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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.21 no.4 Rio de Janeiro Apr. 2016

https://doi.org/10.1590/1413-81232015214.09082015 

ARTIGO

Os custos da inatividade física no mundo: estudo de revisão

The costs of physical inactivity in the world: a general review

Denise Rodrigues Bueno1 

Maria de Fátima Nunes Marucci1 

Jamile Sanches Codogno2 

Manuela de Almeida Roediger1 

1Pós-Graduação em Nutrição em Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública,Universidade de São Paulo. Av. Dr. Arnaldo 715, Cerqueira César. 01246-904 São Paulo SP Brasil. denibueno@hotmail.com

2Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente Prudente, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. São Paulo SP Brasil.


Resumo

Os benefícios da atividade física e do exercício físico para a manutenção da saúde e a prevenção de doenças estão bem esclarecidos na literatura científica. Entretanto, estudos associando os custos da utilização de serviços de saúde e com os da inatividade física ainda são poucos. Pesquisas internacionais quantificaram estes custos e apresentaram associações com a prática de atividade física e/ou comportamento sedentário. Assim, o objetivo desta revisão foi, a partir destas informações, analisar os custos mundiais relacionados à inatividade física nas últimas décadas. Foram utilizados os resultados de 24 artigos originais, conduzidos em nove países, incluindo o Brasil. Os resultados mostraram que a inatividade física, independente do método de classificação, é onerosa à economia da saúde em todo o mundo e diretamente responsável pelo alto gasto com medicamentos, internação hospitalar e consultas clínicas. Os gastos com a parcela da população fisicamente inativa, acometida por doenças crônicas,estão entre os principais integrantes dos custos totais em saúde pública.

Palavras-Chave: Revisão; Atividade física; Recursos financeiros em saúde

Abstract

There is convincing evidence in the scientific literature of the effectiveness of regular physical activity and physical exercise in the conservation of health and the prevention of various ailments. However, studies into the association between costs of medical services and physical inactivity have not been duly addressed. International studies have quantified these costs and revealed the association between physical activity and/or sedentary behavior. Therefore, this review sought to gather information available from several countries and analyze the global costs associated with physical inactivity over the past few decades. The results of twenty-four original and well-researched articles in nine countries, including Brazil, were analyzed. The results showed that physical inactivity, irrespective of the method of classification, is burdensome to the economy of health worldwide, and directly responsible for the high cost of medication, the incidence of hospitalization and the frequency of medical appointments. The costs of the group of the physically inactive population affected by chronic diseases feature among the major components of the total costs involved in public health.

Key words: Review; Physical activity; Financial resources in health

Introdução

Estima-se que 6% das doenças cardiovasculares e 7% dos casos de diabete tipo 2 (DM2) no mundo são causados por inatividade física1. O impacto dessa relação sobre os custos com saúde em países desenvolvidos é preocupante, uma vez que até 3% dos recursos financeiros disponíveis sejam utilizados devido à inatividade física2. Em 2012, os custos diretos contabilizados devidos à DM2 no Reino Unido chegaram a 20 bilhões de dólares (USD$)3, e na Escócia, estimativas apontam que a redução de 1% de inativos a cada ano significaria a economia de USD$ 130 milhões, devido à prevenção de mortalidade por doença cardíaca4.

Em 2012, 10,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em todo o mundo foram gastos com recursos para a saúde. No Brasil, este percentual é de 9% ao ano, o qual se assemelha ao do Japão, Itália e Austrália5. A análise econômica em saúde é utilizada para a tomada de decisões em relação à alocação de recursos, tanto em âmbito de saúde pública, quanto privada. As doenças crônicas representam 60% do total de doenças no país6 e, embora o efeito do exercício e da atividade física (AF) para a manutenção da saúde e controle de doenças esteja bem estabelecido na literatura7, a prevalência de sedentarismo no tempo livre é alta8 e independente do grupo etário, atingindo 80% dos idosos9.

Estudos internacionais a respeito dessa temática são mais numerosos e fornecem dimensões da associação entre utilização de recursos e nível de atividade física (NAF) em diferentes países. No Brasil, alguns estudos analisaram os custos relacionados à inatividade física, em nível populacional, especialmente sobre os recursos públicos. Assim, o objetivo desta pesquisa foi compilar informações destes estudos sobre os custos com saúde decorrentes da inatividade física, visando maiores esclarecimentos da utilização de recursos com saúde no mundo.

Métodos

Os artigos foram localizados pelas bases de dados PubMed-Medline, Bireme e SciELO, em fevereiro de 2014, utilizando os seguintes conjuntos de palavras-chave: “physicalactivity + costs + healthcare”; “physicalinactivity + costs + healthcare”;“physicalinactivity + costs”; “atividade física + custos” e “inatividade física + custos”.

Os dados apresentados na Figura 1 mostram as quantidades de artigos encontrados nas bases de dados, a partir dos termos mencionados anteriormente.

Figura 1 Número de artigos localizados em cada base de dados, de acordo com as palavras-chave. 

Foram considerados para a presente pesquisa artigos em língua portuguesa, inglesa ou espanhola, publicadas a partir de 1990. Para inclusão nas análises, os artigos deveriam ser originais e explorar, especificamente, o tema da AF e sua relação com os custos diretos com a utilização de serviços de saúde por adultos e idosos, tais comoconsultas clínicas, hospitalizações, serviço de emergência, medicamentos, planos de saúde, entre outros. Também foram explorados os trabalhos cujo tema abordasse a análise de custo-efetividade da intervenção com programas de atividade física.

A leitura dos abstracts dos artigos selecionados por meio das palavras-chave permitiu a exclusão daqueles que não atendiam a todos os critérios propostos: i) os artigos de revisão, incluindo as meta-análises; ii) as pesquisas realizadas com população adolescente, iii) pesquisas que tratassem de custos entretanto, sem abordar a sua relação com o NAF; e, iv) artigos publicados antes de 1990.

Após a seleção dos trabalhos considerados adequados pelos autores por meio da leitura dos abstracts, foram analisados os resultados de 24 artigos oriundos de pesquisas, desenvolvidas em nove países: Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos (EUA), Itália Inglaterra, Japão e Suécia. Para facilitar interpretação e a comparação dos resultados entre os estudos, os valores de custos de todos os países foram convertidos para Dólares Americanos (USD$), considerando a cotação no período de análise de cada pesquisa.

Resultados

Das 24 pesquisas, oito realizaram estimativas populacionais, considerando os custos referentes ao hábito sedentário a partir da sua associação com a prevalência de doenças crônicas10-17. Cinco se tratam de estudos de coorte, com seguimento médio de dois anos18-22. E o restante, refere-se a estudos transversais, entre os quais existem publicações com populações específicas compostas de pacientes diabéticos21,23-25, idosos26-29 e mulheres20,30.

As análises dos resultados mostraram que quanto maior o NAF menor o uso e custos com de medicamentos21,23,27,31, consultas clínicas24 e hospitalizações29,32. Mesmo quando consideradas as atividades não sistematizadas, como a recreação, a atividade doméstica e a ocupacional, houve relação inversa entre o gasto energético dispendido (kcal) nestas tarefas com os custos em saúde (r =-0,22; p<0,01)28.

O Quadro 1 apresenta o resumo dos resultados que destacaram a comparação feita, pelos autores, entre as variáveis de custo e NAF. É possível observar que todos os artigos analisados indicam custos superiores para pessoas inativas, quando comparadas às pessoas fisicamente ativas. Três dos estudos analisaram os custos de pessoas com 65 anos ou mais e mostraram custos maiores em fisicamente inativos.

Quadro 1  Descrição dos resultados dos estudos sobre custos diretos com saúde entre diferentes níveis de atividade física (NAF). 

Nos Estados Unidos, embora analisando o NAF de maneiras distintas, os estudos mostram maiores custos anuais com saúde em indivíduos classificados como fisicamente inativos26,27, principalmente em relação às hospitalizações32. Os custos atribuídos à ausência de AF no tempo livre no ano 2000 foram de USD$ 10,8 milhões, para tratamento de hipertensão arterial sistêmica (HAS), e de USD$ 7,2 milhões, para diabete. Além disso, ao menos um terço dos custos com doença cardíaca, câncer de cólon e osteoporose foram relacionados à inatividade física17.

Na Austrália, Brown et al.30 analisaram os dados do The Australian Longitudinal StudyonWomens Health (ALSWH), de uma amostra composta por 7004 mulheres com idade entre 50 e 55 anos. Observou-se que as obesas e inativas apresentaram custo anual 43,2% maior, do que aquelas com o NAF moderado e IMC < 25 kg/m2. No grupo das mulheres com IMC < 25 kg/m2, o custo foi maior quanto menor o NAF, com o custo de USD$ 246 em mulheres com NAF moderado e de USD$ 320 com NAF insuficiente (< 40 MET/minuto/semana).

Dados derivados de um estudo prospectivo observacional no Japão33, no período entre 2002 e 2008, com uma amostra de 483 pessoas com média de idade de 75,5 anos foram analisados por Yang et al.33. A prática de esportes foi considerada como a atividade mais intensa, o NAF baixo foi considerado, quando da ausência de pratica esportiva e de caminhada e, por fim, a atividade moderada foi atribuída aos relatos de caminhada rápida. Também foram analisados testes de potência muscular, força e resistência para análise da aptidão física. O modelo de regressão desse estudo mostrou que, quanto maior o NAF menor é o custo (p = 0,02) e, custos menores para o grupo com melhor performance nos testes físicos (p = 0,01).

Entre os estudos de estimativas populacionais, a partir dos resultados apresentados no Quadro 2, é possível observar que, de forma geral, as pesquisas mostram que as reduções nas prevalências de inatividade física e/ou sedentarismo resultariam diretamente em redução nos custos com saúde. Em relação aos custos totais populacionais dispendidos com saúde, os atribuídos à inatividade física consumiram entre 2,5% dos recursos disponíveis no Canadá12 e 46% na Inglaterra15.

Quadro 2  Resumo dos estudos sobre custos diretos com saúde e inatividade física com estimativas populacionais. 

No Brasil, haveria economia de USD$ 1,14 bilhões dos recursos em saúde devido ao menor número de internações por DM2 e pelo menor uso de medicamentos para diabetes e hipertensãocaso a prevalência de sedentarismo fosse 50% menor que a atual10. No ano 2000, no Canadá, foi estimado que a redução de 10% no número de indivíduos sedentários na população (GE < 12,6 kJ/kg de peso corporal por dia) significaria a economia de USD$ 150 milhões por ano nos custos diretos com saúde12. Em 2009, os custos diretos, indiretos e totais atribuídos à inatividade física (< 150 minutos por semana de AF moderada e vigorosa) somaram USD$ 2,09, USD$ 3,74 e USD$ 5,9 bilhões, respectivamente. Estes valores representaram 3,8%, 3,6% e 3,7% dos custos totais com os recursos de saúde no ano13.

Na Inglaterra, pesquisadores estimaram que 9% dos recursos para a saúde foram consumidos em decorrência de doenças relacionadas à inatividade física e, destes, aproximadamente USD$ 154 milhões foram devidos diretamente à DM2, em 200214. Estimativas mais recentes realizadas com dados de usuários do sistema de saúde indicaram que, em 2006 e 2007, 46% dos custos totais de saúde foram atribuídos a doenças relacionadas à dieta inadequada e inatividade física, contabilizando USD$ 1,8 trilhões no total15.

Pesquisadores chineses que analisaram dados do NationalNutritionand Health Survey, estimaram que os custos de USD$ 1,3 bilhões foram utilizados para o tratamento de hipertensão arterial, de USD$ 0,7 bilhões com DM2, de USD$ 1,2 bilhões com doença arterial coronariana e de USD$ 2 bilhões com tratamento de pessoas com infarto do miocárdio, os quais foram atribuídos diretamente à inatividade física16.

Os resumos dos principais resultados de cada um dos 24 artigos originais revisados são apresentados no Quadro 3, descrevendo os autores, o país de origem e a população envolvida no estudo.

Quadro 3  Resumo descritivo dos 24 estudos analisados, por autor, país, amostra e população de estudo e resultado principal. 

Estudos de coorte

Entre os 24 estudos analisados, os de coorte são especialmente importantes por quantificarem os custos relacionados à inatividade física de maneira mais precisa que os transversais, que utilizam de métodos indiretos de análise, como custos autorreferidos e estimativas a partir do risco atribuído à inatividade física. As pesquisas analisadas nesta revisão tiveram o tempo médio de dois anos para o seguimento dos participantes. A mais antiga foi realizada entre os anos de 1995 e 1996, nos Estados Unidos18, mostrando que entre 5689 usuários de planos de saúde, os homens utilizam 39% menos recursos que mulheres e os encargos de saúde foram 4,7% maiores para indivíduos que não fazem AF, comparados aos que fazem ao menos um dia na semana.

Nos anos seguintes, entre 1996 e 1999, Anderson et al.19 também acompanharam uma coorte de usuários de planos de saúde nos Estados Unidos e contabilizaram maiores custos para o grupo de indivíduos inativos (nenhum dia de AF por semana), comparado ao grupo de fisicamente ativos (4 dias ou mais de AF por semana). Ainda, 23,5% dos encargos em saúde foram associados à inatividade física e ao excesso de peso.

Resultados obtidos a partir de uma coorte de mulheres nascidas entre 1946 e 1951 na Austrália, mostraram que, as menos ativas (< 40 MET-minutos por semana) e com maior tempo sentado (≥ 8 h/dia) gastaram em média USD$ 92,53 a mais por ano, comparadas ao grupo de mulheres fisicamente ativas (≥ 40 MET-minutos por semana) e com menor tempo sentado por dia (< 8 h/dia). Além disso, o grupo de mulheres fisicamente inativas, mas com menor tempo dispendido sentado por dia, apresentou o custo anual superior, em USD$ 109 por ano20.

Um estudo conduzido na Itália, com 179 pacientes diabéticos com média de idade 62 anos, propôs intervenção composta de aconselhamento para a prática de AF durante dois anos (por telefone), na qual os participantes foram instruídos a aumentar o NAF com a sua prática em intensidades entre 40 e 60% da frequência cardíaca de reserva. Após a intervenção, o grupo que apresentou gasto energético (GE) igual a zero MET por hora semanal apresentou aumento dos custos com medicação no período do estudo (p<0,01). Por outro lado, indivíduos com GE entre 11-20 MET por hora semanal economizaram anualmente USD$ 386,00 por pessoa com medicamentos (p<0,0001), enquanto o grupo com GE > 40 MET economizou USD$579,00 por pessoa21.

Perkinse Clark22 investigaram 655 indivíduos durante 12 meses e observaram que os custos com saúde forammenores, quanto maior o tempo dispendido em atividades físicas (p = 0,0003).

Discussão

O presenteestudo de revisão teve por objetivo analisar o impacto do NAF sobre os custos com saúde em diferentes países e regiões do mundo. Os resultados mostram que, em todo o mundo, a atividade física é uma variável importante para a economia de recursos financeiros em saúde pública, por estar inversamente associada aos custos com procedimentos de saúde, medicamentos e controle de doenças crônicas.

Convém destacar queos métodos de estimativa do NAF variam muito entre os estudos, assim como os critérios de classificação, o que pode influenciar diferenças nas associações com os custos. O critério que permite distinguir entre indivíduos fisicamente ativos e inativos proposto pela Organização Mundial de Saúde, de 150 minutos por semana de AF de intensidade moderada34, foi empregado em quatro pesquisas13,17,26,32. Outros pesquisadores utilizaram o tempo total diário em minutos de atividade como referência, mas adotaram classificações distintas, com quatro divisões de tempo22,31. Wang et al.27 consideraram apenas a frequência semanal da prática para a classificação do NAF de idosos.

Entre os estudos que analisaram o NAF de acordo com o GE, também houve diferença no método de classificação12,28,29. Liu-Ambroseet al.28 utilizaram como referencia o GE, em Kcal, como variável contínua para análise de correlação, enquanto Katzmarzyk et al.12 estabeleceram o GE em Kj, e o valor de 12,6kJ/kg por diapara distinguir entre ativos e inativos. Por fim, Woolcotet al.29 consideraram o GE de 1000 Kcal/semana em atividades físicas como critério para a mesma distinção.

Dois estudos utilizaram o equivalente metabólico (MET) da atividade como indicador, entretanto, adotando critérios distintos de classificação do NAF20,21, considerando fisicamente ativas as mulheres que empregaram 40 MET-minutoou mais por semana em AF20 e classificando os indivíduos em cinco categorias a partir dos METs alcançados21. Apenas um estudo utilizou a medida da aptidão física como indicador de NAF, baseando-se nos resultados de testes de força, velocidade e potência muscular33.

Tais diferenças dificultam a comparação entre os estudos, entretanto, independente do método empregado, os custos com saúde foram predominantemente superiores nos grupos de indivíduos com menor NAF ou aptidão física.

Outro ponto importante a ser considerado na análise do NAF é o tipo de intervenção a ser empregado por meio de programas de atividade física, pois estes devem atender aos critérios de custo-benefício. As recomendações internacionais de atividade física34,35 são propostas visando à prevenção de doenças e à manutenção da qualidade de vida e da capacidade funcional. Consequentemente, visam atender à expectativa de economia de recursos financeiros, por meio da manutenção da saúde da população.Entretanto, um pequeno número de estudos tem avaliado intervenções em AF na perspectiva desse tipo de análise.

Um aspecto importante a ser ressaltado neste trabalho é que a maioria das análises de custo foi realizada a partir do custo direto relativo às despesas com doenças. Ou seja, custo que pode ser estimado a partir de variáveis com valores mensuráveis e que, portanto, podem ser contabilizados. Entretanto, a prática regular de AF pode proporcionar inúmeros benefícios considerados intangíveis, como os efeitos sobre o bem estar mental e melhorias da qualidade de vida. Portanto, o maior NAF é capaz de promover efeitos imensuráveis sobre a economia da saúde. Assim, ao discutir benefícios econômicos da atividade física e/ou prejuízos financeiros decorrentes do estilo de vida sedentário, estes aspectos devem ser lembrados. Dessa forma, os benefícios da promoção da atividade física populacional podem ser ainda maiores e mais significantes para a saúde pública.

Especificamente no Brasil, ainda são escassos os estudos que investigaram as associações entre custos e inatividade física no âmbito populacional. Dessa forma, são necessárias mais pesquisas que analisem e descrevam estas relações de acordo com diferentes tipos de atividade física e para populações específicas, especialmente idosos. Além disso, os estudos de análise de custo-efetividade da prática de AF auxiliariam no planejamento para a implantação de programas de sucesso.

Em resumo, a literatura disponível, até o momento, aponta a inatividade física como fator importante no aumento dos gastos com saúde, estudos desta natureza auxiliam diretamente no planejamento econômico de países desenvolvidos e em desenvolvimento, ao apresentar evidências de que a inatividade física tem um papel determinante na economia dos recursos em saúde pública. Justificando o desenvolvimento de estratégias de prevenção de doenças crônicas e, consequentemente, dos custos excessivos com procedimentos de saúde, por meio da promoção da atividade física para a população.

Agradecimentos

Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) pelo apoio financeiro que possibilitou a realização deste trabalho.

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Recebido: 05 de Março de 2015; Revisado: 16 de Julho de 2015; Aceito: 18 de Julho de 2015

Colaboradores

DR Bueno, MFNMarucci, JS Codogno e MA Roedigercontribuíram igualmente para a elaboração do trabalho apresentado à Revista Ciência e Saúde Coletiva.DR Bueno, autora principal, é mentora da ideia da pesquisa, realizou as buscas nos bancos de dados e seleção dos manuscritos adequados, organização dos resultados e redação de todo o manuscrito. MFN Marucci foi responsável pela revisão dos métodos, da redação de todo trabalho e colaborou para discussão dos resultados. JS Codogno colaborou na elaboração dos objetivos e métodos da pesquisa, seleção dos trabalhos adequados e análise dos manuscritos, redação dos resultados e contribuição na discussão. MA Roediger colaborou com a organização dos resultados dos artigos selecionados para a revisão, elaboração das tabelas, revisão, análise e discussão da versão final do manuscrito.

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