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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.22 no.9 Rio de Janeiro Sept. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232017229.12762017 

ARTIGO

A prática de bullying entre escolares brasileiros e fatores associados, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015

Flávia Carvalho Malta Mello1 

Jorge Luiz da Silva1 

Wanderlei Abadio de Oliveira1 

Rogério Ruscitto do Prado2 

Deborah Carvalho Malta3 

Marta Angélica Iossi Silva1 

1Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP). Av. Bandeirantes 3900/72, Vila Monte Alegre. 14040-902 Ribeirão Preto SP Brasil. flaviamalta@usp.br

2Faculdade de Medicina, USP. São Paulo SP Brasil.

3Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte MG Brasil.

Resumo

O estudo objetivou verificar associações entre a prática de bullying com variáveis sociodemográficas, de saúde mental e de comportamentos de risco em escolares. O inquérito, de corte transversal, analisa dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2015). Foi realizada análise de regressão logística múltipla para verificar fatores associados à prática de bullying. O autorrelato de praticar bullying foi referido por 19,8% (IC95% 19,5-20,0) dos estudantes. A prática foi mais frequente entre os que estudam na escola privada, cujas mães têm maior escolaridade, moram com os pais, os quais trabalham. Entre as características da saúde mental foi mais frequente a prática de bullying entre os que relatam solidão, insônia e não ter amigos. Dentre as características da família, os que relatam apanhar de familiares e os que faltam as aulas sem comunicar a família praticam mais bullying. A prática de bullying foi mais frequente em quem relata uso de tabaco, álcool, experimentar drogas e em escolares que relatam ter tido relação sexual. Neste cenário, os dados indicam que a prática do bullying é aspecto relevante que interfere no processo ensino-aprendizagem e na saúde dos escolares. Tornando-se necessário enfrentar no contexto da intersetorialidade e do protagonismo juvenil.

Palavras-Chave: Bullying; Adolescentes; Praticar bullying; Álcool; Tabaco

Introdução

O bullying se configurou nos últimos anos em um grave problema de saúde pública que afeta crianças e adolescentes em idade escolar1,2. É um fenômeno caracterizado por comportamentos agressivos intencionais e repetitivos, baseado em relações com desequilíbrio de poder3. Inclui-se entre suas formas de manifestação as violências: física (bater ou chutar um colega, por exemplo); verbal (uso de apelidos que humilham, insultos ou xingamentos); e psicológica (amedrontar, perseguir, intimidar ou chantagear, entre outros comportamentos)3-5.

A prevalência do bullying escolar no mundo é grande. Recentemente, um grande inquérito epidemiológico envolvendo 79 países identificou que, aproximadamente, 30% dos estudantes apresentam relatos de vitimização por bullying nas escolas6. Esse inquérito também verificou relatos de quatro ou mais episódios de agressões físicas entre 10,7% dos meninos e 2,7% das meninas, no ano anterior à pesquisa6. Nos Estados Unidos, país com forte tradição na pesquisa sobre o fenômeno, a 2009 Massachusetts Youth Health Survey revelou que 8,4% de uma amostra de 2.948 estudantes do ensino médio haviam praticado algum tipo de agressão contra os colegas7. Na Europa, em países como Portugal e Itália, as taxas de prevalência de estudantes envolvidos em situações de bullying chegaram a 27,5% e 35%, respectivamente8,9.

Na América Latina, o fenômeno também tem sido alvo de investigações, nos diferentes países, e segundo a literatura científica há um incremento de suas formas de manifestação que assumem aspectos mais severos e reflexos das desigualdades sociais10. Neste sentido, na Nicarágua, um estudo envolvendo 3.042 estudantes identificou que uma prevalência de bullying de 50,0%, sendo que 6,0% foram identificados como agressores11. Dados do Estudio Nacional de Prevención y Consumo de Drogas en Estudiantes de Secundaria de Perú verificaram uma prevalência de agressão autorreferida de 37,5% em uma amostra de 65.041 estudantes peruanos12.

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), em suas duas primeiras edições, também verificou taxas crescentes de envolvimento dos estudantes brasileiros em situações de bullying, sendo que 5,4% dos estudantes relataram o ter sofrido nas capitais brasileiras em 2009 e 7,2% em 201213-16.

Diante desse cenário, observa-se que o aumento nas taxas de prevalência desse tipo de violência na escola no continente indica que ela está se tornando mais sistemática e aceita como a norma para as relações sociais e as maneiras de resolver conflitos entre crianças e adolescentes17. Além disso, percebem-se lacunas na literatura científica, sobretudo no que se refere ao papel dos estudantes identificados como agressores nas situações de bullying, pois a maioria dos estudos possuem foco na vitimização e no relato das experiências das vítimas18,19.

Essa abordagem sobre o papel dos agressores é importante na medida em que se compreende que eles também sofrem as consequências do fenômeno e contribuem com a sua manutenção nos ambientes escolares. Esses estudantes também apresentam problemas de aprendizagem e podem iniciar a vida sexual precocemente, consumir álcool e outras drogas, participar de gangues e outros movimentos negativos em relação à escola e seus membros, adotar condutas infracionais e, na idade adulta, podem se envolver em situações de criminalidade e violência doméstica18-21.

Em geral, estudos indicam que os comportamentos antissociais e o uso de álcool e outras drogas são associados à prática de bullying22,23. Além disso, os agressores podem apresentar dificuldades emocionais, relações problemáticas com colegas e dificuldades na adaptação ao ambiente escolar18.

Esses aspectos justificam análises sobre o papel do agressor na dinâmica do bullying e quais as variáveis interferem no processo ensino-aprendizagem e na saúde desses escolares ou se relacionam ao comportamento agressivo. Dessa forma, este estudo objetivou verificar associações entre a prática de bullying com variáveis sociodemográficas, de saúde mental e de comportamentos de risco para a saúde no contexto da terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2015)24.

Metodologia

O estudo analisou dados da PeNSE 2015, inquérito de corte transversal realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, entre escolares matriculados e frequentando regularmente escolas públicas e privadas no país no 9º ano escolar. A Amostra de escolares do 9º ano ensino fundamental é representativa de Brasil, 27 Unidades Federadas, municípios das capitais e Distrito Federal24.

Participaram da amostra em 2015, 124.227 alunos matriculados em 3.160 escolas, e 4.418 turmas. Foram coletados dados de 3.040 escolas, com 4.159 turmas, e eram frequentes 120.122 alunos. No dia da coleta os alunos que de fato responderam ao questionário foram 102.301 alunos. Considerando os escolares frequentes, a perda amostral foi de cerca de 8,5%24.

Foram utilizados três estágios de seleção, no primeiro foram selecionados os municípios ou grupos de municípios (Unidade Primária de Amostragem - UPA), no segundo as escolas (Unidade Secundária de Amostragem - USA), e no terceiro as turmas (Unidade Terciária de Amostragem - UTA). Todos alunos presentes no dia da coleta, nas turmas sorteadas, foram convidados a participar da pesquisa24.

Considerou-se o modelo conceitual de que estão associados à prática do bullying fatores demográficos, fatores relacionados à saúde mental (solidão, insônia, e não ter amigos), situações familiares como (morar com os pais, supervisão familiar, violência familiar, faltar as aulas), comportamentos de risco (uso de substancias psicoativas) e ter tido relação sexual. Alguns fatores como protetores e outros aumentando a chance do evento18.

Assim, foi investigado o desfecho de praticar bullying – segundo a pergunta: (NOS ÚLTIMOS 30 DIAS, você esculachou, zoou, mangou, intimidou, ou caçoou de algum dos seus colegas na escola, tanto que ele ficou magoado, aborrecido, ofendido ou humilhado?). SIM ou NÃO.

Foram testadas associações com as seguintes variáveis:

I) No módulo de características sociodemográficas foram analisadas as seguintes variáveis independentes: a) sexo (categorizada em: masculino e feminino); b) idade (categorizada em: ≤ 13 anos, 13 anos, 14 anos, 15 anos, e 16 anos e mais); e c) cor da pele (categorizada em: branca, preta, parda, amarela, e indígena), Escolas (pública ou privada), escolaridade da mãe (Sem escolaridade, Primário (incompleto/completo), Secundário (incompleto/completo), Superior (incompleto/completo), trabalha atualmente (sim, não), Remuneração pelo trabalho (sim, não).

II) No módulo contexto familiar foram analisadas as seguintes variáveis: a) Morar com mãe e/ou pai – Categorizada como sim (escolares que residem com pai e mãe, residem só com a mãe, ou residem só com pai); ou não (residir sem pai e mãe); b) Supervisão familiar – Categorizada em: sim (na maior parte do tempo, sempre pais ou responsáveis sabiam realmente o que o adolescente estava fazendo); ou não (nunca, raramente, às vezes); c) Faltar às aulas sem autorização – Categorizada em não (nunca); ou sim (1 ou 2 vezes; 3 ou mais vezes nos últimos 30 dias);

III) No módulo de saúde mental foram analisadas como variáveis independentes: a) Sentir-se sozinho – agregada em não (nunca, às vezes nos últimos 12 meses); sim (na maioria das vezes, sempre nos últimos 12 meses); b) Insônia – agregada em não (nunca, as vezes nos últimos 12 meses); ou sim (na maioria das vezes, sempre nos últimos 12 meses); c) Amigos – categorizada como não (nenhum); ou sim: (1, 2, 3, ou mais amigos).

Comportamentos de risco – Uso do tabaco nos últimos 30 dias, ou regular (sim, não), Uso do Álcool regular, uso nos últimos 30 dias (sim, não), Drogas experimentação na vida (sim, não). Ter tido Relação sexual (sim, não).

Inicialmente, realizou-se o cálculo da prevalência de praticar bullying segundo as variáveis sociodemográficas, variáveis explicativas do contexto familiar, violência familiar, saúde mental, comportamentos de risco e relação sexual. Posteriormente, procedeu-se a análise bivariada, calculando-se os Odds Ratios (ORs) não ajustados, empregando-se regressão logística simples com nível de significância de 0,05. Por último, realizou-se análise de regressão logística multivariada para o desfecho examinado, inserindo no modelo as variáveis independentes que apresentaram associação com o desfecho, calculando-se os ORs ajustados (ORa), com seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%). Para todas as análises foram considerados a estrutura amostral e os pesos para obtenção de estimativas populacionais. Os dados foram analisados com auxílio do pacote estatístico SPSS, versão 20 e empregado o delineamento complexo de amostragem, utilizando módulo de amostragem complexa (CSAMPLE – complex samples).

Os estudantes foram informados sobre a pesquisa, sua livre participação e que poderiam interromper a mesma caso não se sentissem a vontade para responder as perguntas. Caso concordassem, responderam a um questionário individual em um smarthphone sob a supervisão de pesquisadores do IBGE. A PeNSE está em acordo com as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisas do Ministério da Saúde (CONEP/MS), sob Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE).

Resultados

O autorrelato de praticar bullying foi referido por 19,8% (IC95% 19,5-20,0) dos estudantes (Tabela 1), sendo mais frequente no sexo masculino 24,2% (IC95% 23,7-24,8), e aos 14, 15 e 16 anos, de raça preta 21,5% (IC95% 20,0-23,1) e amarela 21,0% (IC95% 19,3-23,0). A prática foi mais frequente entre os que estudam na escola privada, cujas mães têm maior escolaridade, não moram com os pais, os que trabalham (28,1% IC 27,3-28,8) e recebem pelo trabalho. Entre as características da saúde mental foi mais frequente a prática de bullying entre os que relatam solidão, insônia e não ter amigos. Dentre as características da família, os que relatam apanhar de familiares (33,98% IC 33,1-34,6) e os que faltam as aulas sem comunicar a família (28,4% IC 95% 27,9-29) praticam mais bullying. Diferentemente, os que relatam supervisão familiar praticam menos 15,6 IC 95% 15,3-15,9). Dentre os que relatam comportamentos de risco, a pratica de bullying foi mais frequente em quem informa uso de tabaco, álcool, experimentar drogas, bem como em escolares que disseram ter tido relação sexual.

Tabela 1 Prevalência da ocorrência da prática de bullying entre escolares do 9º ano do Ensino Fundamental e OR Bruto, segundo fatores sociodemográficos, variáveis do contexto familiar, saúde mental e comportamentos de risco. Brasil, 2015. 

Variável Praticar Bullying p

% IC (95%) OR IC (95%)


Inferior Superior Inferior Superior
Total 19,8 19,5 20,0
Idade
< 13 16,3 13,0 20,3 0,87 0,66 1,13 0,292
13 18,4 17,5 19,3 1,0
14 19,3 18,5 20,1 1,06 1,02 1,11 0,007
15 21,2 20,3 22,2 1,20 1,14 1,26 < 0,001
16 e mais 21,9 21,1 22,7 1,25 1,18 1,32 < 0,001
Sexo
Masculino 24,2 23,7 24,8 1,74 1,68 1,79 < 0,001
Feminino 15,6 15,3 15,9 1,00
Raça
Branca 19,5 18,2 21,0 1,00
Preta 21,5 20,0 23,1 1,13 1,08 1,19 < 0,001
Amarela 21,0 19,3 23,0 1,10 1,02 1,19 0,018
Parda 19,3 17,9 20,7 0,98 0,95 1,02 0,349
Indígena 20,5 19,1 21,9 1,06 0,97 1,16 0,194
Escola
Pública 19,5 18,9 20,2 1,00
Privada 21,2 20,6 21,9 1,11 1,07 1,16 < 0,001
Escolaridade da mãe
Sem escolaridade 19,5 18,3 20,7 0,90 0,83 0,97 0,004
Primário (incompleto/completo) 19,5 18,8 20,2 0,90 0,86 0,94 < 0,001
Secundário (incompleto/completo) 19,5 18,8 20,3 0,90 0,86 0,94 < 0,001
Superior (incompleto/completo) 21,2 20,7 21,8 1,00
Mora com mãe e ou pai
Não 20,8 19,8 21,9 1,00
Sim 19,7 19,5 20,0 0,94 0,88 1,00 0,044
Trabalha atualmente
Não 18,5 17,9 19,1 1,00
Sim 28,1 27,3 28,8 1,72 1,65 1,79 < 0,001
Remuneração pelo trabalho
Não 18,7 18,0 19,3 1,00
Sim 27,9 27,1 28,7 1,69 1,62 1,76 < 0,001
Sentir-se solitário
Não 19,0 18,4 19,6 1,00
Sim 23,6 23,0 24,3 1,32 1,27 1,37 < 0,001
Insônia
Não 19,0 18,4 19,8 1,00
Sim 25,5 24,7 26,3 1,45 1,39 1,52 < 0,001
Amigos
1 ou mais 19,7 18,5 20,8 1,00
Não tenho 22,3 21,1 23,6 1,18 1,09 1,26 < 0,001
Apanhar (familiar)
Não 17,4 16,8 17,9 1,00
Sim 33,8 33,1 34,6 2,43 2,34 2,53 < 0,001
Supervisão familiar
Não 27,9 27,3 28,5 1,00
Sim 15,6 15,3 15,9 0,48 0,46 0,49 < 0,001
Faltar às aulas
Não 17,2 16,7 17,6 1,00
Sim 28,4 27,9 29,0 1,92 1,85 1,98 < 0,001
Tabaco regular
Não 18,4 17,6 19,3 1,00
Sim 42,4 41,1 43,7 3,25 3,08 3,43 < 0,001
Álcool regular
Não 16,0 15,6 16,5 1,00
Sim 31,9 31,3 32,5 2,46 2,38 2,54 < 0,001
Drogas experimentação
Não 17,9 17,2 18,6 1,00
Sim 38,8 37,8 39,8 2,91 2,78 3,04 < 0,001
Relação sexual
Não 16,3 15,8 16,7 1,00
Sim 29,0 28,4 29,5 2,10 2,03 2,17 < 0,001

Calculou-se OR Bruto (Tabela 2) e na análise multivariada ajustado por todas as variáveis do modelo, permaneceram associados e protetores à prática de bullying, escolares mais velhos, 15 anos (ORa = 0,88 IC 95% 0,82 – 0,94), escolares com 16 anos (ORa = 0,79 IC 95% 0,73 – 0,86), ser do sexo feminino (ORa = 0,55 IC 95% 0,53 – 0,57), ter mães com menor escolaridade: sem escolaridade (ORa = 0,86 IC 95% 0,79 – 0,93), Primário (incompleto/completo) (ORa = 0,93 IC 95% 0,88 – 0,96), Secundário (incompleto/completo) (ORa = 0,93 IC 95% 0,89 – 0,98) e filhos que relatam a supervisão dos pais (ORa = 0,64 IC 95% 0,61 – 0,66). Permaneceram associados e aumentando a chance de praticar bullying estudar em escola privada (ORa 1,25; IC95%:1,18-1,32), trabalhar atualmente (ORa 1,24 IC95% 1,18-1,31), os que relataram sentir-se solitários (ORa 1,12 IC95% 1,06-1,18), com insônia (ORa 1,14 IC95% 1,07-1,21), ter sofrido violência física familiar (ORa 1,81 IC95% 1,72-1,90) e faltar as aulas (ORa 1,37 IC95% 1,31-1,43). Dentre os comportamentos de risco, praticaram mais bullying quem teve uso regular do tabaco (ORa 1,28 IC95% 1,18-1,38), uso regular do álcool (ORa 1,72 IC95% 1,65-1,80), experimentou drogas (ORa 1,47 IC95% 1,38-1,57), teve relação sexual (ORa 1,27 IC95% 1,21-1,33).

Tabela 2 Fatores de risco associados a praticar bullying entre escolares do 9º ano do ensino fundamental. Brasil, 2015. 

Variável ORa IC (95%) p

Inferior Superior
Idade
< 13 0,90 0,65 1,23 0,499
13 1,00
14 1,02 0,97 1,08 0,478
15 0,88 0,82 0,94 < 0,001
16 e mais 0,79 0,73 0,86 < 0,001
Sexo
Masculino 1,00
Feminino 0,55 0,53 0,57 < 0,001
Escola
Pública 1,00
Privada 1,25 1,18 1,32 < 0,001
Escolaridade da mãe
Sem escolaridade 0,86 0,79 0,93 < 0,001
Primário (incompleto/completo) 0,93 0,88 0,98 0,010
Secundário (incompleto/completo) 0,93 0,89 0,98 0,010
Superior (incompleto/completo) 1,00
Trabalha atualmente
Não 1,00
Sim 1,24 1,18 1,31 < 0,001
Sentir-se solitário
Não 1,00
Sim 1,12 1,06 1,18 < 0,001
Insônia
Não 1,00
Sim 1,14 1,07 1,21 < 0,001
Apanhar (familiar)
Não 1,00
Sim 1,81 1,72 1,90 < 0,001
Supervisão familiar
Não 1,00
Sim 0,64 0,61 0,66 < 0,001
Faltar às aulas
Não 1,00
Sim 1,37 1,31 1,43 < 0,001
Tabaco regular
Não 1,00
Sim 1,28 1,18 1,38 < 0,001
Álcool regular
Não 1,00
Sim 1,72 1,65 1,80 < 0,001
Drogas experimentação
Não 1,00
Sim 1,47 1,38 1,57 < 0,001
Relação sexual
Não 1,00
Sim 1,27 1,21 1,33 < 0,001

Discussão

O objetivo deste estudo foi analisar os fatores associados à prática de bullying no Brasil. Os resultados indicaram que cerca de um quinto dos escolares o praticaram. Os agressores eram mais do sexo masculino, estudantes de escolas privadas e filhos de mães com maior escolaridade. Eles relataram mais comportamentos de risco à saúde (consumo de tabaco, álcool, drogas e relação sexual precoce), problemas de saúde mental (insônia e solidão) e falta às aulas, com diferença estatisticamente significativa em relação aos não agressores. No contexto familiar, também se distinguem significativamente dos estudantes não agressores por sofrerem mais violência física. A supervisão familiar mostrou-se protetora de praticar bullying.

A maior prevalência de agressores do sexo masculino é confirmada por outros estudos nacionais e internacionais19,25-28. Uma possível explicação é que, independentemente das diferenças socioculturais entre os países ou regionais dentro de uma mesma nação, os meninos possuem estilos de interação mais agressivos com seus pares em comparação com as meninas29,30. A menor proporção de bullying praticado pelos estudantes mais velhos também se coaduna com a literatura. Uma metanálise recente identificou que os estudantes mais novos se envolvem mais na prática de bullying31. Outros estudos também indicam que as agressões diminuem com a idade, após um pico aos 11-12 anos19,32.

Como todos os participantes desta pesquisa pertencem ao mesmo ano escolar, o resultado indica que os mais velhos não se utilizam de seu maior desenvolvimento físico para intimidar os seus colegas mais novos. Talvez isso ocorra porque eles compreendam melhor a natureza prejudicial do bullying ou porque as agressões por eles praticadas possam ser interpretadas pelos professores como possuindo maior gravidade e assim receberem punições mais severas ou então percebidas pelos colegas como sendo covardia por eles serem mais fortes fisicamente26,33.

Os estudantes das escolas privadas praticam mais bullying em relação aos das públicas. Esse resultado demonstra que se trata de um fenômeno que ultrapassa diferenças socioeconômicas, conforme anteriormente apresentado na edição da PeNSE, realizada no ano de 201218. Outro estudo brasileiro identificou que o bullying era mais praticado pelos estudantes de escolas privadas, embora sem diferença significativa34.

Os resultados referentes à escolaridade da mãe indicaram que quanto maior a escolaridade materna, maiores as chances de o filho ser um agressor. Trata-se de um dado surpreendente, uma vez que se espera que as mães com maior escolaridade possuam mais conhecimentos sobre como educar os filhos, impor limites adequados, supervisioná-los e auxiliá-los em suas necessidades ou dificuldades nas interações com colegas na escola35. Os agressores sofrerem mais violência doméstica, o que é esperado e confirmado por estudos nacionais e internacionais18,36,37. Entretanto, são práticas parentais incompatíveis com as esperadas de mães com maior escolaridade. Por outro lado, a supervisão dos pais mostrou-se protetora da pratica do bullying, semelhante ao descrito na literatura14.

Métodos disciplinares mais punitivos predispõem os estudantes a praticarem bullying38, por eles aprenderam por observação na família a utilizarem estratégias agressivas na resolução de conflitos. Esse padrão de comportamento passa então a se expressar nas relações interpessoais estabelecidas na escola35, o que é preocupante, pois estudos demonstram que os problemas de conduta dos agressores podem se agravar ao longo do tempo e evoluírem para situações de conflito com a lei, por exemplo19,39. Para além dos problemas comportamentais, de modo geral, os agressores também apresentam problemas de desempenho escolar, sentimentos de aversão à escola e problemas de frequência18. Neste estudo ficou confirmado que eles faltam mais às aulas, o que pode indicar que eles possuem atitude negativa em relação à escola ou apresentam outros problemas escolares.

A literatura indica que problemas familiares ou escolares, tais como os apresentados pelos estudantes que praticam bullying deste estudo, os predispõem a desejarem trabalhar, o mesmo acontecendo para aqueles que já apresentam problemas de comportamento e prática de violência40. Isso pode estar ligado à situações socioeconômicas, gerando demandas por contribuir na renda familiar. O trabalho pode oportunizar maior contatos com adultos e maior frequência de comportamentos de risco como o consumo de álcool, tabaco e drogas, dados também identificados por este estudo. Uma investigação desenvolvida nos Estados Unidos identificou maior probabilidade de uso de tabaco, álcool e maconha entre estudantes envolvidos em situações de bullying como agressores e vítimas41. Outro estudo, desenvolvido na Itália, verificou maiores riscos de uso de álcool e tabaco entre estudantes envolvidos no bullying em comparação aos não envolvidos42. Conforme identificado neste estudo, a iniciação sexual precoce e a prática mais frequentemente de atividade sexual na adolescência é um outro comportamento de risco relacionado aos agressores43.

A solidão experimentada em maior proporção pelos estudantes que praticam bullying pode decorrer da rejeição pelos pares que não aprovam as agressões que praticam. De modo geral, crianças e adolescentes agressivos são mais propensos a atribuírem intenções hostis às outras pessoas, buscando mais dominar a interação, em vez de manter relação44. Isso colabora para que os agressores não sejam necessariamente estudantes populares45. Outros estudos indicam a solidão como propiciadora de problemas de saúde mental, tais como ansiedade, depressão e baixa autoestima46,47. Esses dados, juntamente com aqueles referentes à insônia, alertam para a existência de sofrimento psíquico que repercute na qualidade de vida e no desenvolvimento psicossocial saudável dos estudantes agressores.

Algumas limitações deste estudo devem ser observadas, como o fato do inquérito da PeNSE utilizar exclusivamente o autorrelato dos estudantes, o que pode provocar respostas socialmente esperadas e diferenças de interpretação sobre o ato de praticar o bullying ou não. O instrumento usado na coleta de dados também não contemplava questões que diferenciassem os tipos de comportamentos de bullying, o que pode ter dificultado a identificação de práticas mais sutis. Noutra direção, os dados analisados são de origem transversal e, portanto, não indicam relações de causalidade ou de influências diretas das variáveis contempladas no estudo. Neste sentido, mesmo considerando o bullying um fenômeno global, os resultados deste estudo não podem ser generalizados para outros contextos socioculturais que não sejam o brasileiro.

No entanto, tal estudo se propõe a mostrar sua pertinência e relevância em debater e refletir sobre a prática do bullying no contexto escolar, uma vez que tal aspecto interfere no processo ensino-aprendizagem e na saúde dos escolares, bem como da necessidade de enfrentamento deste fenômeno por meio da intersetorialidade.

Conclusão

O estudo teve como objetivo analisar os fatores associados à prática de bullying entre os escolares brasileiros e os resultados indicaram que há uma prevalência de 19,8% de agressores, sendo eles mais do sexo masculino, estudantes de escolas privadas e filhos de mães com maior escolaridade. Além disso, os achados mostraram que os agressores têm mais comportamentos de risco à saúde, tais como, consumo de tabaco, álcool, drogas e relação sexual precoce, além de problemas relacionados à saúde mental (insônia e solidão). Os mesmos faltaram mais às aulas e no contexto familiar, sofreram mais violência física e menos supervisão dos pais.

Evidencia-se que a escola continua sendo um ambiente de produção de violência escolar, entre elas o bullying, o que expõe os escolares a condição de vulnerabilidade tendo como fatores determinantes variáveis pessoais, familiares, escolares, sociais, e culturais.

Entretanto, é consenso que a escola não é a única responsável pela produção de violência, pois trata-se de um fenômeno complexo, dinâmico, multifacetado e multicausal, com raízes também em questões de ordem macrossociais e econômicas. Requerendo, desta forma, enfrentamentos por meio da valorização do protagonismo juvenil, do estímulo à participação social e reflexão, envolvendo alunos, educadores e famílias reconhecendo-os como sujeitos de necessidades e direitos e a saúde e a educação como direitos para a construção da cidadania.

Por conseguinte, ressalta-se que áreas da saúde e da educação, enquanto práticas sociais, necessitam estabelecer uma dimensão cuidadora na perspectiva da promoção à saúde individual e coletiva por meio da prática interdisciplinar e intersetorial.

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Recebido: 20 de Fevereiro de 2017; Revisado: 18 de Abril de 2017; Aceito: 13 de Junho de 2017

Colaboradores

FCM Mello, participou da proposição do estudo, delineamento, análise e interpretação dos dados, preparou a primeira versão do artigo, trabalhou na sua revisão crítica e aprovou a versão a ser publicada. RR Prado, participou da análise estatística, trabalhou na sua revisão crítica e aprovou a versão final a ser publicada. DC Malta, JL Silva, WA Oliveira e MAI Silva, contribuíram na concepção do estudo, análise dos dados, analise crítica, revisão final do texto. Todos os autores aprovaram sua versão final.

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