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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.20 no.7 Rio de Janeiro jul. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015207.04802015 

Artigo

Ciência & Saúde Coletiva no contexto nacional e internacional da divulgação científica

Maria Cecília de Souza Minayo 1  

Romeu Gomes 2  

1Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli, Escola Nacional de Saúde Pública, Fiocruz. Av. Brasil 4036/700, Manguinhos. 21040-361 Rio de Janeiro RJ Brasil. cecilia@claves.fiocruz.br

2Instituto Fernandes Figueira, Fiocruz

Resumo

O artigo discute o papel da Revista Ciência & Saúde Coletiva na disseminação do conhecimento no país e no exterior, os novos desafios por ela enfrentados e o papel dela na consolidação do campo da saúde pública. Para isso, seu histórico é esboçado, sua posição como periódico cientifico é situada e seus temas são analisados. Dentre as conclusões, destaca-se que a revista tanto se afigura como um espaço estruturado pelo habitus da saúde coletiva, quanto cria seu habitus que contribui para estruturar esse campo. Junto a isso, a revista contribui para o desenvolvimento de massa crítica da área e mantém o compromisso com o Sistema Único de Saúde brasileiro.

Palavras-chave Ciência; Saúde coletiva; Periódico científico

Introdução

Ciência & Saúde Coletiva (C&SC) faz 20 anos em 2015. O sucesso que alcançou na comunidade científica brasileira e tende a aumentar internacionalmente foi tão desafiante como os reptos que estão sendo colocados em seu caminho. De um lado, ela vive em permanente atenção para cumprir seu compromisso de comunicar o que há de mais recente nas pesquisas em saúde pública, visando ao avanço dessa área científica, que servem de subsídio para intervir nas políticas, gestão e serviços do SUS no Brasil. De outro, ela se inclui no contexto nacional e internacional, que coloca exigências cada vez mais intensas em relação à qualidade e à socialização internacional dos periódicos nacionais.

A situação atual vivida pela Revista é muito diferente da que enfrentava na época de sua criação, em 1996, em que as discussões versavam, particularmente, sobre porque a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) deveria ter um periódico científico e sobre o sentido ou não de se publicar em papel, frente ao advento da internet1. O tempo mostrou que essa se tornou uma discussão inócua, pois, sabe-se hoje que as mídias se potencializam mutuamente. E quanto à discussão sobre o uso do texto impresso, o debate atual aborda muito mais a questão ambiental, pois o uso do papel implica na deburrabada das árvores, do que sobre se as obras escritas vão desaparecer. Embora haja controvérsias, essa previsão ainda vai passar por muitas reviravoltas da revolução tecnológica e do debate público, se é que vai se concretizar.

Este artigo trata dos dois pontos atuais dessa tensão promissora: o compromisso com o SUS e a intensificação da internacionalização dos conhecimentos que Ciência & Saúde Coletiva divulga.

O primeiro ponto está estampado no escopo da Revista, que a coloca como um espaço científico para discussões, debates, apresentação de pesquisas, exposição de novas ideias e de controvérsias sobre políticas, serviços e a gestão do Sistema Único de Saúde brasileiro. Sua razão de existir se ampara num pensamento cada vez mais presente no mundo contemporâneo sobre o sentido da produção e da divulgação científica que, sem perder seu caráter reflexivo e crítico, devem estar a serviço “da qualidade de vida do cidadão”2. Ou como Ziman3 chama atenção, mostrando que a ciência deve estar voltada para uma sociedade em transformação e integrada no desenvolvimento dos países. Esse autor critica a obsolescência do modelo “mertoniano” de fazer pesquisa, caracterizado como um espaço social relativamente livre de controles externos e calcado na avaliação da qualidade apenas por pares. Ou ainda, como referem Guston e Keniston4, que ressaltam a necessidade de uma agenda de pesquisas e publicações científicas orientadas para os interesses da sociedade; em que fique clara a responsabilidade dos pesquisadores em relação aos temas que estudam; e em que os investigadores sejam capazes de convencer a sociedade e os políticos sobre os méritos de suas propostas. Essa ideia de compromisso está presente também no “Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional”5, do Ministério de Ciência e Tecnologia do Brasil, que convoca os cientistas a contribuírem para o crescimento econômico, a geração de emprego e renda, a democratização das oportunidades e as formas de desenvolvimento sustentável, de modo a atender às justas demandas sociais dos brasileiros e ao permanente fortalecimento da soberania nacional.

Uma ciência em consonância com a sociedade já tinha sido ressaltada, de forma dramática, no final dos anos 1930, por Bertold Brecht6, teatralizando a obra de Galileu Galilei, a respeito dos “Discursos sobre as duas novas Ciências”. Nessa obra, o autor incitava – sob a máscara de Galileu – os pesquisadores alemães das áreas de Humanidades a promoverem o sentido transformador dos seres humanos, frente ao clima de sua desistência ou colaboração com o regime nazista:

Seremos cientistas se nos desligarmos das pessoas? […] A luta pela mensuração do céu foi ganha através da dúvida; mas a credulidade da dona-decasa romana fará que ela perca sempre de novo a luta pelo leite. A ciência está ligada às duas lutas. […] Vocês trabalham para quê? Eu sustento que a única finalidade da ciência é aliviar a canseira da existência humana. E se os cientistas, intimidados pela prepotência dos poderosos, acham que basta amontoar saber, pelo amor do saber, a ciência pode se transformar em aleijão6.

Por que discorrer sobre o papel da ciência contemporânea, ao escrever sobre o sentido de uma Revista Científica? Porque ela é a caixa de percussão e de repercussão do conhecimento gerado e, por isso, deve primar pela escolha dos artigos que veicula e defender fielmente seu escopo, ao aceitar qualquer tipo de colaboração buscando que, ao mérito, se junte o sentido dos textos divulgados.

Em relação ao segundo ponto aqui tratado apresentam-se vários dados sobre como a Ciência & Saúde Coletiva vem acompanhando o movimento nacional de internacionalização e de adesão aos avanços das teorias, tecnologias e práticas de divulgação científica e seus desafios no curto prazo. Isso inclui desde os mais simples processos de padronização até a discussão acalorada dos parâmetros de medição do impacto dos textos nela publicados. Sem perder o foco da contribuição para a construção do SUS, aqui a discussão se desdobra em várias questões, das quais somente alguns aspectos serão tratados.

Significância do que é produzido pela Ciência & Saúde Coletiva

Ciência & Saúde Coletiva nasceu em 1996, logo após a realização da X Conferência Nacional de Saúde, simbolicamente demarcando mais uma etapa na história da Abrasco, no seu envolvimento com a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo os princípios mandatórios da Constituição de 1988 e da Lei Orgânica de 1990.

Em seu primeiro volume – composto de artigos encomendados – convocou a comunidade da saúde coletiva a participar da construção da Revista, tendo como meta oferecer ao mercado editorial duas edições anuais. Sem deixar de fora a contribuição do núcleo duro do pensamento do campo que tradicionalmente congrega epidemiologia, planejamento e ciências sociais, desde então integra a multiplicidade de olhares de outras disciplinas, como por exemplo, saúde bucal, história, demografia, enfermagem, educação física, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia social e psiquiatria, conquanto se orientem para a análise e avaliação dos problemas de saúde e qualidade de vida da população brasileira.

Em 2002, já publicando quatro números anuais e com características institucionalizadas de um periódico em pleno desenvolvimento, a Revista foi indexada na Scientific Electronic Library Online (SciELO). E, em 2005, já estava em outras fontes de indexação, tais como: Lilacs, Latindex, Red ALyC e CSA Sociological Abstract.

Ainda em 2005, comemorando 10 anos de existência, a Revista conseguiu ampliar sua divulgação e reconhecimento por meio de novas indexações e também pela abertura de seu site (www.cienciaesaudecoletiva.com.br), transformando todo o processo de submissão, de avaliação e de comunicação com os autores – antes realizado manualmente e em papel – em meio virtual. Nesse ano foram também estabelecidas parcerias com conselhos editorias e mútuas divulgações de quatro revistas de outros países: Environmental Health Perspective (National Institute of Environmental Health Sciences, USA); Salud Pública (Instituto Nacional de Salud Pública, México); Ciencia y Trabajo (Fundación Nacional de Ciencia y Tecnologia, Chile) e Salud Colectiva (Asociación Civil Salud Colectiva y Universidad Nacional de Lanús, Argentina).

Em 2006, Ciência & Saúde Coletiva passou a divulgar seis edições anuais. E, em 2007, foi indexada na base MedLine, aumentando seu reconhecimento internacional. No ano de 2008, com treze anos de existência, a Ciência & Saúde Coletiva foi aceita pela base ISI/Thomson.

Editando 12 números anuais desde 2011, Ciência & Saúde Coletiva chegou ao final de 2014 com seus 19 volumes literalmente em dia, publicando 30 artigos em cada edição e sendo indexada em 22 bases de dados internacionais e regionais, dentre as quais: SciELO, ISI/THomson, MedLine, PubMed Scopus e Google Metrics. Em 27 de dezembro desse ano, na coleção da SciELO, Ciência & Saúde Coletiva figurava como o quinto título mais visitado, com 986.769 acessos à sua página. Infelizmente, na classificação do sistema Qualis da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, o periódico em questão está subclassificado como B1, não tendo conseguido subir para o nível A, apesar de suas qualidades. Mas ela é reconhecida também no acervo de outras áreas: sendo pontuada como B1 em Antropologia, Arqueologia, Economia, Enfermagem e Sociologia; A2 em Ciências Sociais Aplicadas I, Ensino, Psicologia e Serviço Social; e A1 em Direito.

Tendo em vista a dificuldade de fazer uma revisão geral do conteúdo de todos os textos publicados até esta data – dado o volume desse material – ao comemorar seus 20 anos, os Editores-Chefes optaram por analisar a importância do que nela é veiculado, por meio da seleção de uma amostra de títulos dos artigos. Foram sorteadas duas edições de cada volume anual, no período de 2002 a março de 2015. E as edições de 1996 a 2001 foram analisadas in totum, porque nos três números iniciais, cada volume foi constituído por apenas um número e nos três seguintes foram publicadas apenas duas edições por ano.

Ciência & Saúde Coletiva é uma revista com foco temático que ecoa os princípios filosóficos e políticos da Abrasco, de subsidiar o debate acerca da implementação do SUS e da promoção da saúde pública do país. Os temas nela tratados surgem a partir de diferentes tipos propostos: (1) de professores e pesquisadores dos comitês da Abrasco; (2) de coordenadores de pesquisas de âmbito nacional, inéditas e relevantes para o setor; (3) de chamadas públicas anunciadas na página da Revista, para assuntos considerados fundamentais ou urgentes e para os quais não há demanda; (4) organização interna elaborada pelos próprios Editores-chefes, que reúnem, sob um título pertinente, os artigos aprovados no fluxo contínuo do periódico.

Ao longo do tempo, o número de artigos em cada edição variou entre 13 e 30. A amostra contempla 927 títulos que passaram por análise de conteúdo do tipo temática e quantitativa descritiva. Considerou-se que, apesar de o título de um artigo não fornecer, necessariamente, a complexidade de sua abordagem, ele representa a síntese do tema tratado e, seu foco central, traz um apelo aos leitores para que o apreciem. O título também constitui a primeira referência para os critérios de inclusão e exclusão de busca em bases de dados e bibliotecas virtuais para pesquisas bibliográficas. Assim, simbolicamente, pode-se dizer que a lista dos títulos reflete o escopo central dos artigos.

Nesta análise, cada título foi decomposto em substantivos e qualificadores. Em seguida, ensaiou-se uma primeira categorização, levando-se em conta as atuais áreas temáticas que orientam os autores a classificar seus trabalhos no ato da sua submissão ao periódico. Nesse primeiro momento, realizado por meio de uma leitura exaustiva, observouse que, além das temáticas tratadas, inúmeras outras seriam passíveis de serem visualizadas. Foram analisados todos os assuntos inferidos pelos substantivos e seus qualificadores dentro dos títulos da amostra e, a partir de então, criadas outras temáticas para figurarem junto às previamente definidas.

As temáticas que serviram para classificação dos títulos dos artigos necessariamente não são excludentes entre si. Algumas se superpõem, dependendo do ponto de vista que é adotado. Essa não excludência, em parte, ocorre por conta de as categorias temáticas refletirem diferentes lógicas estruturantes, e também o fato empírico da multidisciplinaridade de olhares que um artigo de saúde coletiva contém. Por exemplo, mesmo quando se focaliza um problema do ponto de vista técnico, os autores costumam contemplar as políticas e práticas relacionadas à sua prevenção e assistência. Assim, aspectos centrais dos objetos de estudo costumam se entrecruzar com questões fundamentais do campo da saúde, que são eminentemente teóricos-técnicos-políticos e práticos.

O tratamento dado à distribuição dos títulos pelas categorias analíticas foi de caráter descritivo, por meio de frequências. Os assuntos que apresentaram frequência 12 ou inferior – o que significava um pouco mais ou um pouco menos de 1% do conjunto dos títulos – foram congregados numa classificação genérica, denominada “Temas Variados”. Nesse último agrupamento entraram os seguintes assuntos: Acupuntura; Ciência, Tecnologia e Inovação; Classes socioeconômicas; Consumo; Crescimento Humano versus IDH; Desigualdades; Drogas; Gênero e Saúde; Guarda de animal de estimação; Homeopatia; Imunização; Judicialização; Luto; Médico-Paciente; Mortalidade; Religião; Saúde Coletiva; Saúde Indígena; Saúde Penitenciária; Saúde Suplementar; Sexualidade; Subjetividade, dentre outros.

Tais categoria e as que integram a classificação temática (Tabela 1) indicam que o campo da Saúde Coletiva abrange um amplo espectro e, em consequência, a Revista contempla discussões de múltiplos assuntos que atravessam o campo.

Tabela 1 Distribuição dos títulos de artigos por temas, segundo a amostra estudada. 

Temas N %
Alimentação e Nutrição 33 4
Assistência Farmacêutica 39 4
Avaliação na Saúde 26 3
Biologia, Genética e Síndromes 16 2
Ciências Sociais e Humanas na Saúde 19 2
Doenças e Agravos 71 8
Economia e Financiamento na Saúde 20 2
Educação na Saúde 36 4
Epistemologia e Métodos na Saúde 29 3
Saúde da Criança e do Adolescente 41 4
Saúde de Mulheres e Homens 14 2
Saúde do Idoso 17 2
Informação, Comunicação e Saúde 18 2
Políticas, Planejamento e Gestão na Saúde 133 14
Promoção da Saúde 16 2
Qualidade de Vida 20 2
Saúde Bucal 44 5
Saúde da Família 36 4
Saúde e Ambiente 67 7
Saúde e Trabalho 41 4
Saúde Mental 23 2
Violência, Acidentes e Saúde 76 8
Temas Variados 92 10
Total 927 100

Quatro temáticas destacam-se no conjunto mostrado na Tabela 1. A primeira delas, “Políticas, Planejamento e Gestão na Saúde” é a que congrega maior número de títulos de artigos (14%), revelando que a revista cumpre um importante papel no âmbito das discussões acerca da implementação do SUS. Nela, os títulos relacionados às políticas são mais numerosos do que os que tratam de planejamento e gestão. Ciência & Saúde Coletiva, entre os principais periódicos nacionais, é quem mais publica artigos dessa temática. Dentre os 224 sobre política, gestão e saúde, disponíveis na base SciELO, em 19 de março de 2015, 21% foram divulgados por esse periódico.

Os títulos de artigos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) figuram como um dos principais assuntos nessa categoria. O predomínio dela pode ser confirmado também no conjunto de artigos que constam na SciELO. Sob todos os aspectos, Ciência & Saúde Coletiva distinguiu-se em relação a artigos sobre o SUS no conjunto dos 197 títulos disponíveis nessa biblioteca virtual, em 02 de janeiro de 2015, com 23% do total. As revistas que figuram em segundo lugar sobre a temática publicaram 9% desse total. Esse é um tema fundamental para o avanço na implantação das políticas, programas e planos de ação de forma mediada pela reflexão acadêmica, visando à adequada prestação de serviços à população brasileira.

“Doenças e Agravos” abrange 8% dos títulos e é outra temática que se destaca. Nessa categoria estão estudos sob a perspectiva dos sujeitos ou sobre os problemas de saúde em si: epidemiologia das doenças infecciosas e das doenças não transmissíveis, formas de tratamento, agentes transmissores, fatores de risco, análises de incidências e prevalências e perfis das populações acometidas por determinados tipos de agravo. Dos 203 artigos sobre o assunto disponíveis na SciELO, em 19 de março de 2015, 20% foram publicados pela Ciência & Saúde Coletiva, que então ficou em segundo lugar no conjunto dos principais periódicos de Saúde Pública, com diferença de três pontos percentuais em relação à Revista de Saúde Pública.

A terceira temática de destaque é “Violência, Acidentes e Impacto na Saúde”, integrando 8% dos títulos analisados. Nela, o predomínio dos estudos de “acidentes” é bem menor do que o de “violência”, que congrega mais de 80% dos títulos que compõem a categoria. Os artigos sugerem um vasto conjunto de aspectos, tais como concepções teóricas e classificações, sujeitos enquanto vítimas ou agressores, grupos mais vulneráveis, instituições de serviços, políticas e programas de prevenção, tipologias, avaliação das atividades de prevenção, dentre outros. Ciência & Saúde Coletiva, dentre os principais periódicos nacionais de saúde pública, é o que mais divulga essa temática.

O quarto tema por ordem de quantidade é Saúde e Ambiente, com 7% dos artigos. Ciência & Saúde Coletiva tem sido pródiga em divulgar estudos sobre a estreita relação entre intervenções no ecossistema e seu impacto na produção de adoecimentos, o que abrange questões de desmatamento, de enchentes, de seca, de poluição das águas, de intoxicação por agrotóxicos, de contaminação por metais pesados, políticas e programas de prevenção. A Revista tem acompanhado o debate público com uma produção efluente de números temáticos utilizados em simpósios e seminários e conferências. Quando se soma a essa categoria o tema “Saúde do Trabalhador” (que tem 4% dos textos da amostra), geralmente atravessado pelas questões ambientais, encontram-se 11% dos artigos. Dos 70 artigos sobre “saúde pública” e “ambiente” disponíveis na SciELO, em 19 de março de 2015, 21% foram publicados pela Ciência & Saúde Coletiva, que então ficou em primeiro lugar no conjunto dos principais periódicos de Saúde Pública, com sete pontos percentuais à frente da segunda revista (Cadernos de Saúde Pública). Em relação a artigos sobre “saúde pública” e “saúde do trabalhador”, dos 12 artigos sobre essa temática disponíveis na SciELO, em 19 de março de 2015, 33% foram publicados pela Ciência & Saúde Coletiva. Revista de Saúde Pública e Revista Brasileira de Epidemiologia ficaram em segundo lugar, com 8% cada, em relação ao total de artigos.

Várias outras categorias como Alimentação e Nutrição, Saúde Bucal, Assistência Farmacêutica e Saúde da Família apresentam um número significativo de artigos na amostra estudada, sendo que o último poderia se somar aos que tratam da gestão e implementação do SUS; e os outros três ressaltam as fronteiras disciplinares com as quais a área de saúde coletiva interage. Sem estender mais essa análise, é importante assinalar que para alguns temas como a Saúde do Homem (2% dos artigos), a Revista foi pioneira em empreender a primeira publicação temática que abriu portas para outras contribuições que vêm se multiplicando.

Por último, faz-se necessário observar que as baixas frequências dos títulos que integram os “Temas Variados” necessariamente não revelam sua menor importância no campo da Saúde Coletiva. Ao contrário, quando se olham os assuntos estudados individualmente, a categoria em questão pode apontar para o fato de muitos deles terem sido tratados pioneiramente pela Ciência & Saúde Coletiva. Por outro lado, a menor frequência de determinado tema, necessariamente, não significa que sejam poucos os artigos publicados pela Revista a respeito. Por exemplo, o termo “saúde coletiva”, representa pouco mais de 1% nos 927 títulos dos artigos. Entretanto e apesar disso, a Revista foi a que mais publicou artigos sobre o tema: no conjunto dos 199 artigos sobre o assunto, disponíveis na base SciELO em 02 de janeiro de 2015, 39% foram divulgados nela.

Em artigo ainda em prelo numa coletânea que comemora os 35 anos da Abrasco, os mesmos autores7 apresentaram um estudo a partir da totalidade dos editoriais da Revista: 112 até o final de 2014. A análise de conteúdo desse volumoso trabalho também revela o amplo espectro temático da Revista, abarcando a diversidade do campo da Saúde Coletiva que integra tanto diferentes regiões disciplinares, quanto subordina tais regiões à discussão de questões fundantes que o atravessam. A análise mostra a primazia dos estudos sobre políticas públicas, mas também a diversidade de temas que perpassam o campo: saúde e ambiente; saúde do trabalhador, violência e saúde, gênero e saúde, economia da saúde, ciência e tecnologia em saúde, genética e saúde pública, ética em pesquisas com células tronco, aborto como problema de saúde pública, impacto da questão social sobre a saúde, SUS como política de Estado, avaliação em saúde, e análise de todas as Pesquisas Nacionais por Amostras de Domicílios sobre acesso à saúde desde 1988.

Ao longo de seus 19 anos já cumpridos, Ciência & Saúde Coletiva participou, com expressiva produção, de marcos importantes da saúde pública nacional e internacional. Dentre esses, destacam-se edições especialmente preparadas para subsidiar o 11° Congresso Mundial de Saúde Pública, ocorrido no Rio de Janeiro em 2006, as Conferências Nacionais de Saúde, as II e III Conferências Nacionais de Saúde do Trabalhador; a comemoração dos 100 anos da Saúde Pública brasileira; o 10° Aniversário da Conferência Global sobre o Meio Ambiente; os 20 anos do SUS; os Cem Anos do Relatório Flexner e a Conferência Rio+20 sobre a questão ambiental, dentre outros importantes eventos.

Portanto, independentemente de qualquer viés que possa perpassar este texto escrito pelos dois Editores-Chefes, as informações colhidas e analisadas falam por si mesmas quanto à importância e a significância da Revista Ciência & Saúde Coletiva, tanto para a saúde pública brasileira como para a ciência nacional.

Desafios da Ciência & Saúde Coletiva no contexto de mudanças no campo da divulgação científica

Nesta parte do trabalho, são mostrados alguns dados disponibilizados pela base SciELO8 e analisados por Packer9, que apresenta 102.185 documentos disponíveis no período de 2009 a 2013. Tais informações permitem avaliar o desempenho da Revista. A área da saúde responde por 47,36% (47.364) de todos os artigos divulgados na base SciELO, e a coleção de Saúde Coletiva representa 19,03% (9.017) desse total. Dentro da coleção, Ciência & Saúde Coletiva – uma revista mensal desde 2011 – é o periódico que mais publicou no período (2.009 documentos), e é responsável por 22,29% do total. Junto com Cadernos de Saúde Pública, também mensal (1512 artigos), e Revista de Saúde Pública, bimestral (838 artigos), as três são responsáveis por 48,40% de todos os artigos que estão na coleção.

Quando se observam os acessos e os downloads dos artigos divulgados nos periódicos de Saúde Coletiva, Ciência & Saúde Coletiva se encontra em terceiro lugar, em relação à Revista de Saúde Pública e aos Cadernos de Saúde Pública. Essas três juntas são responsáveis, no período estudando, por 69,43% do total de acessos à coleção. No entanto, quando tais índices são normalizados, vem em primeiro lugar a Revista Interface, com 1,52 acessos por artigo/mês. E Ciência & Saúde Coletiva fica em 5° lugar, com 1,04; Revista de Saúde Pública em 7°, com 0,97; Cadernos de Saúde Pública em 8°, com 0,96; e Revista Brasileira de Epidemiologia em 9°, com 0,78.

Quando se analisam as citações concedidas pelas Revistas da Coleção no período de 2008 a 2013, de longe Ciência & Saúde Coletiva ocupa o primeiro lugar, seguida por Cadernos de Saúde Pública e Revista de Saúde Pública. Já ao se analisar os índices de citações recebidas pelos periódicos da coleção em 2013, referentes a artigos dos anos de 2008 a 2012, numericamente, o primeiro lugar é ocupado pela Ciência & Saúde Coletiva (1109), seguida pelos Cadernos de Saúde Pública (1071) e Revista de Saúde Pública (771). Mais uma vez, quando tais índices são normalizados, os melhores lugares são ocupados pela Revista de Saúde Pública (1,59), pelos Cadernos de Saúde Pública (1,18), pela Revista Brasileira de Epidemiologia (1,03) e pela Ciência & Saúde Coletiva (1,02).

Utilizando-se as medidas do Google Metrics, o ranking das Revistas nos últimos cinco anos mostra Cadernos de Saúde Pública em primeiro lugar, com o índice H 38; Ciência & Saúde Coletiva com 35; e Revista de Saúde Pública com 34.

Um dos indicadores de internacionalização é o número de artigos veiculados em idioma estrangeiro. Neste particular, Ciência & Saúde Coletiva está em desvantagem em relação à Revista de Saúde Pública e à Revista Brasileira de Epidemiologia, quanto à divulgação dos textos em inglês; e a Cadernos de Saúde Pública e Saúde em Debate, quanto ao idioma espanhol. Constata-se que a maioria dos pesquisadores que publica na coleção é formada por brasileiros. Porém, na Ciência & Saúde Coletiva, assim como em outras, observa-se um incremento de artigos provenientes, particularmente, de Portugal, Espanha e de vários países da América Latina.

Aumentar a disseminação de artigos em outros idiomas, particularmente em inglês, é uma das metas de internacionalização previstas para os próximos anos pelo SciElO. Ciência & Saúde Coletiva já aderiu a essa orientação, introduzindo progressivamente, além das edições impressas em português, a divulgação em português-inglês nas edições online. A decisão de conservar nos formatos impressos e online os textos também em português se deve ao fato de o público-alvo e de maior interesse da Associação Brasileira de Saúde Coletiva ser formado por pesquisadores, formuladores de políticas e profissionais que atuam nos cuidados e serviços do SUS. Igualmente se entende que a versão dos artigos para o inglês é fundamental para aumentar a visibilidade da produção acadêmica nacional.

Discussão

Esta discussão focalizará três pontos. O papel que Ciência & Saúde Coletiva cumpre na disseminação do conhecimento no país e no exterior; as condições em que os novos desafios a ela colocados se apresentam e o papel que a revista cumpre na consolidação do campo.

Ciência & Saúde Coletiva está entre as três principais revistas da área, com as quais compete, ocupando ora o primeiro, ora o segundo, ora o terceiro lugar. Pode-se dizer, baseando-se em dados, que se hoje ela deixasse de circular, causaria um rombo profundo na coleção e faria falta na veiculação da produção científica da área. Inclusive porque ela é a que tem o maior espectro de abrangência do campo e de suas linhas fronteiriças.

As transformações que vêm ocorrendo na revista correspondem às crescentes e aceleradas mudanças no campo da informação e da comunicação e, dentro desse cenário, das formas de apresentação dos produtos científicos e tecnológicos, tornando a ciência produzida no mundo mais accessível. As mais relevantes transformações dizem respeito ao uso da internet. O formato digital no ambiente online, atualmente, faz convergirem autores, pareceristas, editores e leitores, que interagem de forma dinâmica, como referem Byrnes et al.10. Assim como repercutem em todo o mundo acadêmico os movimentos pelo acesso aberto, o surgimento dos repositórios temáticos e institucionais de artigos, bem como novas formas de conduzir o processo de peer review.

Ciência & Saúde Coletiva se encontra em parte dentro do que há de mais atual na divulgação científica. Em parte, tem um longo caminho a percorrer. De um lado, todo o seu processo editorial é online e os artigos são divulgados por 22 bases de dados internacionais, além de em sua página web serem publicados em prelo todos os textos logo que são aprovados pelos Editores – com normas específicas de citação –, depois de passarem por revisão de pares. De outro lado, o sistema SciELO passou a adotar novos critérios para admissão e permanência de publicações em suas bases de dados, visando a aumentar o impacto internacional dos artigos. Entre as mudanças, cujas metas deverão ser cumpridas paulatinamente, destaca-se o crescimento da quantidade de artigos escritos em inglês para pelo menos 75% de toda a coleção, cujo estado da arte hoje é de 60%; e uma maior presença de pesquisadores estrangeiros ativos nos corpos editoriais e na publicação de trabalhos. Esses são justamente os pontos mais fracos de Ciência & Saúde Coletiva, apontados pelos dados analisados por Packer9.

Quanto a várias propostas sobre novas formas de peer review e de comunicação científica, o futuro está mais longe ainda. Byrnes et al10, apoiados delo sistema SciELO7, propõem um debate prospectivo sobre o que denominam os quatro pilares da comunicação científica: a constituição e a convivência de um ecossistema dos produtos e formatos; a publicação imediata em acesso aberto; o processo aberto de peer review; e o reconhecimento público dos pareceristas.

Esse futuro já é presente para algumas revistas como o PLoS ONE, o maior divulgador atual da ciência produzida; e o repositório de artigos arXiv da área de física, matemática e computação. Kriegeskorte11, um entusiasta da “avaliação aberta”, sugere que os comentários dos pareceristas façam parte do artigo, sendo divulgados ou em páginas web ou em blogs mantidos pelo periódico. Ele concorda com os autores já citados que essa modalidade valoriza a atividade especializada e minuciosa dos pareceristas, trabalho que geralmente acaba descartado quando é concluído o processo editorial. Alguns periódicos como o Plos ONE e o PeerJ já oferecem aos autores a opção de publicarem os comentários dos avaliadores dos artigos.

Sobre todas as novas questões acima colocadas é preciso também ser crítico. Em primeiro lugar, sabe-se que não há análise científica perfeita e não há ainda evidência de que os meios mais arrojados seriam os mais adequados. É claro que sua experimentação – tal como já vem ocorrendo – poderá apresentar as vantagens e as desvantagens, e o mundo da divulgação científica caminhar para as mudanças com um pouco mais de segurança. Como referido por um dos mais eminentes epistemólogos do século XX, Karl Popper12, apesar de toda a imperfeição que carrega em si, a melhor forma de avançar a ciência ainda é a avaliação por pares (que, na verdade, a forma tradicional e as alternativas conservam).

Um segundo ponto a ser considerado é que o mundo dos periódicos se tornou um palco de competições e polêmicas, o que pode ser ressaltado pela corrida desenfreada para publicar e ser citado, realidade que envolve pesquisadores, instituições que os albergam, países que produzem ciência e revistas que publicam os trabalhos. Nessa avalanche de mudanças, se inclui o florescimento das editoras comerciais que, cada vez mais, vêm lucrando com a divulgação científica mundial, cobrando para publicar e também para dar acesso aos artigos que disseminam.

Um terceiro ponto que precisa ser ressaltado é que não se pode dissociar a produção científica e o sucesso dos periódicos que a divulgam. As revistas dependem do êxito das pesquisas e das inovações para apresentarem qualidade. O que termina no artigo como produto privilegiado começa com a elaboração de um projeto ou protocolo de pesquisa. Ora, se o que se publica numa revista é fruto de investigação, o que ela comunica pode servir de parâmetro ou base para formulação de hipótese sobre o estado do desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação de determinada área. Se a Revista deve ser comprometida com mudanças da realidade, ela só poderá sê-lo se os resultados das investigações que divulga o forem. Se ela precisa se internacionalizar, isso só será possível se houver uma internacionalização das investigações. Se ela tem que competir com os periódicos mais reconhecidos do mundo (sobretudo no Qualis/CAPES que talvez indevidamente se transformou num indexador nacional), só poderá fazê-lo se os pesquisadores do país estiverem à altura dos que, no exterior, publicam neles.

Outro ponto que precisa ser destacado diz respeito ao financiamento das Revistas. Enquanto no Brasil existem fontes de recursos para as pesquisas, quando se trata de sua divulgação em Revistas as verbas são absolutamente irrisórias e ridículas, diferentemente do que ocorre hoje em países emergentes como a China – cujo crescimento das publicações é exponencial – e onde o Ministério de Ciência e Tecnologia concentra uma política forte e focada de financiamento da disseminação do conhecimento, com vistas à internacionalização, conforme referido pelo representante desse país no seminário de 15 anos do SciELO.

Conclusões

Partindo-se do mais geral para o particular, constata-se hoje um consenso irretocável na comunidade científica sobre a necessidade de compartilhar a ciência que é construída nos laboratórios e nos grupos de pesquisa, levando a uma conclusão radical de que ciência não comunicada e não devidamente divulgada é ciência que não existe: ninguém pode adivinhar o que se passa na sala de um pesquisador se sua atividade investigativa não vem a público por meio de algum formato consagrado internacionalmente1,2. Alguns autores, invertendo a tese cartesiana segundo a qual penso, logo existo escrevem que no mundo científico: existo porque sou pensado e não porque penso13.

Entende-se, no entanto, que a produção e a divulgação científica constituem um ecossistema que precisa ser alimentado e tratado no seu todo e em cada um dos seus componentes, tanto pelos que formulam as políticas de ciência e tecnologia como pelos gestores responsáveis pela implementação delas. Nesse sentido, os periódicos configuram-se como fóruns privilegiados da produção e disseminação científica, contribuindo para que ocorra o processo evolutivo do conhecimento14. Infelizmente, no estágio atual, os Editores de Revista Nacionais sabem que não existe nenhuma política editorial dos governos à altura do que é cobrado deles. Ao contrário, costumam ser tratados como “donos inadimplentes” dos periódicos, dos problemas de financiamento, da profissionalização das Revistas e de sua internacionalização. Portanto, urge criar-se uma consciência pública sobre a importância e a urgência de se investir na disseminação do conhecimento científico gerado no país.

Sobre a Revista Ciência & Saúde Coletiva, pode-se considerar que sua significância se presentifica no campo em que se insere, onde os estudos são mediados por questões teóricas, técnicas, profissionais, políticas e práticas15. Por isso, seguindo o pensamento de Bourdieu16,17, ela deve ser vista como um espaço estruturado pelo habitus da saúde coletiva e ao mesmo tempo cria seu próprio habitus que contribui para estruturar a área. Desta forma, Ciência & Saúde Coletiva assume um papel importante na ordem estabelecida pelo campo, mas também, contribui para sua transformação: consagra, serve de filtro seletivo, atesta valor ao que é produzido, assegura a propriedade intelectual, legitima novos temas e define o que é publicável1618. Esse conjunto de ações envolve e compromete todo o seu corpo constitutivo: editores-chefes, comissão de política editorial, editores-associados, conselheiros editoriais, autores, avaliadores ad hoc, equipe executiva e indexadores.

Em resumo, como um periódico da Abrasco, Ciência & Saúde Coletiva tem funções fundamentais: de um lado, contribui com o rigor das avaliações para que cresça a massa crítica da área e assim vai delimitando – ainda que de forma bastante generosa – suas fronteiras de conhecimento. De outro, num processo recursivo, traz para a Associação o reconhecimento nacional e internacional, ao mesmo tempo em que mantém o compromisso inegociável com o SUS.

Agradecimentos

Por toda a sua dedicação em tornar Ciência & Saúde Coletiva uma revista tão importante para o país e para o mundo, nossos sinceros agradecimentos a Lilian Vicentin, Danúzia Rocha, Raimunda Mangas, Telma Freitas, Luiza Gualhano, Adriana Ribeiro, Marcelo Z. Afonso e Derrick Phillips.

Referências

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Recebido: 31 de Março de 2015; Revisado: 31 de Março de 2015; Aceito: 02 de Abril de 2015

Colaboradores

MCS Minayo e R Gomes participaram igualmente de todas as etapas de elaboração do artigo.

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