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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.3 Rio de Janeiro mar. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018243.33892016 

TEMAS LIVRES

Caracterização de lesões bucomaxilofaciais decorrentes de agressão física: diferenças entre gênero

Characterization of oral maxillofacial lesions resulting from physical aggression: differences between genders

Ramiro Heleno Mesquita Garcez1 

Erika Bárbara Abreu Fonseca Thomaz2 

Rodrigo Campos Marques1 

Juliana Aires Paiva de Azevedo3 

Fernanda Ferreira Lopes3 

1Graduação em Odontologia, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Av. Portugueses 1966, Vila Bacanga. 65080-805 São Luís MA Brasil. ramirogarcez@hotmail.com

2Programa de Pós-Graduação em Odontologia e em Saúde Coletiva, Departamento de Saúde Pública, CCBS, UFMA. São Luís MA Brasil.

3 Programa de Pós-Graduação em Odontologia, Departamento de Odontologia, CCBS, UFMA. São Luís MA Brasil.

Resumo

Em países desenvolvidos, a violência é a principal causa de lesões bucomaxilofaciais (LBMF). No Brasil, há poucas evidências sobre tais lesões. Objetivou-se caracterizar as LBMF resultantes de agressão física em uma capital do nordeste brasileiro e analisar diferenças entre gêneros. Foram investigados 15.847 laudos do Instituto Médico Legal de São Luís/MA, ocorridos em 2012. Coletaram-se dados socioeconômicos, demográficos e características das LBMF. Utilizaram-se os testes Qui-quadrado e Exato de Fisher para avaliar diferenças entre gêneros. Dos casos periciados, 1977 eram LBMF. Vítimas do sexo feminino, com 20-59 anos de idade, cor parda, sem companheiro e empregadas foram mais afetadas. Lesões do tipo equimose, nas regiões bucinadora e labial, decorrentes do uso de instrumentos contundentes, ocasionando debilidade funcional permanente foram mais incidentes em mulheres (P < 0,05), ao passo que fratura dental, ferida contusa e perfurocontusa, decorrentes de instrumentos cortantes e perfurocontundentes, ocasionando deformidade permanente, incapacidade ocupacional e perigo de vida, em homens (P < 0,05). Conclui-se que a incidência de LBMF decorrente de agressão física é alta em São Luís, MA, e, embora as mulheres sejam mais acometidas, as LBMF em homens são mais severas.

Palavras-Chave: Violência; Traumatismos faciais; Odontologia legal

Abstract

In developed countries, violence is the main cause of oral maxillofacial (OMF) injuries. In Brazil, there are scant records of such lesions. The scope of this study was to detail the OMF injuries resulting from physical aggression in a capital of the Brazilian northeast and analyze gender differences. The Forensic Medicine Institute of São Luís, state of Maranhão, featured 15,847 reports, which occurred in 2012, and they were investigated. Socioeconomic, demographic data and OMF characteristics were analyzed. The Chi-square and Fisher’s Exact tests were applied to assess gender differences. Of the cases examined, 1977 were OMF. Female victims, aged 20-59, dark-skinned, without a partner and maids were the most affected. Ecchymosis-type lesions, in the mouth and lip regions arising from the use of blunt instruments, causing permanent functional impairment, were the most prevalent in women (P < 0.05), whereas dental fracture and contusion arising from sharp instruments causing permanent deformity, occupational disability, and threat to life were detected in men (P < 0.05). The conclusion drawn is that the incidence of OMF due to physical aggression is high in São Luís, state of Maranhão, and although women are the most affected, the OMF in men are more severe.

Key words: Violence; Facial trauma; Forensic dentistry

Introdução

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como o uso intencional da força física ou do poder, ameaçado ou efetivamente, contra si mesmo, outra pessoa, ou contra um grupo ou comunidade, que resulta ou tem alta probabilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, mau desenvolvimento ou privação1.

A cada ano, milhares de pessoas sofrem ferimentos não fatais, como resultado de violência interpessoal ou coletiva2, resultando, muitas vezes, em lesões bucomaxilofaciais3. Na Austrália, assaltos (74%) foram os principais motivos de lesões bucomaxilofaciais4. Em países como a Finlândia, Estados Unidos e Suécia, a violência tem sido relatada como a principal causa de injúrias faciais, o que reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a ocorrência deste agravo e de suas consequências em outros países do mundo5,6.

No Brasil, a violência física é o tipo mais frequente de violência perpetrada contra a mulher7,8 e é apontada como a primeira9,10 ou a segunda11-13 maior causa de lesões faciais. As lesões decorrentes de violência física podem atingir os tecidos moles e ocasionar fraturas nos ossos faciais14, incluindo o complexo maxilomandibular3,11.

Estudo em 1024 vítimas de Piracicaba, São Paulo, apontou que fraturas maxilofaciais são especialmente decorrentes de acidentes de trânsito (45%), assaltos (22,6%), quedas (17,9%), esportes (7,8%) e acidentes de trabalho (4,5%). As regiões anatômicas mais acometidas foram mandíbula (44,2%), complexo zigomático (32,5%) e ossos nasais (16,2%)15. As mesmas regiões anatômicas foram referidas em Belo Horizonte, Minas Gerais11. Entre os 1326 casos avaliados retrospectivamente, a maioria ocorreu em adultos (21 a 30 anos), do sexo masculino, numa razão de 4,69 homens para cada mulher11.

Homens e mulheres podem apresentar tipos específicos de lesões oriundas de agressão física3,16. Há situações em que os homens são os agressores, vitimando suas próprias companheiras17-19. Estudo retrospectivo na Malásia apontou que a maioria das vítimas eram mulheres casadas (85,1%), lesionadas por seus maridos (83,5%). Injúrias na região maxilofacial foram as mais comuns (50,4%), especialmente no terço médio da face (60,6%). No tecido mole, contusões, abrasões e lacerações foram as mais incidentes18. Ainda assim, a violência contra a mulher tem sido pouco evidenciada. Este problema ainda permanece velado e mal compreendido; e poucos estudos têm sido realizados nas regiões mais pobres do Brasil3,20-22.

O objetivo deste trabalho foi estimar a incidência de lesões no complexo bucomaxilofacial e caracterizar as lesões resultantes de violência física periciados pelo Instituto Médico Legal (IML) de uma capital do Nordeste brasileiro, analisando diferenças entre gêneros.

Material e métodos

Esta pesquisa de campo, retrospectiva, baseou-se no levantamento de dados dos laudos de exame de corpo de delito do IML da cidade de São Luís, Maranhão, ocorridos entre janeiro e dezembro de 2012.

Do total de laudos, foram incluídos os casos de lesões bucomaxilofaciais decorrentes de violência física. Foram consideradas como violência física os casos de violência interpessoal, urbana ou doméstica, que envolviam o uso de partes do corpo humano e/ou o uso de objetos com o intuito de machucar ou prejudicar a saúde da vítima. Como o exame de corpo de delito realizado no IML visa à análise de lesões corporais resultantes de crimes, os casos de lesões auto infringidas não foram incluídos. Os dados foram coletados após aprovação do estudo no Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, bem como após a concordância oficial do IML.

Os laudos foram confeccionados por ocasião dos exames de corpo de delito realizados em periciandos provenientes de Delegacias de Polícia. Quando necessário, exames eram solicitados por autoridade policial ou judicial.

A Superintendência de Polícia Técnico-Científica do Maranhão (SPTC) é vinculada à Delegacia Geral da Polícia Civil e conta com sete órgãos: IML; Instituto de Criminalística (ICRIM); Instituto de Identificação (Ident); Instituto Laboratorial de Análise Forense (ILAF); o Centro de Perícias Técnicas para a Criança e ao Adolescente (CPTCA); a Central de Custódia de Vestígios Criminais (CCVC); e o Instituto de Genética Forense (IGF). A sede destes órgãos está localizada em São Luís, capital maranhense. Por ocasião desta pesquisa, apenas outras duas cidades do estado, Imperatriz e Timon, também possuíam IML e ICRIM, porém, de menores proporções. Portanto, os casos atendidos no IML de São Luís podem ser oriundos de todo o Estado do Maranhão, mas a maioria é proveniente da capital e região metropolitana.

A equipe do estudo consistiu de dois acadêmicos de odontologia, sob a supervisão de uma cirurgiã-dentista, especialista em Odontologia Legal. Foi previamente realizado um treinamento teórico e prático, no próprio IML, com o propósito de compreensão dos formulários e do processo de trabalho do IML, além de discussão dos instrumentos de coleta de dados. Vários laudos foram discutidos para fins de qualificação e padronização do processo de coleta. Os avaliadores acessaram os dados arquivados em sistema de informação próprio do IML de São Luís, MA. A instituição não sofreu alteração de sua rotina em decorrência desta pesquisa.

Dados dos laudos foram digitados em uma planilha previamente preparada no programa Excel 2003 for Windows®. Foram consideradas as seguintes variáveis: data do exame, sexo (masculino, feminino), situação conjugal (com ou sem companheiro), idade (em anos), raça/cor (branca, preta ou outra), situação ocupacional (empregado, aposentado, estudante ou desempregado), tipo de instrumento que causou a injúria (fisicoquímico, contundente, corto contundente, cortante, perfurante ou combinações), região anatômica da lesão (cavidade oral, bucinadora, frontal, labial, malar, massetérica, mentoniana, nasal, orbitária, zigomática, hemiface e terços da face), tipo de lesão (escoriação, edema, equimose, hematoma, fratura dental, perda dental, ferida contusa, ferida perfurocontusa, ferida perfuroincisa, ferida incisa e ferida cortocontusa).

Registrou-se ainda se a agressão resultou em deformidade permanente (dano estético de certo vulto, permanente, visível, incurável e capaz de causar impressão vexatória ou sensação de repulsa no observador), debilidade permanente de função (enfraquecimento evidente, diminuição da capacidade funcional de forma permanente, duradoura, mas não necessariamente perpétua), incapacidade ocupacional (perda da capacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias como decorrente de qualquer atividade desenvolvida no dia-a-dia, como o trabalho, a higiene e a recreação, conforme o Código Penal brasileiro) e se a agressão causou perigo de vida (quando era provável a morte da vítima em decorrência da lesão sofrida). O termo “permanente” referiu-se à não resolução por evolução natural ou por tratamentos costumeiros. Para essas variáveis considerou-se as opções de resposta sim, talvez (quando havia sido solicitado exame complementar e os resultados ainda não estavam disponíveis) ou não. Para as análises, devido ao pequeno tamanho amostral, as categorias sim e talvez foram consideradas em conjunto.

Os dados foram submetidos à análise descritiva, estimando-se frequências absolutas e percentuais para as qualitativas. A comparação das distribuições, de acordo com características dos periciados, foi efetuada por meio dos testes Qui-quadrado e Exato de Fisher, adotando-se nível de significância de 5%. O software Stata, versão 12.0 (Stata Corp., College Station, TX, USA) foi utilizado.

Resultados

Foram identificados 15847 laudos nos arquivos do IML de São Luís-MA, em 2012. Para este trabalho foram incluídos 1977 laudos referentes aos casos de lesão corporal em que a vítima apresentou comprometimento bucomaxilofacial resultantes de violência física, representando 12,47% do total de laudos periciados.

A maioria das vítimas eram mulheres (56,30%), pessoas na faixa etária de 20 a 59 anos (85,51%), de raça/cor parda (82,09%), que viviam sem companheiro(a) (67,98%) e incluídos no mercado de trabalho (70,73%).

Os tipos de lesões bucomaxilofaciais mais referidos nos laudos foram: escoriação (39,91%), equimose (33,49%), ferida contusa (27,31%) e edema (23,22%). As lesões do tipo equimose foram mais incidentes em mulheres, enquanto fratura dental, ferida contusa e perfurocontusa, em homens (Tabela 1). Houve apenas um caso de ferida perfuroincisa (não incluído na tabela).

Tabela 1 Tipo de lesão, segundo o sexo dos periciados. São Luís, MA, Brasil, 2012. 

Tipo de lesão Total (n=1977) Masculino (n=864) Feminino (n=1113) p- valor

n % % %
Escoriação 789 39,91 38,19 41,24 0,1701
Equimose 662 33,49 29,75 36,39 0,0022
Ferida contusa 540 27,31 31,25 24,26 0,0012
Edema 459 23,22 23,38 23,89 0,8801
Hematoma 186 9,41 8,10 10,42 0,0801
Ferida cortocontusa 74 3,74 4,51 3,14 0,1121
Ferida incisa 50 2,53 2,78 2,34 0,5351
Fratura dental 18 0,91 1,62 0,36 0,0042
Ferida perfurocontusa 13 0,66 1,16 0,27 0,0222
Perda dental 10 0,51 0,81 0,27 0,0931

1Teste Qui-quadrado. 2Teste Exato de Fisher.

As lesões no terço médio foram as mais frequentes (63,13%). As regiões mais acometidas foram a orbitária (35,91%), frontal (26,15%) e labial (23,87%). Diferenças entre gêneros foram verificadas nas lesões labial (p = 0,008), bucinadora (p = 0,006) e massetérica (p = 0,050), todas mais prevalentes em mulheres (Tabela 2).

Tabela 2 Local da lesão, segundo o sexo dos periciados, São Luís, MA, Brasil, 2012. 

Região acometida Total (n=1977) Masculino (n=864) Feminino (n=1113) p- valor

n % % %
Terço superior 573 28,98 29,03 29,62 0,7871
Terço médio 1248 63,13 62,45 63,52 0,6461
Terço inferior 749 37,89 36,62 38,47 0,4281
Orbitária 710 35,91 34,61 36,93 0,2861
Frontal 517 26,15 26,97 25,52 0,4661
Labial 472 23,87 20,95 26,15 0,0082
Malar 321 16,24 15,51 16,80 0,4401
Nasal 304 15,38 14,70 15,90 0,4621
Zigomática 266 13,45 13,66 13,30 0,8161
Bucinadora 193 9,76 7,64 11,41 0,0062
Mentoniana 130 6,58 6,71 6,47 0,8281
Massetérica 102 5,16 4,05 6,02 0,0501
Mandibular 68 3,44 2,78 3,95 0,1551
Cavidade oral 38 1,92 2,20 1,71 0,4291
Dentes 38 1,92 2,08 1,17 0,1041
Maxilar 34 1,72 1,62 1,80 0,7651
Hemiface 11 0,56 0,58 0,54 0,9061

1Teste Qui-quadrado. 2Teste Exato de Fisher.

Os instrumentos contundentes (95,83%) foram os mais observados, especialmente em mulheres (p < 0,001). Lesões provocadas por instrumentos cortantes (p = 0,021) e perfurocontundentes (p = 0,001) foram mais frequentes em homens que em mulheres (Tabela 3). Houve ainda cinco casos de lesões provocadas por veneno, três por agente fisicoquímico, três por instrumento cortocontuso e uma por perfurante (dados não mostrados).

Tabela 3 Tipo de instrumento que ocasionou a lesão, segundo o sexo dos periciados, São Luís, MA, Brasil, 2012. 

Tipo de instrumento Total (n=1977) Masculino (n=864) Feminino (n=1113) p- Valor

n % % %
Contundente 1426 95,83 93,30 97,83 <0,0011
Cortocontundente 55 3,70 3,65 3,73 0,9371
Cortante 51 3,43 4,72 2,41 0,0212
Perfurocontundente 19 1,28 2,14 0,36 0,0012
Perfurocortante 15 1,01 1,52 0,60 0,0781

1Teste Qui-quadrado. 2Teste Exato de Fisher.

Algum dano à integridade corporal foi verificada em 1477 casos (99,6%) dos laudos. Sequelas com incapacidade ocupacional (sim = 1,81% e talvez = 4,69%), debilidade permanente de função (sim = 1,68% e talvez = 10,35%), deformidade permanente (sim = 0,72% e talvez = 10,07%) e perigo à vida (sim = 0,54% e talvez = 2,21%) foram verificadas em parte dos casos, especialmente em homens (Tabela 4).

Tabela 4 Sequelas das lesões, segundo o sexo dos periciados, São Luís, MA, Brasil, 2012. 

Sequelas das lesões Total (n=1977) Masculino (n=864) Feminino (n=1113) p- valor1

n % % %
Deformidade permanente <0,001
Não 1,745 89,21 86,05 91,66
Talvez/Sim 211 10,79 13,95 8,34
Debilidade permanente de função 0,003
Não 1,772 90,22 87,97 91,97
Talvez/Sim 192 9,78 12,03 8,03
Incapacidade ocupacional 0,003
Não 1,396 93,50 91,36 95,20
Talvez/Sim 97 6,50 8,64 4,80
Causou perigo de vida 0,005
Não 1,453 97,26 95,92 98,32
Talvez/Sim 41 2,75 4,08 1,68

1Teste Qui-quadrado.

Discussão

Nesse trabalho, a maioria das vítimas eram mulheres (56,30%). Contrapondo-se aos nossos achados, estudos internacionais14,23,24 identificaram maior proporção de homens como vítimas de traumas maxilofacias, variando de 81,1%, em pesquisa realizada em hospital da Índia23, a 92,9% dos casos, em estudo conduzido na Suíça24. Os autores justificam a predominância de homens pelo fato de serem mais propensos a atividades de risco e interações sociais violentas, frequentando bares, fazendo mais uso de drogas e dirigindo perigosamente16. Porém, estes autores consideraram todos os tipos de lesões e não somente as decorrentes de violência física como no presente trabalho.

No Brasil, um maior número de vítimas do sexo masculino também foi apontado por vários autores9-12,14,25, variando de 51,9% dos 774 laudos analisados em Pelotas-RS12, até 81,1%, em estudo envolvendo 132 pacientes em hospital universitário de Santa Catarina9. A proporção entre homens e mulheres vítimas de fraturas faciais variou de 4,69:111 a 7:114.

Por outro lado, estudo realizado no Ceará, Nordeste do Brasil, evidenciou maioria das vítimas de lesões traumáticas orais e maxilofaciais em mulheres20, semelhante ao observado na presente pesquisa. É possível que características culturais e socioeconômicas ajudem a explicar a alta prevalência de agressões físicas em mulheres nestas pesquisas, cuja amostra foi proveniente de uma das regiões menos desenvolvidas do país. Ferreira et al.3, analisando dados provenientes de um hospital no município de Guanhães, MG, referiram que a violência física interpessoal doméstica é mais comum em vítimas do sexo feminino, ao passo que a urbana, em homens.

Neste estudo, a maioria das vítimas era adulta, seguida de adolescentes. Martins Júnior et al.10, em Blumenau-SC, constataram que 91,1% dos traumas faciais registrados foram em indivíduos acima de 18 anos. Ferreira et al.3, em Guanhães-MG, identificaram que a violência física interpessoal, em ambas as formas (doméstica e urbana) foi maior nos adultos, de forma que 83,4% dos casos de violência doméstica e 66,3% dos casos de violência urbana foram registrados em indivíduos com 20 ou mais anos de idade3. Similarmente, Araújo et al.26, em Belém-PA, verificaram que a faixa etária que apresentou maior quantidade de casos foi entre 18 e 44 anos; enquanto para Chiaperini et al.25, em Ribeirão Preto-SP, a etária predominante entre vítimas que procuraram o IML foi a de 26 a 30 anos.

Contrariamente aos nossos resultados, Roselino et al.27, em análise de 354 laudos periciais do IML de Ribeirão Preto-SP, verificaram que o número de casos de violência diminui de acordo com o aumento da idade: 46,33% ocorreram entre os 18 e 30 anos de idade, enquanto 28,53% ocorreram entre 31 e 45 anos de idade.

Na cidade de São Luís, o IML não é o órgão responsável por emitir laudos de corpo de delito de vítimas abaixo de 14 anos e o faz apenas excepcionalmente aos finais de semana e feriados, quando o Centro de Perícias da Criança e do Adolescente não oferece atendimento. Dessa forma, os dados de traumas em adolescentes podem estar subestimados.

Apesar do pequeno número de adolescentes na amostra estudada, constatamos que o adulto vítima de violência doméstica ou de gênero geralmente refere ter sido uma criança vítima das mesmas condições. Estudos nacionais21,22e internacionais6,28 têm evidenciado as agressões a menores. Isso sugere que o avançar da idade apenas muda a forma de violência, mas não a erradica21.

Dentre os laudos analisados neste estudo, a raça/cor parda concentrou maior número de vítimas, sem diferenças entre gênero. Negros (9,18%) e brancos (8,73%) apresentaram percentual semelhante de vítimas. Esses achados corroboram os de Guimarães e Vilela21, no IML de Maceió/AL, onde foi observada predominância das vítimas de raça/cor parda (71,6%), mas discordam dos de Chiaperini et al.25 em mulheres examinadas no IML de Ribeirão Preto/SP, onde a maior incidência foi em brancas (76%). Provavelmente tais diferenças se devem à distribuição desigual de brancos, pardos e pretos nas diferentes cidades do Brasil. No Maranhão, a maioria da população é parda (68,6%), ao passo que em São Paulo, 68,4% da população se autodeclara branca29.

A maioria das vítimas examinadas viviam sem companheiro (67,98%), sendo 64,81% dos homens e 70,33% das mulheres. Percentual próximo foi encontrado por Rezende et al.30, em estudo no IML de Belo Horizonte-MG, quando concluíram que 63% das mulheres que sofreram lesões bucodentais por violência eram solteiras e apenas 20,4% eram casadas. Por outro lado, em estudo conduzido na Malásia, a maioria das mulheres vítimas de violência (85,1%) eram casadas18, tendo sofrido a agressão dos próprios companheiros (83,5%). Destas, grande parte sofreu lesões na região maxilofacial (50,4%).

Os tipos de lesões bucomaxilofaciais mais referidas nos laudos analisados foram escoriação (39,91%), equimose (33,49%), ferida contusa (27,31%) e edema (23,22%). As fraturas dentais apresentaram baixa incidência em nosso estudo (0,91%), assim como no trabalho de Chiaperini et al.25 e de Santos et al.31 De modo semelhante aos nossos achados, Lourenço et al.12, Cavalcanti13 e Chiaperini et al.25referem a escoriação como o tipo de lesão mais frequente, seguido por edemas e equimoses. Saddki et al.18 verificaram maior prevalência de contusões, escoriações e lacerações, tipos agrupados em uma mesma categoria de lesões de tecidos moles (87,7%), percentual similar ao encontrado por Batista et al.32, em pesquisa realizada em prontuários médicos de hospital de Minas Gerais (82,4%). Ferreira et al.3 identificaram as contusões, concussões e lacerações como as lesões maxilofaciais mais incidentes3. As divergências podem ser explicadas por diferenças metodológicas – o estudo de Ferreira et al.3 incluiu vítimas de hospital de referência para 23 municípios do Vale do Rio Doce, ao passo que a presente pesquisa considerou laudos do IML provenientes de diferentes cidades do Maranhão.

As lesões do tipo equimose foram mais incidentes em mulheres, ao passo que fratura dental, ferida contusa e perfurocontusa, em homens. Leles et al.33, em pesquisa realizada em Goiânia, relatam que as características culturais e socioeconômicas têm influência significativa nas taxas de prevalência de gênero de lesões maxilofaciais. Batista et al.32 citam ainda que a epidemiologia do trauma facial é determinada pela área geográfica, fatores demográficos e pelo período de investigação.

Os casos de fraturas ósseas referenciados nos laudos foram incluídos na variável “ferida contusa”, por apresentarem quantitativo mínimo em relação às demais lesões. É compreensível que nos casos de violência física, os tecidos moles sejam geralmente mais acometidos, já que para resultar em fratura óssea, é necessário que as lesões sejam associadas a traumas de alta energia30.

Do total da amostra, a região maxilofacial mais acometida foi o terço médio da face (63,13%), porém sem diferenças significantes entre os sexos. Esse resultado é corroborado por Leles et al.33, que afirmam que a elevada incidência das lesões maxilomandibulares nas regiões nasal, complexo zigomático e região orbital é relacionada com a posição proeminente dessas estruturas anatômicas dentro do esqueleto facial e sua maior exposição ao trauma.

A região mais citada pelos legistas em laudos de violência física foi a região orbitária (35,91%), seguida pela região frontal (26,15%) e região labial (23,87%). Por outro lado, Lourenço et al.12 observaram que, das lesões faciais, os lábios foram a região mais atingida, apresentando 31,2% dos casos, seguido da região nasal (24,8%) e região orbital (24,5%). Um estudo multicêntrico na Europa identificou a mandíbula como a região mais frequentemente acometida por injúrias traumáticas, seguida da região orbitária-zigomática-maxilar6, porém esse estudo incluiu todo tipo de lesões externas e não apenas as decorrentes de agressão física.

Diferenças estatisticamente significantes foram observadas no acometimento da região bucinadora (p = 0,006) e labial (p = 0,008) entre homens e em mulheres. Em ambos os sítios, as mulheres foram mais acometidas. Isso reforça a hipótese de aumento crescente de casos de violência física em mulheres16.

O principal instrumento foi o contundente (95,83%), seguido do cortocontundente (3,70%) e do cortante (3,43%). Lolli et al.34 também citaram o instrumento contundente (93,70%) como principal instrumento de ação causador das lesões faciais. Os instrumentos contundentes (p < 0,001) foram mais comuns nas lesões em mulheres, enquanto os cortantes (p = 0,021) e perfurocontundentes (p = 0,001), em homens.

Em 99,60% dos casos houve dano à integridade corporal e saúde do indivíduo. Tal valor é aproximadamente o mesmo em homens e mulheres. Essa análise refere-se ao primeiro quesito oficial respondido pelos profissionais do Instituto, ocasião em que é verificado se o histórico de agressão relatado pelo periciando apresenta comprovação por vestígios físicos. Em casos raros o periciando não apresentou lesões, ou por seu relato não condizer com a verdade ou por ter sido a agressão tão leve a ponto de não deixar vestígios.

Perda da capacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias foi constatada em 1,81% dos casos, sendo maior em homens (p = 0,003). Essa perda da capacidade se refere não apenas à capacidade laboral, mas a qualquer atividade desenvolvida no dia-a-dia do periciado. Sendo assim, observamos que a violência está associada com a perda de produtividade e o isolamento social da vítima.

A violência tem ainda profundas consequências sobre a saúde. Além das limitações funcionais, as vítimas são propensas a ter problemas psicológicos, síndromes de dor crônica, depressão e distúrbios psicossomáticos18. Isso aumenta a utilização de cuidados de saúde e serviços sociais18.

Em 1,68% das vítimas, as lesões causaram debilidade permanente de função, em 0,72% foi constatada deformidade permanente e as agressões causaram perigo de vida em 0,54% dos casos; todos mais frequentes em homens (p < 0,05). Poucas investigações sobre as sequelas de tais lesões foram identificadas. Lolli et al.34observaram que 5% das vítimas de agressão tiveram debilidade permanente de função como resultado da lesão.

Os traumas maxilofaciais são frequentemente associados à morbidade em diferentes graus de dano físico, funcional e estético, representando um desafio para os serviços de saúde pública em todo o mundo, incluindo alto custo financeiro significativo para reparação de danos estéticos6. O rosto é a parte mais visível do corpo; contribuindo para a autoimagem de um indivíduo e sua autoestima. As razões para que um agressor tenha como alvo o rosto, são pouco conhecidas, embora seja possível deduzir que o atacante tenta minar a autoestima da vítima, seja homem ou mulher18.

Compreendendo que as ações contra a violência devem ser assumidas por toda a sociedade, sugere-se que os profissionais em formação sejam mais bem preparados para detectar indícios de violência física em seus pacientes e encorajar a denúncia. Espera-se ainda que os profissionais responsáveis pela elaboração dos laudos periciais padronizem a metodologia de coleta de informações, objetivando o registro do maior número de detalhes da agressão.

São limites deste estudo a restrição a apenas um ano de avaliação e a indisponibilidade de resultados de exames complementares para alguns casos por ocasião da coleta dos dados. Por outro lado, trata-se de um estudo representativo da população de uma capital e região metropolitana na região Nordeste, evidenciando as características das lesões bucomaxilofaciais decorrentes de agressão física em uma população em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Este é o único IML do município, o que reduz viés de seleção, por se tratar de local de referência para a realização de perícias. Apesar de terem sido incluídos apenas os casos ocorridos em 2012, o número de casos observados teve poder para identificar diferenças entre gênero para diferentes características das lesões.

Este é um dos poucos trabalhos sobre lesões no complexo bucomaxilfacial em vítimas de violência física no Nordeste brasileiro, e o primeiro no Maranhão incluindo a totalidade de casos periciados no maior IML do Estado durante um ano. O nordeste brasileiro é peculiar pela cultura patriarcal e altos índices de violência urbana e doméstica, o que fazem deste estudo um importante instrumento para a discussão da violência física no cenário nacional.

Conclui-se que a incidência de lesões no complexo bucomaxilofacial decorrente de violência física foi de 12,47% entre pessoas periciadas no IML de São Luís, MA, no ano de 2012. Vítimas com idade entre 20-59 anos, de cor parda, sem companheiro e que possuem emprego foram majoritariamente mais lesionadas em ambos os sexos. Escoriações foram os tipos de lesões mais incidentes. A região orbitária e o terço médio da face foram as localizações mais frequentemente acometidas por lesões em ambos os sexos. Homens e mulheres foram mais agredidos por instrumento de ação contundente causando dano à integridade corporal e à saúde da vítima quase que na totalidade dos casos. Mulheres foram mais agredidas, na proporção de 1,28:1 em relação aos homens. Há diferenças entre o tipo de lesão, instrumento causador da injúria, local acometido e consequências da lesão de acordo com o gênero. Embora as mulheres sejam mais acometidas por lesões no complexo bucomaxilofacial, os homens apresentam as lesões com aspectos mais severos.

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Recebido: 14 de Setembro de 2016; Revisado: 01 de Junho de 2017; Aceito: 03 de Junho de 2017

Colaboradores

RHM Garcez, EBAF Thomaz, RC Marques, JAP Azevedo e FF Lopes contribuíram efetivamente para a realização do estudo.

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