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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.20 no.11 Rio de Janeiro nov. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320152011.05292014 

ARTIGO

Bullying na adolescência: visão panorâmica no Brasil

Pamela Lamarca Pigozi1 

Ana Lúcia Machado1 

1Escola de Enfermagem, Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Psiquiátrica, Universidade de São Paulo. Av. Doutor Enéas Carvalho de Aguiar s/n, Cerqueira César. 05403-000 São Paulo SP Brasil. pamelapigozi@usp.br

Resumo

Embora o bullying seja um tema amplamente disseminado nas mídias sociais e estudado internacionalmente há mais de quatro décadas, no Brasil, somente passou a ser objeto de estudo a partir do final da década de 90 e início do ano 2000. Para compreender a produção científica nacional acerca deste tema, considerou-se aspectos que o caracterizam como subtipo de violência, diferença entre gêneros, fatores associados, consequências e possíveis abordagens intervencionistas e preventivas. A pergunta norteadora desta revisão integrativa foi “O que têm produzido pesquisadores brasileiros acerca dobullying entre adolescentes?” – sendo realizada através de sete bases de dados. Os dados mostram que mais da metade das pesquisas são de cunho quantitativo, através de estudos transversais e aplicação de questionários, visando estabelecer a ocorrência do bullying e seus fatores associados. Demonstrou a significante incidência debullying entre os adolescentes brasileiros, a relação com comportamentos de risco, as graves consequências à saúde mental dos jovens, a falta de compreensão desta faixa etária sobre o que é obullying e a escassez de estratégias de manejo deste tipo de agressão. Indica-se a importância de estudos preventivos, interventivos e restaurativos que envolvam a comunidade e que façam parte do cotidiano escolar.

Palavras-Chave: Bullying; Adolescente; Atenção à saúde

Introdução

A adolescência é uma etapa de intensas mudanças fisiológicas, psíquicas e relacionais. Para que o pleno desenvolvimento cognitivo, emocional, sexual e psicológico se efetive é necessário que o jovem transite em ambientes confortáveis, que transmitam segurança, apoio e proteção1. Apesar destas premissas, cerca de 20% dos adolescentes (em todo mundo) apresentam problemas de ordem mental e comportamental, sendo que metade das ocorrências dos transtornos mentais inicia-se antes dos 14 anos2. Depressão e suicídio são fatores que contribuem significativamente para o aumento de doenças e de mortalidade entre os adolescentes3.

A palavra bullying, do inglês bully (valentão, brigão e tirano)4 é traduzida em português como assédio escolar, que descreve o comportamento agressivo entre estudantes1,5. Embora sua nomeação tenha atravessado barreiras culturais, sendo usada mundialmente por pesquisadores e instalada nos dicionários como nome próprio sinalizando ações que vão além de agredir ou maltratar, ainda não há um termo em português que abarque todo o seu significado4.

Em linhas gerais o bullying é definido como uma subcategoria de violência, configurada em atos agressivos, repetitivos e com assimetria de poder entre pares4,6-8, alavancando consequências sérias à saúde de adolescentes, que além de lidarem com suas intensas mudanças pessoais (emocionais e fisiológicas), buscam serem aceitos pelas suas singularidades em meio à discriminação entre pares1,9. Dan Olweus7 não considera comobullying a agressão entre pares que apresentam características físicas e emocionais similares. Para que o bullying ocorra é necessário que os indivíduos convivam por um período prolongado em um mesmo contexto ou ambiente4, como dentro da escola por exemplo, embora este tipo de violência ocorra nas comunidades de um modo geral8,9e já se configure um problema de saúde pública em escala mundial.

Pesquisadores sistematizaram os tipos e as possíveis formas de envolvimento dos adolescentes no bullying: em direto nas formas física (bater, chutar, empurrar, abusar sexualmente, assediar, fazer gestos, estragar e roubar pertences) e verbal (apelidar, importunar, xingar); ou indireto, como atos de exclusão, isolamento da vítima ou dispersão de rumores. Rotineiramente, é pouco perceptível aos adultos, pois dissemina-se sutilmente7,10,11. Cyberbullying, violência entre pares que ocorre no espaço virtual, é outro tipo debullying que vem sendo amplamente estudado12,13. Pode ocorrer também através de ligações nos celulares dos adolescentes independente de onde estejam, seja na escola, na rua ou mesmo dentro de suas casas. A solução deste problema por parte da vítima é mais complexa, pois ocorre anonimamente, na velocidade das redes sociais e com acesso livre12. Acredita-se que o bullying tem suas raízes em problemas sociais, culturais, econômicos e históricos4. Para a pesquisadora brasileira Cléo Fante14, o motivo de crianças ou adolescentes praticarem o bullying entre os colegas está relacionado a exemplos violentos e maus tratos parentais, à educação passiva (sem imposição de limites) e à falta do exemplo familiar em como respeitar o próximo.

Pode-se estar envolvido no bullying como vítima (alvo), agressor (autor) ou vítima/agressor (alvo/autor). As vítimas normalmente não reagem às agressões, são mais inseguras, temem a rejeição e têm poucos amigos. Quando reagem às agressões, são consideradas vítimas/agressoras e costumam ter baixa autoestima, atitudes mais provocativas e agressivas e mostram-se menos populares que as vítimas típicas. Os agressores são descritos como líderes de grupos, populares, que demonstram insatisfação com a escola, têm opinião negativa e tendem a provocar seus colegas4,6.

Embora o bullying seja amplamente disseminado nas mídias sociais e estudado internacionalmente há mais de 4 décadas15-18, os estudos no Brasil datam do final da década de 90 e início do ano 2000, demonstrando a incipiência da produção cientifíca brasileira9,14,19-21. No Brasil, alguns casos com consequências mais graves (homicídio e suicídio) têm ancorado notícias na mídia e foram amplamente divulgados. No “Massacre de Realengo” em 2011, ao qual foi atribuído uma vingança por bullying, um ex-estudante matou 12 crianças de uma escola com tiros de revolver, suicidando-se depois22. Em 2010, um jovem de Porto Alegre foi vítima de homicídio por arma de fogo, num suposto caso debullying23. Em 2009, em Guarulhos, uma menina vítima constante de bullying foi espancada na rua por outra adolescente até perder a consciência, enquanto outros adolescentes filmavam e riam24. Outros casos a nível judiciário tratam de situações de bullying nas quais pais de adolescentes que o praticam são obrigados a indenizarem a vítima5.

Há uma necessidade imediata de compreender e intervir em problemas sociais que, como o bullying, tornam a saúde dos adolescentes vulnerável1. Nesta revisão integrativa, propomos evidenciar o que pesquisadores brasileiros têm produzido acerca dobullying entre adolescentes, considerando aspectos que o caracterizam como subtipo de violência, como também diferença entre gêneros, fatores associados, consequências, percepção dos adolescentes e estratégias interventivas que suportem e amparem profissionais e adolescentes acerca dobullying.

Métodos

Este estudo foi realizado pelo método da revisão integrativa, que consiste em resumir e ordenar resultados de pesquisas empíricas ou teóricas, quer sejam do tipo experimentais, conceituais, revisão de teorias ou análise metodológica. O intento inicial deste método é obter uma vasta e profunda compreensão de um determinado tema alicerçando-o em estudos anteriores, possibilitando reflexões para a produção de novos estudos25,26. A revisão da literatura seguiu as etapas de: identificação do problema e escolha da questão norteadora; coleta de dados; categorização; análise e interpretação independente por dois pesquisadores, a fim de apurar a compreensão da leitura e diminuir qualquer possibilidade de equívoco na apresentação dos resultados ou síntese do conhecimento. Tendo em vista a incipiência de estudos nacionais relacionados ao tema bullying entre adolescentes, a pergunta norteadora desta pesquisa foi: O que têm produzido pesquisadores brasileiros acerca do bullying entre adolescentes?

O material foi coletado em agosto de 2014 das bases de dados: Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Eletronic Library Online), Medline (Medical Literature Analysis Retrieval System Online), Sociological Abstract (disponibiliza resumos nas disciplinas de Ciências Sociais e do Comportamento e direcionou a coleta ao acervo da Universidade de São Paulo), CINAHL plus with full text, Web of Science e Scopus. Para a escolha dos descritores, utilizou-se o vocabulário estruturado e trilíngue – DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) na modalidade descritor exato. O sinônimo para bullying foi assédio escolar e para adolescentes (adolescent) foi adolescência (adolescence), jovem (youth) e juventude. Os termos em inglês foram utilizados nas bases de dados CINAHL, Web of Science e Scopus.

Foram utilizados os seguintes descritores nas respectivas bases de dados, separados pelo operador boleamos and ou or: bullying e adolescente – Lilacs, Medline e CINAHL; bullying - SciELO e Sociological Abstract;bullying e a palavra adolescence - Web of Science;bullying and adolescent or adolescence and Brazil - Scopus. Os descritores citados foram empregados para refinar ou ampliar a busca de acordo com o resultado da pesquisa. Para o acesso irrestrito à literatura, não foi realizado recorte temporal.

Após leitura dos títulos e resumos de todos os artigos obtidos (Tabela 1), 69 foram pré-selecionados. Destes, 25 artigos (6 deles em inglês) constituíram a seleção final para leitura na íntegra, tendo como critérios de inclusão: publicações em revistas nacionais ou internacionais (com autores brasileiros filiados a universidades brasileiras) na íntegra, em português e inglês, estudos empíricos ou teóricos (originais ou de revisão); e de exclusão: estudos em duplicidade e que não condiziam com a temática centralbullying entre adolescentes.

Tabela 1 Total de artigos obtidos nas bases de dados selecionadas. 

Resultados e discussão

Os 25 artigos analisados neste estudo estão apresentados por Título, Ano, Tipo de Estudo, Sujeito e Objetivo, e ordenados em ordem crescente do ano de publicação (Quadro 1). O quesito tipo de estudo está conforme definido pelos autores. Segundo o ano de publicação, os artigos distribuem-se em: 2 de 2005, 1 de 2006, 2 de 2008, 1 de 2009, 5 de 2010, 1 de 2011, 6 de 2012, 6 de 2013 e 1 de 2014. A representação do número de artigos segundo o tipo de estudo (Gráfico 1) mostra que 14 estudos são quantitativos (11 do tipo transversal e 3 apenas citam a utilização de questionários), 3 qualitativos (2 utilizam entrevistas e 1 faz uso da observação participante e grupo focal), 2 quanti-qualitativos (ambos utilizam questionários; um opta por associação livre de palavras e outro por anotações em diário de campo, entrevistas e grupo focal), 4 são estudos bibliográficos (sendo 1 revisão sistemática da literatura) e 2, que são teóricos, fazem uma análise crítica do tema. Buscar correlações e fatores associados, investigar e estabelecer a ocorrência dobullying foi o foco principal em mais da metade da produção analisada.

Quadro 1 Apresentação dos artigos segundo Título, Ano, Tipo de Estudo, Sujeitos e Objetivo – São Paulo, SP- 2014 

Gráfico 1 Representação da quantidade de artigos segundo tipo de estudo - São Paulo, SP - 2014. 

Há uma lacuna quanto a produção de pesquisas com abordagens interventivas de cunho estratégico, preventivo e restaurativo acerca da agressão entre adolescentes, e/ou qualitativas que possam compreender o bullying a partir da relação com o sujeito, suas experiências na escola-família-comunidade e obullying, suas impressões acerca deste conflito entre pares e seus motivos e/ou causas no envolvimento com o mesmo em seus diferentes papéis.

Após leitura verticalizada e aprofundada, os 25 artigos selecionados foram organizados segundo os temas: Prevalência e tipos de bullying; Diferenças entre gêneros; Fatores associados; Consequências; Sentimento dos adolescentes e Intervenções possíveis.

Prevalência e tipos de bullying

No artigo XI, estudo realizado com 60.973 escolares nas 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal, 5,4% dos estudantes relataram sempre terem sofridobullying; 25,4% raramente sofrer e 69,2% não foram vítimas debullying27. O artigo XXI revelou que 67,4% dos 237 escolares estavam envolvidos com obullying, ao presenciar ou sofrer, e que 48,5% relataram ser vítimas28. Percentual muito semelhante ao descrito no artigo XIV, no qual 67,5% dos 465 estudantes eram vitimizados29. Em um estudo realizado com 5.500 estudantes, 40,5% destes estavam envolvidos em atos debullying, sendo os alvos 16,9% desta amostra, os autores 12,7% e os alvos/autores 10,9%19. Corroborando com os dados do artigo XII, no qual 17,6% do total de 1.075 estudantes sofriam bullying30. Dos 1.230 escolares relatados no artigo XXII, 10,2% eram vítimas e 7,1% praticavam o bullying contra seus pares31.

As diferentes formas de coleta de dados podem justificar a variação na prevalência de vítimas, agressores e testemunhas entre os estudos. Seja pelos questionários utilizados, diferentes características da amostra (número, idade, gênero, etc.), período e frequência considerados para a prática do bullying, além dos tipos de bullying considerados (verbal, físico, psicológico, sexual, material e virtual)32.

O artigo XI traz o menor percentual de escolares que sofriambullying, o que foi justificado pelos próprios autores pelo recorte de período escolhido (somente um mês), com o intuito de diminuir possíveis vieses na pesquisa. Além disso, o uso de questionário autoaplicável com a pergunta “Nos últimos trinta dias, com que frequência algum dos seus colegas esculacharam, zoaram, mangaram, intimidaram ou caçoaram tanto, que você ficou magoado/incomodado/aborrecido?”, não deixou claro a inclusão dobullying do tipo sexual, espalhamento de rumores ou exclusão e isolamento, os quais poderiam aumentar a percentagem de alunos que sofrerambullying27. Por outro lado, o alto percentual de vítimas (48,5%) no artigo XXI28, pode ter sido influenciado pelo uso de um questionário utilizado para os escolares portugueses, que traz mais tipos de bullying como: ameaças físicas (empurrar, bater),bullying sexual (ser apalpado contra a vontade), isolamento (exclusão do grupo) e estrago de pertences pessoais33. O alto índice de vitimização (67,5%) no artigo X é justificado pela melhor compreensão do adolescente sobre o conceitobullying com o passar dos anos, e ao lançamento do jogo eletrônico “Bully” (Rockstar Games) em 2006, que retrata o bullyinge pode ter influenciado nesta melhor compreensão. Nele, estudantes mostram-se como agressores ou vítimas, podendo escolher entre atacar ou defender monitores, professores e colegas no cenário escolar. O jogo continua sendo vendido nos Estados Unidos, teve recusa de comercialização em algumas lojas do Reino Unido, e, no Brasil, a venda foi proibida em todo território nacional34.

Surpreendente foi o artigo V, no qual 100% dos 16 adolescentes cumprindo medidas socioeducativas (8 em regime de semiliberdade e 8 em liberdade assistida) estavam envolvidos com a prática do bullying, como alvos e autores simultaneamente. Os relatos de bullying mais frequentes estavam relacionados aos garotos que haviam se envolvido em crimes mais sérios. No entanto, o estudo sugere que outras investigações sejam feitas para compreender a associação do bullying como precursor ou consequência de atos infracionais43.

Os dados de bullying no Brasil aqui mencionados, assemelham-se aos de estudos internacionais. Um estudo transversal, realizado com 1.756 estudantes coreanos da 7ª e 8ª séries, mostra que 40% destes estavam envolvidos com obullying, sendo 14% vítimas, 17% agressores e 9% vítimas/agressores55. Outro estudo, realizado nos Estados Unidos com 15.686 estudantes de 6 a 10 anos, em escolas públicas e privadas, revelou que 29,9% dos escolares estavam envolvidos de forma moderada ou frequente com situações de bullying: 10,6% como vítimas, 13% como agressores e 6,3% em ambos os grupos56. Segundo o artigo XIV, os tipos mais frequentes de bullying (praticado e sofrido) são os verbais: apelidar, insultar e “tirar sarro”29. Dados que corroboram com os obtidos no artigo XXI, no qual o tipo mais frequente entre as vítimas foi o de sofrer intriga e ser apelidado, enquanto que o mais praticado entre os agressores foi o de apelidar28. O artigo XII mostra que os tipos mais prevalentes de intimidação são os verbais e físicos, seguidos de agressões psicológicas, étnicas e sexuais30. Por outro lado, os artigos IX e XXII apontam as agressões físicas como as mais prevalentes, seguidas das verbais31,43.

O artigo XIII chama atenção ao fato de que as provocações verbais evoluem para agressões físicas (brigas, tapas, puxões de cabelo e chutes), e que muitas vezes têm início dentro da escola e terminam fora do “portão” da escola45. Os insultos verbais também estão entre os tipos de bullying mais frequentes em estudo internacional, assim como exclusão, bullying físico e forçar o outro a fazer algo, com frequências de 22, 23, 16 e 20%, respectivamente55.

O lugar onde mais acontecem as cenas de agressão entre pares é fora da sala de aula28, embora o artigo XXII tenha mostrado que além do pátio, a sala de aula é um dos lugares de maior incidência31.

Diferenças entre gêneros

Segundo os artigos XI, XII e XXII o envolvimento com bullying está mais associado ao sexo masculino do que ao feminino27,30,31, sendo também o masculino o que mais sofre o bullying27,30. Estes achados podem ser explicados pela forma como ocorre o bullying entre os gêneros. Meninos tendem a ser mais vitimados por agressões físicas, isolamento de determinado grupo e coação, enquanto meninas são centro de fofocas e importunadas pelos pares, o que é menos perceptível44. Além disso, meninos têm 2 vezes mais chances de serem os agressores31, o que não deve levar à ideia de que eles são mais agressivos, e sim de que podem estar mais envolvidos em situações de bullying29.

A diferença cultural na formação e desenvolvimento de meninos e meninas pode sustentar tais comportamentos. Meninos são atravessados desde sua infância até a vida adulta por tendências agressivas no comportamento, fortalecidas por uma sociedade machista que os encoraja a ter atitudes hostis com seus pares57. Também porque meninos e meninas têm percepções diferentes da violência escolar, através da associação livre de palavras. Meninas percebem a agressão através das palavras “assédio, desrespeito, falta de educação, dor e inimizade”, enquanto que meninos através das palavras “roubar, matar, falar palavrão, bater e bagunça”46.

De acordo com o artigo VII, meninas apresentam maior média de autoestima no grupo agressor, enquanto que entre os meninos a maior média está no grupo testemunha. O menor índice de autoestima entre as meninas está no grupo vítima/agressor e dos meninos no grupo vítima41. Considera-se que as interações das meninas tendem a ser mais influenciadas pela afetividade, pelos laços de amizade, pelas emoções e sentimentos, enquanto que a dos meninos é afetada pelas competições e alcance de objetivos28,41.

Fatores associados

Os artigos VII, XVII e XXI mostram que o bullying está associado à autoestima dos adolescentes e que afeta diferentemente meninos e meninas em seus distintos papéis como vítima, agressor e vítima/agressor28,41,48-51. Existe ainda uma associação entre a insatisfação com a imagem corporal (mas não com o excesso de peso) e as chances de ser mais vitimado ou de praticar o bullying31. Há relatos de adolescentes que associam as diferenças físicas como motivo para a prática da violência psicológica entre pares45, e de que meninos e meninas que praticam o bullying têm mais propensão a perseguir sexualmente seus colegas36. Deste modo, entende-se que tais dados demonstram a fragilidade psicológica destes jovens em aceitar/reconhecer suas próprias características físicas e em lidar com a diferença do outro, reforçando a urgência na criação de estratégias preventivas e restaurativas que trabalhem as habilidades pessoais e sociais dos adolescentes para a manutenção de um ambiente escolar saudável1,4.

A possibilidade de uma relação entre sofrer bullying e apresentar sintomas de estresse pós-traumático é citada no artigo XXIV53. Também foi verificada uma associação entre ser vitimado e demonstrar comportamentos hiperativos e dificuldades em relacionar-se com os colegas, embora sejam necessários mais estudos para esclarecer se obullying pode preceder estes comportamentos e intensificá-los, ou se adolescentes hiperativos e com dificuldade de comportamento tendem a ser mais vitimados30.

Quanto ao cyberbullying, o artigo XVII mostra que são maiores as possibilidades de exposição a ele, quanto maior for a permanência na rede virtual, assim como o uso prolongado de telefones celulares48. Por outro lado, confirma a menor exposição, quando os pais monitoram este período de permanência na internet, ratificando que seu uso é mais saudável quando existe um controle parental. Tanto os autores docyberbullying quanto seus alvos têm índices mais baixos de autoestima, quando comparados àqueles que não foram vitimados. Longos períodos de uso frente aos meios eletrônicos, como computador, videogame e televisão estão associados ao bullying, tanto para ser agressor, quanto para sofrer a agressão31. Compreende-se, portanto, que o uso excessivo das tecnologias e mídias sociais afetem significativamente a saúde emocional dos adolescentes, requerendo atenção parental, monitoramento escolar e estratégias restaurativas que reduzam o risco de impacto causados à saúde mental destes jovens12.

O consumo de álcool está associado, com exceção a ser apelidado, a todos os tipos debullying, assim como o uso de drogas ilegais e ser agredido fisicamente. Comportamentos de risco como estar envolvido em brigas corporais, em acidentes e carregar arma estão fortemente associados com ameaça, furto, ser maltratado fisicamente ou importunado. Além disso, outros autores afirmam que obullying é variável independente para o aumento da violência física entre pares47 e, que de uma maneira geral, está associado com não ir à escola ou cabular aula39,44. De forma comparativa, os estudos citam vários comportamentos de risco à saúde do adolescente fortemente associados aobullying, demonstrando, portanto, que esta violência não deve ser ignorada e necessita de estratégia precoce para seu manejo47. Quanto aos aspectos familiares, o artigo VIII mostra uma associação positiva entre o bullying e o seio familiar violento ou pouco afetivo42. Quanto mais violenta e pouco afetiva é a família, maior a tendência de o adolescente expressar violência na escola; por outro lado, quanto mais acolhedor o seio familiar, menos atitudes agressivas o jovem demonstrará no ambiente escolar. Adolescentes que tiveram apoio familiar quando foram desprezados na escola demonstraram menos atos agressivos quando retornaram a ela. Modelos parentais punitivos ou indulgentes (sem imposição de limites) ou negligentes, exposição dos jovens à mídia violenta (jogos, filmes, músicas) e contextos sociais que expõem o jovem a um longo processo de marginalização (humilhações, abandono, isolamento) podem estar associados aos violentos eventos de school shooting (tiroteios na escola) protagonizados por adolescentes com posterior suicídio40. Não há associação entre os níveis de escolaridade materna e obullying31. Como fortalecimento à resiliência dos adolescentes, outros autores reiteram a importância em promover saúde através do suporte e amparo às suas famílias, no sentido de prepará-las a apoiar as demandas emocionais de seus filhos através do olhar atento aos lugares onde estes transitam (escola, comunidade e seio familiar)58.

Consequências

Crianças e adolescentes vítimas de bullying podem apresentarcefaleia (dor de cabeça), dores abdominais, insônia, enurese noturna (urinar na cama), depressão, ansiedade, falta à escola, diminuição da performance acadêmica, agressão a si próprio, pensamentos e tentativas de suicídio, perda de pertences, lesões no corpo, roupas e pertences em mau estado (rasgado ou sujo) e agressividade. Podem pedir mais dinheiro aos pais e rotineiramente ter fome ao sair da escola, o que subentende a situação de ter seu dinheiro tomado por outros adolescentes no intervalo para o lanche4,35. Vítimas e vítimas/agressoras apresentam maiores níveis de ansiedade se comparados com estudantes não envolvidos com obullying50.

Envolvimento com cyberbullying pode levar ao aumento de alterações psíquicas como sintomas de depressão, ansiedade, diminuição da capacidade empática e ideação suicida48. O artigo XIII traz relatos de alunos sobre colegas que repetiram de ano e mudaram de sala após serem apelidados repetidamente45. As testemunhas também são acometidas em sua performance acadêmica e em seu meio social por vivenciar um ambiente violento35. Além disso, sofrer bullying na infância e adolescência pode estar associado a temperamentos depressivos, apáticos, ciclotímicos (oscilantes) e voláteis (dispersos), e também a traços emocionais de tristeza, baixa autoestima, menor capacidade de foco e disciplina (control), de confrontar e resolver problemas (coping) e maior fragilidade emocional na vida adulta51.

Desta forma, deduz-se que a discriminação, a intolerância e a agressividade física e psíquica entre pares, aspectos que constituem este subtipo de violência, têm efeitos maléficos à saúde mental e vida acadêmica dos escolares, podendo repercutir na vida familiar e até mesmo no desenvolvimento intelectual por afastá-los da escola4,45.

Sentimento dos adolescentes

Dos 25 artigos analisados nesta revisão, 5 mostram que os adolescentes subestimam a seriedade e a gravidade do bullying, possivelmente por falta de orientação sobre a repercussão destas agressões29,35,43,45,52.

Em estudo realizado com 28 estudantes, por meio da observação participante e grupos focais, os alunos relatam “ter que tolerar a chamada brincadeira desagradável”. Obullying é tolerado repetidamente pela vítima em nome da amizade e da proteção emocional de pertencer a um grupo52. Outro estudo realizado com 16 adolescentes em conflito com a lei, chama atenção para o fato das agressões verbais serem encaradas como “brincadeira” entre os participantes, mesmo quando evoluem para agressões físicas. Os autores explicam que os jovens apresentam comportamentos agressivos como forma de elevar o status e o respeito no contexto em que vivem, o que pode justificar o alto índice de bullying,compreendido como “normal” entre eles43. No artigo I, 69,3% dos jovens não compreendem por que obullying ocorre e como muitos deles o interpretam como uma “brincadeira”35.

Alguns adolescentes tendem a revidar os apelidos com outros apelidos, muitas vezes evoluindo para agressão física, e desta forma fortalecendo o ciclo de agressão45. Após o ato de agressão, a maioria dos agressores acha engraçado praticar obullying com os pares29, muitos relatam um sentimento de bem-estar27 ou satisfação por dominar os colegas, e entenderem como qualidade positiva estas atitudes que trazem prestígio e liderança perante os pares35. A falta de compreensão dos jovens sobre o que é o bullying e suas consequências, parece ser um dos importantes aspectos que contribuem para a ocorrência do bullying e deve ser trabalhado em políticas públicas que objetive sua prevenção6.

No artigo XIV, grande parte das vítimas relatou ficarem furiosas ao serem expostas à situação de agressão, defendendo-se ou ignorando as agressões em sua maioria, e somente 13,3% delas solicitaram ajuda a um adulto29. Levanta-se a hipótese de que as vítimas que reagiram, possivelmente pertencem ao grupo vítima/agressor, já que normalmente os pertencentes ao grupo vítima apresentam características pessoais mais frágeis do que ao vítima/agressor e não costumam reagir35. As testemunhas não fizeram nada para ajudar as vítimas, o que presume medo de retaliação por parte dos agressores29. O mesmo também foi demonstrado no artigo XXIII, que reitera que a maioria das testemunhas sentem compaixão pelo vitimado e não gostam de presenciar cenas de bullying, porém relatam ter medo de defendê-los para não se tornarem vítimas52.

Alguns adolescentes relatam sofrer e indignarem-se com a ocorrência dobullying, citando que os agressores poderiam um dia sofrer a dor da discriminação37. Outras pesquisas revelam dados preocupantes quanto aos sentimentos dos adolescentes em relação à escola, como no artigo XV, que traz um estudo com 177 adolescentes, com uma média de 14 anos, que mostra que 57,8% destes não se sentiram seguros na escola46. O estudo PENSE, com uma amostra de 60.973 escolares no Brasil, revela que 5,5% dos estudantes deixaram de ir à escola por não se sentiram seguros27.

Verifica-se que o bullying pode contribuir acentuadamente para que a escola se torne um ambiente conflituoso e desconfortável para os escolares. Considera-se de suma importância que um adulto possa intermediar conflitos entre pares, demonstrando limites e respeito em relação à convivência com o outro, para a manutenção de uma esfera escolar saudável59,60.

Intervenções possíveis

Todos os artigos analisados relatam a urgência da criação e manutenção de políticas públicas de caráter interventivo em relação ao bullying, incluindo o desenvolvimento de habilidades interpessoais aos alunos e o treinamento e amparo aos profissionais da educação, para lidar com o bullying nas escolas27-31,35-54. Parte deles relata a necessidade da interdisciplinaridade (educação, saúde, família e comunidade), para o fortalecimento das ações antibullying, visto que quanto mais extensa for a rede intersetorial de estratégias, mais eficaz torna-se o cuidado ofertado à saúde mental dos adolescentes, que, por sua vez, transitam não só na escola, mas nos serviços de saúde, nos centros comunitários e vão e voltam de suas casas, que podem ou não serem ambientes acolhedores27,35,42,43,46-48.

A incorporação de práticas multiprofissionais participativas e constantes de educação em saúde direcionadas ao público jovem, ofertadas pela Equipe de Saúde da Família, pode colaborar para que ocorram melhoras efetivas no comportamento de crianças e adolescentes61. Sugere-se a efetivação de programas que também considerem as diferenças entre os gêneros, quanto ao modo como se envolvem em atos de bullying, já que expressam a agressividade de diferentes formas41,47. Também, a investigação de outras variáveis relacionadas aos adolescentes envolvidos nobullying, como estilos parentais, violência sofrida no seio familiar, rendimento escolar, relacionamento com pais e professores e outras questões do cotidiano, visando um maior esclarecimento para este tipo de violência entre escolares28,43.

A análise dos indicadores de efetividade atribuídos a programas de intervenção sobre o bullying, realizada a partir de 165 artigos, mostrou que Espanha e Estados Unidos apresentaram 33,9 e 23,6% das publicações, respectivamente, enquanto que o Brasil apenas 3,6%, o que sugere uma escassez na produção nacional referente a programas de intervenção54. O presente estudo apresentou somente dois artigos que dispõem de ferramentas colaborativas ou interventivas. O artigo I faz indicações de sinais e sintomas (descritos na categoria Consequências) para amparar o médico pediatra, assim como profissionais de saúde em geral e familiares, na investigação dobullying. Já o estudo XVIII, através de relatos de alunos e professores em grupos focais, avalia como positiva a efetividade do círculo restaurativo (círculos de conversa com um coordenador facilitador) como ferramenta que estimula o diálogo e ampara estudantes e educadores a solucionarem conflitos escolares, principalmente referente à violência49.

Estudos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) corroboram com os resultados do estudo anterior, afirmando que os programas que promovem apoio psicossocial na escola, integrados à intersetorialidade, são eficazes em promover saúde e manter o bem-estar entre jovens1. A exemplo disto, um estudo realizado com 307 alunos do 5° e 6° ano do ensino fundamental em Lisboa-Portugal, e conduzido por uma pesquisadora enfermeira, teve como estratégias para a redução da violência escolar: trabalho em equipe multidisciplinar; mudança na política escolar incluindo redução da violência em um projeto educativo da escola; reuniões com professores e familiares, a fim de construir estratégias sobre a prevenção da violência; intervenção com as turmas através de técnicas que fortalecem positivamente as condutas dos adolescentes frente às situações de violência; e intervenção direta com os estudantes envolvidos em cenas de agressão, através de identificação por parte dos professores e ajuda dos psicólogos da escola. Os resultados pós-intervenção revelaram uma diminuição nos índices de bullying; possibilitaram a mobilização de uma equipe multidisciplinar; e apontaram a importância do enfermeiro em processos interventivos dentro da escola e da pesquisa62. Quanto ao cyberbullying, há a necessidade da escola estruturar regras que regulem o uso de aparelhos como laptops e smartphones, além de um maior controle parental em relação a este uso12,48.

O artigo IV não apresentou propostas interventivas, porém faz uma reflexão a ser abordada nas práticas de manejo do bullying. Considera que esta violência tem suas raízes na esfera do preconceito e, ao nominar este tipo de violência como bullying, têm-se a impressão de que se pode controlá-lo e manejá-lo. Ações de manejo e controle simplesmente não se tornam efetivas se a questão da violência não é abordada em si (barbárie), e se estereótipos, construídos pela sociedade, não forem trabalhados. Acredita-se que estereótipos gerem intolerância. Acredita-se igualmente que o preconceito/bullying toma corpo e cria potência onde há intolerância38.

Conclusão

O presente estudo demonstrou que mais da metade das produções brasileiras têm uma abordagem quantitativa, principalmente por meio de estudos transversais, com foco central em estabelecer fatores associados a ocorrência do bullying. Apresentou uma incidência significativa de bullying entre os adolescentes brasileiros, o envolvimento diferenciado dos gêneros, sendo que meninos são mais propensos a sofrer bullying. Destacou a forte relação entre bullying com comportamentos de risco (uso de álcool, drogas ilícitas, brigas, cabular aula, dentre outros). Mostrou que as consequências emocionais e psíquicas em estar envolvido com o bullying podem surgir na adolescência e se estenderam para a vida adulta, o que sobrepuja a necessidade de orientação aos adolescentes sobre o que é o bullyinge suas consequências, já que os resultados sugerem que os jovens interpretem obullying como uma brincadeira. Apresentou somente dois estudos com abordagens interventivas ou colaborativas. Portanto, a produção brasileira apresentou um panorama geral sobre os diversos aspectos que caracterizam obullying, porém mostra fragilidade quanto à realização de estudos preventivos, interventivos e restaurativos ou que avaliem programas de intervenção. Sugere-se como importante complemento a necessidade de estudos interventivos e/ou qualitativos que abordem de forma descritiva vivências, experiências e impressões dos sujeitos envolvidos. Igualmente, sugere-se a realização de estudos que avaliem programas efetivos de intervenção de forma intersetorial, considerando a escola, os serviços de saúde e outros setores da comunidade.

Agradecimentos

Agradecemos à CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pela concessão da bolsa durante o desenvolvimento deste estudo.

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Recebido: 08 de Maio de 2014; Revisado: 21 de Outubro de 2014; Aceito: 23 de Outubro de 2014

Colaboradores

PL Pigozi trabalhou na concepção, análise, interpretação dos dados, redação do artigo e aprovação da versão a ser publicada e AL Machado trabalhou na análise, na interpretação dos dados e na versão a ser publicada.

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