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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.3 Rio de Janeiro mar. 2018

https://doi.org/10.1590/1413-81232018233.11702016 

ARTIGO

Acessibilidade às Unidades Básicas de Saúde da Família na perspectiva de idosos

Accessibility to Basic Family Health Units from the perspective of the elderly

Dixis Figueroa Pedraza1 

Amanda Manuella Dantas Nobre1 

Francisco José Batista de Albuquerque2 

Tarciana Nobre de Menezes1 

1Departamento de Saúde Pública, Universidade Estadual da Paraíba. Av. das Baraúnas 351, Bodocongó. 58109-753 Campina Grande PB Brasil. dixisfigueroa@gmail.com

2Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq). Brasília DF Brasil.


Resumo

O objetivo deste artigo é avaliar a acessibilidade às Unidades Básicas de Saúde da Família na perspectiva dos idosos em um município do Nordeste brasileiro. Foram coletadas informações socioeconômicas e demográficas dos idosos e sua avaliação acerca da acessibilidade (organizacional, sociocultural e econômica) aos serviços oferecidos pela Estratégia Saúde da Família (ESF). Utilizou-se instrumento validado para avaliar a ESF pelos usuários em municípios paraibanos, o qual foi adaptado à população de idosos. Foi analisada a associação das variáveis socioeconômicas e demográficas com a avaliação da acessibilidade. Para a acessibilidade organizacional, idosos das classes econômicas inferiores apresentaram maior chance de emitir avaliação positiva aos horários de atendimento, e menor chance de avaliação positiva em relação à quantidade de atendimentos por dia e à facilidade em receber medicamentos. As mulheres apresentaram maior chance de avaliar positivamente a consulta com especialistas (acessibilidade econômica). A avaliação dos idosos mostra a existência de barreiras, principalmente na acessibilidade organizacional, que ainda persistem para a procura e a utilização dos serviços.

Palavras-Chave: Avaliação de serviços de saúde; Programa Saúde da Família; Saúde do idoso

Abstract

This article aims to evaluate accessibility to health services from the perspective of the elderly in a city of Northeast Brazil. Socioeconomic and demographic data were collected, and the organizational, socio-cultural and economic accessibility to services offered by the Family Health Strategy (FHS) was assessed. A validated instrument adapted for the elderly population was used to assess the FHS by users in cities in Paraíba. The association of socioeconomic and demographic variables with accessibility was assessed. For organizational accessibility, the elderly of lower economic classes were more likely to give a positive evaluation regarding the opening hours for care, and less likely to give a positive assessment in relation to the amount of people attended per day and the ease to obtain medication. Women were more likely to positively evaluate the consultation with experts (economic accessibility). The evaluation of the elderly shows the existence of barriers, especially in organizational accessibility, which still persist regarding the demand and use of health services.

Key words: Evaluation of health services; Family health program; Health among the elderly

Introdução

O aumento do consumo de serviços de saúde pelos idosos, relacionado ao ritmo acelerado do envelhecimento populacional e à frequente associação da longevidade com condições crônicas de adoecimento e com perdas sociais, afetivas e financeiras, podem acarretar escassez de programas de suporte que atendam às necessidades sociais e de saúde dos idosos1. Dessa forma, faz-se necessário valorizar os idosos como sujeitos de direitos, na tentativa de minimizar suas vulnerabilidades, além de planejar a organização dos serviços de saúde para atender às suas demandas, não ocasionar prejuízos à qualidade dos serviços oferecidos e promover o alcance do envelhecimento saudável1,2.

O Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro tem como responsabilidade garantir o acesso universal aos serviços de saúde3. Entretanto, com as contínuas transformações sociais e epidemiológicas vivenciadas no país, há a necessidade constante de mudanças e adequações nas políticas públicas, com o intuito de reorientar os serviços de saúde às demandas da população4. O Brasil tem investido principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS), com estratégias preventivas e de promoção da saúde. Nesse contexto, a Estratégia Saúde da Família (ESF) incorpora e reafirma os princípios do SUS com o objetivo, entre outros, de favorecer o acesso à assistência em saúde5. Todavia, mesmo após a implantação da ESF para reestruturar o modelo assistencial, permanece o desafio para as políticas públicas de superar as desigualdades de acesso6.

Acessibilidade diz respeito à facilidade em utilizar os serviços de saúde7 e representa o grau de ajuste entre as características dos recursos de atenção à saúde e os da população8. Representa um pré-requisito relacionado à obtenção de cuidado e ao primeiro contato com os serviços9. Dessa forma, a acessibilidade constitui uma dimensão relevante nos estudos sobre equidade dos serviços de saúde e representa uma das principais características da APS8.

No que diz respeito ao planejamento das ações de saúde, este deve garantir a acessibilidade em todas as suas dimensões: geográfica, por meio do gerenciamento da localização das unidades de saúde; organizacional, pela oferta de cuidados adequados às demandas da população; sociocultural, pela adequação aos costumes da população assistida; econômica, pela isenção de pagamento por parte do usuário6.

Uma revisão sistemática10 elencou determinados aspectos que podem influenciar a acessibilidade e utilização dos serviços de saúde pela população idosa brasileira, dentre os quais estão o sexo, o grupo etário, a escolaridade, a situação socioeconômica, a composição familiar, a renda, a capacidade funcional, a autoavaliação da saúde, as necessidades em saúde, o suporte social e as crenças pessoais. Assim, considerando que o idoso apresenta peculiaridades relacionadas ao processo de envelhecimento físico, psíquico e social, as quais podem gerar alterações em seu estilo de vida11, é possível sugerir que os idosos enfrentam importantes barreiras relacionadas à acessibilidade aos serviços de saúde.

Avaliar a acessibilidade com o uso de diferentes abordagens metodológicas é relevante para o conhecimento da realidade local e qualificação dos serviços de saúde10. A qualidade, por sua vez, pode refletir o atendimento das necessidades de saúde e a satisfação com o serviço11.

Assim, visando contribuir para o esclarecimento acerca de fatores socioeconômicos e demográficos que influenciariam a acessibilidade dos idosos aos serviços básicos de saúde, este estudo objetivou avaliar a acessibilidade às unidades básicas de saúde da família na perspectiva dos usuários idosos cadastrados em um município do Nordeste brasileiro.

Métodos

Trata-se de um estudo de base domiciliar, do tipo transversal, com coleta de dados primários, o qual constituiu um desdobramento dos resultados de uma pesquisa mais ampla, realizada em Campina Grande, intitulada “Avaliação multidimensional da saúde dos idosos cadastrados na Estratégia Saúde da Família de Campina Grande/PB e grau de satisfação acerca dos serviços oferecidos”.

Em 2008, o município de Campina Grande possuía população de 381.422 habitantes, com 36.805 idosos. À época da pesquisa, o município possuía sistema de saúde composto por seis distritos sanitários com 63 unidades básicas de saúde da família (UBSF), perfazendo uma cobertura de 73,1% da população. Da população idosa, 23.416 estavam cadastrados nas UBSF.

Incluíram-se no estudo indivíduos com 60 anos ou mais, de ambos os sexos. Foram excluídos indivíduos que apresentavam debilidade clínica grave, sem possibilidades terapêuticas, e idosos ausentes da cidade por tempo maior que o da pesquisa de campo na UBSF. A debilidade clínica foi informada pelos familiares, considerando diagnóstico profissional confirmado pelo entrevistador.

A amostra foi calculada estimando-se uma prevalência dos desfechos de, no mínimo, 25% (Menezes TN, resultados não publicados). O cálculo do tamanho amostral foi realizado a partir da seguinte equação: {[E2 x p (1-p)] x c}/A2. Onde E é o limite de confiança (1,96), c é o coeficiente de correlação amostral (2,1), considerando o procedimento por conglomerado, e A é a precisão aceita (6%) para a prevalência estimada12. A amostra de estudo, assim, foi estimada em 420 idosos.

Para a seleção da amostra foram considerados os seis distritos sanitários do município, sendo sorteada uma UBSF em cada um deles. Após a seleção das UBSF, realizou-se um levantamento do número de idosos nelas cadastrados. A partir daí foi calculada a proporção de idosos por unidade, em relação ao total das seis unidades. Tal proporcionalidade definiu o número de idosos amostrais por unidade. Sendo assim, nas seis UBSF sorteadas foram entrevistadas as seguintes proporções (números) de idosos: 9,6% (40), 11,4% (48), 14,5% (61), 8,6% (36), 43,3% (182) e 12,6% (53), totalizando os 420 idosos da amostra. Em cada UBSF, procedeu-se ao sorteio sistemático de idosos com a elaboração de uma lista com os nomes de todos os idosos cadastrados. O número a ser saltado, até chegar ao próximo idoso da lista a ser entrevistado, foi definido a partir da razão entre o número total de idosos cadastrados e o número de idosos determinados para serem entrevistados naquela UBSF. Como o cálculo foi proporcional, então o número de saltos na lista foi o mesmo em todas as UBSF.

O trabalho de campo foi realizado no período de agosto de 2009 a maio de 2010. A coleta dos dados foi realizada nos domicílios dos idosos, por três duplas de entrevistadores, devidamente treinados para este fim. Em caso da não aceitação do idoso em participar da pesquisa, o mesmo era substituído pelo idoso subsequente, considerando a seleção sistemática e mantendo o tamanho da amostra invariável.

No que se refere a este estudo, foram coletadas informações sobre sexo (feminino, masculino), grupo etário (60 a 69 anos, 70 a 79 anos, 80 anos ou mais), nível socioeconômico (A/B, C, D/E), número de residentes no domicílio (sozinho, 2, 3 a 5, 6 ou mais) e a avaliação do idoso acerca da acessibilidade aos serviços oferecidos pela ESF.

O nível socioeconômico (NSE) de cada idoso foi verificado por meio da utilização de um questionário considerando informações sobre o grau de instrução e itens de posse da família13. Cada dado gera uma pontuação cujo somatório corresponde a uma determinada classe econômica (A1, A2, B1, B2, C, D, E). As pontuações e as classes correspondentes foram: A1 (30 a 34 pontos), A2 (25 a 29 pontos), B1 (21 a 24 pontos), B2 (17 a 20 pontos), C (11 a 16 pontos), D (6 a 10 pontos), E (0 a 5 pontos). Para fins estatísticos, a classificação do nível socioeconômico de cada idoso foi redefinida nas seguintes categorias: A/B, C e D/E.

Para a avaliação da acessibilidade às UBSF foram utilizadas 14 perguntas extraídas de um instrumento validado, por conteúdo e construto14, composto por 71 questões dicotômicas, com alternativas de respostas sim e não. Essas 71 questões são divididas em três categorias: acessibilidade, estrutura de atendimento e encaminhamento ao sistema de referência, cada uma com suas respectivas subcategorias. A categoria acessibilidade apresenta as subcategorias sociocultural, econômica, geográfica e organizacional. As subcategorias da categoria estrutura do atendimento são: eficiência, resolutividade e humanização. A categoria encaminhamento ao sistema de referência apresenta as seguintes subcategorias: para especialista, para exames clínicos, para hospitalização.

O instrumento foi, primeiramente, adaptado pelos autores deste estudo para sua aplicação aos idosos. Esta adaptação foi realizada com a exclusão das perguntas que dificultariam direcioná-las às especificidades da realidade do idoso pela utilização de termos abrangentes como “não vale nada”, “não resolve nada”; perguntas não aplicáveis à população idosa; perguntas relacionadas ao atendimento hospitalar, distantes do objetivo do estudo; e perguntas sobre procedimentos específicos e esporádicos, dependentes da demanda.

O referido instrumento foi submetido à análise fatorial exploratória com o objetivo de analisar o seu comportamento, considerando o poder de explicação de cada pergunta em relação ao conjunto. Para esses fins, procedeu-se à extração dos fatores pelo método dos componentes principais, baseada no critério de rotação varimax. Em regra geral, espera-se selecionar fatores que representem um percentual de explicação da variância total maior que 60. Cada fator é composto por variáveis com suas respectivas cargas fatoriais. Quanto maior a carga fatorial maior a influência de cada item na constituição do fator15.

O índice de Kaiser-Meyer-Olkin foi usado para avaliar a adequação da análise fatorial. Este índice pode resultar em valores de 0 a 1. Valores altos indicam que a análise fatorial é apropriada, enquanto valores abaixo de 0,5 indicam que a análise fatorial é inadequada, sendo aceitos valores iguais ou superiores a 0,6. Valores entre 0,7 e 0,8 indicam moderada correlação entre os dados. Além disso, o teste de Esfericidade de Bartlett foi usado para examinar a hipótese de que as variáveis não fossem correlacionadas na amostra e de que a matriz de correlação original fosse uma matriz de identidade. Resultados com p menor que 0,05 mostram que a matriz de correlações não é uma matriz de identidade, e que, portanto, há relações entre as variáveis que se espera incluir na análise15.

As perguntas selecionadas por terem maior carga fatorial foram analisadas, determinando-se as frequências de avaliações positivas e negativas bem como sua categorização por aspecto teórico que avalia (oferta, acessibilidade ou utilização). Para a determinação das frequências, as respostas (sim ou não) dos idosos às perguntas foram classificadas como avaliação positiva ou negativa de acordo com o esperado, a partir das diretrizes da ESF em relação aos serviços a serem oferecidos. Nota-se que em algumas perguntas, quando o idoso responde sim, na realidade ele está avaliando negativamente o aspecto em questão. Da mesma forma, quando o idoso responde não, a avaliação é positiva.

Neste estudo, foram analisadas as perguntas classificadas como acessibilidade. Nesse sentido, considerou-se acessibilidade a capacidade dos serviços de saúde em responder às necessidades de saúde (facilidade em utilizar os serviços de saúde)16. Cabe destacar que o acesso representa um dos atributos essenciais da APS cuja garantia relaciona-se às condições existentes para que se atinja a atenção ao primeiro contato9,16, justificando-se, assim, a escolha do termo acessibilidade no lugar de acesso. Para a análise da acessibilidade, foram utilizadas as seguintes dimensões: organizacional (obstáculos que se originam nos modos de organização dos recursos de assistência à saúde), sociocultural (apreciação dos fenômenos que determinam a busca de assistência à saúde tais como: percepção sobre o corpo e a doença, crenças relativas à saúde, tolerância à dor e credibilidade nos serviços de saúde, dentre outros)17 e econômica (facilidades e dificuldades na obtenção do atendimento como a forma e custos derivados do deslocamento, procedimentos e obtenção de medicamentos)18.

O banco de dados foi elaborado utilizando-se o aplicativo Microsoft Office Excel 7.0. As análises estatísticas foram obtidas por meio do programa estatístico SPSS 17.0. A análise de associação entre a acessibilidade e o sexo, grupo etário, nível socioeconômico, e número de residentes no domicílio dos idosos foi realizada por meio de regressão logística bivariada, para cálculo dos odds ratios (OR) brutos, com intervalo de confiança (IC) de 95%.

O projeto do qual este estudo faz parte foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba e por ele aprovado, não havendo conflito de interesses, e encontra-se em concordância com os princípios éticos da Declaração de Helsinki. Os idosos receberam explicações a respeito do estudo e, ao concordarem com a participação, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o qual foi elaborado e assinado em duas vias, ficando uma retida pelo sujeito da pesquisa, ou por seu representante legal, e uma arquivada pelo pesquisador.

Resultados

Dos 420 idosos selecionados, a maioria era constituída por mulheres (68,1%). Em relação à distribuição dos idosos de acordo com as demais características demográficas e socioeconômicas houve predomínio de idosos com 60 a 69 anos (48,6%), pertencentes à classe C (45,8%) e que moravam em domicílios com 3 a 5 residentes (50,8%) (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição dos idosos de acordo com as características demográficas e socioeconômicas. Campina Grande, Paraíba, 2010. 

Variáveis N %
Sexo
Masculino 286 68,1
Feminino 134 31,9
Grupo etário
60 a 69 anos 204 48,6
70 a 79 anos 136 32,4
80 anos ou mais 80 19,0
Nível socioeconômico
A/B 51 12,1
C 192 45,8
D/E 177 42,1
Nº de residentes por domicílio
Sozinho 24 5,7
2 102 24,3
3 a 5 213 50,8
6 ou mais 81 19,2

A partir da análise de associação entre a avaliação da acessibilidade às UBSF e às variáveis socioeconômicas e demográficas, observou-se que o NSE foi a que apresentou maior frequência de associação estatisticamente significativa. Idosos das classes socioeconômicas C e D/E apresentaram menor chance de avaliar positivamente a quantidade de fichas distribuídas para atendimento por dia na ESF, diminuindo em cerca de três vezes essa chance (OR = 0,35; IC95% [0,18-0,67] e OR = 0,33; IC95% [0,21-0,51]), respectivamente. Apresentaram, ainda, chance 4,54 vezes inferior (OR = 0,22; IC95% [0,06-0,76]) e 2,27 vezes inferior (OR = 0,44; IC95% [0,25-0,80]) de avaliar positivamente a facilidade em receber medicamentos na ESF, respectivamente, para as classes citadas. Houve, ainda, aumento da chance dos idosos das classes C (OR = 4,27; IC95% [1,90-9,62]) e D/E (OR = 1,61; IC95% [1,05-2,47]) avaliarem positivamente o atendimento em determinado horário na semana (Tabela 2).

Tabela 2 Associação entre a avaliação dos idosos quanto à acessibilidade organizacional às Unidades Básicas de Saúde da Família e as características demográficas e socioeconômicas. Campina Grande, Paraíba, 2010. 

Variáveis Demora mais de um mês para sair o resultado de exames encaminhados pelo PSF? A quantidade de fichas distribuídas por dia no PSF é suficiente para atender a todos? O(a) senhor(a) só pode ser atendido no PSF em determinado horário na semana?

AP* (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%)
Sexo
Masculino 41,1 1,0 35,8 1,0 37,3 1,0
Feminino 27,5 1,76 (1,14–2,72) 43,5 0,71 (0,46–1,09) 34,5 1,13 (0,73–1,73)
Grupo etário
60 a 69 30,4 1,0 44,6 1,0 33,8 1,0
70 a 79 32,9 1,27 (0,73–2,21) 38,7 0,74 (0,41–1,21) 36,5 1,17 (0,68–2,01)
80 ou mais 36,2 1,12 (0,62–2,01) 36,2 0,88 (0,49–1,57) 37,5 1,00 (0,56–1,78)
Nível socioeconômico
A/B 25,5 1,0 51,0 1,0 15,7 1,0
C 31,6 1,52 (0,75–3,08) 52,6 0,35 (0,18–0,67) 33,0 4,27 (1,90–9,62)
D/E 34,3 1,13 (0,73–1,75) 26,9 0,33 (0,21–0,51) 44,3 1,61 (1,05–2,47)
Nº de residentes por domicílio
Sozinho 33,3 1,0 29,2 1,0 41,7 1,0
2 28,6 1,05 (0,40–2,77) 41,8 1,88 (0,70–5,05) 31,0 0,46 (0,17–1,21)
3 a 5 32,4 1,10 (0,64–1,89) 41,8 1,08 (0,59–1,96) 41,3 0,74 (0,38–1,43)
6 ou mais 34,6 1,32 (0,70–2,48) 44,4 1,08 (0,64–1,82) 24,7 0,47 (0,26–0,84)

Variáveis O agente de saúde (ACS) visita a sua casa pelo menos uma vez por mês? O(a) senhor(a) sabe os dias da semana nos quais pode ser atendido no PSF? No PSF, é fácil receber remédio?

AP (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%)

Sexo
Masculino 84,3 1,0 72,4 1,0 81,3 1,0
Feminino 86,7 0,84 (0,46–1,51) 75,6 0,86 (0,53–1,37) 86,4 0,69 (0,40–1,22)
Grupo etário
60 a 69 89,2 1,0 78,4 1,0 87,2 1,0
70 a 79 85,4 0,44 (0,22–0,89) 72,3 0,60 (0,33–1,07) 81,7 0,75 (0,36–1,55)
80 ou mais 78,7 0,57 (0,27–1,19) 68,7 0,80 (0,04–1,48) 83,7 1,06 (0,50–2,24)
Nível socioeconômico
A/B 86,3 1,0 68,6 1,0 94,1 1,0
C 88,5 0,84 (0,34–2,05) 81,2 1,06 (0,54–2,08) 89,0 0,22 (0,06–0,76)
D/E 84,1 0,68 (0,37–1,25) 69,9 0,53 (0,33–0,87) 78,4 0,44 (0,25–0,80)
Nº de residentes por domicílio
Sozinho 83,3 1,0 83,3 1,0 83,3 1,0
2 85,0 1,13 (0,32–3,90) 75,0 0,56 (0,17–1,83) 84,0 0,94 (0,27–3,18)
3 a 5 87,8 1,00 (0,43–2,27) 74,6 0,93 (0,47–1,83) 86,9 0,89 (0,40–1,97)
6 ou mais 85,2 0,78 (0,37–1,64) 72,8 0,95 (0,53–1,71) 82,7 0,71 (0,35–1,43)

AP: avaliação positiva. IC: intervalo de confiança.*Resposta (sim ou não) atendeu ao esperado a partir das diretrizes da ESF em relação aos serviços a serem oferecidos.

Além disso, idosos da classe C (OR = 3,14; IC95% [1,39-7,10]) apresentaram mais que o triplo de chance de acreditar que a ESF destina-se ao tratamento curativista, enquanto os da classe D/E (OR = 1,90; IC95% [1,20-2,98]) apresentaram quase o dobro de chance de afirmar que a ESF destina-se ao tratamento de doenças já adquiridas; chance 2,69 vezes maior (OR = 2,69; IC95% [1,53-4,75]) de acreditarem que a ESF destina-se ao atendimento de usuários pobres (Tabela 3); e, ainda, chance quase duas vezes inferior (OR = 0,53; IC95% [0,33-0,87]) de conhecer os dias da semana em que podem ser atendidos na ESF (Tabela 2). Os idosos da classe C apresentaram chance mais de cinco vezes maior (OR = 5,17; IC95% [1,82-14,69]) de não precisar de políticos para receber medicamentos e aproximadamente o dobro de chance (OR = 1,99; IC95% [1,06-3,75]) de não deixar de se consultar com especialista por não ter dinheiro para chegar ao consultório (Tabela 4).

Tabela 3 Associação entre a avaliação dos idosos quanto à acessibilidade sociocultural às Unidades Básicas de Saúde da Família e as características demográficas e socioeconômicas. Campina Grande, Paraíba, 2010. 

Variáveis O(a) senhor(a) já desconfiou do que o médico do PSF lhe falou sobre o seu problema de saúde? O(a) senhor(a) só pode ser atendido no PSF em que é cadastrado?

AP* (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%)
Sexo
Masculino 92,5 1,0 58,9 1,0
Feminino 94,1 0,81 (0,35–1,90) 62,7 0,86 (0,56–1,32)
Grupo etário
60 a 69 95,6 1,0 63,2 1,0
70 a 79 90,5 0,69 (0,22–2,13) 58,4 0,96 (0,56–1,65)
80 ou mais 93,7 1,34 (0,44–4,01) 62,5 1,16 (0,65–2,04)
Nível socioeconômico
A/B 96,1 1,0 58,8 1,0
C 94,2 0,55 (0,12–2,57) 62,8 1,11 (0,58–2,09)
D/E 93,2 0,83 (0,35–1,94) 61,4 1,94 (0,61–1,43)
Nº de residentes por domicílio
Sozinho 95,8 1,0 70,8 1,0
2 94,0 0,32 (0,04–2,85) 61,0 0,85 (0,31–2,31)
3 a 5 95,8 0,50 (0,17–1,48) 58,7 1,32 (0,71–2,46)
6 ou mais 88,9 0,34 (0,13–0,91) 67,9 1,46 (0,85–2,51)

Variáveis O trabalho da equipe do PSF é tratar das doenças que as pessoas já têm? O PSF foi feito para atender os pobres? Os profissionais do PSF já lhe atenderam com má vontade?

AP (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%)

Sexo
Masculino 24,6 1,0 19,4 1,0 91,0 1,0
Feminino 29,6 0,77 (0,48–1,24) 15,7 1,29 (0,76–2,21) 88,8 1,35(0,65–2,78)
Grupo etário
60 a 69 24,5 1,0 17,6 1,0 91,6 1,0
70 a 79 29,9 1,56 (0,89–2,75) 16,0 0,90 (0,45–1,81) 87,6 0,63 (0,27–1,45)
80 ou mais 33,7 1,15 (0,64–2,08) 16,2 0,98 (0,46–2,09) 87,5 0,88 (0,37–2,07)
Nível socioeconômico
A/B 15,7 1,0 11,8 1,0 92,2 1,0
C 23,6 3,14 (1,39–7,10) 11,0 2,50 (1,0–6,25) 90,6 0,66 (0,21–2,03)
D/E 36,9 1,90 (1,20–2,98) 25,0 2,69 (1,53–4,75) 88,6 0,81 (0,41–1,59)
Nº de residentes por domicílio
Sozinho 25,0 1,0 12,5 1,0 83,3 1,0
2 27,0 1,21 (0,42–3,43) 18,0 1,23 (0,31–4,79) 84,0 2,46 (0,63–9,59)
3 a 5 29,1 1,09 (0,56–2,10) 17,8 0,80 (0,36–1,78) 92,5 2,34 (0,87–6,31)
6 ou mais 28,4 0,98 (0,55–1,73) 14,8 0,81 (0,40–1,64) 92,6 1,00 (0,37–2,65)

AP: avaliação positiva. IC: intervalo de confiança.*Resposta (sim ou não) atendeu ao esperado a partir das diretrizes da ESF em relação aos serviços a serem oferecidos.

Tabela 4 Associação entre a avaliação dos idosos quanto à acessibilidade econômica às Unidades Básicas de Saúde da Família e as características demográficas e socioeconômicas. Campina Grande, Paraíba, 2010. 

Variáveis Mesmo com o PSF, você ainda precisa de políticos para receber remédios? O (a) senhor(a) já deixou de se consultar com um especialista por não ter dinheiro para chegar ao consultório? Sua renda foi suficiente para realizar os tratamentos indicados pelos profissionais do PSF?

AP* (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%) AP (%) OR (IC95%)
Sexo
Masculino 92,5 1,0 64,9 1,0 56,7 1,0
Feminino 92,3 1,04 (0,46–2,35) 52,6 1,67 (1,09–2,55) 56,8 0,93 (0,61–1,41)
Grupo etário
60 a 69 93,6 1,0 56,3 1,0 52,4 1,0
70 a 79 91,9 0,70 (0,26–1,82) 56,9 1,01 (0,60–1,70) 57,6 1,80 (1,04–3,11)
80 ou mais 90 0,74 (0,26–2,07) 57,5 0,98 (0,56–1,71) 67,5 1,43 (0,80–2,57)
Nível Socioeconômico
A/B 82,4 1,0 43,1 1,0 54,0 1,0
C 93,2 5,17 (1,82–14,69) 56,0 1,99 (1,06–3,75) 56,6 1,25 (0,66–2,36)
D/E 96,0 1,77 (0,69–4,55) 60,2 1,18 (0,78–1,80) 59,5 1,12 (0,74–1,71)
Número de residentes por domicílio
Sozinho 95,8 1,0 58,3 1,0 69,6 1,0
2 96,0 0,34 (0,04–2,85) 59,0 0,71 (0,28–1,76) 54,1 0,33 (0,12–0,89)
3 a 5 93,0 0,33 (0,09–1,12) 57,3 0,69 (0,38–1,25) 63,0 0,64 (0,35–1,16)
6 ou mais 89,9 0,59 (0,25–1,42) 49,4 0,74 (0,44–1,24) 48,8 0,44 (0,26–0,75)

AP: avaliação positiva. IC: intervalo de confiança.*Resposta (sim ou não) atendeu ao esperado a partir das diretrizes da ESF em relação aos serviços a serem oferecidos.

Neste estudo, as mulheres idosas, em comparação aos homens, apresentaram quase o dobro de chance (OR = 1,76; IC95% [1,14-2,72]) de avaliar positivamente o tempo de espera por exames, afirmando não exceder um mês (Tabela 2). Houve, ainda, entre as mulheres, 1,67 vezes mais chances (OR = 1,67; IC95% [1,09-2,55]) de não deixar de se consultar com especialista por dificuldade financeira de se deslocar ao consultório (Tabela 4).

Em relação ao grupo etário, observou-se que os idosos com idade entre 70 a 79 anos apresentaram chance mais de duas vezes inferior (OR = 0,44; IC95% [0,22-0,89]) de avaliar positivamente a visita do ACS (Tabela 2). Além disso, identificou-se quase o dobro de chance de possuir renda suficiente para realizar os tratamentos indicados pelos profissionais da ESF (OR = 1,80; IC95% [1,04-3,11]) (Tabela 4).

Para o número de residentes por domicílio, encontrou-se chance mais de duas vezes inferior (OR = 0,47; IC95% [0,26-0,84]) de avaliar positivamente o atendimento em determinados horários durante a semana, para os idosos em cujos domicílios residiam 6 ou mais pessoas (Tabela 2). Essa variável também esteve associada à chance quase três vezes menor de desconfiar das informações médicas (Tabela 3). Idosos de domicílios com 2 e aqueles com 6 ou mais residentes apresentaram chance, respectivamente, 3,03 (OR = 0,33; IC95% [0,12-0,89]) e 2,27 (OR = 0,44; IC95% [0,26-0,75]) vezes inferior de possuir renda suficiente para realizar os tratamentos indicados pela ESF (Tabela 4).

Discussão

Acessibilidade representa o grau de ajuste entre as características dos recursos de atenção à saúde e as demandas da população8. Dessa forma, as características dos idosos analisados neste estudo, as quais aumentaram as chances de avaliar positivamente uma determinada condição da acessibilidade, podem ser interpretadas como expressão da adequação das ações da ESF a essas características.

Nesse sentido, os resultados do presente estudo revelam o papel da ESF de Campina Grande em relação às iniquidades sociais ao constatar que idosos de menor condição socioeconômica avaliaram mais positivamente a acessibilidade, principalmente as dimensões sociocultural e econômica. Isso indica confiança nos serviços de saúde e adequação à percepção das condições de saúde, do ponto de vista sociocultural, e o alcance da gratuidade e universalidade dos serviços, do ponto de vista econômico. Entretanto, as perguntas relacionadas com a acessibilidade organizacional apresentaram, principalmente, comportamento diferente ao descrito anteriormente, o que indica problemas nos modos de organização dos recursos de assistência à saúde.

Esse resultado de associação entre NSE e a avaliação dos usuários a respeito da acessibilidade aos serviços da ESF, deve ser interpretado com cautela, pois não houve análise específica da escolaridade. A escolaridade representa um importante preditor de utilização de serviços de saúde, e relaciona-se a maior conhecimento e à adoção de comportamentos saudáveis19. Ainda, a satisfação dos usuários com os serviços de saúde tende a ser maior quando a escolaridade é menor20,21.

A persistência de barreiras no processo de busca e utilização dos serviços de saúde, criando situações de injustiça social, é uma problemática em todo o mundo independente do modelo de desenvolvimento e de atenção à saúde22,23. No Brasil, pesquisas têm apontado o favorecimento das classes mais ricas da população no atendimento à saúde23,24, inclusive na população idosa25,26. Contudo, estudos recentes de âmbito nacional27,28 apresentaram evidências do papel promotor da ESF na equidade, ao mostrar maior utilização entre as pessoas de menor nível socioeconômico. Porém, destaca-se que a redução dessas desigualdades ainda deve ser prioritária nas políticas públicas, apontando a necessidade de ampliação do acesso que considere as necessidades dos idosos29. Nesse sentido, revela-se a importância da organização dos serviços7,30,31. Adverte-se, assim, a necessidade de delimitar as dimensões da acessibilidade inoperantes em relação à equidade socioeconômica. No município de Campina Grande, os resultados indicam que ajustes organizacionais seriam necessários para a garantia da qualidade na APS.

A avaliação positiva da acessibilidade organizacional também esteve associada a aspectos como o sexo, a idade e o número de moradores no domicílio, em relação ao tempo de espera por exames, visita do ACS e horários de atendimento, respectivamente. Essa diversidade reflete o reconhecimento da literatura que indica a complexidade atrelada à avaliação da satisfação aos serviços de saúde. Considera-se, nessa determinação, a importância da subjetividade da avaliação, das percepções de ordem cognitiva e afetiva, e das características dos pacientes (condições sociodemográficas, estado de saúde, expectativas, necessidades percebidas, experiências prévias)6,32. Por outro lado, os resultados convergem com a literatura que aponta a influência na acessibilidade aos serviços de saúde dos aspectos demográficos, da ampliação da oferta e da adequação dos serviços às características socioculturais, educacionais e econômicas28.

Entre as mulheres, a autopercepção de saúde mais negativa27,33, maior procura por serviços de saúde19,33 e maior número de ações de saúde da mulher na ESF18,20,34 podem resultar em percepções diferentes, quando comparadas com os homens. Neste estudo, essa situação foi observada na avaliação da adequação do tempo de espera por resultados de exames médicos realizados, condição também constatada como aspecto negativo em outros locais do país9,21,30.

A continuidade do cuidado e a disponibilidade de atendimento são, também, dimensões reconhecidas da satisfação que podem apresentar diferenças derivadas da opinião dos usuários6,32. As falhas na continuidade das visitas dos ACS35,36 e nos horários de atendimento nas unidades de saúde da família37,38, descritas em outras localidades do Brasil, foram mais percebidas pelos idosos de 70 a 79 anos, e residentes em domicílios com seis ou mais pessoas de Campina Grande.

Obstáculos na utilização dos serviços de saúde, referentes à disponibilidade de dinheiro para chegar ao consultório, foram constatados com maior probabilidade entre os idosos que entre as idosas. Da mesma maneira, a disponibilidade de dinheiro para realizar tratamentos constatou-se como fator mais importante entre os idosos de 70 a 79 anos em relação aos outros grupos etários. Esses fatos mostram variações entre grupos sociais e/ou na oferta de serviços, e convergem com observações anteriores que apontaram, tanto na perspectiva de profissionais como de usuários, a localização da unidade, as características geográficas locais e o transporte como empecilhos para o acesso ao serviço39. Nesse contexto, a promoção da equidade no cuidado à saúde deve considerar os aspectos que diminuem a força da condição econômica, tais como a visão cultural dos homens que associam a busca por serviços de saúde à negação da masculinidade18,33, e a maior estrutura etária como fator que prejudica a capacidade de deslocamento40,41.

Por fim, cabe ressaltar que os resultados verificados se apresentam coesos aos estudos avaliativos da ESF que sinalizam problemas importantes relacionados ao acesso aos serviços especializados, à desarticulação da rede de atenção e à ausência de políticas públicas de enfrentamento dos determinantes sociais42. Ainda, a importância do estudo condiciona-se à carência de estudos com foco na dimensão organizacional e à perspectiva metodológica que considerou a visão dos usuários condizente com a visão atual de qualidade que privilegia o julgamento dos clientes42,43.

Neste estudo, a acessibilidade organizacional foi a que apresentou pior avaliação. Nesse sentido, destaca-se que idosos das classes econômicas inferiores apresentaram menores chances de avaliar positivamente condições relacionadas com suas necessidades: quantidade de atendimentos por dia e facilidade em receber medicamentos. As informações obtidas com este estudo mostram-se relevantes ao identificar a importância da ESF na minimização das desigualdades sociais na população idosa e a existência de algumas barreiras organizacionais, principalmente, que ainda persistem para a procura e utilização dos serviços. O conhecimento dessas barreiras e suas diferentes conotações segundo características demográficas e socioeconômicas dos usuários são aspectos importantes para o planejamento, aprimoramento e adequação dos serviços de saúde. Entretanto, a interpretação desses resultados deve ser realizada com cautela, pois a ausência de comparação entre grupos controlados por variáveis, tais como sexo, idade, escolaridade, renda, autopercepção de saúde, entre outras, dificulta a mensuração da influência de fatores individuais na avaliação dos serviços de saúde ou mascara a percepção dos usuários.

Este estudo, assim como outros, apresenta limitações inerentes ao desenho transversal, pois apesar de introduzir a discussão de informações relevantes que abordam a acessibilidade às Unidades Básicas de Saúde da Família na perspectiva de idosos, não permite analisar uma relação de causa e efeito entre as variáveis estudadas. Desse modo, observa-se a necessidade de estudos longitudinais acerca da temática, assim como estudos que desenvolvam e validem instrumentos de avaliação da acessibilidade aos serviços de saúde, específicos para idosos, tendo em vista as particularidades deste segmento da população.

Agradecimentos

Universidade Estadual da Paraíba e Secretaria de Saúde de Campina Grande/PB. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) pelo suporte financeiro.

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Recebido: 17 de Dezembro de 2015; Revisado: 02 de Junho de 2016; Aceito: 04 de Junho de 2016

Colaboradores

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