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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.22 no.10 Rio de Janeiro out. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320172210.17112017 

ARTIGO

Uso de sementes geneticamente modificadas e agrotóxicos no Brasil: cultivando perigos

Vicente Eduardo Soares de Almeida1 

Karen Friedrich2 

Alan Freihof Tygel3 

Leonardo Melgarejo4 

Fernando Ferreira Carneiro5 

1 Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Rodovia Brasília/Anápolis BR 060 Km 09, Gama. 70359-970 Brasília. DF Brasil. vicentalmeida@gmail.com

2 Escola Nacional de Saúde Pública, Fiocruz. Rio de Janeiro RJ Brasil.

3 Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. São Paulo SP Brasil.

4 Associação Brasileira de Agroecologia. Porto Alegre RS Brasil.

5 Fiocruz Ceará. Fortaleza CE Brasil.

Resumo

Culturas geneticamente modificadas (GM) foram oficialmente autorizadas no Brasil em 2003. O presente estudo documental buscou identificar possíveis alterações no padrão de uso de agrotóxicos a partir da adoção dessa tecnologia, considerando um período de 13 anos (2000 a 2012). Foram avaliadas as variáveis: uso de agrotóxicos (kg), uso de agrotóxicos per capita (kg/habitante), uso de agrotóxicos e uso de herbicidas por área plantada (kg/ha) e produtividade (kg/ha). Contrariando as expectativas iniciais de diminuição do uso de agrotóxicos após a introdução de culturas GM, observou-se que o uso total de agrotóxicos no Brasil aumentou 1,6 vezes entre os anos de 2000 e 2012. No mesmo período, destacou-se o uso de agrotóxicos na cultura de soja, aumentando em mais de 3 vezes. As análises estatísticas reforçam baixa correlação entre o consumo de agrotóxicos e herbicidas e a produtividade da soja. Sugere-se que a introdução de culturas GM levou ao aumento no uso de agrotóxicos, com a possibilidade de aumento da exposição humana e ambiental e, consequentemente, aos impactos negativos associados a essas substâncias.

Palavras-Chave: Agrotóxicos; Herbicidas; Soja; Saúde e ambiente

Introdução

A posição do Brasil como um dos maiores produtores mundiais de commodities agrícolas está associada ao aumento no consumo de insumos, em que os agrotóxicos ocuparam, somente no ano de 2014, um mercado de US$12.2 bilhões1. Entre 2000 e 2012, o aumento foi mais que o dobro no uso desses químicos por unidade de área2. Esse fato é preocupante, uma vez que os impactos sobre o meio ambiente e a saúde humana causados pelos agrotóxicos têm sido extensivamente documentados tanto por organizações internacionais como na literatura científica3-7.

Diversos estudos apontam a associação direta entre o consumo global de agrotóxicos e o uso de culturas geneticamente modificadas (GM) resistentes a herbicidas8,9.

Nos Estados Unidos, Benbrook10 revelou que entre 1996 e 2011, o uso de culturas GM levou a um aumento de 183.000 toneladas de agrotóxicos, o equivalente a 7% do total de agrotóxicos utilizados em todas as culturas. Entre 1995 e 2002, o uso do herbicida glifosato na produção de soja aumentou de 2.500 para 30.000 toneladas por ano8. Durante o processo de liberação de culturas GM resistentes ao herbicida 2,4-D, estimou-se que haveria um aumento de 3 a 7 vezes no consumo deste agrotóxico11.

Inicialmente, as culturas GM foram introduzidas no Brasil de forma ilegal, no final da década de 1990, sendo autorizada sua comercialização somente em 200312. Cinco tipos de culturas GM estão autorizadas, mas somente três estão efetivamente em uso: soja, milho e algodão. Embora a manipulação genética possa ter aplicações mais amplas, como o desenvolvimento de medicamentos e alimentos biofortificados, as culturas GM em uso no Brasil atualmente, são basicamente de três tipos: resistentes a herbicidas, resistentes a insetos, ou ambos13,14. Em 2014, quando as vendas de agrotóxicos foram mais elevadas, as áreas cultivadas com culturas GM alcançaram 42,2 milhões de hectares, um aumento de 1306,67% comparado aos 3 milhões de hectares registrados em 200315.

Nesse cenário, este artigo tem como objetivo identificar e caracterizar mudanças nos padrões de uso de agrotóxicos e herbicidas após a adoção de culturas GM no Brasil.

A ênfase na cultura de soja, a principal commodity produzida no país, justifica-se por se tratar de 90% transgênica de acordo com o ISAAA15. O estudo abrangeu o período de 2000 a 2012, que corresponde aos dados estatísticos de consumo de agrotóxicos mais recentes fornecidos pela publicação Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)16. Esse recorte no tempo compreende o período antes e após a adoção de soja milho e algodão GM, permitindo a análise do impacto da adoção das culturas GM sobre a demanda de agrotóxicos.

Métodos

Este estudo consiste de uma pesquisa documental com base no levantamento e na análise de dados secundários sob a abordagem da epidemiologia crítica17,18. O trabalho foi desenvolvido através da sistematização, tabulação e tratamento estatístico de dados agronômicos e demográficos do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG) e IBGE.

Inicialmente calculou-se o crescimento acumulado (∆) e a taxa de crescimento anual composto (TCAC) dos indicadores selecionados para esse estudo: uso total de agrotóxicos, uso de agrotóxicos per capita, uso de agrotóxicos ou herbicidas por unidade de área, uso de agrotóxicos ou de herbicidas por cultura, produtividade por hectare e crescimento populacional no mesmo período. ∆ e TCAC foram calculados como descrito abaixo:

  • (1) ∆ = (Vf / Vi) -1 e

  • (2) TCAC = (Vf / Vi) 1/T-1,

onde Vf e Vi representam, respectivamente, os valores finais e iniciais do período analisado e T a diferença em anos entre os valores finais e iniciais.

Em seguida foi realizada a análise de correlação linear entre uso anual de agrotóxicos ou uso de herbicidas por área e produtividade de cada cultura GM (soja, milho e algodão) no período de 2000 a 2012. O coeficiente de correlação de Pearson (r) foi utilizado para determinar a correlação entre as variáveis: uso de agrotóxicos por área (variável independente) e produtividade (variável dependente). O coeficiente de determinação (R2) foi utilizado para determinar a proporção de variação na produtividade esperada a partir do uso de agrotóxicos por área.

Por fim, análises mais específicas foram realizadas, como mudanças no padrão de uso de herbicida e ganhos de produtividade, voltadas para a cultura de soja. Isso porque a soja GM resistente a herbicida foi a primeira cultura transgênica oficialmente introduzida no Brasil em 2003.

Resultados e Discussão

Durante o período investigado, a quantidade (t) de produtos agrotóxicos formulados usados no Brasil aumentou mais de 2 vezes. A Tabela 1 mostra que o crescimento acumulado (∆) do uso de agrotóxicos foi mais que 3 vezes maior que o aumento de produtividade e mais de 10 vezes maior que o crescimento populacional para o mesmo período. Anualmente, o uso de agrotóxicos per capita aumentou 7%, enquanto a produtividade aumentou apenas 3,5%.

Tabela 1 Crescimento cumulativo (∆) e taxa de crescimento anual composto (TCAC) do uso de agrotóxicos, produtividade agrícola e população no Brasil entre 2000 e 2012. 

Indicadores 2000 2012 TCAC
Uso total de agrotóxicos (t) 313.824 823.226 162,32% 8,37%
Uso de agrotóxicos per capita (kg/habitantes) 1,89 4,24 124,67% 6,98%
Uso de agrotóxicos por área (kg/ha) 6,09 15,97 90,31% 8,37%
Produtividade (kg/ha) 9,70 14,62 50,71% 3,48%
Populaçãobrasileira (habitantes) 166.112.518 193.946.886 16,76% 1,30%

∆ = (Vf / Vi) -1; e TCAC = (Vf / Vi)1/T -1, onde Vf e Vi representam os valores finais e iniciais do período analisado, e T, a diferença de anos entre Vf e Vi.

A Tabela 2 apresenta os dados para as culturas de soja, milho e algodão no Brasil para o período analisado. Houve um aumento de mais de 3 vezes no uso de agrotóxicos na cultura de soja ao longo do período analisado (Tabela 2), enquanto o aumento total no uso de agrotóxicos aumentou 1,6 vezes (Tabela 1). Ademais, o coeficiente de determinação (R2) calculado para o uso de agrotóxicos e produtividade da soja foi 22,73% (Tabela 2) e para uso de herbicidas e produtividade, ambos para soja, foi de 17,82% (Figura 1). A Figura 2 mostra um repentino aumento no uso de herbicidas para a cultura de soja no ano 2003, quando a variedade GM foi autorizada no Brasil. O uso de herbicidas em milho e algodão também aumentou, mas de forma menos pronunciada.

Tabela 2 Padrão de consumo de agrotóxicos por cultura e área e produtividade das principais culturas geneticamente modificadas (GM) no Brasil entre 2000 e 2012. 

Cultura Participação ∆ Uso de agrotóxico por cultura ∆ Uso de agrotóxico por área(a) ∆ Produtividade (b) r R2 (a)/(b)
Soja 44,31% 310,71% 124,15% 9,50% 0,48 22,73% 13,07
Milho 13,07% 137,81% 99,65% 84,61% 0,82 67,71% 1,18
Algodão 7,41% 155,78% 46,22% 41,53% 0,64 41,34% 1,11

Participação é a média da porcentagem de uso de agrotóxicos por culturacom relação ao volume total de agrotóxicos utilizados/consumidos no período estudado (2000-2012).Produtividade representa o volume de produção agrícola por hectare. ∆ = (Vf / Vi) -1; e TCAC = (Vf / Vi)1/T -1, onde Vf e Vi representam os valores finais e iniciais do período analisado, e T, a diferença em anos entre Vf e Vi. O coeficiente de correlação de Pearson’s (r) e o coeficiente de determinação (R2) foram utilizados para avaliar a relação entre produtividade e o uso de agrotóxicos por área.

Figura 1 Uso de herbicidas por área (kg/ha) e produtividade de soja (t/ha) no Brasil entre 2000 e 2012. 

Figure 2 Evolução do uso de herbicidas (t) em soja (■), milho (▲) e algodão (●) no Brasil entre 2000 e 2012. 

A Figura 3 destaca o uso de herbicida por área (kg/ha) e a produção de soja (kg) por kg de herbicida usado. Entre 2000 e 2002, o uso de herbicida por área diminuiu 9%, e a produção de soja por kg de herbicida usado aumentou 18%. No entanto, a partir de 2003 até 2012 o uso de herbicidas por unidade de área cresceu 64%, enquanto que a produtividade da soja por kg de herbicida usado diminuiu 43%. Essa realidade demonstra que, para cada tonelada de herbicida utilizada na cultura de soja a partir de 2003 (com a liberação da soja transgênica), observou-se uma redução de 16,79 toneladas na produção de soja (Figura 3).

Figure 3 Evolução do uso de herbicidas (kg/ha) e de soja produzida por volume de herbicida utilizado (kg/kg) no Brasil. Linhas tracejadas mostram a tendência linear para a produção de soja por herbicida (■) e herbicida por área (▲). 

O crescimento acumulado do uso total de agrotóxicos no Brasil foi maior que a produtividade agrícola geral entre 2000 e 2012. Os dados mostram um aumento de 3,2 pontos percentuais (pp) no uso de agrotóxicos e de 1,78 pp no uso de agrotóxicos por área, mas apenas 1pp de aumento na produtividade no mesmo período (Tabela 1). O crescimento no uso de agrotóxicos observado não foi acompanhado pelo aumento na área cultivada ou pelo crescimento da população brasileira na mesma proporção. Esses achados contradizem alguns estudos15,19 que previam que a introdução de culturas GM reduziria o uso de agrotóxicos.

Uma análise mais detalhada do indicador uso de agrotóxicos por cultura mostrou que somente três, soja, milho e algodão, concentraram 65% do total de agrotóxico utilizado, enquanto a soja, predominante entre as GM, contribuiu para 71% desse volume.

É possível observar ainda que a soja apresenta o maior aumento no uso de agrotóxicos por área cultivada e o menor ganho em produtividade (Tabela 2). O indicador uso de agrotóxicos por área indica que o aumento de 1 pp na produtividade de soja demandou o aumento de 13 pp no uso de agrotóxicos, enquanto que para as culturas de milho e algodão, a proporção foi de aproximadamente 1:1 (Tabela 2). Esses dados sugerem que a modificação genética na cultura de soja não está associada ao crescimento na produtividade, além de contribuir para o aumento no uso de agrotóxicos.

Uma explicação para esses resultados é que a maioria das culturas GM não foi desenvolvida para aumentar a produtividade ou a adaptação edafoclimática, mas para serem resistentes aos herbicidas. Outros estudos demonstraram que alterações nos padrões de uso de herbicida, como o aumento de glifosato (kg/ha) usado, estava associado à adoção da soja GM14,20,21. Um estudo realizado nos Estados Unidos entre 1990 e 2002 também mostrou um aumento no uso de glifosato quando a soja GM foi autorizada no país (1996)8. Essas mudanças não foram observadas para as culturas de milho e algodão, possivelmente pelo fato das variantes GM dessas culturas terem sido comercializadas nos Estados Unidos no final do período investigado, assim como mostrado no presente estudo.

Diversos fatores associados ao cultivo das culturas GM resistentes a herbicidas podem contribuir para o aumento do uso de agrotóxicos e perdas na produtividade, tais como vulnerabilidade biológica, resistência de plantas daninhas, diminuição da fertilidade do solo14,21-30.

Algumas abordagens alternativas também vêm sendo consideradas, como aumento do uso de diferentes herbicidas e o desenvolvimento de culturas resistentes a outros herbicidas31,32. Entretanto, essas alternativas também se mostram preocupantes por conta dos graves efeitos tóxicos para seres humanos e o meio ambiente que podem ser causados por misturas de diferentes herbicidas33,34. É digno de nota que os dois herbicidas mais usados no Brasil2 – glifosato e 2,4-D – foram recentemente classificados como provável e possível carcinógeno, respectivamente, pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC).

Os resultados obtidos no presente estudo estão em concordância com os de pesquisas similares realizados nos Estados Unidos, Argentina e outros países9,10,35,36. Os achados de todos esses estudos sugerem fortemente que a adoção de culturas GM aumentou o uso de agrotóxicos, especialmente herbicidas aplicados na soja, como demonstrado na presente pesquisa sobre o Brasil. Estudos ecológicos realizados no Brasil mostraram a correlação entre o cultivo de soja (toneladas) e a mortalidade por câncer de próstata, e uso de agrotóxicos associados a distúrbios endócrinos37,38. Como vem sendo abordado em outras publicações, dados de uso de agrotóxicos e culturas GM podem ser utilizados como indicadores de exposição humana e ambiental a graves danos e deveriam subsidiar iniciativas públicas de prevenção e mitigação39.

Este estudo sugere que culturas GM contribuíram para o aumento do uso de agrotóxicos no Brasil e, consequentemente, da exposição humana e ambiental a essas substâncias químicas potencialmente perigosas. Portanto, o aumento no uso de agrotóxicos também deve ser levado em conta durante o processo de autorização de culturas GM. Como demonstrado, o uso de agrotóxicos na produção de soja aumentou no período analisado, especialmente após a introdução de sementes GM em 2003. O uso de agrotóxicos por área também aumentou significativamente, indicando uma possível dependência química dessas culturas e descartando a hipótese que culturas GM reduziriam o consumo. Outro aspecto relevante para a soja é que esse aumento não contribuiu positivamente para um aumento na produtividade média. É digno de nota ainda que os dados sobre o uso de agrotóxicos podem servir como indicadores para dar suporte a ações de vigilância como monitoramento de seus resíduos em solo, água e alimentos e aprimorar medidas de diagnóstico e tratamento das intoxicações.

Agradecimentos

A Mathew English (Universidade de Bonn) pela versão em inglês e Antônio da Silva Matos (Observatório Saúde do Campo, Floresta e Águas) e João Paulo Matos Pessoa (Universidade Federal do Ceará) pelo suporte e organização dos dados.

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Recebido: 30 de Maio de 2017; Revisado: 26 de Junho de 2017; Aceito: 13 de Julho de 2017

Colaboradores

VES Almeida trabalhou na concepção e desenho do estudo; e VES Almeida, K Friedrich, AF Tygel, L Melgarejo e FF Carneiro trabalharam igualmente na análise e interpretação dos dados e elaboração e revisão do manuscrito.

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