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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.19 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2014

https://doi.org/10.1590/1413-81232014198.13712013 

Artigo

O idoso com comprometimento cognitivo apresenta pior condição de saúde bucal?

Do elderly individuals with a cognitive handicap have worse oral health?

Raquel Conceição Ferreira1 

Andréa Maria Duarte Vargas1 

Neuma Carla Neves Fernandes2 

João Gabriel Silva Souza2 

Maria Aparecida Barbosa de Sá3 

Lorenna Fonseca Braga de Oliveira3 

Andréa Maria Eleutério de Barros Lima Martins1 

1Departamento de Odontologia Social e Preventiva, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Minas Gerais. Av. Antonio Carlos 6627, Pampulha. 31.270-901 Belo Horizonte MG Brasil. martins.andreamebl@gmail.com

2Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas

3Departamento de Odontologia, Universidade Federal de Montes Claros


RESUMO

A saúde bucal dos idosos sem comprometimento cognitivo foi comparada com a daqueles com comprometimento. A condição cognitiva, o índice de dentes cariados perdidos e obturados (CPOD), o índice de raízes cariadas e obturadas (COR), a necessidade de tratamento dentário, a presença de placa (P) e cálculo (C), o índice periodontal comunitário (CPI), o índice de perda de inserção periodontal (PIP), o edentulismo, o uso de prótese e a necessidade de prótese foram avaliados em uma amostra complexa probabilística por conglomerados de idosos (65-74 anos). Usou-se o PASW(r) 17.0 nas análises estatísticas com correção pelo efeito de desenho, através dos testes Mann Whitney e qui quadrado com 95% de confiança. Foram entrevistados e examinados 736 idosos. Os com comprometimento cognitivo apresentaram maiores médias de CPOD, COR e menores médias de sextantes sadios do CPI, prevalências menores de sextantes sem placa/cálculo e de uso de prótese; maiores prevalências de edentulismo e necessidade de próteses. Idosos com comprometimento cognitivo apresentaram pior saúde bucal.

Palavras-Chave: Idosos; Saúde bucal; Assistência odontológica; Saúde mental; Comprometimento cognitivo leve

ABSTRACT

A comparison of the oral health of elderly people with and without a cognitive handicap was assessed. The cognitive condition, the indices of decayed, missing, filled teeth (DMFT), decayed, filled roots (DFR), the need for dental treatment, the presence of plaque (P), calculus (C), the community periodontal index (CPI), the rate of periodontal attachment loss (PAL), edentulism, prosthetic use and the need for prosthetics were evaluated in a complex probabilistic sample by conglomerates of the elderly (65-74 years). PASW(r) 17.0 was used for the statistical analyses with correction for the design effect, applying the Mann Whitney and chi-square test with 95% reliability. A total of 736 elderly individuals were interviewed and examined. Those with cognitive impairment had higher average DMFT, DFR and lower average healthy sextant CPI, a lower prevalence of sextants without plaque/calculus, use of prosthetics and higher prevalence of edentulism and need for prosthetics. Elderly individuals with a cognitive handicap had poorer oral health.

Key words: Elderly individuals; Oral health; Dental care; Mental health; Mild cognitive handicap

Introdução

O aumento da expectativa de vida, a redução das taxas de natalidade e a assistência à saúde foram responsáveis pelo aumento da população idosa brasileira1-3. Devido a isto, são necessárias informações atualizadas deste segmento quanto à demografia, questões sociais, situação econômica e de saúde4,5. O envelhecimento, processo natural e gradual, produz limitações e alterações no funcionamento do organismo tornando o idoso mais vulnerável às doenças2. Dentre os problemas de saúde que afetam especialmente os idosos o comprometimento cognitivo tem consequências diretas sobre a qualidade de vida deste estrato etário6.

A demência cresce com o avançar da idade, a probabilidade de ocorrência da mesma aumenta em 10% a cada ano de vida, sendo sua prevalência maior entre mulheres7. No Brasil, estima-se a presença de 1,2 milhões de idosos com algum tipo de comprometimento cognitivo decorrente da demência, com uma perspectiva de dobrar o número absoluto de portadores dessa doença a cada cinco anos, atingindo cerca de 40% das pessoas com mais de 85 anos8-10. Essa alteração está associada a altas taxas de morbidade e mortalidade, com grande impacto e consequências negativas para os indivíduos, familiares, cuidadores e, por extensão, para a sociedade, além de contribuir para custos elevados de assistência à saúde10.

As síndromes demenciais caracterizam-se pela perda progressiva e persistente de múltiplas áreas das funções intelectuais11,12, sendo a Doença de Alzheimer sua forma mais prevalente13. A demência promove uma gradual deterioração da memória, aprendizado, orientação, estabilidade emocional, capacidade de comunicação, pensamentos abstratos (paranoias e alucinações) e comprometimento de funções físicas e cuidados pessoais12. Com o objetivo de avaliar a capacidade cognitiva, foram desenvolvidos diversos instrumentos, dentre eles destaca-se o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM)14. Um dos cuidados pessoais que pode ser comprometido com a demência é a higiene bucal, especialmente entre idosos, o que pode favorecer a ocorrência de agravos na cavidade bucal, como a doença periodontal, a cárie e os problemas protéticos15,16.

Adicionalmente, os medicamentos empregados para diminuição ou controle dos sintomas de pessoas com comprometimento cognitivo podem apresentar efeitos adversos na cavidade bucal, dentre eles a diminuição do fluxo salivar, que proporciona o aumento do risco de desenvolvimento de lesões de cárie dentária e na mucosa17. As condições de saúde bucal dos idosos brasileiros, em geral, são precárias18,19, este quadro foi confirmado nos dois últimos levantamentos epidemiológicos da população brasileira, nos quais essa faixa etária apresentou alta taxa de edentulismo20,21. A saúde bucal precária pode ter consequências na qualidade de vida dos idosos, pois pode ocasionar dor, desconforto, limitações e outras condições decorrentes de fatores estéticos que afetam a vida social, o exercício de atividades diárias e o bem-estar do indivíduo21-25.

Estudos prévios avaliaram a associação das condições de saúde bucal com a capacidade cognitiva, constatando piores condições em indivíduos com comprometimento26-28. Entretanto, tais estudos apresentaram limitações quanto ao planejamento amostral e a forma de avaliação da condição periodontal. Sendo assim, avaliar tal associação, em especial em uma amostra representativa de idosos de um município brasileiro de grande porte populacional com avaliação da saúde bucal de forma mais ampla, poderá orientar ações intersetoriais com medidas de promoção de saúde e prevenção que visem, não somente a saúde mental, mas também a manutenção da saúde bucal. Nesse contexto, propõe-se identificar a prevalência de idosos, de um município brasileiro de grande porte populacional, com comprometimento cognitivo, além de identificar associações entre este e as condições de saúde bucal.

Métodos

Trata-se de um estudo seccional analítico que utilizou dados de uma amostra complexa, probabilística por conglomerados em dois estágios, de idosos entre 65 a 74 anos de idade29, representativa de Montes Claros, município brasileiro de grande porte populacional situado ao norte de Minas Gerais30. No cálculo amostral considerou-se a estimativa da ocorrência dos eventos ou doenças em 50% da população20, um erro de 5,5%, uma taxa de não resposta de 20%, deff (Design Effect = efeito de desenho) de 2,0 e a garantia de proporcionalidade por sexo31.

Os dados foram coletados nos anos de 2008 e 2009, por meio de um computador de mão e de um programa desenvolvido especificamente para este fim32. Entrevistas e exames da cavidade bucal foram conduzidos por profissionais devidamente treinados e calibrados33. Participaram da calibração 33 cirurgiões-dentistas e 20 acadêmicos de Odontologia, que atuaram como digitadores. Foram considerados aptos a coletar os dados os cirurgiões-dentistas que apresentaram valores de concordâncias Kappa inter e intraexaminadores maiores ou iguais a 0,61. Os participantes receberam orientação quanto à higiene bucal, receberam escovas e creme dental, e foram encaminhados para atendimento odontológico quando necessário33.

Foram examinados/entrevistados em seus domicílios, 736 idosos (65-74 anos). Neste estudo, foram considerados os 632 idosos que responderam ao MEEM. Os idosos foram submetidos à avaliação cognitiva empregando a versão validada no Brasil do MEEM34. Foram adotados pontos de corte segundo os níveis de escolaridade do idoso: 21 para idosos analfabetos, 22 no grupo de baixa escolaridade (1 a 5 anos de estudo), 23 nos idosos com média escolaridade (6 a 11 anos de estudo) e 24 no grupo de alta escolaridade (12 ou mais anos de estudo)35. Foram, portanto, definidos dois grupos: os idosos com ou sem comprometimento cognitivo. Aqueles com pontuação no MEEM inferior à definida pelo ponto de corte foram identificados como idosos com comprometimento cognitivo. Sendo que o escore máximo pôde variar de 0 a 30. Quanto menor o escore, mais grave o comprometimento. A saúde bucal dos idosos foi descrita para os dois grupos.

O exame da cavidade bucal do idoso baseou-se na metodologia adotada no Levantamento Epidemiológico das Condições de Saúde Bucal da População Brasileira - SB Brasil 200320, com ligeiras modificações. A condição das coroas e raízes foi avaliada quanto às seguintes condições: hígidas; cariadas; restauradas, mas com cárie; restauradas e sem cárie; perdidas devido à cárie; perdidas por outras razões; selante; apoio de ponte ou coroa; coroa não erupcionada e fratura ou trauma. O índice CPOD (Cariados, Perdidos, Obturados - Dentes) foi calculado pela soma dos dentes cariados (cariados + restaurados cariados), perdidos e restaurados e o índice COR (Cariada, Obturada - Raízes) pela soma das raízes cariadas e restauradas. Na avaliação da necessidade de tratamento dentário foram adotados os seguintes critérios: nenhum tratamento; restauração de uma superfície; restauração de duas ou mais superfícies; coroa por qualquer razão; faceta estética; tratamento pulpar + restauração; extração; remineralização de mancha branca; selante20,29.

A higiene bucal foi avaliada por meio de uma modificação do Índice de Placa Visível (IPV) de Silness e Löe36 modificado por Ainamo e Bay37, sendo avaliados todos os dentes presentes conforme presença ou ausência de placa visível nas cinco superfícies; placa visível cobrindo uma superfície dentária; placa visível cobrindo duas superfícies dentárias; placa visível cobrindo três superfícies dentárias, placa visível cobrindo quatro superfícies dentárias; placa visível cobrindo cinco superfícies dentárias ou sextante excluído. Para a presença de cálculo considerou-se os seguintes critérios: inexistência, cálculo supragengival atingindo não mais que em 1/3 da coroa; cálculo supragengival em mais que 1/3, mas menos que 2/3 da coroa; cálculo supragengival cobrindo mais que 2/3 da coroa ou uma faixa contínua e espessa de cálculo subgengival e sextante excluído.

A condição periodontal foi avaliada a partir do Índice Periodontal Comunitário (CPI) e do Índice de Perda de Inserção Periodontal (PIP) nos indivíduos com, pelo menos, dois dentes remanescentes sem extração indicada. Foram avaliados os dentes índices (17, 16 / 11 / 26, 27 / 47, 46 / 31 / 36 e 37) e, na ausência de um deles, todos os dentes remanescentes do sextante foram examinados e o índice mais alto registrado19. Os seguintes códigos e critérios do Índice Periodontal Comunitário (CPI) e o Índice de Perda de Inserção Periodontal (PIP) foram empregados, sendo registrada a pior condição observada no sextante: 0 - sextante hígido e perda de inserção entre 0 e 3 mm; 1 - sextante com presença de sangramento em pelo menos um dos dentes e perda de inserção de 4 a 5 mm; 2 - presença de cálculo supra ou subgengival e perda de inserção de 6 a 8 mm; 3 - bolsa periodontal de 4 a 5 mm e perda de inserção de 9 a 11 mm; 4 - bolsa periodontal com 6 mm ou mais e perda de inserção igual ou acima de 12 mm20,29.

O edentulismo refere-se à perda de dentes, foram considerados edêntulos os idosos que perderam todos os dentes38. A avaliação do uso de próteses superior e inferior considerou os seguintes critérios: não usa prótese dentária; usa uma ponte fixa; usa mais do que uma ponte fixa; usa prótese parcial removível; usa uma ou mais pontes fixas e uma ou mais próteses parciais removíveis e usa prótese dentária total. Para a necessidade de prótese superior e inferior foram considerados os seguintes critérios: não necessita de prótese dentária; necessita de uma prótese, fixa ou removível, para substituição de um elemento; necessita de uma prótese, fixa ou removível, para substituição de mais de um elemento; necessita de combinação de próteses, fixas e/ou removíveis, para substituição de um e/ou mais de um elemento, necessita de prótese dentária total; necessita de reparo ou substituição de uma prótese, fixa ou removível, para substituição de um elemento; necessita de reparo ou substituição de uma prótese, fixa ou removível, para substituição de mais de um elemento; necessita de reparo ou substituição de combinação de próteses, fixas ou removíveis, para substituição de um e/ou mais de um elemento; necessita de reparo ou substituição de prótese dentária total20,29. A necessidade de tratamento dentário, a presença de placa bacteriana, o cálculo, o CPI e o PIP foram avaliados somente entre os idosos que apresentavam pelo menos um dente remanescente.

Foi utilizado o programa PASW versão 17.0 para Windows(r). Inicialmente, foi obtido o escore total do MEEM. Em seguida, a condição de saúde bucal dos idosos foi descrita para cada um dos grupos. Para as variáveis nominais, foram estimadas as frequências absolutas e relativas. Além dessas frequências, a média populacional (µ) e seu erro padrão (EP) foram obtidos para as variáveis numéricas. Toda a análise foi realizada considerando-se a correção pelo efeito do desenho. A comparação do CPOD e de seus componentes, do número de sextantes com e sem placa, com e sem cálculo, do número de sextantes segundo os escores do CPI e do PIP entre os idosos com e sem comprometimento cognitivo foi realizada pelo teste Mann Whitney, pois tais variáveis não apresentaram distribuição normal, testada pelo teste Kolmogorov-Smirnov (p < 0,001). A comparação das variáveis nominais entre os idosos com e sem comprometimento cognitivo foi realizada pelo teste qui-quadrado de Pearson.

O projeto de pesquisa foi aprovado no CEP/Unimontes, conforme princípios da resolução do CNS 196/9639, os participantes foram entrevistados e examinados somente após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

Resultados

Foram examinados/entrevistados, em seus domicílios, 736 idosos (65-74 anos). Porém, neste estudo foram considerados os 632 (85,86%) idosos que responderam ao MEEM. A maioria era do sexo feminino, possuía baixa escolaridade e baixa renda per capita, se autodeclararam negro/pardo/indígena/amarelo e residiam na zona urbana (Tabela 1). A média de idade foi de 68,65 anos (EP = 0,16), de anos de estudo foi de 4,40 (EP = 0,36) e de renda per capita foi de R$ 375,33 (EP = 30,42). Um total de 131 idosos (20,6%) apresentou comprometimento cognitivo. A prevalência de edentulismo foi de 59,9%.

Tabela 1 Distribuição dos idosos segundo condições sociodemográficas, Montes Claros, MG, 2008/2009 (n = 632). 

Condição avaliada n %*
Sexo
Feminino 355 54,6
Masculino 277 45,4
Faixa etária
65 a 68 anos 332 53,3
69 a 74 anos 330 46,7
Situação conjugal
Com companheiro 383 64,2
Sem companheiro 249 35,8
Escolaridade (em anos de estudo)
0 (analfabeto) 105 17,7
01 a 04 anos 296 47,3
05 anos ou mais 231 35,0
Renda per capita
< R$ 276,00 313 51,1
> R$ 277,00 301 48,9
Cor da pele autodeclarada
Branco 222 34,8
Negro, pardo, indígena, amarelo 409 65,2
Localização de residência
Zona Urbana 618 99,1
Zona Rural 14 0,9

* Percentual obtido com correção pelo efeito de desenho; Faltaram informações de 01 indivíduo quanto à cor da pele, 18 quanto à renda per capita. A renda foi dicotomizada pela mediana

Entre os 501 idosos sem comprometimento cognitivo, 55,5% eram edêntulos e, entre os 131 com comprometimento cognitivo, a proporção de edêntulos foi de 76,8%. Ou seja, a prevalência do edentulismo foi maior entre aqueles com comprometimento cognitivo (OR = 2,21; IC95% = 1,49-3,28; p < 0,001). A média do índice CPOD (EP) entre os idosos com e sem comprometimento cognitivo foi de 30,34 (EP=0,34) e de 27,95 (EP=0,47), respectivamente. Nos dois grupos, houve um predomínio do componente perdido, que representou mais de 90% do índice. O índice CPOD foi maior entre idosos com comprometimento cognitivo, que apresentaram significativamente maior número de dentes perdidos e obturados. O índice COR foi menor entre os idosos com comprometimento cognitivo, em função do menor número de raízes cariadas (Tabela 2).

Tabela 2 Experiência das coroas dentárias e raízes quanto às condições preconizadas pela OMS (1997) e comparação dos índices CPOD e COR entre os idosos com comprometimento cognitivo e sem comprometimento cognitivo de Montes Claros - MG, 2008/2009. 

Com comprometimento Sem comprometimento
cognitivo (n = 131) cognitivo (n = 501)
n m (EP) n m (EP)
Condição das Coroas
Hígidas 242 1,57 (0,33) 1.693 3,41 (0,38)
Cariadas 45 0,23 (0,11) 181 0,35 (0,08)
Restauradas, mas com cárie 4 0,02 (0,02) 32 0,06 (0,02)
Restaurado e sem cárie 66 0,49 (0,16) 849 1,48 (0,23)
Perdidas devido à cárie 3.822 29,6 (0,50) 12.931 26,06 (0,67)
Perdido por outra razão 0 0,00 (0,00) 0 0,00 (0,00)
Selante 0 0,00 (0,00) 0 0,00 (0,00)
Apoio de ponte ou coroa 4 0,02 (0,02) 166 0,31 (0,10)
Coroa não erupcionada 9 0,07 (0,04) 40 0,08 (0,03)
Fratura ou trauma 0 0,00 (0,00) 27 0,03 (0,03)
Total 4.189 32,00 31,78&
Composição CPOD n m (EP)* % n m (EP)* % p**
Cariadas 45 0,23 (0,11) - 181 0,35 (0,08) -
Restauradas e com cárie 4 0,02 (0,02) - 32 0,06 (0,02) -
Componente C 0,25 (0,13) 0,80 0,41 (0,10) 1,5 0,23
Componente P 3.822 29,60 (0,50) 97,60 12.931 26,06 (0,67) 93,2 0,00
Componente O 66 0,49 (0,16) 1,60 849 1,48 (0,23) 5,3 0,00
Total CPOD médio/% 30,34 (0,34) 100,00 27,95 (0,47) 100 0,00
Condição das Raízes
Composição COR n m (EP) % n m (EP) % p**
Hígidas 318 1,82 (0,67) 95,8 1.909 3,70 (0,50) 90,6
Restauradas com cárie 0 0,00 (0,00) 0,0 0 0,00 (0,00) 0,0
Apoio de ponte ou coroa 0 0,00 (0,00) 0,0 0 0,00 (0,00) 0,0
Componente C 9 0,05 (0,03) 2,7 106 0,20 (0,07) 5,0 0,01
Componente O 5 0,03 (0,02) 1,5 93 0,16 (0,06) 4,4 0,12
Total COR médio/% 0,08 (1,03) 100,00 0,36 (0,09) 100,00 0,00

* O que falta para 32 se refere aos 73 dentes sem informação (m =0,14) e 40 (m =0,08) dentes excluídos; ** Valor de p resultante da comparação do CPOD e COR e seus componentes entre os dois grupos de idosos - teste Mann Whitney

Não foi constatada associação entre prevalência de necessidade de tratamento dentário nos idosos dentados (n = 264) e comprometimento cognitivo. As prevalências da necessidade de diferentes tratamentos odontológicos foram semelhantes entre idosos com e sem comprometimento cognitivo (Tabela 3).

Tabela 3 Necessidade normativa de tratamento dentário, por indivíduo, entre idosos com e sem comprometimento cognitivo de Montes Claros MG, 2008/2009 (n = 264, entre idosos dentados). 

Com comprometimento Sem comprometimento
cognitivo (n = 37) cognitivo (n = 227)
n %* n %*
Necessidade de tratamento dentário
Sem necessidade 21 60,4 127 54,6
Com necessidade 16 39,6 100 45,4
Qui-quadrado – χ2 = 0,008; OR = 0,79; IC95% = 0,35-1,76; p = 0,93
Indivíduos com necessidade&
Restauração de uma superfície
Sim 30 83,4 197 87,3
Não 7 16,6 30 12,7
Restauração de duas ou mais superfícies
Sim 7 15,5 47 22,0
Não 30 84,5 180 78,0
Coroa por qualquer razão
Sim 0 0 9 3,5
Não 37 100,0 218 96,5
Tratamento pulpar + restauração
Sim 2 8,7 14 6,0
Não 35 91,3 213 94,0
Extração
Sim 5 11,5 41 18,2
Não 32 88,5 186 81,1

*Correção pelo efeito de desenho. &Um mesmo indivíduo pode apresentar mais de uma necessidade de tratamento odontológico. DP = Desvio Padrão, EP = Erro Padrão. Os idosos não apresentaram necessidade de faceta, remineralização de mancha branca e selante

A média de sextantes sem placa e sem cálculo entre idosos sem comprometimento cognitivo foi maior do que entre aqueles com comprometimento (Tabela 4). Quanto à condição periodontal, observou-se menor média de sextantes sadios entre aqueles com comprometimento cognitivo (Tabela 5).

Tabela 4 Comparação do número médio de sextantes excluídos, dos sextantes com e sem placa bacteriana e cálculo dentário entre idosos com e sem comprometimento cognitivo. (n = 292 idosos dentados). 

Com comprometimento Sem comprometimento
cognitivo (n = 37) cognitivo (n = 227)
µ EP µ EP Valor de p*
Placa bacteriana
Ausência 1,07 0,44 1,51 0,16 0,04
Presença 0,82 0,36 0,89 0,17 0,83
Cálculo dentário
Ausência 1,03 0,43 1,55 0,17 0,02
Presença 0,86 0,37 0,86 0,15 0,93
Sextantes excluídos 4,11 0,54 3,59 0,20 0,08

* Teste Mann Whitney

Tabela 5 Comparação da média dos sextantes das condições periodontais avaliadas pelo Índice Periodontal Comunitário e Índice de Perda de Inserção entre idosos com e sem comprometimento cognitivo (n = 292) (idosos dentados). 

Com comprometimento Sem comprometimento
cognitivo cognitivo
µ EP µ EP Valor de p*
CPI
Sadio 0,62 0,27 1,07 0,17 0,02
Sangramento 0,38 0,21 0,36 0,09 0,59
Cálculo 0,73 0,28 0,80 0,17 0,66
Bolsa de 4-5 mm 0,12 0,08 0,15 0,04 0,65
Bolsa de 6 mm ou mais 0,04 0,04 0,02 0,01 0,67
Sextantes excluídos 4,11 0,54 3,59 0,20 0,08
PIP
0-3mm 1,14 0,33 1,59 0,18 0,06
4-5mm 0,45 0,20 0,66 0,12 0,25
6-8mm 0,24 0,18 0,09 0,03 0,07
9-11mm 0,06 0,06 0,03 0,02 0,54
12 mm ou mais 0,00 0,00 0,02 0,01 0,42
Sextantes excluídos 4,11 0,54 3,59 0,20 0,08

* Teste Mann Whitney

Houve um total de 629 idosos com informações sobre o uso e a necessidade de próteses, dos quais 498 sem comprometimento cognitivo e 131 com. A prevalência de idosos que não usavam próteses foi maior (30,0%) entre aqueles com comprometimento cognitivo que entre os idosos sem (14,9%) (OR = 1,94; 95%IC = 1,26-2,99; p < 0,001). Não houve associação entre prevalência de necessidade de próteses e comprometimento cognitivo. Essa prevalência não variou entre idosos com (29,0%) e sem (36,5%) comprometimento cognitivo (OR = 0,76; 95%IC = 0,53-1,09; p = 0,11).

Discussão

No presente estudo, 20,6% dos idosos, com idade que variou de 65 a 74 anos, apresentaram comprometimento cognitivo. Ressalta-se que indivíduos de 70 anos ou mais podem ser mais acometidos por tal comprometimento40,41. Estudos prévios, empregando o MEEM, realizados em Montes Claros encontraram prevalência de comprometimento cognitivo de 19,1%9 e 6,4%27, ambos com idosos entre 60 anos e 80 ou mais, ou seja, considerando idosos com idades superiores aos da presente investigação. Outros estudos brasileiros entre idosos mostraram prevalências de comprometimento cognitivo variando de 4,9% a 19,1%8,9,40,42. Essa variabilidade pode também ser explicada pelos diferentes instrumentos utilizados na coleta de dados, além das diferentes médias de idades dos participantes e pontos de corte adotados para o mesmo instrumento, sendo em alguns ajustados por escolaridade. No presente estudo, foi utilizado o MEEM para determinar o comprometimento cognitivo dos indivíduos, uma vez que este tem sido o mais comumente utilizado em estudos epidemiológicos5,11,27,43.

Em geral, os idosos da presente investigação, de forma semelhante aos brasileiros dessa faixa etária, apresentaram condição de saúde bucal precária20,21. Contudo, o grupo de idosos com comprometimento cognitivo apresentou piores condições de saúde bucal quando comparados àqueles sem comprometimento, em conformidade com estudos prévios28,44-46. Pessoas com comprometimento cognitivo têm maior prevalência de agravos bucais, incluindo-se aqueles de rápida progressão. Problemas estes decorrentes do prejuízo nas funções motoras e mentais ocasionadas pelo comprometimento cognitivo que dificulta a execução dos métodos preventivos que asseguram a manutenção da saúde bucal46,47. Os idosos brasileiros, entretanto, independentemente da presença do comprometimento cognitivo, têm sido vítimas, ao longo da vida, da precariedade na oferta de serviços de saúde bucal, ausência de programas preventivos e dificuldades no acesso a serviços odontológicos, contribuindo para uma saúde bucal precária, com elevado número de dentes perdidos, doença periodontal e necessidade de próteses21,48.

A precariedade da saúde bucal pode afetar a qualidade de vida dos idosos de inúmeras maneiras, comprometendo a função mastigatória e de fonação, interferindo na aparência facial e nas interações pessoais, além disso, representam um risco à saúde geral dos mesmos, uma vez que o estado nutricional e o peso corporal também podem sofrer influência49-52.

Valores elevados de CPOD foram encontrados para ambos os grupos de idosos, com e sem comprometimento cognitivo, sendo a média desse índice maior entre aqueles com comprometimento, resultados equivalentes foram encontrados em estudo de caso-controle entre sujeitos tanto com demência senil e como saudáveis, residentes em Brasília, com média de idade nos grupos de estudo e controle de 75,6 e 69,08, respectivamente53. Esse fato pode ser elucidado pelas deficiências mentais e limitações motoras conferidas por doenças tais como Alzheimer, acidente vascular cerebral (AVC), entre outras, que geram comprometimento cognitivo, o que dificulta o acesso e a execução do atendimento odontológico e medidas de autocuidado38,54-56.

Na análise individual dos componentes do CPOD, observou-se que os portadores de comprometimento cognitivo apresentaram maior média de dentes perdidos e menor média de dentes restaurados, diferentemente dos resultados registrados em estudo conduzido em Brasília, entre idosos com 70 a 79 anos de idade38. As dificuldades inerentes ao comprometimento cognitivo, como a dificuldade de realização de métodos preventivos em saúde bucal, podem favorecer a ocorrência de problemas bucais. O componente perdido representou mais de 90 % do índice nos dois grupos de idosos comparados.

Na presente investigação, constatou-se que o índice COR foi maior entre os idosos sem comprometimento cognitivo do que entre aqueles com, possivelmente devido ao maior número de raízes cariadas entre os do primeiro grupo. Tal fato pode ser explicado pelo maior número de elementos dentais remanescentes neste. Por outro lado, de forma divergente à constatada em Montes Claros, estudos prévios constataram que indivíduos com Doença de Alzheimer e portadores de outras demências que causam comprometimento cognitivo possuem maior prevalência de cárie radicular44,46,55.

O percentual de dentes com necessidade de tratamento dentário da presente amostra foi semelhante para idosos com (39,6%) e sem comprometimento cognitivo (45,4%), não sendo verificada associação entre as duas condições. Ressalta-se que os idosos brasileiros, em sua maioria, possuem condições de saúde bucal precárias, com altas taxas de edentulismo38. Normalmente, os indivíduos dão maior importância aos sintomas e aos impactos funcionais e psicossociais das doenças bucais do que aos sinais visíveis da doença38. Tal fato pode contribuir para a não procura por serviços odontológicos e a não percepção da necessidade de tratamento, a qual pode ser afetada por valores pessoais, como a crença de que algumas dores e incapacidades são inevitáveis nessa idade22,23. Outro fator a ser considerado é o constante surgimento de novas necessidades, pois o atual modelo de atenção à saúde não disponibiliza medidas eficazes que impeçam a recidiva da doença cárie na população idosa56,57.

Quanto à condição periodontal, o número médio de sextantes sem placa foi maior entre os idosos sem comprometimento quando comparados àqueles com comprometimento cognitivo, o que pode ser justificado pela maior quantidade de perdas dentárias entre os últimos45,46. A média de sextantes sadios e de sextantes com perda de inserção periodontal fisiológica (0-3 mm) também foi maior entre aqueles sem comprometimento cognitivo. Resultado semelhante foi encontrado no Norte da Índia, em que houve uma maior distribuição média de placa dental, inflamação gengival, sangramento à sondagem e nível de inserção clínica, entre aqueles com algum tipo de comprometimento cognitivo45. A limitação física e os problemas visuais decorrentes do envelhecimento são fatores que comprometem o autocuidado, resultando em altos níveis de placa bacteriana, maior risco de desenvolvimento de lesões de mucosa, cárie dentária e doença periodontal, que são agravados pelo comprometimento cognitivo56,58. Tal comprometimento é responsável por um desinteresse e incapacidade para executar técnicas adequadas de higiene bucais59, resultando em uma saúde bucal deficiente. A maioria dos idosos investigados eram edêntulos, assim como em estudos prévios53,56,58.

A proporção de edentulismo foi maior entre idosos com comprometimento cognitivo. Tal achado difere do registrado em um estudo realizado numa clínica geriátrica de Minesota, em que não foi encontrada associação entre o comprometimento cognitivo e a perda dentária, quando comparados sujeitos com e sem demência, com médias de idade de 81,5 e 73,8, respectivamente55, e corrobora com os resultados encontrados entre idosos de Brasília com média de idade de 69,08 anos53. O edentulismo no Brasil reflete um modelo de atenção cirúrgico-reabilitador, principalmente em serviços públicos. As exodontias em massa eram o único atendimento oferecido, ao invés do tratamento dos dentes60. No caso de indivíduos com comprometimento cognitivo, muitos dentistas demonstram tendência a extrair dentes comprometidos ao invés de tratá-los, devido ao grau de dificuldade encontrado no tratamento de tais indivíduos56. Estudo prévio que comparou os padrões de perda dentária em idosos com e sem demência identificou que os fatores contribuintes para a decisão dos dentistas na extração de dentes daqueles com comprometimento cognitivo foram: a presença de cárie dentária, doença periodontal e considerações protéticas. Dentre os fatores não dentais foram citados como fatores influenciadores as limitações finaceiras para custeio de tratamento, a solicitação dos famíliares e a incapacidade do idoso comprometido em tolerar o tratamento restaurador61.

A prevalência de edentulismo evidencia que a realidade é resultante de uma prática mutiladora na assistência à saúde bucal. O local, a locomoção e o transporte para o acesso a serviços odontológicos, a infraestrutura local e a rede de suporte social podem também relacionar-se à saúde bucal62. Entre idosos, constatam-se dificuldades de acesso a informações sobre como evitar problemas bucais e a serviços odontológicos20,22. Acredita-se que o acesso a tais informações e a garantia da assistência à saúde bucal poderiam evitar exodontias desnecessárias. Ressalta-se que, por ser uma população idosa, as exodontias podem ter ocorrido em uma época em que não havia programas preventivos e políticas públicas de saúde bucal direcionadas a este estrato populacional.

O contingente idoso brasileiro apresenta elevada proporção de indivíduos que utilizam prótese dentária, além de um percentual considerável que necessita de uma20,21. A frequência dos que faziam uso de prótese dentária no município de Montes Claros foi maior naqueles sem comprometimento cognitivo, resultado diferente ao observado no estudo conduzido entre idosos de Brasília53 e em um Instituto de Neurologia da Turquia, entre sujeitos com demência e saudáveis com média de idade de 67,61 e 65,32, respectivamente59. O uso de próteses em idosos com demência pode contribuir na manutenção do bom estado de saúde física e mental dos mesmos. Ressalta-se ainda que a capacidade mastigatória e a saúde bucal são mais satisfatórias em idosos que usam próteses do que entre aqueles que não as usam63,64.

Acredita-se que as limitações impostas pelo edentulismo poderiam ser superadas pela reabilitação com próteses dentárias65. O comprometimento cognitivo gera incapacidades psicológicas, o que pode comprometer a autopercepção da necessidade de tratamento, das condições de saúde bucal e da necessidade e utilização de próteses dentárias. Tal comprometimento gera dificuldades na utilização destas, decorrentes de dificuldades ao acesso a assistência odontológica, de mastigação, entre outros, o que acarreta em problemas potenciais na vida diária dos indivíduos, destacando-se aqueles relacionados com a incapacidade de comer16.

A facilidade no acesso aos serviços odontológicos juntamente com a conscientização de seus cuidadores sobre a importância de se manter uma boa condição bucal são recursos fundamentais para uma melhora no quadro geral do indivíduo idoso62. A avaliação das condições de saúde bucal em pacientes com comprometimento cognitivo pode ser difícil de sereconduzida, devido à falta de cooperação, distúrbios de comunicação, ou problemas de comportamento dos mesmos26. Para que haja uma estabilização da condição de saúde bucal de indivíduos com comprometimento cognitivo, é necessário que as intervenções odontológicas sejam realizadas preferencialmente nos estágios iniciais da doença, pois, procedimentos mínimos podem ser realizados melhorando a qualidade de vida desses indivíduos53,56,62. Ressalta-se que o tipo de doença que gera comprometimento cognitivo não parece ser um determinante essencial da saúde bucal66. Sabe-se que as condições desta são influenciadas negativamente pelo comprometimento cognitivo, entretanto, o estado de saúde bucal pode ser considerado fator predisponente ao desenvolvimento do déficit cognitivo67,68.

A característica transversal da presente investigação limita a possibilidade de se identificar longitudinalmente se as condições de saúde bucal influenciam o comprometimento cognitivo ou vice-versa. O processo que relaciona a avaliação das condições cognitivas dos idosos e as variáveis investigadas é dinâmico. Portanto, causas e efeitos certamente variam ao longo do tempo não sendo possível estabelecer uma relação temporal entre as associações observadas. Por outro lado, destaca-se que os resultados apresentados são confiáveis, fruto de uma amostra probabilística por conglomerados representativa dos idosos do município, e a análise dos dados contou com a correção pelo efeito de desenho. Além disso, a presente investigação fornece dados importantes sobre as condições de saúde bucal de pessoas com comprometimento cognitivo.

Considerações finais

O comprometimento cognitivo foi identificado em uma parcela considerável da amostra investigada. De maneira geral, pôde-se observar que indivíduos com comprometimento cognitivo apresentaram piores condições de saúde bucal do que os idosos com condição cognitiva preservada.

Agradecimentos

Agradecimentos ao apoio logístico da Unimontes e da Prefeitura Municipal de Montes Claros-MG, ao fomento da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e à colaboração dos participantes. A pesquisadora Andréa Maria Eleutério de Barros Lima Martins é bolsista do CNPQ e Raquel Conceição Ferreira recebeu bolsa da FAPEMIG.

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Recebido: 07 de Junho de 2013; Aceito: 07 de Agosto de 2013

Colaboradores RC Ferreira e AMEBL Martins participaram da concepção do projeto, análise e interpretação dos dados, redação do artigo, revisão crítica relevante do conteúdo intelectual e aprovação final da versão a ser publicada. AMD Vargas participou da análise e da revisão final do artigo. NCN Fernandes, JGS Souza e MAB de Sá participaram da interpretação dos dados, redação do artigo e aprovação da versão a ser publicada. LFB de Oliveira participou da interpretação dos dados, redação do artigo, revisão crítica e aprovação da versão final a ser publicada.

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