nem sempre é contemplada de forma satisfatória em tais listas. Os medicamentos propostos como primeira escolha pelas diretrizes de doenças crônicas e seguros para idosos nem sempre estavam presentes na lista nacional de medicamentos essenciais e, portanto, não eram dispensados pelo sistema público de saúde, dificultando a sua acessibilidade. É digno de nota que, durante o processo de intervenção, tivemos que alterar a prescrição dos medicamentos devido à falta dos mesmos nos postos de dispensação (dados não mostrados), conforme comumente relatado na literatura53,54. Desta forma, este cenário constitui-se em uma dificuldade para a terapêutica associada a todos os preceitos do Uso Racional dos Medicamentos.

Observou-se um aumento nas prescrições de genéricos ao comparar-se os dois momentos pré-intervenção com o pós-intervenção, demonstrando que de maneira geral, os prescritores estão modificando os seus hábitos de prescrição. Cabe ressaltar que houve uma tendência de aumento de prescrição de genéricos da primeira para a segunda consulta na pré-intervenção, comportamento que pode ser justificado pelo fato da prescrição médica e odontológica ser obrigatoriamente realizada pela denominação comum brasileira, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com relação ao consumo de medicamentos impróprios para idosos os valores encontrados foram menores, porém não menos graves, que estudos realizados com a população idosa em ambientes hospitalares e Instituições de Longa Permanência55,56. A relação entre as idosas polimedicadas e aquelas que consumiam pelo menos um medicamento impróprio foi significativa assim como em outras pesquisas57. A tendência à redução de medicamentos contidos no critério de Beers28,29, durante os momentos pré-intervenção, pode ter ocorrido em razão de uma conscientização dos prescritores do SUS com a segurança farmacoterapêutica em idosos. Nóbrega & Karnikowski11 sinalizaram alguns medicamentos disponibilizados no mercado brasileiro que se encontravam entre os considerados impróprios aos idosos. Porém, a presença de alguns destes medicamentos permaneceu, mesmo após a revisão da RENAME realizada em 2006, diminuindo as opções terapêuticas. Cabe ressaltar que em alguns casos existe a necessidade de utilização destes medicamentos impróprios por constituírem-se na única opção terapêutica, como ocorre com o idoso que possui Insuficiência Cardíaca e Fibrilação Atrial, quando o benefício da utilização de digitálicos supera os seus riscos.

O tempo médio de consulta médica e de retorno encontrados neste estudo esteve acima do proposto pela OMS, refletindo a qualidade da atenção prestada ao paciente durante todos os atendimentos58.

Verificou-se nesta pesquisa que a automedicação é corrente entre as idosas, o que pode contribuir para o surgimento de Problemas Relacionados a Medicamentos, em específico às interações medicamentosas e reações adversas33,59. A literatura12,60 aponta um índice de automedição maior do que o encontrado no corrente estudo, provavelmente devido à análise nesta pesquisa ter sido realizada somente para medicamentos utilizados de forma contínua.

Enfatizando a efetividade da intervenção interdisciplinar realizada no atual trabalho, Rollason e Vogt61, em revisão sistemática, avaliaram estudos que tinham como objetivo a redução do número de medicamentos utilizados, por idosos, através de intervenções com médicos e farmacêuticos. Eles observaram resultados semelhantes aos encontrados na presente pesquisa, a qual detectou uma redução na média de medicamentos por prescrição, quando comparado o período pré-intervenção com o pós-intervenção.

O presente estudo apresenta limitações. Dentre as principais, destaca-se que apesar de todos os profissionais envolvidos realizarem orientações sobre as indicações dos medicamentos prescritos, não foi possível avaliar a efetividade destas orientações. Outro aspecto a ser considerado é que embora tenha sido constatado o hábito da automedicação entre as idosas, também não foi possível avaliar se a intervenção foi efetiva na diminuição desta prática.

Os resultados obtidos permitiram verificar que a intervenção interdisciplinar, envolvendo médicos, farmacêuticos e nutricionistas, pôde contribuir para melhorar os indicadores de Uso Racional dos Medicamentos, em especial os de prescrição, para a população idosa. A intervenção interdisciplinar direcionada a esta faixa etária pode contribuir para a promoção do Uso Racional de Medicamentos, se constituindo num caminho para rever a setorização dos saberes.

 

Colaboradores

EFF Medeiros, CF Moraes, M Karnikowski, OT Nóbrega e MGO Karnikowski participaram, igualmente, de todas as etapas de elaboração do artigo.

 

Referências

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Artigo apresentado em 14/05/2009
Aprovado em 21/12/2009
Versão final apresentada em 05/01/2010