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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.7 Rio de Janeiro July 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018237.21012016 

TEMAS LIVRES

Padrões de Apoio Social na Atenção Primária à Saúde: diferenças entre ter doenças físicas ou transtornos mentais

Ellen Ingrid Souza Aragão1 

Mônica Rodrigues Campos2 

Flávia Batista Portugal2 

Daniel Almeida Gonçalves3 

Jair de Jesus Mari3 

Sandra Lúcia Correia Lima Fortes1 

1Universidade do Estado do Rio de Janeiro. R. Vinte e Oito de Setembro 77, Maracanã. 22000-000 Rio de Janeiro RJ Brasil.ellen.isapsi@hotmail.com

2Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fiocruz. Rio de Janeiro RJ Brasil.

3Departamento de Psiquiatria, Universidade Federal de São Paulo. São Paulo SP Brasil.

Resumo

A rede de apoio é considerada um agente protetor da saúde em seus aspectos físico, mental e psicológico, proporcionando melhor qualidade de vida, favorecendo adaptação à condições adversas, promovendo resiliência e a mobilização de recursos no enfrentamento de eventos de vida negativos que podem levar ao adoecimento. O nosso objetivo foi estudar a relação entre doenças físicas, transtorno mental comum e a rede de apoio social dos pacientes atendidos na Atenção Primária à Saúde no Rio de Janeiro e São Paulo em um estudo de corte transversal com 1466 pacientes entre 18 e 65 anos. Para aferir o tipo de rede de apoio foi utilizado o Índice de Rede Social por meio das categorias: isolamento e integração. Para aferir o diagnóstico de doença física foi utilizado o questionário pelo médico/enfermeiro e para detecção dos transtornos mentais foi utilizado o Hospital Anxiety and Depression Scale. Verificou-se que o padrão da rede de apoio foi diferente entre as doenças físicas e os transtornos mentais. Foram detectadas associações negativas entre diabetes e isolamento; integração e ansiedade; integração e depressão e associações positivas do isolamento com ansiedade e isolamento e depressão.

Palavras-Chave: Apoio social; Atenção Primária à Saúde; Saúde mental; Doenças crônicas

Introdução

O aprimoramento dos relacionamentos interpessoais ocorre muito cedo a partir do convívio familiar, ganhando maior expressão com o crescimento e o desenvolvimento do sujeito por meio dos ambientes escolares, sociais e profissionais. A rede de apoio é formada pelo somatório das relações interpessoais do sujeito, desenvolvidas ao longo da vida e percebidas como significativas, que o auxiliam a enfrentar situações difíceis1,2.

O apoio ofertado por esta rede é descrito na literatura como importante recurso no enfrentamento de situações adversas da vida, por promover resiliência e habilitar o sujeito a utilizar os recursos psicológicos para contornar seus problemas emocionais3. Além disso, o apoio social está associado a comportamentos de adesão a tratamentos de saúde e ao senso de estabilidade e bem-estar psicológico4, mostrando-se capaz de reduzir a suscetibilidade individual para enfermidades5-7, atuando como fator de proteção à saúde2,8,9. Pesquisa internacional10 demonstrou que o apoio da rede foi capaz de proteger os indivíduos de crises oriundas de diversos estados patológicos, tais como tendência suicida, alcoolismo e sociofobia.

A rede de apoio também contempla o campo das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), que se constituem como um grave problema atual. Dentre as DCNT destacam-se as doenças cardiovasculares coronarianas, dislipidemias, hipertensão, obesidade e diabetes mellito. O aumento destas está principalmente relacionado com o envelhecimento da população brasileira11 e fatores como a desigualdade social e a dimensão continental do país, que dificultam as ações de prevenção e combate12.

Pesquisas têm demonstrado que as intervenções que fortalecem a rede de apoio proporcionam melhor qualidade de vida e estão também associadas a melhores condições de saúde para a população13,14. Em pacientes hipertensos a influência positiva da rede de apoio atua favorecendo o enfrentamento à condição limitante imposta pela enfermidade frente às relações do paciente com o trabalho, a família, os amigos e os parceiros15, promovendo melhor da qualidade de vida, tanto no domínio físico, quanto no psicológico15,16.

Em contrapartida, outros estudos5,17,18 demonstraram que o baixo apoio social pode ser considerado fator agravante para o desenvolvimento do diabetes. Pessoas com baixa percepção de apoio social apresentaram controle glicêmico expressivamente inferior quando submetidos a situações estressantes. A percepção do apoio também foi identificada como um fator de influência sobre os diferentes comportamentos3, diminuindo a probabilidade de ocorrência daqueles disfuncionais no cotidiano ou durante tratamentos19.

Uma pesquisa realizada no sul do Brasil20 identificou associações da obesidade com o isolamento, o estresse e a depressão. Para estes pacientes o grupo de apoio foi uma ferramenta importante no processo de fortalecimento dos recursos internos, desenvolvimento de relações de amizade, promoção de autonomia, melhora da autoimagem e autoestima, atuando no combate ao isolamento social.

No Brasil, a esfera de atendimento à saúde da população que contempla as DCNT é a Estratégia de Saúde da Família (ESF), a qual é uma proposta da Atenção Primária à Saúde (APS). A ESF atua sobre os determinantes sociais da saúde através de ações integradas de promoção da saúde, prevenção de agravos, cuidado, cura, reabilitação e paliação de condições de saúde12,21,22. No contexto da APS, existem eixos responsáveis por direcionar sua atuação. Dentre eles pode-se destacar o acolhimento e o vínculo, os quais facilitam o cuidado com pacientes e seus familiares, além de possibilitarem a escuta, o desenvolvimento da confiança entre paciente e equipe, e a aproximação do profissional, a qual favorece a orientação voltada à integralidade e à resolubilidade dos problemas23.

Os profissionais da ESF têm identificado a busca, por parte dos pacientes, de alívio para queixas relacionadas ao sofrimento difuso e outros problemas de ordem emocional, psicológica e social9. Os problemas de saúde mental são comuns na APS, sendo esta a via de acesso das pessoas ao sistema de saúde. Além disso, constata-se que pessoas com doenças crônicas possuem taxas mais altas de problemas mentais do que a população em geral24. Na Inglaterra de 20 a 25% das consultas no sistema de saúde têm como razão única alguma queixa em saúde mental9. O cuidado em saúde mental na APS tem sido considerado satisfatório e mais eficaz que o modelo de atendimento hospitalocêntrico25,26.

Os índices de Transtornos Mentais Comuns (TMC) no contexto da ESF são prevalentes, variando entre 38 e 56%27. Nos anos 1990, um estudo multicêntrico da OMS identificou para o Rio de Janeiro que 46% dos usuários apresentavam TMC e 38% apresentavam pelo menos um diagnóstico psiquiátrico, sendo os principais deles transtorno de ansiedade generalizada, episódio depressivo e transtorno de somatização28-30. Tavares et al.31, em pesquisa realizada na ESF, verificaram que a taxa de atendimentos a usuários com queixas de saúde mental foi de 19,48%. Destes, 43% apresentaram sofrimento psíquico, 34,7% apresentaram transtorno mental grave e 19,5% transtorno mental comum leve/moderado.

Em pesquisa da OMS para a Classificação Internacional de Doenças (CID-11)32 na APS, houve apoio generalizado dos médicos de família para a inclusão da categoria depressão-ansiosa, considerada muito comum no contexto da APS nos 07 países onde a pesquisa foi realizada, demonstrando ser o transtorno depressivo-ansioso o mais prevalente na APS. Em estudo multicêntrico brasileiro realizado na APS33 foi verificada a prevalência, em quatro cidades brasileiras, de ansiedade e depressão respectivamente: Rio de Janeiro, 35,4% e 25,0%; São Paulo, 39,5% e 25,3%; Fortaleza, 43,0% e 31,0%; e Porto Alegre, 37,7% e 21,4%. Além disso, indicadores sociodemográficos tiverem relevância na ocorrência em tal condição clinica, sendo os problemas de saúde mental mais altos em mulheres, desempregados, pessoas com baixa escolaridade e renda.

Costa e Ludermir34, avaliando a relação entre TMC e indicadores de funcionamento social como sentir-se amado e ter amigos íntimos, mostraram que estes estiveram relacionados a baixos níveis de ansiedade, depressão, somatização e menores efeitos dos eventos vitais produtores de estresse. Estes autores explicam a relação entre saúde mental e o apoio social através de duas teorias: a primeira afirma que o suporte social afeta diretamente a saúde mental e, a segunda, indica que o indivíduo que conta com alto nível de apoio social enfrenta com maior positividade as situações estressantes, se comparado a outros que não dispõem deste recurso.

As ações que fortalecem a rede de apoio são eficazes no cuidado dos pacientes atendidos na APS. O apoio ofertado pelos profissionais de saúde por meio da visita domiciliar também é sinalizado como relevante neste processo, por possibilitar o acompanhamento do uso adequado dos medicamentos, aquisição da receita de psicotrópicos, fornecer apoio e esclarecer dúvidas dos familiares, além de prestar orientações que se tornem necessárias posteriormente26,35. Estes cuidados prestados proporcionam a melhora do quadro clinico, das relações familiares, além de favorecer a integração e o fortalecimento do vínculo entre o paciente e sua família com a equipe que lhe presta cuidados, elegendo-a como uma fonte de apoio necessário para intervir em situações de crise23,34.

O objetivo do presente estudo foi identificar as associações existentes entre a rede de apoio social dos sujeitos, mensurada através das categorias de integração e isolamento com doenças físicas (ter hipertensão, diabetes ou obesidade) e os transtornos mentais (ter ansiedade ou depressão), no contexto da APS nos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro.

A pesquisa-fonte foi submetida ao Comitê de Ética do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e aos Comitês de Ética em Pesquisa das Secretarias Municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo, sendo sua realização considerada adequada à população humana.

Método

Trata-se de um estudo de corte transversal sobre as associações entre apoio social, adoecimento físico e psíquico na atenção primária, extraído de um projeto de intervenção. Utilizou-se como fonte de informação o banco de dados do estudo Avaliação de um modelo de capacitação em saúde mental na atenção básica: cuidados integrais na prática do matriciamento36, financiada pelo CNPq aqui denominada de pesquisa-fonte, cujo objetivo era avaliar o impacto das capacitações em saúde mental nas atividades assistenciais na APS. A amostra foi composta de 1.466 pacientes, atendidos nos serviços de Atenção Primária à Saúde dos municípios do Rio de Janeiro (N = 909) e São Paulo (N = 557) nos anos de 2009 e 2010. Foram incluídos pacientes entre 18 e 65 anos atendidos pelos médicos e enfermeiros, exceto grávidas e pacientes com déficit cognitivo. Os dados apresentados neste artigo foram analisados nos anos de 2014 e 2015 e compõem parte da pesquisa realizada na dissertação de mestrado da autora principal.

Os instrumentos usados na pesquisa-fonte foram: um questionário geral, organizado a partir do questionário geral aplicado e validado nos estudos de corte transversal27,28,30. O instrumento coletou dados referentes aos seguintes aspectos:

- aspectos sociodemográficos e econômicos: renda, escolaridade, religião, raça, emprego, entre outros).

- Indicadores de funcionamento social: participação em atividades laborativas, religiosas, esportivas, artísticas e sociais.

Variáveis de rede de apoio social: quantidade de amigos e parentes com os quais se pode contar em situações difíceis, participação em atividades religiosas e de lazer coletivas, participação em trabalhos voluntários e reuniões em grupos comunitários.

A presença de ansiedade e depressão foi aferida pela Hospital Anxiety and Depression Scale – HAD para aferição das síndromes ansiosas e depressivas, uma escala traduzida e validada no Brasil por Botega et al.37. Foi considerado o ponto de corte 8/9 como indicador de ansiedade e depressão. Para classificar o transtorno depressivo-ansioso foi necessário que o paciente tivesse pontuado 8/9 nos dois diagnósticos, ansiedade e depressão.

E, por fim, utilizou-se o questionário para o Médico e Enfermeiro36, como indicador da presença de hipertensão, diabetes e obesidade. A pergunta ‘4’ indicava se o paciente era ou não portador de doença física, assinalando qual a doença e cinco opções de níveis de gravidade da mesma (em remissão, sob controle, caso leve, caso moderado, caso grave). O questionário fora respondido ao final de cada consulta pelo o profissional que realizou o atendimento (médico ou enfermeiro).

Os dados foram analisados no programa estatístico SPSS 17. Sendo observadas inicialmente a distribuição de frequência de cada variável, em seguida, realizou-se a distribuição conjunta de frequências incluindo as frequências relativas (percentagens) que foram calculadas em relação ao número total de participantes. Foram também calculadas as prevalências gerais de cada uma das variáveis, com seus respectivos intervalos de confiança a 95%, incluindo os dados sociodemográficos, econômicos, e tipo de diagnósticos apresentados.

Foram realizadas as análises bivariadas por meio do qui-quadrado, associando as variáveis isolamento e integração aos desfechos: Hipertensão, Diabetes, Obesidade, Ansiedade e Depressão, aferindo os valores de p-. Posteriormente, foram realizadas análises, onde as associações entre cada variável sociodemográfica e a “integração” (s/n), bem como o “isolamento” (s/n), foram investigadas, apresentando-se os OR´s e respectivos intervalos de confiança. De modo a contemplar este mesmo aspecto em relação aos desfechos em saúde, foram também elaboradas análises onde as associações entre estes e o “isolamento” (s/n), bem como com a “integração” (s/n), foram avaliadas apresentando-se os OR´s e respectivos intervalos de confiança, ajustados pelas variáveis sociodemográficas que apresentaram significância estatística (pvalor < 10%) na análise bivariada.

Construção das variáveis

Variáveis sóciodemográficas

Foram selecionadas as seguintes variáveis para análise: gênero, estado civil, faixa etária (Até 40 anos e acima de 40 anos), grau de instrução (Até a 4º série e a partir da 4ª série do Ensino Fundamental) e renda familiar per capita (Até um salário-mínimo e acima de 1 salário-mínimo). No presente estudo foi verificado, a partir das frequências das respostas a cada variável, que esta amostra é bastante homogênea. Dessa forma, as variáveis foram organizadas em categorias de forma dicotômica, o que permitiu uma melhor diferenciação entre os grupos e uma visualização mais clara das associações realizadas.

Variáveis da rede de apoio

Para a construção das variáveis da rede de apoio, o levantamento de dados foi feito através do questionário geral acrescido de um bloco de perguntas sobre rede de apoio elaborado para o estudo Pró-Saúde por Chor et al.4 e adaptado do instrumento de Berkman e Syme38,39. Foi utilizado o Índice de Rede Social (IRS), um indicador de integração social estruturado por Correia et al.39 aplicado em outros estudos brasileiros39,40. Este índice é calculado a partir da soma das variáveis: ter companheiro (não = 0, sim = 1); número de amigos e parentes íntimos (de 0-2 parentes e de 0-2 amigos íntimos = 0, qualquer outra combinação = 1), participação em cultos e atividades religiosas (2 vezes/mês ou mais = 1, outros = 0), participação em atividades em grupo (não = 0, sim = 1).

Para mensurar o grau de integração social dos usuários, foram estabelecidas as seguintes categorias: isolamento (IRS = 0 ou 1) e integração (IRS = 3 ou 4). Observando-se a escassez de oportunidade de participação em atividades em grupo da população pesquisada e considerando também a vulnerabilidade social a qual está submetida. Seguindo o padrão utilizado em pesquisa anterior40 a pontuação (IRS = 2) não foi considerada em nenhuma das categorias estabelecidas por se tratar de grupo pouco diferenciado no aspecto composição da rede de apoio, podendo assim afetar as análises propostas.

Variáveis Diabetes, Hipertensão e Obesidade

Para a construção das variáveis ter diabetes (sim ou não), ter hipertensão (sim ou não) e ter obesidade (sim ou não), foram utilizadas as respostas ao questionário aplicado pelo médico ou enfermeiro.

Variáveis Ansiedade e Depressão

Para especificar o diagnóstico de depressão, ansiedade e transtorno depressivo-ansioso entre os participantes da pesquisa, foi aplicado o Hospital Anxiety and Depression Scale (HAD)38, a partir do qual foram criadas as variáveis ter ansiedade (sim ou não), ter depressão (sim ou não) e ter transtorno depressivo-ansioso (sim ou não).

As variáveis incluídas nas análises estatísticas foram selecionadas mediante a constatação, a partir da literatura, da existência ou possibilidade de alguma relação destas com as DCNT, os transtornos mentais e/ou a rede de apoio.

Resultados

No Perfil sociodemográfico observou-se predominância de mulheres (76,5%) e de casados (62,5%); 49,5% dos participantes tinham entre 36 e 55 anos e a maioria (72,8%) referiu não ser branco. O grau de instrução foi baixo, em que 33,6% estudaram até a quarta série; A renda foi baixa, 38,7% da amostra tinham renda familiar per capita mensal de até 1 salário mínimo (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição sociodemográfica da amostra. RJ e SP. 2010. 

Distribuição Sociodemográfica (n = 1466) Total
Sexo (n = 1466) n %
Mulher 1121 76,5
Homem 345 23,5
Grau de Escolaridade (n = 1466)
Até a 4ª serie 493 33,6
4ª serie ou mais 973 66,4
Renda Mensal Familiar SMI (n = 1466)
Até 1 salário mínimo 568 38,7
Mais que 1 salário mínimo 898 61,3
Faixa Etária (n = 1466)
18-35 anos 442 30,2
36 a 55 726 49,5
56 ou mais 298 20,3
Estado civil (n = 1466)
Casado/união estável 916 62,5
Outros 550 37,5
Rede de apoio social SNIcat (n = 1466)
Muito Isolado 114 7,7
Isolado 376 25,6
Parcialmente Integrado 520 35,4
Integrado 447 30,4

Referente à presença de doenças físicas na amostra pesquisada os profissionais (médicos e enfermeiras) identificaram que 32,7% dos pacientes tinham hipertensão arterial, 8,9% eram portadores de diabetes e 2,9% da amostra eram obesos. Quanto à ocorrência dos transtornos mentais tem-se 36,9% dos participantes com ansiedade, 25,1% com depressão e 18,4% dos respondentes tinham concomitantemente ansiedade e depressão.

Foram realizadas as análises das associações controladas pelas possíveis variáveis de confundimento, separadamente para “integração” e “isolamento”, em que as associações entre cada variável sociodemográfica e a “integração” (s/n), bem como o “isolamento” (s/n), foram investigadas, apresentando-se os OR´s e respectivos intervalos de confiança.

Através do IRS foi constatado que 33,6% da amostra foi classificada como isolada (0-1 pontos), 35,7% parcialmente integradas (2), e 30,5% como integrada (3-4). As associações entre as variáveis sociodemograficas e o isolamento foram estatisticamente significativas entre gênero (OR = 0,77; IC 95% 0,59-1,01), idade (OR = 0,72; IC 95% 0,56-0,92) e estado civil (OR = 0,10; IC 95% 0,08-0,13) (Tabela 2). As associações entre a integração e as variáveis sociodemográficas seguiram o mesmo comportamento (Tabela 3), tendo como variáveis com associações estatisticamente significativas: gênero (OR = 1,34; IC 95% 1,03-1,73), idade (OR = 1,41; IC 95% 1,08-1,84) e estado civil (OR = 7,21; IC 95% 5,26-9,88).

Tabela 2 Associação entre a Integração e as variáveis sociodemográficas. RJ e SP. 2010. 

Variáveis sociodemograficas (n = 1466) Integração (447) OR IC P-valor


n % 95%
Sexo
Mulher * 325 29,2 1,34 1,03 – 1,73 0,02
Homem 122 35,6
Grau de Escolaridade
Até 4ª série * 150 30,6 1,00 0,79 – 1,27 1,00
5ª serie ou mais 297 30,7
Renda Mensal Familiar
Até 1 salário mínimo * 161 28,6 1,17 0,93 - 1,47 0,18
Mais que 1 salário mínimo 286 32,0
Faixa Etária (n = 1466)
18-35 anos * 113 25,9 - & 1,00 0,03
36 a 55 238 30,0 1,41 1,08 – 1,84 0,01
56 ou mais 96 32,2 1,36 1,36 – 0,99 0,06
Estado civil (n = 1466)
Casado/união estável& 395 43,3 7,21 5,26 – 9,88 0,00
Outros 52 9,6

& Categoria de referência do Odds ratio (OR).

Tabela 3 Associação entre o Isolamento e as variáveis sociodemográficas. RJ e SP. 2010. 

Variáveis sociodemograficas (n = 1466) Isolamento (490) OR IC P-valor


n % 95%
Sexo
Mulher 389 34,9 0,77 0,59 – 1,01 0,06
Homem 101 29,4
Grau de Escolaridade
Até 4ª série 166 33,9 0,98 0,78 – 1,23 0,90
4ª serie ou mais 324 33,5
Renda Mensal Familiar
Até 1 salário mínimo 199 35,3 0,88 0,70 – 1,10 0,28
Mais que 1 salário mínimo 291 32,6
Faixa Etária (n = 1466)
18-35 anos 171 39,1 - & 1,00 0,01
36 a 55 228 31,6 0,72 0,56 – 0,92 0,01
56 ou mais 91 30,5 0,68 0,50 – 0,93 0,02
Estado civil (n = 1466)
Casado/união estável 143 15,7 0,10 0,08 – 0,13 0,00
Outros 347 63,8

As associações entre a integração e o diagnóstico de doença física, não foram estatisticamente significativas, sendo elas: integração com diabetes (OR = 1,26; IC 95% 0,86-1,84), hipertensão (OR = 1,16; IC 95% 0,92-1,47) e obesidade (OR = 1,00 IC 95% 0,50-2,00). As analises das associações entre a integração e os diagnósticos de doença física ajustados pelas variáveis sociodemográficas (gênero, faixas etárias e estado civil) seguiram o mesmo comportamento: diabetes (OR = 1,15; IC 95% 0,76-1,74), hipertensão (OR = 1,05; IC 95% 0,80-1,38) e obesidade (OR = 1,03 IC 95% 0,49-2,17) (Tabela 4).

Tabela 4 Associação entre a Integração e os diagnósticos em saúde. RJ e SP. 2010. 

Desfechos em saúde (n = 1466) Integração (447) OR Bruto IC 95% P-valor OR Ajustado IC P-valor


n % 95%
Hipertensão
Sim 158 35,3 1,16 0,92 – 1,47 0,19 1,05 0,80 – 1,38 0,70
Não 289 64,7
Diabetes
Sim 46 10,3 1,26 0,86 – 1,84 0,22 1,15 0,76 – 1,74 0,49
Não 401 89,7
Obesidade
Sim 12 2,7 1,00 0,50 – 2,00 0,99 1,03 0,49 – 2,17 0,92
Não 435 97,3
Ansiedade
Sim 131 29,3 0,61 0,48 – 0,77 0,00 0,54 0,42 – 0,70 0,00
Não 316 70,7
Depressão
Sim 76 17,0 0,51 0,38 – 0,68 0,00 0,47 0,35 – 0,64 0,00
Não 371 83,0
Transtorno Misto (Ans. e Dep.)
Sim 50 11,2 0,45 0,32 – 0,63 0,00 0,42 0,30 – 0,60 0,00
Não 397 88,8

* Ajustado por Gênero, Idade e Estado Civil.

Foi detectada associação estatisticamente significativa e negativa entre o isolamento e diabetes (OR = 0,64; IC 95% 0,42-0,97), as demais associações também não foram significativas do isolamento com hipertensão (OR = 0,82; IC 95% 0,65-1,04) e obesidade (OR = 0,87; IC 95% 0,43-1,74). Após o ajuste desta análise pelas variáveis sociodemográficas este resultado da associação entre o isolamento e o diabetes passou a não ter significância (OR = 0,70; IC 95% 0,44-1,13) e as demais associações permaneceram sem significância estatística (Tabela 5).

Tabela 5 Associação entre o Isolamento e os diagnósticos em saúde. RJ e SP. 2010. 

Desfechos em saúde (n = 1466) Isolamento (490) OR IC 95% P-valor OR Ajustado IC P-valor


n % 95%
Hipertensão
Sim 148 30,2 0,82 0,65 – 1,04 0,11 0,94 0,70 – 1,26 0,69
Não 342 69,8
Diabetes
Sim 33 6,7 0,64 0,42 – 0,97 0,03 0,70 0,44 – 1,13 0,15
Não 457 93,3
Obesidade
Sim 12 2,4 0,87 0,43 – 1,74 0,70 0,81 0,37 – 1,80 0,61
Não 478 97,6
Ansiedade
Sim 203 41,4 1,32 1,06 – 1,66 0,01 1,58 1,21 – 2,05 0,00
Não 287 58,6
Depressão
Sim 143 29,2 1,39 1,08 – 1,77 0,00 1,53 1,15 – 2,05 0,00
Não 347 70,8
Transtorno misto (Ans. e Dep.)
Sim 113 23,1 1,57 1,19 – 2,06 0,00 1,83 1,33 – 2,52 0,00
Não 337 68,8

* Ajustado por Gênero, Idade e Estado Civil.

No que diz respeito às associações entre os indicadores da rede de apoio e os transtornos mentais, verificaram-se associações negativas e estatisticamente significativas entre a integração e a ansiedade (OR = 0,61; IC 95% 0,48-0,77) e integração e a depressão (OR = 0,51; IC 95% 0,38-0,68). A associação manteve seu grau de significância nas associações ajustadas, sendo elas: integração e a ansiedade (OR = 0,54; IC 95% 0,42-0,72) e integração e a depressão (OR = 0,47; IC 95% 0,35-0,64) (Tabela 4).

No tocante ao isolamento, verificaram-se as associações positivas e estatisticamente significativas entre isolamento e ansiedade (OR = 1,32; IC 95% 1,06-1,66) e isolamento e depressão (OR = 1,39; IC 95% 1,08-1,77). O padrão de associação foi mantido nas análises ajustadas pelas variáveis sociodemográficas, isolamento e ansiedade (OR = 1,58; IC 95% 1,21-2,05) e isolamento e depressão (OR = 1,53; IC 95% 1,15-2,05) (Tabela 5).

Em muitos casos, os pacientes portadores de transtornos mentais apresentam os dois diagnósticos (ansiedade e depressão) concomitantemente, portanto, optou-se por construir uma outra categoria agregando os dois diagnósticos chamada transtorno depressivo-ansioso. A partir de então, foram detectadas associações estatisticamente significativas e negativas entre integração com ter transtorno depressivo-ansioso (OR = 0,45; IC 95% 0,32-0,63 e OR ajustado 0,42 IC 95% 0,30 – 0,60) e positivas do isolamento com ter transtorno depressivo-ansioso (OR = 1,57; IC 95% 1,19-2,06; OR ajustado = 1,83 IC 95% 1,33 – 2,52).

Discussão

Entre os resultados encontrados neste estudo, um interessante fenômeno a ser discutido diz respeito aos distintos padrões de associações identificados entre a rede de apoio e os tipos de adoecimento. As associações entre a integração e a presença de doenças físicas não foram significativas. No entanto, houve associação significativa e negativa entre isolamento e diabetes, ou seja, à medida que crescem os índices de diabetes reduzem-se os níveis de isolamento. É importante observar que o diabetes traz consigo uma série de desafios no tocante ao controle glicêmico, à mudança de hábitos alimentares e ao cuidado com os fatores que provocam a evolução da doença. Entre as DCNT, o diabetes é a terceira doença com maior perda de anos de vida por morte prematura41, o que aumenta a tensão por parte dos pacientes diabéticos, sendo esta uma possível explicação para a associação significativa entre a doença e o isolamento, mesmo com menor número de portadores se comparado aos hipertensos.

Em pesquisa sobre os eventos de vida produtores de estresse e qualidade de vida, Portugal et al.40 verificaram influencia negativa dos problemas de saúde no domínio físico e nas relações sociais, tendo a internação e o adoecimento influencia sobre o convívio social.

Entre as correlações dos indicadores da rede de apoio com os TMC, verificaram-se associações negativas e significativas entre a integração com a ansiedade, a depressão e o transtorno depressivo-ansioso. Observa-se a integração atuando como agente protetor dos sujeitos frente à ocorrência dos TMC, já que os participantes mais integrados apresentaram menos ansiedade e depressão. Este estudo permitiu, portanto, verificar estatisticamente o potencial que a rede de apoio tem em ser utilizada como alternativa de cuidado na prevenção e acompanhamento dos pacientes portadores de TMC atendidos na APS.

No tocante ao isolamento, verificaram-se associações positivas e significativas deste com ansiedade, depressão e transtorno depressivo-ansioso, sendo que não se pode afirmar a direção da associação devido a existência da causalidade reversa nos estudos de corte transversal. Tal constatação constitui-se como uma limitação do presente estudo.

A concordância entre médicos de família de 07 países diferentes32 sobre a prevalência do transtorno depressivo-ansioso na APS apontou a relevância em se discutir as associações entre este e o IRS. Dessa forma, o presente estudo demonstrou que as associações do transtorno depressivo-ansioso com integração e isolamento foram mais fortes do que as encontradas entre ansiedade e depressão. Neste caso, é importante que os profissionais da ESF lancem mão de recursos com custo-efetividade e eficácia para atuar frente a este cenário. Os grupos de convivência foram identificados como importantes no combate ao isolamento e na melhoria de relações sociais, sendo uma alternativa de cuidado aos pacientes20.

Referente à presença de doenças físicas na amostra pesquisada, identificou-se que 32,7% dos pacientes tinham hipertensão arterial, 8,9% diabetes e 2,9% obesidade. No tocante à ocorrência dos TMC, verificou-se que 36,9% dos participantes apresentaram ansiedade, 25,1% depressão e 18,4% ansiedade e depressão concomitantemente. Tais achados corroboram dados descritos na literatura28,30,32.

No tocante ao perfil sociodemográfico da amostra pesquisada, houve predominância de mulheres (76,5%), o que confirma achados de pesquisas anteriores29,30,33,36, demonstrando a maior procura pelos serviços de saúde por parte delas. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD)42 confirma esse resultado afirmando ser 17% o percentual de mulheres que procuram os serviços de saúde, enquanto entre os homens esse valor é 12%.

Outras características identificadas foram: maioria de casados (62,5%), idade entre 36 e 55 anos (49,5%), a maioria referiu não ser branco (72,8%), o grau de escolaridade da amostra foi baixo já que 33,6% dos participantes estudaram até a quarta série; este dado revela a situação de vulnerabilidade social desses sujeitos, por ser um importante indicador desta condição social. Considerando que a alta escolaridade associa-se a uma maior utilização de padrões psicológicos e subjetivos na interação com outros sujeitos, nos relacionamentos interpessoais e na comunicação de sofrimento físico e emocional28,30,31, sugere-se que o grau de escolaridade encontrado afete tais fatores.

A renda da amostra foi baixa, sendo que 38,7% tinham renda familiar per capita mensal de até um salário mínimo. Neste sentido, uma pesquisa realizada Rio de Janeiro43 detectou correlações significativas entre os indicadores de pobreza e as seis regiões administrativas que detêm as piores condições de saúde. Todos os indicadores de saúde se mostraram significativamente correlacionados a todos os indicadores de desigualdade de renda.

Uma importante associação das variáveis sociodemográficas e econômicas desfavoráveis ocorreu entre estas e a presença de TMC. Gonçalves33 reforçou que a baixa renda e a baixa escolaridade se associam significativamente à presença de TMC e ao gênero feminino no contexto da APS, sendo este resultado característico do cenário brasileiro27,30,33. É importante ressaltar que a pesquisa foi realizada em unidades da ESF que tinham como público alvo moradores de favelas tanto na cidade do Rio de Janeiro quanto de São Paulo. A fragilidade das políticas públicas de moradia para as classes populares é histórica e ainda permite processos de ocupação irregular que constituem territórios com muitos problemas urbanos, como a ausência de saneamento básico – ocasionando doenças transmissíveis como a dengue –, problemas de saúde advindos de causas externas como a violência, altos níveis de desigualdade e privação econômica44.

Apesar das políticas públicas de inclusão social, essa população ainda sofre com privação de trabalho, renda, seguridade social e saúde. Porto et al.44 desenvolveram uma intervenção denominada promoção emancipatória da saúde baseada no reconhecimento dos direitos humanos por parte desta população e no reconhecimento das falas dos moradores e trabalhadores deste território, como disparadores do processo de transformação social. Esta ação pode ser um recurso para os profissionais da ESF que lidam em sua prática diária com diversas demandas do campo social.

Os achados do perfil sociodemográfico sinalizaram a necessidade de atenção, análise e intervenção, por estarem muito inferior ao esperado, considerando-se que a pesquisa foi realizada nas duas maiores cidades do Brasil. O desenho adotado para o estudo se constitui como sua principal limitação por não ser capaz de determinar a relação de causalidade. No entanto, os resultados encontrados permitiram a identificação das diferenças entre o padrão de associações e as diferentes categorias de adoecimento (físico ou mental). Como já descrito por Gonçalves et al.36, autor do artigo que iniciou as publicações do material da pesquisa-fonte, entre as limitações deste estudo consideramos o baixo registro dos médicos referente aos diagnósticos de doença física conforme discutido acima.

Os resultados desta pesquisa são relevantes por possibilitar comparar o comportamento da rede de apoio tanto nas DCNT como nos TMC. A metodologia quantitativa dessa pesquisa nos ajuda a observar de maneira empírica e numérica como as relações interpessoais e a existência de uma rede de apoio, composta pela família, amigos e vizinhos, pode ser uma estratégia e um recurso para otimizar os cuidados prestados à população no atendimento aos pacientes na atenção primária à saúde.

Conclusão

A contribuição deste artigo para as pesquisas sobre a rede de apoio consiste em comparar a composição da rede de apoio dos pacientes acometidos por doenças físicas e os portadores de transtornos mentais. A associação negativa do isolamento com o diabetes demonstrou que os níveis de isolamento decrescem à medida que crescem os índices de diabetes, sendo assim, demonstrando que a rede de apoio se aproxima dos doentes mais graves no caso das doenças físicas. No caso das associações entre TMC e integração, os participantes mais integrados apresentaram menos ansiedade e depressão e transtorno misto, sendo demonstrada relevância da rede para os pacientes acometidos por esses transtornos. Portanto, os resultados obtidos por este estudo ampliam as possibilidades de análises, discussões e aprofundamento das pesquisas sobre a rede de apoio.

Além disso, recomenda-se que os profissionais de saúde que trabalham na ESF estejam atentos aos relacionamentos familiares e sociais de seus pacientes, identificando o potencial deste recurso ou sua carência. Sugere-se o desenvolvimento de ações que fortaleçam a rede de apoio, reforcem a importância deste recurso para o paciente e favoreçam uma melhor utilização da mesma, resultando em benefícios aos pacientes e seus familiares. Mediante a constatação do importante papel do apoio social, faz-se necessário que os profissionais identifiquem em seus contextos qual a melhor forma de explorar o recurso da rede em favor dos cuidados dos seus pacientes. Grupos de convivência constituídos por pacientes e conduzidos por profissionais de saúde também são recursos eficazes na APS, no âmbito da rede de apoio.

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Recebido: 08 de Março de 2016; Revisado: 04 de Agosto de 2016; Aceito: 06 de Agosto de 2016

Colaboradores

EIS Aragão contribuiu na elaboração deste estudo, para análise de dados, para o desenvolvimento do manuscrito, incluindo a estrutura do manuscrito, revisando o texto e interpretando os resultados, redigindo a discussão e a conclusão. MR Campos coconceitualizou o estudo, coescreveu a proposta de financiamento para financiar o estudo, serviu como estatística líder e contribuiu para os resultados e interpretação dos resultados. FB Portugal realizou a análise estatística e elaborou os resultados dos dados e contribuiu para a redação e para as revisões do manuscrito. DA Gonçalves coconceituou o estudo, co-elaborou a pesquisa, coordenou a coleta de dados em São Paulo, colaborou na análise de dados, contribuiu para a redação e para as revisões criticas do manuscrito. JJ Mari contribuiu para o estudo na condução da coleta de dados na cidade de São Paulo, colaborou na análise de dados e contribuiu para as revisões do manuscrito. SLCL Fortes conceitualizou a pesquisa original, redigiu a proposta de financiamento para financiar o estudo, coordenou a coleta de dados no Rio de Janeiro, elaborou este estudo, sua análise de dados e escreveu o primeiro rascunho do artigo.

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