SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.20 número7A Revista Brasileira de Epidemiologia: 18 anos de contribuição à difusão de conhecimentosCelebrando Ciência & Saúde Coletiva, lembrando da trajetória da Physis índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.20 no.7 Rio de Janeiro jul. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015207.05812015 

Artigo

Da segurança e medicina do trabalho à Saúde do Trabalhador: história e desafios da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional

José Marçal Jackson Filho 1  

Eduardo Algranti 1  

Cézar Akiyoshi Saito 1  

Eduardo Garcia Garcia 1  

1Fundacentro. R. Capote Valente 710, Pinheiros. 05409-002 São Paulo SP Brasil. jose.jackson@fundacentro.gov.br

Resumo

A Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO) é o periódico científico do campo da Saúde do Trabalhador publicado pela Fundacentro desde 1973. O percurso histórico, o desempenho atual, os desafios e as perspectivas futuras da RBSO são discutidos a partir de análise documental. A história da revista pode ser dividida em três períodos, começando durante o governo militar. No início, se constituiu em veículo de difusão de conhecimentos e da política de prevenção de acidentes, na qual a Fundacentro desempenhava papel central. No início dos anos 80 abre-se espaço para publicações de caráter técnico científico, assim como o campo da Saúde do Trabalhador surge em suas páginas. Em 2005-6, um processo de reestruturação é implementado, assegurando política e estruturas editoriais independentes. Desde 2006, 139 artigos originais e nove dossiês temáticos foram publicados; a Revista está indexada em 9 bases; Qualis/CAPES B1 na área Interdisciplinar e B2 em Saúde coletiva, com tendência ascendente no Fator de Impacto SciELO e índice h5 no Google Scholar. Todavia, a relativa baixa produção científica no campo e o alto índice de rejeição de manuscritos podem colocar em risco a sobrevivência do “lócus principal” para publicações científicas no campo da Saúde do Trabalhador.

Palavras-chave Saúde do trabalhador; Saúde coletiva; Publicações periódicas; Brasil

Introdução

A Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO) é o periódico científico editado pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho – Fundacentro, desde 1973, atualmente com frequência semestral. Foram publicados 130 números em 39 volumes, ao longo destes 42 anos de existência. Esse acervo reflete parte da evolução do conhecimento ocorrida na área de Saúde do Trabalhador em nosso país.

A RBSO é considerada como referência pela comunidade que atua neste campo do conhecimento e da práxis, e propicia um espaço fundamental para a reflexão e análise científica dos problemas contemporâneos relacionados ao tema e às perspectivas para o enfrentamento dos mesmos1, justificando, assim, a busca contínua do seu aprimoramento editorial. Nos últimos anos, a Revista se abriu para o debate, considerando tanto os aspectos relativos ao desenvolvimento social, científico e tecnológico, no que tange às condições de trabalho nos diversos setores da economia, quanto para a análise e proposição de políticas públicas nas diversas áreas correlacionadas2.

A história da RBSO reflete a evolução e a convivência de abordagens distintas sobre as relações entre saúde e trabalho. Nas suas páginas podem ser encontrados estudos baseados ora nos princípios da Medicina do Trabalho e na Saúde Ocupacional, ora nos fundamentos da Saúde do Trabalhador. Afinal, a Fundacentro é uma Instituição, vinculada ao Ministério do Trabalho, criada nos moldes das Instituições de Saúde Ocupacional dos países mais desenvolvidos economicamente3, que teve papel central na política de prevenção de acidentes durante os governos militares, mas que passou por mudanças importantes até se constituir como Instituto de pesquisa e de ensino nos dias de hoje.

Situar-se no campo da Saúde do Trabalhador, tendo se originado durante o governo militar, significa ter percorrido longo caminho e superado diversos pressupostos teóricos e práticos3, no que tange a compreensão da relação saúde/ trabalho, desde o papel do trabalhador no processo – de alguém passivo à sujeito do processo –; da extensão da busca de fatores de riscos, ao complexo entendimento da organização e processo de trabalho, para compreender o processo saúde – doença; da superação do conhecimento como fim para a necessidade de compreender para transformar4,5. Ou seja, neste espaço de publicação e debate, assume-se como móbile que “o compromisso com a mudança do intrincado quadro de saúde da população trabalhadora é seu pilar fundamental. O que supõe o agir político, jurídico e técnico, ao posicionamento ético”4.

A missão da Revista é, dessa forma, publicar artigos científicos relevantes para o desenvolvimento do conhecimento e para incrementar o debate técnico-científico no campo da Saúde e Segurança no Trabalho (SST), visando contribuir para o entendimento e a melhoria das condições de trabalho, para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho e para subsidiar a discussão e a definição de políticas públicas relacionadas ao tema.

O objetivo deste artigo é descrever o percurso histórico, o desempenho atual, assim como apresentar os desafios e as perspectivas futuras da RBSO. Esta leitura analítica da revista foi feita a partir de análise documental realizada, tanto nos diversos volumes da Revista, quanto em documentos internos da sua secretaria, e com base em indicadores bibliométricos disponíveis na base SciELO e no Google Scholar.

Percurso histórico da revista

A leitura dos volumes da RBSO desde seu primeiro número até hoje nos permite distinguir três fases, nas quais a revista assumiu papéis distintos:

  1. na primeira, que começa no início de 1973 e termina por volta dos anos 80, a missão da Revista, veículo oficial da Fundacentro e da política instituída para o campo, é de difusão de conhecimentos para a prevenção de acidentes;

  2. na segunda, que vai até o início da década de 2000, a Revista assume caráter técnico-cientifico, se constituindo em lócus para publicações de diversos estudos de vários pesquisadores e acadêmicos brasileiros sobre os temas que envolvem a saúde, o trabalho e a prevenção de acidentes;

  3. na terceira, que se estende até hoje, a Revista se estrutura como periódico de natureza científica, ampliando seu escopo temático e definindo política editorial clara e independente.

A revista, meio de difusão de conhecimentos e da política de prevenção de acidentes do governo militar

A RBSO foi, na sua primeira fase, o veículo oficial da Fundacentro e da Política de Valorização do Trabalhador6. Publicaram-se inclusive discursos de ministros do Trabalho e até de presidentes da República. A política oficial e seus resultados foram apresentados à comunidade logo no seu primeiro número7.

A estrutura editorial era composta por uma Comissão Editorial (formada por dois funcionários da Fundacentro) e um Conselho Consultivo (formado por cerca de cinquenta acadêmicos e especialistas), e sofreu algumas variações ao longo dos anos.

A revista manteve periodicidade trimestral no período, sendo que um número por ano era voltado aos CONPAT (Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho). O conteúdo contava com informativos da política da Instituição e do próprio periódico, “setor científico”8, reportagens e serviços (análises jurídicas, revisões bibliográficas, fichas toxicológicas, publicações da Fundacentro, agenda e outros temas de interesses diversos). Os editoriais não eram constantes ao longo do período, na sua maioria não eram assinados e, em determinados momentos foram substituídos por textos relacionados à política ou à Fundacentro.

Das seções científicas constavam traduções de publicações de autores de países diversos que, de modo geral, tratavam de textos de revisão abordando temas gerais (iluminação, ruído, toxicologia e outros); destacavam-se, também, as colaborações importantes dos docentes/pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo liderados pelo professor Diogo Pupo Nogueira.

Enquanto espaço de divulgação da política e do papel da Fundacentro, ao longo de 8 anos, os conteúdos evoluíram, desde a história da constituição da Fundacentro9 à apresentação da Política de Valorização do Trabalhador10, passando pelo número consagrado à publicação da Lei 6.514, de 22 de dezembro de 1977, e à portaria 3.214, de 8 de junho de1978, referentes às normas regulamentadoras de segurança, medicina e higiene do trabalho11, aos balanços das atividades da Fundacentro, como o de 197812, e ao informe da Organização Internacional do Trabalho (OIT)13. Além dos CONPAT, a revista era também espaço para publicação de comunicações de diversos eventos científicos (1°. Congresso Brasileiro de Medicina do Trabalho, Congresso de Prevenção de Cegueira, de “defensivos agrícolas”, dentre outros).

A proposta da RBSO pode ser sintetizada ao que foi escrito em um editorial de 1975, no qual seu papel foi explicitado enquanto “campus invisível”, isto é, os periódicos representariam uma forma de “extensão do campus universitário até o especialista ou profissional, colocando à sua disposição informações atualizadas, apresentando novas perspectivas em sua área de atuação, bem como colocando-o a par das conclusões de congressos, reuniões e simpósios”14. Mas, não de qualquer forma, como explicitado no editorial do número seguinte, no qual a revista procurou “divulgar artigos visando a uma articulação dinâmica entre conceituação doutrinária e realização prática de programas de saúde ocupacional”15.

Assim, embora tenham sido publicados textos que evocassem as questões organizacionais, como o de Nogueira16 e o de Bart17, a RBSO tinha a missão de publicar e difundir “determinados” temas e “valores”, aqueles que fundamentavam ou eram objetos da política instituída, tais como o enfrentamento dos atos inseguros ou o papel dos serviços de prevenção, ou seja, o objetivo da revista era veicular e difundir o modelo de prevenção adotado pelo governo militar, defendido oficialmente pela Fundacentro6,18.

A estrutura editorial da Revista, cujo funcionamento manteve certa estabilidade ao longo dos anos, favoreceu a “política oficial”, à qual a política editorial estava submetida. Tal relação era orgânica, pois um dos membros da Comissão Editorial foi superintendente da Instituição (ocupando os dois cargos) por mais de 6 anos (de 1975 a 1981). No entanto, à medida que a política instituída perdia força, o caráter técnico científico passava a ganhar espaço nas páginas da revista.

A transição do técnico ao científico, da Saúde Ocupacional à Saúde do Trabalhador

Entre 1982 e 2002, a Revista entra em longa fase de transição quanto ao seu papel e quanto ao seu conteúdo, operando com política editorial pouco definida e passando por grandes incertezas quanto a sua sobrevivência. Pode-se supor que a indefinição editorial permitiu, de certa forma, a ampliação de temas e abordagens em direção ao campo da Saúde do Trabalhador.

A estrutura editorial foi remanescente do período anterior, contendo uma Comissão Editorial (composta por 21 pesquisadores e especialistas) sob a supervisão da Superintendência da Instituição (e posteriormente da Secretaria/Diretoria Técnica). Em 1986, a Comissão Editorial é renovada, passando a contar com 8 membros19. Durante este longo período, o número de membros variou bastante, chegando a contar com apenas 2 membros em 1993; sendo recomposta com 5 membros em 2002.

Em vários momentos, membros da direção/ secretaria técnica participaram da Comissão Editorial, mantendo a supracitada relação orgânica entre a Fundacentro e a Revista, que se constituía “como um dos mais importantes instrumentos de comunicação e de divulgação dos trabalhos da entidade”20.

Apesar do discurso, o funcionamento da revista passou por dificuldades, diminuindo sua periodicidade de quadrimestral a semestral, com atrasos recorrentes nas suas edições, que até chegaram a ser suspensas, entre 1995-96 e em 2000.

Os principais traços que caracterizaram a organização editorial da revista neste período foram: a inexistência de política editorial; a ausência de editor científico, cargo suprido por jornalista redator, que capitalizou trabalhos e organizou as edições; e a inexistência de avaliação por pares dos textos publicados.

Contrariando o Editorial citado acima, aos poucos, a revista deixou de ser espaço utilizado prioritariamente pelos profissionais da Fundacentro, para divulgação de seus trabalhos no campo da Saúde Ocupacional, para abarcar diversos autores e pesquisadores que surgiram no período (marcado pela Constituição Federal de 1988). Algumas tendências nas características das publicações podem ser notadas. As edições passam a ser constituídas de textos com formato mais científico do que técnico, embora nos primeiros anos, relatórios, fichas toxicológicas, normas técnicas produzidas pela Fundacentro tenham ocupado espaço importante. Ainda que a publicação de traduções tenha diminuído, o impacto de alguns textos traduzidos (por exemplo, Dejours21, Daniellou et al.22; Le Guillant et al.23) foi muito importante, sobretudo, no campo da Ergonomia e da Psicodinâmica do Trabalho.

A omissão do Governo Federal sobre as questões de Saúde do Trabalhador e o desinteresse institucional pela revista parecem ter deixado espaço para a RBSO publicar textos de temas importantes, com visão mais abrangente da prevenção de acidentes, abrindo-se pouco a pouco para o campo da Saúde do Trabalhador. Dentre estes temas, podem ser citados a relação entre fatores organizacionais e saúde, o trabalho em turnos e noturno, a emergência das LER/DORT, os impactos à saúde provocados por amianto, a contaminação por agrotóxicos, a Saúde Mental e o trabalho, a participação de trabalhadores, a vigilância epidemiológica de agrotóxicos e de doenças ocupacionais, as novas abordagens para análise de acidentes, os determinantes sociais dos acidentes de trabalho, os acidentes ampliados e a organização de serviços de Saúde do Trabalhador.

Essa tendência refletia a evolução das pesquisas no campo da Saúde do Trabalhador na época24. O primeiro texto publicado na RBSO explicitamente no campo da Saúde do Trabalhador é de 199125. No ano seguinte foi publicada a tradução da declaração da Organização Panamericana da Saúde (OPAS) sobre a questão da Saúde do Trabalhador26.

A revista entrou nos anos 2000 passando por forte crise, mas de certa forma, livre do papel e do escopo definidos durante o governo militar. O crescimento do meio acadêmico brasileiro e do campo da Saúde do Trabalhador27 criou a necessidade de espaço próprio de publicação acadêmica que poderia ser absorvido pela RBSO.

Um periódico científico do campo da Saúde do Trabalhador

Com as mudanças no novo Governo, instituído em 2003, e na direção da Fundacentro, se define uma nova Comissão Editorial que se propõe a valorizar o papel da revista e iniciar processo de mudança para enfrentar seus problemas de funcionamento (como a inexistência de política editorial, a falta de regularidade nas edições, peer-review incipiente, dentre outros.)28. Todavia, a estrutura editorial ainda se baseava nos princípios das fases anteriores, a saber: membro da direção da Instituição fazia parte da Comissão Editorial, que não contava com editor científico designado.

Entre 2004 e 2005, dois editores científicos foram nomeados e os editoriais (por eles assinados) indicam mudanças na política editorial e no escopo da Revista29. No entanto, é apenas em 2006 que o projeto de reestruturação começou a ser efetivamente implementado, tendo como fundamento os seguintes princípios2:

O primeiro é o princípio de liberdade editorial ou, em inglês, Editorial Freedom, definido pelo Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos (ICMJE) como ferramenta para se evitar interferências ‘na avaliação, seleção ou edição de artigos diretamente ou através da criação de ambiente que influencie fortemente a decisão dos editores responsáveis, que devem possuir total autoridade sobre o conteúdo editorial da revista científica’. Em consonância, o conselho editorial independente pode ter papel fundamental como colaborador no estabelecimento e na manutenção da política editorial adotada […].

O segundo princípio fundamental é o de funcionar enquanto serviço público de qualidade. Nesse sentido, o funcionamento deve dar ênfase ao mérito científico dos artigos publicados e à relevância dos mesmos para a sociedade, assim como no oferecimento de acesso livre, fácil e permanente ao conteúdo da revista por meio de várias formas de mídia.

O quadro que antecedeu o processo de reorganização do periódico, iniciado em 2006, trazia muitos obstáculos para o resgate da credibilidade e para a estruturação da revista. Os atrasos na pontualidade e a falta de periodicidade da publicação, no período entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, haviam determinado a perda das indexações, com enorme prejuízo editorial, ocasionando diminuição drástica no número de submissões, baixa qualidade científica dos trabalhos submetidos, redução no número de artigos publicados e deterioração dos indicadores de qualidade do periódico, como o Qualis/ Capes. Esse quadro era chamado pelo corpo editorial de “círculo-perverso”, pelas grandes dificuldades que colocava para a sua reversão.

Diante desse quadro, o processo de reorganização definido em 2006 determinou alguns objetivos e metas a curto prazo: elaborar o regimento interno; assegurar sua autonomia e funcionamento perene; redesenhar o trabalho editorial fundamentado em caráter coletivo; reconceber as atribuições do corpo editorial e reconstituí-lo; reorganizar e agilizar as estruturas administrativas; dispor as informações sobre a revista e os números publicados em site próprio e submeter a revista, no prazo de dois anos, a processo de indexação na base bibliográfica Lilacs.

No final de 2006, após a instituição do Regimento do periódico, que sustenta a sua autonomia editorial e regula as suas relações com a Fundacentro, e da organização do apoio administrativo, foi efetuada a reformulação do corpo editorial. Inicialmente composto por dois editores científicos, um editor executivo e três editores associados, além de um novo Conselho Editorial, com pesquisadores de renome, de distintas áreas relacionadas à SST, provenientes de 10 universidades e instituições de pesquisa de diferentes regiões do país.

Um elemento fundamental para dar visibilidade ao periódico foi a criação de um site específico para a RBSO, na página da Fundacentro. Este portal foi o principal meio de divulgação eletrônica da revista até a inclusão da RBSO no portal do SciELO, em maio de 2012.

Para captar artigos, duas estratégias foram colocadas em prática: a primeira, de publicar dossiês temáticos; a segunda, de fazer parceria com o Grupo de Trabalho Saúde do Trabalhador da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). A materialização da cooperação com o GT da Abrasco se deu inicialmente pela publicação de um editorial assinado pelos coordenadores do GT1, que afirmava “a RBSO passa a ser um espaço privilegiado de publicação para a difusão do conhecimento nacional produzido pelos grupos e profissionais que vêm pensando a Saúde do Trabalhador no âmbito da Saúde Coletiva” e, posteriormente, a publicação de dossiê sobre a “Política de Atenção à Saúde do Trabalhador” em dois números consecutivos30.

Assim, após a reestruturação, a revista passou, portanto, a se fundar no que caracteriza um periódico científico, publicando em sua maioria artigos de pesquisa originais31, sem deixar de lado a necessidade de colocar em debate temas e objetos polêmicos, e de defender uma posição editorial clara32. A RBSO deixou de se constituir como um instrumento de comunicação e de divulgação dos trabalhos da entidade20 para se tornar o “lócus principal” para as publicações do campo da Saúde do Trabalhador, como observa Wünsch Filho31. Ainda segundo o autor31, “a produção contemporânea na área de SST floresce e emerge com vigor nas páginas recentes da RBSO, entretanto, ainda há desafios a enfrentar […] A RBSO é a única revista brasileira que comporta o espectro de temas específicos da Saúde do Trabalhador dentro da grande área da Saúde Coletiva”.

Desenvolvimento atual da revista

Estrutura editorial e processo peer-review

O campo da Saúde do Trabalhador caracteriza-se pela interdisciplinaridade, envolvendo aspectos ligados à saúde e às ciências sociais, nesta última, incluídos aspectos sociológicos, econômicos e de políticas públicas4. Coabitam visões de diferentes áreas, que, ao mesmo tempo em que expõem uma riqueza de abordagens, constituem-se num desafio para um periódico cientifico. A reestruturação da RBSO em 2005-2006 respondeu a esses desafios criando uma editoria científica e um corpo de editores para dar vazão a submissões provenientes de diversas áreas do conhecimento. Hoje, o corpo editorial é composto por 42 editores de 19 universidades e instituições de todas as regiões do país, incluindo pesquisadores da própria Fundacentro. São dois editores científicos, dois editores executivos, 24 editores associados e 14 conselheiros que, frequentemente, também atuam como editores associados.

Pela característica multidisciplinar da revista, a avaliação por pares tem envolvido grande número de pareceristas. De 2006 para cá, a revista contou com a colaboração de 416 consultores ad hoc, pesquisadores com especialidades em diversas áreas, de todas as regiões do país, incluindo 11 pesquisadores que atuam em outros países.

Diversidade das pesquisas publicadas

De 2006 a 2014, foram publicados 139 artigos, modalidade que se constitui no cerne de um periódico científico. Destes, 83% originaram-se em Universidades, a maioria é proveniente de dissertações e teses em programas de pós-graduação; 9,3% vieram de serviços públicos com a participação de Universidades; 6,4% de serviços públicos e 1,4% de serviços privados com a participação da universidade. Não foram identificados artigos originados exclusivamente de serviços privados. Dos 139 artigos, 33% são referentes à epidemiologia e clínica de agravos ocupacionais; 31% referiram-se a ciências sociais e políticas públicas; 11% a questões referentes a aspectos técnicos de higiene e segurança no trabalho; e 25% em outros temas, incluindo assédio moral e reabilitação. Grupos interdisciplinares ou interinstitucionais assinaram 43% dos artigos publicados32.

Os números acima refletem a abrangência e riqueza de visões e conteúdo da RBSO, ao mesmo tempo em que apontam para o desafio de conduzir um periódico de conteúdo multidisciplinar. Em nítido contraste, periódicos da área, editados em países industrializados, têm um espectro segmentado de publicações pelas diferentes disciplinas que abordam as relações saúde e trabalho.

A organização de dossiês temáticos

Para o enfrentamento do “círculo perverso” anteriormente comentado, foi e continua sendo fundamental a estratégia de publicar dossiês temáticos. Os temas, que abordam assuntos relevantes e atuais são definidos pela editoria ou propostos por pesquisadores externos ao periódico, e atraem autores e artigos de qualidade. O tempo para publicação dos dossiês costuma ser relativamente longo (de um ano e meio a dois anos) devido ao processo de peer review e ao fato de que, para publicação, é preciso esperar a conclusão do processo de todos os artigos submetidos para o número temático. A estratégia se mostrou exitosa na maioria das vezes, atraindo autores importantes e artigos relevantes nos temas publicados. De 2006 a 2013, foram 9 dossiês publicados em 11 edições (Quadro 1).

Quadro 1 Dossiês temáticos publicados pela RBSO no período de 2006 a 2013. 

Ano Título
2006 - Trabalho em teleatendimento e problemas de saúde
2007

    -. Acidentes do trabalho e sua prevenção

    -. Exposição a agentes químicos e a Saúde do Trabalhador

2008 - Saúde dos trabalhadores da Saúde
2010 - Incapacidade, reabilitação profissional e Saúde do Trabalhador
2010/11 - O mundo contemporâneo do trabalho e a saúde mental do trabalhador – I e II
2012

    -. Trabalho, saúde e meio ambiente na agricultura: interações, impactos e desafios à segurança e saúde do trabalhador

    -. Assédio moral no trabalho

2013 - Atenção integral em Saúde do Trabalhador: desafios e perspectivas de uma política pública - I e II

Organização de eventos

Outra estratégia realizada com o propósito de dinamizar e ampliar a difusão das informações publicadas na revista foi a organização de eventos para o lançamento de novos números. Nestes, autores de artigos publicados são convidados a apresentar seus trabalhos e discutí-los com o público. Também são convidados pesquisadores de renome nos temas publicados e representantes de órgãos públicos para se posicionarem e discutirem os artigos e políticas públicas relacionadas aos temas. Seminários foram realizados para cada um dos dossiês publicados e para algumas edições não vinculadas a números temáticos, em parceria com outras instituições, como a Faculdade de Saúde Pública da USP, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e com os Ministérios da Saúde e da Previdência Social. O periódico também passou a organizar e a apoiar eventos técnico-científicos nas áreas de Saúde e Trabalho, juntamente com a Fundacentro e com o seu programa de mestrado acadêmico, assim como com outras entidades. Nessa linha, também foram organizados, em 2010, dois cursos de redação científica em inglês, em conjunto com a Unicamp e o periódico internacional Environmental Health Perspectives, com apoio da FAPESP, da EPA (Environmental Protection Agency, agência ambiental dos EUA) e da editora internacional de periódicos científicos Elsevier.

Difusão e distribuição de exemplares

O número de acessos aos artigos da revista disponíveis eletronicamente foi sempre crescente e desde sua entrada na coleção do SciELO vem se intensificando, como se pode observar nos dados anuais apresentados na Tabela 1. Se tomarmos como referência o mês de março, o número de acessos aumentou 30% de 2013 para 2014 (de 17.333 a 22.481) e 73% desse ano para 2015 (38.878 acessos). Comparando-se março de 2013 com março de 2015, o crescimento foi de 124%.

Tabela 1 Acessos aos artigos publicados pela RBSO disponíveis on-line nos sites da Fundacentro e do SciELO. 

Ano Acessos Acessos/mês (média)
2007 (maio/dez)* 24.003 3.000
2008* 110.185 9.182
2009* 117.289 9.774
2010* 126.017 10.501
2011* 172.539 14.378
2012 (jan-abr)* 46.994 11.749
2012 (mai-dez)** 53.197 6.650
2013** 173.221 14.435
2014** 248.467 20.705
2015 (jan-mar)** 76.562 25.520
Total 1.148.474 -

*Dados de acesso à página da revista no site da Fundacentro.

**Dados de acesso à página da revista no site do SciELO.

Outro aspecto que chama a atenção quanto à visibilidade da revista é a média de acessos por manuscrito na base do SciELO. Apesar do pequeno número de artigos disponíveis, a RBSO no mês de março de 2015 foi a que obteve a maior média de acessos por manuscrito disponível em relação às principais revistas de Saúde Coletiva integrantes da base, como mostra a Tabela 2.

Tabela 2 Acessos aos manuscritos dos principais periódicos de Saúde Coletiva disponíveis na base SciELO em março de 2015. 

Periódico N° de acessos março 2015 N° de manuscritos disponíveis Média de acessos por manuscrito
Rev. Bras. Saúde Ocupacional 38.878 232 168
Saúde e Sociedade 110.875 910 122
Ciência & Saúde Coletiva 348.963 3.116 112
Physis 65.433 663 99
Interface 79.800 830 96
Trabalho, Educação e Saúde 33.085 361 92
Rev. Bras. Epidemiologia 76.649 884 87
Cadernos Saúde Pública 320.813 4.511 71
Rev. Saúde Pública 253.344 3.791 67

Fonte: SciELO.

A estratégia de dar maior visibilidade à revista também aproveitou a demanda por exemplares impressos da RBSO, que sempre se manteve, mesmo com a disponibilidade eletrônica. Hoje, a tiragem da RBSO é de 1.500 exemplares por edição. Com o retorno da sua periodicidade, identificou-se uma relação de cerca de 800 entidades, sobretudo bibliotecas e órgãos públicos, atuantes em áreas relacionadas com o escopo da revista, que voltaram ou passaram a receber gratuita e regularmente a publicação. Os exemplares restantes são distribuídos em eventos científicos organizados pela Fundacentro ou por outras entidades, destacando-se aquelas vinculadas à representação sindical de trabalhadores e as de serviços públicos.

Essa procura da revista por instituições não acadêmicas mostra que as informações publicadas pela RBSO também são utilizadas pela comunidade que atua em segurança do trabalho e saúde do trabalhador e que o periódico tem um reconhecimento como referência técnico-científica. Um exemplo desse uso é a citação de informações publicadas na RBSO como fundamentação de decisões judiciais33.

Indicadores bibliométricos

A reorganização da revista e as estratégias adotadas foram progressivamente repercutindo em alguns indicadores do periódico. Foram recuperadas algumas bases bibliográficas que haviam sido perdidas, como o Lilacs, e foram obtidas novas indexações, totalizando, hoje, nove indexações em bases regionais, culminando com a entrada no SciELO.

Com relação à classificação Qualis/CAPES, em 2008, que refletia basicamente apenas o primeiro ano da reestruturação, as classificações da RBSO eram poucas e em níveis inferiores, como nos casos das áreas de Saúde Coletiva, Enfermagem, Interdisciplinar e Psicologia, com B4. Em 2013, último dado disponível, o periódico foi classificado como B1 na área Interdisciplinar e B2 em Saúde Coletiva, Psicologia, Enfermagem, Sociologia e Ciências Ambientais.

Quanto às citações, apesar do seu repertório focado no tema da Saúde e Segurança no Trabalho e de não constar de bases que dão grande visibilidade, como Web of Science e PubMed, e de publicar quantidades relativamente pequenas de artigos, é importante observar a relevância do número de citações de artigos publicados pela RBSO nas principais revistas brasileiras da área de Saúde Coletiva, segundo dados do SciELO (Tabela 3).

Tabela 3 Citações concedidas a artigos da RBSO nos principais periódicos de Saúde Coletiva e classificação da revista entre as citadas*

Periódico N° de citações de artigos da RBSO Classificação da RBSO em relação ao total de periódicos citados Classificação da RBSO entre os periódicos citados da Coleção SciELO**
Cadernos de Saúde Pública 124 93 / 8.491 25
Revista de Saúde Pública 103 63 / 7.491 16
Ciência & Saúde Coletiva 57 101 / 9.978 39

*Referente ao total de citações concedidas para o periódico na base SciELO – Dados processados em 06 de abril de 2015.

**Total de periódicos na coleção: 1.239.

Importante observar que as três principais revistas da área de Saúde Coletiva (Quadro 1) são também os três periódicos da coleção SciELO que mais citam a RBSO. Das atuais 285 revistas da Coleção SciELO Brasil, 96 (34%) já citaram a RBSO (excluindo-se a própria), totalizando 790 citações (não incluídas 169 autocitações, que representam 18% do total).

Também vem crescendo o Fator de Impacto (FI) do periódico. O FI (para dois anos) da RBSO no SciELO era zero em 2009 e foi progressivamente aumentando, chegando a 0,27 em 2013 e passando a 0,50 em 2014.

A melhoria nas métricas do Google Scholar também vem ocorrendo: no quinquênio 2008 a 2012, o índice h5 e a mediana h5 da RBSO foram respectivamente 8 e 11. Já no período 2009 a 2013, esses índices subiram para 11 e 12, respectivamente (os índices deste quinquênio significam que a revista tem 11 artigos, publicados no período, que receberam ao menos 11 citações cada um e que a mediana das citações desses artigos é 12).

A Tabela 4 mostra a quantidade de manuscritos submetidos e publicados nos anos recentes.

Tabela 4 Quantidades de manuscritos submetidos e publicados na RBSO, 2008-2014. 

Ano Artigos submetidos Artigos publicados
2008 62 12
2009 166 18
2010 134 30
2011 136 25
2012* 182 23
2013 167 21
2014 182 23

*inclusão da RBSO no site do SciELO.

A partir dos dados da Tabela 4, dois aspectos chamam a atenção. O primeiro é a alta taxa de recusa de manuscritos no periódico, que tem se mantido acima de 85% nos últimos anos. O segundo é a relativa estabilidade do baixo número de artigos submetidos e publicados.

Apesar do curto período decorrido, com a indexação no SciELO em 2012, esperava-se observar um aumento maior no número de submissões e de artigos publicados, contando também com a melhoria da qualidade dos manuscritos submetidos, abrindo a possibilidade de aumentar o número de edições por ano. No entanto, esse crescimento pode estar limitado por uma relativa baixa produção científica na área de Saúde do Trabalhador. Segundo Santana27, a produção de teses e dissertações na área foi exponencialmente crescente a partir da década de 1970, mas, apesar desse crescimento, o levantamento efetuado pelos autores identificou apenas 333 estudos realizados entre 2000 e 2004, último período avaliado no artigo, uma média de 67 pesquisas por ano. Ou seja, embora a produção em Saúde do Trabalhador se mostre crescente, a quantidade de estudos produzidos na área é relativamente pequena. Essa limitação, pode ser um dos fatores explicativos da dificuldade da RBSO cumprir a exigência do SciELO, no que se refere ao número de artigos e de edições publicados por ano.

Desafios e perspectivas futuras

As relações entre o campo de atuação, a formação profissional e um periódico científico são intrincadas. No Brasil, a formação de profissionais em Saúde do Trabalhador atende a um mercado de trabalho amplo, ditado por legislação específica, que exige a preparação de engenheiros, médicos e técnicos de nível médio. Para dar vazão às necessidades impostas pela legislação houve a formação de inúmeros profissionais em cursos de pósgraduação senso lato, preenchendo um nicho em que as instituições universitárias foram incapazes de dar resposta através do oferecimento de programas como, por exemplo, residência médica especializada. Os poucos programas de residência médica em saúde do trabalhador existentes apresentam graves deficiências, pela incapacidade de proporcionar aos participantes a necessária integração de conteúdos que atendam de forma efetiva aos clássicos níveis de Leavell e Clark34. Adicionalmente, a legislação que rege a saúde e segurança no trabalho permite que a lógica do mercado que absorve estes profissionais seja nefasta para uma prática independente e ética de saúde do trabalhador. Esta realidade claramente dificulta a elaboração de artigos destinados aos periódicos científicos vindos do setor privado, onde se dá a vasta maioria das ações práticas em Saúde do Trabalhador. Gravitando em torno da área, grupos de ciências da saúde e das ciências sociais, entrincheirados em universidades e instituições de pesquisa, fazem um contraponto criando pontes entre os aspectos técnicos da área com as políticas públicas, com o impacto social e econômico dos modelos de atenção vigentes e com a inclusão dos determinantes sociais na análise das relações trabalho-saúde. Apesar da limitada interface entre a prática de campo de Saúde Trabalhador e a Academia, a influência das instituições de ensino e pesquisa, de uma forma explícita, lenta e constante, tende a direcionar as ações em Saúde do Trabalhador para abordagens prevencionistas, em todos os seus níveis e para a aplicação adequada do método científico.

A RBSO é o espelho de uma área interdisciplinar complexa, que convive com contrastes marcantes entre tipos de abordagem científica, levando à necessidade de organização adequada do seu corpo editorial, assim como retrata a formação científica dos profissionais que atuam na área, apresentando altas taxas de rejeição de manuscritos submetidos para avaliação35.

Além disso, por pertencer ao campo maior da Saúde Coletiva, a revista encontra-se em situação paradoxal, há muito detectada por seus editores36, ou seja, os artigos de maior qualidade científica e de autores de renome são encaminhados para as revistas melhores qualificadas, o que também se reflete no alto nível de rejeição.

Como sobreviver neste cenário de “exclusão acadêmica”? As estratégias utilizadas até aqui, tais como a publicação de dossiês temáticos e a aproximação com pesquisadores do campo, asseguraram uma sobrevida, até o momento, mas não conseguiram alavancar o número de artigos, conforme prescrito pela SciELO para revistas da área da saúde. Se acrescentarmos as implicações operacionais e de sustentabilidade econômica diante da necessidade de internacionalização e profissionalização do trabalho editorial, dentre outras tendências, para manter as indexações atuais, a Saúde do Trabalhador corre o risco de perder seu “lócus principal”31, diluindo sua produção científica e praxis nas demais revistas do campo da Saúde Coletiva.

Quem ganhará com isso? Certamente não serão os trabalhadores em busca de sua saúde, nem o próprio campo da Saúde do Trabalhador, que se legitima pela necessidade de agir técnica, política e juridicamente4, para reverter o quadro perverso e injusto nas relações que envolvem a saúde e o trabalho no Brasil37.

Referências

1.  Machado JMH, Lacaz FAC. Respondendo a um chamamento! Rev Bras Saude Ocup 2010; 35(121):6. [ Links ]

2.  Garcia EG, Jackson Filho JM. Sobre o projeto de reestruturação da RBSO. Rev Bras Saude Ocup 2007; 32(116):4-5. [ Links ]

3.  Mendes R, Dias EC. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Rev Saude Publica 1991; 25(5):341-349. [ Links ]

4.  Minayo-Gomez C, Thedim-Costa SMF. A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas. Cad Saude Publica 1997; 13(Supl. 2):S21-S32. [ Links ]

5.  Sato L, Lacaz FAC, Bernardo MH. Psicologia e saúde do trabalhador: práticas e investigações na Saúde Pública de São Paulo. Estud Psicol (Natal) 2006; 11(3):281-288. [ Links ]

6.  Monteiro JS. Fundacentro: Função Social da Política sobre Acidentes de Trabalho no período ditatorial brasileiro (1966 a 1976) [dissertação]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 2013. [ Links ]

7.  Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Rev Bras Saude Ocup 1973; 1(1). [ Links ]

8.  Paulino O. Nota editorial. Rev Bras Saude Ocup 1973; 1(2):4. [ Links ]

9.  Sussekind A. Da ideia à instalação do Centro Nacional de Segurança Higiene e Medicina do Trabalho. Rev Bras Saude Ocup 1973; 1(2):6-8. [ Links ]

10.  Vianna GL. A meta é o homem. Rev Bras Saude Ocup 1973; 1(1):5. [ Links ]

11.  Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Rev Bras Saude Ocup 1978; 6(23). [ Links ]

12.  Fundacentro. Avaliação do programa cumprido pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho no ano de 1978. Rev Bras Saude Ocup 1979; 7(25):6-29. [ Links ]

13.  Saad EG. Informe da Fundacentro à OIT – Estratégia brasileira na luta contra o infortúnio do trabalho. Rev Bras Saude Ocup 1981; 9(36):7-10. [ Links ]

14.  Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Editorial. Rev Bras Saude Ocup 1975; 3(9):5. [ Links ]

15.  Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Editorial. Rev Bras Saude Ocup 1975; 3(10):5. [ Links ]

16.  Nogueira DP. Fadiga. Rev Bras Saude Ocup 1973; 1(1):18-28. [ Links ]

17.  Bart P. Ergonomia e organização do trabalho. Rev Bras Saude Ocup 1978; 6(21):6-11. [ Links ]

18.  Santos LAS. O trabalhador imprevidente: estudo do discurso da Fundacentro sobre o acidente de trabalho [dissertação]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 1991. [ Links ]

19.  Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Editorial. Rev Bras Saude Ocup 1986; 14(55):1. [ Links ]

20.  Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Editorial. Rev Bras Saude Ocup 1993; 21(77):1. [ Links ]

21.  Dejours C. Por um novo conceito de saúde. Rev Bras Saude Ocup 1986; 14(54):7-11. [ Links ]

22.  Daniellou F, Laville A, Teiger C. Ficção e realidade do trabalho operário. Rev Bras Saude Ocup 1989; 17(68):713. [ Links ]

23.  Le Guillant R, Begoin B, Hansen, Lebreton. A neurose das telefonistas. Rev Bras Saude Ocup 1984; 47(12):7-11. [ Links ]

24.  Minayo-Gomez C, Thedim-Costa SMF. Incorporação das ciências sociais na produção de conhecimentos sobre trabalho e saúde. Cien Saude Colet 2003; 8(1):125136. [ Links ]

25.  Alessi NP, da Silva GB, Pinheiro SA, Scopinho RA. Formação de recursos humanos para a área de saúde do trabalhador: o processo de implantação da ficha epidemiológica de Saúde e Trabalho na prática profissional de um centro escola. Rev Bras Saude Ocup 1991; 19(72):45-58. [ Links ]

26.  Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Editorial. Rev Bras Saude Ocup 1992; 20(76):5. [ Links ]

27.  Santana VS. Saúde do trabalhador no Brasil: pesquisa na pós-graduação. Rev Saude Publica 2006; 40(spe):101-111. [ Links ]

28.  Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO). Editorial. Rev Bras Saude Ocup 2003; 28(107-108):5. [ Links ]

29.  Jackson Filho JM, Barreiros D. Editorial. Rev Bras Saude Ocup 2005; 30(111):4. [ Links ]

30.  Lacaz FAC, Jackson Filho JM, Costa DF, Vilela RAG. Resultado da parceria entre a RBSO e o GT saúde do trabalhador da Abrasco. Rev Bras Saude Ocup 2013; 38(127):9-10. [ Links ]

31.  Wünsch Filho V. A RBSO em perspectiva. Rev Bras Saude Ocup 2011; 36(123):6-7. [ Links ]

32.  Assunção AA. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional – 40 anos. Rev Bras Saude Ocup 2013; 38(128):173-176. [ Links ]

33.  Oliveira VGA. O trabalho penoso sob a ótica do Judiciário Trabalhista de São Paulo, no âmbito do Tribunal regional do Trabalho da 15ª Região, no período de 2011 a 2013 [dissertação]. São Paulo: Fundacentro; 2015. [ Links ]

34.  Leavell HR, Clark EG. Medicina Preventiva. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil; 1978. [ Links ]

35.  Algranti E, Jackson Filho JM. Estudos de prevalência na RBSO: como separar o joio do trigo? Rev Bras Saude Ocup 2014; 39(130):125-126. [ Links ]

36.  Jackson Filho JM. Editorial. Rev Bras Saude Ocup 2005; 30(112):2. [ Links ]

37.  Vasconcellos LCF, Oliveira MHB. Saúde, trabalho e direito: uma trajetória crítica e a crítica de uma trajetória. Rio de Janeiro: Educam; 2011. [ Links ]

Recebido: 12 de Abril de 2015; Revisado: 22 de Abril de 2015; Aceito: 24 de Abril de 2015

Colaboradores

JM Jackson Filho, E Algranti, CA Saito e EG Garcia participaram igualmente de todas as etapas de elaboração do artigo.

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.