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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.20 no.8 Rio de Janeiro ago. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015208.11742014 

Temas Livres

Fatores associados a doenças crônicas em idosos atendidos pela Estratégia de Saúde da Família

Fernanda Batista Pimenta 1  

Lucinéia Pinho 1  

Marise Fagundes Silveira 1  

Ana Cristina de Carvalho Botelho 1  

1Universidade Estadual de Montes Claros. Vila Mauriceia. 39401-089 Montes Claros MG Brasil. enfpimenta@yahoo.com.br

Resumo

Descreve-se no estudo o perfil da população idosa e urbana assistida pela Estratégia de Saúde da Família em Teófilo Otoni, MG, e investiga-se fatores associados à prevalência de doenças. Em amostragem aleatória simples, 385 idosos foram entrevistados com base na Ficha A e Ficha do Idoso do Sistema de Informação de Atenção Básica. Dentre os idosos, 83,1% reportaram ter pelo menos uma doença, 69,9% eram hipertensos e 17,7% diabéticos. Análises de regressão de Poisson detectaram que os principais fatores associados à hipertensão e outras doenças foram cor de pele não branca, baixa escolaridade, consumo de medicamentos, uso de prótese dentária e necessidade do serviço público de saúde; já a diabetes foi associada ao sexo feminino e dependência de terceiros. Conclui-se que os idosos da comunidade estudada que apresentam características indicadoras de baixo nível socioeconômico e cultural são mais susceptíveis ao desenvolvimento de doenças, particularmente hipertensão. Embora o índice de diabetes tenha sido mais baixo, essa doença requer controle. Sugere-se investimentos na estruturação da rede de serviços de saúde ofertados para a população de idosos e preparação de profissionais da saúde para que possam atuar efetivamente na melhoria da qualidade de vida do idoso brasileiro.

Palavras-chave Serviços de saúde para idosos; Perfil de saúde; Saúde da família

Introdução

O processo de envelhecimento populacional, hoje uma realidade mundial, decorre da queda nas taxas de fecundidade e mortalidade além do aumento da expectativa de vida1. A definição de uma idade ou fase que marque o início da velhice é relativa e complexa, envolvendo uma série de fatores. No entanto, para fins práticos, usa-se o limite etário de 60 anos, conforme proposto pela Política Nacional do Idoso (Lei 8.842, de 4 de janeiro de 1994)2.

Se por um lado o envelhecimento populacional trouxe os benefícios de uma maior longevidade, por outro aumentou a ocorrência do perfil de morbi-mortalidade, caracterizado por um aumento de doenças crônico-degenerativas1. A preocupação com as condições de saúde do idoso tem motivado o desenvolvimento de vários estudos sobre o envelhecimento humano. Essas pesquisas são essenciais no direcionamento de políticas públicas que atendam à parcela idosa da população, mesmo porque o atual sistema de saúde brasileiro ainda precisa ser ajustado e organizado para os diferentes perfis demográficos e epidemiológicos decorrentes do aumento da expectativa de vida3. Além disso, os serviços de medicina suplementar necessitam melhorias para atender eficientemente essa população visto que a prevenção de doenças e dependência de tratamentos dispendiosos evita gastos futuros para o próprio governo4.

O serviço assistencial ao idoso pode ser promovido por unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF), que são equipes multiprofissionais formadas e organizadas a nível municipal para desenvolver atividades de promoção, proteção e recuperação da saúde a nível de atenção primária5. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) acompanham a dinâmica das famílias com preenchimento de fichas disponibilizadas pelo Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB)6. Além da Ficha A do SIAB7,8, que cadastra as principais características socioeconômicas, de saúde (morbidade referida) e moradia das famílias e seus indivíduos, há a Ficha do Idoso7. Essas fichas permitem não apenas a identificação de condições de saúde dos idosos como também de fatores causadores do processo saúde-doença, de modo a direcionar serviços de vistoria clínica de saúde em determinada área de abrangência e orientar o planejamento e avaliação de ações em saúde8.

Com o propósito de oferecer subsídios para o planejamento local de ações de saúde, este estudo objetiva avaliar o perfil da população idosa assistida pela ESF do município de Teófilo Otoni, Minas Gerais, utilizando as fichas disponibilizadas pelo SIAB. Com isso, propõe-se não apenas conhecer as condições de saúde da população idosa como também os fatores determinantes do processo saúde-doença.

Metodologia

Área de estudo

O estudo foi conduzido no município de Teófilo Otoni, localizado no Vale do Mucuri, Nordeste do Estado de Minas Gerais. Essa área de clima tropical é considerada um centro macro-regional de 3.243 Km2. Segundo o Censo de 2010, residiam no município aproximadamente 134.067 habitantes (cerca de 80% em zona urbana)8.

O município é uma das 75 microrregiões de saúde no estado de Minas Gerais, sendo encarregado pela prestação de serviço assistencial de média a alta complexibilidade. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Teófilo Otoni, na época do estudo 30 equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF) atendiam a totalidade do município, sendo 23 atuantes na área urbana e 7 na área rural.

Delineamento do estudo e amostragem

O estudo foi transversal e descritivo, com abordagem quantitativa. Obteve-se junto à SMS a listagem dos idosos residentes na zona urbana de Teófilo Otoni e cadastrados na ESF, e median-te autorização da Secretaria para condução do estudo, localizou-se as equipes de ESF e o coordenador responsável pelas mesmas. Inicialmente, as equipes da ESF forneceram informações sobre os idosos (usadas para traçar estratégias de acesso aos mesmos) e sobre os agentes comunitários de saúde (ACS). Fichas de identificação dos idosos preenchidas pelos ACS foram sorteadas para seleção dos participantes do estudo por amostra-gem aleatória simples.

O tamanho amostral de 449 idosos foi calculado pelo software DIMAM 1.0, considerando-se os seguintes parâmetros: 1) estimativa de prevalência de agravos à saúde em 50% da população de idosos; 2) tamanho populacional de 10.569 idosos residentes na zona urbana de abrangência do ESF no município de Teófilo Otoni; 3) nível de confiança de 95%; e 4) margem de erro de 5%. Adicionou-se ao cálculo uma margem de 20% de taxa de não-resposta. Como critério de exclusão foi considerada a ausência do idoso em sua residência (por diferentes motivos, incluindo hospitalização e óbito) em 3 tentativas de visita.

Na condução do estudo foram seguidas as normas e diretrizes regulamentadoras de pesquisa em seres humanos, conforme a resolução 196/96 CNS9, e a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da UNIMONTES, sob parecer n° 2307/2010. Foi apresentado aos participantes da pesquisa o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido contendo informações referentes ao desenvolvimento da pesquisa. A participação foi por livre e espontânea vontade, garantindo o anonimato e o direito de abandoná-la, em qualquer fase.

Entrevistas

As entrevistas aos idosos, realizadas de março a junho de 2011, foram feitas em visita domiciliar por um pesquisador acompanhado pela equipe de ESF. O pesquisador foi devidamente treinado e calibrado para a coleta de dados. Cada entrevista durava em média 30 minutos, incluindo a apresentação, leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e a aplicação do questionário.

No inquérito domiciliar foram preenchidas as Fichas A e Ficha do Idoso desenvolvidas pelo Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB) do Ministério da Saúde7. A Ficha A consiste no cadastro da família pelo profissional de saúde, o que permite à equipe da ESF de sua área de abrangência conhecer as condições de vida e saúde do idoso, a situação de moradia e de saneamento básico. A Ficha de Cadastro do Idoso, por sua vez, identifica o idoso e suas condições de saúde e doenças.

Avaliação dos idosos

Os idosos foram avaliados em termos de características sociodemográficas (local de nascimento, sexo, cor de pele, idade, estado conjugal, escolaridade, fonte de renda, posse de plano de saúde e se mora sozinho), características comportamentais (prática de atividade física, visita ao dentista no último ano e cartão de vacina em dia), características do domicílio (posse de rede elétrica no domicílio, abastecimento de água no domicílio, tratamento de água no domicílio, destino do lixo, destino de fezes e urina no domicílio) e condições de saúde(urina solta, controle das fezes, uso diário de mais de cinco medicamentos, mais de cinco doenças diagnosticadas, esquecimento progressivo, queda nos últimos seis meses, internação nos últimos seis meses, situação de acamamento, dependência para atividades do dia a dia, uso de prótese dentária removível, hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, artrite/artrose, problema cardíaco, acidente vascular cerebral, doença de Parkinson, doença pulmonar obstrutiva crônica, glaucoma, catarata, problema de coluna, tumor, fratura, pneumonia, doença de Alzheimer, reumatismo, alergia e uso de medicamento).

Cada item foi avaliado em termos de distribuição de frequência absoluta (n) e relativa (%). Foram conduzidas análises bivariadas e análises múltiplas através de regressão de Poisson, nas quais a presença/ausência de hipertensão e diabetes mellitus, além de presença de alguma doença (nenhuma/pelo menos uma doença), foram consideradas variáveis dependentes enquanto as demais características dos idosos foram consideradas variáveis independentes. As doenças avaliadas como variáveis independentes foram escolhidas devido à sua importância epidemiológica. A magnitude da associação entre as variáveis dependentes e independentes foi avaliada através das razões de prevalência (RP), com seus respectivos intervalos de confiança de 95%.

As variáveis cuja significância estatística foi maior que 20% na análise bivariada foram selecionadas para análise múltipla pelo método Backward LR. O modelo final foi composto pelos fatores que permaneceram associados às variáveis dependentes ao nível de 5% de erro. Para verificar o ajuste dos valores estimados pelo modelo final aos valores observados, foram realizados os testes de Hosmer e Lemeshow. Todas as análises foram efetuadas com o softwarePASW Statistic (SPSS Inc., Chicago).

Resultados

Houve perda amostral de 14,3%, de modo que a amostra final foi formada por 385 idosos. Os motivos da perda foram relacionados a idoso não encontrado (7,1%), mudança de endereço (6,0%), óbito (0,9%) e recusa (0,4%).

De acordo com os dados sociodemográficos levantados, 68,8% dos idosos eram do sexo feminino, 70,1% tinham cor de pele não branca, 51,6% haviam nascido em área urbana, 45,7% estavam na faixa etária de 60 a 69 anos, 38,2% tinham entre 70 e 79 anos e 86,2% não moravam sozinhos. Em relação à educação, 124 idosos (32,2%) eram analfabetos. O serviço público de saúde era usado por 62,9% deles e 70,1% recebiam aposentadoria como principal fonte de renda. Os que viviam com um companheiro correspondiam a 44,9% da amostra, e 34,5% eram viúvos.

Na avaliação comportamental, apenas 23,9% dos idosos praticavam atividade física, 12,2% haviam visitado o dentista no último ano e 77,1% possuíam o cartão de vacinação em dia. No estudo das condições ambientais verificou-se que 97,7% residiam na área urbana, sob boas condições de moradia que incluía água encanada e energia elétrica (99,7%). A rede de esgoto estava implantada em 94,5% das residências, e 99,0% tinham serviço de coleta de lixo.

Avaliando-se a saúde dos idosos (Tabela 1), constatou-se que 69,9% dos idosos eram hipertensos e, consequentemente, eram usuários de medicamento anti-hipertensivo. Além disso, 221 (57,4%) dos idosos usavam prótese dentária. Mais de 20% dos entrevistados relataram sofrer de problemas articulares; mais de 15% disseram ter diabetes mellitus e catarata; e mais de 10% osteoporose e problemas cardíacos.

Tabela 1 Distribuição dos idosos segundo condições de saúde. Teófilo Otoni, MG, 2011 (N = 384)*

Variável Não Sim
n % n %
Tem urina solta* 323 84,1 61 15,9
Controla as fezes 78 20,3 307 79,7
Usa mais de 5 medicamentos 326 84,7 59 15,9
Tem pelo menos 1 doença 69 16,9 320 83,1
Mais de 5 doenças confirmadas 371 96,4 14 3,6
Tem esquecimento progressivo 309 80,3 76 19,7
Teve queda nos últimos 6 meses 339 88,1 46 11,9
Foi internado nos últimos 6 meses 362 94,0 23 6,0
Está acamado 370 96,1 15 3,9
Tem dependência para atividades do dia a dia 334 86,8 51 13,2
Faz uso de prótese dentária removível 164 42,6 221 57,4
Hipertensão arterial 116 30,1 269 69,9
Diabetes 317 82,3 68 17,7
Osteoporose 334 86,8 51 13,2
Artrite/artrose 343 89,1 42 10,9
Problema cardíaco 343 89,1 42 10,9
Acidente vascular cerebral 371 96,4 14 3,6
Doença de Parkinson 378 98,2 7 1,8
Doença pulmonar obstrutiva crônica 382 99,2 3 0,8
Glaucoma 363 94,3 22 5,7
Catarata 319 82,9 66 17,1
Problema de coluna 289 75,1 96 24,9
Tumor (câncer) 375 97,4 10 2,6
Fraturas 363 94,3 22 5,7
Pneumonia 373 96,9 12 3,1
Doença de Alzheimer 378 98,2 07 1,8
Reumatismo 350 90,9 35 9,1
Alergia 318 82,6 67 17,4
Faz uso de medicamento 92 23,9 293 76,1

*N = 384, pois um idoso não respondeu a questão.

A condição de hipertensão foi associada a outras variáveis pelas análises de regressão de Poisson bivariada e multivariada (Tabela 2). Considerando um nível de significância de valor de P < 0,05, a análise bivariada mostrou que a hipertensão era mais prevalente no grupo de idosos de cor de pele não branca, na faixa de 70 a 79 anos, nos que tinham educação informal, que faziam uso de medicamentos e prótese dentária removível. A um nível de 20% de probabilidade de erro, houve também associação da hipertensão com origem rural dos idosos, faixa etária acima de 79 anos, analfabetismo e carteira de vacina desatualizada. Na regressão múltipla, a condição de hipertensão arterial manteve-se associada apenas às variáveis cor de pele e uso de medicamentos. Esses resultados indicam que a prevalência de hipertensão arterial entre os idosos de cor de pele não branca é 1,12 vezes maior que naqueles com cor de pele branca, e a prevalência de hipertensão arterial nos idosos que usam medicamentos é 6,14 vezes maior que aquela observada entre os não usuários de medicamentos. Os testes Hosmer e Lemeshow apontaram bom ajuste dos dados observados e obtidos pelo modelo (χ2 = 6,965; p = 0,223), estatisticamente significativo (G2 = 178,79; p = 0,000).

Tabela 2 Variáveis associadas à hipertensão em idosos atendidos pelo programa ESF em Teófilo Otoni, MG, 2011. (N = 385) 

Variável Hipertensão Análise bivariada RPbr(IC/95%) P Análise múltipla RPaj (IC/95%) P
Não Sim
Local de nascimento
Urbano 67 131 1,00
Rural 49 137 1,11(0,98-1,27) 0,110 *
Cor de pele
Branca 44 71 1,00 1,00
Não branca 72 198 1,19(1,01-1,40) 0,036 ** 1,12(1,02-0,26) 0,049 **
Faixa etária
60 a 69 anos 63 113 1,00
70 a 79 anos 36 111 1,18(1,02-1,36) 0,027 **
> 80 anos 16 45 1,15(0,95-1,38) 0,143 *
Escolaridade
1° grau ou mais 32 47 1,00
Fundamental 35 59 1,06(0,83-1,34) 0,661
Lê e escreve (informal) 15 73 1,39(1,14-1,71) 0,001 **
Analfabeto 34 90 1,22(0,99-1,51) 0,066 *
Cartão de vacina em dia
Sim 84 213 1,00
Não 32 56 0,89(0,75-1,06) 0,176 *
Faz uso de medicamentos
Não 79 13 1,00 1,00
Sim 37 256 6,18(3,73-10,25) 0,000 ** 6,14(3,70-10,18) 0,000 **
Prótese dentária removível
Não 67 97 1,00
Sim 49 172 1,32(1,14-1,52) 0,000 **

RPbr e RPaj (IC/95%) = Razão de prevalência bruta e ajustada com respectivo intervalo de confiança de 95%.

*= P < 0,20;

**= P < 0,05.

A taxa de diabetes entre os idosos foi de 17,7% (Tabela 1). A uma probabilidade de erro de P<0,05, a prevalência de diabetes foi maior em mulheres, idosos que passaram por internação nos últimos 6 meses e naqueles que dependiam de outros para executar suas atividades diárias (Tabela 3). Ao nível de 20% de probabilidade de erro, a condição de diabetes também se mostrou associada à faixa etária de 70 a 79 anos, analfabetismo, ausência de atividade produtiva e uso de prótese dentária (Tabela 3). Analisada pelo modelo múltiplo, a prevalência de diabetes manteve-se associada apenas ao sexo feminino e dependência de outros para realização de atividades cotidianas. O modelo mostrou-se estatisticamente significativo (G2 = 7,66; p = 0,022) e com bom ajuste (teste Hosmer e Lemeshow: χ2 = 22,81; p = 0,597) com essas variáveis. Esses resultados indicam que a prevalência de diabetes entre as mulheres idosas é 1,73% maior do que nos homens, e a prevalência de diabetes entre os idosos dependentes de ajuda nas atividades diárias é 1,84% maior que entre aqueles que são independentes.

Tabela 3 Variáveis associadas a diabetes em idosos atendidos pelo programa ESF em Teófilo Otoni, MG, 2011. (N = 385) 

Variável Diabetes Análise bivariada RPbr(IC/95%) P Análise múltipla RPaj(IC/95%) P
Não Sim
Sexo
Masculino 106 14 1,00 1,00
Feminino 211 54 1,75(1,01-3,02) 0,046 ** 1,73(1,01-2,98) 0,047 **
Faixa etária
60 a 69 anos 150 26 1,00
70 a 79 anos 115 32 1,47(0,92-2,36) 0,1058 *
> 79 anos 51 10 1,11(0,57-2,17) 0,760
Escolaridade
1° grau ou mais 67 12 1,00
Fundamental 81 13 0,91(0,44-1,89) 0,800
Lê e escreve (informal) 74 14 1,05(0,52-2,13) 0,898
Analfabeto 95 29 1,5(0,84-2,84)4 0,166*
Ativid. familiar produtiva
Sim Não 38 279 3 65 1,00 2,58(0,85-7,85) 0,094 *
Escova de dente individual
Sim 309 66 1,00
Não 08 2 1,14(0,32-4,00) 0,842
Internado (últimos 6 meses)
Não 302 60 1,00
Sim 15 8 2,10(1,15-3,85) 0,016 **
Dependência ativ. diária
Não 281 53 1,00 1,00
Sim 36 15 1,85(1,13-3,03) 0,014 ** 1,84(1,12-3,01) 0,016 **
Prótese dentária removível
Não 141 23 1,00
Sim 176 45 1,45(0,92-2,30) 0,112 *

RPbr e RPaj (IC/95%) = Razão de prevalência bruta e ajustada com respectivo intervalo de confiança de 95%.

*= P < 0,20;

**= P < 0,05.

Mais de 80% dos idosos citaram ter pelo menos uma doença (83,1%), sendo essa característica associada a muitas das variáveis estudadas (Tabela 4). Ao nível de 5% de probabilidade de erro, a ocorrência de doenças foi associada a idosos do sexo feminino, de origem rural, com ensino informal, que moravam sozinhos, sem plano de saúde na família, que não faziam manejo adequado de lixo, que haviam sido internados nos últimos seis meses e que usavam prótese dentária removível. Elevando-se a probabilidade de erro para 20%, a identificação de pelo menos uma doença foi associada à idade superior a 70 anos, origem rural, moradia com descarga de dejetos em fossas ou céu aberto e dependência de terceiros para execução de atividades diárias. O modelo de regressão de Poisson múltiplo detectou associação entre prevalência de doenças e nascimento em zona rural, o fato dos idosos morarem sozinhos, usarem medicamentos e prótese removível. Esse modelo mostrou-se estatisticamente significante (G2 = 33,64; p = 0,000) e com bom ajuste aos dados observados (teste Hosmer e Lemeshow: χ2 = 8,68; p = 0,223).

Tabela 4 Variáveis associadas a incidência de ao menos uma doença autorreferida em idosos atendidos pelo programa ESF em Teófilo Otoni, MG, 2011. (N = 385). 

Variável Doença Análise bivariada RPbr(IC/95%) P Análise múltipla RPaj (IC/95%) P
Não Sim
Sexo
Masculino 27 93 1,00
Feminino 38 227 1,11(0,99-1,23) 0,070 **
Local de nascimento
Urbano 42 156 1,00 1,00
Rural 23 163 1,11(1,02-1,22) 0,021 ** 1,09(1,02-1,17) 0,015 **
Faixa etária
60 a 69 anos 36 140 1,00
70 a 79 anos 21 126 1,08(0,98-1,19) 0,143 *
> 79 anos 8 53 1,09(0,97-1,24) 0,159 *
Escolaridade
1° grau ou mais 18 61 1,00
Fundamental 19 75 1,03(0,88-1,21) 0,683
Lê e escreve (informal) 05 83 1,22(1,07-1,33) 0,003 **
Analfabeto 23 101 1,06() 0,91-1,22 0,474
Mora sozinho
Não 61 271 1,00 1,00
Sim 4 49 1,13(1,03-1,24) 0,008 ** 1,11(1,01-1,21) 0,024 **
Plano de saúde na família
Sim 55 37 1,00 1,00
Não 10 283 2,40(1,87-3,08) 0,000 ** 2,31(1,81-2,95) 0,000 **
Destino fezes e urina
Sistema de esgoto 58 306 1,00
Fossa/céu aberto 7 14 0,79(0,58-1,88) 0,137 *
Destino de lixo
Coletado 65 316 1,00
Queimado/céu aberto 0 4 1,21(1,15-1,26) 0,000 **
Internado (últimos 6 meses)
Não 64 298 1,00
Sim 01 22 1,16(1,05-1,28) 0,003 **
Dependência ativ. diária
Não 60 274 1,00
Sim 05 46 1,10(0,99-1,22) 0,072 *
Prótese dentária removível
Não 48 116 1,00 1,00
Sim 17 204 1,31(1,17-1,45) 0,000 * 1,14(1,05-1,24) 0,001 **

RPbr e RPaj (IC/95%) = Razão de prevalência bruta e ajustada com respectivo intervalo de confiança de 95%.

*= P < 0,20;

**= P < 0,05.

Discussão

Em uma primeira fase, o presente estudo descreveu o perfil da população idosa e urbana assistida pelas equipes de ESF em Teófilo Otoni. A população foi caracterizada, com base nas fichas do SIAB, que são instrumentos de fácil aplicação e disponíveis para qualquer unidade de ESF. Essa etapa reforçou a importância do papel dos profissionais da atenção básica na aquisição de informações que, juntamente aos dados estatísticos do governo, são úteis na avaliação da condição de saúde de idosos e identificação das suas demandas assistenciais10 em qualquer região do Brasil. Após a caracterização da população, associou-se variáveis sociodemográficas, comportamentais e ambientais dos idosos com a prevalência de enfermidades coexistentes ou comorbidades, em maior parte de natureza crônica, não transmissível, acompanhadas ou não das limitações de desempenho. Os resultados permitem direcionar o planejamento de serviços de saúde para essa faixa etária.

Na análise dos aspectos sociodemográficos, observou-se que mais de 70% dos idosos eram mulheres. Além disso, os idosos em geral tinham pele não branca e pouca escolaridade (analfabetos ou primeiro grau incompleto), sugerindo uma situação socioeconômica desfavorável. Eles não moravam sozinhos e tinham a aposentadoria como principal fonte de renda. Isso reflete a realidade de muitos países em desenvolvimento, onde a porcentagem de pessoas idosas que mo-ram com os filhos continua elevada, mesmo com o aumento da longevidade11.

Apesar das dificuldades sociais verificadas, quase todos os idosos residiam em moradia com energia elétrica, água e esgoto e coleta de lixo, que são serviços que o município oferece na área urbana. Os idosos em geral não praticavam atividades físicas e não tinham passado por tratamento dentário recente, mas o baixo número de visitas ao dentista e alta prevalência de idosos com próteses dentárias removíveis chama atenção para a deficiência na cobertura dos serviços de saúde bucal para essa população.

Os idosos em geral mantinham o cartão de vacinação em dia, o que indica que eles tinham acesso ao serviço de atendimento primário à saúde e provavelmente participavam de campanhas de vacinação. Os idosos de fato necessitavam desse serviço público uma vez que mais de 80% declarou, em auto avaliação, ter pelo menos uma doença crônica não-transmissível (doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas) e 15,3% disseram usar mais que 5 medicamentos continuamente. Uma proporção de 76,15% dos idosos fazia uso contínuo de pelo menos um medicamento. Idosos são de fato o grupo etário que mais consome medicamentos, sendo que 80% deles tomam ao menos um medicamento por dia12.

Embora, não se possa considerar que as doenças crônicas autorreferidas correspondam de fato à prevalência das mesmas, a morbidade autorreferida é muito utilizada em estudos epidemiológicos como um indicador do estado de saúde, especialmente em pessoas idosas. No presente estudo, a doença mais citada e que destacou-se pela alta proporção em relação às demais foi a hipertensão, reportada por aproximadamente 70% dos idosos. A hipertensão arterial é um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Na última década, a prevalência da hipertensão autorreferida aumentou de 43.9% para 53.3%13. Apesar disso, a hipertensão não deve ser considerada uma consequência natural do envelhecimento, ainda que seja uma das maiores responsáveis pela redução da qualidade e expectativa de vida em função de suas consequências negativas14. É um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas15, cardiovasculares, cerebrovasculares e renais crônica e é a causa de mortes por acidente vascular cerebral e doença arterial coronariana14.

Observou-se uma consistente associação da incidência de hipertensão (Tabela 2) e também de outras doenças (Tabela 4) com características indicativas de uma condição socioeconômica desfavorável, tais quais cor de pele não branca, baixa escolaridade, nascimento em área rural e falta de plano de saúde. Em menor significância, a incidência de diabetes foi também associada a indicadores sociais de pobreza como baixa escolaridade (Tabela 3). Nos Brasil ainda prevalecem as disparidades para as condições de saúde de acordo com o extrato socioeconômico dos idosos. As condições de saúde autorreferidas são de fato piores naqueles de renda mais baixa, que relatam comprometimento da mobilidade e incapacidade para realizar atividades da vida diária16.

Vários fatores podem contribuir para acarretar as disparidades de saúde entre idosos, como, estilo de vida, aspectos socioeconômicos(incluindo oportunidades educacionais e econômicas, cor de pele e condições de trabalho) e o acesso a serviços de saúde. Os resultados do presente estudo indicaram associação entre doenças em idosos e alguns desses fatores, como não ter plano de saúde, morar sozinho, ter origem rural, pele não branca, baixa escolaridade e usar prótese dentaria removível. Isso mostra que a população estudada tem demandas de saúde urgentes, o que compromete sua qualidade de vida e ameaça sua sobrevivência. Esse cenário aponta para a real necessidade de fortalecimento das políticas públicas de promoção da saúde e prevenção de doenças, especialmente para os subgrupos mais vulneráveis, a fm de que, mesmo diante do envelhecimento populacional, indicadores de saúde possam melhorar.

Outro resultado relevante foi em relação à diabetes, pois o avanço da idade aumenta o risco dessa doença. A diabetes pode diminuir significativamente a qualidade de vida do idoso, pois leva à morbidez e é uma das principais causas de mortalidade entre os idosos, além de causar insuficiência renal, amputação de membros inferiores, cegueira e doenças cardiovasculares14. Corroborando estudos que mostram que a incidência de diabetes aumentou de 10.3% para 16.1% na última década13, a incidência de diabetes na população de idosos estudada não ultrapassou 20%. Os fatores mais associados à sua prevalência foram o sexo feminino e a dependência para realização de tarefas (Tabela 3).

A associação da diabetes com o sexo feminino pode estar relacionada à longevidade da mulher, que por viver mais tempo que o homem tem maior possibilidade de desenvolver deficiências físicas e mentais ou doenças referidas17. Isso traz repercussões importantes nas demandas por políticas públicas17. Mas esse resultado pode ser também reflexo da tendência da mulher em ter maior percepção das doenças e autocuidado, buscando mais frequentemente a assistência médica de modo a aumentar a probabilidade de diagnóstico de doenças18.

Como era de se esperar, algumas das características levantadas estavam intimamente relacionadas. Por exemplo, idosos hipertensos e com outras doenças consumiam mais medicamentos, o que não poderia ser diferente visto sua necessidade do uso dos mesmos. Era também esperada a menor incidência de diabetes em idosos que não dependem de familiares para realização de atividades e que são produtivos, pois sabe-se que o sedentarismo é um facilitador do desenvolvimento da diabetes19. Um último dado esperado é a associação de enfermidades com o avanço da idade, pois com a longevidade aumenta-se o risco de aparecimento de doenças crônicas.

Atualmente, processos agudos de doenças que se resolvem com certa rapidez, pela cura ou óbito, têm dado lugar a processos crônicos e suas complicações, que requerem décadas de utilização dos serviços de saúde para tratamento, com intervenções custosas que envolvem tecnologia complexa para um cuidado adequado aos idosos. Nesse contexto de transição epidemiológica, os dados apresentados no presente estudo contribuem para o entendimento e tratamento da população idosa estudada. Os resultados indicam que os idosos requerem atendimento público de saúde especializado, com atenção para o tratamento de hipertensão arterial. Uma vez que essa e outras doenças nos idosos foram associadas principalmente às características que remetem disparidades de acesso a serviços de saúde, é necessário que as equipes do ESF priorizem o atendimento de subgrupos de risco. Como a maior parte dos idosos são mulheres que vivem com suas famílias, é preciso que esses profissionais busquem ainda conhecer o tipo de relação estabelecida entre os membros familiares, a disponibilidade do suporte familiar e o respeito à individualidade do idoso, preparando o cuidador para oferecer suporte ao idoso e minimizando as-sim complicações20.

Os achados do presente estudo indicam que além de investimentos na estruturação da rede de serviços de saúde ofertados para a população de idosos, é necessário prover profissionais da saúde da formação necessária para que estejam aptos a lidar com os desafios socioeconômicos, comportamentais e educacionais dos idosos e suas famílias. O profissional da saúde tem potencial para ser não apenas um importante coletor de informações, mas também um transformador da realidade do idoso brasileiro.

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Recebido: 22 de Abril de 2014; Revisado: 14 de Novembro de 2014; Aceito: 16 de Novembro de 2014

Colaboradores

FB Pimenta participou da concepção, do planejamento, da execução da pesquisa, da análise e interpretação dos dados e da elaboração e revisão do artigo. MF Silveira participou da análise e interpretação dos dados e da elaboração e revisão do artigo. L Pinho colaborou na elaboração e revisão do artigo. ACC Botelho participou da concepção, do planejamento e da orientação da pesquisa, da análise e interpretação dos dados e da elaboração e revisão do artigo.

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