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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.9 Rio de Janeiro set. 2018

https://doi.org/10.1590/1413-81232018239.15672016 

TEMAS LIVRES

Qualidade de vida no trabalho de fisioterapeutas docentes no município de Goiânia, Goiás, Brasil

Quality of life of the work of physical therapy course teachers in Goiânia in the State of Goiás, Brazil

Alex Carrér Borges Dias1 

Neuma Chaveiro1 

Celmo Celeno Porto1 

1Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Goiás. R. 235s/n°, Setor Leste Universitário. 74605-050 Goiânia GO Brasil. fisiocarrer@hotmail.com


Resumo

O objetivo deste artigo é avaliar a qualidade de vida no trabalho de fisioterapeutas docentes de cursos de fisioterapia no município de Goiânia-GO. Trata-se de um estudo transversal com 65 docentes. Foram incluídos fisioterapeutas docentes do curso de fisioterapia no município de Goiânia. Foram excluídos aqueles que estavam afastados, com menos de seis meses de atividade e que responderam os questionários de forma incompleta. Utilizou-se um questionário sociodemográfico e o Total Quality of Work Life (TQWL-42) para avaliação da qualidade de vida no trabalho. Verificou-se que os docentes que atuavam em pós-graduação, ou exerciam cargo de chefia apresentaram médias significativamente melhores que aqueles que atuavam apenas na graduação. A satisfação com a renda e com a atividade docente também apresentou resultados significativos, influenciando a qualidade de vida no trabalho dos participantes. A atuação em cargos e locais que permitem maior autonomia, posição social e remuneração, assim como a avaliação subjetiva da satisfação com a renda e com a atuação na docência, influenciaram a qualidade de vida no trabalho dos fisioterapeutas docentes.

Palavras-Chave: Qualidade de vida; Condições de trabalho; Docentes; Fisioterapia

Abstract

The scope of this article is to analyze the quality of work life of the physical therapy course teachers in the city of Goiânia in the state of Goiás. It involved a cross-sectional study of 65 physical therapy teachers in Goiânia. The participants who had worked for less than six months in the profession and those who failed to fill out the questionnaire in full were excluded from the research. A socio-demographic and the Total Quality of Work Life (TQWL-42) questionnaire were used to assess the quality of work life. It was established that the teachers who taught in graduate courses and who held management positions presented significantly better averages than those who only taught in undergraduate courses. Satisfaction with income and with the teaching activity also showed significant results influencing the quality of work life of the participants. Work in positions and locations that allow greater autonomy, status and remuneration, as well as subjective evaluation of satisfaction with income and teaching work, influenced the quality of work life of physical therapy teachers.

Key words: Quality of life; Work conditions; Teachers; Physical therapy

Introdução

Existem diversos modelos de avaliação da qualidade de vida no trabalho (QVT), porém, o modelo que vem sendo amplamente utilizado em pesquisas é fundamentado por Walton1, e propõe o equilíbrio entre trabalho e outras esferas na vida, dando maior ênfase ao papel social da organização e a importância de associar produtividade aos programas de QVT2. O seu teor contempla desde as necessidades básicas do ser humano, passando pelas condições da organização, as necessidades secundárias até a autorrealização do trabalhador3,4.

A QVT pode ser definida como a resultante direta de diversas dimensões básicas da tarefa e de outras dimensões não dependentes diretamente da tarefa, capazes de produzir motivação e satisfação em diferentes níveis, além de resultar em diversos tipos de atividades e condutas dos indivíduos pertencentes a uma organização3.

O exercício da docência é considerado de grande relevância social, e compreende uma série de conhecimentos e competências5. A docência universitária exige, além do domínio técnico do conhecimento, um profissionalismo que está fundamentado no conhecimento dos procedimentos adequados de ensino, assim como sua aplicabilidade prática5,6.

A construção do professor começa antes mesmo de sua formação acadêmica e prossegue durante toda a vida profissional, estando baseada em processos complexos, principalmente porque a prática educativa se constitui na tensão entre as determinações estruturais da sociedade e as exigências do sistema de ensino6.

Neste cenário, os professores universitários relatam um crescente aumento, intensificação e desvalorização de seu trabalho7. A busca na literatura apresentou estudos que avaliaram a QVT em docentes atuantes no ensino fundamental e médio. A análise da docência no ensino superior foi encontrada apenas na área de humanas. Visto a escassez de estudos que avaliam a QVT de docentes da área das ciências da saúde, mais especificamente do curso de Fisioterapia, o objetivo deste trabalho consistiu em avaliar a QVT de fisioterapeutas docentes de cursos de Fisioterapia no município de Goiânia-GO.

Materiais e métodos

Trata-se de um estudo transversal e descritivo, com docentes do curso de fisioterapia no município de Goiânia. A amostra definida foi de conveniência, e o cálculo amostral baseou-se numa população finita de 147 fisioterapeutas docentes do curso de Fisioterapia. Adotou-se um erro amostral de 5%, um nível de confiança de 95% e um percentual mínimo de 95%. O curso de graduação em Fisioterapia é oferecido por sete instituições em Goiânia, sendo uma pública estadual e seis particulares, e a pesquisa contou com participantes de todas elas. O estudo contemplou todas as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde), e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Goiás.

Os critérios de inclusão abrangeram todos os fisioterapeutas, docentes do curso de fisioterapia no município de Goiânia, de ambos os sexos, todas as idades. Foram excluídos os participantes que se encontravam afastados da atividade docente por qualquer motivo, com menos de seis meses de prática, que possuíam o registro profissional temporário junto ao Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e que responderam os questionários de forma incompleta.

Para a coleta de dados, utilizou-se de um questionário com dados sociodemográficos e do Total Quality of Work Life (TQWL-42) para avaliação da QVT. Este instrumento foi fundamentado no modelo teórico de Walton1 e desenvolvido e validado por Pedroso8. O questionário utilizado apresentou uma consistência interna (alfa de Cronbach) igual a 0,8568, que segundo a classificação proposta por Freitas e Rodrigues9 é considerada alta.

O TQWL-42 é composto por 42 questões que avaliam as esferas Biológica e Fisiológica (EBF), Psicológica e Comportamental (EPC), Sociológica e Relacional (ESR), Econômica e Política (EEP), e Ambiental e Organizacional (EAO). Além das esferas ele conta com o aspecto de Autoavaliação da Qualidade de Vida no Trabalho (AA QVT), que não está inserido em nenhuma esfera. Cada esfera avaliada é composta por 4 aspectos, cada um composto por duas questões8.

Todas as questões do TQWL- 42 são fechadas e utilizam uma escala de respostas do tipo Likert, compostas por cinco elementos, variando entre 1 e 5. Esses extremos representam 0% e 100%, respectivamente. Com relação às questões pertencentes a cada aspecto, foi desenvolvido um padrão, sendo que uma questão objetiva diagnostica o nível com o qual a variável abordada no aspecto está presente na vida do colaborador e a outra avalia a satisfação do colaborador com relação a tal variável8.

A esfera Biológica e Fisiológica é composta pelos aspectos disposição física e mental, capacidade de trabalho, serviços de saúde e assistência social e tempo de repouso. A esfera Psicológica e Comportamental é formada pelos aspectos autoestima, significância da tarefa, feedback e desenvolvimento pessoal e profissional. A esfera Sociológica e Relacional é constituída pelos aspectos liberdade de expressão, relações interpessoais, autonomia e tempo de lazer. Já a esfera Econômica e Política é formada pelos aspectos recursos financeiros, benefícios extras, jornada de trabalho e segurança de emprego. Por fim, a esfera Ambiental e Organizacional é constituída pelos aspectos condições de trabalho, oportunidade de crescimento, variedade da tarefa e identidade da tarefa8.

Procedimentos

Inicialmente realizou-se um estudo piloto com 17 docentes do curso de Educação Física de uma instituição pública estadual de Goiânia. O objetivo foi treinar os auxiliares de pesquisa, testar a forma de aplicação dos instrumentos, verificar se as questões eram facilmente compreendidas pelos docentes, e testar a forma de apresentação dos instrumentos. Em seguida, entrou-se em contato com as instituições de ensino superior que oferecem o curso de Fisioterapia para obter autorização para a coleta de dados naquele local. Após o consentimento da instituição foi feito o convite aos docentes de Fisioterapia que se enquadravam nos critérios estabelecidos. Os participantes foram abordados em datas previamente estabelecidas pelas instituições, em situações em que se encontravam agrupados (reunião de colegiado e de congregação), e também de forma individual, de acordo com a disponibilidade de cada indivíduo. Aqueles que aceitaram participar do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e em seguida responderam o questionário sociodemográfico e o TQWL-42. Toda a coleta se deu de forma presencial, sem nenhuma interferência ou influência dos pesquisadores.

O cálculo dos escores de cada esfera foi computado conforme ferramenta criada pelo autor do instrumento. Esta ferramenta realiza o cálculo de escores e estatística descritiva do TQWL-42, e seu download pode ser realizado através da URL: http://www.brunopedroso.com.br/tqwl42.html8.

Os dados foram analisados pelo programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, versão 20.0). As variáveis quantitativas foram apresentadas por médias e desvios padrão, e as variáveis qualitativas foram apresentadas em números absolutos e porcentagens. A distribuição das variáveis quantitativas foi avaliada pelo teste de Kolmogorov Smirnov, e utilizado o teste de Kruskal Wallis para os grupos que não possuíam distribuição normal. Nas variáveis que apresentaram diferença estatisticamente significativa, utilizou-se do teste U Mann Whitney para comparação entre pares. Em toda a análise foi considerado o intervalo de confiança de 95% e o nível de significância estatística de 5% (p < 0,05).

Resultados

A amostra foi constituída por 65 docentes, com média de idade de 38,9 anos (± 6,16), e uma variação de 29 a 56 anos. Verificou-se que 37 (56,9%) dos indivíduos eram do sexo feminino, a faixa etária predominante foi de 31 a 40 anos (70,8%) e em relação ao estado civil, 48 (73,8%) eram casados. O grau de titulação com maior prevalência foi mestre, com 30 (46,2%) indivíduos. Do total da amostra, 32 (49,2%) atuavam apenas em instituição privada e 38 (58,5%) em apenas um estabelecimento. A jornada de trabalho com maior destaque variou de 31 a 40 horas semanais (38,5%) e 19 (29,2%) possuíam uma renda de até 3.500,00 reais (Tabela 1).

Tabela 1 Caracterização dos docentes pesquisados (N = 65). 

Resultados n %
Sexo
Masculino 28 43,1
Feminino 37 56,9
Idade
≤ 30 anos 2 3,1
30 |-40 anos 46 70,8
40 |-50 anos 13 20,0
> 50 anos 4 6,2
Estado Civil
Solteiro(a) 14 21,5
Casado(a) 48 73,8
Divorciado(a) 3 4,6
Grau de titulação
Especialista 24 36,9
Mestre 30 46,2
Doutor(a) 8 12,3
Pós doutor(a) 3 4,6
Instituição
Pública 21 32,3
Privada 32 49,2
Ambas 12 18,5
Número de instituições que atua
1 38 58,5
2 20 30,8
≥ 3 7 10,8
Jornada de trabalho semanal (horas):
Até 20 13 20,0
20 |- 30 14 21,5
30 |- 40 25 38,5
> 40 13 20,6
Renda docente (R$):
Até 3500,00 19 29,2
3500,00 |- 6 000,00 17 26,2
6000,00 |-10 000,00 17 26,2
> 10000,00 12 18,5

n – frequência; % - porcentagem.

Os resultados da avaliação da QVT com o instrumento TQWL-42 estão expressos na Tabela 2. Nessa análise, destacam-se as esferas Psicológica/Comportamental e Econômica/Política, como a que apresentou melhor e pior resultado respectivamente.

Tabela 2 Resultados da QVT de acordo com o TQWL-42 (N = 65). 

Resultados Média DP
Auto avaliação da QVT 66,54 ± 9,45
Esfera Biológica e Fisiológica 54,62 ± 8,03
Esfera Psicológica e Comportamental 67,55 ± 6,96
Esfera Sociológica e Relacional 62,21 ± 9,27
Esfera Econômica e Política 54,57 ± 7,37
Esfera Ambiental e Organizacional 59,76 ± 7,95
Pontuação geral 60,06 ± 6,01

DP – Desvio padrão.

No presente estudo, avaliou-se se o tipo de atuação docente influenciaria na QVT. Frente a esses dados, verificou-se que 52 (80,0%) atuavam apenas em sala de aula, 37 (56,9%) em supervisão de estágio, 38 (58,5%) em pós-graduação e 15 (23,1%) apresentavam algum cargo de gestão e/ou chefia na instituição. Analisando as esferas da QVT com os tipos de atuação, verificou-se que aqueles profissionais que atuavam com a docência em pós-graduação apresentaram pontuação significativamente melhor que aqueles que não atuavam, nas esferas Econômica e Política (p = 0,016) e Ambiental e Organizacional (p = 0,006), além da pontuação Geral do TQWL-42 (0,033).

Outro fator que também interferiu na QVT foi o fato de exercer algum cargo de chefia e/ou gestão, além da atividade docente na instituição. Esses indivíduos apresentaram média estatisticamente melhor em comparação com aqueles que não possuíam tais ocupações no aspecto da Autoavaliação da QVT (p = 0,048), nas esferas Econômica e Política (p = 0,001) e Ambiental e Organizacional (p = 0,045), e na pontuação Geral (p = 0,011) do instrumento utilizado. Esses dados estão expostos na Tabela 3.

Tabela 3 Frequência, média e desvio padrão das esferas do TQWL-42 por área de atuação (N = 65). 

Esferas TQWL-42 Docência Sala de aula Docência Supervisão de estágio Docência Pós-Graduação Cargo de gestão / chefia

n Média (± DP) p* n Média (± DP) p* n Média (± DP) p* n Média (± DP) p*
AA QVT
Não 13 67,3 (± 10,9) 0,908 28 64,3 (± 15,5) 0,423 27 62,5 (± 16,3) 0,078 50 64,8 (± 13,5) 0,048
Sim 52 66,3 (± 13,7) 37 68,2 (± 10,9) 38 69,4 (± 9,5) 15 72,5 (± 9,7)
EBF
Não 13 56,3 (± 9,4) 0,692 28 52,0 (± 11,4) 0,183 27 52,9 (± 12,2) 0,309 50 54,1 (± 12,4) 0,900
Sim 52 54,2 (± 12,3) 37 56,6 (± 11,6) 38 55,8 (± 11,3) 15 56,3 (± 9,0)
EPC
Não 13 69,0 (± 6,4) 0,798 28 66,1 (± 10,6) 0,308 27 66,2 (± 10,5) 0,318 50 66,6 (± 9,5) 0,149
Sim 52 67,2 (± 10,2) 37 68,7 (± 8,6) 38 68,5 (± 8,8) 15 70,8 (± 9,0)
ESR
Não 13 63,0 (± 11,1) 0,748 28 61,8 (± 13,5) 0,926 27 59,6 (± 12,5) 0,149 50 61,0 (± 13,1) 0,118
Sim 52 62,0 (± 13,4) 37 62,5 (± 12,6) 38 64,1 (± 13,0) 15 66,3 (± 11,8)
EEP
Não 13 51,4 (± 9,3) 0,195 28 55,6 (± 11,6) 0,404 27 50,2 (± 11,5) 0,016 50 52,1 (± 10,1) 0,001
Sim 52 55,4 (± 11,1) 37 53,8 (± 10,3) 38 57,7 (± 9,2) 15 62,7 (± 9,1)
EAO
Não 13 58,7 (± 10,8) 0,651 28 58,3 (± 12,2) 0,362 27 54,9 (± 11,6) 0,006 50 58,1 (± 10,9) 0,045
Sim 52 60,0 (± 11,6) 37 60,9 (± 10,7) 38 63,2 (± 9,9) 15 65,4 (± 11,4)
Geral
Não 13 60,0 (± 6,7) 0,737 28 59,0 (± 9,5) 0,542 27 57,0 (± 9,5) 0,033 50 58,7 (± 8,6) 0,011
Sim 52 60,1 (± 9,0) 37 60,9 (± 7,8) 38 62,2 (± 7,1) 15 64,7 (± 6,9)

AA QVT - Auto Avaliação da Qualidade de Vida no Trabalho; EBF - Esfera Biológica e Fisiológica; EPC - Esfera Psicológica e Comportamental; ESR - Esfera Sociológica e Relacional; EEP - Esfera Econômica e Política; EAO - Esfera Ambiental e Organizacional. p* - Valor de p obtido pelo teste Kruskal Wallis.

Em relação ao grau de satisfação com a renda, pode-se constatar que 10 (15,4%) afirmaram estar insatisfeitos, 31 (47,7%) a consideraram razoável, 20 (30,8%) responderam estar satisfeitos, e apenas 4 (6,2%) relataram estar muito satisfeitos.

A Tabela 4 apresenta a comparação das esferas da QVT de acordo com o grau de satisfação com a renda docente. Esse resultado permitiu verificar que os participantes que se consideravam satisfeitos com a renda, obtiveram médias significativamente melhores nas esferas Psicológica e Comportamental (p = 0,019), Econômica e Política (p < 0,001), e na pontuação geral do TQWL-42 (p = 0,011). Porém, ao comparar as esferas da QVT de acordo com a renda bruta como docente, não constatou diferença significativa entre os grupos nas variáveis da QVT.

Tabela 4 Frequência, média e desvio padrão das esferas do TQWL-42, de acordo com o grau de satisfação com a renda docente (N = 65). 

Esferas TQWL-42 / Satisfação com a renda n Média (± DP) p*
Auto avaliação da QVT
Insatisfeito 10 62,5 (± 10,2)
Razoável 31 65,3 (± 12,0)
Satisfeito 20 73,8 (± 9,9) 0,052
Muito Satisfeito 4 50,0 (± 22,8)
Esfera Biológica e Fisiológica
Insatisfeito 10 53,8 (± 10,6)
Razoável 31 53,4 (± 11,2)
Satisfeito 20 57,7 (± 10,7) 0,492
Muito Satisfeito 4 50,8 (± 22,2)
Esfera Psicológica e Comportamental
Insatisfeito 10 65,6 (± 5,7) A
Razoável 31 65,2 (± 10,6) B
Satisfeito 20 73,0 (± 7,0) C,B 0,019
Muito Satisfeito 4 63,3 (± 10,6) D
Esfera Sociológica e Relacional
Insatisfeito 10 60,3 (± 6,8)
Razoável 31 60,6 (± 12,9)
Satisfeito 20 66,3 (± 14,2) 0,435
Muito Satisfeito 4 59,4 (± 18,0)
Esfera Econômica e Política
Insatisfeito 10 47,5 (± 10,2) A
Razoável 31 51,6 (± 10,2) B
Satisfeito 20 62,8 (± 7,4) C,A,B < 0,001
Muito Satisfeito 4 53,9 (± 9,0) D
Esfera Ambiental e Organizacional
Insatisfeito 10 58,4 (± 9,8)
Razoável 31 56,9 (± 12,5)
Satisfeito 20 65,6 (± 9,0) 0,061
Muito Satisfeito 4 56,3 (± 6,7)
Geral
Insatisfeito 10 57,4 (± 6,1) A
Razoável 31 57,9 (± 8,8) B
Satisfeito 20 65,5 (± 6,4) C,B 0,011
Muito Satisfeito 4 56,4 (± 11,6) D

p* - Teste de Kruskal Wallis; Letras iguais indica existência de Diferença Significativa pelo Teste de U Mann Whitney.

Ao analisar o grau de satisfação com a atividade docente, verificou-se que 43 (66,1%) indivíduos se consideram satisfeitos, 15 (23,1%) muito satisfeitos, e apenas 7 (10,8%) afirmam estar insatisfeitos com a prática docente.

Ao comparar os resultados do TQWL-42 de acordo com o grau de satisfação com a docência, pode-se constatar que os participantes que consideraram estar muito satisfeitos obtiveram médias significativamente melhores que aqueles que estavam insatisfeitos, no aspecto da Autoavaliação da QVT (p = 0,003) e nas esferas Psicológica e Comportamental (p = 0,030) e Ambiental e Organizacional (p = 0,014). Na esfera Econômica e Política (p = 0,003) e no resultado Geral (p = 0,009) do TQWL-42, a classe muito satisfeita apresentou médias significativamente melhores que todas as demais classes, como mostra a Tabela 5.

Tabela 5 Frequência, média e desvio padrão das esferas do TQWL-42, de acordo com o grau de satisfação com a prática docente (N = 65). 

TQWL-42/ Grau de Satisfação com a docência n Média (± DP) p*
Auto avaliação da QVT
Insatisfeito 7 55,4 (± 12,2) A
Satisfeito 43 66,0 (± 12,9) B 0,003
Muito Satisfeito 15 73,3 (± 10,4) C,A
Esfera Biológica e Fisiológica
Insatisfeito 7 51,8 (± 14,6)
Satisfeito 43 53,9 (± 11,7) 0,613
Muito Satisfeito 15 57,9 (± 10,4)
Esfera Psicológica e Comportamental
Insatisfeito 7 63,4 (± 10,5) A
Satisfeito 43 66,4 (± 9,6) B 0,030
Muito Satisfeito 15 72,7 (± 6,9) C,A
Esfera Sociológica e Relacional
Insatisfeito 7 58,0 (± 10,8)
Satisfeito 43 61,0 (± 12,8) 0,245
Muito Satisfeito 15 67,7 (± 13,1)
Esfera Econômica e Política
Insatisfeito 7 46,4 (± 11,5) A
Satisfeito 43 53,0 (± 9,5) B 0,003
Muito Satisfeito 15 62,9 (± 9,4) C,A,B
Esfera Ambiental e Organizacional
Insatisfeito 7 47,3 (± 8,2) A
Satisfeito 43 60,3 (± 10,5) B,A 0,014
Muito Satisfeito 15 64,2 (± 11,5) C,A
Geral
Insatisfeito 7 53,5 (± 9,3) A
Satisfeito 43 59,2 (± 8,1) B 0,009
Muito Satisfeito 15 65,5 (± 6,6) C,A,B

p* - Valor de p teste Kruskal Wallis. Letras Iguais indica a existência de Diferença Significativa pelo Teste de U Mann Whitney.

Discussão

A maior prevalência do sexo feminino acontece porque as mulheres remetem, em sua essência, às atividades em que desempenham o papel de cuidadoras, como forma estratégica de se manterem no mercado de trabalho. Nesse sentido, as profissões da área da saúde, de professora ou de doméstica, assumem destaque nesse meio10.

Pode-se observar a constante busca no aprimoramento e qualificação profissional na amostra pesquisada. No meio acadêmico, considera-se que a busca pela qualificação e titulações está relacionada ao prestigio e à ascensão profissional dessa classe, sendo que professores com titulação mais elevada, na maioria das vezes, possuem vínculos de trabalho sólidos, com cargas horárias mais estáveis e planos de carreira estabelecidos11,12.

No presente estudo, verificou-se que os docentes que atuam também em Pós-Graduação, e aqueles que desempenham algum cargo de gestão e/ou chefia na instituição de ensino, apresentaram médias significativamente melhores nas esferas Econômica e Política, e Ambiental e Organizacional. As características dos cargos de gestão e/ou chefia incluem: autonomia; grande participação na tomada de decisões; maior responsabilidade; salários melhores; tarefas diversificadas e geralmente desafiadoras; maior reconhecimento e prestígio profissional. Já a atuação em Pós-Graduação está relacionada à maior prestígio, remuneração e status. Essas características estariam presentes, porém em menor intensidade, na atuação restrita à docência na graduação13.

A renda é outro dado que deve ser discutido. Diversos estudos que avaliaram a QVT de professores encontraram o aspecto relacionado à remuneração justa e adequada, como o fator de maior queixa e comprometimento nessa população14-19. Para a remuneração ser considerada adequada pelo trabalhador, é necessário ser composta por três elementos distintos: a remuneração básica, os incentivos salariais e os benefícios extras. A remuneração básica consiste no pagamento que o funcionário recebe de maneira regular. Os incentivos salariais são programas criados para recompensar funcionários com bom desempenho, como por exemplo, os bônus e a participação nos resultados da organização. Os benefícios correspondem a férias, seguros de vida, refeições subsidiadas, vales-transporte, auxílio para compra de material escolar, dentre outros20.

Nesse cenário, a baixa remuneração ocasiona o acúmulo de empregos, estresse e esgotamento físico, fazendo com que os profissionais deixem de se empenhar em suas atividades e em participar dos processos de atualização profissional, prejudicando a QVT21. Contudo, é importante ressaltar que o salário não é por si só um fator determinante. Sua ausência ou insuficiência pode gerar insatisfação, mas a sua presença não é responsável único pela satisfação com o trabalho, e melhor QVT22,23.

Na população estudada, constatou-se que, apesar de 44,7% dos participantes afirmarem ter um salário superior a seis mil reais mensais, não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre a renda bruta e a QVT. Nesse contexto, pergunta-se: então como o grau de satisfação com a renda influenciou as esferas da QVT? Esse resultado corrobora com a premissa de que o grau de satisfação com a renda é uma medida mais complexa, que está sujeita a influências de forças intrínsecas e extrínsecas ao ambiente de trabalho. Valores sociais, culturais e ambientais influenciam diretamente em seu resultado, necessitando de uma profunda análise acerca do assunto24. Essa análise não foi objeto de pesquisa do presente estudo.

O significado em torno da profissão docente se estrutura principalmente no reconhecimento social12. Estudos que avaliaram a QVT docente verificaram que o fator com melhor resultado está relacionado ao aspecto relevância social e significância da tarefa16-19,25,26. Nesse sentido, pode-se afirmar que o grau de satisfação com a docência está diretamente relacionado com esse sentimento, visto que quanto maior o grau de satisfação, melhor o escore obtido nas esferas da QVT.

O trabalho é uma das mais importantes maneiras do homem se posicionar como indivíduo, e é algo que complementa e dá sentido à vida27,28. Por isso, o trabalho é visto como um dos componentes da felicidade humana, na qual a felicidade no trabalho é tida como resultante da satisfação de necessidades psicossociais, do sentimento de prazer e do sentido de contribuição no exercício da atividade profissional28.

A satisfação no trabalho exerce influência direta sobre o estado emocional do indivíduo e sua qualidade de vida. Pode-se considerar que existem três elementos envolvidos no processo de avaliação que o indivíduo faz de seu trabalho: percepção de algum aspecto do trabalho; padrão de valores implícitos ou explícitos; julgamento consciente ou inconsciente entre percepções e valores do indivíduo29-31. Assim, os fatores psicossociais são centrais na determinação da satisfação no trabalho, pela maneira como o indivíduo percebe, valoriza e julga esses aspectos30,31.

Conclusões

Alguns dos fatores pertinentes à atuação docente e que influenciam na QVT desses profissionais, estão relacionados á área de atuação docente, ao grau de satisfação com a renda, e a prática docente.

Em relação à área de atuação, constatou-se que os professores que atuavam em pós-graduação, ou que exerciam algum cargo de gestão e/ou chefia dentro da instituição de ensino superior, apresentaram escores significativamente melhores nas esferas Econômica e Política, Ambiental e Organizacional, e na avaliação geral da QVT, quando comparados com aqueles que não tinham essas atribuições. Esses achados corroboram com a premissa de melhor posição social, prestígio e remuneração, maior autonomia e participação na tomada de decisões desses indivíduos, influenciam diretamente a QVT.

Verificou-se que o grau de satisfação com a renda interferiu nos resultados encontrados, sendo que os docentes que se encontravam satisfeitos, apresentaram escores significativamente melhores em todas as esferas, com destaque ao aspecto da autoavaliação da QVT, as esferas Psicológica/Comportamental e Econômica/Política, e no resultado Geral do TQWL-42. Apesar deste resultado, a análise das esferas da QVT de acordo com a renda salarial não apresentou resultados significativos, inferindo que a análise subjetiva do grau de satisfação com a renda envolve diversos aspectos que vão além do salário bruto desses participantes.

O grau de satisfação com a atividade docente também apresentou resultado significativo. Os docentes que se consideravam muito satisfeitos apresentaram melhores escores em todas as esferas, com significância estatística no aspecto da autoavaliação da QVT, na esfera Psicológica e Comportamental, Econômica e Política, Ambiental e Organizacional, e no resultado Geral. Esses achados reafirmam o quanto esse sentimento de satisfação, ou insatisfação com a atividade desempenhada interfere na QVT. Vale salientar que a análise das associações identificadas não consistiu em objeto do estudo, ressaltando a necessidade de estudos longitudinais para elucidar a direção causal dessas associações. O uso de estratégias de pesquisa qualitativa também pode enriquecer a compreensão acerca da relação da QVT com a área de atuação docente, grau de satisfação com a renda e com a docência.

É importante destacar algumas limitações da pesquisa: a) a amostra pesquisada foi de conveniência; b) alguns participantes atuavam em mais de uma instituição de ensino, sendo necessário que o participante generalizasse algumas das respostas referentes aos instrumentos utilizados, principalmente nas questões relacionadas ao ambiente físico do local de trabalho; c) alguns participantes atuavam tanto em instituição pública, como privada, o que pode diminuir a fidedignidade das respostas, uma vez que os modelos institucionais são completamente diferentes; d) o instrumento TQWL-42 é um instrumento genérico de avaliação da QVT, não tendo questões específicas à docência; e) o desenho transversal do estudo impossibilita conclusões sobre a causalidade das associações encontradas.

Por fim, destaca-se a contribuição do presente estudo para o entendimento dos fatores que influenciam diretamente a QVT em docentes, como forma de nortear políticas de intervenção no modelo organizacional das instituições de ensino superior, frente às mudanças advindas da evolução do processo ensino-aprendizagem.

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Recebido: 01 de Setembro de 2015; Revisado: 06 de Outubro de 2016; Aceito: 08 de Outubro de 2016

Colaboradores

ACB Dias participou de todas as etapas de construção do artigo. N Chaveiro, atuou como coorientadora da pesquisa, participou da redação, correção e aprovação da versão final a ser publicada. CC Porto orientou a elaboração do estudo, participou da redação e aprovou a versão final a ser publicada.

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