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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.20 no.2 Rio de Janeiro fev. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015202.01142014 

TEMAS LIVRES

Carga de doença no Brasil: um olhar sobre o álcool e a cirrose não viral

Flávia Batista Portugal1 

Mônica Rodrigues Campos1 

Juliana Ribeiro de Carvalho2 

Luisa Sório Flor1 

Joyce Mendes de Andrade Schramm1 

Maria de Fátima dos Santos Costa3 

1Escola Nacional de Saúde Pública, Fiocruz. R. Leopoldo Bulhões 1480, Manguinhos. 21041-210 Rio de Janeiro RJ Brasil. flaviabportugal@gmail.com

2Serviço de Pronto Atendimento, Hospital do Câncer, Instituto Nacional do Câncer.

3Departamento de Informação e Documentação, Instituto Fernandes Figueira, Fiocruz.

RESUMO

O uso/dependência de álcool é importante fator de risco para o desenvolvimento da cirrose. O objetivo deste artigo é descrever e analisar o DALY (Disability Adjusted Life Years), o YLL (Years of Life Lost) e o YLD (Years Lived with Disability) de uso/dependência de álcool e da cirrose de etiologia não viral no Brasil, em 2008. O DALY foi calculado pela soma do YLL e do YLD. Para o YLL, foi utilizada a média dos óbitos de 2007-2009 no país. Através da revisão de dados epidemiológicos e do uso da ferramenta DisMod, a prevalência de cada um dos agravos foi modelada, gerando dados de incidência para o cálculo do YLD. O álcool e a cirrose foram responsáveis, respectivamente, por 3% e 1% do DALY total. Considerando-se as dez primeiras causas de DALY para homens, o uso/ dependência de álcool ocupou a segunda, terceira e sexta posições nas idades de 15-29, 30-44 e 45-59 anos, respectivamente. A cirrose ocupou a oitava posição no grupo de 30-44 anos; a quinta, no de 45-59 e a oitava, no de 60-69. A distribuição dos agravos por faixa etária sugere que intervenções direcionadas ao uso/dependência de álcool terão efeitos na carga de cirrose alcoólica no país.

Palavras-Chave: Carga de doença; Cirrose; Abuso de álcool

Introdução

O uso nocivo e a dependência de álcool (“uso/dependência do álcool”) são um importante fator de risco para diversas doenças e lesões que ameaçam a saúde. é responsável, aproximadamente, por 2,5 milhões de mortes por ano, sendo que de 20% a 50% da ocorrência de cirrose hepática, de epilepsia, dos envenenamentos, dos acidentes de trânsito, da violência e dos vários tipos de câncer são causados pelo seu consumo1.

No mundo, estima-se que aproximadamente 11,5% entre aqueles que bebem apresentam o padrão heavy episodic drinking (consumo de 60 gramas ou mais de álcool puro nos últimos sete dias); no continente americano, esta prevalência é de 12%, sendo 17,9% para os homens e 4,5% para as mulheres1. Já no estudo Global Burden of Disease (GBD) de 19902, os Disability Adjusted Life Years (DALY) - anos de vida perdidos ajustados por incapacidade - atribuídos ao uso/dependência de álcool eram de 248/100.000, correspondendo a 0,5% do DALY total no mundo. No estudo de 2010, este número aumenta em 3,4%, assumindo valor de 256/100.000 (0,7% do DALY). No Brasil, a situação também é preocupante. Em 2003, a Organização Mundial de Saúde estimou que 19,1% dos homens e 4,1% das mulheres no país apresentavam o padrão heavy episodic drinking e ao analisar somente aqueles que bebem, estes valores subiam para 32,4% nos homens e 10,1% nas mulheres3. Sobre o DALY no Brasil, ao abuso de álcool foi atribuída uma taxa de 938/100.000 (2,5% do DALY) em 1998, sendo de 740/100.000 para homens e de 198/100.000 para mulheres4.

Dentre os agravos atribuídos ao uso/dependência de álcool, a cirrose hepática merece destaque como uma importante morbidade crônica fatal causada pelo seu consumo5. Mundialmente, em 2010, 2% (1,4% para mulheres e 2,4% para homens) das mortes e 1,2% do DALY foram atribuídos à cirrose2,6. Estima-se que 48% das mortes e 47% do DALY por cirrose são atribuídos ao consumo de álcool6. Há ainda uma relação entre quantidade de álcool consumida e risco de desenvolvimento da doença, onde os homens que consomem mais que 60 gramas de álcool por dia, apresentam risco relativo de 5.0, enquanto que aqueles que consomem de 48 a 60g/dia têm risco de 2,37.

No estudo de carga de doença no Brasil, relativo a 1998 (ECDB-98), a cirrose hepática foi responsável por 2,6% das mortes; 2,8% dos anos de vida perdidos por morte prematura (Years of Life Lost - YLL) e 1,5% do DALY4. Nesse estudo, porém, não foram avaliadas separadamente as diferentes etiologias da doença, de forma que não se determinou as parcelas de mortalidade e morbidade atribuídas ao álcool. O estudo de carga de doença relativo ao ano de 2008 (ECDB-2008), por sua vez, apresentou alterações metodológicas que permitiram estimativas de cirrose em categorias etiológicas.

O objetivo do presente artigo é descrever e analisar comparativamente o DALY em seus componentes, YLL e YLD - Years Lived with Disability, para o uso/dependência de álcool e para a cirrose de etiologia não viral, categoria que inclui a cirrose alcoólica, no estudo brasileiro de carga de doença em 2008, segundo sexo e faixa etária.

Material e métodos

O ECDB-2008 avaliou cerca de 100 agravos, classificados em três grandes grupos segundo o GBD: doenças infecciosas e parasitárias, causas maternas, causas perinatais e deficiências nutricionais (Grupo I); doenças crônicas não transmissíveis (Grupo II); e causas externas (Grupo III). O uso/dependência de álcool e a cirrose hepática foram incluídos no estudo e classificados no grupo II.

As análises nesse estudo foram realizadas por meio do indicador DALY, uma medida sumária que visa apreender o efeito da morbidade e da mortalidade no estado de saúde de populações. O indicador é composto pela soma de duas parcelas: o YLL e o YLD8.

Para as estimativas de YLL, os óbitos por cirrose e uso/dependência de álcool (segundo classificação a ser descrita abaixo), no período de 2007 a 2009, foram obtidos do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), utilizandose a média dos óbitos no período. Realizou-se correção para o sub-registro de óbitos em cada estado do país, segundo sexo e faixa etária, sendo a correção nacional de 28% para menores de 1 ano e de 13% para maiores de 1 ano. Conforme a metodologia tradicional do estudo GBD9, os casos de óbitos oriundos das causas mal definidas (7,4% dos óbitos no Brasil em 2008), bem como os casos definidos como códigos-lixo (10,5% dos óbitos), foram redistribuídos proporcionalmente por sexo, faixa etária e causa do óbito em cada estado do país10.

Os códigos da CID-10 utilizados para identificar os óbitos por uso/dependência de álcool foram F10.1 e F10.2. Em relação aos óbitos por cirrose, uma reunião de consenso entre hepatologistas brasileiros11 definiu os códigos da CID10 que corresponderiam aos óbitos pela doença e distribuiu os mesmos em quatro categorias etiológicas: “hepatite C”, “hepatite B”, “álcool” e “outras causas de cirrose”. Especificamente para as etiologias trabalhadas neste artigo, com base no consenso de especialistas11, segue a descrição dos códigos da CID-10: “álcool” (K70) e “outras causas de cirrose não virais” (K71.1, K71.7, K74.3, K74.4, K74.5, K75.4, K76.0). Além disso, os códigos K72.1, K73.9, K74.0, K74.1, K74.2,K74.6 e K76.7 foram redistribuídos proporcionalmente entre as quatro categorias etiológicas. E, para os códigos K72.9 e K76.9, decidiu-se que 70% dos óbitos em maiores de 40 anos seriam atribuídos à cirrose hepática11,12.

O componente YLD é calculado a partir de estimativas de casos incidentes, da duração e do peso da incapacidade, este último definido em tabela padronizada no estudo GBD8. Diante da ausência de parâmetros de incidência para uso/dependência de álcool e cirrose hepática no Brasil, foram realizadas estimativas de prevalência para esses agravos. Tais estimativas, juntamente com dados de remissão e de mortalidade, foram inseridas no programa Dismod II, disponibilizado para domínio público pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Através deste programa foi então realizada a modelagem, processo que permitiu a obtenção de estimativas de incidência e duração de ambos os agravos.

Para o agravo uso/dependência de álcool, os dados de prevalência adotados para o Brasil foram aqueles apresentados no estudo de GBD200013. Assumiu-se que tais prevalências corresponderiam àquelas encontradas na região Sudeste, sendo calculada uma razão de correção para as demais regiões, com base nos dados de Laranjeira et al.14. Os parâmetros de prevalência para a região Sudeste foram, então, modelados no programa Dismod II, juntamente com os dados de remissão e risco relativo de morte do estudo GBD-2000 já citado13. As incidências abaixo de 5 anos de idade foram consideradas zero, sendo aplicados os fatores de correção nas incidências geradas para determinação dos parâmetros utilizados na modelagem das demais regiões. As durações encontradas no processo de modelagem foram ajustadas a fim de manter uma maior duração do agravo entre homens15.

Para as estimativas da cirrose de etiologia viral foram utilizadas as prevalências das hepatites B e C obtidas no “Estudo de Prevalência de Base Populacional das infecções pelos vírus das hepatites A, B e C nas capitais do Brasil”, realizado em 2008, único estudo de base populacional de abrangência nacional sobre hepatites virais16.

Após o consenso de hepatologistas já citado, foi estabelecido que, dentre os casos HBsAg positivos nesse estudo, 6% representariam casos de cirrose. Já entre os pacientes anti-HCV positivos, a porcentagem de cirróticos seria de 14%11. No ECDB-2008, tais frequências foram aplicadas à população brasileira do período para estimar as prevalências de cirrose por hepatites B e C. Um inquérito realizado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia sobre a etiologia da cirrose no Brasil em 200117 observou que aproximadamente 37% dos casos de cirrose no país eram decorrentes da hepatite C e 11%, da hepatite B.

Assim, considerou-se que a cirrose de etiologia viral corresponderia a 48% do total de casos de cirrose, sendo o complemento (52%) destinado às etiologias álcool e outras causas. A distribuição por sexo e faixa etária da categoria “cirrose por álcool e outras causas de cirrose” seguiu a distribuição dos óbitos por cirrose alcoólica do SIM, no ano de 2008, uma vez que não se encontrou dados a respeito na literatura nacional. A remissão do agravo foi considerada zero e as incidências geradas após a modelagem no Dismod II para as faixas etárias superiores a 80 anos foram zeradas12.

Quantos aos aspectos éticos para a realização deste estudo, o SIM foi obtido no site do Datasus/MS e as informações do inquérito de hepatite foram disponibilizadas pela Secretaria de Vigilância em Saúde. O ECDB-2008 foi aprovado no Comitê de ética em Pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP).

No presente artigo serão apresentadas as estimativas de DALY,YLL e YLD do uso/dependência de álcool e da cirrose de etiologia não viral, isto é, a cirrose atribuída ao álcool e a outras causas. Uma taxa de desconto de 3%, proposta na metodologia do GBD, foi incorporada nos cálculos de mortalidade (YLL) e morbidade (YLD) para os dois agravos.

Resultados

A Tabela 1 apresenta o DALY de cada grande grupo de agravos (I, II e III) nas diferentes regiões do país em 2008. Observa-se que mais de 70% da carga de doença no país foram atribuídos ao Grupo II, o que ocorreu também em todas as regiões. A tabela apresenta ainda o DALY de “uso/dependência de álcool” e da “cirrose por álcool e outras causas”, com a respectiva porcentagem do total. O uso/dependência de álcool foi responsável por 1.1 milhão de DALY no Brasil, o que representa 3% do total da carga de doença no país. A mesma proporção foi observada em todas as regiões, exceto no centro-oeste, onde o DALY por álcool foi de 4%. O DALY para cirrose por álcool e outras causas foi de aproximadamente 536 mil no Brasil, representando 1% do total de carga de doença no país em 2008. A região sul foi a região que apresentou maior DALY absoluto, seguida pelo nordeste.

Tabela 1 DALYa - nº absoluto e percentuais segundo região do Brasil e grupos de doenças, 2008. 

Região DALY DALY DALY DALY
rotal Grupo I Grupo II Grupo III
%
Norte 2.728.319,97 18% 1.949.395,08 71% 10%
Nordeste 11.142.080,51 16% 8.391.663,22 75% 9%
Sudeste 15.487.347,64 11% 12.310.421,98 79% 9%
Sul 5.177.988,94 11% 4.071.152,11 79% 10%
Centro Oeste 2.421.925,03 12% 1.825.057,22 75% 12%
Brasil 36.957.662,09 13% 28.547.689,61 77% 10%
Uso nocivo e dependência de álcool Cirrose por álcool e outras causas
Região DALY % DALY/ % DALY/ DALY % DALY/ % DALY/
total Grupo II total Grupo II
Norte 87.224,66 3% 4% 29.895,16 1% 2%
Nordeste 360.111,59 3% 4% 173.533,59 2% 2%
Sudeste 461.870,49 3% 4% 227.041,53 1% 2%
Sul 145.499,22 3% 4% 75.639,89 1% 2%
Centro Oeste 87.420,79 4% 5% 30.058,35 1% 2%
Brasil 1.142.126,75 3% 4% 536.168,52 1% 2%

aDALY (Disability AdjustedLife Years).

Ao se considerar as dez primeiras causas de DALY para homens segundo grupo etário, o álcool ocupou a segunda, terceira, e sexta posições nas faixas etárias de 15-29 anos, 30-44 anos e 4559 anos, respectivamente (Figura 1). A cirrose por álcool e outras causas, por sua vez, está entre as dez primeiras causas de DALY em homens nos grupos de 30-44; 45-59 e 60-69 anos (oitava, quinta e oitava posições, respectivamente). Não foi apresentado o ranqueamento para as mulheres, pois os dois agravos em questão não estavam entre as dez primeiras causas de DALY no sexo feminino em nenhuma das faixas etárias.

Figura 1 Ranqueamento das 10 principais causas de carga de doença (DALYa) para uso nocivo e dependência de álcool e para cirrose por álcool e outras causas segundo sexo masculino de 15 a 69 anos. Brasil, 2008.ªDALY (Disability Adjusted Life Years). 

Figura 2 mostra o YLD, YLL e DALY por 100.000 habitantes segundo idade para os dois agravos. Para o YLD, maiores taxas são observadas para o uso/dependência do álcool, especialmente na faixa de idade entre 15 e 29 anos. Para a cirrose alcoólica, maiores valores de YLD são encontradas na faixa de 45-59 anos, decrescendo a partir de então. No que diz respeito ao YLL, taxas superiores são observadas para a cirrose por álcool. Em ambos os agravos, a faixa etária com maiores taxas de YLL é a de 45-59 anos. Ao analisar o DALY, percebe-se que maiores taxas são observadas para uso/dependência de álcool durante as faixas etárias iniciais, principalmente entre 15 e 29 anos, sendo superada pela cirrose na faixa dos 45-59 anos. Assim, a partir do 45 anos de idade, maiores taxas de DALY são atribuídas à cirrose alcoólica.

Figura 2 Taxas de YLD, YLL e DALYa para uso nocivo e dependência de álcool e para cirrose por álcool e outras causas segundo faixas etárias. Brasil, 2008.ªDALY (Disability Adjusted Life Years), o YLL (Years of Life Lost) e o YLD (Years Lived with Disability). 

A Figura 3 mostra que a maior contribuição da carga de doença por uso/dependência de álcool é por YLD (83%), o que ocorre em todas as faixas de idade. Observa-se, entretanto, aumento da participação do YLL com o avançar da idade. Quanto à faixa etária, DALY por álcool teve maior impacto no grupo de 15-29 anos (47,5%), seguido por 30-44 e 44-59 anos (27,4% e 19.4% do DALY, respectivamente). No que diz respeito à distribuição por sexo, percebe-se que maiores proporções de DALY são encontradas entre os homens, com pouca variação entre as faixas etárias (relação homem: mulher de 2,3).

Figura 3 Proporção de YLD, YLL e DALYª para uso nocivo e dependência de álcool segundo sexo. Brasil, 2008.ªDALY (Disability Adjusted Life Years), o YLL (Years of Life Lost) e o YLD (Years Lived with Disability). 

A cirrose por álcool e outras causas tem a maior fração do DALY representada pelo YLL (75%), o que é verificado em todas as faixas etárias (Figura 4). O impacto da cirrose no grupo etário de 15-29 anos foi pequeno (4,4%), enquanto que o grupo de 44-59 anos apresentou a maior proporção (40,2%), seguido pelas faixas de 30-44 e 60 anos ou mais (27,4% e 20,4%, respectivamente). Para a cirrose, assim como para a dependência do álcool, maiores frações de DALY foram encontradas entre os homens (relação homem: mulher de 4,6).

Figura 4 Proporção de YLD, YLL e DALYa para cirrose por álcool e outras causas segundo sexo. Brasil, 2008.ªDALY (Disability Adjusted Life Years), o YLL (Years of Life Lost) e o YLD (Years Lived with Disability). 

Discussão

No ECDB-2008, as doenças não transmissíveis (Grupo II) foram responsáveis pela maior parcela do DALY no país (77%). Nos últimos anos, o fenômeno da transição epidemiológica acarreta mudança no padrão de morbimortalidade na população brasileira18. Nota-se, assim, a redução do adoecimento populacional pelas doenças infecto -parasitárias e o aumento por agravos não transmissíveis. As doenças neuropsiquiátricas, por exemplo, representavam 18,6% do DALY no Brasil em 199818, passando a 27,8% em 200810. Neste grupo insere-se o uso/dependência de álcool, que no presente estudo foi responsável por 3% do DALY nacional, com variação regional de 3 a 4%; frente aos 0,7% observados no GBD-20102. Em relação ao ranqueamento mundial do DALY em 2010, o uso/dependência de álcool encontrava-se na 35ª posição e na 17ª, ao se considerar apenas a categoria Tropical Latin America, a qual inclui Brasil e Paraguai2. No Brasil, em 1998, o álcool ocupava a 11ª posição do ranqueamento4, já em 2008, entre os homens ele ocupou a 3ª posição, enquanto que para as mulheres a 13ª.

Em relação à cirrose hepática, o ECDB-2008 introduziu uma importante alteração metodológica, ao avaliar o agravo em categorias etiológicas. Isso dificulta a comparação ao ranqueamento do estudo anterior, relativo a 1998, que seguia a metodologia tradicional do GBD4 e colocava a cirrose hepática na 17ª posição para ambos os sexos. O presente artigo trata apenas da categoria “cirrose por álcool e outras causas de cirrose”, não avaliando a cirrose de etiologia viral. A categoria etiológica em questão foi responsável por 1% do DALY nacional e aparece entre as 20 primeiras causas apenas para os homens, ocupando a 11ª posição. Já no GBD-20102, a cirrose por álcool foi responsável por 0,6% do DALY total.

Cabe ressaltar que no ECDB-2008 não se separa a cirrose atribuída ao álcool das outras causas de cirrose. Estas últimas incluem, por exemplo, doenças metabólicas, genéticas e autoimunes, muitas com comportamento epidemiológico distinto da hepatopatia decorrente do álcool. A abordagem em categorias separadas não da Sociedade Brasileira de Hepatologia de 2001, foi possível devido à escassez de dados nacionais no qual o álcool representava aproximadamente sobre a prevalência da cirrose alcoólica. Uma das 60% das causas não virais de cirrose17. Assim, na poucas fontes de dados disponível é o inquérito categoria tratada no presente estudo, a cirrose alcoólica provavelmente representa a maior parcela de casos. Neste contexto, o percentual do DALY atribuído à cirrose alcoólica no Brasil poderia se aproximar do percentual mundial (0,6%)6, ao contrário do uso/dependência do álcool, que apresenta percentuais mais elevados no país, conforme mostrado anteriormente.

Tanto o uso/dependência de álcool como a cirrose hepática são agravos reconhecidamente mais frequentes no sexo masculino2,7,14. Segundo a OMS, 6,2% das mortes em homens são atribuíveis ao álcool, enquanto para as mulheres, esta porcentagem é de 1,1%1. Em 2010, as mortes por cirrose atribuída ao álcool representaram 0,9% do total de óbitos no mundo, sendo 0,7% para mulheres e 1,2% para homens19. Ainda em 2010, a cirrose alcoólica foi responsável por 0,8% do total de DALY em homens e por 0,4% do total de DALY em mulheres6. Os dados do presente estudo reforçam esta preponderância masculina, uma vez que os dois agravos estão entre as dez primeiras causas de DALY em homens, mas não em mulheres. Por essa razão, foram apresentados apenas os dados do sexo masculino, que representa assim um grupo de maior risco para ambos os agravos.

Além disso, quando são analisadas as curvas de distribuição do DALY por faixa etária neste estudo, observa-se que a carga do álcool tem maior impacto em faixas etárias mais jovens, enquanto o maior impacto da cirrose é mais tardio, na faixa de 45-59 anos. No estudo do GBD-2010, os distúrbios relacionados ao uso do álcool apresentavam maior carga nas idades de 25-50 anos, sofrendo declínio gradual a partir de então20. Já para a cirrose, a curva mundial também mostra maior impacto da doença entre 45-59 anos de idade, com declínio mais evidente após este intervalo2. A semelhança das curvas nacionais e as do estudo mundial está provavelmente relacionada à história natural dos agravos: o álcool é considerado importante fator de risco para a cirrose, havendo uma relação entre o seu consumo e o desenvolvimento de lesão hepática7. Assim, o maior acometimento das faixas etárias iniciais pelo álcool se refletiria em mais casos de cirrose alcoólica nas faixas etárias posteriores.

Para o álcool, o YLD foi o componente com maior proporção no DALY, enquanto para a cirrose, o YLL foi o principal. Esta distribuição também foi observada no estudo GBD-201020. Samokhvalov et al.21 realizaram uma revisão sistemática da literatura a respeito da incapacidade relacionada ao uso abusivo do álcool. Embora tenham encontrado heterogeneidade nos estudos, mudanças no estado emocional, nos relacionamentos sociais e na memória foram importantes atributos de incapacidade observados. Ao avaliar o álcool como fator de risco para cirrose, Rehm et al.7 verificaram que o seu consumo está relacionado ao maior impacto na mortalidade pela doença hepática que à morbidade.

Ainda são escassos os estudos epidemiológicos sobre o uso/dependência de álcool e cirrose hepática no país. Ao produzir estimativas de YLL, YLD e DALY para o Brasil e suas regiões, o presente estudo auxilia a caracterização do perfil de morbimortalidade e, portanto, do impacto destes agravos na população. Ademais, permite a análise comparativa, por meio da distribuição por sexo e faixa etária, do comportamento do uso/dependência de álcool e cirrose, caracterizando este processo de adoecimento no Brasil, bem como dá subsídios para ações governamentais.

Por outro lado, algumas limitações devem ser elencadas. Primeiramente, ainda há uma escassez de estudos populacionais sobre a temática, exigindo o uso de parâmetros a partir de vários estudos para a construção dos indicadores. Além disso, os estudos utilizados para a estimação dos parâmetros, como o inquérito de hepatites16, foram realizados nas capitais brasileiras e extrapolados para o restante do país, podendo não retratar adequadamente as demais cidades.

Outro ponto a se destacar é a ausência de dados sobre a distribuição por faixa etária para os casos prevalentes de cirrose na população, o que tornou necessário o uso da distribuição deste agravo a partir do SIM. Por fim, a ausência de dados específicos para a cirrose alcoólica não permitiu a desagregação da categoria álcool e outras. Assim, apesar da maior parcela da categoria ser decorrente do álcool, deve-se ressaltar que há também influência de outras enfermidades hepáticas que podem ter comportamento epidemiológico distinto da cirrose alcoólica.

O uso/dependência de álcool é uma das principais preocupações do serviço de saúde, já que observa-se hoje um início de uso cada vez mais precoce e muitas vezes associados a situações de risco, como o dirigir sob o efeito do álcool14. Desta forma, o presente estudo fornece subsídios para ações preventivas ao abuso de álcool, ao demonstrar maior DALY na faixa etária de 15 a 29 anos, apontando para a relevância de ações específicas para este grupo etário. Geralmente, nesta faixa etária ocorrem constantes mudanças na vida, como o ingresso a universidade, maior convívio com os amigos (antes o círculo social era baseado no ambiente familiar) e a entrada no mercado de trabalho. Estas situações podem gerar efeitos estressores que podem associar-se ao maior uso de álcool22,23. Assim, ações preventivas nestas faixas etárias como limitar a venda de bebidas alcoólicas ao sobretaxar e restringir local/horário podem auxiliar na redução do uso/dependência de álcool24.

Por outro lado, a cirrose por álcool e outras causas apresentou maiores taxas na faixa etária de 45 a 59 anos. Este dado nos sugere que ações que reduzam o consumo de álcool nas faixas etárias iniciais podem minimizar o impacto deste agravo nas mais avançadas, dada a história natural destes agravos. Ressalta-se, também, a necessidade de um serviço de saúde preparado para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado da dependência do álcool a fim de prevenir o efeito posterior da cirrose na vida dos pacientes.

Finalmente, o presente estudo aponta alguns desdobramentos. Dado que o uso de álcool é um importante fator de risco para doenças hepáticas25, torna-se necessário o cômputo da fração da cirrose atribuível ao álcool, visando conhecer a sua influência no adoecimento populacional e propor ações preventivas. Outro ponto a se destacar é a carência de estudos de base populacional, bem como daqueles de caráter longitudinal para obter melhor definição do perfil do adoecimento por estas causas na população. Sugere-se também o investimento em estudos de custo-efetividade, nos quais o impacto de diferentes intervenções nestes agravos seja avaliado.

Agradecimentos

Agradecemos ao Departamento de Ciência e Tecnologia do MS pelo financiamento deste estudo; a toda equipe do Núcleo de Pesquisa em Métodos Aplicados aos Estudos de Carga Global de Doença, especialmente à Roberta Benitez Freitas Passos, ao Iuri Costa Leite e ao Joaquim Valente. Agradecemos, também, aos hepatologistas participantes das discussões do consenso de especialistas, pela contribuição ao presente estudo: ângelo Alves de Mattos (RS), Cristiane Alves Villela-Nogueira (RJ), Francisco José Dutra Sou-to (MT), Henrique Sérgio Moraes Coelho (RJ), Jorge André de Segadas-Soares (RJ) e Renata de Mello Perez (RJ); bem como à equipe do inquérito nacional de hepatites, coordenada por Leila Maria Moreira Beltrão Pereira, pelos esclarecimentos e detalhamento dos dados do estudo.

Referências

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Recebido: 09 de Março de 2014; Aceito: 03 de Agosto de 2014

Colaboradores

FB Portugal, MR Campos, JR Carvalho, LS Flor, JMA Schramm e MFS Costa participaram igualmente de todas as etapas de elaboração do artigo.

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