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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320182312.30712016 

TEMAS LIVRES

Níveis insuficientes de atividade física de adolescentes associados a fatores sociodemográficos, ambientais e escolares

Insufficient levels of physical activity of adolescents associated with sociodemographic, environmental and school factors

Juliana da Silva1 

Alexandro Andrade1 

Renata Capistrano1 

Tailine Lisboa1 

Rubian Diego Andrade1 

Érico Pereira Gomes Felden1 

Thais Silva Beltrame1 

1Centro de Ciências da Saúde e do Esporte, Universidade do Estado de Santa Catarina. R. Paschoal Simoni 358, Coqueiros. 88080-350 Florianópolis SC Brasil. julianaef@gmail.com

Resumo

Este estudo investigou as associações entre o nível de atividade física com os fatores sociodemográficos, ambientais e escolares de adolescentes. Participaram 2.545 jovens de 14 a 18 anos dos municípios da Grande Florianópolis. Foi utilizada a versão curta do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ). A prevalência de jovens inativos foi de 48,6%, sendo maior no sexo feminino (53,9%). Para as moças, a inatividade física esteve associada com a falta de lugares apropriados e gratuitos para a prática de atividade física (OR = 1,30 IC95%1,05-1,82), independente da influência das outras variáveis. Já para os rapazes, aqueles que não possuíam atividade profissional (OR = 1,54 IC95%1,14-2,08), mães de menor instrução (OR = 0,41 IC95% 0,27-0,75) ou mães com ensino superior (OR = 0,35 IC95% 0,17- 0,73), pertencentes a cidades de grande porte (OR = 1,64 IC95%1,17-2,31) e classificação socioeconômica baixa quando comparada à média (OR = 0,69 IC95% 0,49-0,97), apresentaram maior chance de inatividade física. Observou-se que as variáveis sociodemográficas estiveram associadas ao comportamento inativo dos rapazes e às variáveis ambientais se associaram a inatividade física das moças. Já dentre os fatores escolares, apenas a reprovação escolar foi associada com inatividade, e somente para as moças.

Palavras-Chave: Atividade física; Adolescentes; Saúde do adolescente

Abstract

This study investigated the associations between the level of physical activity with sociodemographic, environmental and academic factors of adolescents. Two thousand five hundred and forty-five adolescents aged between 14 and 18 from Florianópolis and neighboring cities participated in this study. The short version of the International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) was used. The prevalence of inactive adolescents was 48.6%, being higher among females (53.9%). For girls, physical inactivity was associated with the lack of appropriate and free places for physical activity (OR = 1.30 95% CI 1.05 to 1.82), with no influence of other variables. For boys who had no professional activity (OR = 1.54 95% CI 1.14 to 2.08), less educated mothers (OR = 0.41 95% CI 0.27 to 0.75), or graduate mothers (OR = 0.35 95% CI 0,17- 0,73), living in major cities (OR = 1.64 95% CI 1.17 to 2.31) and low socioeconomic classification when compared to the average (OR = 0.69 95% CI 0.49 to 0.97) were more prone to physical inactivity. It was observed that the socio-demographic variables were associated with the inactive behavior of boys and environmental variables were associated with the physical inactivity of girls. Among the academic factors, only having to repeat a year was associated with inactivity, and only for girls.

Key words: Physical activity; Teenager; Adolescent health

Introdução

A prática de atividade física na adolescência está relacionada à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, controle de pressão sanguínea, benefícios à saúde esquelética, bem como a aderência de um comportamento ativo na vida adulta1-3. Devido a isso, a adolescência é considerada um período essencial em relação à atividade física, ressaltando, assim, a necessidade de estímulos e oportunidades para que os jovens tenham níveis adequados de atividades físicas4.

Nos últimos anos índices elevados de inatividade física têm sido identificado entre os adolescentes. Um levantamento realizado em 122 países apontou que um a cada cinco adolescentes não atingem níveis suficientes de atividade física5. No Brasil, não há um consenso quanto ao percentual de inatividade física. No entanto em uma meta-análise sobre o tema, verificou-se que a prevalência de adolescentes brasileiros inativos variou de dois a 80% no sexo masculino e de 14 a 91% no feminino6. Diante da necessidade de maior consonância entre os estudos sobre o tema, observa-se a relevância de novas pesquisas que contemplem amostras representativas.

Além disso, diversos são os fatores que estão associados aos baixos níveis de atividade física entre os adolescentes. Dentre esses, pode-se destacar os fatores demográficos, idade e sexo4,7,8. Especialmente em relação a este último, os rapazes geralmente são mais ativos quando comparados às moças7-9. Ainda nesse aspecto, o tipo de cidade10-12 e fatores como a falta de lugares para a prática de atividade física12 estão relacionadas ao comportamento inativo na adolescência.

Dentre os fatores socioeconômicos, a classe social13,14, escolaridade dos pais7,8 e a situação ocupacional dos adolescentes15,16, apresentam destaque. No que tange o âmbito educacional, os fatores escolares, como a série17,18 e turno7,19 no qual o adolescente estuda são os que apresentam maior influência.

Investigações em torno da atividade física em adolescentes são essenciais para identificar os fatores que podem associar-se a tais comportamentos e assim proporcionar a elaboração de políticas públicas de educação em saúde voltada a realidade dos jovens. Diante disso, o presente estudo objetivou analisar as associações entre o nível insuficiente de atividade física com os fatores sociodemográficos, ambientais e escolares de adolescentes.

Método

População e amostra

A população foi composta por 24.353 adolescentes matriculados no ensino médio de 67 escolas públicas da região da Grande Florianópolis, de acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Educação20. Essa região é composta pelos municípios de Águas Mornas (N de escolas = 2; N de adolescentes = 241); Angelina (N de escolas = 2, N de adolescentes = 221); Anitápolis (N de escolas = 1, N de adolescentes = 88); Antônio Carlos (N escolas = 1, N adolescentes = 390), Biguaçu (N escolas = 5, N adolescentes = 3396), Florianópolis (N escolas = 27, N adolescentes = 9813), Governador Celso Ramos (N escolas = 2, N adolescentes = 406), Palhoça (N escolas = 10, N adolescentes = 4035), Rancho Queimado (N de escolas = 1; N de adolescentes = 107), Santo Amaro da Imperatriz (N escolas = 3, N adolescentes = 843), São José (N de escolas = 11; N de adolescentes = 4604); São Bonifácio (N de escolas = 1, N de adolescentes = 90) e São Pedro de Alcântara (N escolas = 1, N adolescentes = 119) (Figura 1).

Figura 1 Mapa político da Região da Grande Florianópolis. 

Fizeram parte da população do estudo os adolescentes, com idades a partir de 14 anos, até aqueles com 18 anos completos, matriculados no ensino médio, de escolas públicas estaduais pertencentes à região da Grande Florianópolis.

A amostragem foi realizada de forma aleatória e proporcional, por conglomerados, de acordo com número de alunos matriculados nas escolas públicas e estaduais em cada município, e com base na fórmula proposta por Luiz e Magnani21. Para calcular o tamanho da amostra foi admitido um erro amostral de 3%, nível de confiança de 95%, percentual mínimo de 50%, e efeito do desenho de 2,0. O que tornou necessário selecionar uma amostra de aproximadamente 2048 estudantes. Somou-se a este valor um percentual de 50%, visando a prevenção de possíveis perdas amostrais por questionários mal preenchidos e desistências (n esperado de 3072). Houve a possibilidade de aumentar o tamanho da amostra em algumas escolas, sendo possível extrapolar o n amostral, chegando-se a um total de 3700 questionários. Dentre esses foram excluídos aqueles que não responderam corretamente o questionário, o que resultou uma amostra de 2.545 adolescentes de escolas da rede pública estadual. Cabe destacar, que a perda amostral elevada foi por conta do processo criterioso adotado pelos avaliadores quanto ao preenchimento do questionário. Destaca-se que essas perdas amostrais foram consideradas no plano amostral, evitando assim que o valor mínimo da amostra fosse insuficiente.

Em um primeiro momento foi realizado o sorteio das escolas participantes. Nos municípios onde existia apenas uma escola estadual com ensino médio, estas automaticamente fizeram parte da amostra. Desta forma, participaram do estudo 26 escolas, das quais 20 foram selecionadas por sorteio e seis automaticamente recrutadas por serem as únicas em seus municípios. O sorteio das turmas seguiu o mesmo critério das escolas. Nas instituições em que houvesse apenas uma turma de cada ano escolar, todas fariam parte automaticamente da pesquisa. A coleta dos dados foi realizada com 126 turmas, de primeiros, segundos e terceiros anos, nos períodos matutino, vespertino, integral (matutino e vespertino) e noturno no segundo semestre de 2013. Os escolares sorteados e autorizados para a participação na pesquisa responderam aos questionários em suas salas de aula, no turno em que estudavam acompanhados pelos pesquisadores.

Instrumentos

Para classificação do nível de atividade física utilizou-se a versão 8, em formato curto, do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), o qual foi validado para a população brasileira22 e amplamente utilizado em estudos epidemiológicos23,24. Neste, o participante responde a respeito do tempo gasto em atividades físicas vigorosas, moderadas e caminhadas durante os últimos sete dias. No entanto, foram considerados apenas os minutos de atividades físicas relacionadas à intensidade moderada e vigorosa. A partir disso, foram considerados ativos os adolescentes com 300 minutos ou mais (min./semana ≥300); e insuficientemente ativos àqueles com menos de 300 minutos semanais (min./semana < 300)25.

Para a caracterização da faixa etária os adolescentes informaram a idade, a qual foi dividida em duas faixas etárias, de 14 a 16 anos e 17 a 18 anos. Para a variável porte da cidade, a categorização utilizada levou em consideração o número de habitantes, sendo que as cidades pertencentes a este estudo foram classificadas em Grande Porte, com número de habitantes superior a 60.000 (Florianópolis, Palhoça, São José e Biguaçu) e Pequeno Porte, cujo número de habitantes fosse inferior a 25.000 (Águas Mornas, Angelina, Anitápolis, Antônio Carlos, Rancho Queimado, Santo Amaro, São Bonifácio, e São Pedro de Alcântara)26.

O nível socioeconômico foi avaliado pelo questionário de classificação socioeconômica da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – ABEP27 amplamente utilizado em pesquisas no Brasil. Este inventário leva em consideração a escolaridade do chefe da família e alguns bens de consumo, estratificados em oito níveis (A1, A2, B1, B2, C1, C2, D e E). Para fins de análise, a categorização foi realizada em três estratos: nível alto (A1 e A2); nível médio (B1 e B2) e nível baixo (C1, C2, D e E).

Além disso, os adolescentes foram questionados se exerciam atividades profissionais, por meio de perguntas com resposta dicotômicas (sim; não). A escolaridade dos pais e mães foi questionada com base nas classificações sugeridas pela ABEP, sendo agrupadas da seguinte forma: analfabeto ou séries iniciais do ensino fundamental incompletas; fundamental completo ao ensino médio completo; e ensino superior completo. As variáveis escolares foram relacionadas à série (1ºs, 2ºs e 3ºs anos), turno de estudo (matutino, vespertino, integral e noturno) e reprovação, coletada a partir de dados do histórico escolar informado pela secretária de cada unidade de ensino.

Por fim, os adolescentes responderam de forma dicotômica (sim/não) as questões: “Você acha seguro o local onde mora?” e “No local onde você mora existem locais gratuitos e apropriados para a prática de atividades físicas, como praças, parques e quadras?”, relacionadas à percepção do ambiente onde moram.

Procedimentos gerais

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. A coleta iniciou após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido –TCLE, pelos pais, para os menores de 18 anos, e pelos participantes do estudo.

Os dados foram coletados nas escolas e turmas previamente selecionadas para o estudo, por profissionais capacitados. O processo de preenchimento dos questionários levou aproximadamente 40 minutos.

Análise estatística dos dados

Os dados foram analisados no software Statistical Package for the Social Sciences, versão 20.0,for Windows. A normalidade da distribuição dos dados foi analisada por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov. A amostra foi caracterizada por meio de estatística descritiva, com médias, frequências e desvios-padrões. Nas análises inferenciais recorreu-se ao teste de Qui-quadrado (X2) (de heterogeneidade ou para tendência linear) para a associação entre as variáveis categóricas. Para a diferença entre variáveis contínuas utilizou-se o teste U de Mann-Whitney.

A Regressão Logística foi utilizada para verificar possíveis associações entre os níveis insuficientes de atividade física com as variáveis sociodemográficas, ambientais e escolares, uma vez que esse modelo de regressão é a técnica mais utilizada quando se deseja controlar possíveis fatores de confusão, apontando razões de chances mais estáveis28. Para fins de análise, tendo em vista as diferentes prevalências de inatividade física entre rapazes e moças optou-se em separar os resultados por sexo. Foram analisados modelos não ajustados e ajustados. Para que fossem analisadas no modelo ajustado considerou-se na análise bruta p < 0,25 no teste do Qui-quadrado29. Adotou-se, em todas as análises estatísticas nível de significância de 5%.

Resultados

Participaram do estudo 2.545 adolescentes, 1.462 (57,4%) do sexo feminino, com média de idade de 16,09 (1,02) anos. Quanto ao nível de atividade física 48,6% da amostra geral, 53,9% das moças e 41,4% dos rapazes foram considerados inativos.

Em relação às variáveis escolares a maioria da amostra estudava no turno matutino (41,4%) e eram estudantes do primeiro ano (39,6%). Referente à reprovação escolar, observou-se associação entre os sexos (p = 0,006), sendo que os rapazes apresentaram maior frequência de reprovação no histórico escolar (30,9%), quando comparados às moças (25,9%).

A maior parte (71,7%) desses escolares residiam em cidades de grande porte e 85,7% relataram achar seguro o local onde moravam. Quanto aos espaços à prática de atividades físicas, 64,7% dos adolescentes do sexo masculino responderam que havia espaços apropriados e gratuitos próximo de suas residências. Já para o sexo feminino, essa percepção foi menor (59,1%), apontando diferenças entre os sexos, quanto à percepção de locais apropriados à prática (p = 0,004).

Quanto à escolaridade do pai e da mãe, a maior parte relatou que seus pais possuíam o ensino médio completo (78,4% e 77,3% respectivamente). No entanto, entre os rapazes, 15% declararam que suas mães possuíam o ensino superior, enquanto que entre as moças este percentual foi de 11,2%. Na classificação socioeconômica, embora a maioria dos escolares fossem de classe média (63,4% feminino e 69,8% masculino), 31,4% das moças e 22,4% dos rapazes foram classificados como classe baixa. Verificou-se ainda que 40,8% dos rapazes exercem uma atividade profissional, enquanto que apenas 28,8% das moças trabalham (p < 0,001) (Tabela 1).

Tabela 1 Descrição geral da amostra. 

Variáveis n (%) Geral Feminino Masculino p-valor
Atividade física
Inativo 1236(48,6) 788 (53,9) 448 (41,4) <0,001
Ativo 1309 (51,5) 674 (46,1) 635 (58,6)
Série
Primeiro 997 (39,6) 579 (49,6) 418 (39,2) 0,203
Segundo 870 (34,5) 516 (35,5) 354 (33,2)
Terceiro 653 (25,9) 358 (24,6) 295 (27,6)
Turno
Matutino 1046 (41,4) 592 (40,8) 454 (42,1) 0,742
Vespertino 718 (28,4) 412 (28,4) 306 (28,4)
Integral 125 (4,9) 69 (4,8) 58 (5,2)
Noturno 640 (25,1) 378 (26,1) 262 (24,3)
Reprovação escolar
Não 1823 (72,0) 1079 (74,1) 744 (69,1) 0,006
Sim 709 (28,0) 377 (25,9) 332 (30,9)
Faixa etária
14-15-16 1477 (64,1) 892 (66,7) 585 (60,6) 0,003
17-18 82 (35,9) 446 (33,3) 381 (39,4)
Atividade Profissional
Não trabalha 1641(66,1) 1019 (71,2) 622 (59,2) <0,001
Trabalha 841 (33,9) 413 (28,8) 428 (40,8)
Grau de Instrução Pai
Analfabeto/ fundamental 1 incompleto 330 (13,5) 196 (13,4) 134 (12,8) 0,272
Fundamental 1 completo/médio completo 1912 (78,4) 1096 (78,6) 816 (78,2)
Superior 197 (8,1) 103 (7,4) 94 (9,0)
Grau de Instrução Mãe
Analfabeto/ fundamental 1 incompleto 246 (9,9) 162 (11,3) 84 (7,9) 0,001
Fundamental 1 completo/médio completo 1929 (77,3) 1113 (77,5) 816 (77,1)
Superior 320 (12,8) 161 (11,2) 159 (15,0)
Tipo de cidade
Pequeno porte 719 (28,3) 426 (29,1) 293 (272) 0,248
Grande porte 1826 (71,7) 1036 (70,9) 890 (72,9)
Classificação socioeconômica
Baixa 583 (27,6) 382 (31,4) 201 (22,4) <0,001
Média 1399 (66,1) 772 (63,4) 627(69,8)
Alta 134(6,3) 64 (5,3) 70 (7,8)
Com quem mora
Mãe e pai 1751 (69,1) 995 (68,1) 756 (70,1) 0,007
Somente Mãe 537 (21,2) 327 (22,4) 210 (19,5)
Somente Pai 95 (3,7) 41 (2,8) 54 (5,0)
Não mora com os pais 152 (6,0) 94 (6,5) 58 (5,4)
Acha seguro onde mora?
Não 362 (14,3) 215 (14,8) 147 (13,6) 0,423
Sim 2170 (85,7) 1240 (85,2) 930 (86,4)
Lugares gratuitos e apropriados para a prática de atividade física
Não 974 (38,5) 594 (40,9) 380 (35,3) 0,004
im 1557 (61,5) 860 (59,1) 697 (64,7)

Teste de associação por meio do Qui quadrado.

Ao verificar a associação entre inatividade física com as variáveis sociodemográficas e ambientais para o ao sexo feminino, na análise não ajustada, foi identificada associação com o tipo de cidade (OR = 1,37; IC95% 1,09-1,72) e percepção de lugares públicos adequados e gratuitos próximo de onde residem (OR = 1,25; IC95% 1,01-1,54). Observou-se que 56,2% das moças das cidades de grande porte são inativas, enquanto 48,4% das que residem em cidades de pequeno porte tem níveis insuficientes de atividade física. Referente à percepção de lugares para a prática de atividade física, 57,1% das moças que acreditam não ter essas instalações foram identificadas como inativas fisicamente (Tabela 2).

Tabela 2 Associação entre inatividade física e variáveis sociodemográficas, ambientais e escolares para o sexo feminino. 

Variáveis Inativos % Análise não ajustada Análise ajustada

OR (IC95%) p- valor OR (IC95%) p-valor
Série
Primeira 53,9 1 -
Segunda 53,9 1,00 (0,79-1,27) 0,997
Terceira 24,6 1,00 (0,77-1,30) 0,994
Turno
Matutino 52,0 1 1
Vespertino 56,1 1,17 (0,91-1,51) 0,207 1,16 (0,87-1,54) 0,320
Integral 62,3 1,52 (0,91-2,55) 0,727 1,11 (0,82-1,50) 0,493
Noturno 53,2 1,05 (0,81-1,36) 0,107 1,31 (0,75-2,27) 0,341
Reprovação escolar
Não 52,5 1 1
Sim 58,1 1,26 (0,99-1,59) 0,059 1,38 (1,05-1,82) 0,022
Faixa etária
14-15 54,0 1 -
16-18 54,7 1,03 (0,82-1,29) 0,816
Atividade Profissional
Não trabalha 53,9 0,97(0,78-1,24) 0,901 -
Trabalha 54,2 1
Grau de Instrução Pai
Analfabeto/ fundamental 1 incompleto 51,5 1 -
Fundamental 1 completo/médio completo 53,5 1,08 (0,80-1,46) 0,617
Superior 56,3 1,21 (0,75-1,96) 0,431
Grau de Instrução Mãe
Analfabeto/ fundamental 1 incompleto 49,4 1 1
Fundamental 1 completo/médio completo 54,1 1,21 (0,87-1,70) 0,262 1,15 (0,79-1,66) 0,465
Superior 56,5 1,33 (0,86-2,06) 0,199 1,54 (0,80-2,98) 0,200
Classificação socioeconômica
Baixa 57,3 1 1
Média 52,2 0,81 (0,63-1,04) 0,100 0,84 (0,65-1,09) 0,183
Alta 50,0 0,74 (0,44-1,26) 0,275 0,72 (0,42-1,26) 0,254
Com quem mora
Mãe e pai 51,4 1 1
Somente Mãe 58,1 1,20 (0,94-1,55) 0,147 1,33 (0,99-1,79) 0,059
Somente Pai 70,7 1,20 (0,64-2,25) 0,573 1,53 (0,71-3,27) 0,277
Não mora com os pais 58,5 1,09 (0,71-1,67) 0,706 1,14 (0,70-1,87) 0,590
Tipo de cidade
Grande porte 56,2 1,37(1,09-1,72) 0,006 1,19 (0,91-1,56) 0,209
Pequeno porte 48,4 1 1
Acha seguro onde mora?
Não 57,7 1,20 (0,89-1,60) 0,227 1,29 (0,92-1,81) 0,133
Sim 53,2 1 1
Lugares gratuitos e apropriados para a prática de atividade física
Não 57,1 1,25(1,01-1,54) 0,037 1,30 (1,03-1,65) 0,030
Sim 51,5 1 1

Teste de associação por meio da Regressão logística binária. IC95% (intervalo de 95% de confiança).

Esses valores foram confirmados na análise ajustada, mostrando que a percepção de lugares apropriados para a prática de atividade física esteve associada a inatividade física (OR = 1,30 IC95% 1,03-1,65). Os dados apresentados indicam que moças que não percebem esses lugares próximos de suas casas têm 1,30 mais chance de serem inativas fisicamente quando comparadas com as que percebem residir em locais com adequada estrutura à prática de atividade física (Tabela 2).

A variável reprovação escolar, na análise ajustada, esteve associada com inatividade física (OR = 1,38 IC95% 1,05-1,82), sendo que as adolescentes, com ao menos uma reprovação no histórico escolar tem 1,38 mais chance de serem inativas quando comparadas as que nunca reprovaram (Tabela 2).

No sexo masculino a inatividade física esteve associada, na análise não ajustada, a atividade profissional (OR = 1,46 IC95% 1,13-1,88), grau de instrução da mãe (OR = 0,52 IC95% 0,33-0,83; OR = 0,54 IC95% 0,32-0,93), classificação socioeconômica média (OR = 0,64 IC95% 0,46-0,89), tipo de cidade (OR = 1,37 IC95% 1,04-1,81) e percepção de segurança onde mora (OR = 1,53 IC95% 1,08-2,16).

Na análise ajustada, a inatividade física foi associada com atividade profissional (OR = 1,54 IC95% 1,14-2,08), instrução da mãe (OR = 0,45 IC95% 0,27-0,75; OR = 0,35 IC95% 0,17-0,73), tipo de cidade (OR = 1,64 IC95% 1,17-2,31) e classificação socioeconômica entre a baixa e média (OR = 0,69 IC95% 0,49-0,97). Desta forma, os dados indicam que rapazes, sem atividade profissional têm 53% a mais de chance de serem inativos quando comparados aos que trabalham. Os jovens de cidades de grande porte têm 64% mais chances de terem níveis insuficientes de atividade física ao se compararem com adolescentes de cidades menores.

O grau de instrução da mãe e o nível socioeconômico atuaram como fator de proteção para a prática de atividade física, uma vez que os rapazes cujas mães completaram o ensino fundamental e/ou médio completo (55%) ou o ensino superior (66%) apresentaram menos chances de serem inativos, quando comparados aos adolescentes em que suas mães são analfabetas ou com ensino fundamental I incompleto. Referente à classe econômica, os adolescentes da classe média apresentaram 32% menos chances de terem níveis insuficientes de atividade física em comparação aos de classe baixa (Tabela 3).

Tabela 3 Associação entre inatividade física e variáveis sociodemográficas, ambientais e escolares para o sexo masculino. 

Variáveis Inativos % Análise não ajustada Análise ajustada

OR (IC95%) p-valor OR (IC95%) p-valor
Série
Primeiro 39,7 1
Segundo 41,2 1,06 (0,80-1,42) 0,849 -
Terceiro 43,7 1,180 (0,87-1,60)
Turno
Matutino 42,5 1
Vespertino 37,6 0,81 (0,60-1,10) 0,175 0,80 (0,559-1,114) 0,178
Integral 46,4 1,17 (0,67-2,05) 0,577 0,98 (0,955-1,985) 0,968
Noturno 43,5 1,04 (0,77-1,42) 0,794 1,38 (0,955-1,946) 0,087
Reprovação escolar
Não 40,5 1 -
Sim 42,5 1,09 (0,84-1,41) 0,535
Faixa etária
14-15-16 41,2 1 -
16-18 43,8 1,11 (0,86-1,45) 0,418
Atividade Profissional
Não trabalha 45,0 1,46 (1,13-1,88) 0,004 1,54 (1,14-2,08) 0,005
Trabalha 36,0 1 1
Grau de Instrução Pai
Analfabeto/ fundamental 1 incompleto 42,5 1 -
Fundamental 1 completo/médio completo 40,9 0,94 (0,65-1,35) 0,726
Superior 41,5 0,96 (0,56-1,63) 0,875
Grau de Instrução Mãe
Analfabeto/ fundamental 1 incompleto 56,0 1 1
Fundamental 1 completo/médio completo 40,1 0,52 (0,33-0,83) 0,005 0,45 (0,27-0,75) 0,002
Superior 40,9 0,54 (0,32-0,93) 0,026 0,35 (0,17-0,73) 0,005
Classificação socioeconômica
Baixa 49,8 1 1
Média 38,9 0,64 (0,46-0,89) 0,007 0,69 (0,49-0,97) 0,033
Alta 41,5 0,71 (0,41-1,24) 0,231 0,81 (0,45-1,47) 0,484
Com quem mora
Mãe e pai 41,4 1 1
Somente Mãe 45,2 1,17(0,86-1,59) 0,320 1,11 (0,76-1,60) 0,595
Somente Pai 33,3 0,71 (0,39-1,27) 0,246 0,67 (0,33-1,34) 0,257
Não mora com os pais 34,5 0,74 (0,42-1,30) 0,303 0,79 (0,39-1,62) 0,523
Tipo de cidade
Grande porte 43,4 1,37(1,04-1,81) 0,025 1,64 (1,17-2,31) 0,004
Pequeno porte 35,8 1 1
Acha seguro onde mora?
Não 50,3 1,53 (1,08-2,16) 0,017 1,23 (0,82-1,85) 0,324
Sim 39,9 1 1
Lugares gratuitos e apropriados para a prática de atividade física
Não 43,2 1,12 (0,87-1,45) 0,565 -
Sim 40,3 1

Teste de associação por meio da Regressão logística binária. IC95% (intervalo de 95% de confiança).

Discussão

O objetivo deste estudo foi analisar as associações entre o nível de atividade física com os fatores sociodemográficos, ambientais e escolares de adolescentes. A prevalência de níveis insuficientes de atividade física (48%) foi semelhante a alguns estudos realizados no Brasil7,13. No entanto, observa-se a falta de concordância entre a maioria dos estudos quanto à prevalência de inatividade física em adolescentes brasileiros, sendo que essa pode variar de 5,4% até 91%6. Acredita-se que tais divergências encontradas na literatura se devem ao perfil de cada tipo de população, e ainda, a utilização de diferentes instrumentos ou pontos de corte. É relevante a atenção a estes índices, tendo em vista a importância do desenvolvimento de hábitos de vida saudáveis entre os jovens, visando a sua manutenção na idade adulta4.

Ainda nesse aspecto, foi evidenciado níveis superiores de inatividade física no sexo feminino, uma vez que quase 53% das moças foram consideradas insuficientemente ativas. Esta prevalência superior de inatividade física nas moças tem sido relatada em estudos conduzidos em outros países como, Japão30, Espanha31, Irã3 e também no Brasil7,8,32. Além dos aspectos biológicos que tornam rapazes e moças com comportamentos diferentes, essas prevalências superiores das moças inativas podem também ser explicadas por questões socioculturais, comportamentais e psicológicas, pois os rapazes ainda são incentivados a realizarem atividades físicas mais vigorosas que as meninas, o que pode ter influenciado nesses resultados33. É com base na relação com os amigos, familiares e sob a influência da mídia que os adolescentes constroem sua identidade e identificam o que é socialmente aceito ou não. No entanto, observa-se que estes componentes sociais ainda encorajam as moças a participarem apenas de atividades físicas leves e os rapazes atividades mais vigorosas7.

No que se refere aos fatores ambientais, estudos analisam os aspectos relacionados aos tipos de cidade e a atividade física com base nas características geográficas, como região urbana e rural34, capitais sociais8, estrutura física10,12, Índice de desenvolvimento humano - IDH35, entre outros. No presente estudo, foi utilizado o porte de cidade baseado no número de habitantes (cidades de pequeno e grande porte). A partir dessa análise, foram identificadas associações significativas entre a inatividade física e o porte de cidade para os rapazes, sendo que aqueles que residem em cidades de grande porte têm mais chance de serem inativos fisicamente quando comparados aos que moram em cidades de pequeno porte. Esse fenômeno possivelmente é decorrente a aspectos sociais e ambientais, no qual o adolescente está inserido. Devido a urbanização e o crescimento acelerado das grandes cidades, observa-se o aumento do comportamento inativo do adolescente justificado pela maior opção de atividades sedentárias36. Além disso, os facilitadores para a atividade física, como segurança, conforto, acessibilidade e confiança ao seu redor37 possivelmente são encontrados em cidade com menor número de habitantes.

Nesse contexto, em estudo recente realizado em Londres, uma cidade com alto número de habitantes, o tempo em atividade física não apresentou diferenças entre os quatro bairros investigados com prevalências de níveis insuficientes de atividades físicas em torno de 87% para as moças e 72% entre os rapazes. No entanto, os pesquisadores identificaram que os adolescentes de bairros com maior facilidade de deslocamento por bicicletas, na percepção dos adolescentes, possuíam maior tempo despendido em atividades físicas38. Sugerindo que, a infraestrutura adequada para o deslocamento ativo possa ser um fator importante para elevar os padrões de atividade físicas em adolescentes também nas grandes cidades brasileiras35.

Além disso, os dados do presente estudo indicam que no sexo feminino houve associação entre níveis insuficientes de atividade física com a percepção de ausência de lugares apropriados e gratuitos para a prática de atividade física, sendo que moças que relataram não identificar locais para a prática tem 29% mais chances de serem inativas quando comparadas às suas opostas. Um estudo realizado na Carolina do Norte (EUA) apontou que instalações adequadas foram associadas com o comportamento ativo para o sexo feminino, assim como no presente estudo essa relação não ocorreu com os rapazes39. Isso pode ser explicado pela maior restrição às moças em relação aos espaços para a prática. Dessa forma, é necessária a disponibilidade de lugares com programação e instalações apropriadas para a prática de atividade física voltada às moças12,39. Em estudos brasileiros, a associação entre a ausência de instalações adequadas para a prática atividade física e inatividade física ocorreu independente dos sexos12,40, devido a característica de modelos de análise dos estudos.

No sexo masculino a percepção de segurança onde mora esteve associada com inatividade física, uma vez que aqueles que não se sentem seguros tem maior probabilidade de serem inativos quando comparados aos com maior percepção de segurança no lugar onde moram. A falta de segurança é entendida como uma restrição para a prática de atividade física, e esta parece exercer influência no comportamento ativo entre os adolescentes41,42.

No que diz respeito a classificação socioeconômica, apenas entre os rapazes a inatividade física apresentou associação. Sendo que aqueles de classe média têm menos chances de ser inativos quando comparados aos de classe baixa. Assim como em um estudo realizado em Macapá-AP, o qual indicou que os rapazes de classe C têm duas vezes mais chances de serem inativos quando comparado aos de classes superiores23. Em outro contexto, em Curitiba, região sul do país, essa associação não ocorreu com o sexo masculino43. Destaca-se que no presente estudo não foi identificado associação entre inatividade física e classe social alta quando comparado a classe baixa. Nessa perspectiva, entende-se que ter acesso à prática de atividade física e de esportes relaciona-se com o fato da família ter condições financeiras para ofertar o acesso às práticas44.

Ainda nesse contexto, os adolescentes do sexo masculino, deste estudo, que não trabalham têm 53% mais chances de serem inativos. Isso pode ser decorrente de características das atividades laborais sem que os adolescentes estejam expostos, sendo que uma característica marcante das cidades de pequeno porte, participantes deste estudo são as atividades econômicas relacionadas a agricultura familiar, criação de animais, onde os adolescentes auxiliam seus pais em trabalhos do cotidiano. Características que podem influenciar de diferentes maneiras, no estilo de vida dos adolescentes e de suas famílias.

Relacionado à escolaridade dos pais, os rapazes em que as mães não são analfabetas ou semianalfabetas têm mais chances de serem inativos. Outros estudos também encontraram essa associação8,23. Uma vez que pais com maior instrução tendem a ter maior conhecimento sobre aspectos relacionados à saúde8,33,41. Essa relação com a escolaridade materna ocorre devido a figura materna atuar como fator de proteção em relação a comportamentos saudáveis de adolescentes45.

No que diz respeito às variáveis escolares, série e turno escolar, não foi identificado associação com níveis de atividade física para ambos os sexos. Relacionado ao turno, um estudo realizado no estado de Santa Catarina encontrou associação entre essa variável e inatividade física16. No entanto, foram analisados apenas turno diurno e noturno e, para o presente estudo, fizeram parte adolescentes de turno matutino, vespertino, integral e noturno. Já a variável reprovação escolar foi associada à inatividade física para o sexo feminino. Uma revisão sistemática indicou que os níveis adequados de atividade física estão associados ao rendimento acadêmico de forma positiva, sendo que crianças com melhor capacidade aeróbia apresentam um perfil neuroelétrico mais eficiente, aumento da densidade das sinapses e vascularização do córtex cerebral46.

Este estudo limitou-se a utilizar uma medida indireta para analisar o nível de atividade física. Sabe-se que o padrão ouro para estas análises é a utilização de medidas diretas como a acelorometria. No entanto, por questões de recursos materiais e logísticos, não foi possível inferir essa variável a partir destas medidas. Contudo, destacam-se como pontos positivos do presente estudo a utilização de uma amostra representativa que fortalece as análises e associações identificadas, dando a possibilidade de generalização e comparações dos resultados encontrados com outras populações.

Conclusão

Em relação ao nível de atividade física dos adolescentes, diferentes fatores sociodemográficos devem ser considerados. Moças e rapazes apresentaram comportamentos distintos no que se refere à prática de atividade física. De forma geral, as moças demonstraram ser mais inativas quando comparadas aos rapazes. O porte da cidade parece ter grande influência na prática regular de atividade física tanto para moças quanto para rapazes. Sendo que os adolescentes das cidades de grande porte têm maior probabilidade de apresentarem níveis insuficientes de atividade física.

Quanto aos fatores escolares série e turno parecem não ter relação com o nível de atividade física, já reprovação escolar esteve associada com inatividade física, apenas no sexo feminino.

Este trabalho vem a contribuir com os estudos referentes ao nível de atividade física em adolescentes, com uma maior compreensão das variáveis associadas ao comportamento inativo. Espera-se ainda, que a partir dos dados provenientes do presente estudo, seja possível uma reflexão sobre as políticas públicas, relacionadas à promoção da saúde na adolescência, inserindo nesse contexto não apenas os jovens, mas também sua família, e outras pessoas próximas a ele. Uma vez que o comportamento ativo mais significativo pode ser, consequentemente, mais duradouro.

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Recebido: 31 de Julho de 2016; Revisado: 09 de Dezembro de 2016; Aceito: 11 de Dezembro de 2016

Colaboradores

J Silva, AA e TS Beltrame trabalharam na concepção, delineamento, análise e interpretação dos dados, redação do artigo, revisão crítica, e a aprovação da versão a ser publicada; R Capistrano, T Lisboa, RD Andrade e EPG Felden na análise e interpretação dos dados, redação do artigo, revisão crítica, e na aprovação da versão a ser publicada.

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