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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.3 Rio de Janeiro mar. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018243.31972016 

ARTIGO

Qualidade de vida, fatores sociodemográficos e ocupacionais de mulheres trabalhadoras

Patrícia Ribeiro Marcacine1 

Sybelle de Souza Castro1 

Shamyr Sulyvan de Castro2 

Maria Cristina Cortez Carneiro Meirelles3 

Vanderlei José Haas1 

Isabel Aparecida Porcatti de Walsh4 

1Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Atenção à Saúde, Departamento de Medicina Social, Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). R. Frei Paulino 30, Nossa Sra. da Abadia. 38025-180 Uberaba MG Brasil. patriciaribeiromarcacine@yahoo.com.br

2Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública, Departamento de Fisioterapia, Universidade Federal do Ceará. Fortaleza CE Brasil.

3 Curso de Fisioterapia, UFTM. Uberaba MG Brasil.

4 Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia, Departamento de Fisioterapia Aplicada, Instituto de Ciências da Saúde, UFTM. Uberaba MG Brasil.

Resumo

O objetivo deste artigo é avaliar a qualidade de vida da mulher trabalhadora e verificar a suas relações com aspectos sociodemográficos e ocupacionais. Estudo transversal, em uma amostra de 579 mulheres trabalhadoras de um município de 318.000 habitantes. Os dados foram coletados por meio de questionário para caracterização sociodemográfica, ocupacional e do WHOQOL-BREF. Para análise utilizou-se estatística descritiva, Teste t-student e correlação de Pearson. As mulheres trabalhadoras apresentaram 42,70 ±13,74 anos, houve predomínio de escolaridade entre 09 a 12 anos, cor da pele branca, renda individual mensal de até um salário mínimo, com apenas um emprego com vínculo celetista ou funcionalismo público. A média da Qualidade de Vida foi de 72,87, com melhor resultado no domínio das Relações Sociais e o menor do Meio Ambiente. O domínio Meio Ambiente foi significativamente comprometido nas mulheres que não tinham pausas para descanso durante o trabalho, não tinham bom relacionamento com os colegas, apresentavam maior número de doenças ou lesões, possuíam menor escolaridade e renda mensal. O Domínio das Relações sociais foi significativamente afetado pelo número de lesões ou doenças.

Palavras-Chave: Trabalho feminino; Qualidade de vida; Saúde do Trabalhador

Introdução

As diversas mudanças na economia mundial nas ultimas décadas do século XX, causaram impactos sobre as relações de comércio, de produção e de trabalho. No Brasil, a crescente urbanização e expansão da industrialização contribuíram para um ambiente propício à entrada de novos trabalhadores no mercado de trabalho, incluindo o sexo feminino1. Assim, é importante ressaltar que qualquer análise do mercado de trabalho no Brasil deve levar em conta a progressiva participação das mulheres na atividade econômica, que vem ocorrendo desde o final da década de 60, concomitantemente com o declínio das taxas de fecundidade. É o aumento da participação feminina que tem sustentado o intenso crescimento da população ativa2.

A partir de então é possível observar que as dificuldades também se agravaram na vida destas mulheres que passaram a acumular atividades, uma vez que têm que conciliar suas atividades domésticas, familiares e profissionais.

Elas ainda vivenciam as desigualdades de gênero no ambiente do trabalho, uma vez que atuam em diversas profissões, estão presentes em setores variados, estudam e se qualificam mais que os homens, mas ainda continuam a receber salários inferiores aos deles3. Essa condição pode influenciar diretamente em sua saúde física e mental, principalmente quando este contexto ocasiona conflitos familiares4.

A imprevisibilidade econômica também afeta a população economicamente ativa provocando insegurança e mal-estar, e os trabalhadores passam a levar esta realidade para dentro e fora de sua atividade laboral5. Com as mulheres trabalhadoras esta condição pode ser exacerbada, pois as modificações sociais e a presença delas no mercado de trabalho influenciaram a estrutura familiar, e muitas passaram a ser responsáveis pela maior parte da renda familiar e/ou são mães sem o auxílio dos companheiros nos cuidados com os filhos6. Diante de todas estas ocorrências, é possível que as trabalhadoras passem a ter prejuízos em sua qualidade de vida (QV)5. Assim, aponta-se a necessidade de serem consideradas as propostas de atenção e promoção da saúde, a perspectiva da integralidade que relaciona trabalho, saúde e qualidade de vida7.

Neste sentido, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador (PNST) instituída em 2012 tem entre seus objetivos promover saúde, ambientes e processos de trabalhos saudáveis, incorporar a categoria trabalho como determinante do processo saúde-doença e assegurar que a identificação da situação do trabalho dos usuários seja considerada nas ações e nos serviços de saúde do SUS8.

Westphal relata que a leitura de vários autores lhe permitiu observar o fato da QV ser determinada por fatores objetivos, tais como as condições materiais necessárias a uma sobrevivência livre da miséria, ou por fatores subjetivos, como a necessidade de se relacionar com outras pessoas, formar identidades sociais, sentir-se integrado socialmente e em harmonia com a natureza9.

Ainda, o Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde (OMS) define o termo QV como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”10. Esta definição baseia-se no aspecto multifatorial da QV, tendo como referência os quatro domínios na versão abreviada do questionário que regem as diferenças dos seres humanos, sendo eles a saúde física e psicológica, relações sociais e meio ambiente11.

Quando se conhece a qualidade de vida das trabalhadoras, é possível identificar as mudanças necessárias para a promoção do bem-estar, pois dependendo do domínio que se encontra alterado, as trabalhadoras podem se deparar com uma variedade de transtornos que inclusive poderão comprometer suas funções e atribuições no trabalho12. Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida das mulheres trabalhadoras e correlacioná-la com os aspectos sociodemográficos e ocupacionais.

Método

Estudo transversal, prospectivo, com abordagem quantitativa. Esta pesquisa é parte de um projeto designado Inquérito de Saúde da Mulher (ISA MULHER), realizado em residências da zona urbana da cidade de Uberaba – MG em 2014.

As mulheres participantes desta amostra foram selecionadas a partir de uma amostragem probabilística em múltiplos estágios. No primeiro estágio, selecionaram-se aleatoriamente 24 dos 36 bairros, sendo respeitada a proporcionalidade populacional de cada distrito em relação à quantidade de bairros. No segundo estágio, dentro de cada bairro previamente sorteado, selecionaram-se de forma aleatória 25% dos setores censitários e novamente foi mantido o respeito da proporcionalidade populacional de cada bairro, em termos de quantidade de setores censitários. Dentro do setor censitário previamente sorteado, os domicílios foram selecionados de forma sistemática, a partir do intervalo amostral, o qual consiste em dividir a quantidade de domicílios existentes no referido setor censitário pela quantidade de mulheres que deveriam ser entrevistadas. Dentro de cada bairro selecionou-se o setor censitário e este ocorreu por meio de sorteio aleatório no primeiro domicílio visitado, os outros foram considerados de IA a IA (Intervalo de Amostragem), ou seja, de 32 em 32 domicílios13.

O projeto ISA MULHER foi composto por um total de 1.580 mulheres entrevistadas, sendo que estas possuíam idade igual ou superior a dezoito anos. Para este estudo foram selecionadas as participantes que eram trabalhadoras, totalizando 579 mulheres. A classificação desta população como trabalhadora teve como referência a definição da Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador (PNSST) que considera como trabalhadores “todos os homens e mulheres que exercem atividades para sustento próprio e/ou de seus dependentes, qualquer que seja sua forma de inserção no mercado de trabalho, no setor formal ou informal da economia”14.

A coleta dos dados ocorreu no domicílio das mulheres, após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), protocolo nº 1826. Os instrumentos utilizados foram preenchidos por 22 entrevistadoras, sendo que as mesmas eram alunas de graduação de diversos cursos da UFTM e passaram por um processo de seleção e treinamento, sendo monitoradas pelos pesquisadores, com o intuito de que a ética e idoneidade da pesquisa fossem mantidas, bem com a qualidade do registro dos dados.

Nesse estudo foram utilizados três instrumentos. O primeiro tinha como finalidade a caracterização sociodemográfica e clínica e esta ocorreu por meio de um questionário formulado pelos pesquisadores do grupo ISA MULHER, na qual era composto por variáveis como: idade, estado conjugal, escolaridade, cor da pele, religião/doutrina, chefe da família, tabagismo, uso de medicamentos, o número de lesões/doenças autorreferidas e diagnosticadas por médicos, por meio de uma lista com 51 doenças. Para a obtenção das características ocupacionais, utilizou-se um questionário formulado pela equipe do projeto ISA MULHER que contemplam variáveis como: renda mensal individual, número de empregos, tipo de vínculo empregatício, profissão, tempo de trabalho nesse emprego, número de horas/dia trabalhadas, número de folgas semanais, pausa para descanso, metas para cumprir, afastamento do trabalho por menos de 15 dias, afastamento do trabalho por mais de 15 dias, bom relacionamento com colegas de trabalho e bom relacionamento com chefe imediato.

A avaliação da QV das mulheres trabalhadoras, ocorreu por meio do questionário World Health Organization Quality of Life (WHOQOL- bref). Este instrumento foi desenvolvido pelo Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde (OMS) e foi validado para uso no Brasil. É composto por quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente10. As respostas encontra-se em uma escala do tipo Likert nos aspectos: intensidade, capacidade, frequência e avaliação, relacionadas aos domínios13. Assim sendo, os escores mais altos indicam melhor qualidade de vida10.

As análises da QV foram feitas por meio do cálculo de cada domínio do instrumento WHOQOL-bref, utilizando-se sua sintaxe computadorizada que permitiu a análise isolada dos mesmos. O escore varia de zero a cem, na qual a maior pontuação corresponde à melhor Qualidade de vida. As medidas de consistência interna foram empregadas, por meio do coeficiente alfa de Cronbach.

Para as variáveis categóricas calcularam-se frequências absolutas e percentuais. Em seguida, utilizou-se a análise univariada, por meio das medidas de tendência central e variabilidade como média, mediana, mínimo e máximo para variáveis numéricas. Sucessivamente realizou-se a análise bivariada, aplicando-se a correlação de Pearson (r) com nível de significância de 5% e Teste t de Student.

Resultados

Entre as mulheres trabalhadoras a média de idade foi de 42,70 anos (± 13,74). Quanto à situação conjugal, houve predomínio das mulheres com companheiro (casadas ou que vivem com parceiros) (53,40%) comparadas às sem companheiro (solteiras, separadas e viúvas) (46,50%).

Em relação à escolaridade, houve maior predomínio de mulheres com 9 a 12 anos de estudo (34,50%), da cor branca (51,30%), a maioria das trabalhadoras faziam uso de medicações (60,10%) e não se declararam chefe de família (55,40%) (Tabela 1).

Tabela 1 Caracterização sociodemográfica das mulheres economicamente ativas (n= 579). Uberaba (MG), 2014. 

Variáveis sociodemográficas N %

N= 579
Estado conjugal Com companheiro 309 53,40
Sem companheiro 269 46,50
Não responderam 1 0,20
Anos de Estudo Sem escolaridade 6 1,00
1 a 4 anos 71 12,30
5 a 8 anos 125 21,60
9 a 12 anos 200 34,50
12 ou mais 147 25,40
Não responderam 30 5,20
Cor da Pele Branca 297 51,30
Parda 189 32,60
Preta 75 13,00
Amarela 9 1,60
Vermelha 2 0,30
Outra 4 0,70
Não responderam 3 0,50
Medicamentos Sim 348 60,10
Não 228 39,40
Não responderam 3 0,50
Chefe da Família Sim 242 41,80
Não 321 55,40
Não responderam 16 2,80
Total 579 100,00

Fonte: Dados coletados pela autora (2014).

Quanto às lesões ou doenças diagnosticadas pelo médico, segundo relatos das entrevistadas houve o predomínio das disfunções do aspecto emocional, do sistema respiratório e do sistema cardíaco. Também foram observadas entre as dez disfunções prevalentes a presença de disfunção musculoesquelética, neurológica e gastrointestinal.

Na atividade laboral, encontrou-se mais de quinze profissões, sendo as mais predominantes, em ordem decrescente: vendedora (46 – 6,3%), empregada doméstica (37 – 5,1%), costureira (32 – 4,4%), diarista e professora (30 – 4,1%), cozinheira e cuidadora (16 – 2,2%), cabeleireira (15 – 2,0%) e serviços gerais (13 – 1,8%).

Prosseguindo as características profissionais, foram mais predominantes à renda individual mensal de até um salário mínimo vigente (38%), com o vínculo empregatício registrado em carteira profissional ou funcionária pública (49,10%). Em relação ao tempo de trabalho, foi predominante o período de 49 meses ou mais, ou seja, mais de 4 anos (51,30%), com 8 horas diárias de trabalho (40,80%).

Houve maior proporção de participantes com dois dias de folga durante a semana (47%), realizam pausa para descanso durante a atividade laboral (58,90%), não possuíam metas para cumprir dentro do trabalho (64,10%), tinham um bom relacionamento com colegas de serviço (78,40%) e com a chefia imediata (79,40%) (Tabela 2).

Tabela 2 Caracterização ocupacional das mulheres economicamente ativas. Uberaba (MG), 2014. 

Variáveis ocupacionais N %

N= 579
Renda Mensal Individual Até 724 220 38,00
(Valor bruto em reais) 725 a 999 86 14,90
1.000 a 1.999 158 27,30
2.000 a 2.999 52 9,00
3.000 ou mais 37 6,40
Não responderam 26 4,50
Vínculo de trabalho Com registro em carteira ou funcionário público 284 49,10
Autônomo com recolhimento previdenciário 89 15,40
Autônomo sem recolhimento previdenciário 181 31,30
Não responderam 25 4,30
Tempo de trabalho nesse serviço Até 12 meses 119 20,60
(Em meses) 13 a 24 meses 77 13,30
25 a 48 meses 63 10,90
49 ou mais meses 297 51,30
Não responderam 23 4,00
Horas de trabalho por dia 4 hs 85 14,70
6 hs 159 27,50
8 hs 236 40,80
12 hs 62 10,70
Não responderam 37 6,40
Número de folgas por semana 1 dia 174 30,10
2 dias 272 47,00
3 dias 45 7,80
Mais de 3 dias 44 7,60
Não responderam 44 7,60
Realiza pausa para descanso Sim 341 58,90
Não 218 37,70
Não responderam 20 3,50
Cumpre metas Sim 185 32,00
Não 371 64,10
Não responderam 23 4,00
Possui bom relacionamento com colegas de trabalho Sim 454 78,40
Não 14 2,40
Não responderam 111 19,20
Possui bom relacionamento com chefe imediato Sim 460 79,40
Não 20 3,50
Não responderam 99 17,10

Fonte: Dados coletados pela autora (2014).

Com relação à Qualidade de vida, a consistência interna dos domínios do instrumento WHOQOL-bref foi avaliada por meio do coeficiente de fidedignidade α de Cronbach. Os valores encontrados foram maiores que 0,60, indicando a boa consistência interna do WHOQOL-bref na população pesquisada.

Os resultados referentes aos domínios da QV estão apresentados na Tabela 3. Pode-se constatar que o domínio que apresentou a melhor média foi o das Relações Sociais (72,87 pontos) e o que resultou em menor média foi o Meio Ambiente (60,66 pontos).

Tabela 3 Medidas de tendência central, de variabilidade e consistência interna para os domínios de qualidade de vida (WHOQOL-bref). Uberaba-MG, 2014. 

Domínios Média Mediana Mínimo Máximo Desvio- Padrão Coeficiente α de Cronbach
Físico 71,04 75,00 10,71 100 17,76 0,82
Psicológico 69,10 70,84 4,17 100 15,60 0,72
Meio Ambiente 60,66 62,50 18,75 100 14,40 0,60
Relações Sociais 72,87 75,00 8,33 100 15,85 0,71

A Tabela 4 apresenta as análises entre as médias de cada domínio do WHOQOL-bref e as variáveis: ter companheiro, ser chefe de família, tabagismo e uso de medicação. Observa-se que não houve diferença estatisticamente significativa entre as variáveis pesquisadas e as médias do domínio Relações Sociais. As mulheres que se consideram chefes de família apresentaram média significativamente menor para o domínio Físico. As trabalhadoras que utilizam medicamentos apresentaram médias significativamente menores para os domínios Físico e Psicológico.

Tabela 4 Distribuição dos escores médios dos domínios da Qualidade de Vida das mulheres trabalhadoras, segundo as variáveis: ter companheiro, ser chefe de família, tabagismo e uso de medicação, Uberaba – MG, 2014. 

Variáveis Domínio Físico Domínio Psicológico Domínio Relações Sociais Domínio Ambiental

N Média s p N Média s p N Média s p N Média s p
Tem companheiro 0,43 0,63 0,37 0,95
Sim 309 70,50 18,18 309 69,41 16,40 308 73,40 16,57 308 60,67 14,1
Não 267 71,65 17,28 267 68,78 14,70 269 72,20 15,00 268 60,61 14,77
Chefe de Família 0,05* 0,70 0,12 0,83
Sim 240 69,52 18,41 240 68,89 16,30 241 71,80 15,61 240 60,47 14,8
Não 321 72,39 17,19 321 69,40 15,20 321 73,90 15,84 321 60,73 14,21
Usa Medicamentos < 0,001* 0,01* 0,31 0,12
Sim 347 67,70 18,26 347 67,93 16,20 347 72,50 15,78 347 59,94 14,40
Não 227 76,08 15,70 227 71,10 14,40 228 73,80 15,47 227 61,82 14,30

s:Desvio-padrão, p:Teste t de Student. *Estatisticamente significativo, considerando p ≤ 0,05. Fonte: Dados coletados pelos autores (2014).

As análises entre as variáveis ocupacionais e os domínios da Qualidade de Vida são demonstradas na Tabela 5. Observa-se que, o domínio Relações Sociais, não apresentou diferença estatisticamente significante com as variáveis analisadas. Contrapondo esta situação, as médias apresentaram-se estatisticamente significativas entre licenças de menos de 15 dias, licenças de mais de 15 dias e o domínio Físico, pausa para descanso, bom relacionamento com os colegas e bom relacionamento com o chefe imediato e o domínio Psicológico; pausa para descanso e bom relacionamento com os colegas de trabalho com o domínio Ambiental.

Tabela 5 Distribuição dos escores médios da Qualidade de Vida das mulheres trabalhadoras, segundo as variáveis ocupacionais, Uberaba – MG, 2014. 

Variáveis Domínio Físico Domínio Psicológico Domínio Relações Sociais Domínio Ambiental

N Média s p N Média S P N Média s p N Média s p
Pausa para descanso 0,09 0,03* 0,18 0,002*
Sim 339 72,23 17,39 340 70,16 14,67 341 73,70 15,34 340 62,25 14,22
Não 218 69,66 18,20 217 67,34 17,02 217 71,89 16,72 217 58,47 14,3
Não responderam 22 22 21 22
Metas a cumprir no trabalho 0,79 0,97 0,67 0,71
Sim 184 71,08 17,06 184 69,23 16,76 184 72,64 16,51 184 61,24 14,77
Não 370 71,49 17,95 370 69,18 15,13 370 73,24 15,70 370 60,76 14,07
Não responderam 23 23 23 23
Licença por menos de 15 dias 0,007* 0,58 0,59 0,14
Sim 130 67,53 19,02 131 68,51 16,68 131 73,66 15,92 131 62,4 15,4
Não 424 72,28 17,12 423 69,38 15,39 424 72,82 15,94 423 60,3 13,98
Não responderam 25 25 24 25
Licença por mais de 15 dias 0,005* 0,17 0,69 0,39
Sim 130 67,16 19,58 130 67,4 18,53 131 72,52 17,03 131 61,69 15,56
Não 414 72,54 16,9 414 69,83 14,62 414 73,16 15,65 413 60,46 13,95
Não responderam 35 35 34 35
Bom relacionamento com colegas de trabalho 0,14 0,02* 0,22 0,01*
Sim 453 71,17 17,48 454 69,21 15,64 453 72,71 15,36 453 60,88 13,97
Não 14 64,29 13,06 14 59,52 16,45 14 67,56 18,06 14 51,34 16,38
Não responderam 112 111 112 112
Bom relacionamento com chefe imediato 0,18 0,007* 0,17 0,10
Sim 458 71,04 17,45 459 69,27 15,44 459 72,73 15,57 458 60,53 14,13
Não 20 65,71 16,32 20 59,58 18,97 20 67,92 17,37 20 55,31 15,84
Não responderam 101 100 100 101

s Desvio-padrão. pTeste t de Student. N Número de respondentes. * Estatisticamente significativo, considerando p ≤ 0,05. Fonte: Dados coletados pela autora (2014).

A Tabela 6 apresenta as correlações entre domínios da Qualidade de Vida e idade, número de lesões ou doenças, anos de estudo, renda mensal das mulheres trabalhadoras e tempo de trabalho neste serviço, identificando-se que a maioria das correlações foram estatisticamente significativas.

Tabela 6 Correlação entre os escores médios dos domínios da Qualidade de Vida com idade, número de lesões ou doenças, anos de estudo, renda mensal e tempo de trabalho neste serviço das mulheres trabalhadoras, Uberaba – MG, 2014. 

Variáveis Domínio Físico Domínio Psicológico Domínio Relações Sociais Domínio Ambiental

r p* r p* r p* r p*
Idade -0,13 < 0,001* -0,01 0,78 0,01 0,69 0,05 0,23
Número de lesões ou doenças -0,2 < 0,001* -0,16 < 0,001* -0,18 < 0,001* -0,18 < 0,001*
Anos de estudo 0,05 0,17 0,15 < 0,001* 0,07 0,07 0,17 < 0,001*
Renda Mensal 0,06 0,13 0,19 < 0,001* 0,05 0,20 0,21 < 0,001*
Tempo de trabalho neste serviço 0,04 0,26 0,01 0,77 -0,04 0,3 0,04 0,32

r Correlação de Pearson. ** Estatisticamente significativo, considerando p ≤ 0,05. Fonte: Dados coletados pela autora (2014).

Verificou-se que quanto maior a idade, mais comprometido está o domínio Físico e o aumento do número de lesões ou doenças interfere de forma negativa sobre todos os domínios da QV. Já o maior número de anos de estudos e maior renda mensal agem positivamente nos domínio Psicológico e Ambiental da QV.

Não houve correlação estatisticamente significativa entre o tempo de trabalho no emprego atual e a qualidade de vida das trabalhadoras.

Discussão

A QV das mulheres trabalhadoras de Uberaba-MG encontrava-se com médias superiores a 60,66 para todos os domínios. Pode-se constatar que o domínio que apresentou a melhor média foi o das Relações Sociais (72,87 pontos), que aborda as facetas relacionadas às relações pessoais, ao suporte social e à atividade sexual10.

Outros estudos com mulheres trabalhadoras encontraram resultados semelhantes. Pereira et al.15 avaliaram uma amostra de professores de educação básica de Florianópolis com 83,4% composta por mulheres cujos valores médios para Qualidade de Vida foi de 63,75 pontos, sendo que o domínio que obteve melhor pontuação foi o das Relações sociais com 73,10 pontos e o domínio que atingiu o menor escore foi o Ambiental com 53,93 pontos. Os resultados de uma pesquisa com Agentes Comunitários de Saúde do interior da Bahia, também identificaram que o domínio que obteve maior pontuação foi o de Relações Sociais (76,9 pontos) e o menor valor foi o Ambiental (47,4 pontos)16.

No domínio das relações sociais, a questão que apresentou maior pontuação foi a q22 que se refere ao apoio recebido pelos amigos, onde 137 (29,70%) mulheres apresentaram a melhor resposta da escala.

Segundo Dyniewicz et al.17 que encontraram resultados similares em trabalhadores de ambos os sexos de uma metalúrgica da região metropolitana de Curitiba, estes achados podem significar a satisfação no meio em que vivem e trabalham e que as relações no trabalho e interpessoais são componentes essenciais para a QV, refletindo-se no bem estar, motivação e até na produtividade. Outro aspecto importante no contexto das relações sociais que se destaca é que o ambiente de trabalho facilita as relações de amizade. Schujmann e Costa18 relatam que devido ao fato dos trabalhadores permanecerem longos períodos em seu local de trabalho, passam a conviver uns com os outros e consequentemente ocorrem relacionamentos de amizade entre os mesmos.

Corroborando com Dyniewicz et al.17e Schujmann e Costa18, o presente estudo também identificou que bom relacionamento com colegas interfere positivamente no domínio ambiental da QV.

Ainda, na linha dos relacionamentos interpessoais, o bom relacionamento com a chefia interferiu positivamente no domínio psicológico das mulheres avaliadas.

Estudo com profissionais pertencentes à equipe de enfermagem em um município de médio porte em Minas Gerais, também comprovou que as boas relações no trabalho são fundamentais para a saúde do trabalhador. Também acrescentou que relações interpessoais negativas influenciam o adoecimento do profissional, este déficit na saúde pode estar associado ao sentimento de exclusão e solidão, pois quando não há bons relacionamentos o trabalhador não tem com quem partilhar suas frustrações e se esta dificuldade se estende a chefia isto afetará a satisfação no trabalho gerando exaustão emocional19.

Desta maneira, entendendo que relações estabelecidas no trabalho interferem diretamente na qualidade de vida, em especial das trabalhadoras, trazendo benefícios tanto para a vida pessoal quanto para profissional, faz-se necessário que os serviços tenham conhecimentos da importância da temática para que possam se estruturar e organizar a sua atividade laboral de forma a promover bons relacionamentos reduzindo os efeitos negativos que os conflitos exercem sobre o trabalhador e consequentemente refletindo em uma qualificação da QV. A estimulação de relações interpessoais saudáveis entre os profissionais deveria ser uma das frentes de destaque na promoção da saúde do trabalhador.

Em contraposição ao domínio das relações sociais, o domínio do Meio Ambiente que avalia, entre outros aspectos, a segurança física e proteção, o ambiente no lar, recursos financeiros, cuidados de saúde e sociais (disponibilidade e qualidade), oportunidades de adquirir novas informações e habilidades, participação e oportunidades de recreação/lazer, ambiente físico (poluição, ruído, trânsito, clima) e transporte10, apresentou a menor média (60,66 pontos). Ainda, a q24, que aborda a satisfação com o acesso aos serviços de saúde foi a que obteve pior resposta 68 (11,7%).

Sabe-se que a assistência à saúde do trabalhador é ampla, mas que se faz necessário uma rede de serviços à saúde organizada e eficiente. Entretanto o presente estudo identificou que na população analisada, a efetividade do sistema de saúde está afetada, uma vez que a questão mais comprometida neste domínio foi à relacionada aos cuidados com os aspectos da saúde e sociais. Outra investigação obteve achados semelhantes a este na qual, dentre as questões que apresentaram maior comprometimento desse domínio, estão às ligadas aos cuidados de saúde e sociais, recursos financeiros e recreação/lazer. Ainda acrescentam que o acesso aos serviços de saúde torna-se difícil em consequência da baixa remuneração20.

Estudos apontam que as mulheres são as mais prevalentes na busca de serviços de saúde do que os homens. Mas, pelo fato destas se encontrarem no contexto do trabalho, também encontram dificuldades nos atendimentos em saúde, sendo um dos maiores obstáculos o horário de funcionamento dos referidos locais21. Diante disto, é possível observar que a trabalhadora pode apresentar danos em sua saúde por dificuldade em acessar os serviços de saúde. Sendo assim, os serviços públicos de saúde deveriam ampliar seus horários de atendimento, para que esta população trabalhadora tenha maior acesso e, consequentemente, uma melhor QV.

Ainda, os resultados de maior comprometimento deste domínio entre as trabalhadoras pode ser decorrente de aspectos do dia a dia, tanto da vida pessoal quanto familiar, responsabilidade e proteção familiar e aos problemas financeiros encontrados entre os trabalhadores brasileiros17.

Diante disso, o trabalho torna-se primordial e necessário, levando o indivíduo, de forma particular as trabalhadoras que atuam como auxílio financeiro em seus lares, a vivenciar o trabalho como uma forma de sobrevivência e não como uma realização pessoal. Neste contexto passam a trabalhar excessivamente e como consequência pode haver um aumento do número de lesões ou doenças. Isto pode ser ainda mais acentuado nas mulheres que se consideram chefes de família, e pode explicar os resultados do presente estudo, onde estas apresentaram maior comprometimento no domínio físico, que abrange itens ligados à dor e desconforto, energia e fadiga, sono e repouso, mobilidade, atividade de vida cotidiana, dependência de medicação e tratamentos e capacidade10.

Neste sentido, as políticas públicas voltadas à mulher trabalhadora devem levar em conta que vem ocorrendo um acréscimo de mulheres chefes de família devido à modificação do papel desempenhado pela mulher na sociedade, a presença feminina no mercado de trabalho e o aumento da escolaridade, associados à queda da taxa de fecundidade22 e que se faz necessário à implantação de ações que favoreçam a promoção de sua saúde.

O adoecimento em mulheres trabalhadoras pode levar ao comprometimento de todos os aspectos de sua QV. Esse dado foi verificado no presente estudo, onde se evidenciou que as trabalhadoras que apresentaram maior número de lesões ou doenças apresentaram resultados significativamente menores de qualidade de vida para todos os domínios.

Outros autores encontraram resultados que corroboram os desta pesquisa, observando que os problemas de saúde prejudicaram todos os domínios da QV23.

Nesta mesma linha, Mascarenhas et al.16 verificaram que dor decorrente de lesões interfere na QV especificamente no domínio Físico, pois este sintoma que pode comprometer as atividades de vida diária, resultando em restrições na vida destes profissionais. Isso pode comprometer também os aspectos emocionais levando ao surgimento de estresse emocional, baixa autoestima entre outros que afetam de forma insidiosa o domínio Psicológico da QV.

Ainda, o uso de medicamentos, que podem estar associados a essas lesões, também é indicativo do comprometimento da QV, já que no presente estudo, resultou em significativa diminuição da QV nos domínios físico e psicológico. Estudo composto por mulheres trabalhadoras em indústrias de vestuários encontrou que 54,4% delas fazem uso de medicação24.

De acordo com um estudo que analisou a vivência de profissionais na atividade de acolhimento em unidades básicas de saúde o ramo farmacêutico é considerado um dos departamentos mais ricos e poderosos, que exercem grande influência na população. Paralelamente a este destaque farmacêutico, encontrou-se que vem ocorrendo o aumento dos gastos com medicamentos no Brasil e estes se tornando são superiores aos gastos totais com a saúde25.

No entanto, deve-se considerar que a presença da medicação na vida da trabalhadora pode estar vinculada a sobrecarga física e emocional. Portanto é um dado significativo que deve ser explorado para que medidas de prevenção sejam realizadas e estas abordem o trabalho de desmistificação do uso excessivo de medicamentos, os cuidados com automedicação, o tempo adequado de utilização dos fármacos e a influência da indústria farmacêutica na medicalização excessiva.

Ainda, as lesões ou doenças quando presentes geram diversos desconfortos e também afastamentos do trabalho, altos custo com indenizações, tratamentos e outros como procedimentos de reintegração e readaptação ao trabalho26. Os resultados do presente estudo corroboram essa afirmação, já que as trabalhadoras que já se afastaram do trabalho por menos de 15 dias ou mais de 15 dias apresentaram maior comprometimento no domínio físico de sua QV.

A ausência na atividade laboral é aspecto amplo e complexo, pois podem estar envolvidas múltiplas causas, envolvendo fatores pessoais e associado ao ambiente e a organização do trabalho. Ainda as licenças em proporções excessivas ocasiona impacto direto na QV e na capacidade laboral. Diante deste fato, algumas ações podem ser utilizadas para que haja redução das licenças entre elas, a instalação e atuação de forma efetiva de um Programa Integral à Saúde e Segurança do trabalhador, que viabilizaria o perfil epidemiológico com identificação de dados que pudessem ser utilizados como embasamento para a promoção da saúde e prevenção de agravos, colaborando na redução de licença da atividade laboral.

Diante disso, é importante que haja a conscientização dos empresários sobre a importância dos cuidados com a saúde do trabalhador e entre as medidas de prevenção ao adoecimento sejam estabelecidas pausas para descanso, uma vez os resultados do presente estudo indicaram que as trabalhadoras que realizam a pausa durante a atividade laboral apresentam melhor QV, em especial nos domínios do meio ambiente e psicológico. Ainda, a literatura evidencia que quando o trabalhador realiza pausa para descanso há a redução tanto de acidentes quanto de doenças e isso reflete na produtividade do trabalhador e na qualidade do serviço e de vida, pois o profissional estará exercendo sua atividade laboral dentro das possibilidades do seu organismo27.

Outro fato a ser considerado é a idade das trabalhadoras. Neste sentido, o presente estudo indica que quanto maior a idade maior o comprometimento do domínio físico da QV. Este resultado pode ser explicado pelo fato de que aos 30 anos o indivíduo alcança o desenvolvimento completo tanto intelectual como sensorial e motor e nesta fase podem atingir o seu melhor desempenho. Mas quando o envelhecimento se inicia, começa um processo de modificações no organismo e então ocasiona perdas progressivas que podem afetar o trabalho28.

Considerando o estudo de Sampaio e Augusto29 que relata que nas próximas décadas, o número de pessoas idosas e em idade produtiva tende a aumentar, sendo que no Brasil este fator ocorrerá de forma mais rápida, devido à redução das taxas de natalidade e de mortalidade e que a previsão é de que em para 2020, 13% da população economicamente ativa seja composta por pessoas na terceira idade, destaca-se a necessidade de implementação de políticas públicas que melhorem as condições de trabalho, minimizando o risco das consequências para a QV ao longo dos anos.

O presente estudo ainda identificou que maior escolaridade e renda associam-se a melhor QV nos domínios psicológico e ambiental. Diante disso, assim como com os empregadores, o governo deve investir na educação dos trabalhadores e em qualificação profissional, sendo que um dos caminhos é a Política Nacional de Qualificação que visa melhores condições diante de novos desafios do mercado de trabalho. Ainda destaca-se que quando se investe no indivíduo economicamente ativo há reflexos não apenas no trabalho como também na sociedade. Também é importante associar estas ações com as questões dos domínios Psicológico e Meio Ambiente, para que se tenha excelência nos resultados30.

Considerações finais

O presente estudo evidenciou que média da QV da população feminina economicamente ativa foi de 72,87 e que o domínio com maior pontuação foi o das Relações Sociais e o de menor o Meio Ambiente O domínio Físico foi significativamente mais comprometido nas mulheres que se consideraram chefe de família, usavam medicação, já haviam se afastado do trabalho por menos e mais de 15 dias, nas mulheres mais velhas e com maior número de doenças ou lesões.

O domínio Meio Ambiente foi significativamente mais comprometido nas mulheres que não tinham pausas para descanso durante o trabalho, não tinham bom relacionamento com os colegas, apresentavam maior número de doenças ou lesões, menos tempo de estudo e menor renda mensal.

O domínio Psicológico foi significativamente mais comprometido nas mulheres que usavam medicação, não tinham pausas para descanso durante o trabalho e não tinham bom relacionamento com os colegas e com a chefia.

O Domínio social foi significativamente comprometido pelo número de lesões ou doenças das trabalhadoras.

Agradecimentos

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG pelo financiamento do do projeto “Inquérito de Saúde da Mulher na cidade de Uberaba-MG, 2013”.

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Recebido: 08 de Outubro de 2015; Revisado: 03 de Junho de 2017; Aceito: 05 de Junho de 2017

Colaboradores

PR Marcacine: Coleta e análise de dados, confecção dos resultados e discussão. SS Castro: Participação na elaboração do projeto, supervisão na análise e coleta de dados, confecção dos resultados e discussão. IAP Walsh: Participação na elaboração do projeto, supervisão da coleta e análise de dados. SS Castro: Coordenador geral do projeto de pesquisa, participação na supervisão da coleta de dados. MCCC Meirelles: Participação na elaboração do projeto e supervisão de coleta de dados. VJ Haas: Gerenciamento e análise estatística dos dados.

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