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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.17 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232012000800027 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

 

Exercícios físicos, força muscular e atividades de vida diária em mulheres idosas

 

Physical exercise, muscle strength and the day-to-day activities of elderly women

 

 

Luciana Helena Martins Ribeiro; Anita Liberalesso Neri

Programa de Pós-Graduação em Gerontologia, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas. Av. Tessália Vieira de Camargo 126, Cidade Universitária "Zeferino Vaz", Barão Geraldo. 13083-887 Campinas SP. lhm2001@terra.com.br

 

 


RESUMO

O objetivo foi investigar as relações entre força muscular nos membros inferiores e nos superiores, prática de exercícios físicos e atividades de vida diária em mulheres idosas recrutadas na comunidade. Um mil quinhentas e trinta e oito idosas com idade média = 72,07 ± 5,46, renda familiar média = 3,59 ± 3,96 SM, sem déficit cognitivo sugestivo de demência. Foram submetidas a medidas de força de preensão manual e velocidade de marcha; a itens de autorrelato sobre prática regular de exercícios físicos; de desempenho de 13 atividades avançadas de vida diária (AAVD) de natureza social (ex: trabalhar, viajar e frequentar igreja) e de 3 atividades instrumentais de vida diária (AIVD) manejar dinheiro, fazer compras e usar transporte, 1.538 idosas com idade média = 72,07 ± 5,46, renda familiar média = 3,59 ± 3,96 SM, sem déficit cognitivo sugestivo de demência. Foram preditivos de pior desempenho em atividades de vida diária (AVD): baixa força muscular (OR = 2,48 para comprometimento da preensão e da marcha e 1,66 para comprometimento em qualquer dos critérios), baixa renda (OR = 2,46 e 2,45 para < 1 e para 1,1 a 3,0 SM) e sedentarismo (OR 2,08). A funcionalidade de mulheres idosas é afetada pelo envelhecimento fisiológico e por condições contextuais e de estilo de vida.

Palavras-chave: Atividade física, Funcionalidade, Idosas


ABSTRACT

The scope of this study was to investigate relationships between muscle strength of the upper and lower limbs, physical exercise, and functionality to perform complex activities of day-to-day life in elderly women recruited from the community. 1538 elderly women with mean age = 72.07 ± 5.46 and average household income = 3.59 ±3.96 MW, without cognitive deficit suggestive of dementia, were submitted to tests of grip strength and walking speed. They were asked to self-report on regular practice of physical exercise and performance of 13 social AADLs (e.g. working, travelling and church attendance) and 3 IADLs (handling money, doing the shopping and using public transport). The worst performance key factors were low grip strength and low gait speed in ADL (OR = 2.48 if both; OR = 1.66 if either were present), as well as low income (OR = 2.46 low income < 1 MW and = 2.45 to 1.1 and 3.0 MW) and sedentary life style (OR = 2.08). The functionality of elderly women is influenced by physiological aging, but also by contextual conditions and life style.

Key words: Elderly women, Muscle strength, Upper limbs Lower limbs, Physical exercise, Day-to-day activities


 

 

Introdução

O desempenho de atividades de vida diária (AVD) é um indicador da funcionalidade dos idosos no ambiente físico e social. As AVD compõem uma ampla classe de atividades que incluem desde aquelas consideradas mais simples como as de autocuidado até as mais complexas como a prática de esportes. Três domínios relativos às AVD estabeleceram-se na Gerontologia para a avaliação clínica dos idosos. O primeiro é composto pelas atividades básicas de vida diária (ABVD), relacionadas ao autocuidado1. Integram o segundo domínio as atividades instrumentais de vida diária (AIVD)2, ligadas ao manejo da vida prática. Compõem o terceiro, as atividades avançadas de vida diária (AAVD), referentes ao ambiente social mais amplo3, estas estão relacionadas a envolvimento ou participação social e a estilo de vida4. As limitações no desempenho de AAVD podem sugerir presença de declínio funcional antes mesmo que apareçam déficits no desempenho de AIVD e ABVD5.

Medidas de força de preensão manual e de velocidade da marcha são indicadores sensíveis de perdas fisiológicas importantes ao desempenho das atividades de vida diária. Essas perdas estão relacionadas à senescência, aos processos mórbidos associados ao estilo de vida atual e à historia de vida6. A força nos membros inferiores é requisito importante para a locomoção, para o controle postural e para o equilíbrio, que afetam a possibilidade de evitar quedas, a liberdade de ir e vir e a manutenção de atividades sociais7. Seu declínio está associado a doenças crônicas, à diminuição de força muscular e a menor competência na execução das ABVD8; a dores musculares, a distúrbios de sono, à mortalidade9 e à incapacidade física de modo geral10.

A força de preensão manual é fortemente correlacionada com a diminuição da massa e da força muscular associada à idade11-13. O declínio da força de preensão manual tem relação com a diminuição ponderal14. Foi o critério de fragilidade mais prevalente no estudo longitudinal conduzido por Xue et al15. Sua ocorrência está relacionada ao relato de más condições de saúde, ao acelerado declínio em atividades de vida diária e a déficit cognitivo16; às doenças cardiovasculares, à baixa pontuação no Mini Exame do Estado Mental (MEEM), à alta pontuação na Escada de Depressão Geriátrica (GDS), à diminuição da atividade física17; à mortalidade18 e aos baixos escores no instrumento de qualidade de vida relacionando a saúde em homens e mulheres idosos19.

Os exercícios físicos são um tipo específico de atividade que se distingue das demais pela sistematização, pela estruturação e pelos objetivos. Visam à melhora da força e do condicionamento físico, assim como de habilidades motoras e cognitivas20,21. A prática regular de exercícios físicos é reconhecida como forte aliada do envelhecimento ativo22, saudável23, ou bem-sucedido24,25, cuja marca distintiva é o desempenho independente e eficaz de AVD. Relaciona-se com a diminuição do risco de morbidades26 e mortalidade27; com a melhora das condições psicológicas28, da autoestima, da autoimagem29 e da cognição30, e com o aprimoramento da capacidade física necessária à execução de atividades da vida diária31,32, ao aumento do envolvimento social33 e ao desempenho independente de AIVD e ABVD.

Baixa renda e baixa escolaridade são condições que prejudicam a adoção da prática de exercitar-se regularmente na velhice34,35, principalmente em mulheres36 e em pessoas muito idosas37. Existem relações recíprocas entre sedentarismo e baixa força muscular nos membros inferiores e superiores19,20,21, incapacidades para o desempenho de AVD38, comorbidades32,33,35, obesidade39,40, síndrome metabólica, depressão e déficit cognitivo34.

Embora existam dados brasileiros sobre atividade e sedentarismo e sobre desempenho funcional em idosos, não há estudos focalizando relações entre essas variáveis e nem avaliando a funcionalidade com base em medidas objetivas e de autorrelato, especificamente em mulheres idosas. As informações advindas de uma investigação segundo esses parâmetros têm potencial para contribuir para a teoria e para a intervenção.

Este estudo teve dois objetivos. O primeiro foi descrever amostra de mulheres idosas quanto à idade e à renda e quanto aos níveis de força muscular dos membros inferiores e superiores, de prática regular de exercícios físicos e de desempenho de AVD. O segundo foi analisar o impacto relativo das primeiras, consideradas como variáveis independentes, sobre a última, considerada como variável dependente.

 

Métodos

Os dados são originários de um estudo multicêntrico sobre fragilidade conduzido pela Rede FIBRA (acrônimo de Fragilidade em Idosos Brasileiros), polo Unicamp, em seis cidades brasileiras selecionadas por conveniência (Campinas, SP; Belém, PA; Parnaíba, PI; Poços de Caldas, MG; Ermelino Matarazzo, SP; e Ivoti, RS). Cada uma participou com amostra representativa da respectiva população idosa (65 anos e mais), cuja seleção teve como unidade amostral os setores censitários urbanos. O tamanho das amostras e de seus segmentos de idade e sexo, bem como as margens de erro foram estimadas conforme as tabelas do IBGE de contagem da população (2008).

Procedimentos e participantes

Os idosos foram recrutados em domicílio, por pessoal treinado, que seguiu os seguintes critérios de inclusão: a) ter idade igual ou superior a 65 anos, compreender as instruções, concordar em participar do estudo e ser residente permanente no domicilio ou setor censitário. Ainda no recrutamento, os critérios de exclusão foram: a) presença de problemas de memória, atenção, orientação espacial e temporal, e de comunicação, sugestivos de grave déficit cognitivo; b) incapacidade permanente ou temporária para andar, permitindo-se o uso de bengala ou andador, mas não de cadeira de rodas; c) perda localizada de força e afasia decorrentes de grave acidente vascular encefálico; d) comprometimento grave da motricidade, da fala ou da afetividade associados à doença de Parkinson em estágio avançado ou instável; e) déficits graves de audição ou de visão, dificultando fortemente a comunicação, e idosos em estágio terminal de acordo com as recomendações metodológicas de Ferruci et al41.

Somando-se as amostras das seis cidades, foi de 3.075 idosos o número de participantes de uma sessão de coleta de dados de 40 a 120 minutos de duração, a qual foi presidida por equipe composta por cinco ou seis entrevistadores treinados. A coleta começava com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em formato aceito pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, o qual figurava no projeto aprovado. Seguia-se a aplicação da primeira parte do protocolo de pesquisa, que incluiu questionários de identificação e de dados sociodemográficos, o Mini Exame do Estado Mental (MEEM)42 e medidas clínicas, antropométricas e de fragilidade43. Os idosos que tiveram pontuação superior à nota de corte no MEEM participaram da segunda fase de coleta de dados, integrada por medidas de autorrelato sobre saúde, hábitos de vida, desempenho de atividades de vida diária, expectativa de cuidado, sintomas depressivos e satisfação.

O escore obtido pelos idosos no MEEM foi utilizado como novo critério de exclusão, antes da aplicação da segunda parte do protocolo da pesquisa. Os pontos de corte foram os sugeridos pelo estudo de Brucki et al44 menos um desvio-padrão: 17 para analfabetos, 22 para os com 1 a 4 anos de escolaridade, 24 para os com 5 a 8 e 26 para os com 9 ou mais. Nas seis cidades, o percentual de idosos excluídos foi de 22,7%, sendo 19,72% homens e 25,68% mulheres. Foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre a frequência de homens e de mulheres excluídos pelo MEEM nas cidades de Parnaíba e de Ermelino Matarazzo. Na primeira, 44,69% das mulheres e 26,59% dos homens pontuaram abaixo da nota de corte. Na segunda, foram 24,12% das mulheres e 15,08% dos homens.

Assim, a amostra de participantes idosas selecionada para este estudo pelos critérios acima descritos foi de 1538 mulheres idosas sem comprometimento cognitivo sugestivo de demência (474 em Campinas, 399 em Belém, 195 em Ermelino Matarazzo, 190 em Poços de Caldas, 172 em Parnaíba e 108 em Ivoti).

Instrumentos e medidas

Idade e renda familiar: duas questões de autorrelato sobre data de nascimento e renda familiar.

Velocidade da marcha: medida de desempenho que incluiu a tarefa de percorrer três vezes, em passo usual, uma distância de 4,6 metros demarcada no chão plano por fita adesiva, a qual foi realizada conforme as recomendações de Guralnik et al.45 e Nakano46, que permitiam uso de bengala ou andador.

Força de preensão manual: medida de desempenho com dinamômetro hidráulico, modelo Jamar (Lafayette Instruments, Lafayette, IN, USA), colocado na mão dominante de cada idoso. Foram feitas três tentativas com cada participante, respeitando-se no mínimo um minuto de intervalo entre elas.

Prática regular de exercícios físicos: avaliada mediante um conjunto de 18 itens dicotômicos extraídos do Minnesota Leisure Activity Questionnaire47: caminhadas recreativas; uso de escadas mesmo que houvesse possibilidade de uso de elevador; ciclismo; dança de salão, ginástica, alongamento, yoga e tai-chi-chuan feitas em casa ou em academias ou clubes; corrida leve ou caminhada vigorosa; musculação; natação em piscina ou rio, praia ou lago; voleibol, jogar futebol e arbitrar jogos de futebol. Dois itens adicionais perguntavam, por outros exercícios eventualmente não incluídos nessa lista e praticados pelas idosas. Em cada item perguntava-se com que frequência semanal e por quantos minutos por dia as idosas se dedicavam a cada uma das práticas.

Atividades avançadas de vida diária (AAVD) e atividades instrumentais de vida diária (AIVD). Os dados sobre AAVD foram coletados por meio de treze itens de natureza social, motivo pelo qual foram considerados como indicadores de envolvimento social: fazer visitas; receber visitas; ir à igreja, a reuniões sociais e a eventos culturais; guiar automóvel; fazer viagens de um dia para locais próximos ou fazer viagens de maior duração para lugares mais distantes; desempenhar trabalho voluntário e remunerado; participar de diretorias, universidades da terceira idade e grupos de convivência. As respostas possíveis eram: nunca fiz, parei de fazer e ainda faço.

Da escala de Lawton e Brody2, versão de Brito et al.48, sobre atividades instrumentais de vida diária (AIVD) foram selecionados três itens: fazer compras, utilização de transportes e manejo de dinheiro, nos quais a pergunta era sobre o nível de ajuda que necessitavam para o desempenho com três possibilidades de resposta: nenhuma ajuda, ajuda parcial e ajuda total. Essas três AIVD foram consideradas como indicadores de independência física e autonomia para o desempenho independente de atividades complexas de vida prática. No estudo de Pereira et al.49 sobre as relações entre desempenho independente da AIVD e capacidades executivas, o desempenho nessas três atividades serviu para discriminar entre idosos com comprometimento cognitivo leve (CCL) e com demência.

 

Análise de dados

As idades foram agrupadas em quatro faixas: 65-69; 70-74;75-80; > 80 e a renda familiar em 5 faixas de salário mínimo (SM): < 1;1,1 a 3;3,1 a 5;5,1 a 10 e > 10. Baixa força de preensão manual correspondeu aos 20% menores valores da distribuição das médias das três medidas, médias essas ajustadas por sexo e IMC (peso/altura²), conforme as faixas sugeridas pela OMS50. Os pontos de corte para força de preensão variaram entre 13,33 kgf para 0 < IMC < 23; 14,67 kgf para 23 < IMC < 28; 13,33 kgf para 28 < IMC < 30, e 14,67 kgf para IMC > 30. Baixa velocidade da marcha foi indicada por valores localizados entre os 20% mais altos da distribuição do tempo médio em segundos gasto pelas idosas no percurso determinado. Os pontos de corte foram calculados para a amostra de cada cidade e variaram entre os valores máximos de 8,35 segundos para altura menor ou igual a 147 cm e de 6,62 segundos para altura maior que 147 cm (em Parnaíba, PI) e os valores mínimos de 6,25 segundos para altura menor ou igual a 154 cm e de 6,02 segundos para altura maior que 154 cm (em Poços de Caldas, MG). Esses procedimentos foram os mesmos adotados por Fried et al51, que por sua vez basearam-se em Guralnik et al45. Foram identificadas as idosas que pontuaram para ambos os indicadores de perda de força muscular, em nenhum, ou em apenas um deles.

Foram adotadas as recomendações do American College Sports Medicine (ACSM) e da American Heart Association (AHA) para classificar as idosas como ativas ou sedentárias. O nível de gasto calórico de cada atividade foi obtido na classificação de Ainsworth et al.52, baseada em critérios fisiológicos. Para cada idosa foram somadas as AAVD que ainda realizavam e as AIVD que realizavam com total independência (as que realizavam com ajuda parcial ou total foram desconsideradas). O grupo foi dividido pela mediana, para análise do desempenho nas 16 AVD.

Foram feitas comparações entre os grupos de idade e renda e conforme o critério de sedentarismo x atividade para todas as variáveis, mediante os testes qui-quadrado e exato de Fisher para as variáveis categóricas, e Kruskal-Wallis e post-hoc de Dunn para as ordinais. Foram desenvolvidas análises de regressão logística univariada e multivariada (critério stepwise), tomando-se idade, renda, sedentarismo x atividade e força muscular nos membros inferiores e superiores como variáveis independentes. A soma das AAVD que as idosas haviam deixado de desempenhar e das AIVD para cujo desempenho necessitavam de ajuda entrou como variável dependente. O nível de significância adotado para todos os testes foi de 0,05.

 

Resultados

A grande maioria das idosas tinha de 65 a 74 anos. A maior parte possuía rendimentos familiares inferiores a três salários mínimos (SM). Menos da metade eram fisicamente ativas. Um percentual comparável apresentou baixa força de preensão e lentidão da marcha e uma pequena parcela delas apresentou perda de força muscular nas duas extremidades. Pontuaram acima da mediana das AAVD e AIVD 45,68% das participantes. Considerando-se a totalidade das ativas e das sedentárias, pode-se observar um tempo muito menor de dedicação a atividades de alta intensidade do que às de moderada intensidade, mas os valores dessa variável apresentaram forte dispersão, assim como os das medidas de força de preensão e de tempo de marcha (Tabela 1)

Havia mais idosas sedentárias entre as de 80 anos e mais, assim como havia mais idosas dessa faixa de idade que pontuaram para baixa força de preensão manual e lentidão da marcha, tanto na avaliação em separado quanto na simultânea dos critérios. As mais velhas também desempenhavam um menor número de AIVD e de AAVD do que as mais jovens. Havia mais idosas com 65 a 69 anos e com renda superior a 10 SM entre as fisicamente ativas e havia igualmente mais independentes para AAVD e AIVD nesse mesmo grupo do que entre as com renda entre < 1 e 3 SM (Tabela 2).

As idosas mais jovens tinham medidas de baixa força de preensão significantemente mais altas e de lentidão da marcha significantemente mais baixas do que as mais velhas, tanto considerando-se cada uma isoladamente quanto em conjunto. Também preservavam mais AAVD e AIVD do que as mais velhas (p < 0,001). Aquelas com renda familiar mais baixa (< 1 e 3 SM) apresentaram maior lentidão da marcha e menor número de AAVD e AIVD preservadas, quando comparadas com as participantes que relataram ter mais recursos (p < 0,001) (Tabela 3).

As medianas de força de preensão manual e do número de AVD preservadas das idosas fisicamente ativas foram significativamente mais altas do que as das sedentárias. Os valores das ativas foram 21 kgf ante 20 kgf das sedentárias (p < 0,001) e 9 AVD preservadas pelas ativas, ante 8 AVD preservadas entre sedentárias (p < 0,001). As sedentárias apresentaram média de 5,25 segundos de tempo de marcha ante 4,69 segundos das ativas (p < 0,001).

A análise univariada de regressão revelou relações estatisticamente significantes entre todas as variáveis e pior desempenho funcional, ou seja, menor número de AAVD e AIVD preservadas. Entre as sociodemográficas, a renda apareceu como a mais associada com perdas no desempenho de AVD. Entre as comportamentais, a relação mais robusta foi entre menor número de AVD preservadas e presença conjunta de baixa força de preensão e lentidão da marcha, depois lentidão da marcha, sedentarismo, perda de força em uma das extremidades e baixa força de preensão (Tabela 4).

 

 

As variáveis atividade física, renda familiar e baixa força de preensão e/ou lentidão da marcha foram selecionadas como sendo significativamente associadas a mais perdas em AVD. As idosas com maior risco de terem interrompido AAVD ou terem perdido independência para AIVD foram: as sedentárias, com 2,1 vezes maior chances em comparação com as ativas, as com renda < 1,0 SM (2,5 vezes mais chances) e as com renda entre 1,1 e 3,0 SM (2,4 vezes maior chance); as com baixa força de preensão ou lentidão da marcha (66% mais chances) e nos dois critérios (2,48 vezes mais chances) (Tabela 5).

 

 

Discussão

Recomenda-se a prática regular de exercícios físicos a idosos em nome dos benefícios que eles acarretam à saúde, através do aprimoramento da força e da resistência muscular, da flexibilidade, do equilíbrio e do condicionamento cardiorrespiratório. O sedentarismo é um problema de saúde pública, pois está associado a doenças crônicas não transmissíveis e à obesidade, que acarretam sobrecarga aos sistemas cardiorrespiratório e músculo-esquelético e precarização da qualidade de vida das pessoas afetadas, assim como ônus aumentado sobre o sistema de saúde. Os idosos formam o extrato da população que mais sente os efeitos deletérios do estilo de vida sedentário mantido ao longo dos anos.

Nesta amostra, a maioria das idosas com 80 anos e mais relatou comportamento sedentário. Estes resultados são parecidos com os apresentados por estudos nacionais e internacionais nos quais as mais velhas apresentam menor gasto energético em atividades físicas regulares em comparação com as mais jovens53,54. As mais pobres apareceram como mais sedentárias e as mais ricas como mais ativas. Estes dados são parecidos com os da literatura nacional que mostram que melhores condições socioeconômicas privilegiam a prática de exercícios físicos sistematizados e que a pobreza e a baixa escolaridade constituem barreiras à prática de exercícios físicos 39,40,41.

A medida de força de preensão manual é um importante indicador de sarcopenia. Os valores observados neste estudo foram piores do que os do estudo francês das Três Cidades (3C)55, piores do que os observados por Fried et al.51 e Bandeen-Roche et al.56 no WHAS (Womens Health and Aging Study). A prevalência de baixa força de preensão foi maior entre as mais velhas (80 anos e mais) assim como no estudo de Garcia et al.57. Conforme a literatura, baixa força dos membros superiores relaciona-se com redução da frequência e da competência para o desempenho de AVD, com baixos escores no MEEM, com sintomas depressivos, com maior mortalidade por doenças do coração e com redução da atividade física19,20,21.

A capacidade de se deslocar com segurança, que favorece a interação social, está relacionada à manutenção da força de membros inferiores. A redução da mobilidade prejudica o desempenho de tarefas domésticas, fazer compras, utilizar ônibus e andar rapidamente58. A prevalência de lentidão da marcha de idosas desta amostra foi inferior aos encontrados por Bandeen-Roche et al.56, por Ávila-Funes et al.55 e por Fried et al51.

O ACSM recomenda a prática de 150 minutos de exercícios aeróbios de intensidade moderada por semana para a manutenção de bons níveis de condição cardiorrespiratória e de qualidade de vida da população idosa. A média de tempo gasto em atividade física moderada semanal das idosas inquiridas neste estudo foi maior que a média semanal de tempo despendido para as mesmas atividades em idosos japoneses59. Porém, é necessário notar que o valor do desvio padrão foi muito alto, indicando forte dispersão. É provável que tenha ocorrido distorção nas informações prestadas pelas idosas, motivada pela complexidade do instrumento ou por problemas em sua aplicação.

A força média de preensão manual desta amostra foi parecida com a verificada no Religious Order Study60 e menor do que a encontrada nos dados de Lindle et al61, do Baltimore Longitudinal Study and Aging e no estudo de Breda62. O tempo gasto para percorrer os 4,6 metros do teste de caminhada foi menor que no estudo de Breda62 e idosos mexicanos gastaram mais tempo no mesmo teste63. Não se sabe até que ponto as diferenças observadas estão associadas ao fato de esses estudos incluírem mulheres e homens ou a variáveis socioeconômicas. Diminuição da mobilidade se relaciona com a dificuldade de executar tarefas domésticas e utilizar transporte64, ou seja, a mobilidade está diretamente associada à execução de atividades de vida diária65.

As idosas cuja renda familiar variava de < 1,0 a 3,0 SM apresentaram medianas de tempo de marcha mais altas do que as com renda maior do que 3,1 SM mensais, evidenciando que a diminuição da velocidade motora não é só um sinal distintivo do declínio normal associado ao envelhecimento, como também pode ser agravada pela condição social dos idosos. A situação econômica mais favorável ameniza e compensa os obstáculos em relação à diminuição da capacidade funcional. Em contrapartida, baixa renda aumenta a dificuldade em adaptar-se ao ambiente e às condições funcionais64. A capacidade funcional prejudicada afeta mais os mais velhos e os mais pobres66. Cerca de 54% das participantes deste estudo executavam menos de oito AVD, principalmente as com 80 anos e mais. Estes dados concordam com os dados da PNAD de 2003 e com outros estudos nos quais a falta de recursos foi significativamente associada à incapacidade funcional, a morar em bairros mais pobres, a ter mais de 75 anos e a ser do gênero feminino24,58,59.

As idosas sedentárias tiveram pontuação mais baixa nos testes de força e de atividades de vida diária, sendo mais afetadas as com 80 anos e mais. As mulheres são mais longevas e por isso sofrem com maior intensidade os efeitos deletérios do envelhecimento. Também são oneradas pelos trabalhos domésticos, por cuidados com os descendentes e por condições que limitam suas atividades ao ambiente doméstico. No estudo de Marincolo67 com dados do FIBRA, as idosas relataram despender mais tempo diário em atividades domésticas e de lazer passivo do que em exercícios físicos comparadas aos homens. Em média elas despendiam 107,84 , 126,6 e 30,12 minutos, enquanto os homens gastavam 73,72 , 122,3 e 34,87 minutos respectivamente com cada uma dessas categorias de atividade.

A prática de exercícios físicos tem ligação direta com a manutenção de atividades de vida diária, principalmente as que implicam em maior envolvimento social. Na análise de regressão univariada, a pobreza (< 3,0 SM), o sedentarismo, a menor força de preensão, a menor velocidade de marcha, e/ou ambos os critérios, apresentaram relações significantes com diminuição do desempenho funcional. A lentificação da marcha associa-se com maior número de doenças e pode ser precursora de incapacidade funcional68.

Na análise de regressão multivariada ser sedentária, ganhar menos que três SM e apresentar diminuição da força em um ou dois dos critérios foram relacionados à baixa capacidade funcional. Os exercícios auxiliam na manutenção da saúde, melhoram as relações sociais e aprimoram o estado psicológico do ser humano65. A prática de tais atividades mantém o idoso saudável e ativo socialmente. Também é importante aliada na manutenção da funcionalidade e um bom alicerce para a velhice bem-sucedida, saudável ou ativa. A capacidade funcional preservada leva ao desenvolvimento de bons níveis de auto-estima contribui para a diminuição da depressão e otimiza o bem estar subjetivo32,33,35,47.

 

Conclusão

A percepção da coexistência entre declínios nos níveis de força muscular e certo grau de manutenção das atividades de vida diária em idosos motivou a elaboração deste estudo. Na presente pesquisa, o comportamento sedentário trouxe à baila que os fatores biológicos associados ao avançar da idade e correlacionados às variáveis socioeconômicas podem prejudicar a qualidade de vida de idosas da comunidade.

A funcionalidade é importante meio para a manutenção da independência das idosas. O desempenho independente das atividades avançadas e instrumentais da vida diária indica interação com o ambiente, cognição preservada e bons níveis de saúde física; promove a qualidade de vida e a vida em sociedade.

As condições biológicas podem ser modificadas ou mantidas em níveis interessantes e são passíveis de prevenção e cuidados, principalmente entre as idosas mais jovens, a fim de diminuir os efeitos deletérios da redução da capacidade funcional e do processo de envelhecimento sobre seu bem-estar global. Estas são iniciativas pouco onerosas e valiosas ao bem-estar das idosas residentes na comunidade. Passar por este período da vida de forma digna e segura, sem prejuízos a si mesmo e aos seus é uma grande conquista a ser alcançada pelos indivíduos e pela sociedade.

 

Colaboradores

LHM Ribeiro trabalhou na concepção e na redação do artigo, sob a orientação de AL Neri, que coordenou o Estudo Fibra - Polo Unicamp e o Estudo Fibra Campinas.

 

Agradecimentos

A José Guilherme de Arruda Moura, Ludgleydson Fernandes de Araújo, Maria Eliane Catunda de Siqueira e Geraldine Alves dos Santos, que coordenaram os trabalhos de recrutamento e coleta de dados em Belém, Parnaíba, Poços de Caldas e Ivoti. A Mônica Sanches Yassuda, que coordenou os procedimentos em Ermelino Matarazzo, São Paulo, e que, juntamente com Andréa Cristina Garofe Fortes-Burgos e Efigênia Passarelli Mantovani, contribuiu para o planejamento do Estudo Fibra-Polo Unicamp.

 

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Artigo apresentado em 29/10/2011
Aprovado em 07/11/2011
Versão final apresentada em 09/01/2012