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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.20 no.1 Rio de Janeiro Jan. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014201.18982013 

Temas Livres

Correlação e associação de renda e escolaridade com condições de saúde e nutrição em obesos graves

Correlation and association of income and educational level with health and nutritional conditions among the morbidly obese

Ana Paula dos Santos Rodrigues 1  

Erika Aparecida da Silveira 1  

1Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Goiás. 1a. Avenida s/nº, Setor Leste Universitário. 74605-020 Goiânia Goiás Brasil. anapsr@gmail.com

RESUMO

O objetivo deste artigo é investigar relações entre renda e escolaridade com condições de saúde e nutrição em obesos graves. Estudo transversal ambulatorial com 79 pacientes de primeira consulta, com Índice de Massa Corporal (IMC) ≥ 35 kg/m2 e idade ≥ 20 anos. Coletaram-se dados: sociodemográficos, antropométricos, estilo de vida, exames bioquímicos e consumo alimentar. O IMC médio foi 48,3 ± 6,9 kg/m2. Observou-se correlação negativa significante de escolaridade com variáveis peso (r = -0,234) e IMC (r = -0,364) e de renda familiar per capita com consumo diário de vegetal A (r = -0,263). Após análise multivariada maior renda familiar per capita se associou à ausência de cardiopatia (RP: 0,51, IC95%: 0,32-0,81), maior consumo diário de vegetal A (RP: 1,79, IC95%: 1,16-2,75) e doces (RP: 3,12, IC95%: 1,21-8,04). Em obesos graves a maior renda familiar per capita se associou à ausência de cardiopatia e maior consumo de vegetais folhosos e doces. Já a escolaridade não se manteve associada às condições de saúde e nutrição.

Palavras-Chave: Obesidade grave; Doenças cardiovasculares; Consumo de alimentos; Determinantes sociais; Verduras

ABSTRACT

This article seeks to investigate the relationship between income and educational level and health and nutritional conditions among the morbidly obese. A cross-sectional study was conducted with 79 patients at first appointment, with Body Mass Index (BMI) ≥ 35 kg/m2 and age ≥ 20 years. The following data was collected: demographic, socioeconomic, anthropometric, lifestyle, biochemical and food intake data. Average BMI was 48.3 ± 6.9 kg/m2. There was a significant negative correlation between education level and the variables of weight (r = -0.234) and BMI (r = -0.364) and per capita family income with daily consumption of leafy vegetables (r = -0.263). After multivariate analysis, higher per capita family income was associated with the absence of heart disease (PR: 0.51, CI95%: 0.32-0.81), higher daily consumption of leafy vegetables (PR: 1.79, CI95%: 1.16-2.75) and candy (PR: 3.12, CI95%: 1.21-8.04). In the morbidly obese, per capita household income was associated with absence of heart disease and higher consumption of leafy vegetables and candy. On the other hand, education level was not associated with health and nutrition conditions.

Key words: Morbid obesity; Cardiovascular diseases; Food consumption; Social determinants; Vegetables

Introdução

A obesidade é uma doença epidêmica no mundo1 , 2. Na população adulta a prevalência chega a 33,8% nos Estados Unidos3 e atinge 14,8% no Brasil4. A alta prevalência da obesidade é preocupante, pois está relacionada à maior mortalidade e incidência de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, dislipidemia, cálculo biliar, osteoartrite, apneia do sono e certos tipos de câncer2 , 5 , 6.

A obesidade tem origem em uma interação complexa entre fatores biológicos, genéticos, ambientais, sociais e psicológicos, que levam a um balanço energético positivo e, consequentemente, ao ganho de peso2. Dentre estes fatores, alguns estudos apontam associação entre obesidade e aspectos socioeconômicos como renda e escolaridade7 - 9. Algumas pesquisas demonstram que associação inversa entre escolaridade e obesidade, principalmente entre as mulheres7 - 9. Estudo nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil observou associação entre renda e obesidade em homens9. No entanto, essas pesquisas avaliaram indivíduos com sobrepeso e obesidade, sendo importante conhecer a relação de renda e escolaridade com as condições de saúde e nutrição em obesos graves, ou seja, com IMC ≥ 35 kg/m2. Aspectos relacionados aos determinantes sociais de saúde como renda e escolaridade merecem ser investigados em obesos graves, bem como com as condições de saúde e nutrição desse grupo populacional.

O tratamento clínico da obesidade grave tem se mostrado pouco efetivo em manter a redução de peso10, assim compreender as inter-relações entre renda e escolaridade com variáveis de saúde e nutrição podem auxiliar na maior compreensão do cenário e das condições ambientais em que esses pacientes estão inseridos e a partir desse conhecimento, elaborar intervenções mais específicas e adequadas ao perfil dessa população. Ademais, estudos com obesos graves quase sempre abordam questões do período pós-operatório de cirurgia bariátrica, sendo poucos estudos buscando compreender a situação desses pacientes em seu contexto social11 - 13. Diante disso, o objetivo deste estudo foi investigar as relações de renda e escolaridade conforme as condições de saúde e nutrição em obesos graves.

Métodos

Realizou-se estudo transversal com obesos graves que buscaram atendimento no Ambulatório de Nutrição e Obesidade Grave do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia-GO. Esse ambulatório desenvolve atividades de pesquisa, ensino e extensão, prestando atendimento exclusivamente a obesos com IMC ≥ 35 kg/m2 desde 2007. A população do estudo foi constituída por todos os pacientes de primeira consulta no ambulatório de outubro de 2007 a outubro de 2009, excluindo-se cadeirantes. Os pacientes atendidos apresentavam como critério de inclusão: idade ≥ 20 anos e Índice de Massa Corporal (IMC) ≥ 35 kg/m2, ou seja, obesidade grave (graus II e III).

Toda equipe de profissionais do ambulatório recebeu treinamento prévio para a coleta de dados da pesquisa e para o atendimento dos pacientes conforme protocolo nutricional especializado e individualizado14. A aferição do peso e altura foram realizados por Nutricionistas ou acadêmicos de Nutrição após treinamento e padronização visando reprodutibilidade e validade da informação inter e intra-antropometrista15.

As variáveis estudadas e coletadas em formulário padronizado e pré-testado no momento da primeira consulta foram: demográficas - sexo, idade, estado civil, cor da pele; socioeconômicas - escolaridade em anos de estudo e renda familiar per capita; condições de saúde - hipertensão, diabetes, dislipidemia, cardiopatia, litíase biliar, outras doenças; glicemia de jejum, lipidograma (colesterol total, HDL colesterol, LDL colesterol, triglicérides) e ácido úrico; estilo de vida - tabagismo, ingestão de bebida alcoólica, prática de atividade física; condição nutricional - peso, altura e grau de obesidade pelo Índice de Massa Corporal (IMC) e consumo de alimentos saudáveis e de risco avaliado por meio de frequência de consumo alimentar16.

A variável escolaridade foi categorizada em 0-8 anos e ≥ 9 anos de estudo e a renda familiar per capita foi categorizada em 1° e 2° quartis de renda e 3° e 4° quartis de renda.

Os exames bioquímicos foram solicitados na primeira consulta e os resultados anotados no primeiro retorno do paciente ao ambulatório em um intervalo de até 30 dias. Até esse retorno o paciente ainda se encontrava em fase de avaliação diagnóstica e sem receber nenhuma intervenção que pudesse modificar os resultados.

Considerou-se como prática de atividade física a realização de no mínimo 150 minutos semanais de atividade aeróbia de moderada a intensa, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde17.

O peso foi aferido utilizando-se balança tipo plataforma da marca Welmy, capacidade até 300 kg, escala de 100 g, com os participantes vestindo roupas leves e descalços, posicionando-se de costas para a escala, no centro da plataforma da balança e distribuindo o peso entre ambos os pés, conforme técnica proposta pela WHO18. A altura foi medida utilizando antropômetro vertical milimetrado da balança tipo plataforma, com escala de 0,1cm, estando os indivíduos em posição ereta, a cabeça posicionada de forma que a visão forme linha perpendicular ao corpo, braços estendidos ao longo do corpo e descalços18.

Dividiu-se o peso (kg) pela altura (m) elevada ao quadrado para calcular o IMC e foram utilizados os seguintes pontos de corte: 35,0 a 39,9 kg/m2 obesidade grau II; 40,0 a 49,9 kg/m2obesidade grau III; 50,0 a 59,9 kg/m2 superobesidade e ≥ 60,0 kg/m2 super/superobesidade19.

A análise do consumo alimentar foi feita utilizando-se Questionário de Frequência de Consumo (QFC) adaptado de Block et al.16 sendo que os alimentos foram divididos em 2 grupos: alimentos saudáveis - leguminosas, leite e derivados, frutas, vegetal A (vegetais com 1 a 7,5% de carboidratos, como alface, couve, acelga, mostarda, etc.) e vegetal B (vegetais com 7,5 a 10,5% de carboidratos, como cenoura, beterraba, vagem, etc.); e alimentos de risco - quitandas e salgados, açúcar, doces, frituras e refrigerante. O consumo dos alimentos foi categorizado em consumo diário "sim" e "não" e ainda analisado na sua forma contínua.

Quanto aos exames laboratoriais, foi utilizado como valor de referência para a glicemia o critério da American Diabetes Association20, sendo normal glicemia de jejum < 100 mg/dL, para o perfil lipídico utilizou-se como referência o critério da Sociedade Brasileira de Cardiologia21, sendo considerado normal colesterol total < 200 mg/dL, LDL-c < 160 mg/dL, HDL-c > 50 mg/dL para mulheres e > 40 mg/dL para homens e triglicérides < 150 mg/dL. Para o ácido úrico considerou-se normal valores entre 2,6 e 6,0 para mulheres e 3,5 e 7,2 para homens22.

A análise estatística foi feita no programa Stata 8.0. Para variáveis categóricas utilizou-se frequência absoluta e relativa e para variáveis contínuas, média e desvio-padrão. Para comparação entre as médias de IMC foi utilizado test t de Student. Analisou-se a correlação da escolaridade e renda familiar per capita com as variáveis antropométricas, de consumo alimentar, prática de atividade física e exames bioquímicos utilizando-se o teste de correlação de Pearson ou Spearman, após avaliar a normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk. Para verificar a associação das variáveis de condições de saúde e nutrição com renda familiar per capita e escolaridade utilizou-se o teste do Qui-quadrado ou exato de Fisher. Foi considerado estatisticamente significante o valor p ≤ 0,05. Calculou-se ainda por regressão de Poisson simples a razão de prevalência e intervalo de confiança de 95%. As variáveis com valor p ≤ 0,20 foram levadas para análise multivariada por regressão de Poisson, permanecendo no modelo final apenas as variáveis com valor p ≤ 0,05.

Este estudo está inserido em um projeto maior denominado "Evolução Nutricional e Clínica de Pacientes Candidatos a Cirurgia Bariátrica em Período Pré e Pós-Operatório", o qual foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Médica, Humana e Animal do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (CEPMHA/HC-UFG).

Resultados

A média de IMC foi de 48,3 ± 6,9 kg/m2. A categoria de IMC mais prevalente foi de 40 a 49,9 kg/m2 com 53,8%, seguida por 50 a 59,9 kg/m2 com 28,2%, 35,0 a 39,9 kg/m2 com 10,3% e ≥ 60,0 kg/m2 com 7,7%

Quanto às características socioeconômicas e demográficas dos 79 pacientes dessa pesquisa, 91,1% eram mulheres, 60,7% possuíam entre 30 e 49 anos de idade, 64,6% eram casados/união estável e 35,4% tinham de 5 a 8 anos de estudo. Quanto à renda, 54,6% dos pacientes possuíam renda própria, sendo a média R$ 531,90 ± 403,95 e a renda familiar per capita R$ 278,05 ± 191,22. Mais de 75% dos pacientes possuíam renda familiar per capita menor do que 1 salário mínimo (Tabela 1).

Tabela 1. Características socioeconômicas, demográficas, antropométricas e bioquímicas dos pacientes com obesidade grave, Ambulatório de Nutrição e Obesidade Grave, Hospital das Clínicas/ UFG, 2011 (n = 79). 

Variáveis N [média ± DP] % [amplitude]
Sexo
Feminino 72 91,1
Masculino 7 8,9
Idade (anos)
23-29 20 25,3
30-39 26 32,9
40-49 22 27,8
50-66 11 13,9
Estado civil
Solteiro (a) 17 21,5
Casado (a)/ união estável 50 64,6
Separado/ divorciado (a) 8 10,1
Viúvo (a) 3 3,8
Cor da pele*
Branco 28 36,4
Pardo 36 46,8
Negro 13 16,9
Escolaridade
Analfabeto (a) 2 2,5
1-4 10 12,7
5-8 28 35,4
9-11 22 27,8
≥ 12 17 21,5
Renda familiar per capita*
1° quartil (R$ 0,00-139,49) 18 24,3
2° quartil (R$ 139,50-232,49) 17 23,0
3° quartil (R$ 232,50-333,33) 21 28,4
4° quartil (R$ 333,34-920,00) 18 24,3
Peso (kg) [121,5 ± 17,4] [92,0 - 182,4]
Altura (m) [1,59 ± 0,07] [1,43 - 1,79]
IMC (kg/m2) [48,3 ± 6,9] [36,9 - 71,2]
Glicemia (mg/dL) [106,3 ± 31,1] [75,0 - 224,0]
Colesterol total (mg/dL) [189,2 ± 39,6] [101,0 - 302,0]
HDL (mg/dL) [42,1 ± 9,4] [27,0 - 63,0]
LDL (mg/dL) [117,1 ± 33,4] [40,0 - 221,0]
Triglicérides (mg/dL) [161,3 ± 118,2] [52,0 - 739,0]
Ácido úrico (mg/dL) [6,0 ± 2,2] [2,9 - 12,8]

* Cor da pele: n = 77; renda familiar per capita: n = 74.

Observa-se que os níveis médios de glicemia de jejum e triglicérides estiveram acima dos valores de referência (Tabela 1), sendo que 42% apresentaram glicemia acima do valor de normalidade e 38,8% apresentaram hipertrigliceridemia. A prevalência de hipercolesterolemia foi de 38,8%, HDL baixo 75,8%, LDL elevado 6,2% e 34,0% com ácido úrico acima dos valores de normalidade (dados não apresentados em tabela).

Na análise de correlação (Tabela 2), observa-se correlação negativa de escolaridade com IMC (p = 0,001, r = -0,364) e peso (p = 0,039 e r = -0,234), porém os valores de r indicam correlação fraca. Também foi observada correlação negativa de renda familiar per capita com consumo diário de vegetal A (p = 0,024 e r = -0,263).

Tabela 2. Correlação entre escolaridade e renda familiar per capita com variáveis antropométricas, consumo alimentar, prática de atividade física e exames bioquímicos dos pacientes obesos graves, Ambulatório de Nutrição e Obesidade Grave, Hospital das Clínicas/UFG, 2011. 

Variáveis Escolaridade Renda familiar per capita
r (valor-p) r (valor-p)
Antropométricas
Peso -0,234 (0,039)* -0,022 (0,854)**
Altura 0,175 (0,124)* 0,068 (0,567)*
IMC -0,364 (0,001)* -0,003 (0,979)**
Alimentos saudáveis#
Leguminosas -0,021 (0,860)* 0,028 (0,816)**
Leite e derivados -0,162 (0,162)* 0,012 (0,918)**
Frutas -0,216 (0,061)* -0,186 (0,116)**
Vegetal A 0,109 (0,347)* -0,263 (0,024)**
Vegetal B 0,013 (0,914)* 0,050 (0,676)**
Alimentos de risco#
Quitandas e salgados -0,097 (0,404)* 0,017 (0,888)*
Açúcar 0,122 (0,295)* 0,049 (0,683)**
Doces -0,154 (0,186)* -0,028 (0,815)*
Frituras -0,038 (0,742)* 0,072 (0,544)**
Refrigerante 0,154 (0,185)* -0,142 (0,229)**
Prática de atividade física
Minutos diários 0,073 (0,740)* 0,079 (0,725)*
Exames bioquímicos
Glicemia de jejum 0,042 (0,730)* -0,053 (0,675)**
Colesterol total -0,036 (0,770)* 0,004 (0,973)*
HDL -0,006 (0,964)* 0,132 (0,300)**
LDL -0,008 (0,948)* -0,046 (0,720)*
Triglicérides 0,004 (0,974)* -0,029 (0,821)**
Ácido úrico -0,232 (0,112)* -0,216 (0,149)**

*Correlação de Pearson;

**Correlação de Spearman;

# Consumo diário.

Na análise de associação, a escolaridade esteve associada à hipertensão arterial (p = 0,009) com maior prevalência para indivíduos de menor escolaridade (Tabela 3). Para a renda familiar per capita (Tabela 4) observou-se associação com: presença de cardiopatia (p = 0,046), consumo diá rio de vegetal A (p = 0,008) e consumo diário de doces (p = 0,027). O sentido dessas associações variou conforme a seguir: renda foi significativamente maior naqueles que não apresentaram cardiopatia; consumo diário de vegetal A e doces foram maiores naqueles com maior renda familiar per capita.

Tabela 3. Condições de saúde e nutrição em pacientes obesos graves conforme nível de escolaridade com respectiva razão de prevalência e teste de associação. Ambulatório de Nutrição e Obesidade Grave, Hospital das Clínicas/UFG, 2011 (n = 79). 

Escolaridade (N = 79)
Variáveis N (%) 0 a 8 ≥ 9 RP (IC) Valor p*
N (%) N (%)
Hipertensão 0,009
46 (58,20) 29 (63,04) 17 (36,96) 1,89 (1,11-3,22)
Sim
33 (41,77) 11 (33,33) 22 (66,67) 1
Não
0,302
Dislipidemia
35 (44,30) 20 (57,14) 15 (42,86) 1,26 (0,81-1,94)
Sim
44 (55,70) 20 (45,45) 24 (54,55) 1
Não
0,755**
Diabetes
11 (13,9) 5 (45,45) 6 (54,55) 1
Sim
68 (86,08) 35 (51,47) 33 (48,53) 1,13 (0,57-2,26)
Não
0,154**
Litíase biliar
9 (11,4) 7 (77,78) 2 (22,22) 1,67 (1,07-2,54)
Sim
70 (88,61) 33 (47,14) 37 (52,86) 1
Não
Cardiopatia 1,000**
Sim 4 (5,1) 2 (50,00) 2 (50,00) 1
Não 75 (94,94) 38 (50,67) 37 (49,33) 1,01 (0,37-2,79)
Outras doenças 0,205
Sim 27 (34,2) 11 (40,74) 16 (59,26) 1
Não 52 (65,82) 29 (55,77) 23 (44,23) 1,37 (0,82-2,30)
Tabagismo 0,484**
Não fumante 56 (70,9) 26 (46,43) 30 (53,57) 1
Ex-fumante 17 (21,5) 10 (58,82) 7 (41,18) 1,27 (0,78-2,07)
Fumante 6 (7,6) 4 (66,67) 2 (33,33) 1,44 (0,76-2,71)
Ingestão de bebida alcoólica 0,083**
Sim 14 (17,7) 4 (28,57) 10 (71,43) 1
Não 65 (82,3) 36 (55,38) 29 (44,62) 1,94 (0,82-4,59)
Prática de atividade física 0,415
Sim 23 (29,1) 10 (43,48) 13 (56,52) 1
Não 56 (70,9) 30 (53,57) 26 (46,43) 1,23 (0,73-2,09)
Alimentos saudáveis#
Leguminosas 0,727
Sim 47 (61,84) 24 (51,06) 23 (48,94) 1
Não 29 (38,16) 16 (55,17) 13 (44,83) 1,08 (0,70-1,67)
Leite e derivados 0,679
Sim 34 (44,74) 17 (50,00) 17 (50,00) 1
Não 42 (55,26) 23 (54,76) 19 (45,24) 1,10 (0,71-1,70)
Frutas 0,075
Sim 28 (36,84) 11 (39,29) 17 (60,71) 1
Não 48 (63,16) 29 (60,42) 19 (39,58) 1,54 (0,92-2,58)
Vegetal A 0,262
Sim 50 (65,79) 24 (48,00) 26 (52,00) 1
Não 26 (34,21) 16 (61,54) 10 (38,46) 1,28 (0,84-1,96)
Vegetal B 0,408
Sim 28 (36,84) 13 (46,43) 15 (53,57) 1,21 (0,76-1,94)
Não 48 (63,16) 27 (56,25) 21 (43,75) 1
Alimentos de risco#
Quitandas e salgados 0,747 **
Sim 11 (14,47) 5 (45,45) 6 (54,55) 1
Não 65 (85,53) 35 (53,85) 30 (46,15) 1,18 (0,59-2,36)
Açúcar 0,550
Sim 47 (61,84) 26 (55,32) 21 (44,68) 1,15 (0,72-1,81)
Não 29 (38,16) 14 (48,28) 15 (51,72) 1
Doces 0,702**
Sim 7 (9,21) 3 (42,86) 4 (57,14) 1
Não 69 (90,79) 37 (53,62) 32 (46,38) 1,25 (0,51-3,04)
Frituras 0,127**
Sim 13 (17,11) 4 (30,77) 9 (69,23) 1
Não 63 (82,89) 36 (57,14) 27 (42,86) 1,86 (0,80-4,34)
Refrigerante 0,242
Sim 24 (31,58) 15 (62,50) 9 (37,50) 1,30 (0,85-1,98)
Não 52 (68,42) 25 (48,08) 27 (51,92) 1

* Teste do Qui-quadrado;

**Teste exato de Fischer;

#Consumo diário.

RP = razão de prevalência, IC = intervalo de confiança de 95%

Tabela 4. Condições de saúde e nutrição em pacientes obesos graves conforme nível de renda com respectiva razão de prevalência e teste de associação. Ambulatório de Nutrição e Obesidade Grave, Hospital das Clínicas/ UFG, 2011 (n = 79). 

Renda familiar per capita (N = 74)
Variáveis N (%) 1° e 2° quartis 3° e 4° quartis RP (IC) Valor p*
N (%) N (%)
Hipertensão 0,052
Sim 42 (56,76) 24 (57,14) 18 (42,86) 1,66 (0,96-2,88)
Não 32 (43,24) 11 (34,38) 21 (65,63) 1
Dislipidemia 0,209
Sim 31 (41,89) 12 (38,71) 19 (61,29) 1
Não 43 (58,11) 23 (53,59) 20 (46,51) 1,38 (0,82-2,34)
Diabetes 1,000**
Sim 9 (12,16) 4 (44,44) 5 (55,56) 1
Não 65 (87,84) 31 (47,69) 34 (52,31) 1,07 (0,49-2,34)
Litíase biliar 0,701**
Sim 7 (9,46) 4 (57,14) 3 (42,86) 1,24 (0,62-2,48)
Não 67 (90,54) 31 (46,27) 36 (53,73) 1
Cardiopatia 0,046**
4 (5,41) 4 (100,00) 0 (0,00) 2,26 (1,73-2,94)
Sim
70 (94,59) 31 (44,29) 39 (55,71) 1
Não
0,369
Outras doenças
25 (33,78) 10 (40,00) 15 (60,00) 1
Sim
49 (66,22) 25 (51,02) 24 (48,98) 1,28 (0,73-2,23)
Não
0,569**
Tabagismo
53 (71,62) 23 (43,40) 30 (56,60) 1
Não fumante
16 (21,62) 9 (56,25) 7 (43,75) 1,30 (0,76-2,21)
Ex-fumante
5 (6,76) 3 (60,00) 2 (40,00) 1,38 (0,63-3,03)
Fumante
0,482
Ingestão de bebida alcoólica
13 (17,57) 5 (38,46) 8 (61,54) 1
Sim
61 (82,43) 30 (49,18) 31 (50,82) 1,28 (0,61-2,68)
Não
0,083
Prática de atividade física
22 (29,73) 7 (31,82) 15 (68,18) 1
Sim
52 (70,27) 28 (53,85) 24 (46,15) 1,69 (0,87-3,29)
Não
Alimentos saudáveis#
Leguminosas 0,644
Sim 45 (61,64) 20 (44,44) 25 (55,56) 1
Não 28 (38,36) 14 (50,00) 14 (50,00) 1,12 (0,68-1,85)
Leite e derivados 0,835
Sim 31 (42,47) 14 (45,16) 17 (54,84)
Não 42 (57,53) 20 (47,62) 22 (52,38) 1,05 (0,64-1,75)
Frutas 0,444
Sim 27 (36,99) 11 (40,74) 16 (59,26) 1
Não 46 (63,01) 23 (50,00) 23 (50,00) 1,23 (0,71-2,11)
Vegetal A 0,008
Sim 48 (65,75) 17 (35,42) 31 (64,58) 1
Não 25 (34,25) 17 (68,00) 8 (32,00) 1,92 (1,20-3,07)
Vegetal B 0,211
Sim 27 (43,59) 10 (37,04) 17 (62,96) 1
Não 46 (63,01) 24 (52,17) 22 (47,83) 1,41 (0,80-2,49)
Alimentos de risco#
Quitandas e salgados 0,936
Sim 11 (15,07) 5 (45,45) 6 (54,55) 1
Não 62 (84,93) 29 (46,77) 33 (53,23) 1,03 (0,51-2,08)
Açúcar 0,836
Sim 46 (63,01) 21 (45,65) 25 (54,35) 1
Não 27 (36,99) 13 (48,15) 14 (51,85) 1,05 (0,64-1,75)
Doces 0,027**
Sim 6 (8,22) 0 (0,00) 6 (100,00) 1
Não 67 (91,78) 34 (50,75) 33 (49,25) 3,18 (1,37-7,36)
Frituras 0,562
Sim 13 (17,81) 7 (53,85) 6 (46,15) 1,20 (0,67-2,14)
Não 60 (84,62) 27 (45,00) 33 (55,00) 1
Refrigerante 0,387
Sim 23 (31,51) 9 (26,47) 14 (35,90) 1
Não 50 (68,49) 25 (73,53) 25 (64,10) 1,28 (0,71-2,29)

* Teste do Qui-quadrado;

**Teste exato de Fischer;

# Consumo diário.

RP = razão de prevalência, IC = intervalo de confiança de 95%

Após análise de regressão de Poisson multivariada, observa-se que a hipertensão arterial não se manteve associada à escolaridade e para renda familiar per capita, as variáveis presença de cardiopatia, consumo diário de vegetal A e consumo diário de doces mantiveram a associação (Tabela 5).

Tabela 5. Regressão multivariada das condições de saúde e nutrição conforme nível de escolaridade e renda em obesos graves, Ambulatório de Nutrição e Obesidade Grave, Hospital das Clínicas/UFG, 2011 (n = 79). 

Variáveis RP (IC95%) Valor p*
Escolaridade
Hipertensão (sim) 1,46 (0,87-2,46) 0,155
Litíase biliar (sim) 1,62 (0,96-2,74) 0,070
Ingestão de bebida alcoólica (não) 2,01 (0,81-4,98) 0,132
Consumo diário de frutas (não) 1,91 (0,85-4,31) 0,119
Consumo diário de frituras (não) 1,35 (0,87-2,08) 0,177
Renda familiar per capita
Hipertensão (sim) 1,52 (0,89-2,60) 0,129
Cardiopatia (sim) 0,51 (0,32-0,81) 0,004
Prática de atividade física (não) 1,33 (0,67-2,64) 0,413
Consumo diário de vegetal A (não) 1,79 (1,16-2,75) 0,009
Consumo diário de doces (não) 3,12 (1,21-8,04) <0,001

*Estatística Wald RP = razão de prevalência IC95% = intervalo de confiança de 95%.

Discussão

Notou-se predomínio de mulheres, sendo o mesmo observado em outros estudos11 , 23 - 28, o que pode ser explicado pela maior utilização dos serviços de saúde pelo sexo feminino29 ou pela maior prevalência de obesidade mórbida entre as mulheres3 , 4. Os dados apontaram também concentração de idade na faixa de 30 a 49 anos, o que está de acordo com outra pesquisa em que a prevalência de obesidade grave reduz a partir dos 55 anos13. Houve concentração de pacientes das classes de menor escolaridade e menor renda, achado similar a outros estudos com pacientes de ambulatórios de Hospitais Escola24 , 25.

Os resultados dos exames bioquímicos evidenciaram alta prevalência de alterações metabólicas nos obesos graves. A prevalência de glicemia acima do normal (42,0%) foi maior do que a de diabetes melito (13,9%), podendo indicar início de intolerância à glicose ou falta de controle do diabetes melito. A prevalência de hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia neste estudo foram superiores à metanálise de Buchwald et al.26, sendo o mesmo observado para o ácido úrico em relação ao estudo de Porto et al.23.

Nesta pesquisa, houve correlação negativa significante de escolaridade com IMC e peso, ou seja, quanto maior o peso e o IMC menor a escolaridade. Outros estudos mostram relação inversa entre escolaridade e obesidade9 , 27 , 30 , 31, sendo o mesmo encontrado nessa pesquisa para a obesidade grave. Na análise de associação, nota-se maior prevalência de hipertensão arterial em indivíduos de menor escolaridade. Associação inversa entre nível educacional e pressão arterial foi apontada em outros estudos, corroborando os achados desta pesquisa32 , 33.

Já na análise da renda familiar per capita houve correlação inversa com o consumo diário de vegetal A, apesar de fraca (r = -0,263). Após analise por regressão múltipla, observa-se que os obesos graves de menor renda têm 1,79 mais chance de não consumir vegetal A diariamente do que os de maior renda.

Vale destacar na presente pesquisa, uma importante associação e correlação entre a renda e o consumo de vegetais folhosos, assim indivíduos de menor renda possuem menor probabilidade de consumir esses alimentos, principalmente considerando que são tão importantes numa dieta de redução calórica e para uma alimentação saudável.

Não foi demonstrada correlação e associação entre renda familiar per capita e variáveis antropométricas, como peso e IMC, nos pacientes com obesidade grave. Esses achados diferem da população em geral onde pesquisas já mostraram associação de renda com obesidade9 , 13.

Menor prevalência de cardiopatia esteve associada ao maior nível de renda familiar per capita, assim evidencia-se que maior renda protege contra o risco de cardiopatia em obesos graves. Similar a esses achados, algumas pesquisas indicaram que a prevalência e o risco para doença cardiovascular é maior em indivíduos com menor nível socioeconômico34 , 35.

Nos obesos graves o consumo diário de vegetal A foi significativamente maior para os indivíduos de maior renda, sendo o mesmo verificado para o consumo diário de doces. Na POF 2002-200336 o consumo de verduras e legumes aumentou de maneira uniforme conforme aumento do nível de rendimentos familiares. Enquanto na POF 2002-200336 foi observado que as classes de rendimentos superiores consomem 50% menos açúcar do que as classes mais baixas, ou seja, diferente do presente estudo. Já neste estudo não foi encontrada diferença entre os grupos para o consumo de açúcar, entretanto, o consumo de doces foi significativamente maior para o grupo de maior renda, podendo ser uma característica específica da população de obesos graves. Assim, sugere-se que outras pesquisas avaliem o consumo alimentar de indivíduos com obesidade grave para que outras peculiaridades sejam identificadas.

Entre as possíveis limitações metodológicas desta pesquisa destaca-se a uniformidade da população estudada quanto ao nível de renda, em sua maioria de baixo poder aquisitivo, o que pode ter reduzido a possibilidade de encontrar outras associações. Outra limitação é inerente ao próprio desenho do estudo, ou seja, a causalidade reversa.

A interface entre os determinantes sociais e os aspectos relacionados à obesidade grave são explorados neste trabalho mostrando que uma maior renda familiar per capitase associou à ausência de cardiopatia e maior consumo de vegetais folhosos e doces. Já a escolaridade não se manteve associada às condições de saúde e nutrição. Há poucos estudos sobre as condições de saúde e nutrição de obesos graves e suas inter-relações com os níveis de renda e escolaridade, assim esta pesquisa traz informações relevantes sobre esse grupo populacional e que auxiliam no aprofundamento do conhecimento desse tema. Essas informações podem ser úteis para direcionar o tratamento clínico e nutricional, e ainda como subsídio para elaborar protocolos que atendam às características peculiares dos obesos graves. Conhecer melhor as características desse grupo pode contribuir com as equipes de saúde para que estejam mais preparadas para receber esses pacientes e, consequentemente, melhorar a adesão e a efetividade do tratamento. Poderão auxiliar também os gestores em saúde na elaboração de ações de promoção à saúde e políticas de saúde publica para combater e controlar a obesidade grave.

Agradecimentos

Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela bolsa de mestrado da autora principal, à graduanda em Nutrição Ana Gabriela Estavam Brito pelo auxílio na coleta dos dados, à Universidade Federal de Goiás pela bolsa de extensão da estagiária Ana Gabriela e aos pacientes do Ambulatório de Nutrição e Obesidade (ANOG) do Hospital das Clínicas/ UFG pela colaboração.

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Received: October 06, 2013; Revised: March 18, 2014; Accepted: March 24, 2014

Colaboradores APS Rodrigues trabalhou na coleta, análise dos dados, revisão de literatura e redação final. EA Silveira trabalhou na elaboração do projeto de pesquisa, concepção do artigo, metodologia, redação e aprovação da versão final.

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