SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.21 issue12The Moscow and Brasilia Declarations on road safety – a parallel between two moments in health author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.21 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320152112.29372016 

Editorial

Eventos acidentais: desafios para as políticas públicas, de vigilância e de prevenção

Adalgisa Peixoto Ribeiro

Edinilsa Ramos de Souza

Camila Alves Bahia


Os acidentes afetam direta e indiretamente as condições de saúde dos indivíduos e dos grupos populacionais. Constituem um conjunto diverso de eventos que reduzem os anos de vida produtiva, geram lesões e sequelas, muitas vezes irreversíveis, e produzem elevado número de mortes que poderiam ser evitadas. No Brasil, desde 2010 os acidentes têm representado aproximadamente 80% das internações realizadas no SUS por causas externas, dentre as quais sobressaem as quedas, com cerca de 45% das hospitalizações, seguidas pelos acidentes de transporte, que perfazem 22%.

Além dos custos sociais e individuais, esses eventos têm exigido do setor saúde uma gama de recursos, das mais diversas ordens, em todos os níveis da atenção e da reabilitação; e investimentos em vigilância para o diagnóstico das demandas cada vez maiores, tanto em termos quantitativos como de complexidade.

Esta edição da revista Ciência & Saúde Coletiva apresenta estudos envolvendo os principais acidentes (transporte e quedas) e vai além da atuação tradicional do setor saúde. Abrindo as análises, o tema da segurança no trânsito “sob os auspícios das Nações Unidas”, descortina as expectativas mundiais em relação às contribuições que as políticas públicas na área da saúde podem oferecer para a redução das lesões no trânsito.

Um grupo de artigos analisa os dados produzidos pelo Inquérito VIVA – Vigilância de Violências e Acidentes, em 2014. Esse inquérito, apesar de ainda não ter uma cobertura total dos atendimentos realizados nos serviços de urgência e emergência brasileiros, contribui expressivamente para o conhecimento de informações estratégicas que não são registradas no Sistema de Informação Hospitalar/SIH, nem no Sistema de Informação sobre Mortalidade/SIM. Realizado anteriormente em 2006, 2007, 2009 e 2011, o inquérito de 2014 reafirma a necessidade de continuidade e ampliação da vigilância epidemiológica para eventos acidentais, como também das violências. Os artigos que se debruçaram sobre o VIVA Inquérito apontam para os desafios em relação às vítimas mais vulneráveis das lesões produzidas nos transportes, como os motociclistas, os ciclistas e os pedestres; bem como os perfis e as características dos pacientes, das lesões e dos atendimentos dispensados aos que sofrem acidentes de transporte e quedas. Dois grupos especiais foram focalizados nessas análises, o das crianças e o dos indígenas.

Outros artigos, também de importância singular, oferecem análises sobre os acidentes de transporte abordando os fatores de risco para a ocorrência desses eventos e o uso de equipamentos de segurança. Foco especial foi dado aos motociclistas que, atualmente, formam uma categoria altamente vulnerável a lesões e mortes em seu deslocamento no trânsito.

Os artigos temáticos desta edição não pretendem esgotar as discussões e as análises sobre esses eventos, mas nos indicam alguns desafios a serem superados no contexto brasileiro, latino americano e mundial. Os desafios que se apresentam são de diversas ordens, desde a qualificação da atenção demandada, atenção pós-trauma (incluindo o diagnóstico epidemiológico das sequelas geradas pelos acidentes e a reabilitação física e psíquica), até a garantia de equidade na atenção oferecida.

Por fim, após 15 anos de criação da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências, pelo Ministério da Saúde, é importante identificar sua conexão com as orientações atuais das duas Conferências das Nações Unidas sobre segurança no trânsito. O texto da política contém orientações sobre a transversalidade do tema em todos os programas e projetos do setor, a intersetorialidade da atenção à saúde das vítimas, a melhoria da qualidade das informações produzidas, a sensibilização para o monitoramento estratégico dos eventos e o acompanhamento e a avaliação das ações empreendidas.

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.