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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.9 Rio de Janeiro Sept. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018239.02532018 

ARTIGOS

Saúde bucal de adolescentes rurais quilombolas e não quilombolas: um estudo dos hábitos de higiene e fatores associados

Etna Kaliane Pereira da Silva1 

Patrícia Reis dos Santos1 

Tatiana Praxedes Rodrigues Chequer1 

Camila Moreira de Almeida Melo2 

Katiuscy Carneiro Santana2 

Maise Mendonça Amorim1 

Danielle Souto de Medeiros1 

1 Instituto Multidisciplinar em Saúde , Universidade Federal da Bahia . R. Hormindo Barros 58/quadra 17/lote 58, Candeias. 45029-094 Vitória da Conquista BA Brasil . etnakaliane@gmail.com

2 Secretaria Municipal de Saúde , Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista . Vitória da Conquista , BA , Brasil .

Resumo

Este estudo avaliou os hábitos de higiene bucal e sua associação com fatores socioculturais, ambientais e relacionados à utilização de serviços odontológicos entre adolescentes rurais quilombolas e não quilombolas do interior da Bahia. Foi um estudo transversal realizado em 2015. Estimaram-se prevalências e razões de prevalências para os desfechos e foi conduzida análise múltipla por regressão de Poisson com variância robusta. Foram entrevistados 390 adolescentes, 42,8% quilombolas. Escovação dentária insatisfatória e não uso do fio dental foram encontrados em 33,3% e 46,7% dos adolescentes, respectivamente. Mostraram aumentar a escovação dentária insatisfatória: sexo masculino (RP = 1,45), não morar com ambos os pais (RP = 1,45), menor hábito de lavar as mãos (RP = 1,72) e pior autoavaliação da saúde bucal (RP = 1,38). Com o não uso de fio dental, mostraram-se associados: nível econômico E (RP = 1,54), maior idade (RP = 0,91) menor hábito de lavar as mãos (RP = 1,53) e pior autoavaliação da saúde bucal (RP = 1,33). Distintos fatores associados foram observados entre quilombolas e não quilombolas. Ressalta-se a necessidade de se considerar as especificidades das populações para a promoção da saúde bucal dos adolescentes e a importância da intersetorialidade entre educação e saúde e a atenção às famílias.

Palavras-Chave: Saúde bucal; Adolescente; Saúde da população rural; Origem étnica e saúde

Introdução

A adolescência, fase da vida situada entre a infância e a idade adulta, é considerada um período em que se requisita atenção diferenciada no que tange à saúde geral e bucal 1 . Transformações fisiológicas, psicológicas e sociais, típicas dessa fase, tornam esse grupo populacional mais vulnerável a situações de risco à sua saúde 2 .

A saúde bucal é um aspecto relevante na vida dos adolescentes. Uma percepção desfavorável da saúde bucal influencia na autoestima e socialização desse grupo 3 , 4 . Entre os agravos bucais que podem interferir na qualidade de vida dos adolescentes estão a cárie dentária não tratada, oclusopatia grave, dor e perda dentária e sangramento gengival 5 , 6 .

Uma das formas de prevenção das doenças e agravos bucais é a higiene bucal adequada, sendo a escovação dentária e o uso de fio dental ferramentas indispensáveis 1 . Estudos brasileiros evidenciam que as prevalências de escovação dentária (≥ 3 vezes/dia) variam entre 49,8 a 77,0% entre os adolescentes. Entretanto, o uso de fio dental ainda não é um hábito consolidado quando comparado com a escovação, com frequências que variam de 0,5% a 51,0% 7 , 8 .

Os hábitos de higiene bucal são influenciados por diferentes fatores relacionados ao indivíduo e à sua família. Observam-se maiores prevalências de hábitos insatisfatórios nos adolescentes do sexo masculino, com menores nível econômico e grau de escolaridade materna, e que relatam sentir-se sozinhos 7 , 9 , 10 . Estudos internacionais têm revelado que baixas prevalências de escovação dentária e uso de fio dental estão associados à residência em áreas rurais 11 , 12 . No Brasil, um estudo com crianças e adolescentes rurais de 6 a 12 anos evidenciou escovação dentária (≥ 3 vezes/dia) em 56,4% e uso de fio dental em 26,4% dos entrevistados 13 .

O local de residência configura-se uma dimensão constitutiva da situação de saúde bucal de grupos sociais. Indivíduos com perfis sociais semelhantes podem apresentar diferentes níveis de saúde bucal, a depender da localidade e atributos da moradia 14 .

Os adolescentes quilombolas residem, em sua maioria, em comunidades rurais com relações territoriais específicas, relacionadas com a resistência à opressão histórica sofrida por essa população 15 , 16 . Convivem com vulnerabilidades sociais relacionadas ao seu local de moradia, como menor cobertura de abastecimento de água por rede geral de distribuição e de coleta regular de lixo, baixo grau de escolaridade e renda familiar, quando comparadas com as demais comunidades rurais 17 , assim como dificuldades no acesso ao serviço odontológico 18 .

Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar os hábitos de higiene bucal e sua associação com fatores socioculturais, ambientais e relacionados à utilização de serviços odontológicos entre adolescentes rurais quilombolas e não quilombolas de uma área rural do interior da Bahia.

Métodos

Trata-se de um estudo transversal, de base populacional e abordagem domiciliar, realizado com adolescentes entre 10 e 19 anos de idade, residentes em 21 comunidades rurais quilombolas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares (FCP) 15 e não quilombolas de Vitória da Conquista, BA. Este estudo faz parte da pesquisa Adolescer: Saúde do Adolescente da Zona Rural e seus Condicionantes , aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos do Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia.

A estratégia amostral considerou a extensão territorial e a população de adolescentes residentes nas comunidades rurais, a fim de garantir a representatividade e a viabilidade da pesquisa. Foram utilizados como princípios amostrais: selecionar domicílios proporcionalmente ao número de adolescentes por comunidade e entrevistar apenas um destes por domicílio. Além disso, para possibilitar a obtenção de estimativas válidas para as populações quilombolas e não quilombolas, a amostra foi calculada separadamente para cada estrato.

A população de pesquisa foi estimada em 811 adolescentes, divididos em dois estratos: quilombolas (n = 350) residentes nas comunidades quilombolas reconhecidas pela FCP e não quilombolas (n = 461). Esse universo amostral foi obtido a partir de um levantamento realizado nas Unidades de Saúde da Família (USF) e confirmado em posterior mapeamento das comunidades.

Para o delineamento amostral foram considerados como critérios: prevalência de 50%, dada à heterogeneidade dos eventos mensurados, precisão de 5%, nível de confiança de 95% e efeito de desenho igual a 1,0, totalizando 184 adolescentes quilombolas e 210 não quilombolas. Foram acrescidos 15% para minimizar as possíveis perdas. Contudo, ao considerar que seria entrevistado apenas um adolescente por domicílio e, entre os quilombolas, o número de domicílios seria superado, foram acrescidas 7,1% para perdas nesse grupo.

A amostragem para o estrato não quilombola foi realizada selecionando aleatoriamente os domicílios que continham adolescentes, seguido à distribuição proporcional destes por comunidade. Posteriormente, houve seleção aleatória de adolescentes por domicílio. Já para o estrato quilombola, procedeu-se apenas seleção aleatória dos adolescentes por domicílio. Considerou-se como critério de exclusão a presença de transtornos mentais graves com comprometimento cognitivo entre os adolescentes.

O instrumento utilizado para a realização das entrevistas foi um questionário estruturado elaborado a partir de inquéritos realizados no Brasil. Para este estudo, foram utilizadas questões oriundas da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 19 , da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 20 e da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SBBrasil) 21 .

O questionário foi dividido em dois blocos, o primeiro, contendo questionamentos sobre características domiciliares e econômicas, foi respondido pelo adolescente (quando com idade ≥ 18 anos) ou por seu responsável. O segundo bloco foi respondido apenas pelo adolescente, contendo informações sobre o mesmo.

Foi realizado o estudo piloto em dezembro de 2014 com adolescentes rurais não pertencentes ao estudo principal. A coleta de dados aconteceu entre janeiro e maio de 2015. Foram realizadas re-entrevistas em 5% dos domicílios da amostra, no período de até 7 dias após a primeira, no intuito de garantir a qualidade dos dados.

Os hábitos de higiene bucal foram avaliados a partir da frequência de escovação dentária e de utilização de fio dental. A frequência de escovação dentária foi obtida a partir da pergunta Nos últimos 30 dias, quantas vezes por dia você usualmente escovou os dentes? com as seguintes opções de respostas: a) Não escovei meus dentes nos últimos 30 dias, b) Uma vez por dia, c) Duas vezes por dia, d) Três vezes por dia, e) Quatro ou mais vezes por dia e f) Não escovei meus dentes diariamente. Já o uso de fio dental foi obtido a partir do seguinte questionamento O que você usa para fazer a limpeza da sua boca? , em que uma das perguntas secundárias era “ Fio dental? (não; sim)”. Para fins de análises bivariada e multivariada foram consideradas como desfechos: (1) frequência insatisfatória de escovação dentária, quando inferior a três vezes ao dia; (2) não utilização do fio dental.

As variáveis independentes foram selecionadas levando em consideração um modelo conceitual baseado em Petersen 22 , organizado em dois blocos. O primeiro bloco foi constituído pelos fatores socioculturais e ambientais e o segundo por variáveis relacionadas à utilização de serviços odontológicos.

Os fatores socioculturais foram: nível econômico 23 (B e C – níveis mais altos; D; E – nível mais baixo); sexo; cor/raça, categorizada em negro (pardos e pretos) e não negro (brancos, amarelos e indígenas); idade; escolaridade; experimentação de uma dose de bebida alcoólica; experimentação de tabaco; experimentação de drogas ilícitas; prática de atividade física; número de amigos próximos; composição familiar; sentimento de solidão nos últimos 12 meses; compreensão dos problemas pessoais pelos pais nos últimos 30 dias.

Possuir como principal fonte de abastecimento de água a rede geral de distribuição foi considerado um fator ambiental, assim como o hábito de higienizar as mãos antes das refeições. O segundo bloco foi composto pelas seguintes variáveis: autoavaliação da saúde bucal; percepção da necessidade de tratamento dentário; dor dentária nos últimos 6 meses; e consulta odontológica no último ano.

Foi realizada uma análise descritiva das características relacionadas à saúde bucal por meio da distribuição de frequências para amostra total e por estrato, quilombola e não quilombola, assim como a estimativa da prevalência de escovação dentária e uso de fio dental. As diferenças entre as proporções foram avaliadas pelos testes qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher.

Para identificar as variáveis associadas à escovação dentária insatisfatória e a não utilização de fio dental, realizou-se análise bivariada. As estimativas de razão de prevalência e respectivos intervalos de confiança foram feitos por meio da regressão de Poisson com variância robusta para a amostral total e por estrato. Todas as variáveis com nível de significância menor que 20% foram incluídas na análise múltipla.

Foi adotada na análise múltipla a entrada hierárquica das variáveis em blocos. As variáveis do primeiro bloco permaneceram como fatores de ajuste para o segundo hierarquicamente inferior, permanecendo no modelo aquelas que apresentaram valor de p < 0,05. A comparação entre modelos foi feita pelo critério de Akaike e de informação Bayesiana. A adequação dos valores preditos pelos modelos aos valores observados foi avaliada pelo qui-quadrado. O programa Stata, versão 15.0 ( Stata Corporation, College Station , USA) foi utilizado para as análises dos dados.

Resultados

Foram entrevistados 390 adolescentes, dos quais 42,8% (167) eram quilombolas. O hábito de escovação dentária menor que três vezes ao dia foi observado em 33,3% da amostra total, em 32,7% dos adolescentes não quilombolas e em 34,1% dos quilombolas (Figura 1A). A prevalência de não uso de fio dental foi de 46,7% para o total de adolescentes e de 46,2% e 47,3% entre não quilombolas e quilombolas, respectivamente (Figura 1B). Não foram encontradas diferenças significativas entre os dois estratos avaliados.

Figura 1 Prevalência de escovação dentária e uso de fio dental na amostra total, não quilombola e quilombola. Bahia, 2015. 

A maioria dos adolescentes relatou utilizar escova dental e dentifrício (99,7%) para realizar a higiene bucal e 49,5% afirmaram substituir a escova dental com menos de 3 meses de uso. Quanto à saúde bucal, 63,0% dos adolescentes consideraram sua saúde bucal boa ou muito boa, 48,1% relataram necessidade de tratamento dentário e 2,6% de prótese dentária total, 19,6% afirmaram dor dentária nos últimos seis meses e 73,1% disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com seus dentes e boca ( Tabela 1 ).

Tabela 1 Características relacionadas à saúde bucal na amostra total, adolescentes quilombolas e não quilombolas. Bahia, 2015. 

Variáveis Total Não Quilombola Quilombola Valor de p

n* (%) n * (%) n * (%)
Uso de escova dental 1,000
Não 1 0,3 1 0,4 0 0,0
Sim 389 99,7 222 99,6 167 100,0
Uso de dentifrício 1,000
Não 1 0,3 1 0,4 0 0,0
Sim 389 99,7 222 99,6 167 100,0
Substituição da escova dental 0,156
Com menos de 3 meses 193 49,5 119 53,4 74 44,3
Entre 3 meses e menos de 6 meses 155 39,7 84 37,7 71 42,5
Entre 6 meses e mais / Nunca trocou 42 10,8 20 9,0 22 13,2
Autoavaliação da saúde bucal 0,375
Muito boa/boa 245 63,0 144 64,9 101 60,5
Regular / ruim / muito ruim 144 37,0 78 35,1 66 39,5
Necessidade de tratamento dentário 0,577
Não 202 51,9 118 53,1 84 50,3
Sim 187 48,1 104 46,9 83 49,7
Necessidade de prótese dentária total 0,855
Não 380 97,4 217 97,3 163 97,6
Sim 10 2,6 6 2,7 4 2,4
Dor dentária nos últimos seis meses 0,521
Não 312 80,4 181 81,5 131 78,9
Sim 76 19,6 41 18,4 35 21,1
Satisfação com os dentes/boca 0,251
Muito satisfeito/ Satisfeito 285 73,1 165 74,0 120 71,9
Nem satisfeito nem insatisfeito 71 18,2 43 19,3 28 16,8
Insatisfeito/ Muito insatisfeito 34 8,7 15 6,7 19 11,4
Consulta odontológica alguma vez na vida 0,001
Sim 329 84,4 200 89,7 129 77,3
Não 61 15,6 23 10,3 38 22,7
Consulta odontológica no último ano 0,431
Sim 260 66,8 152 68,5 108 64,7
Não 129 33,2 70 31,5 59 35,3
Tipo de serviço da última consulta odontológica 0,706
Serviço particular 106 32,2 66 33,0 40 31,0
Serviço público 223 67,8 134 67,0 89 69,0
Local da última consulta odontológica 0,231
Unidade Saúde da Família 219 66,8 126 63,3 93 72,1
Consultório particular ou clínica privada 88 26,8 58 29,2 30 23,3
Outros 21 6,4 15 7,5 6 4,6
Motivo da última consulta odontológica 0,227
Limpeza, manutenção, revisão ou prevenção 167 50,8 106 53,0 61 47,3
Dor de dente/ Extração/ Problemas na gengiva/ Tratamento dentário 138 41,9 77 38,5 61 47,3
Aparelho ortodôntico/ Orçamento/ Outros 24 7,3 17 8,5 7 5,4
Avaliação da última consulta odontológica 0,730
Muito bom/ Bom 281 85,4 170 85,0 111 86,0
Regular 35 10,6 23 11,5 12 9,3
Ruim / Muito ruim 13 4,0 7 3,5 6 4,7

* n: número de indivíduos; Frequência relativa; Valor de p calculado pelo qui-quadrado para comparação entre os estratos quilombola e não quilombola.

Do total de adolescentes, 15,6% relataram nenhuma consulta odontológica na vida e 33,2% nenhuma consulta odontológica no último ano. Dos adolescentes que já realizaram uma consulta odontológica, 67,8% utilizaram o serviço público e 66,8% foram atendidos numa USF, 50,8% realizaram por motivo de limpeza, manutenção, revisão ou prevenção, 41,9% devido à dor de dente, extração, problemas na gengiva e tratamento dentário e 7,3% para manutenção de aparelho ortodôntico ou orçamentos, 85,4% consideraram a última consulta boa ou muito boa. Diferenças entre adolescentes quilombolas e não quilombolas foram observadas apenas para a variável consulta odontológica alguma vez na vida em que 22,7% e 10,3% relataram nenhuma consulta, respectivamente ( Tabela 1 ).

A escovação dentária insatisfatória foi significativamente superior nos adolescentes do sexo masculino, que não moravam com ambos os pais, não higienizavam as mãos antes das refeições frequentemente e consideravam sua saúde bucal regular, ruim ou muito ruim ( Tabela 2 ).

Tabela 2 Prevalência, razão de prevalência e intervalo de confiança 95% de escovação dentária menor que três vezes ao dia para a amostra total, não quilombola e quilombola. Bahia, 2015. 

Variáveis Amostra Total Não Quilombola Quilombola

n * P (%) RP IC95% § n * P (%) RP IC95% § n * P (%) RP IC95% §
Fatores socioculturais
Nível econômico
B e C 46 30,5 1,00 - 34 30,6 1,00 - 12 30,0 1,00 -
D 64 35,0 1,15 0,84 – 1,59 33 35,9 1,17 0,79 – 1,73 31 34,1 1,13 0,65 – 1,98
E 20 35,8 1,17 0,76 – 1,80 6 30,0 0,97 0,47 – 2,02 14 38,9 1,29 0,69 – 2,43
Sexo
Feminino 56 28,0 1,00 - 25 22,9 1,00 - 31 34,1 1,00 -
Masculino 74 38,9 1,39 1,04 – 1,85 48 42,1 1,83 1,22 – 2,75 26 34,2 1,00 0,65 – 1,53
Cor
Não negro 31 33,7 1,00 - 22 33,8 1,00 - 9 33,3 1,00 -
Negro 99 33,2 0,98 0,70 – 1,37 51 32,3 0,95 0,63 – 1,44 48 34,3 1,03 0,57 – 1,84
Idade 130 - 0,98 0,93 – 1,03 73 - 0,99 0,93 – 1,06 57 - 0,95 0,88 – 1,03
Escolaridade 130 - 0,98 0,93 – 1,03 73 - 0,98 0,91 – 1,05 57 - 0,98 0,90 – 1,07
Experimentação de bebida alcoólica
Não 88 31,4 1,00 - 48 31,4 1,00 - 40 31,5 1,00 -
Sim 42 38,2 1,21 0,90 – 1,63 25 35,7 1,13 0,77 – 1,69 17 42,5 1,34 0,86 – 2,10
Experimentação de tabaco
Não 124 33,5 1,00 - 68 32,3 1,00 - 56 35,2 1,00 -
Sim 6 30,0 0,89 0,45 – 1,78 5 41,8 1,29 0,64 – 2,60 1 12,5 0,35 0,05 – 2,25
Experimentação de drogas ilícitas
Não 127 33,2 1,00 - 70 32,1 1,00 - 57 34,5 - -
Sim 3 42,9 1,29 0,54 – 3,07 3 60,0 1,86 0,89 – 3,93 0 0,00 - -
Prática de atividade física
Maior ou igual 300 min/semana 63 35,2 1,00 - 37 36,6 1,00 - 26 33,3 1,00 -
Menor que 300 min/semana 67 31,7 0,90 0,68 – 1,19 36 29,5 0,80 0,55 – 1,17 31 34,8 1,04 0,68 – 1,60
Amigos próximos
Até 2 amigos 18 27,3 1,00 - 12 30,7 1,00 - 6 22,2 1,00 -
3 ou mais 112 34,6 1,26 0,83 – 1,93 61 33,1 1,07 0,64 – 1,80 51 36,4 1,63 0,78 – 3,44
Composição familiar
Mora com pai e mãe 77 29,2 1,00 - 44 28,0 1,00 - 33 30,8 1,00 -
Mora apenas com o pai e com a mãe / Não mora com os pais 53 42,1 1,44 1,09 – 1,90 29 43,9 1,57 1,08 – 2,27 24 40,0 1,30 0,85 – 1,98
Sentimento de solidão
Nunca ou raramente 77 31,2 1,00 - 44 31,4 1,00 - 33 30,9 1,00 -
Às vezes /Na maioria das vezes / sempre 53 37,1 1,19 0,89 – 1,58 29 34,9 1,11 0,76 – 1,63 24 40,0 1,30 0,85 – 1,98
Compreensão dos problemas pelos pais
Na maior parte do tempo ou sempre 56 34,4 1,00 - 36 38,7 1,00 - 20 28,6 1,00 -
Às vezes 35 28,3 0,82 0,58 – 1,17 15 21,1 0,54 0,32 – 0,92 20 37,7 1,32 0,79 – 2,19
Nenhuma vez ou raramente 37 37,8 1,09 0,79 – 1,53 21 38,2 0,99 0,64 – 1,51 16 37,2 1,30 0,79 – 2,23
Fatores Ambientais
Abastecimento de água por rede geral de distribuição
Sim 101 31,5 1,00 - 61 31,6 1,00 - 40 31,2 1,00 -
Não 28 41,2 1,30 0,94 – 1,81 12 40,0 1,26 0,78 – 2,06 16 42,1 1,35 0,85 – 2,12
Higienização das mãos antes das refeições
Na maior parte do tempo ou sempre 74 27,2 1,00 - 42 26,2 1,00 - 32 28,6 1,00 -
Às vezes / nenhuma vez / raramente 56 47,5 1,74 1,33 – 2,29 31 49,2 1,87 1,30 – 2,69 25 45,5 1,59 1,05 – 2,40
Utilização dos serviços odontológicos
Autoavaliação da saúde bucal
Muito boa/boa 67 27,3 1,00 - 41 28,5 1,00 - 26 25,7 1,00 -
Regular / ruim / muito ruim 62 43,1 1,57 1,19 – 2,09 31 39,8 1,39 0,95 – 2,03 31 47,0 1,82 1,20 – 2,78
Necessidade de tratamento dentário
Não 69 34,2 1,00 - 41 34,7 1,00 - 28 33,3 1,00 -
Sim 60 32,1 0,94 0,71 – 1,25 31 29,8 0,86 0,58 – 1,26 29 34,9 1,04 0,69 – 1,60
Dor dentária nos últimos seis meses
Não 107 34,3 1,00 - 63 34,8 1,00 - 44 33,6 1,00 -
Sim 21 27,6 0,80 0,54 – 1,20 9 21,9 0,63 0,34 – 1,16 12 34,3 1,02 0,60 – 1,72
Consulta odontológica no último ano
Sim 79 30,4 1,00 - 41 27,0 1,00 - 38 35,2 1,00 -
Não 51 39,5 1,30 0,98 – 1,73 32 45,7 1,69 1,17 – 2,44 19 32,2 0,92 0,58 – 1,44

*n: número de indivíduos; †P: prevalência de escovação menor que três vezes ao dia; ‡RP: razão de prevalência; § IC95%: intervalo de 95% de confiança.

Entre os adolescentes não quilombolas, observou-se associação positiva e significativa entre a escovação dentária insatisfatória e sexo masculino, não morar com ambos os pais, menor frequência de higienização das mãos antes das refeições e não realização de consulta odontológica no último ano. Foi observada associação negativa com compreensão dos pais acerca de seus problemas às vezes nos últimos 30 dias. No estrato quilombola, a escovação dentária menor que três vezes ao dia foi mais prevalente entre os que não higienizavam as mãos antes das refeições frequentemente e os que afirmaram ter uma pior saúde bucal ( Tabela 2 ).

Em relação à não utilização do fio dental, na amostra total foi observada associação positiva e significativa com nível econômico E, ausência da rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento de água, higienização das mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez, e saúde bucal regular, ruim ou muito ruim. Foi observada associação negativa com a maior idade e escolaridade ( Tabela 3 ).

Tabela 3 Prevalência, razão de prevalência e intervalo de confiança 95% de não utilização de fio dental para a amostra total, não quilombola e quilombola. Bahia, 2015. 

Variáveis Amostra Total Não Quilombola Quilombola

n * P (%) RP IC95% § n * P (%) RP IC95% § n * P (%) RP IC95% §
Fatores socioculturais
Nível econômico
B e C 64 42,4 1,00 - 47 42,3 1,00 - 17 42,5 1,00 -
D 81 44,3 1,04 0,81 – 1,34 42 45,6 1,08 0,79 – 1,47 39 42,9 1,01 0,65 – 1,55
E 37 66,1 1,56 1,20 – 2,03 14 70,0 1,65 1,15 – 2,37 23 63,9 1,50 0,97 – 2,33
Sexo
Feminino 89 44,5 1,00 - 47 43,1 1,00 - 42 46,1 1,00 -
Masculino 93 48,9 1,10 0,89 – 1,36 56 49,1 1,14 0,85 – 1,52 37 48,7 1,05 0,76 – 1,45
Cor
Não negro 49 53,3 1,00 - 34 52,3 1,00 - 15 55,6 1,00 -
Negro 133 44,6 0,84 0,66 – 1,05 69 43,7 0,83 0,62 – 1,12 64 45,7 0,82 0,56 – 1,21
Idade 182 - 0,91 0,88 – 0,95 103 - 0,91 0,86 – 0,96 79 - 0,91 0,86 – 0,97
Escolaridade 182 - 0,92 0,89 – 0,96 103 - 0,91 0,87 – 0,96 79 - 0,94 0,88 – 1,00
Experimentação de bebida alcoólica
Não 131 46,8 1,00 - 72 47,1 1,00 - 59 46,5 1,00 -
Sim 51 46,4 0,99 0,78 – 1,25 31 44,3 0,94 0,69 – 1,29 20 50,0 1,08 0,75 – 1,55
Experimentação de tabaco
Não 173 46,8 1,00 - 98 46,4 1,00 - 75 47,2 1,00 -
Sim 9 45,0 0,96 0,58 – 1,58 5 41,7 0,90 0,45 – 1,78 4 50,0 1,06 0,52 – 2,16
Experimentação de drogas ilícitas
Não 178 46,5 1,00 - 100 45,8 1,00 - 78 47,3 1,00 -
Sim 4 57,1 1,23 0,64 – 2,36 3 60,0 1,31 0,63 – 2,72 1 50,0 1,06 0,26 – 4,29
Prática de atividade física
Maior ou igual 300 min/semana 81 45,3 1,00 - 47 46,5 1,00 - 34 43,6 1,00 -
Menor que 300 min/semana 101 47,8 1,05 0,85 – 1,31 56 45,9 0,99 0,74 – 1,31 45 50,6 0,43 0,84 – 1,61
Amigos próximos
Até 2 amigos 26 39,4 1,00 - 18 46,1 1,00 - 8 29,6 1,00 -
3 ou mais 156 48,1 1,22 0,89 – 1,68 85 46,2 1,00 0,69 – 1,45 71 50,7 1,71 0,94 – 3,13
Composição familiar
Mora com pai e mãe 128 48,5 1,00 - 75 47,8 1,00 - 53 49,5 1,00 -
Mora apenas com o pai e com a mãe / Não mora com os pais 54 42,9 0,88 0,69 – 1,12 28 42,4 0,89 0,64 – 1,23 26 43,3 0,87 0,62 – 1,24
Sentimento de solidão
Nunca ou raramente 113 45,7 1,00 - 62 44,3 1,00 - 51 47,7 1,00 -
Às vezes /Na maioria das vezes /sempre 69 48,2 1,05 0,85 – 1,31 41 49,4 1,12 0,84 – 1,49 28 46,6 0,98 0,70 – 1,37
Compreensão dos problemas pelos pais
Na maior parte do tempo ou sempre 75 46,0 1,00 - 49 52,7 1,00 - 26 37,1 1,00 -
Às vezes 56 45,2 0,98 0,76 – 1,27 28 38,4 0,74 0,53 – 1,06 28 52,8 1,42 0,95 – 2,11
Nenhuma vez ou raramente 50 51,2 1,10 0,86 – 1,43 25 45,4 0,86 0,61 – 1,22 25 58,1 1,56 1,05 – 2,33
Fatores Ambientais
Abastecimento de água por rede geral de distribuição
Sim 140 43,6 1,00 - 87 45,1 1,00 - 53 41,4 1,00 -
Não 41 60,3 1,38 1,10 – 1,74 16 53,3 1,18 0,82 – 1,71 25 65,8 1,59 1,17 – 2,16
Higienização das mãos antes das refeições
Na maior parte do tempo ou sempre 111 40,8 1,00 - 62 38,7 1,00 - 49 43,7 1,00 -
Às vezes / nenhuma vez / raramente 71 60,2 1,47 1,20 – 1,81 41 65,1 1,68 1,29 – 2,19 30 54,5 1,25 0,90 – 1,72
Utilização dos serviços odontológicos
Autoavaliação da saúde bucal
Muito boa/boa 103 42,0 1,00 - 61 41,4 1,00 - 42 41,6 1,00 -
Regular / ruim / muito ruim 78 54,2 1,29 1,04 – 1,59 41 52,6 1,24 0,93 – 1,65 37 56,1 1,35 0,98 – 1,85
Necessidade de tratamento dentário
Não 92 45,5 1,00 - 51 43,2 1,00 - 41 48,8 1,00 -
Sim 89 47,6 1,04 0,84 – 1,29 51 49,0 1,13 0,85 – 1,51 38 45,8 0,94 0,68 – 1,29
Dor dentária nos últimos seis meses
Não 148 47,4 1,00 - 86 47,5 1,00 - 62 47,3 1,00 -
Sim 32 42,1 0,89 0,66 – 1,18 16 39,0 0,82 0,54 – 1,24 16 45,7 0,96 0,64 - 1,45
Consulta odontológica no último ano
Sim 119 45,8 1,00 - 61 40,1 1,00 - 58 53,7 1,00 -
Não 62 48,1 1,05 0,84 – 1,31 41 58,6 1,45 1,11 – 1,93 21 35,6 0,66 0,45 – 0,97

*n: número de indivíduos; †P: prevalência de não utilizaçãode fio dental; ‡RP: razão de prevalência; § IC95%: intervalo de 95% de confiança.

A não utilização do fio dental foi mais prevalente entre os adolescentes não quilombolas do nível econômico E, que relataram não higienizar as mãos antes das refeições frequentemente e não consultaram um dentista no último ano, e menos prevalente entre os adolescentes com maior idade e escolaridade. Entre os quilombolas, observou-se associação positiva com a compreensão dos problemas pessoais pelos pais nenhuma vez ou raramente nos últimos 30 dias e com ausência da rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento de água e negativa com a maior idade e não terem consultado odontólogo no último ano ( Tabela 3 ).

Os seguintes fatores mostraram-se independentemente associados à escovação dentária insatisfatória na amostra total: ser do sexo masculino (RP = 1,45 IC95% = 1,10–1,92); morar apenas com um dos pais ou não morar com os pais (RP = 1,45 IC95% = 1,11–1,90); higienizar as mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez (RP = 1,72 IC95% = 1,32–2,24); e relatar saúde bucal ruim ou muito ruim (RP = 1,38 IC95% = 1,05–1,82). Para o estrato não quilombola, ser do sexo masculino (RP = 1,96 IC95% = 1,32–2,91), morar apenas com um dos pais ou não morar com os pais (RP = 1,57 IC95% = 1,12–2,21), higienizar as mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez (RP = 1,91 IC95% = 1,36–2,68) e não ter consultado um dentista no último ano (RP = 1,50 IC95% = 1,04–2,16) estiveram positivamente associados. Para o quilombola, associação positiva foi encontrada com higienização das mãos antes das refeições às vezes/frequentemente (RP = 1,59 IC95% = 1,05–2,40) e relato de uma saúde bucal ruim ou muito ruim (RP = 1,72 IC95% = 1,12–2,62) ( Tabela 4 ).

Tabela 4 Fatores associados à escovação dentária menor que três vezes ao dia e ao não uso de fio dental, segundo modelo de regressão, para a amostra total, não quilombola e quilombola. Bahia, 2015. 

Escovação dentária insatisfatória

Variáveis Amostra Total Não Quilombola Quilombola

RP * IC95% RP * IC95% RP * IC95%
Sexo
Feminino 1,00 - 1,00 - - -
Masculino 1,45 1,10 – 1,92 1,96 1,32 – 2,91 - -
Composição familiar
Mora com pai e mãe 1,00 - 1,00 - - -
Mora com apenas um dos pais ou não mora com os pais 1,45 1,11 – 1,90 1,57 1,12 – 2,21 - -
Higienização das mãos antes das refeições
Na maior parte do tempo ou sempre 1,00 - 1,00 - 1,00 -
Às vezes / raramente/ nenhuma vez 1,72 1,32 – 2,24 1,91 1,36 – 2,68 1,59 1,05 – 2,40
Autoavaliação da saúde bucal
Muito boa/boa 1,00 - - - 1,00 -
Regular/ Ruim/ Muito ruim 1,38 1,05 – 1,82 - - 1,72 1,12 – 2,62
Consulta odontológica no último ano
Sim - - 1,00 - - -
Não - - 1,50 1,04 – 2,16 - -

Não uso de fio dental

Variáveis Amostra Total Não Quilombola Quilombola

RP * IC95% RP * IC95% RP * IC95%

Nível econômico
B e C 1,00 - 1,00 - - -
D 1,03 0,82 – 1,31 1,04 0,78 – 1,40 - -
E 1,54 1,19 – 2,01 1,57 1,12 – 2,22 - -
Idade 0,91 0,88 – 0,95 0,91 0,86 – 0,95 0,91 0,86 – 0,97
Compreensão dos problemas pelos pais
Na maior parte do tempo ou sempre - - - - 1,00 -
Às vezes - - - - 1,51 1,04 – 2,20
Nenhuma vez ou raramente - - - - 1,64 1,11 – 2,42
Abastecimento de água por rede geral de distribuição
Sim - - - - 1,00 -
Não - - - - 1,46 1,07 – 2,00
Higienização das mãos antes das refeições
Na maior parte do tempo ou sempre 1,00 - 1,00 - - -
Às vezes / raramente/ nenhuma vez 1,53 1,25 – 1,88 1,71 1,31 – 2,23 - -
Autoavaliação da saúde bucal
Muito boa/boa 1,00 - - - 1,00 -
Regular / Ruim/ Muito ruim 1,33 1,09 – 1,64 - - 1,51 1,12 – 2,05
Consulta odontológica no último ano
Sim - - 1,00 - - -
Não - - 1,31 <1,00-1,71 - -

* RP: razão de prevalência ajustada; IC95%: intervalo de 95% de confiança.

A não utilização de fio dental na amostra total mostrou-se independentemente associado ao nível econômico E (RP = 1,54 IC95% = 1,19–2,01), idade (RP = 0,91 IC95% = 0,88–0,95), higienizar as mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez (RP = 1,53 IC95% = 1,25–1,88) e relatar saúde bucal ruim ou muito ruim (RP = 1,33 IC95% = 1,09–1,64) ( Tabela 4 ).

Entre os adolescentes não quilombolas, mantiveram-se independentemente associados ao não uso de fio dental: nível econômico E (RP = 1,57 IC95% = 1,12–2,22), idade (RP = 0,91 IC95% = 0,86–0,95), higienizar as mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez (RP = 1,71 IC95% = 1,31–2,23) e não ter consultado um dentista no último ano (RP = 1,31 IC95% = < 1,00–1,71). Nos quilombolas, encontrou-se associação positiva com compreensão dos problemas pessoais pelos pais às vezes, raramente ou nenhuma vez nos últimos 30 dias (RP = 1,51,IC95% = 1,04–2,20, às vezes e RP = 1,64,IC95% = 1,11–2,42, nenhuma vez ou raramente), ausência da rede de distribuição como principal forma de abastecimento de água (RP = 1,46 IC95% = 1,07–2,00) e relatar saúde bucal ruim ou muito ruim (RP = 1,51 IC95% = 1,12–2,05) e associação negativa com ter maior idade (RP = 0,91 IC95% = 0,86–0,97) ( Tabela 4 ).

Discussão

Hábitos satisfatórios de higiene bucal, escovação dentária e uso de fio dental, foram encontrados na maioria da população estudada. Os adolescentes quilombolas e não quilombolas não diferiram em relação à prevalência desses hábitos, contudo, diferenças foram encontradas nos fatores socioculturais, ambientais e relacionados à utilização dos serviços odontológicos associados a essas práticas.

Freire et al. 10 , num estudo com estudantes brasileiros do 9º ano do Ensino Fundamental, encontraram resultados semelhantes ao presente estudo para a escovação dentária ≥ 2 vezes/dia nos anos de 2009 (95,2%) e 2012 (91,7%). Contudo, a escovação ≥ 3x/dia, apontada por diversos estudos como a frequência diária recomendada para a adolescência, apresentou prevalência inferior à encontrada entre adolescentes de diferentes regiões brasileiras 4 , 7 , 8 , 24 .A utilização do fio dental foi superior ao apresentado por estudos realizados com crianças e adolescentes (9 a 12 anos) da zona rural de Pernambuco (33,3%) 13 , com adolescentes rurais e urbanos em Campina Grande, PB (0,5%) 8 , e com adolescentes urbanos de outras regiões brasileiras 4 , 7 . Estudos internacionais apresentaram prevalências inferiores de escovação dentária e de utilização do fio dental 11 , 25 - 37 .

A literatura evidencia que os brasileiros possuem uma boa frequência nos hábitos de higiene bucal, no entanto, a qualidade dessa higienização pode deixar a desejar 1 . Essa situação contribui para que a erradicação das doenças bucais no país ainda seja uma realidade distante. No entanto, destaca-se que não apenas práticas individuais são responsáveis pelo cuidado em saúde bucal, e sim que, na falta de outros tipos de políticas sociais, essas práticas tornam-se ainda mais importantes 1 .

Os adolescentes quilombolas e não quilombolas não diferiram em relação às prevalências de escovação dentária e utilização do fio dental, mas diferenças foram encontradas na utilização dos serviços odontológicos alguma vez na vida e nos fatores associados aos hábitos de higiene bucal insatisfatórios, evidenciando que há especificidades entre esses grupos.

A semelhança nas prevalências de aspectos comportamentais relacionados à saúde entre quilombolas e não quilombolas foi também relatada por Silva et al. 28 , em estudo sobre a experimentação do tabaco nessa mesma população. Sugere-se que o convívio social desses adolescentes na escola poderia favorecer a influência mútua entre eles, transpondo efeitos da família, do ambiente e da sua vizinhança 11 , 29 . Esse convívio é ainda mais evidente em regiões rurais, nas quais a oferta de serviços educacionais é reduzida quando comparada às urbanas.

A diferença quanto à realização de consulta odontológica alguma vez na vida pode ser explicada, em parte, pela localização das USF que, em sua maioria, tem sede nas comunidades não quilombolas. As ações das equipes de saúde nas comunidades quilombolas acontecem cerca de uma vez ao mês em unidades satélites que não possuem a infraestrutura necessária para a consulta odontológica 29 . Assim, o atendimento odontológico restringe-se à sede da USF e nas demais comunidades são realizadas ações educativas. Fatos que se somam à obrigatoriedade da presença de um responsável maior de 18 anos para o primeiro atendimento odontológico do adolescente 30 , o que aumenta a dificuldade do primeiro acesso dos adolescentes quilombolas a esses serviços. Gomes et al. 31 , ao estudar a utilização dos serviços de saúde pela população adulta quilombola de Vitória da Conquista, BA, sugeriu que existe uma maior dificuldade de acesso aos serviços pelos quilombolas devido às iniquidades enfrentadas por essa população, sobretudo piores condições sociais e econômicas.

Os adolescentes do sexo masculino apresentaram maior prevalência de escovação dentária insatisfatória, resultado corroborado por outros estudos 7 - 10 . Este comportamento pode ser explicado por uma maior preocupação das adolescentes em relação à estética e aos cuidados com a higiene bucal devido aos padrões sociais e culturais vigentes 32 . No estrato quilombola, no entanto, essa diferença entre os sexos não foi observada; mais estudos são necessários para uma melhor compreensão das especificidades desse grupo.

A condição socioeconômica associou-se apenas à utilização do fio dental na amostra total e entre os não quilombolas, resultado semelhante a outros estudos com adolescentes 7 , 33 . O fio dental, em comparação com a escova de dente, é um produto mais caro e seu uso é um hábito menos consolidado, o que pode ter influenciado na maior utilização pelos adolescentes de melhor nível econômico 36 . A Política Nacional de Saúde Bucal – Programa Brasil Sorridente, prevê a disponibilidade de cuidados odontológicos básicos apropriados à população 34 , entretanto, para isso, não apenas a escova dental e o dentifrício fluoretado seriam necessários, mas também a distribuição do fio dental, o que possivelmente reduziria a influência das condições econômicas no estabelecimento do hábito.

A maior homogeneidade da população quilombola em relação ao nível econômico pode ter contribuído para que essa variável não permanecesse no modelo final para esse estrato. Além disso, é prática local a realização de atividades educativas com a população rural sobre a confecção do fio dental de forma artesanal (ráfia) utilizando sacos de linhagem, material de fácil acesso nas comunidades rurais e quilombolas, pelos profissionais das equipes de saúde bucal.

O aumento de um ano de idade reduziu em cerca de 9% a prevalência de não utilização do fio dental, relação já evidenciada em estudo com adolescentes da Paraíba 8 . A maior atenção à saúde bucal está relacionada com a afetividade e o convívio social 35 , aspectos que podem contribuir para um maior cuidado entre os adolescentes de maior idade.

Os aspectos familiares influenciaram os hábitos de higiene bucal dos adolescentes rurais, resultado corroborado por outros trabalhos. Davoglio et al . 7 discutem que quando os adolescentes não são compreendidos pelos pais podem assumir uma postura de desinteresse com sua aparência e autocuidado como forma de protesto. Além disso, indivíduos que vivem sozinhos ou que apresentam baixa satisfação com suas relações sociais tendem a adotar menos comportamentos preventivos de saúde 36 .

Esses achados mostram que a atenção à saúde com foco nas famílias pode trazer bons resultados à saúde bucal dos adolescentes. Considerando que nas áreas rurais a Estratégia de Saúde da Família comumente está presente, atividades educativas voltadas para o núcleo familiar poderiam ser desenvolvidas pelas equipes de saúde bucal, assim como pelos agentes comunitários de saúde, especialmente por meio das visitas domiciliares.

A higiene bucal é um componente da higiene corporal, mas que, para ser realizada adequadamente, necessita de aprendizado 34 . Estudos evidenciam que a higiene bucal está significativamente associada aos hábitos de higiene rotineiros 9 , 37 . No presente estudo, a escovação dentária ≤ 3 vezes/dia e a não utilização do fio dental foram mais prevalentes entre os adolescentes que relataram não higienizar as mãos antes das refeições frequentemente.

Entre os quilombolas, a não utilização do fio dental foi mais prevalente em adolescentes que não tinham a rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento de água em seu domicílio, o que reforça a vulnerabilidade e a necessidade das práticas de autocuidado nesse grupo, já que o mesmo tem menos acesso contínuo à água fluoretada. A fluoretação das águas de abastecimento público é obrigatória no Brasil desde 1974, no entanto a não universalidade no acesso à água fluoretada mantém extenso número de pessoas à margem desse benefício reconhecidamente eficaz e que apresenta boas relações de custo-efetividade 38 .

A autoavaliação da saúde bucal como regular, ruim ou muito ruim foi uma das variáveis associadas aos hábitos insatisfatórios de higiene bucal. A concordância entre a condição clínica e a autopercepção da saúde bucal ocorre geralmente em casos mais dolorosos e estéticos mais severos, enquanto outros problemas bucais mais leves são subestimados 39 . A condição bucal precária tem impactos negativos nas atividades diárias dos adolescentes, entre elas, a maior dificuldade na escovação dentária. Uma escovação dentária menos frequente pode ser então consequência da pior condição bucal, o que pode influenciar o resultado encontrado no presente estudo. Ressalta-se que a percepção da saúde bucal está relacionada também a características socioculturais e subjetivas dos indivíduos 39 .

A ausência de consulta odontológica no último ano apresentou-se como um fator que aumenta os hábitos de higiene bucal insatisfatórios apenas para o estrato não quilombola. O contato do profissional de odontologia com o adolescente influencia na adoção de hábitos satisfatórios de higiene bucal. Todavia, apesar do trabalho odontológico ser relevante, este resolve problemas individuais reconhecidos pelos que o utilizam. Em termos populacionais, o cuidado à saúde bucal resulta de uma gama de fatores – biológicos, psicológicos e sociais 39 .

O presente estudo apresenta algumas limitações. Por tratar-se de um estudo de delineamento transversal, não é possível inferir a temporalidade de algumas das associações observadas. O tamanho da amostra não foi planejado para testar diferenças entre quilombolas e não quilombolas, logo, pode não ter havido suficiente poder amostral para algumas variáveis, entretanto, esse fato não compromete as diferenças observadas e descritas. Além disso, não foram coletadas informações das condições clínicas dos adolescentes, a técnica utilizada para a escovação e utilização do fio dental, assim como os horários das higienizações, impossibilitando a análise desses aspectos.

Considerações finais

As políticas de saúde bucal são ainda recentes no Brasil e têm como objetivo a promoção, a prevenção de doenças e a recuperação da saúde bucal dos indivíduos. Entretanto, ainda são enfatizadas as práticas voltadas à recuperação, o que torna necessário um redirecionamento do processo de trabalho, a fim de criar suporte para a atenção integral à saúde e para as necessidades dos diferentes grupos populacionais 39 .

As Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal prevêem a realização de atividades de higiene bucal supervisionadas para que a autonomia seja desenvolvida, com vistas ao autocuidado 34 . Contudo, essas atividades são comumente direcionadas ao público infantil, não abrangendo os adolescentes, principalmente aqueles mais velhos. Medidas de caráter coletivo possibilitam a economia de recursos financeiros e humanos e são fundamentais dentro de um sistema único de saúde para a garantia da integralidade da atenção, principalmente em locais mais vulneráveis, como as áreas rurais e comunidades tradicionais.

O cuidado com a saúde bucal demanda ações intersetoriais que considerem aspectos inerentes ao adolescente, em seu contexto social/familiar, com a finalidade de promover uma atenção integral e resolutiva a saúde bucal na adolescência. As ações de educação em saúde devem considerar os traços culturais e levar em consideração que a saúde bucal é um componente da saúde e transcende a Odontologia. A percepção da saúde bucal como um direito humano e não como um privilégio deve ser cada vez mais fortalecida, especialmente nas populações de vulnerabilidade reconhecida.

Agradecimentos

Às famílias e adolescentes rurais, entrevistadores, Agentes Comunitários de Saúde e demais profissionais das equipes da Estratégia de Saúde da Família, fundamentais na execução desse trabalho.

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À Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento.

Recebido: 31 de Outubro de 2017; Revisado: 26 de Fevereiro de 2018; Aceito: 22 de Abril de 2018

Colaboradores

As autoras DS Medeiros e KC Santana participaram da concepção do estudo. As autoras DS Medeiros e EKP Silva participaram da implementação do estudo, análise e interpretação dos resultados e redação do artigo. As autoras PR Santos, TPR Chequer, CMA Melo e KC Santana participaram da interpretação dos resultados e redação do artigo. A autora MM Amorim participou da interpretação dos resultados e realizou análise crítica relevante do conteúdo intelectual. Todos os autores leram e aprovaram a versão final deste manuscrito.

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