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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.22 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232017228.05762017 

REVISÃO

Impacto de intervenções para promoção do uso de medicamentos genéricos: revisão sistemática

Marília Cruz Guttier1 

Marysabel Pinto Telis Silveira2 

Vera Lucia Luiza3 

Andréa Dâmaso Bertoldi1 

1 Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, Universidade Federal de Pelotas (UFPel). R. Marechal Deodoro 1160/313, Centro. 96020-220 Pelotas RS Brasil. maguttier@gmail.com

2Departamento de Fisiologia e Farmacologia, Instituto de Biologia, UFPel. Pelotas RS Brasil.

3Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fiocruz. Rio de Janeiro RJ Brasil.


Resumo

A necessidade de aumento do acesso aos medicamentos, aliada à limitada aceitação dos genéricos, tem suscitado a busca de intervenções eficazes para a sua promoção. Esta revisão sistemática realizou levantamento de intervenções voltadas à promoção do uso dos medicamentos genéricos e seus impactos. Foram incluídos ensaios randomizados, ensaios controlados não randomizados, estudos tipo antes e depois e séries temporais interrompidas. As análises quanto ao impacto das intervenções e qualidade das evidências seguiram as orientações da Cochrane. A classificação do impacto das intervenções variou de muito grande a muito pequeno e da qualidade da evidência de alta a muito baixa. Selecionou-se 17 artigos com público alvo de prescritores, farmacêuticos e usuários. As intervenções utilizadas foram educativas, de incentivo financeiro, uso de prescrição eletrônica e gerencial. Intervenções aplicadas aos prescritores tiveram impacto pequeno a médio, com qualidade muito baixa a baixa; aos farmacêuticos, impacto pequeno e qualidade muito baixa; aos usuários mostraram impacto médio e grande com qualidade muito baixa e baixa. São necessários mais estudos de boa qualidade abordando as intervenções.

Palavras-Chave: Revisão sistemática; Medicamentos genéricos; Intervenções; Substituição de medicamentos

Abstract

The need to increase access to medicines, coupled with the limited acceptance of generics has sparked the search for effective interventions to promote it. This systematic review aimed to conduct a survey on interventions to promote the use of generic drugs and its impact. Randomized clinical trials, non-randomized controlled trials, controlled before-after studies and interrupted time series were included. The analysis of the impact of interventions and quality of evidence followed Cochrane’s guidelines. Impact of interventions was rated from “very large” to “very small” and the quality of evidence was rated from “high” to “very low”. Seventeen papers addressing prescribers, pharmacists and users were selected. There were educational, financial incentives and use of electronic prescription and managerial interventions. Interventions applied to prescribers had little to medium impact, with very low-to-low quality evidence. Interventions applied to pharmacists had small impact with very low quality evidence. Interventions applied to users had medium and large impact with very low-to-low quality evidence. Further studies with good quality addressing interventions are required.

Key words: Systematic review; Generic drugs; Interventions; Medicines replacement

Introdução

Os crescentes gastos com medicamentos são uma preocupação de vários países1-4. Assim, uma série de medidas, como intervenções e campanhas são estabelecidas com foco na redução destes gastos, que incluem o fomento aos medicamentos genéricos3,5, têm sido cada vez mais utilizadas, aumentando o acesso aos medicamentos5.

A proporção do mercado ocupada pelos medicamentos genéricos difere entre os países. Nos Estados Unidos e Alemanha, por exemplo, essa parcela passa dos 60% em volume, enquanto em outros como Espanha, França e Brasil, os medicamentos genéricos ocupam entre 27 e 42% do mercado6,7.

As principais razões para a baixa utilização de medicamentos genéricos são a falta de prescrição pelo nome genérico8 e a percepção negativa sobre eles9. A falta de conhecimento dos consumidores também pode ser uma barreira para a sua utilização10. Um problema frequente é a polissemia do termo “medicamento genérico”, pois apresenta definições diferentes de acordo com a legislação de cada país11.

Entretanto, a maioria dos usuários parece aceitar bem a substituição pelos medicamentos genéricos12. Nos últimos anos, a confiança e a utilização dos genéricos tem aumentado, principalmente em países desenvolvidos, devido aos esforços educacionais, à ampliação da fiscalização das boas práticas de produção, garantindo qualidade dos medicamentos e, ainda, a maior comunicação dos usuários com seus cuidadores13,14.

Estratégias para encorajar o consumo de medicamentos genéricos direcionam-se aos usuários, prescritores ou farmacêuticos15 e têm sido adotadas para ampliar a sua aceitação e utilização1,8,14. Essas estratégias visam aumentar a confiança e o conhecimento dos usuários e/ou prescritores sobre estes medicamentos14, pois alguns desses atores ainda demonstram ceticismo em relação aos testes de bioequivalência realizados.

A maioria das intervenções observadas na literatura tem como foco a mudança no comportamento do médico quanto à sua prescrição16,17 para melhorar sua qualidade e promover o uso racional de medicamentos18.

Dunne e Dunne19 realizaram revisão de estudos observacionais e qualitativos sobre o conhecimento, a aceitação e a utilização dos medicamentos genéricos sob a perspectiva de médicos, farmacêuticos e consumidores, mostrando a importância da informação e do conhecimento sobre a equivalência do medicamento genérico, porém sem avaliar as intervenções utilizadas para melhorar a perspectivas destes e ampliar a sua utilização. Outra revisão narrativa da literatura sobre medicamentos genéricos foi realizada por Babar et al.1, que tiveram como objetivo descrever as estratégias e as intervenções para promover a aceitação dos medicamentos genéricos, o que levou à identificação de diferentes tipos de intervenções para ampliar o uso desses medicamentos, porém este estudo não apresenta a avaliação do impacto das intervenções observadas. Moe-Byrne et al.20 realizaram revisão sobre intervenções de mudanças no comportamento para promover a prescrição de genéricos focadas nas prescrições.

Não foram localizadas revisões que tivessem avaliado intervenções com o objetivo de ampliar a utilização de genéricos com foco nos três atores (prescritor, usuário e farmacêuticos) envolvidos na escolha pelo medicamento genérico. Além disso, as revisões citadas não apresentam de maneira sumarizada o impacto e a qualidade das intervenções, o que poderia auxiliar a tomada de decisões de gestores, visando a ampliação dos genéricos.

Assim, este estudo teve como objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura sobre intervenções voltadas à promoção do uso dos medicamentos genéricos buscando avaliar o impacto das mesmas.

Métodos

Estratégia de busca

Revisão de literatura realizada nas bases de dados PubMed/Medline, Web of Science e Lilacs, utilizando-se as seguintes palavras-chaves para identificar medicamentos genéricos: “generics”; “generic alternatives”; “generic drug”; “drugs, generic”; “generic medicine”; “generic/therapeutic substitution”; “medication substitution”; “generic substitution”; “generic prescription”; “generic dispensing ratio”; “generic dispensing rate”; “generic drugs”; “drug utilization”; “drug substitution”; “nonproprietary drugs”; “non-proprietary drugs”; “generic medication”; “generic medications”; “generic name”; “generic names”.

Para caracterizar os estudos como intervenções foram utilizados os seguintes termos: “intervention”; “educational intervention”; “multiple interventions”; “administrative interventions”; “randomized clinical trials”; “non-randomized controlled trials”; “controlled before-after”; “interrupted times series”; “repeated measures studies”; “interventions”; “pre-post study”; “pre and post”; “before and after”; “controlled trial”; “clinical trial”; “randomized, controlled trial”; “randomized controlled trial”.

As buscas foram realizadas em 23 de fevereiro de 2016. A estratégia incluiu a presença de descritores/palavras-chave, localizados em todos os campos do artigo, sem restrição de idioma ou ano de publicação. Foram buscados artigos disponíveis em acesso aberto ou na base de periódicos da CAPES, sendo solicitado ao autor de contato quando não disponível.

Critérios de inclusão

Foram utilizados como critérios de inclusão os delineamentos que seguem a taxonomia e os critérios propostos pela Effective Practice and Organization of Care – EPOC da Cochrane21. Os delineamentos incluídos foram ensaios clínicos randomizados (RCT), ensaios controlados não randomizados (NRCT), estudos controlados tipo antes e depois (CBA), séries temporais interrompida (ITS) e estudos de medidas repetidas (RMS). As populações alvo das intervenções foram os prescritores, farmacêuticos e usuários, sem restrição quanto ao local de seleção da amostra (setting ou contexto).

Critério de Exclusão

Foram excluídos os artigos de apresentação de protocolos de ensaios clínicos que não continham resultados, artigos com delineamentos diferentes dos sugeridos pelo EPOC da Cochrane, estudos antes e depois sem grupo controle, intervenções que não promoviam o medicamento genérico ou que consideravam a entrada deste no mercado como intervenção e aqueles cujo somatório das avaliações da qualidade da evidência ficaram com escore geral da qualidade da evidência igual a zero.

Processo de Seleção e Extração

A chave de busca foi estabelecida por dois coautores, sendo a busca realizada em um único dia apenas por um deles. Todo processo de seleção e extração dos dados foi realizado por dois revisores independentes (MG e MS), com participação dos demais autores nos casos discordantes. Foi construído um banco de dados em Excel© com os artigos recuperados para realizar o processo de seleção e extração. Após exclusão dos títulos duplicados foi realizada a leitura dos títulos e resumos, sendo excluídos aqueles que não contemplavam os critérios de inclusão.

Após leitura dos títulos foram selecionados aqueles que fizeram referência à mudança na prescrição, dispensação, percepção, aceitação, substituição ou utilização de medicamentos genéricos. Posteriormente, no processo de leitura dos resumos, foram mantidos aqueles cujos delineamentos eram elegíveis, artigos originais e que avaliavam as intervenções de interesse. Na Figura 1 está apresentado o fluxograma da revisão sistemática.

Figura 1 Fluxograma do processo de identificação e seleção dos artigos sobre intervenções que promovem o uso de medicamentos genéricos. 

Intervenções de Interesse

Como intervenções de interesse considerou-se todas aquelas que pudessem aumentar o uso, prescrição e/ou dispensação de medicamentos genéricos. Com base na proposição de Babar et al.1, as intervenções foram classificadas como: (a) educativa, (b) incentivo financeiro, (c) prescrição eletrônica, (d) gerencial. Quando as categorias de classificação se superpunham em uma mesma intervenção classificou-se na categoria preponderante, definida por consenso.

Descrição dos estudos

Foram considerados como desfechos a mudança do comportamento do prescritor, farmacêutico e/ou usuário. Avaliou-se os prescritores quanto às mudanças na prescrição de medicamentos genéricos e de referência, os farmacêuticos quanto à substituição dos medicamentos de referência por genéricos e os usuários quanto à mudança no uso relativo destes em relação aos de referência e quanto à substituição dos medicamentos de referência pelos genéricos.

Os estudos foram descritos segundo os seguintes aspectos: ano de publicação, país de realização, delineamento, tipo de intervenção, população alvo da intervenção, período da intervenção e medidas de desfecho (Quadro 1).

Quadro 1 Caracterização dos artigos selecionados, de acordo com os tipos de intervenções que promovem o uso de medicamentos genéricos. 

Referência; País Setting / Contexto específico Intervenção; Período de aplicação da intervenção Amostra Resultado
Intervenções educativas com impacto na prescrição de genéricos
NRCT
Wensing et al., 200918; Alemanha Clínicas de atenção primária Reuniões periódicas com os médicos para informar as taxas de prescrição de genéricos e esclarecer dúvidas; 2001 a 2003. 3180 médicos (Intervenção 1090; Controle 2090). Comparado ao grupo controle, o grupo intervenção aumentou, em média, a prescrição de todos os medicamentos com possibilidade de prescrever o genérico em 0,75% IC95% 0,40 - 1,10.
Niquille et al., 201025; Suíça Clínicas de atenção primária Educação continuada sobre as normas práticas e feedback sobre as prescrições em reuniões moderadas por farmacêuticos treinados 24 médicos, 6 farmacêuticos O aumento de cada classe de medicamento no período foi, respectivamente: Beta bloqueadores (I-24,9 C- 21,3); Bloqueadores de canais de cálcio (I- 42,1 C-43,6); anti-hipertensivos (I- 7,44 C- 13,6); diuréticos (I- 32,2 C-37,8); hipolipemiantes (I-45,9 C-39,2). Não apresenta dado global sobre genéricos.
Rausell et al., 200517; Espanha Hospital Relatórios individuais mensais das análises das receitas. Intervenção foi implementado em jun. 2003; monitoramento ocorreu aos 4-6 e 10-12 meses após a intervenção; 94 médicos de 16 serviços Não houve diferença significativa no percentual de genéricos no período pré-intervenção p = 0,284. Após 4-6 meses, o grupo controle apresentava média de 1,81% (IC95% 1,08 - 2,54) e o grupo intervenção de 3,13% (IC95% 1,79 - 4,47); p = 0,041. Após 10-12 meses, o grupo controle apresentava média de 2,22% (IC95% 1,56 - 2,87) e o grupo intervenção de 4,01% (IC95% 2,28 - 5,73) p = 0,025. Diferença significativa entre os grupos, mantida nos dois períodos acompanhados pós-intervenção.
Walker & Mathers, 200226; Reino Unido Clínicas de atenção primária Aconselhamento farmacêutico, feedback prático, reuniões avaliativas, informações escritas. Fev. a maio 1998 Intervenção: 36 médicos de 9 clínicas; Controle: 44 médicos de 9 clínicas Mudança mediana de 5,37% (IQR 2,56 - 6,32) prescrições no grupo intervenção e 1,61% (IQR 1,37 - 4,27) prescrições no grupo controle p = 0,17.
Calvo Alcántara & Inesta Garcia, 19993; Espanha Clínicas de atenção primária Sessões educativas sobre os genéricos (vantagens, inconvenientes...), lista de medicamentos genéricos selecionados e relatórios sobre a prescrição de genéricos; Jan 1993 a set 1993 (pré) Jan 1994 a set 1994 (Durante/pós) Intervenção: 24 médicos de 5 clínicas Controle: 24 médicos de 5 clínicas Pré-intervenção: a média de genéricos prescritos na área controle foi 0,87 itens genéricos/100 mil hab. (DP 0,29) e para área intervenção média 1,07/100 mil hab. (DP 0,51); p = 0,0923. Pós-intervenção: a média de genéricos prescritos na área controle foi 0,98/100 mil hab. DP 0,37 e área intervenção 1,61/100 mil hab. DP 0,81; p = 0,0012
CBA
Wensing et al., 200430; Alemanha Clínicas de atenção primária Feedback sobre as prescrições e programa de intensivo de sessões educacionais (n = 11) para pequenos grupos de prescritores; Abr. a Jun. 1998 177 prescritores Baseline: grupo intervenção 68,3% das prescrições eram genéricas e no grupo controle, 67,4%. Pós intervenção: grupo intervenção 71,1% das prescrições eram genéricas no rupo controle, 68,4%. Efeito da intervenção foi OR 1,10 (IC95% 1,08-1,13).
Sicras Mainar & Palaez de Lono, 200531; Espanha Centros geriátricos Carta de apresentação, entrevista informativa, monitoramento das prescrições com retorno da informação de prescrição para os médicos; Jan 2002 a Dez 2003 Intervenção: 32 residências geriátricas (21 e 11 em 2002 e 2003 respectivamente); Controle: 161 residências geriátricas (75 e 86 em 2002 e 2003, respectivamente) Aumentou a prescrição de genéricos no grupo intervenção de 8,1% para 18,4% e no grupo controle de 8,3% para 14,6. Crescimento interanual de 127,2% para o grupo intervenção e 75,9% para o controle (p < 0,001)
ITS
dLopez-Picazo Ferrer et al., 200232; Espanha Clínicas de atenção primária Relatório mensal sobre o padrão de prescrição de genéricos; cartas semestrais com atualização da lista dos medicamentos genéricos impressa; sessões de divulgação e discussão sobre os resultados alcançados;; Out. 1998 a Mar. 2000 339 médicos de 45 equipes A prescrição de genéricos aumentou de 2,79% no período pré-intervenção para 17,63% no pós-intervenção. O aumento absoluto foi de 14,84% e o relativo de 15,27%. Antes da intervenção a média de prescrições pelo nome genérico era de 3,12%, durante a intervenção foi de 11,9% e após a intervenção aumentou para 20,25%.
Intervenções educativas com impacto no farmacêutico para substituição de medicamentos de referência pelo genérico
RCT
Knowlton & Knapp, 199433; EUA Farmácias comunitárias Workshop para os farmacêuticos intervirem na escolha entre medicamentos de marca ou genéricos; Abr. a Dez. 1991 Intervenção: 9 farmacêuticos; Controle: 9 farmacêuticos; Comparação: 9 farmacêuticos A taxa de substituição média de genérico nas farmácias do grupo intervenção foi 6,34% maior em comparação com as farmácias de controle (35,83% vs. 29,45%; p < 0,05).
Intervenções educativas com impacto na prescrição de medicamentos de referência
CBA
Mastura & Teng, 200816; Malásia Clínicas de atenção primária Reuniões para informação detalhada sobre a prescrição pela denominação genérica; Mar. a Abr. 2004 Duas clinicas; 9 consultórios (5 Intervenção e 4 controle); 3371 prescrições Redução significativa da prescrição de medicamentos pelo nome referência comparando as fases pré e pós-intervenção. Redução de 33,9% para 19,0%, representando 44% de redução (RR pós/pré intervenção de 0,56;IC95% 0,48 – 0,66).
Intervenções educativas com impacto na substituição pelo usuário do medicamento de referência pelo genérico
NRCT
Sedjo e Cox, 200935; EUA Plano de saúde Recebimento de mensagens encorajando a adesão ao tratamento e aumentando a conscientização sobre o baixo custo da alternativa genérica; 2007 Intervenção: 904 afiliados do plano; Controle: 1409 afiliados Aqueles que receberam a intervenção educativa estavam mais propensos a fazer a substituição pelo anti-hipertensivo (IECA) genérico de menor custo (ORaj = 29.82, IC95% 4.41–201.93) e não houve diferença para os usuários de antidepressivos e hipolipemiantes.
Incentivos financeiros com impacto na prescrição de genéricos
RCT
Bhargava et al., 201036; EUA Clínicas de atenção primária Intervenção: Recebimento de voucher de medicamentos genéricos + folder com informações sobre os genéricos; Controle: apenas o folder; Jul. 2007 a Mar. 2008 Participaram 21 clínicas (10 Intervenção x 11 controles) A taxa de dispensação de genéricos para todos os medicamentos aumentou 7,4 pontos percentuais (p.p.) no grupo intervenção (53.4% para 60.8%) e 6.2 pp para o grupo controle (55.9% para 62.1%). O efeito estimado do voucher é um aumento da taxa de dispensação de genéricos de 1,77 p.p. (p = 0,047)
ITS
dLopez-Picazo Ferrer et al., 200232; Espanha Clínicas atenção primária Relatório mensal sobre o padrão de prescrição de genéricos; cartas semestrais com atualização da lista dos medicamentos genéricos impressa; sessões de divulgação e discussão sobre os resultados alcançados; e incentivo financeiro para cada prescritor para alcançar esses objetivos; Out. 1998 a Mar. 2000 339 médicos de 45 equipes A prescrição de genéricos aumentou de 2,79% no período pré-intervenção para 17,63% no pós-intervenção. O aumento absoluto foi de 14,84% e o relativo de 15,27%. Antes da intervenção a média de prescrições pelo nome genérico era de 3,12%, durante a intervenção foi de 11,9% e após a intervenção aumentou para 20,25%.
CBA
Scott et al., 200737; EUA Clínicas de atenção primária Implementação de sistema automatizado de fornecimento de amostra de medicamentos genéricos complementado com informações detalhadas (sobre copagamento, informações baseadas em evidencia sobre substituição, equivalência química e expiração da patente); 2003 a 2006 2005: 64 clinicas 301 prescritores; 2006: 168 clinicas, 631 prescritores Medidas de Baseline: Taxa de medicamentos genéricos dispensados (TGD) em ambos os grupos foi 47,8%. Após primeiro ano: no grupo intervenção, a TGD teve aumento absoluto de 7,5 p.p. (de 47,8 para 55,3%) e, no grupo controle, de 6,3 p.p. (47,8% para 54,1%). A diferença absoluta entre os grupos participante e não participantes no primeiro ano de acompanhamento foi de 1,2 p.p. No segundo ano, a diferença caiu para 0.8 p.p. (59,9% para grupo intervenção e 59,1% no grupo controle).
Incentivos financeiros com impacto no uso pelo usuário de genéricos em relação aos de referência
CBA
Dunn et al., 20064; EUA Clínicas de saúde mental do plano de saúde Introdução de um programa Generic Start! Program com incentivos financeiros aos genéricos no sistema de co-pagamento 3-tiered; jan. 2004 dez 2005 Intervenção; 440 mil membros da HMO; Controle: 500 mil membros da HMO A prescrição de genéricos aumentou 20 p.p. (32,5% para 52,5%) no grupo intervenção e 7,4p.p. no grupo controle (24,9 para 32,3%) entre 2004 e 2005, caracterizando aumento relativo de 61,5% no grupo Intervenção e 29,7% no grupo controle.
Prescrição eletrônica com impacto no uso pelo usuário de genéricos em relação aos de referência
CBA
Fischer et al., 201438; EUA Centro médico universitário Prescrição eletrônica que traz o genérico em destaque; Out2003 a Mar 2004 Intervenção: 35.651 médicos; Controle: 1.198 médicos Genérico igual a “Tiers 1”. Baseline: a proporção de prescrições de genéricos no grupo controle foi de 53,2% e no grupo controle de 54,8%. Após a intervenção: 61,4% das prescrições eletrônicas eram genéricos, representando aumento proporção de prescrição de genéricos de 6,6% (IC95% 5,9% - 7,3%) comparado ao aumento de 2,6% (IC95% 2,5 - 2,7%) no grupo controle.
ITS
Stenner et al., 201039; EUA Hospital Prescrição eletrônica que traz o genérico em destaque; Jul. 2005 a Set. 2008 demais de 1,1 milhão de prescrições eletrônicas A proporção de genérico aumentou após a intervenção de 32,1% para 54,2% (um aumento de 22.1% IC95% 21.9% - 22.3%). No grupo de controle a proporção de prescrições de genéricos foi de 29,3%, 31,4% e 37,4% no período pré-intervenção, pós-intervenção e final de estudo, respectivamente).
Reforma Gerencial com impacto no uso pelo usuário de genéricos em relação aos de referência
CBA
Bradlow & Coulter, 199340; Reino Unido Clínica médicas Reforma no NHS (introdução do teto orçamentário para os prescritores); 1990/1 - fase 1; 1991/2 - fase 2 Intervenção: clínicas com orçamento fixos; Controle: clínicas sem orçamento fixo. O percentual de genéricos prescritos nos dois períodos do estudo Fase 1 – com teto orçamentário dispensador - 26,9% sem teto orçamentário não dispensador - 46,5%. Fase 2 - Orçamento fixo dispensador - 34,5% [aumentou 7,6% (IC95% 7,2 - 8,0)] e controle - 46,6% [aumentou 0,1% (IC95% -0,2 - 0,4)].

a Ensaios clínicos randomizados (RCT), ensaios controlados não-randomizados (NRCT), estudos controlados tipo antes e depois (CBA), séries temporais interrompida (ITS) e estudos de medidas repetidas (RMS); d Lopez-Picazo Ferrer et al.32 aparece duas vezes na tabela, pois apresenta duas intervenções: educativa e de incentivo financeiro.

Avaliação da qualidade da evidência

O escore da qualidade das evidências foi avaliado por consenso entre os autores, utilizando os graus segundo o Working Group Grades of Evidence (GRADE), ferramenta sugerida pela Cochrane21,22 que avalia o delineamento, o risco de viés, a inconsistência, a evidência indireta, a imprecisão e o conflito de interesse (Quadro 2). Cada característica analisada recebe uma pontuação conforme a qualidade dos artigos. A soma da pontuação de cada avaliação gera o escore de qualidade da evidência (classificado como muito baixo, baixo, moderado ou alto), o qual foi fornecido para o grupo de estudos de cada intervenção para cada desfecho (Quadro 3).

Quadro 2 Avaliação da qualidade da evidência das intervenções voltadas à promoção do uso de medicamentos genéricos. 

Intervenção Educativa
População dos estudos Médicos e usuários em geral, afiliados de um mesmo plano de saúde
Contexto Países de renda alta e média alta; Países de IDH alto
Intervenção Intervenção educativa com foco no prescritor, farmacêuticos ou nos usuários
Comparação Ausência de intervenção educativa
Desfecho Número de estudos Avaliação da Qualidade da Evidência
Risco de Viés Inconsistência Evidência Indireta Imprecisão Conflito de interesse
Mudança no comportamento do prescritor
Prescrição de genéricos 8 (4 NRCT1, 3 CBA2, 1 ITS3) Sério Não sério Sério Não sério Não sério
Prescrição de medicamento de referência 1 (CBA4) Sério Não sério Não sério Não sério Não sério
Mudança no comportamento do farmacêutico
Substituição do medicamento referência por genérico 1 (RCT5) Não sério Não sério Não sério Não sério Sério
Mudança no comportamento do usuário
Substituição do medicamento referência por genérico 1 (NRCT6) Sério Não sério Não sério Sério Não sério
(1) Wensing et al.2009, Niquille et al. 2010, Rausell Rausell et al. 2005; Calvo Alcântara et al. 1999; (2) Wensing et al. 2004, Walker et al. 2002, Sicras Mainar et al. 2005; (3) Lopez-Picazo Ferrer et al. 2002; (4) Mastura & Teng 2008; (5) Knowlton et al. 1994; (6) Sedjo et al. 2009.
Incentivo financeiro
População dos estudos Usuários em tratamento anti-hipertensivo
Contexto País de renda alta; País de IDH alto (EU)
Intervenção Alteração ou introdução no incentivo financeiro
Comparação Gratuidade do primeiro fornecimento de tratamento ou pagamento o valor de mercado
Desfecho Número de estudos Avaliação da qualidade da Evidência
Risco de Viés Inconsistência Evidência Indireta Imprecisão Conflito de interesse
Mudança no comportamento do prescritor
Prescrição de genéricos 3 (1 RCT7, 1 CBA8, 1 ITS9) Não sério Não sério Não sério Não sério Não sério
Mudança no comportamento do usuário
Uso relativo genérico em relação ao de referência 1 (1 ITS10) Não sério Não sério Sério Não sério Não sério
(7) Bhargava et al. 2010; (8) Scott et al. 2007; (9) Lopez-Picazo Ferrer et al. 2002; (10) Dunn et al. 2006.
Prescrição Eletrônica
População dos estudos Médicos
Contexto País de renda alta; País de IDH muito alto
Intervenção Introdução da prescrição eletrônica
Comparação Ausência de prescrição eletrônica
Desfecho Número de estudos Avaliação da qualidade da Evidência
Risco de Viés Inconsistência Evidência Indireta Imprecisão Conflito de interesse
Mudança no comportamento do prescritor
Prescrição de genéricos 2 (1 CBA11, 1 ITS12) Não sério Não sério Sério Não sério Não sério
(11) Fischer et al. 2014; (12) Stenner et al. 2010.
Gerencial (reforma do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido)
População dos estudos Médicos
Contexto País de renda alta; País de IDH muito alto
Intervenção Introdução do Fundholding (teto orçamentário gerido pelo médico)
Comparação Ausência de Fundholding
Desfecho Número de estudos Avaliação da qualidade da Evidência
Risco de Viés Inconsistência Evidência Indireta Imprecisão Conflito de interesse
Mudança no comportamento do prescritor
Prescrição de genéricos 1 CBA13 Sério Não sério Não sério Não sério Não sério
(13) Bradlow et al. 1993.

Quadro 3 Avaliação da qualidade da evidência e sumarização do impacto das intervenções voltadas à promoção do uso de medicamentos genéricos. 

Intervenção Educativa
População dos estudos Médicos e usuários em geral, afiliados de um mesmo plano de saúde
Contexto Países de renda alta e média alta; Países de IDH alto
Intervenção Intervenção educativa com foco no prescritor, farmacêuticos ou nos usuários
Comparação Ausência de intervenção educativa
Desfecho Número de estudos Escore Geral da Qualidade da Evidênciaa Impacto da Intervençãob Comentários
Mudança no comportamento do prescritor
Prescrição de genéricos 8 (4 NRCT1, 3 CBA2, 1 ITS3) Muito baixo Pequeno a médio aumento É incerto o impacto das intervenções educativas no comportamento do prescritor, uma vez que a qualidade da evidência foi baixa, sobretudo pelo alto risco de viés nos estudos considerados, assim como pelo desenho, uma vez que a maioria foi observacional.
Prescrição de medicamento de referência 1 (CBA4) Muito baixo Média redução
Mudança no comportamento do farmacêutico
Substituição do medicamento referência por genérico 1 (RCT5) Moderado Pequeno aumento É provável que o impacto intervenção educativa sobre o farmacêutico apresente efeito, porém este é reduzido.
Mudança no comportamento do usuário
Substituição do medicamento referência por genérico 1 (NRCT6) Baixo Grande aumento A substituição do medicamento referência pelo genérico, ainda que tenha havido grande aumento, a qualidade da evidência foi baixa e há imprecisão do resultado.
(1) Wensing et al. 2009, Niquille et al. 2010, Rausell Rausell et al. 2005; Calvo Alcântara et al. 1999; (2) Wensing et al. 2004, Walker et al. 2002, Sicras Mainar et al. 2005; (3) Lopez-Picazo Ferrer et al. 2002; (4) Mastura & Teng 2008; (5) Knowlton et al. 1994; (6) Sedjo et al. 2009.
Incentivo financeiro
População dos estudos Usuários em tratamento anti-hipertensivo
Contexto País de renda alta; País de IDH alto (EU)
Intervenção Alteração ou introdução no incentivo financeiro
Comparação Gratuidade do primeiro fornecimento de tratamento ou pagamento o valor de mercado
Desfecho Número de estudos Escore Geral da Qualidade da Evidênciaa Impacto da Intervençãob Comentários
Mudança no comportamento do prescritor
Prescrição de genéricos 3 (1 RCT7, 1 CBA8, 1 ITS9) Moderado Pequeno aumento É provável que o impacto intervenções financeiras sobre o prescritor apresente efeito, porém este efeito é reduzido.
Mudança no comportamento do usuário
Uso relativo genérico em relação ao de referência 1 (1 ITS10) Muito baixo Médio aumento O impacto de intervenções financeiras no comportamento dos usuários é incerto, tendo em vista a qualidade da evidência.
(7) Bhargava et al. 2010; (8) Scott et al. 2007; (9) Lopez-Picazo Ferrer et al. 2002; (10) Dunn et al.2006.
Prescrição Eletrônica
População dos estudos Médicos
Contexto País de renda alta; País de IDH muito alto
Intervenção Introdução da prescrição eletrônica
Comparação Ausência de prescrição eletrônica
Desfecho Número de estudos Escore Geral da Qualidade da Evidência Impacto da Intervenção Comentários
Prescrição de genéricos 2 (1 CBA11, 1 ITS12) Muito baixo Pequeno e grande aumento É incerto o impacto das intervenções prescrição eletrônica no comportamento do prescritor, uma vez que a qualidade da evidência foi muito baixa.
(11) Fischer et al. 2014; (12) Stenner et al. 2010
Gerencial (reforma do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido)
População dos estudos Médicos
Contexto País de renda alta; País de IDH muito alto
Intervenção Introdução do Fundholding (teto orçamentário gerido pelo médico)
Comparação Ausência de Fundholding
Desfecho Número de estudos Escore Geral da Qualidade da Evidênciaa Impacto da Intervençãob Comentários
Prescrição de genéricos 1 CBA13 Muito baixo Pequeno aumento É incerto o impacto das intervenções regulatória no comportamento do prescritor, uma vez que a qualidade da evidência foi muito baixa.
(13) Bradlow et al. 1993.

a Escore Geral de qualidade da evidência:

Moderada: É provável que o valor verdadeiro dos efeitos sejam próximos ao encontrado, mas existe a possibilidade de que seja substancialmente diferente. Baixa: O valor verdadeiro do efeito pode ser substancialmente diferente do que foi encontrado. Muito baixa: Estamos incertos quanto ao valor verdadeiro do efeito. b Os impactos das intervenções foram classificados como muito grande, grande, médio, pequeno ou muito pequena.

Os delineamentos foram pontuados de um a quatro, considerando os estudos randomizados os de maior pontuação (4), e as séries temporais interrompidas e estudos de medidas repetidas os de menor (2 ou 1).

Para avaliação do risco de viés utilizou-se ferramenta baseada em domínios21-24, em que uma avaliação crítica é realizada de forma separada para diferentes aspectos do risco de viés de cada delineamento. Para RCT, NRCT e CBA foram avaliados nove domínios: (1) geração de sequência aleatória, (2) ocultação da alocação, (3) medida do desfecho semelhante no grupo intervenção e controle, (4) resultados da linha de base do estudo semelhantes entre controle e intervenção, (5) cegamento dos participantes e profissionais quanto à alocação da intervenção, (6) cegamento de avaliadores dos desfechos, (7) desfechos incompletos, (8) relato de resultados seletivos e (9) outros riscos de viés. Para avaliação do delineamento ITS analisou-se sete domínios: (1) independência da observação em relação a outras mudanças, (2) forma do efeito da intervenção, (3) probabilidade da intervenção afetar a coleta de dados, (4) cegamento dos participantes e profissionais quanto à alocação da intervenção, (5) desfechos incompletos, (6) relato de resultados seletivos e (7) outros riscos de viés. Para cada domínio do risco de viés analisado considerou-se três possibilidades de classificação (baixo, alto ou incerto) (Tabela 1). Após essa avaliação por domínios, o grupo de estudos de cada intervenção, separado por desfechos, recebeu uma classificação única quanto à seriedade do risco de viés24.

Tabela 1 Avaliação do risco de viés dos estudos selecionados sobre intervenções que promovem o uso de medicamentos genéricos. 

a RCT = Ensaios clínicos randomizados; NRCT = ensaios controlados não-randomizados (NRCT); CBA = estudos controlados tipo antes e depois e ITS séries temporais interrompida (ITS)

b Domínios avaliados para RCT, NRCT e CBA: (1) geração de sequência aleatória; (2) ocultação da alocação; (3) medida do desfecho semelhante no grupo intervenção e controle; (4) resultados da linha de base do estudo semelhantes entre controle e intervenção; (5) cegamento dos participantes e profissionais quanto a alocação da intervenção; (6) cegamento de avaliadores dos desfechos; (7) desfechos incompletos; (8) relato de resultados seletivos; (9) outros riscos de viés.

c Domínios avaliados para ITS: (1) independência da observação em relação a outras mudanças; (2) forma do efeito da intervenção; (3) probabilidade de intervenção afetar a coleta de dados; (4) cegamento dos participantes e profissionais quanto a alocação da intervenção; (5) desfechos incompletos; (6) relato de resultados seletivos; (7) outros riscos de viés.

A avaliação da inconsistência refere-se à análise do sentido dos resultados dos diferentes estudos27. Na avaliação da evidência indireta leva-se em consideração a comparabilidade entre os estudos quanto à população, intervenção, medidas de desfecho28. A avaliação da imprecisão leva em consideração as medidas dos desfechos estudados e seus intervalos de confiança29. Por fim, avaliou-se a presença ou não de conflito de interesses.

As avaliações de risco de viés, inconsistência, evidência indireta e imprecisão foram pontuadas como: Não sério (0), Sério (-1) e Muito sério (-2).

A sumarização do impacto das intervenções para promoção do uso de medicamentos genéricos foi realizada de acordo com a proposta da Cochrane34, em que os autores, em consenso, classificaram, heuristicamente, os impactos das intervenções como muito grande, grande, médio, pequeno ou muito pequeno, levando em consideração a magnitude dos efeitos. Estudos que apresentaram, na comparação entre intervenção e controle, ou na comparação entre antes e depois na medida dos desfechos pós-intervenção, as diferenças menores que 5 p.p. foram consideradas de impacto muito pequeno; maior ou igual a 5 e menor que 10 p.p., impacto pequeno; maior ou igual a 10 e menor que 15 p.p., impacto médio; maior ou igual a 15 e menor que 20 p.p., impacto grande; e maior ou igual a 20 p.p., impacto muito grande. (Quadro 3)

A sumarização matemática dos achados não foi realizada pelo fato dos trabalhos apresentarem desfechos com medidas distintas.

Resultados

Foram encontradas 14.265 referências (9.755 no Web of Science, 3.750 no PubMed/Medline e 760 no Lilacs). Dessas, 917 foram excluídas por duplicidade, resultando em 13.348 referências para leitura dos títulos. Após esta etapa, foi realizada a leitura de 285 resumos pelos dois revisores. Destes, 49 referências foram selecionadas para leitura na íntegra. Após a avaliação dos artigos completos, 32 foram excluídos (Figura 1).

Os 17 artigos selecionados foram publicados entre 1993 e 2010, sendo quatorze em inglês e três em espanhol. Todos utilizavam dados secundários de registros de prescrições e de vendas de medicamentos. Um estudo foi conduzido em país de renda média alta16 e 16 em países de renda alta3,17,25,26,30-32,35-42. Os delineamentos selecionados foram dois RCT, cinco NRCT sete CBA e três ITS. As intervenções encontradas foram educativas3,16-18,25,26,30-32,35; de incentivo financeiro4,32,36,37, prescrição eletrônica38,39 e gerencial40. As principais características dos estudos estão sumarizadas no Quadro 1.

A Tabela 1 descreve a avaliação do risco de viés dos estudos selecionados, de acordo com os domínios avaliados. A maioria dos estudos apresenta alto risco de viés por não serem randomizados3,4,16-18,25,26,30-32,35,37-40,42, e não apresentam informações sobre cegamento do grupo intervenção (domínio cinco RCT, NRCT e CBA), classificando como risco incerto de viés neste domínio. Todos apresentam alto risco para outros vieses, principalmente de viés de seleção (domínio nove para RCT, NRCT e CBA e sete para ITS) e baixo risco de viés no domínio cegamento dos avaliadores do desfecho (domínio 6 para RCT, NRCT e CBA).

Intervenções Educativas

Intervenções com impacto no comportamento do prescritor

Entre as intervenções educativas, a maioria visava mudança de comportamento do prescritor em relação ao aumento da prescrição de genéricos3,17,18,25,26,31-32 ou redução da prescrição pelo nome de referência16. Essas intervenções apresentaram pequeno a médio aumento na prescrição de genéricos e redução média na prescrição pelo nome de referência, porém a qualidade da evidência desses estudos se mostrou muito baixa (Quadro 3).

Entre as intervenções educativas com foco em ampliar a prescrição de genéricos, Wensing et al.18 realizaram reuniões periódicas com pequenos grupos de oito a 14 prescritores para informar as taxas de prescrição de genéricos e retroalimentação quanto às boas práticas de prescrição. O grupo intervenção apresentou um aumento de prescrição de 0,75% (IC95% 0,40 – 1,10) do aumento obtido no grupo controle. Enquanto no grupo intervenção aumentou 3,2%, o grupo controle teve incremento de 4,3%. (Quadro 1)

Niquille et al.25, Wensing et al.30, Rausell Rausell et al.17, Calvo Alcántara e Inesta Garcia3, Walker e Mathers26, Lopez-Picazo Ferrer et al.32, Sicras Mainar e Pelaez de Lono31 e Mastura e Teng16 avaliaram o efeito de educação continuada e feedback das prescrições.

Wensing et al.30 avaliaram o feedback das informações de prescrição para 177 prescritores em sessões educativas. Essa intervenção apresentou impacto pequeno [OR 1,10 (IC95% 1,08 – 1,13) ]. Niquille et al.25 avaliaram o efeito de educação continuada e feedback das prescrições para os médicos entre 1999 e 2007, porém, informações sobre medicamentos genéricos foram apresentadas apenas nos últimos quatro anos (2004-2007), os dados mostrados foram para cinco classes de medicamentos, sem dados gerais sobre o efeito da intervenção (Quadro 1).

Rausell Rausell et al.17 avaliaram o efeito de relatórios mensais personalizados contendo indicadores de prescrição, sendo um deles o percentual de genéricos, apresentando diferença significativa (p = 0,041) entre os grupos intervenção e controle no primeiro período analisado (quatro a seis meses de intervenção), com média de prescrição de genéricos de 3,13% (IC95% 1,79 – 4,47) no grupo intervenção e de 1,81% (IC95% 1,08 – 2,54) no grupo controle. Os resultados se mostraram sustentados após 10-12 meses de intervenção, sendo considerado com impacto médio, embora a qualidade geral da evidência tenha sido muito baixa (Quadro 3).

Walker e Mathers26 realizaram encontros com prescritores, precedidos de relatórios contendo os custos comparativos de prescrição, número de itens e percentagem de genéricos. Neste estudo não se obteve diferença significativa entre os grupos estudados. Calvo Alcantara et al.3 realizaram sessões educativas, relatórios de prescrições e, ainda, distribuíam a lista de medicamentos genéricos selecionados, obtendo mudança significativa no comportamento do prescritor.

Sicras Mainar e Pelaez de Lono31 e Mastura e Teng16, após aplicar suas intervenções de feedback sobre prescrições e reuniões, encontraram mudança significativa no comportamento do prescritor (Quadro 1).

Esses trabalhos3,16-18,25,26,30-32 apresentaram pequeno a médio impacto, sempre favoráveis à prescrição pelo genérico, porém com evidência de qualidade muito baixa (Quadros 2 e 3).

Intervenções com impacto no comportamento do farmacêutico

Knowton e Knapp33 avaliaram o impacto de encontros de farmacêuticos sobre atenção farmacêutica, uso racional de medicamentos e orientação em farmácias comunitárias. Os encontros eram para ensinar aos farmacêuticos como ajudar seus pacientes na conversa com os prescritores sobre a escolha entre medicamentos de marca ou genéricos. O impacto dessa intervenção foi considerado pequeno, sendo o aumento de 6,3% maior no grupo intervenção quando comparado ao grupo controle. A qualidade geral da evidência sobre a mudança de comportamento do farmacêutico foi moderada (Quadro 2 e 3).

Intervenções com impacto no comportamento do usuário

Sedjo e Cox35 avaliaram a substituição do medicamento referência pelo genérico. Este estudo avaliou a divulgação educacional encorajando o cumprimento do uso de medicamentos para doenças crônicas e para ampliar a aceitação sobre as alternativas dos medicamentos genéricos. Apesar desta intervenção educativa ter mostrado grande aumento no impacto, a qualidade dessa evidência foi considerada baixa, pois o intervalo de confiança dos achados foi considerado amplo (ORaj = 29,82 IC95% 4,41-201,93) (Quadros 1, 2 e 3).

Intervenções de incentivo financeiro

Intervenções com impacto no comportamento do prescritor

Lopez-Picazo Ferrer et al.32 realizaram intervenção educativa e de incentivo financeiro. Esse estudo indicou aumento absoluto de 14,8 p.p. nas prescrições de genéricos após intervenção (de 2,79% para 17,63%), sendo o seu efeito classificado como de impacto médio (Quadro 3).

Bhargava et al.36 e Scott et al.37 realizaram intervenções financeiras sobre o prescritor. Os sujeitos do estudo de Bhargava et al.36 foram prescritores da atenção básica, os quais receberam informações detalhadas e vouchers de medicamentos genéricos para entregar aos usuários. Nesse estudo, o efeito estimado do voucher sobre a taxa de dispensação foi um aumento de 1,77 p.p. (p = 0,047), sendo considerada de impacto muito pequeno (Quadro 1 e 2).

Scott et al.37 avaliaram a implementação de um sistema automatizado de fornecimento de amostras de medicamentos genéricos em consultórios, em conjunto com informações detalhadas sobre os genéricos. O grupo intervenção apresentou aumento de 7,5 p.p na taxa de medicamentos genéricos dispensados enquanto o controle aumentou 6,3 p.p. A diferença no primeiro ano de acompanhamento foi de 1,2 p.p. e no segundo caiu para 0,8 p.p. caracterizando impacto pequeno, apesar da qualidade geral da evidência ser moderada (Quadro 2).

Intervenções com impacto no comportamento do usuário

O incentivo financeiro realizado por Dunn et al.4 foi considerado de médio impacto, porém a qualidade da evidência foi muito baixa (Quadro 2). Nesse trabalho foi avaliada a introdução de um programa de incentivo aos genéricos.

Intervenção através de prescrição eletrônica

Intervenções com impacto no comportamento do prescritor

Fischer et al.38 e Stenner et al.39 avaliaram a prescrição eletrônica como intervenção. Em ambos estudos o sistema eletrônico de prescrição apresentou o medicamento genérico destacado, dando ao prescritor opção de escolha. Fischer et al.38 avaliaram a proporção de medicamentos em cada um dos três grupos de copagamento para medicamentos do sistema de saúde americano. O aumento da proporção de genéricos prescritos após a intervenção foi de quatro p.p., sendo considerado de impacto muito pequeno. No estudo de Stenner et al.39 a proporção de genéricos aumentou de 32,1% para 54,2% no grupo que utilizou o sistema eletrônico e de 29,3% para 31,4% no grupo controle (Quadro 1), sendo considerado de grande impacto (aumento de 22 p.p) e qualidade da evidência muito baixa (Quadro 3).

Intervenção gerencial

Intervenções com impacto no comportamento do prescritor

Esta intervenção ocorreu a partir da reforma do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS)40 que possibilitou que os médicos fossem responsáveis por parte do orçamento, recebendo um teto orçamentário para gerenciar (Fundholding). A proporção de medicamentos genéricos prescritos por médicos de clínicas que recebem esse teto orçamentário foi comparada com a de clínicas que não recebem. Após a intervenção, o grupo intervenção aumentou 7,6% (IC95% 7,2 -8,0) enquanto o controle aumentou apenas 0,1% (IC95% -0,2 a 0,4) (Quadro 1). Essa intervenção apresentou um impacto pequeno e a qualidade da evidência foi classificada como moderada (Quadro 2 e 3).

Discussão

As intervenções educativas foram as mais frequentes nesta revisão, assim como na realizada por Babar et al.1. Estas são bastante utilizadas para promover mudanças de comportamento, porém, nos estudos analisados, o impacto se mostrou pequeno, o que pode ter ocorrido devido à baixa qualidade das evidências. Nessas intervenções, embora apresentem mudança significativa no comportamento dos sujeitos, as proporções de aumento de genérico não foram expressivas, não passando de 22 p.p. A diferença na magnitude dos estudos pode ser devido à diferença no contexto dos mesmos, tipo de usuário e as especialidades médicas envolvidas3,17,18,26,31.

Todos os estudos foram realizados em países de renda média alta ou alta e utilizaram dados secundários. Esses países possuem registros de saúde, incluindo os de prescrição, que são confiáveis e podem ser rapidamente utilizados para avaliar e/ou monitorar intervenções. Além disso, a maioria trabalha com prescrições eletrônicas e sistemas de dispensação e copagamento interligados, que facilitam o acesso aos resultados de intervenções e o monitoramento das prescrições43.

Os estudos selecionados foram realizados entre 1993 e 2010, demonstrando carência de estudos atuais focados em ampliar o uso de genéricos, indicando maior preocupação quando estes foram implementados. Porém, alguns países ainda apresentam baixa proporção do mercado ocupada pelos genéricos quando comparado a outros6, sugerindo a necessidade de intervenções para ampliação da sua utilização.

A qualidade da evidência apresentada pelos estudos foi muito baixa ou baixa, demonstrando a necessidade de pesquisas melhor delineadas e executadas para melhorar a qualidade das evidências apresentadas3. Babar et al.1 realizaram uma revisão narrativa, não tendo sido realizada avaliação de qualidade. Já Moe-Byrne et al.20 avaliaram a qualidade de alguns destes estudos, porém foi apenas uma avaliação narrativa, e não do impacto através da sumarização dos dados, como apresentado na presente revisão.

A maioria dos estudos ocorreu em ambiente hospitalar ou clínicas de atenção primária, sendo a prescrição de medicamento genéricos um dos indicadores de qualidade da prescrição avaliados18,30. Apesar de não ter sido apresentado aumento expressivo da prescrição de genéricos, este é um indicador importante no contexto hospitalar, pois também é utilizado como indicador de gastos, uma vez que a substituição por medicamentos genéricos leva à redução das despesas44-46. Medidas que ajudem a frear o aumento dos custos com saúde originados pelos medicamentos são necessárias, e a substituição pelos genéricos é uma delas1.

Estudos como os de Bhargava et al.36 e de Sedjo e Cox35, realizados no contexto dos EUA, país que lançou os medicamentos genéricos e apresenta altas taxas de utilização dos mesmos, reforçam sua qualidade e confiabilidade, contribuindo para o contínuo aumento da sua utilização.

Outra importante reflexão é sobre a polissemia da definição dos medicamentos, pois diferentes países adotam definições diversas11 e a maioria dos estudos aqui analisados não trazem a definição de medicamentos genéricos, podendo levar a uma interpretação equivocada sobre a substituição, utilização e prescrição destes.

Entretanto, analisando as políticas de medicamentos e as definições de genéricos utilizadas em cada um dos seis países de origem dos estudos dessa revisão, observou-se que os mesmos adotam definições semelhantes, sendo considerados assim aqueles que apresentam o mesmo princípio ativo, mesma forma farmacêutica, dose, concentração, via de administração que o medicamento referência, buscando garantir sua qualidade e segurança47-49.

No estudo de Dunne et al.50, o conhecimento sobre os genéricos, tanto para farmacêuticos quanto para prescritores, foi levantado várias vezes nas entrevistas. Sendo assim, a crença de que adequado conhecimento dos profissionais de saúde e da população em geral é um aspecto essencial da aceitação e melhora da utilização destes50.

Quanto ao incentivo financeiro aplicados aos usuários, Schafheutle et al.51 sugerem que a maioria dos usuários são, em maior ou menor grau, custo-conscientes quando se trata de gerir a sua condição e seus medicamentos. Isto ocorreria sobretudo com aqueles que necessitam pagar pela dispensação de suas prescrições. Neste sentido, a dimensão do custo torna-se um fator importante51. Intervenções que apliquem incentivos financeiros podem promover a substituição ampliando o uso de medicamentos genéricos. Porém, cabe destacar que a indústria farmacêutica e os planos de saúde de alguns países podem ter grande influência sobre políticas que favoreçam a utilização de medicamentos genéricos52-55.

Dois estudos avaliaram a prescrição eletrônica como intervenção para ampliar o uso dos genéricos38,39, o fato do nome destes estar disponível como primeira escolha, bastando ser selecionado para compor a prescrição, pode não só aumentar sua prescrição como também melhorar a qualidade da mesma. Em muitos hospitais há disponibilidade da prescrição eletrônica, mas sem destaque para os medicamentos genéricos. Esta intervenção, aparentemente simples e de baixo custo, poderia ser implementada nestes serviços de saúde com o objetivo de melhorar a prescrição.

Apenas um estudo com intervenção gerencial foi incluído na revisão40. Este tipo de intervenção, apesar de ser aplicada aos prescritores e dispensadores, é mais abrangente, podendo atingir maior número de profissionais, mudando o comportamento da prescrição. Esta intervenção permitiu ao prescritor gerenciar parte dos custos da unidade de saúde, incluindo os medicamentos. Parte do valor poupado era revertido em reembolso para o próprio prescritor, sendo assim, essa estratégia induz à prescrição de genéricos devido ao seu menor custo40.

Um dos critérios para escolher as bases de dados analisadas foi a viabilidade de acesso pelos autores. O que pode ter deixado de fora algumas bases relevantes, como SCOPUS. No entanto, as bases consultadas têm bastante abrangência na temática estudada.

Finalmente, não foi realizado recálculo dos resultados para padronização das medidas de desfecho, pois a heterogeneidade da apresentação dos resultados impossibilitou a sumarização matemática dos achados.

Conclusão

Nesta revisão observou-se carência de estudos com metodologia robusta para julgar o impacto das intervenções que vem sendo aplicadas com o objetivo de aumentar o uso, a prescrição ou a dispensação dos genéricos. Ainda, os poucos estudos existentes apresentaram impacto pequeno e baixa qualidade das evidências.

A maioria dos estudos analisados abordaram intervenções que envolveram, direta ou indiretamente, a questão do menor preço dos genéricos, destacando preocupação com os gastos com medicamentos.

Ressalta-se a carência de estudos conduzidos em países de renda média e baixa e recentes. Este tema desperta interesse, uma vez que foram identificadas três revisões recentes, embora com enfoques diferentes, todas demonstraram interesse em analisar o que vem sendo realizado para ampliar a utilização dos genéricos.

Dessa forma, destaca-se a necessidade de intervenções bem delineadas, sobretudo em países de renda baixa e média, que permitam a obtenção de evidências mais claras.

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Recebido: 26 de Outubro de 2016; Aceito: 10 de Abril de 2017; Revisado: 12 de Abril de 2017

Colaboradores

MC Guttier realizou a busca e seleção dos artigos e redigiu o manuscrito. MPT Silveira realizou a seleção dos artigos e revisou o manuscrito. VL Luiza contribuiu para a seleção e ajudou a elaborar o manuscrito. AD Bertoldi ajudou a redigir o manuscrito. Todos os autores leram e aprovaram o manuscrito final.

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