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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.19 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014198.19882013 

Artigo

Inatividade física em idosos não institucionalizados: estudo de base populacional

Physical inactivity among non-institutionalized elderly individuals: a population-based study

Bruno Morbeck de Queiroz1 

Raildo da Silva Coqueiro2 

João de Souza Leal Neto1 

Adriano Ferreti Borgatto3 

Aline Rodrigues Barbosa4 

Marcos Henrique Fernandes2 

1Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Centro de Desportos, Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Universitário Reitor João David Ferreira Lima, Trindade. 88.040-900 Florianópolis SC Brasil. morbeck.bruno@gmail.com

2Núcleo de Estudos em Epidemiologia do Envelhecimento, Departamento de Saúde, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

3Departamento de Informática e Estatística, Centro Tecnológico, Universidade Federal de Santa Catarina

4Centro de Desportos, Universidade Federal de Santa Catarina

RESUMO

O objetivo deste estudo é descrever a prevalência de inatividade física e analisar os fatores sociodemográficos, de estilo de vida e condições de saúde associados em idosos do Nordeste brasileiro. Estudo descritivo e de associação, baseado em dados secundários originados de uma pesquisa epidemiológica de base populacional envolvendo 316 idosos. O nível de atividade física foi avaliado por meio do International Physical Activity Questionnaire. As variáveis explanatórias foram: sexo, grupo etário, arranjo familiar, sabe ler e escrever, trabalho remunerado ou voluntário, tabagismo, sintomatologia depressiva, pressão arterial elevada, hiperglicemia em jejum e capacidade funcional. A prevalência da inatividade física foi de 46,5. Os resultados da análise múltipla indicaram que a inatividade física foi positivamente associada ao grupo etário ≥ 80 anos (RP = 2,37), a falta de ocupação (RP = 4,86) e a dependência nas atividades instrumentais de vida diária (RP = 1,47) e nas atividades básicas de vida diária (RP = 1,60). A inatividade física foi altamente prevalente na população estudada, tornando-se imprescindível a discussão de programas que incentivem e possibilite maior adesão à prática da atividade física, tendo em vista o combate a inatividade física e os fatores de risco decorrentes deste comportamento.

Palavras-Chave: Atividade motora; Envelhecimento; Epidemiologia

ABSTRACT

The scope of this study is to assess the prevalence of physical inactivity among the elderly in Northeast Brazil and analyze the associated lifestyle and socio-demographic factors and health conditions. The work presented here is a descriptive and association-based study using secondary data derived from a population-based epidemiological study that included 316 elderly participants. The physical activity level of each participant was assessed using the International Physical Activity Questionnaire. The explanatory variables examined in this study were gender, age group, family set-up, ability to read and write, paid or voluntary employment, smoking, symptoms of depression, high blood pressure, fasting hyperglycemia and functional capacity. The prevalence of physical inactivity was 46.5. The results of the multivariate analysis indicated that physical inactivity was positively associated with the age group ≥ 80 years (PR = 2.37), with the lack of an occupation (PR = 4.86) and with dependence on instrumental activities of daily life (PR = 1.47) and basic activities of daily life (PR = 1.60). Physical inactivity was highly prevalent in the surveyed population, making it essential to discuss programs that encourage and enable increased physical activity to combat the risk factors of a sedentary lifestyle.

Key words: Motor activity; Aging; Epidemiology

Introdução

No Brasil, o envelhecimento populacional vem ocorrendo de forma acelerada nas últimas décadas. As projeções apontam que até 2025 o país terá a sexta população de idosos do mundo, com cerca de 32 milhões de pessoas1. Esta perspectiva repercute em maior demanda por serviços de saúde, uma vez que a prevalência de doenças crônicas e limitações funcionais são maiores nesta parcela da população. Estes fatores configuram um novo panorama de atenção à saúde, marcado por problemas de saúde de longa duração e utilização de procedimentos terapêuticos de alto custo2.

A atenção integral à saúde do idoso deve incentivar o envelhecimento ativo, no qual as oportunidades à saúde são favorecidas, visando a participação e segurança de modo a realçar a qualidade de vida no envelhecimento3. O envelhecimento saudável pressupõe a interação entre aspectos dos determinantes sociais, os aspectos físicos, mentais, independência nas atividades diárias, integração social, suporte familiar e independência econômica4,5. Dentre as possibilidades para a promoção da saúde do idoso é indiscutível o papel da atividade física. Estudos de revisão e de meta-análise, assim como documentos de organizações científicas, evidenciam os efeitos preventivos e/ou terapêuticos da atividade física em relação às doenças metabólicas e cardiovasculares, câncer, depressão, lesões/fraturas por quedas e/ou osteoporose, limitação funcional e incapacidades, função cognitiva, além de melhorar a qualidade do sono6-8.

As informações referentes aos benefícios da atividade física em indivíduos idosos são consistentes. Contudo, dados de vigilância e monitoramento em atividade física têm apontando para altos índices de inatividade física em idosos em diferentes regiões do mundo9,10. O Brasil, de igual modo, tem se caracterizado por apresentar dados preocupantes quanto à prevalência de inatividade física em diferentes faixas etárias, inclusive na população idosa11-13. Poucos estudos de monitoramento foram realizados com populações de baixa renda14,15, dificultando a implementação de políticas e ações que atendam de forma eficiente às demandas dessas regiões.

Assim, considerando a importância do monitoramento dos níveis de atividade física em indivíduos idosos, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a inatividade física e sua associação com fatores sociodemográficos, estilo de vida e condições de saúde, em idosos do nordeste brasileiro.

Método

Este é um estudo descritivo e de associação, baseado em dados secundários derivados de uma pesquisa epidemiológica transversal de base populacional e domiciliar, denominada Estado nutricional, comportamentos de risco e condições de saúde dos idosos de Lafaiete Coutinho-BA. Detalhes sobre o local e população do estudo, bem como sobre a coleta de dados, foram publicados previamente16,17. Recentemente, um censo foi conduzido em Lafaiete Coutinho (janeiro de 2011) para a identificação de idosos (≥ 60 anos). A localização das residências foi realizada usando informações da Estratégia Saúde da Família, que cobre 100% do município. Todos os idosos residentes na zona urbana (N = 355) foram contatados. Dos 355 indivíduos que compunham a população do estudo, 316 (89%) participaram da pesquisa: foram registradas 17 (4,8%) recusas e 22 (6,2%) indivíduos não foram localizados após três visitas domiciliares em dias alternados e foram considerados como perdas. O estudo foi realizado de acordo com a Declaração de Helsinki da Associação Médica Mundial e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Nível de atividade física

(variável dependente)

O instrumento utilizado para avaliar o nível de atividade física habitual foi o International Physical Activity Questionnaire - IPAQ, versão longa18. Foi construído um escore de atividade física em minutos/semana, sendo somados os minutos despendidos em caminhada e atividades moderadas, com os minutos despendidos em atividades de intensidade vigorosa, multiplicados por dois11. Tal estratégia visa considerar a intensidade de cada atividade e está de acordo com as recomendações atuais quanto à prática de atividade física. A classificação quanto ao nível de atividade física obedeceu ao seguinte critério11: escore < 150 minutos = inativo e escore ≥ 150 minutos = ativo.

Variáveis explanatórias

Sociodemográficas: sexo, grupo etário (60-69, 70-79 e ≥ 80 anos), arranjo familiar (vive acompanhado e vive sozinho) e sabe ler e escrever um recado (sim e não).

Estilo de vida: trabalho remunerado ou voluntário (sim e não), tabagismo (fumante, ex-fumante e nunca fumou) e consumo de bebidas alcóolicas (< 1 dia/semana e ≥ 1 dia/semana).

Condições de saúde

A Escala de Depressão Geriátrica (forma abreviada de 15 itens) foi usada para verificar os sintomas depressivos: < 6 pontos = negativo (ausência de sintomas depressivos) e ≥ 6 pontos = positivo (presença de sintomas depressivos)19. A pressão arterial foi aferida utilizando monitor de pressão arterial digital automático (Omron Healthcare HEM-742INT, China), de acordo com procedimentos padronizados20. A pressão arterial elevada (sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg e/ou uso de medicamento para controle da pressão arterial) foi definida de acordo com diretrizes vigentes no Brasil20. A glicemia plasmática em jejum de 12 horas foi dosada por meio do sistema Accutrend(r) Plus (Roche Diagnostics, Alemanha), analisador previamente validado21. As amostras de sangue capilar foram coletadas por meio de punção trans cutânea, no lado medial, da ponta do dedo médio, usando-se lanceta hipodérmica descartável. Previamente à punção, aplicava-se álcool a 70% com o intuito de promover a antissepsia do local. A glicemia de jejum foi considerada elevada (≥ 126 mg/dl e/ou uso de medicamento oral para controle da glicemia e/ou uso de insulina), de acordo com sa recomendações da sociedade Brasileira de Diabetes22. A capacidade funcional foi avaliada por meio das informações das atividades básicas da vida diária (ABVD)23 e das atividades instrumentais da vida diária (AIVD)24, conforme descrito previamente25. Foi construída uma escala de incapacidade funcional hierárquica distinguindo três categorias26: independente, dependente nas AIVD, dependente nas ABVD e AIVD. Os idosos que relataram dependência nas ABVD, mas não nas AIVD, foram classificados na última categoria, referente à dependência em ambas as dimensões.

Procedimento estatístico

Com o objetivo de comparar prevalências, a associação entre nível de atividade física e as variáveis explanatórias foram verificadas mediante a obtenção de estimativas brutas e ajustadas das razões de prevalências, por ponto e por intervalo de confiança de 95% (IC95%), por meio do modelo de regressão de Poisson. Nas análises brutas, a prevalência de sedentarismo foi calculada para cada categoria das variáveis explanatórias, e o nível de significância foi testado por meio do teste de Wald para heterogeneidade. Na análise ajustada, foram incluídas as variáveis que apresentaram significância estatística de pelo menos 10% (p ≤ 0,10) nas análises brutas, seguindo a ordem de um modelo hierárquico para determinação dos desfechos27, como apresentado na Figura 1. De acordo com o modelo estabelecido, as variáveis dos níveis mais superiores (distais) interagem entre si e determinam as variáveis dos níveis mais inferiores (proximais). O efeito de cada variável explanatória sobre o desfecho foi controlado para as variáveis do mesmo nível e de níveis superiores no modelo, sendo que o critério estatístico de permanência no modelo foi de 10% (p ≤ 0,10). Foi considerada associação significativa, variáveis que apresentaram o nível de significância adotado no estudo de no máximo 5%.

Figura 1. Modelo conceitual de determinação do desfecho utilizado na análise ajustada. Lafaiete Coutinho, Brasil, 2011 

Os dados foram tabulados e analisados no IBM SPSS Statistics for Windows (IBM SPSS. 21.0, 2012, Armonk, NY: IBM Corp.).

Resultados

Participaram do estudo 173 mulheres (54,7%) e 143 homens (45,3%), com idade entre 60 e 105 anos (74,2 ± 9,8 anos). As demais características da população estudada são descritas na Tabela 1. Observa-se que a maioria dos indivíduos relatou viver acompanhado, não saber ler e escrever um recado, não ter trabalho remunerado ou voluntário, não fazer uso de bebidas alcoólicas e não apresentar sintomas depressivos. A frequência de pressão arterial elevada foi alta e de hiperglicemia baixa.

Tabela 1 Características da população estudada. Lafaiete Coutinho, Brasil, 2011. 

Variáveis % N %
resposta
Grupo etário 99,7
60-69 anos 115 36,5
70-79 anos 106 33,7
= 80 anos 94 29,8
Arranjo familiar 100,0
Vive acompanhado 264 83,5
Vive sozinho 52 16,5
Sabe ler e escrever 100,0
Sim 105 33,2
Não 211 66,8
Trabalho remunerado ou 98,1
voluntário
Sim 35 11,3
Não 275 88,7
Tabagismo 99,7
Nunca fumou 133 42,2
Ex-fumante 147 46,7
Fumante 35 11,1
Consumo de bebidas alcoólicas 99,7
< 1 dia/semana 27 8,6
= 1 dia/semana 288 91,4
Sintomatologia depressiva 91,8
Negativa 232 80,0
Positiva 58 20,0
Pressão arterial elevada 96,8
Não 50 16,3
Sim 256 83,7
Hiperglicemia em jejum 97,8
Não 273 88,3
Sim 36 11,7
Capacidade funcional 97,2
Independente 130 42,3
Dependente em AIVD 126 41,0
Dependente em ABVD e AIVD 51 16,6

O nível de atividade física foi avaliado em 310 indivíduos (98,1%) e a prevalência de inatividade física foi de 46,5%. Os dados da Tabela 2 mostram a prevalência de inatividade física, de acordo com as variáveis explanatórias. A inatividade física foi significativamente superior no grupo etário ≥ 80 anos, nos indivíduos não alfabetizados, sem trabalho remunerado ou voluntário, com sintomas depressivos e que apresentaram dependência funcional.

Tabela 2 Prevalência de inatividade física e sua associação com as variáveis explanatórias do estudo. Lafaiete Coutinho, Brasil, 2011. 

Nível Variáveis % RP bruta IC95% p
1 Sexo 0,908
Feminino 46,2 1
Masculino 46,8 1,01 0,80-1,29
Grupo etário <0,001
60-69 anos 30,7 1
70-79 anos 39,8 1,30 0,90-1,87
= 80 anos 72,8 2,37 1,75-3,21
Arranjo familiar 0,505
Vive acompanhado 47,3 1
Vive sozinho 42,0 0,89 0,63-1,26
Sabe ler e escrever 0,015
Sim 36,2 1
Não 51,7 1,43 1,07-1,90
2 Trabalho remunerado ou voluntário 0,001
Sim 8,6 1
Não 51,5 6,00 2,02-17,83
Tabagismo 0,153
Nunca fumou 40,9 1
Ex-fumante 49,0 1,20 0,92-1,56
Fumante 57,1 1,40 0,98-1,99
Consumo de bebidas alcoólicas 0,059
< 1 dia/semana 48,4 1
= 1 dia/semana 25,9 0,54 0,28-1,02
3 Sintomatologia depressiva <0,001
Negativa 37,3 1
Positiva 61,4 1,65 1,26-2,15
Pressão arterial elevada 0,026
Não 30,0 1
Sim 49,6 1,65 1,06-2,57
Hiperglicemia em jejum 0,299
Não 45,6 1
Sim 54,3 1,19 0,86-1,66
Capacidade funcional <0,001
Independente 29,5 1
Dependente em AIVD 54,5 1,85 1,35-2,53
Dependente em ABVD e AIVD 66,8 2,33 1,68-3,22

Os resultados da análise bruta mostraram que as variáveis explanatórias (grupo etário, saber ler e escrever, trabalho remunerado ou voluntário, consumo de bebidas alcoólicas, sintomatologia depressiva, pressão arterial elevada e capacidade funcional) alcançaram significância estatística suficiente (p ≤ 0,10) para serem incluídas no modelo múltiplo.

A Tabela 3 apresenta os resultados da análise ajustada para a inatividade física, em relação às variáveis explanatórias do estudo. Após os ajustes intra e interníveis, de acordo com o modelo hierárquico, as variáveis saber ler e escrever consumo de bebidas alcoólicas e pressão arterial elevada não permaneceram no modelo final, por não atenderem ao critério de significância (p ≤ 0,10). A inatividade física foi positivamente associada ao grupo etário ≥ 80 anos, a não ter trabalho remunerado ou voluntário e à dependência funcional. Embora tenha permanecido no modelo final para fins de ajuste, a sintomatologia depressiva não foi preditora de inatividade física.

Tabela 3 Modelo de regressão de Poisson hierárquico da associação entre inatividade física e as variáveis explanatórias do estudo. Lafaiete 

Variáveis RP ajustada IC95% p
Grupo etário
60-69 anos 1
70-79 anos 1,30 0,90-1,87 0,162
= 80 anos 2,37 1,75-3,21 <0,001
Trabalho remunerado ou voluntário
Sim 1
Não 4,86 1,65-14,31 0,004
Sintomatologia depressiva
Negativa 1
Positiva 1,29 0,99-1,68 0,056
Capacidade funcional
Independente 1
Dependente em AIVD 1,47 1,04-2,07 0,028
Dependente em ABVD e AIVD 1,60 1,08-2,37 0,018

Discussão

Este estudo avaliou a prevalência de inatividade física e sua associação com fatores sociodemográficos, estilo de vida e condições de saúde, em idosos não institucionalizados. Os resultados mostraram que a inatividade física, prevalente em aproximadamente metade da população estudada, foi diretamente associada à idade, a ausência de ocupação e a dependência funcional.

Comparando a prevalência do desfecho no presente estudo com a de uma pesquisa de grande abrangência que utilizou o mesmo critério de avaliação dos níveis de atividade física15, observa-se prevalência da inatividade física similar à verificada na população idosa de cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (47,3%), e inferior à verificada em cidades da região Nordeste do País (67,5%). Tomando como parâmetro a prevalência mundial de inatividade física (21,4%), estimada no estudo de Dumith et al.28, a prevalência deste comportamento na população do presente estudo pode ser considerada elevada. No entanto, nos estudos citados, a idade dos indivíduos e o processo de amostragem da população foram diferentes, dificultando maiores comparações.

A associação entre a inatividade física e avanço da idade, observada no presente estudo, é consistente com os resultados de outros estudos transversais14,15,29,30. Esta associação sugere que o avanço da idade é preditor da redução do nível de atividade física.

A redução nos níveis de atividade física com avanço da idade parece ser uma característica própria do processo de envelhecimento, consequente à interação entre a redução na função mitocondrial no músculo esquelético e outros fatores regulatórios ainda não conhecidos, que afetam a "motivação" dos idosos para a prática de atividade física31. Outros fatores como redução da massa muscular32 e presença de artrose e/ou artrite33,34 dificultam ou impedem a realização de movimento, contribuindo para inatividade em idosos longevos.

A associação entre inatividade física e o envolvimento em alguma atividade ocupacional, remunerada ou não, verificada no presente estudo, pode ser explicada pela característica da ocupação. As atividades agropecuárias e o setor de serviços são as principais atividades de trabalho exercidas em Lafaiete Coutinho16. A ocupação profissional ao longo da vida de 65,4% dos entrevistados foi na agricultura/pecuária35, atividades que envolvem grande esforço físico. A influência da atividade ocupacional no nível de atividade física global deve ser interpretada com cautela, uma vez que dados de um estudo longitudinal36 sugerem que o maior nível de atividade ocupacional pode não estar relacionado aos benefícios à saúde. Outros estudos devem ser incentivados a fim de que esta relação seja melhor compreendida.

Os resultados mostraram associação entre capacidade funcional e inatividade física, o que tem sido coerente com outros estudos envolvendo idosos37-40. Virtuoso Júnior et al.38 sugeriram pontos de cortes de atividade física para predizer a ausência de incapacidade funcional, identificando a necessidade de 280 minutos/semana para mulheres e 410 minutos/semana para homens, valores superiores aos parâmetros de atividade física recomendados para indivíduos de 18 a 65 anos39.

Algumas limitações do presente estudo devem ser mencionadas. O delineamento transversal dificulta o avanço em análises temporais, não permitindo identificar relação de causalidade. A utilização do instrumento para avaliação do nível de atividade física, por se tratar de uma medida indireta pode subestimar ou superestimar algumas informações. Entretanto, trata-se de instrumento simples e de fácil aplicação, amplamente utilizado em estudos populacionais11,15,29.

Em conclusão, mesmo que atividade física regular seja essencial para um envelhecimento saudável, no presente estudo a prevalência de inatividade física foi observada em quase metade da população. Os resultados deste estudo também indicaram que mais idade (≥ 80 anos), ausência de ocupação e comprometimento da capacidade funcional foram preditores de inatividade física. As principais recomendações, assim como para os adultos, sugerem que indivíduos idosos se envolvam em atividades aeróbicas, de fortalecimento muscular e flexibilidade. Diante deste contexto é preciso que sejam incentivados programas específicos que estimulem a prática da atividade física, tendo em vista o combate a inatividade física e os fatores de risco decorrentes deste comportamento. Sugere-se também que outros estudos sejam realizados em populações de baixa renda, de maneira que a influência da atividade ocupacional possa ser mais bem compreendida.

Agradecimentos

À Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) pela bolsa de Iniciação Científica BM Queiroz recebeu. À UESB e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia - FAPESB pelo financiamento da pesquisa. À Secretaria Municipal de Saúde de Lafaiete Coutinho (BA) e aos idosos que participaram do estudo.

Referências

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Received: October 16, 2013; Accepted: December 03, 2013

Colaboradores RS Coqueiro, AR Barbosa e MH Fernandes foram responsáveis pela concepção e delineamento. RS Coqueiro realizou a análise e interpretação dos dados. BM Queiroz, RS Coqueiro, JS Leal Neto, AF Borgatto, AR Barbosa e MH Fernandes contribuíram na redação do artigo, revisão crítica e aprovaram a versão a ser publicada.

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