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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.2 Rio de Janeiro Feb. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018242.32952018 

Carta

Estratégias de melhoria na atenção ao parto no Brasil

Strategies for improving care in childbirth in Brazil

Gabriela Moreno Marques1 

Daniela Dagostini Marin1 

Diego Zapelini Nascimento1 

Betine Moehlecke Iser1 

1Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Universidade do Sul de Santa Catarina. Florianópolis SC Brasil

O estudo de Pereira et al.1 apresenta um panorama da atenção ao parto nas maternidades das regiões Sul e Sudeste do país. Esta é uma discussão relevante, considerando as estratégias recentes de aprimoramento da assistência à saúde mãe-bebê estruturadas no país. Nesse sentido, consideramos importante acrescentar a informação de que o Ministério da Saúde (MS) do Brasil vem apoiando estratégias como o “Projeto Parto Adequado” em parceria com a Agência Nacional de Saúde Suplementar, o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement, o qual tem por objetivo identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, que valorizem o parto normal e reduzam o percentual de cesarianas sem indicação. O projeto foi implementado em 2017 em 35 hospitais, sendo 27 nas regiões Sul e Sudeste, e atualmente conta com aproximadamente 152 hospitais participantes2. Além disso, pode-se citar o Projeto Apice On (Aprimoramento e Inovação no Cuidado e Ensino em Obstetrícia e Neonatologia) que é uma estratégia de indução e articulação de ações para promover a qualificação de serviços, com foco em hospitais com atividades de ensino, tornando-os referência nas melhores práticas de atenção e cuidado ao parto e nascimento, planejamento reprodutivo, atenção às mulheres em situações de violência sexual e de abortamento, do qual participam 96 instituições de saúde, sendo 44 nas regiões Sul e Sudeste3.

As expectativas das mulheres em relação ao parto também foram brevemente descritas. Quando as expectativas da gestante são compreendidas, aumenta a probabilidade de a primigesta possuir uma experiência positiva do parto realizado. Esta satisfação do processo de parto é fundamental para que a mulher possa se sentir acolhida, importante e participativa no processo de tornar-se mãe4. Para os profissionais de saúde, as motivações da paciente podem ajudar a avaliar como está funcionando a equipe e os pontos que podem dar mais atenção5. Assim, conhecer as expectativas e as motivações individuais das gestantes acerca do parto a ser realizado possibilita aos prestadores de serviços criar alternativas que desmistifiquem e informem adequadamente sobre o nascimento e o tipo de parto mais indicado a cada gestante, entendendo que cada mulher é diferente, possui expectativas diferentes, portanto cada parto também é diferente6.

O monitoramento da implantação desses projetos nas maternidades no Brasil traz a oportunidade de analisar dados inéditos e atuais sobre o cuidado à gestante e a forma de assistência ao nascimento e de estruturar novas práticas de cuidados, informação e humanização na prestação de serviços obstétricos.

Referências

1. Pereira RM, Fonseca GDO, Pereira ACCC, Gonçalves GA, Mafra RA. Novas práticas de atenção ao parto e os desafios para a humanização da assistência nas regiões sul e sudeste do Brasil. Cien Saude Colet 2018;23(11):3517-3524. [ Links ]

2. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Projeto Parto Adequado [Internet]. [cited 2018 May 31]. Available from: http://www.ans.gov.br/gestao-em-saude/projeto-parto-adequadoLinks ]

3. Brasil. Ministério de Saúde (MS). Apice On Aprimoramento e Inovação no Cuidade e Ensino em Obstetrícia e Neonatologia. [cited 2018 Jul 2]; Available from: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/agosto/18/Apice-On-2017-08-11.pdfLinks ]

4. Ledford CJW, Canzona MR, Womack JJ, Hodge JA. Influence of provider communication on women's delivery expectations and birth experience appraisal: A qualitative study. Fam Med 2016; 48(7):523-531. [ Links ]

5. Nascimento RRP, Arantes SL, Souza EDC, Contrera L, Sales APA. Escolha do tipo de parto: fatores relatados por puérperas. Rev Gaucha Enferm 2015; 36(n. esp):119-126. [ Links ]

6. Ayres LFA, Henriques BD, Amorim WM. A representação cultural de um “parto natural”: o ordenamento do corpo grávido em meados do século XX. Cien Saude Colet 2018; 23(11):3525-3534. [ Links ]

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