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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320182312.14742016 

TEMAS LIVRES

Satisfação com a imagem corporal e bem-estar subjetivo entre adolescentes escolares do ensino fundamental da rede pública estadual de Canoas/RS, Brasil

Daniela Carolina Molina Lemes1 

Sheila Gonçalves Câmara2 

Gehysa Guimarães Alves3 

Denise Aerts1 

1 Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva , Universidade Luterana do Brasil . R. São Luis 101, Centro. 92420-280 Canoas RS Brasil . danielamolinalemes@yahoo.com.br

2 Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Saúde , Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre . Porto Alegre RS Brasil .

3 Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde , Universidade Luterana do Brasil . Canoas RS Brasil .

Resumo

Na adolescência, o bem-estar subjetivo está atrelado à imagem corporal. A pesquisa objetivou estudar o perfil de bem-estar entre adolescentes escolares satisfeitos e insatisfeitos com a imagem corporal. Estudo observacional, de base escolar, analítico e transversal. A amostra foi de 1.460 alunos do nono ano do ensino fundamental da rede estadual de Canoas/RS. Os instrumentos foram: questionário de dados sociodemográficos; Critério de Classificação Econômica Brasil; Body Shape Questionnaire; Escala Multidimensional Breve de Satisfação com a Vida em Estudantes; Percepção de Saúde e de Otimismo e Escala de Felicidade. Os dados foram analisados mediante estatística descritiva e análise discriminante. Em relação à imagem corporal, 1.091 (74,7%) estavam satisfeitos. O que mais diferenciou os grupos foi o sexo (0,680), a satisfação consigo próprio (0,644), a percepção de saúde (0,630) e o quanto o adolescente está feliz com sua saúde (0,601). O investimento em uma abordagem que vincule imagem corporal positiva com ser saudável em um sentido mais amplo, pode contribuir com adesão dos adolescentes aos serviços de saúde, permitindo acessar essa população de uma forma mais efetiva e menos reguladora.

Palavras-Chave: Imagem corporal; Adolescente; Saúde do escolar

Introdução

De acordo com a OMS, a adolescência corresponde ao período entre os 10 e 19 anos de idade 1 . É uma fase crítica na formação do indivíduo, tendo como atributos instabilidades física, psicológica e social 2 , 3 . Uma especificidade dessa etapa da vida é a transformação do corpo, a qual pode ocorrer de forma insatisfatória, corroborando para uma autoavaliação distorcida ou imprópria 4 . A repercussão psicológica desta imagem ocorre toda vez que a insatisfação corporal for resultado de uma avaliação subjetiva negativa da aparência física 5 .

Estudos têm identificado elevada frequência de adolescentes insatisfeitos com sua imagem 6 , 7 . Nesta fase, o jovem está construindo sua identidade pessoal e social e muitas mudanças ocorrem concomitantemente à maturação biológica, o que aumenta as preocupações com o corpo e a aparência. Os que não possuem os biótipos prescritos socialmente como adequados se preocupam excessivamente com a aparência física e manifestam insatisfação com a imagem corporal 8 . Ainda que o sexo seja um fator importante no que tange à insatisfação com a imagem corporal, é preciso considerar que tanto meninas quanto meninos apresentam dificuldades com o tema no período da adolescência. Isso ocorre porque o corpo é experienciado e visto através de, pelo menos, duas diferentes perspectivas. A primeira refere-se às muitas mudanças que ocorrem no âmbito cognitivo, afetivo e social; a segunda está associada à estética socialmente aceita na atualidade, a qual chega a todos os indivíduos através da mídia. O efeito desses processos incide diretamente no autoconceito, o qual corresponde às descrições que a pessoa faz de si própria e que acabam por definir sua noção de si mesmo, correspondendo também a aspirações sobre como ela desejaria ser 9 .

Os conceitos de saúde, bem-estar subjetivo ou felicidade e satisfação com a vida encontram-se geralmente associados. A OMS 10 apresenta o bem-estar como um componente considerável da saúde. E essa tem sido definida como o valor mais importante da vida, já que uma pessoa precisa estar com seu corpo e seu espírito em um funcionamento equilibrado em um estado que permite o bom funcionamento da sua atividade psíquica e somática 11 . A saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver 12 . A integração de construtos positivos vai ao encontro do modelo teórico de bem-estar psicológico proposto por Ryff 13 , que indica a importância de atitudes positivas para o sentido de vida, o que é importante para enfrentar situações de adversidade.

Na adolescência, a imagem corporal pode significar um importante estressor 14 , por isso, é importante que se investigue seu efeito sobre o bem-estar geral desse grupo populacional. A imagem corporal é uma representação mental que o indivíduo tem do seu corpo tendo em vista a experiência psicológica da corporeidade 15 . É a imagem percebida de dentro 16 ou a avaliação subjetiva que as pessoas fazem sobre seu próprio corpo, as atitudes e sentimentos associados a ela 17 .

O presente estudo traz uma abordagem diferenciada no tema da imagem corporal em adolescentes, uma vez que conjuga construtos relativos a bem-estar subjetivo com as demandas da Saúde Coletiva, considerando que a imagem corporal em adolescentes tem um importante impacto em sua saúde. Trata-se de explorar uma abordagem positiva de saúde, visando identificar os fatores de proteção que diferenciam adolescentes satisfeitos de insatisfeitos. Nesse sentido, visa contribuir para novas abordagens dos serviços de saúde junto a essa população. O estudo também visa contribuir com a literatura sobre imagem corporal, uma vez que não foi identificada literatura com essa abordagem.

Assim, este estudo tem por objetivo avaliar o perfil discriminante de adolescentes satisfeitos e insatisfeitos com sua imagem corporal em termos de bem-estar geral, o qual compreende as dimensões de satisfação com a vida, percepção de saúde, felicidade e otimismo. Dessa forma, a partir de uma concepção integral de saúde, torna-se possível estabelecer estratégias de promoção da saúde do adolescente, especialmente, no contexto escolar.

Método

Este é um estudo de base escolar, observacional, analítico e transversal realizado na cidade de Canoas/RS. A população alvo, de acordo com os dados da Secretaria Estadual de Educação do RS/SEC, neste município 18 , era de 1612 escolares matriculados, em 2013 e 2014, na faixa etária compreendida entre 12 e 19 anos, no turno diurno, no nono ano do ensino fundamental, nas 34 escolas da rede pública estadual. A coleta de dados foi realizada em todas as turmas das 34 escolas estaduais do município. No final da coleta, obteve-se uma amostra de 1460 adolescentes. Das 67 turmas, 45 encontram-se no turno da manhã e 22 no turno da tarde.

Em relação aos aspectos éticos, desenvolveu-se o Termo de Assentimento do Participante e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para que os jovens e seus pais tomassem conhecimento, por escrito, dos objetivos da pesquisa. Esses foram entregues previamente para que manifestassem sua anuência em participar do estudo e, no dia da aplicação, trouxessem o TCLE assinado pelos pais com a autorização para a participação. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Ulbra.

Os participantes responderam ao instrumento de pesquisa mediante seu assentimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos jovens ou responsáveis, conforme a idade (maiores ou menores de 18 anos). Combinou-se com as escolas três retornos semanais para conseguir a adesão dos alunos faltantes no primeiro dia da coleta ou aqueles que não haviam trazido o TCLE assinado por seus responsáveis.

Foi considerada perda, para os fins deste estudo, os alunos matriculados que não concordaram em participar do mesmo, os faltantes no momento da coleta de dados e os menores de idade que não trouxeram o TCLE assinado pelos responsáveis. As perdas existentes foram de 321 alunos, em função de: 99 alunos que não foram encontrados e 222 que não trouxeram o TCLE assinado pelos pais.

Os critérios de inclusão foram os alunos estarem matriculados e frequentando regularmente o nono ano do ensino fundamental de escolas da rede pública estadual de Canoas/RS em 2013 e 2014, em turno diurno, com idade entre 12 e 19 anos. O critério de exclusão foi gestação no momento da coleta.

Para a realização do estudo piloto foi solicitada autorização da Secretaria Municipal de Educação de Canoas, RS, bem como de uma escola selecionada para o estudo. Participaram 83 alunos de nono ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal de Canoas, RS, em 2012. Todos os participantes trouxeram o TCLE assinado pelos responsáveis e manifestaram assentimento em participar da pesquisa.

Para o estudo propriamente dito, foi solicitada autorização da Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, a fim de realizá-lo nas escolas estaduais de Canoas. Após a autorização das escolas, a coleta de dados foi realizada nas salas de aula pelos pesquisadores. O tempo médio de aplicação foi de 40 minutos.

Foram utilizados sete instrumentos de coleta de dados. No Questionário demográfico constam as variáveis: sexo, idade e raça/cor. Esse foi desenvolvido especificamente para o presente estudo pelos pesquisadores. A inserção econômica foi medida com o auxilio do Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) - composto por 10 questões. Possui os seguintes cortes de classificação para o Brasil 19 (ABEP/2012):A1 (42-46); A2 (35-41), B1 (29-34), B2 (23-28), C1 (18-22), C2 (14-17), D (8-13) e E (0-7).

A avaliação da satisfação com a imagem corporal foi realizada utilizando-se o Body Shape Questionnaire (BSQ), que avalia a satisfação e as preocupações com a forma do corpo 20 , validado para adolescentes brasileiros, com bons resultados em termos de validade e confiabilidade (alfa = 0,96) 21 . Trata-se de um instrumento de autorrelato, com 34 perguntas referentes ao estado dos entrevistados nas últimas quatro semanas, cujas respostas são apresentadas em uma escala Likert de 1 a 6, indicando a frequência em que o comportamento acontece. Segundo os autores, é possível classificar os sujeitos em quatro categorias: 1) não preocupados com a imagem corporal (≤ 80 pontos), 2) levemente preocupados (81 a 110 pontos), 3) moderadamente preocupados (111 a 140 pontos), e 4) extremamente preocupados (> 141 pontos). Para fins do presente estudo, o desfecho foi recategorizado em satisfeitos (< 81 pontos) e insatisfeitos (> 81 pontos).

A Escala Multidimensional Breve de Satisfação com a Vida em Estudantes ( Brief Multidimensional Students’ Life Satisfaction Scale – BMSLSS), de Benjamin et al. 22 , é composta por seis itens sobre a satisfação com a família, amigos, experiência como estudante, consigo mesmo, com o lugar onde vive e com a vida em geral, a serem respondidos em escala Likert de onze pontos, como opções que variam de “péssima” a “excelente”. A consistência interna obtida pelos autores foi de 0,75 22 .

A Escala de Felicidade (Happiness Measures - HM), de Fordyce 23 , consiste de 16 itens que avaliam o sentimento de felicidade relacionado a diversos domínios da vida (a casa ou apartamento onde mora, as pessoas com quem mora, as pessoas da família, os amigos, as pessoas que vivem no bairro e cidade, as relações com as pessoas em geral, o bairro ou a cidade onde mora, a escola que frequenta, os colegas, o rendimento escolar, a liberdade que tem, a própria saúde, o que faz no tempo livre, a maneira como é ouvido/a, a vida como um todo e as coisas que possui). O instrumento é respondido em escala Likert de 5 pontos (de 1- Nada feliz a 5-Muito feliz). Os estudos de fidedignidade do instrumento foram conduzidos pelo próprio autor. Esse usou o método teste-reteste em diferentes espaços de tempo. Os coeficientes, obtidos através de correlação de Pearson, foram de r = 0,98 (n = 111) por um período de dois dias; r = 0,86 (n = 105) a r = 0,88 (n = 58) para duas semanas; r = 0,81 (n = 57) por um mês; e entre r = 0,62 (n = 71) e r = 0,67 (n = 27) por dois meses (considerando, em todos os casos, um p < 0,001).

A Percepção de saúde foi avaliada mediante Escala de Item único ( O quanto você acredita que está saudável? ), que avalia a percepção subjetiva de saúde, variando de nada saudável (1) a muito saudável (4). Essa questão foi adaptada do The Health Behavior in Schoolchildren (1985/86):A WHO cross-national survey , instrumento desenvolvido pela OMS para estudar os estilos de vida dos adolescentes em diferentes países, o que permite a comparação dos resultados com outros obtidos por adolescentes em distintos marcos culturais 24 .

O otimismo percebido foi avaliado utilizando-se uma única questão, a qual foi desenvolvida para o estudo pelos pesquisadores ( O quanto você se sente otimista para o futuro?). As respostas são marcadas em um contínuo, em formato de régua, que varia de 0 (zero) nem um pouco otimista a 10 (dez) totalmente otimista. A Escala de Item Único tem sido utilizada para a avaliação em temas de bem-estar subjetivo e felicidade 25 , 26 . Esse tipo de escala considera a capacidade das pessoas em avaliar o quanto estão satisfeitas com a sua própria vida de um modelo geral. Stutzer e Frey 27 afirmam que uma evidência de validade da escala de item único é a sua utilização no German Socio-Economic Panel para avaliar o bem-estar subjetivo em grandes amostras populacionais. No entanto, o próprio Diener 25 atenta para a impossibilidade de estimar a consistência interna desse tipo de medida.

Os coeficientes de consistência interna dos instrumentos, obtidos no estudo piloto e no estudo definitivo foram, respectivamente: BSQ (α = 0,96) e (α = 0,96), BMLSS (α = 0,84) e (α = 0,82); e Escala de Felicidade (α = 0,93) e (α = 0,89). O banco de dados foi digitado no pacote estatístico SPSS (versão 17.0). O controle de qualidade da digitação foi realizado por meio de análises descritivas de caráter exploratório a fim de avaliar, a distribuição dos itens, casos omissos, identificação de extremos e possíveis erros de digitação.

Foi realizada análise univariada dos dados para descrição da amostra. Posteriormente, os dados foram avaliados por meio de análise discriminante multivariada, com a qual se identificou o perfil discriminante de bem-estar geral (satisfação com a vida, percepção de saúde, felicidade e otimismo) entre os grupos de adolescentes satisfeitos e insatisfeitos com sua imagem corporal. A análise discriminante utiliza uma variável de agrupamento (satisfação com a imagem corporal) e busca a combinação linear das variáveis independentes (preditoras) que maximiza a distância (diferença) entre os grupos. Como variáveis independentes foram utilizadas na análise: sexo, idade, raça/cor, classificação econômica, otimismo, percepção de saúde, cinco itens da Escala Multidimensional Breve de Satisfação com a Vida em Estudantes (excluindo-se a satisfação com a vida em geral a fim de evitar multicolinearidade) e os 16 itens da Escala de Felicidade. Os dados foram considerados significativos a um p < 0,05.

Resultados

Dentre os 1460 adolescentes que participaram do estudo, 53,6% eram do sexo feminino e a idade variou de 12 a 19 anos, sendo 42,7% com 14 anos. Em relação à cor da pele, 72% identificaram-se como brancos, 66,2% pertenciam à classe B, 26,4% à classe C, 6,4% à classe A e 1,0% às classes D+E ( Tabela 1 ).

Tabela 1 Características demográficas dos adolescentes escolares (Canoas/RS, 2014). 

Característica demográfica (n=1460) Adolescentes escolares

n %
Sexo*
Feminino 779 51,5
Masculino 675 44,5
Idade**
12 2 0,1
13 157 10
14 619 39,3
15 395 25,1
16 195 12,4
17 72 4,6
18 7 0,4
19 2 0,1
Raça/cor***
Branco 1037 71,1
Negro 177 12,1
Pardo 182 12,5
Amarelo 18 1,2
Indígena 27 1,8
Classe econômica****
A 84 5,7
B 868 59,5
C 347 23,8
D+E 13 0,9

* Dados ausentes de 6 participantes (0,4%); ** Dados ausentes de 11 participantes (0,8%); *** Dados ausentes de 19 participantes (1,3%); **** Dados ausentes de 148 participantes (10, 1%).

Os resultados apresentados na Tabela 2 demonstraram que mais da metade dos adolescentes (74,7%) estavam satisfeitos com a imagem corporal. As médias das respostas aos itens da escala de felicidade indicaram maior felicidade em relação às pessoas com que moram ( X = 4,19; DP = 0,95), com os amigos ( X = 4,18; DP = 0,92) e com as coisas que possuem ( X = 4,17; DP = 0,92); e menos felizes com as pessoas que vivem em seu bairro e cidade ( X = 3,31; DP = 1,13) e com o seu bairro ou cidade de maneira geral ( X = 3,38; DP = 1,13). A satisfação foi maior em relação aos amigos ( X = 8,21; DP = 1,88), à vida em geral ( X = 8,00; DP = 2,13) e aos pais ( X = 7,83; DP = 2,15) e menor em relação à experiência como estudante ( X = 7,04; DP = 2,17). Ressalta-se, no entanto, que as médias de felicidade obtidas são inferiores ao ponto médio da escala (5), indicando infelicidade, de maneira geral.

Tabela 2 Estatísticas descritivas de preocupação com a imagem corporal, dos domínios de felicidade e dimensões de satisfação com a vida e percepção de saúde e otimismo quanto ao futuro entre adolescentes escolares (Canoas/RS, 2014) (n=1460). 

Variação escala Média DP n %
Satisfação com a Imagem corporal -
Satisfeitos - - 1091 74,7
Insatisfeitos - - 369 25,3
O quanto está feliz com... (1-5)
A casa ou apartamento onde mora 3,85 1,05 - -
As pessoas com quem mora 4,19 0,95 - -
Todas as pessoas da família 4,03 0,98 - -
Os amigos 4,18 0,92 - -
As pessoas que vivem no bairro e cidade 3,31 1,13 - -
As relações com as pessoas em geral 3,68 1,01 - -
O bairro ou a cidade onde mora, em geral 3,38 1,13 - -
A escola que frequenta 3,42 1,18 - -
Os colegas 3,70 1,08 - -
O rendimento escolar 3,54 1,16 - -
A liberdade que tem 3,55 1,25 - -
A própria saúde 3,87 1,06 - -
O que faz no tempo livre 3,78 1,13 - -
A maneira como é ouvido/a 3,43 1,20 - -
A vida como um todo 3,89 1,05 - -
As coisas que possui 4,17 0,92 - -
Satisfação com... (0-10)
Família 7,83 2,14 - -
Amigos/as 8,21 1,87 - -
Experiência como estudante 7,04 2,16 - -
Consigo mesmo/a 7,64 2,34 - -
Com o lugar onde vive 7,71 2,31 - -
Com a vida em geral 8,00 2,13 - -
Percepção de saúde (1-4) 2,84 0,77 - -
Percepção de otimismo para o futuro (0-10) 7,58 2,25 - -

Em termos da percepção de saúde, a média de 2,84 (DP = 0,77) encontra-se mais próxima da opção de resposta três, que indica uma percepção de estarem bastante saudáveis. Quanto ao otimismo percebido em relação ao futuro, a média de 7,58 (DP = 2,25) é superior ao ponto médio da escala (5) e demonstra uma aproximação aos índices mais elevados de possibilidade de resposta ( Tabela 2 ).

Foi calculada uma função discriminante com autovalor de 0,306. Essa função, por ser única, explicou 100% da variabilidade total encontrada entre os grupos, com uma correlação canônica entre o perfil e a função de 0,484. O Wilk’s Lambda informou que é possível explicar 76,6% (l-Wilks) da variância existente. A função encontrada foi significativa a um p < 0,001.

Há uma excelente capacidade de predição com um resultado geral que classificou corretamente 88,4% dos casos nos grupos discriminados. Ambos os grupos apresentaram bom ajuste ao perfil, sendo que o de adolescentes insatisfeitos com a imagem corporal foi o que apresentou um ajuste ao perfil de forma mais precisa, com 73,9% de casos bem classificados. Já o grupo de adolescentes satisfeitos apresentou um ajuste ao perfil de 72,9%.

Verificou-se que a função distancia o grupo de satisfeitos, com centroide de 0,323, do grupo de insatisfeitos, com centroide de -0,947. O centroide funciona como ponto central do grau de dispersão dos casos nos agrupamentos discriminados. Ao se analisar a matriz estrutural das variáveis discriminantes na função, com valor de corte mínimo em 0,10, identificou-se que o que mais diferencia ambos os grupos é o sexo (0,680), a satisfação consigo mesmo (0,644), a percepção de saúde (0,630) e o quanto o adolescente está feliz com sua saúde (0,601) ( Tabela 3 ).

Tabela 3 Resultados da análise discriminante entre o grupo de adolescentes satisfeitos e insatisfeitos com a imagem corporal, conforme sua contribuição discriminativa na matriz estrutural (Canoas/RS, 2014) (n=1460). 

Variáveis Função 1
Sexo 0,680
Satisfação consigo mesmo/a 0,644
Percepção de saúde 0,630
O quanto está feliz com sua saúde 0,601

Discussão

Nesta pesquisa predominaram participantes do sexo feminino, com idade de 14 anos, raça branca e inserção econômica na classe B. Os resultados apontaram que a maioria dos sujeitos envolvidos estava satisfeita com sua imagem corporal. Esses são semelhantes aos encontrados em pesquisa realizada na cidade de Santa Maria/RS 28 , na qual 74,7% estavam satisfeitos com sua imagem corporal, e com os resultados de estudo realizado em Gravataí/RS 29 , no qual 76,4% dos participantes estavam satisfeitos. Foram encontrados resultados semelhantes entre a frequência de insatisfação com a imagem corporal numa pesquisa realizada com brasileiros adolescentes no âmbito rural (64,2%) e urbano (62,8%) 30 .

No entanto, estudos realizados em outras cidades do Rio Grande do Sul indicam maior prevalência da insatisfação com a imagem corporal. Os resultados encontrados nas cidades de Dois Irmãos e Morro Reuter (63,9%) 31 , no interior do Rio Grande do Sul, e na cidade de Caxias do Sul (71,5%) 32 , apontaram prevalências mais altas de insatisfação com a imagem corporal. Dados obtidos em Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 33 , no ano de 2009, com 61 mil adolescentes que moram em capitais brasileiras, indica que cerca de 60,2% dos adolescentes consideraram-se eutróficos, ao passo que 22,1% acreditaram estar magros e 17,7%, obesos.

Em Belo Horizonte/MG (62,6%) 34 e São Paulo/SP (50,7%) 6 , a maioria dos participantes indicou estar insatisfeita com a imagem corporal, diferentemente dos resultados encontrados nesta pesquisa. Algumas dessas discrepâncias podem estar relacionadas à diversidade de instrumentos utilizados para avaliar satisfação com a imagem corporal. Nesses estudos foi utilizada a escala de nove silhuetas chamada de Children’s Figure Rating Scale 35 .

Foi possível identificar que as variáveis que compõem este perfil discriminante estão relacionadas ao grupo de adolescentes satisfeitos, do sexo masculino, com maior satisfação consigo mesmos, maior percepção de saúde e que estão mais felizes com sua saúde. O sexo é a variável mais discriminante, demonstrando o que outros estudos têm verificado sobre a maior insatisfação com a imagem corporal entre as meninas. Pesquisas 36 - 39 estimam que aproximadamente 25 a 80% dos adolescentes encontram-se insatisfeitos com sua imagem corporal, sendo grande parte do sexo feminino. Concordando com a literatura 6 , 40 - 42 , as meninas são mais vulneráveis à insatisfação com o corpo que os meninos. Um dos principais motivos da insatisfação das adolescentes com o próprio corpo se deve à pressão social para estarem dentro do peso ideal vinculado à magreza 43 , 44 . Meninas adolescentes, muitas vezes, possuem avaliações negativas de seu peso corporal e isso pode acarretar sérios riscos de saúde 45 . Adolescentes australianos foram pesquisados sobre a sua imagem corporal e apresentaram um grande aumento de insatisfação entre as meninas que, em sua maioria, gostariam de ser mais magras 46 .

Há diferenças importantes quanto ao sexo, pois as meninas são incentivadas a adotarem comportamentos menos ativos e os meninos encorajados a serem competitivos e adotarem a prática de exercícios físicos e esportes coletivos 47 . A insatisfação com a imagem corporal no adolescente, principalmente do sexo feminino, deixa-os em situação vulnerável, pois diminui a autoestima e associa-se a sentimentos de tristeza que, por sua vez, aumentam o risco de depressão, ideação e planejamento do suicídio 48 .

A satisfação consigo próprio é também uma variável que contribui para o perfil discriminante entre jovens satisfeitos e insatisfeitos com a imagem corporal. Tal variável pode estar relacionada à satisfação com a imagem corporal, mas incorpora outros aspectos, como o autoconceito. Como o adolescente está construindo sua identidade pessoal e social e muitas mudanças ocorrem concomitantemente à maturação biológica, aumentam as preocupações com o corpo e a aparência. Estudos 49 , 50 destacam que satisfação com a imagem corporal está ligada com o autoconceito, bem-estar psicológico e com boa relação social, fatores que refletem uma melhor qualidade de vida entre os sujeitos. Alguns autores 51 , 52 encontraram uma diferenciação do autoconceito segundo a idade, sugerindo que quando criança o autoconceito é estável, depois há uma diminuição do autoconceito ao longo da adolescência e um aumento do mesmo no início da idade adulta devido à melhor aceitação pessoal.

Estudo 53 realizado com 686 adolescentes escolares no estado da Paraíba/Brasil, cujo objetivo era identificar e comparar o autoconceito e sua associação às variáveis sexo, faixa etária e tipo de escola frequentada (pública ou privada) mostrou que os adolescentes apresentaram um autoconceito positivo, variando em função do sexo (maior para o feminino), idade (quanto menor a idade, maior a percepção negativa masculina e a feminina com maior evidência entre os 16 e 18 anos) e tipo de escola (autoconceito mais positivo na escola pública).

Outro estudo 54 realizado com o objetivo de verificar a relação entre satisfação com a imagem corporal e autoconceito de adolescentes, identificou que ambos os construtos são importantes para a análise do bem-estar psicológico na adolescência. Foram utilizadas a escala de Autoconceito Infanto-Juvenil (EAC-IJ) e a escala para Avaliação da Satisfação com a Imagem Corporal. As correlações entre os fatores dos testes foram significativas e positivas, não houve relação significativa em relação à idade dos participantes. No entanto, houve diferenças significativas de média em razão do sexo e do tipo de escola dos alunos.

As demais variáveis discriminantes dizem respeito à percepção de saúde e ao quanto os jovens estão felizes com sua saúde, sugerindo que sentir-se saudável diferencia os satisfeitos e os insatisfeitos com a imagem corporal. A satisfação com a imagem corporal funciona como um norteador acerca da saúde e bem-estar, sendo central na etapa da adolescência. A concepção de saúde na adolescência é muito mais ampla que simplesmente a ausência de doença 55 . Nesse sentido, a saúde está relacionada também a bem-estar, amor, saudável, carinho, alegria, vida, atividades físicas.

Na fase da puberdade ocorrem preocupações e distorções com o peso corporal e o corpo que, por muitas vezes, cresce de forma desproporcional e gera alterações psicológicas em relação a sua percepção e coordenação motora 56 . Nesse período, a insatisfação corporal é influenciada pela mídia e pelo convívio social, induzindo diretamente a formação da identidade e aceitação da autoimagem 57 . Na sociedade atual, há um estímulo à adoção de hábitos não saudáveis para manter o controle do peso e garantir a magreza, modelo de beleza estimulado pela mídia 58 .

Identifica-se o ser magro ao ser saudável. Mas, há que se considerar que a primeira condição de saúde é a vida ter sentido, as formas de ser saudável podem ser muitas e diferentes 59 . Ser magro pode ser visto como sinônimo de saúde, pois a gordura em excesso pode causar sérios danos ao organismo, mas existe também um perfil do obeso que procura mais o médico, faz dietas e pratica exercícios. Nesse sentido, esses indivíduos podem ser mais saudáveis do que indivíduos magros e sedentários 60 .

A saúde tornou-se um verdadeiro princípio para os cidadãos de todas as classes, todas as idades, sexos e ocupações e o fundamental é adquirir, ter, conservar, promover a saúde, ou “mantê-la em forma” 61 . Ser obeso é uma estética carregada de representações que não enquadram a pessoa no modelo dominante na atualidade. À aquisição de gordura se associa o passaporte para a doença, reforçando a culpabilização de si. O sinônimo de beleza e de saúde é, para as mulheres, uma silhueta magra e, para os homens, um corpo musculoso 62 .

Trata-se, portanto, de que seja considerada uma nova forma de conceber saúde, desvinculada dos estereótipos de peso e formas do corpo. Isso passa por níveis macrossociais e culturais, especialmente e em relação à mídia, mas também precisa estar presente no cotidiano das famílias, escolas e serviços de saúde. Na adolescência, esse é um aspecto primordial em face das abruptas mudanças corporais e o processo de consolidação da identidade pessoal. A saúde dos adolescentes deve ser pensada para além dos aspectos físicos, justamente como estratégia de proteção para uma imagem corporal positiva. No que tange aos serviços de saúde, tratar a saúde de forma menos regulatória e mais voltada para os aspectos positivos da vida dos jovens, pode contribuir para uma maior adesão desse público ao sistema de saúde.

Como uma das limitações do estudo, chama-se a atenção que por ser de delineamento de corte transversal, os resultados não avaliam a relação causa-efeito entre as variáveis. O instrumento de autorrelato configura uma prática mais rápida e uma metodologia que exclui a possibilidade de interferência do entrevistador nas respostas, embora os adolescentes estejam sujeitos a interpretações subjetivas do questionário. No entanto, é preciso que o entrevistador tenha atenção redobrada para garantir que todas as questões sejam respondidas. O uso do BSQ como instrumento de avaliação da satisfação com a imagem corporal também pode ser considerado como uma limitação, uma vez que, embora o instrumento esteja validado no Brasil para ambos os sexos 63 , ele avalia mais diretamente peso e forma corporal. Também consiste em um instrumento que avalia, prioritariamente, a insatisfação com sobrepeso e não com baixo peso. Aspectos que são mais importantes para as meninas.

Outra limitação pode estar relacionada ao local em que a coleta foi realizada, pois na escola os sujeitos estão sob influência do ambiente e dos pares, o que pode influenciar em suas respostas. Além disso, o estudo inclui apenas adolescentes escolares, excluindo os que não estão na escola. Este estudo foi importante uma vez que envolveu 34 escolas da rede pública estadual da cidade de Canoas, sendo todas visitadas e todos os adolescentes do 9º ano convidados a participar do estudo.

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Recebido: 11 de Janeiro de 2016; Revisado: 09 de Dezembro de 2016; Aceito: 11 de Dezembro de 2016

Colaboradores

DCM Lemes e SG Câmara: responsáveis por todos os aspectos do trabalho. GG Alves: redação do artigo e aprovação final da versão a ser publicada D Aerts: aprovação final da versão a ser publicada.

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