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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.21 no.4 Rio de Janeiro Apr. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015214.08742015 

REVISÃO

Padrões alimentares de adolescentes e associação com fatores de risco cardiovascular: uma revisão sistemática

Dietary habits of adolescents and associated cardiovascular risk factors: a systematic review

David Franciole de Oliveira Silva1 

Clélia de Oliveira Lyra1 

Severina Carla Vieira Cunha Lima1 

1Departamento de Nutrição, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Av. Senador Salgado Filho 3.000, Lagoa Nova. 59058-970 Natal RN Brasil. davfranci@hotmail.com

Resumo

O objetivo deste estudo foi identificar por meio de uma revisão sistemática os principais padrões alimentares de adolescentes e verificar sua associação com fatores de risco cardiovascular. Foi realizada busca nas bases de dados Lilacs, SciELO, PubMed, Scopus e Web of Science, além da busca manual de artigos originais publicados entre 2005 a 2014. Dos 371 registros identificados; 26 preencheram os critérios de inclusão e foram inseridos na revisão. Os principais padrões alimentares observados foram Ocidental (61%), Saudável (42%) e Tradicionais (38%). O padrão Ocidental foi positivamente associado com colesterol total e Síndrome Metabólica (SM), enquanto que o Saudável associou-se inversamente com glicemia de jejum, Pressão Arterial Diastólica (PAD) e SM e positivamente com HDL-c, todas estas associações com qualidade da evidência D, muito baixa, segundo o sistema GRADE. Os padrões Tradicionais se relacionaram como fator de risco para hiperglicemia, hiperinsulinemia e hipertrigliceridemia e proteção para atividade física e IMC eutrófico. Por mais que estes resultados precisem ser analisados com prudência, devido à baixa qualidade da evidência, observa-se a necessidade de medidas que visem à promoção da alimentação saudável em adolescentes, de modo a contribuir para a prevenção de fatores de risco cardiovascular.

Palavras-Chave: Consumo alimentar; Padrão alimentar; Doença cardiovascular; Adolescentes; Revisão sistemática

Abstract

The scope of this study was to conduct a systematic review to establish the major dietary habits of adolescents and the corresponding association with cardiovascular risk factors. Research was performed in the LILACS, SciELO, PubMed, Scopus and Web of Science databases in addition to a manual search for original articles published between 2005 and 2014. Of the 371 entries identified; 26 fulfilled the inclusion criteria and were covered in the review. The main dietary habits observed were Western (61%) Healthy (42%) and Traditional (38%). Western dietary habits were positively associated with total cholesterol and SM, while Healthy dietary habits were inversely associated with fasting glycaemia, DBP and SM and positively with HDL-C, all of the aforementioned associations with very low (D) quality of evidence in accordance with the GRADE rating. The Traditional dietary habits were considered a risk factor for hyperglycemia, hyperinsulinemia and hypertriglyceridemia and protection for physical activity and eutrophic BMI. Although these results need to be analyzed with caution, due to the low quality of evidence, there is a clear need for actions aimed at promoting healthy dietary habits in adolescents in order to contribute to the prevention of cardiovascular risk factors.

Key words: Food consumption; Dietary habit; Cardiovascular disease; Adolescent; Systematic review

Introdução

Monitorar o padrão de consumo alimentar e dietético de indivíduos ou grupos é uma importante ferramenta para identificar mudanças ou tendências de consumo, assim como também, para conhecer o papel da dieta como variável de exposição e sua relação com os desfechos. Ademais, pode ser utilizado como um indicador indireto do estado nutricional de uma população1-4. A utilização de informações referentes à dieta, e em especial as particularidades quanto às combinações de alimentos como as descritas por padrões alimentares, apresenta a vantagem de proporcionar a ampliação do conhecimento a respeito do papel que desempenha sobre determinados fatores de risco à saúde, considerando as interações que ocorrem entre os nutrientes1.

Para a identificação dos padrões alimentares utilizam-se vários métodos tanto de inquéritos alimentares quanto de análise de dados2,3,5. Dentre os métodos de inquéritos de avaliação do consumo alimentar e dietético destacam-se: Diário ou Registro Alimentar, História Alimentar, Recordatório Alimentar 24 horas (R24h) e Questionário de Frequência Alimentar (QFA)3,5,6. Quanto à análise dos dados obtidos do consumo alimentar e dietético, os métodos se dividem em dois grupos: a priori e a posteriori2,4,7,8. Os métodos definidos a priori, por hipótese-orientada, são aqueles que utilizam escores ou índices dietéticos para avaliar a aderência de indivíduos a determinados guias ou recomendações dietéticas pré-estabelecidos2,4,7-9. Os métodos a posteriori consistem na definição dos padrões alimentares depois que os dados dietéticos são coletados7,8,10. Para isso fazem uso de análises estatísticas específicas, a saber: Análise Fatorial11,12, Análise de Agrupamentos13,14 e Regressão por Redução de Posto15,16.

Pesquisadores do campo da epidemiologia nutricional têm observado diversos padrões alimentares como o Ocidental, o Mediterrâneo, os considerados como Tradicionais de cada país e os Saudáveis. Cada um destes padrões apresentam associações distintas com características de estilo de vida, assim como também diferentes efeitos sobre a saúde humana7,17,18.

Na população adolescente, verifica-se que o padrão de consumo alimentar caracteriza-se pela baixa ingestão de frutas, legumes e verduras e pelo consumo excessivo de bebidas e alimentos industrializados e lanches do tipo fast-food19-22. Este comportamento alimentar é preocupante, visto que pode levar ao excesso de peso e a maior probabilidade de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) como câncer23, diabetes24, e morbidades e/ou fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV)25.

A utilização de padrões alimentares constitui recurso de grande relevância para a identificação e a caracterização de comportamentos alimentares que se enquadram como inadequados. Neste sentido, pode permitir o desenvolvimento de estratégias que visem à mudança deste comportamento alimentar de risco, a fim de garantir o pleno potencial de crescimento e desenvolvimento dos adolescentes.

O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão sistemática no que se refere aos padrões alimentares de adolescentes, e verificar a associação destes com fatores de risco para DCV.

Métodos

Realizou-se uma revisão sistemática de estudos sobre padrões alimentares de adolescentes do Brasil e de outros países. Utilizaram-se as recomendações do documento Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA)26, o qual tem como objetivo orientar a divulgação de revisões sistemáticas e meta-análises na área da saúde.

Estratégia de busca

A busca virtual foi realizada nas bases de dados Lilacs, SciELO, PubMed, Scopus e Web of Science, de artigos originais publicados entre 2005 e 2014. No PubMed, foi utilizada a seguinte estratégia de busca: (diet pattern OR diet patterns OR dietary pattern OR dietary patterns OR eating pattern OR eating patterns) AND (factor analysis OR principal component analysis OR cluster analysis OR reduced rank regression) AND (smoke OR cigarette OR cigarette smoking OR tobacco use OR sedentary OR sedentariness OR physical activity OR physical exercise OR body mass index OR BMI OR excess weight OR overweight OR obesity OR waist circumference OR abdominal obesity OR blood pressure OR hypertension OR dyslipidemia OR total cholesterol OR triglycerides OR HDL-c OR high-density lipoprotein OR LDL-c OR low density lipoprotein OR diabetes OR diabetes mellitus OR insulin resistance OR glycemia OR insulinemia OR metabolic syndrome) AND (adolescent OR adolescents). Nas bases Scopus e Web of Science, as estratégias de busca foram semelhantes a do PubMed. No Lilacs e no SciELO foi utilizada a seguinte combinação de termos: (“padrão alimentar” OR “padrões alimentares”) AND (“análise fatorial” OR “análise de componentes principais” OR “regressão por redução de posto”) AND (adolescente OR adolescentes). As pesquisas foram realizadas na primeira semana de outubro de 2014, sendo limitadas a artigos publicados entre janeiro 2005 e outubro de 2014, nos idiomas português, inglês ou espanhol.

Critérios de inclusão e exclusão dos estudos

Os estudos foram considerados elegíveis considerando os seguintes aspectos: 1) fossem artigos originais; 2) tivessem determinado os padrões alimentares por meio de métodos a posteriori, ou seja, Análise Fatorial, Análise de Agrupamentos ou Regressão por Redução de Posto; 3) tivessem avaliado exclusivamente adolescentes na faixa etária entre 10 a 19 anos e 11 meses; 4) avaliado a associação entre os padrões alimentares obtidos com quaisquer dos seguintes fatores de risco cardiovascular: tabagismo, prática de atividade física, estado nutricional antropométrico, pressão arterial, dislipidemias, alterações no metabolismo da glicose e/ou síndrome metabólica; e, 5) publicados em português, inglês ou espanhol. Os critérios de exclusão foram: dissertações, teses, e artigos de revisão da literatura.

Inicialmente, os títulos e os resumos dos artigos foram analisados a fim de verificar se atendiam aos critérios de inclusão definidos e/ou se apresentavam algum critério de exclusão. Quando houve dúvida quanto aos critérios de elegibilidade, todo o artigo foi analisado. Dois pesquisadores realizaram a análise dos estudos incluídos na revisão, sendo que, em caso de dúvida, um terceiro pesquisador foi consultado.

Avaliação da qualidade metodológica dos estudos

A avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos foi realizada por meio das recomendações do Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology Statement (STROBE)27, o qual consiste em 22 itens que recebem pontuação de 0 a 1. Depois da avaliação de todos os itens, os estudos receberam notas de 0 a 22. Com base nas notas recebidas, três categorias para avaliação da qualidade foram estabelecidas: A – quando o estudo preencher mais 80% dos critérios estabelecidos no STROBE; B – quando 50-80% dos critérios forem preenchidos; C – quando menos de 50% dos critérios forem preenchidos. Dois autores realizaram a avaliação quanto à qualidade metodológica dos estudos, sendo que, em caso de dúvida, um terceiro pesquisador foi consultado.

Avaliação da qualidade da evidência

Além da avaliação da qualidade metodológica dos estudos por meio do STROBE, procedeu-se à avaliação da qualidade da evidência pelo Sistema Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation (GRADE)28,29, tendo em vista proporcionar maior confiabilidade à análise crítica dos achados. Neste estudo, realizamos a avaliação pelo sistema GRADE por desfecho, para obter o sumário da evidência, uma vez que a maioria dos estudos avaliou mais de um fator de risco para DCV. Para a avaliação dos estudos, foram utilizados os seguintes critérios: delineamento – ensaios clínicos partem de A e estudos observacionais de C; qualidade metodológica – vieses conservadores, forte associação e consistência dos achados entre os estudos aumentam a nota e limitações metodológicas sérias, evidências indiretas e viés de publicação a diminuem. Após avaliados conforme o sistema GRADE, os estudos foram classificados em quatro categorias de qualidade da evidência: Alta – Há forte confiança de que o verdadeiro efeito/associação esteja próximo do estimado; Moderada – Há confiança moderada no efeito/associação estimado; Baixa – A confiança no efeito/associação é limitada; e, Muito Baixa – A confiança na estimativa do efeito/associação é muito limitada. Há importante grau de incerteza nos achados30.

Síntese e comparação dos estudos

O local do estudo foi descrito conforme o país e, quando disponível, segundo o estado e a cidade de realização. Quanto ao aspecto temporal, os artigos foram apresentados segundo o ano de publicação e, quando aplicável, o período de seguimento. A população de cada estudo foi caracterizada conforme o número e a faixa etária e/ou idade média dos participantes. Os métodos utilizados para obtenção dos dados de consumo alimentar e dietético dos participantes, assim como a técnica estatística utilizada para identificação dos padrões alimentares também foram apresentados. Os padrões alimentares obtidos nos estudos foram caracterizados conforme a denominação que receberam e os itens alimentares que os constituíam. Além disso, foram apresentadas as associações entre os padrões alimentares e os seguintes fatores de risco para DCV, quando disponíveis: tabagismo, atividade física, estado nutricional, pressão arterial, dislipidemias, alterações no metabolismo da glicose e síndrome metabólica.

Resultados

A busca eletrônica retornou 366 resultados, aos quais foram adicionados cinco artigos obtidos por meio da busca manual em referências de estudos e outras fontes. Destes 371 registros, 128 eram duplicados, os quais foram excluídos, resultando em 243 resumos selecionados para avaliação. Após leitura do título e do resumo foram excluídos 196 estudos. Depois de avaliados os critérios de inclusão e exclusão dos 47 artigos que foram lidos na íntegra, 26 estudos foram incluídos na revisão (Figura 1).

Legenda: AF: Análise Fatorial; AA: Análise de Agrupamentos; RRR: Regressão por Redução de Posto.

Figura 1 Fluxograma de seleção dos estudos. 

Qualidade metodológica e características dos estudos

Segundo os critérios STROBE27, dos 26 estudos incluídos na revisão, 14 foram de qualidade A (54%) e 12 de qualidade B (46%), não havendo, portanto, artigos de qualidade C. Foram obtidos estudos de países de várias regiões do mundo. O Brasil contribuiu com sete estudos31-37; Austrália contribuiu com cinco38-42; Coréia do Sul, três43-45; China46, Hong Kong47, Malásia48, EUA49, Irlanda50, Alemanha51, Nova Zelândia52, Ilhas Baleáricas (Espanha)53, Grécia54, México55 e Equador56 contribuíram com um cada. Os periódicos com maior número de artigos incluídos no estudo foram: Public Health Nutrition, com quatro artigos38,46,53,54, British Journal of Nutrition40,43, The Journal of Nutrition42,49, Revista de Nutrição31,34e Appetite33,50 com dois artigos cada. As outras revistas contribuíram com um estudo cada.

Nos artigos com adolescentes brasileiros a amostra estudada variou de 7631 a 1.13932 indivíduos. Já nos estudos com adolescentes de outros países o n amostral variou de 18149 a 5.00346. Em um dos estudos brasileiros, todos os participantes tinham obesidade31. Em quatro38-41 dos cinco38-42 estudos obtidos entre adolescentes da Austrália, a população estudada foi a mesma, os participantes do Estudo Raine, uma coorte deste país. O que diferiu entre os estudos foi o tamanho da amostra, os objetivos a serem analisados e os respectivos desfechos. No presente estudo decidiu-se manter todos os artigos, tendo em vista que a exclusão de algum destes que utilizaram a mesma base de dados poderia levar à perda de resultados de avaliações pertinentes aos objetivos da presente revisão. A Tabela 1 apresenta as características dos estudos incluídos na revisão.

Tabela 1 Características dos estudos incluídos na revisão sistemática. 

Métodos utilizados e Padrões alimentares obtidos

Em 15 estudos, o Questionário de Frequência Alimentar foi o método de inquérito alimentar utilizado32,33,36-39,41,42,46-50,52,54; em cinco o Recordatório Alimentar35,44,45,55,56; três utilizaram o Registro alimentar31,34,43; um utilizou a História alimentar51; e dois o QFA aliado a outro tipo de inquérito, sendo que em um foi o Recordatório alimentar 24 horas53, e em outro, o Registro alimentar40.

A análise fatorial foi o método utilizado para a derivação dos padrões alimentares em 22 estudos31-42,46-54,56; três empregaram a análise de agrupamentos43-45 e um utilizou tanto a análise fatorial quanto a análise de agrupamentos para a derivação dos padrões alimentares55.

O número de padrões alimentares obtidos em cada estudo foi variado. Oito estudos obtiveram apenas dois padrões38-41,43,50,53,56, um identificou quatro34 e outro obteve sete54. A maior parte dos estudos, dezesseis, identificou três padrões alimentares31-33,35-37,42,44-49,51,52,55.

A maioria dos estudos obteve um padrão alimentar considerado como não saudável, sendo que em 10 foi denominado de “Ocidental”32,38-41,44,49,51,53,55 (38%), em quatro de “Junk Food”33,34,36,54 (15%), em um de “Fast Food31 (4%) e em outro de padrão “Não Saudável”50 (4%). Em 11 estudos (42%) obtiveram-se padrões alimentares classificados como “Saudáveis”33,34,36,38-42,50,51,54; em 10 como sendo o “Tradicional” do país31,32,34-37,43,44,46,51 (38%) e em dois estudos como estilo “Mediterrâneo”53,54 (8%).

Associação entre padrões alimentares e tabagismo

Dos estudos incluídos na revisão, três avaliaram a associação entre os padrões alimentares obtidos com o tabagismo32,38,54. Os estudos que verificaram associações estatisticamente significativas entre os padrões alimentares e os fatores de risco para DCV, incluindo os resultados estatísticos, estão detalhados no Quadro 1. No estudo realizado por Kourlaba et al.54, o padrão Junk Food foi positivamente associado com o tabagismo, e o padrão Vegetariano Saudável foi inversamente associado com o tabagismo. Nos outros estudos, não se verificou associação significativa entre os padrões alimentares e o tabagismo32,38. Estes resultados demonstram que, na presente revisão, a associação entre os padrões alimentares e o tabagismo foi inconclusiva. O Quadro 2 apresenta o sumário da evidência, incluindo a avaliação da sua qualidade, para a associação entre os padrões alimentares Ocidental e Saudável e os fatores de risco para DCV.

Legenda: CC – Circunferência da Cintura; F – sexo feminino; HDL – Lipoproteína da Alta Densidade-c; HOMA – Modelo de Avaliação da Homeostase; IMC: Índice de Massa Corporal; LDL-c – Lipoproteína de Baixa Densidade-c; M – sexo masculino; PAD – Pressão Arterial Diastólica; PAS- Pressão Arterial Sistólica; TG – Triglicerídeos. * No Quadro 1 são mostrados apenas os dados referentes aos estudos que verificaram associação significativa entre os padrões alimentares obtidos e fatores de risco para DCV.

Quadro 1 Estudos que avaliaram a associação entre padrões alimentares e fatores de risco para DCV em adolescentes*. 

Legenda: CC – Circunferência da Cintura; HDL – Lipoproteína da Alta Densidade-c; IMC: Índice de Massa Corporal; LDL-c – Lipoproteína de Baixa Densidade-c; PAD – Pressão Arterial Diastólica; PAS- Pressão Arterial Sistólica; SM – Síndrome Metabólica; TG – Triglicerídeos. Qualidade da evidência (sistema GRADE): A – Alta; B – Moderada; C – Baixa; D – Muito Baixa.

Quadro 2 Relação entre os padrões alimentares de adolescentes e fatores de risco cardiovascular com classificação da qualidade da evidência segundo o sistema GRADE. 

Associação entre padrões alimentares e atividade física

Avaliou-se a associação entre os padrões alimentares e a atividade física em oito estudos32,33,38,42,49,51,53,54. Os resultados quanto aos padrões alimentares estilo Ocidental e a prática de atividade física revelaram que em um estudo houve associação positiva e significativa42, e, em outros sete, não foi verificada associação estatisticamente significativa32,33,38,49,51,53,54. Assim, o sumário da evidência é de que não há associação significativa entre o padrão Ocidental e a atividade física, com classificação GRADE C, baixa. Os padrões classificados como “Saudáveis” foram positivamente associados com atividade física em dois estudos33,51 e em outros três não se verificou associação estatisticamente significativa38,42,54, sendo o resultado inconclusivo. Em relação aos padrões Tradicionais de cada país, os identificados no Brasil e na Alemanha foram positivamente associados com atividade física32,51. Em estudo que avaliou a associação entre o padrão Mediterrâneo e a atividade física não foi verificada nenhuma associação53.

Associações entre os padrões alimentares e o estado nutricional antropométrico e as alterações metabólicas

A associação entre os padrões alimentares e morbidades e/ou fatores de risco para DCV foram avaliados em 25 estudos31-53,55,56. Padrões estilo “Ocidental” foram positivamente associados com IMC elevado em cinco estudos34,39,41,44,55, e em dois inversamente49,53. Para a circunferência da cintura, em um estudo verificou-se associação positiva39 e em outro inversa33. Com relação ao metabolismo lipídico, dois estudos observaram associação positiva entre padrões estilo Ocidental e colesterol total31,39, um com triglicerídeo44, e um com LDL-c31. O estudo realizado por Dishchekenian et al.31, o qual foi realizado com adolescentes com obesidade, foi o único que observou associação positiva entre o padrão Ocidental com pressão arterial e insulina, e inversa com HDL-c. Com relação à síndrome metabólica, um estudo verificou associação positiva39.

Padrões classificados como “Saudáveis” associaram-se positivamente com IMC elevado em um estudo34, em outro foi inversamente associado36, e em dez não houve associação estatisticamente significativa33,38,39,41,42,47,48,50-52. Em um estudo observou-se associação positiva com HDL-c39. Com relação às alterações no metabolismo glicídico, dois estudos verificaram associação inversa com glicose sérica39,40. Associação inversa também foi verificada entre o padrão Saudável e a pressão arterial diastólica em adolescentes com idade ≥ 16 anos em um estudo42 e com Síndrome Metabólica (SM) em outro estudo39.

O padrão Tradicional brasileiro foi associado positivamente com IMC elevado34 em um estudo, e em outro inversamente37. Com relação à associação com IMC eutrófico, verificou-se associação positiva em dois estudos32,34. O estudo brasileiro realizado exclusivamente com adolescentes com obesidade observou associação positiva entre o padrão Tradicional e glicemia, insulinemia e elevado triglicerídeo31, e inversa com HDL-c31.

Discussão

Observou-se que quase todos os estudos incluídos na revisão, inclusive aqueles com brasileiros31-34,36,37, registraram o padrão “Ocidental”, caracterizados, no geral, por elevado consumo de produtos lácteos integrais, alimentos com elevado teor de açúcar simples e gordura, fast foods e refrigerantes, sendo esta constituição alimentar não saudável, obtida em adolescentes bem similar ao observado em pesquisas com adultos14,57.

Estes achados apontam que, na atualidade, o padrão estilo “Ocidental” constitui-se em um dos identificados na população adolescente com maior frequência, independentemente do país em estudo. Uma possível explicação para esta maior aderência aos padrões estilo “Ocidental” em detrimento dos considerados “Saudáveis” e/ou “Tradicionais” de cada país, está na influência que a mídia exerce sobre o consumo de itens alimentares deste padrão, sendo comuns propagandas que objetivam levar os consumidores, notadamente os adolescentes, a preferirem lanches e alimentos de fácil preparo, em substituição às refeições que são características de padrões considerados como “Tradicional” e “Saudável”58,59.

Padrões classificados como Saudáveis foram obtidos por vários estudos incluídos nesta revisão. No geral, a constituição alimentar do padrão Saudável foi bem similar entre os estudos, os quais incluíram carnes brancas, cereais integrais e frutas, legumes e verduras (FLV)33,34,36,38-42,50,51,54. Estes alimentos identificados como sendo do padrão Saudável condizem com os mais recomendados nos guias alimentares60.

Dois estudos incluídos na revisão obtiveram um padrão alimentar estilo “Mediterrâneo”53,54, os quais são caracterizados, no geral, por reduzido consumo de carnes; moderado consumo de leite e derivados, principalmente os de baixo teor de gordura; elevada ingestão de azeite de oliva, frutas, hortaliças, leguminosas, cereais integrais e frutos secos; e de moderado a elevado consumo de peixes18. A literatura tem demonstrado que o perfil dietético associado a este padrão alimentar caracteriza-se pelo seu elevado teor de gordura mono e poli-insaturadas, carboidratos complexos e fibras dietéticas, proteína vegetal e compostos antioxidantes18,61. Em virtude de seu bom perfil dietético e da sua inversa associação com diversas doenças crônicas, o padrão Mediterrâneo tem sido considerado como “Saudável”61. Sendo assim, este deve ser divulgado e a adesão ao mesmo incentivada entre adolescentes, público em que este padrão tem baixa aderência.

Os padrões alimentares “Tradicionais” de cada país apresentaram constituição alimentar bem divergente um dos outros, resultado da interação entre os aspectos culturais, econômicos, sociais e religiosos62. Em seis dos sete estudos incluídos na revisão que avaliaram padrões alimentares de adolescentes brasileiros31,32,34-37 foi obtido o “Tradicional”, assim denominado em virtude de conter alimentos como feijão, arroz, carne vermelha, massas e gorduras, os quais são típicos na dieta do país63,64. O padrão alimentar “Tradicional” obtido no estudo realizado na Alemanha incluiu alimentos como carnes em geral (exceto galinha), batatas, pão branco, margarina, ovos, queijo, e peixe, ou seja, alimentos com elevado teor de gordura, isto é, apresentou constituição alimentar semelhante ao Tradicional obtido nos estudos brasileiros51. Na Coréia do Sul, o padrão “Tradicional” obtido incluiu arroz branco, kimchi e peixe43,44.

Devido a essa divergente constituição alimentar observada nos padrões Tradicionais de cada país, torna-se difícil realizar avaliações sistematizadas entre os padrões Tradicionais com os fatores de risco para DCV, tendo em vista obter o sumário da evidência, razão pela qual não o fizemos neste trabalho. Apenas para os padrões Saudável e Ocidental realizamos o sumário da evidência com classificação da qualidade segundo o sistema GRADE, principalmente porque estes são considerados um oposto ao outro.

O tabagismo e o nível de atividade física são fatores de risco para DCV modificáveis que não são afetados diretamente pelos padrões alimentares, por mais que possa existir relação entre eles, pois quem busca ter hábitos de vida saudáveis o faz por meio da alimentação adequada, da prática de atividades físicas e não sendo fumante65,66. No presente estudo, o resultado da associação entre os padrões alimentares de adolescentes e o tabagismo foi inconclusivo. No que se refere à associação com a prática de atividade física, o sumário da evidência para o padrão Ocidental revelou que não há associação significativa, com evidência de qualidade C – baixa, conforme o sistema GRADE. Já a associação com o padrão Saudável foi inconclusiva, segundo o mesmo sistema.

Salienta-se que a avaliação da prática regular de atividade física não é uma tarefa fácil, uma vez que são vários os instrumentos utilizados nela. Neste sentido, talvez os instrumentos utilizados nos estudos não apresentaram acurácia para identificar adequadamente uma associação.

Os estudos incluídos nesta revisão apresentaram várias associações entre padrão Ocidental e excesso de peso e alterações metabólicas. Porém, quando se realizou o sumário da evidência, observou-se que permaneceu a associação positiva apenas para colesterol total e SM, ambas com qualidade, segundo o sistema GRADE, D – muito baixa e, para nenhum dos desfechos, o padrão Ocidental foi considerado como de proteção. Já o padrão Saudável foi associado com resultados metabólicos satisfatórios, mesmo após realizar o sumário da evidência, como associação inversa com glicemia de jejum, Pressão Arterial Diastólica (PAD) e SM e positiva com HDL-c, e para nenhum dos desfechos foi considerado como de risco. A qualidade da evidência para estas associações também foi D – muito baixa.

Por mais que a qualidade da evidência dos achados deste estudo tenha sido baixa e muito baixa, observou-se que estão de acordo com o verificado em outros com adolescentes, de modo que o consumo de alimentos do padrão Ocidental com elevado teor energético, de gordura total, gordura saturada e carboidrato simples foi associado a alguns fatores de risco para DCV, enquanto que o consumo de alimentos do padrão Saudável, os quais são geralmente ricos em carboidratos complexos, fibra, gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas, vitaminas e minerais foi inversamente associado67,68.

Considerando a dieta como um fator de risco cardiovascular modificável, medidas de educação alimentar e nutricional são necessárias, tendo em vista auxiliar na prevenção e no controle das doenças cardiovasculares para assegurar o pleno potencial de crescimento e desenvolvimento dos adolescentes69.

Este artigo de revisão apresenta algumas limitações como a possível não inclusão de todos os artigos referentes aos padrões alimentares de adolescentes identificados por métodos a posteriori, considerando que não foram utilizadas todas as bases de dados. Porém, salienta-se que foram empregadas várias combinações de termos em bases de dados relevantes objetivando obter o maior número possível de estudos, assim como a realização da busca manual que incorporou mais registros. A qualidade da evidência dos estudos incluídos nessa revisão foi baixa e muito baixa, em virtude, principalmente, do delineamento observacional e de vários estudos apresentarem limitações metodológicas que comprometeram a qualidade da evidência. Entretanto, salienta-se a importância dos achados do presente estudo em virtude de o mesmo ser inédito, ressaltando a necessidade de mais pesquisas com delineamentos apropriados. Ademais, há que se considerar as limitações próprias ao uso de padrões alimentares em estudos de epidemiologia nutricional, haja vista as dificuldades em se conhecer verdadeiramente o real consumo do indivíduo, devido aos erros sistemáticos e aleatórios envolvidos nas várias etapas até a derivação dos mesmos.

Conclusão

O presente estudo observou que na população adolescente das mais diversas regiões do mundo o principal padrão alimentar identificado foi o “Ocidental”. Isto é preocupante, uma vez que este foi associado positivamente com fatores de risco para DCV como colesterol total e SM, enquanto que o padrão Saudável foi associado com resultados metabólicos satisfatórios, como associação inversa com glicemia de jejum, PAD e SM e positiva com HDL-c. Por mais que estes resultados devam ser analisados com prudência, uma vez que a qualidade da evidência dos estudos incluídos foi baixa ou muito baixa, sendo necessários estudos com maior rigor metodológico, observa-se a necessidade de medidas que visem à promoção da alimentação saudável em adolescentes, tendo em vista proporcionar o pleno desenvolvimento e crescimento dos mesmos, bem como auxiliar na prevenção e/ou controle dos fatores de risco para DCV nesta população.

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Recebido: 04 de Abril de 2014; Revisado: 22 de Outubro de 2015; Aceito: 24 de Outubro de 2015

Colaboradores

DFO Silva e SCVC Lima contribuíram na concepção do artigo, coleta, análise e interpretação dos dados, redação e revisão crítica do texto e aprovação da versão final para publicação. CO Lyra contribuiu na análise e interpretação dos dados, redação e revisão crítica do texto e aprovação da versão final para publicação.

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