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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.4 Rio de Janeiro Apr. 2019  Epub May 02, 2019

https://doi.org/10.1590/1413-81232018244.15582017 

ARTIGO

Experimentação do álcool e tabaco entre adolescentes da região Centro-Oeste/Brasil

Elisângela Antônio de Oliveira Freitas1 
http://orcid.org/0000-0001-5839-9972

Maria Silvia Amicucci Soares Martins1 
http://orcid.org/0000-0001-6866-4469

Mariano Martinez Espinosa2 
http://orcid.org/0000-0002-0461-5673

1 Instituto de Saúde Coletiva , Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Av. Fernando Correa da Costa s/n, Coxipó. 78060-900 Cuiabá MT Brasil . eliaofreitas@gmail.com

2 Departamento de Estatística , UFMT . Cuiabá MT Brasil .


Resumo

O estudo tem como objetivo investigar a prevalência da experimentação do álcool e tabaco em adolescentes da região Centro-Oeste do Brasil e sua associação com fatores sociodemográficos. Estudo transversal, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar – PeNSE, realizada em 2015. A amostra foi composta por escolares do 9° ano do Ensino Fundamental. A variável dependente foi a experimentação do álcool e tabaco alguma vez na vida. Para identificação das variáveis associadas, foi realizada a análise de regressão de Poisson . A prevalência estimada ponderada da experimentação do álcool e do tabaco foi de 57,17% (IC95%: 56,20 a 58,14) e 22,38% (IC95%: 21,56 a 23,20), respectivamente. A prevalência de experimentação do álcool no sexo feminino foi maior que nos meninos; no entanto, para o tabaco, o sexo masculino apresentou prevalência maior que o sexo feminino. A experimentação do álcool e tabaco foi estatisticamente significativa com o avançar da idade. A dependência administrativa das escolas públicas expôs prevalência de 23,99% maior que as privadas na experimentação do tabaco. Conclui-se que a experimentação do álcool e tabaco, entre os adolescentes escolares, apresentou-se elevada e associada aos fatores sociodemográficos.

Palavras-Chave: Consumo de bebidas alcoólicas; Tabaco; Adolescente

Abstract

This study aims to investigate the prevalence of alcohol and tobacco experimentation among adolescents of the Brazilian Midwest its association with sociodemographic factors. This is a cross-sectional study, with data from the National School Health Survey – PeNSE, carried out in 2015. The sample consisted of ninth-graders. The dependent variable was alcohol and tobacco experimentation at some point in life. A Poisson regression model was performed to identify the associated variables. The weighted estimated prevalence of alcohol and tobacco experimentation was 57.17% (95% CI: 56.20-58.14) and 22.38% (95% CI: 21.56-23.20), respectively. The prevalence of alcohol experimentation among females was higher than in males. However, regarding tobacco, males had a higher prevalence than females. Alcohol and tobacco experimentation was statistically significant with age. Public schools’ administrative dependency showed a 23.99% higher prevalence than private schools concerning tobacco experimentation. We concluded that alcohol and tobacco experimentation was high among school adolescents and was shown to be associated with sociodemographic factors .

Key words: Alcohol consumption; Tobacco; Adolescent

Introdução

A adolescência é a fase de crescimento para se alcançar o potencial humano, caracterizada por profundas mudanças físicas, psicológicas e emocionais. As decisões que se tomam e os hábitos que se formam podem determinar a sua saúde e bem-estar para toda a vida 1 . Mundialmente, de cada seis indivíduos, um é adolescente, totalizando 1,2 bilhão de jovens com idades entre 10 e 19 anos 2 . O Brasil, em 2015, possuía a população de 204,5 milhões de pessoas das quais, aproximadamente, 34 milhões, cerca de 17%, eram adolescentes e 8% destes, residentes na região Centro-Oeste 3 .

Essa fase é extremamente importante para que os adolescentes optem por um estilo de vida saudável, pois proporciona a formação de hábitos e atitudes que influenciarão na idade adulta, com as respectivas consequências para a qualidade de vida 4-6 .

Alguns comportamentos iniciados nessa fase, como a alimentação inadequada, o sedentarismo e a experimentação do álcool e tabaco, são fatores de risco comuns para o desenvolvimento das principais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). No Brasil, esse grupo de doenças foi responsável por 72,7% do total de mortes, com destaque para as enfermidades cardiovasculares (30,4%), as neoplasias (16,4%), as doenças respiratórias (6,0%) e o diabetes (5,3%) 6,7 .

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde e da Educação, tem realizado a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), estando, no ano de 2015, em sua terceira edição, cuja finalidade é conhecer os fatores relacionados aos riscos e à proteção à saúde dos adolescentes brasileiros 8 . Considera-se, assim, a escola uma importante instituição para a realização do monitoramento dos fatores de risco entre os adolescentes, por ser um local onde os jovens passam a maior parte de suas vidas. Conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015, o acesso da população de 6 a 14 anos e 15 a 17 anos à escola foi de 98,5% e 84,3%, respectivamente, mostrando a acessibilidade dessa instituição para a promoção da saúde do adolescente 9,10 .

Malta et al. 11 verificaram que não houve diferença quanto à experimentação de bebidas alcoólicas desses jovens nas duas edições da PeNSE, sendo 71,4% em 2009 e 70,5% em 2012. Quanto aos indicadores do tabagismo, houve redução da experimentação de cigarros de 24,2% para 22,3% 11 . Considerando que o álcool é a substância mais consumida entre os jovens em idades cada vez mais precoces e o tabagismo possui vasta dependência entre os adolescentes, destaca-se a relevância deste estudo para o monitoramento dos comportamentos de risco para a saúde na vida dos jovens da região Centro-Oeste. Essa região tem absorvido fluxos migratórios de todo o Brasil, pessoas em busca de emprego e melhores condições de vida, cujo processo de expansão influencia diretamente no estilo de vida dos adolescentes, visto que esse espaço territorial aparece, em diversos estudos, com grande percentual de jovens que já experimentaram álcool e tabaco na vida.

A hipótese é que a experimentação do álcool ocorra, principalmente, entre o sexo feminino, e o tabaco, com o masculino, em idades cada vez mais prematuras. Por isso, a presente pesquisa pode contribuir para ampliar o estudo e o conhecimento dos determinantes sociais do comportamento, relacionados à experimentação do álcool e tabaco em adolescentes. Os resultados podem ser úteis, inclusive, para evidenciar os comportamentos de risco e subsidiar o desenvolvimento de atividades de promoção e intervenção na população de escolares, visando à melhoria da saúde dos jovens.

Utilizando os dados secundários da PeNSE 2015, o objetivo do presente estudo foi estimar a prevalência da experimentação do álcool e tabaco entre escolares brasileiros do 9º ano do Ensino Fundamental da região Centro-Oeste e sua associação com os fatores demográficos e socioeconômicos.

Métodos

Trata-se de um estudo transversal que analisou os dados da terceira edição da PeNSE 8 . Foram avaliados os dados relativos aos adolescentes da região Centro-Oeste do Brasil.

A população de estudo foi composta por escolares do 9º ano do Ensino Fundamental das 26 capitais e do Distrito Federal. Para cada um dos estratos geográficos, foi dimensionada e selecionada uma amostra de escola, sendo chamada de estrato de alocação e cada escola foi designada por meio do cruzamento, a partir da sua dependência administrativa (pública ou privada), e o seu tamanho, medido pelo número de turmas, de modo a estimar a proporção da ordem de 50%, com nível de confiança de 95% e erro absoluto da ordem de três pontos percentuais e nível de significância em cinco pontos percentuais. Os estudantes presentes no dia da coleta de dados foram convidados a participar da pesquisa e responderam a um questionário estruturado e autoaplicável inserido em um s martphone . A metodologia e os resultados principais da PeNSE encontram-se publicados 8 .

Da PeNSE 2015, na região Centro-Oeste, participaram 394 escolas e 570 turmas, as quais tinham, nessa data, 17.606 estudantes matriculados no 9° ano. No dia da pesquisa, 14.205 discentes estavam presentes e 14.180 responderam sobre experimentação do álcool e tabaco 8 .

No planejamento amostral da pesquisa PeNSE, foi utilizada uma amostragem do tipo probabilístico, considerando os métodos por conglomerados em dois estágios e estratificada. Na amostragem por conglomerados, as unidades amostrais primárias foram as escolas e as secundárias, as turmas das escolas selecionadas. Após esse processo, as turmas foram relacionadas a partir de duas informações: número de alunos matriculados e número de alunos que frequentavam habitualmente as aulas. Foram excluídas do cadastro as escolas com menos de 15 alunos na série desejada, pois, ainda que representassem cerca de 20% das instituições, totalizavam menos de 3% do total dos matriculados. Foram eliminadas, também, as turmas do período noturno, por refletirem apenas cerca de 3% dessa população 8 .

Neste estudo, foram analisadas como variáveis dependentes: experimentação do álcool e tabaco, alguma vez na vida. Consideraram-se, como variáveis independentes, os dados demográficos (sexo; idade (≤ 13; 14; ≥ 15 anos), raça/coautorrelatada) e socioeconômicos (escolaridade materna, dependência administrativa da escola: pública ou privada).

O modelo conceitual de análise do presente estudo foi feito, inicialmente, estimando as prevalências ponderadas pelos pesos amostrais da experimentação de álcool e tabaco para cada categoria das variáveis demográficas e socioeconômicas consideradas, com seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%). Em seguida, realizou-se uma análise bivariada entre as variáveis dependentes e as independentes, considerando a razão de prevalência estimada pelo modelo de regressão de Poisson simples com variância robusta, com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) e valores de p . Posteriormente, as variáveis que apresentaram valores de p inferiores a 0,20 ( p < 0,20) foram testadas no modelo de regressão de Poisson múltiplo com variância robusta. Permaneceram, no modelo final, as variáveis com valores de p inferiores a 0,05 ( p < 0,05). Todas as análises estatísticas foram realizadas como programa Stata Versão 14.0, utilizando o módulo survey (svy) para amostras complexas, por possibilitarem incorporar os pesos amostrais.

A PeNSE 2015 foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Conselho Nacional de Saúde 8 .

Resultados

A prevalência estimada e intervalo de confiança de 95% ponderados da experimentação do álcool e do tabaco foi de 57,17% (IC95%: 56,20 a 58,14) e 22,38% (IC95%: 21,56 a 23,20), respectivamente, dados não apresentados em tabela.

Na Tabela 1 , são apresentadas as prevalências ponderadas pelos pesos amostrais da experimentação de álcool e tabaco para cada categoria, segundo as variáveis demográficas e socioeconômicas consideradas no estudo, com seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%) e tamanho de amostra (n). Nesta tabela, observa-se que existe diferença estatisticamente significativa entre as prevalências das categorias de todas as variáveis para as duas variáveis dependentes em estudo, uma vez que a maioria dos intervalos de 95% de confiança não se intercepta.

Tabela 1 Prevalência # e intervalo de confiança de 95% # da experimentação do álcool e tabaco, segundo as variáveis demográficas e socioeconômicas dos adolescentes escolares do 9º ano do Ensino Fundamental da região Centro-Oeste/Brasil. PeNSE 2015. 

Variáveis independentes Experimentação do álcool IC 95% # Experimentação do tabaco # IC 95% #
Sexo (n = 14152) (n = 14156)
Feminino 58,93 57,56 – 60,28 20,11 19,03 – 21,23
Masculino 55,38 53,99 – 56,76- 24,69 23,50 – 25,92
Raça/cor de pele (n = 14137) (n = 14141)
Parda 58,24 56,80 – 59,67 23,11 21,91 – 24,36
Branca 56,44 54,77 – 58,09 19,87 18,57 – 21,23
Preta 56,39 53,44 – 59,29 25,19 22,74 – 27,81
Amarela 58,24 53,77 – 62,58 21,13 17,70 – 25,02
Indígena 51,03 46,02 – 56,01 29,17 24,83 – 33,92
Idade (anos) (n = 14152) (n = 14156)
≤ 13 47,66 45,14 – 50,19 14,63 12,92 – 16,53
14 54,78 53,50 – 56,06 18,95 17,96 – 19,98
≥ 15 67,06 65,25 – 68,83 33,64 31,88 – 35,44
Escolaridade Materna (n = 10839) (n = 10843)
Ensino Fundamental 58,36 56,65 – 60,04 24,20 22,76 – 25,69
Ensino Médio 58,53 56,55 – 60,48 21,63 20,03 – 23,32
Ensino Superior 55,37 53,19 – 57,54 18,90 17,25 – 20,67
Tipo de escola (n = 14156) (n = 14156)
Pública 57,69 56,61 – 58,77 23,28 22,37 – 24,22
Privada 54,27 52,15 – 56,37 17,35 15,80 – 19,02

IC 95%: Intervalo de confiança de 95%, com dados ponderados. n = tamanho de amostra por variáveis demográficas e socioeconômicas. # : Valores ponderados.

Na Tabela 2 , estão expostos os resultados ponderados das prevalências e as análises dos modelos de regressão de Poisson simples robusta, com razões de prevalência estimadas entre a experimentação do álcool e as variáveis demográficas e econômicas, com seus respectivos intervalos de confiança, sendo selecionadas, para a análise múltipla, as variáveis: sexo, idade, escolaridade materna e a dependência administrativa da escola. Na análise múltipla, permaneceram associadas à experimentação do álcool, pelos adolescentes, as variáveis: sexo, raça/cor de pele e idade. Observou-se que o sexo feminino apresentou razão de prevalência de experimentação do álcool 9% maior que os meninos ( p < 0,001). Indivíduos de cor branca revelaram maior prevalência de experimentação do álcool em comparação com a população indígena. Esse comportamento também foi estatisticamente significativo nas idades de 14 e 15 anos ou mais, em relação aos adolescentes de até 13 anos, com razão de prevalência de 1,15 e 1,42 respectivamente ( Tabela 3 ).

Tabela 2 Prevalência e razão de prevalência de experimentação do álcool, segundo as variáveis demográficas e socioeconômicas dos adolescentes escolares do 9º ano do Ensino Fundamental da região Centro-Oeste/Brasil. PeNSE 2015. 

Variáveis independentes RP ** IC 95% ** Valor p
Sexo
Feminino 1,06 1,03 – 1,10 < 0,001*
Masculino 1,00 - -
Raça/cor de pele
Parda 1,14 1,03 – 1,26 0,010*
Branca 1,11 0,99 – 1,22 0,054
Preta 1,10 0,99 – 1,23 0,078
Amarela 1,14 1,01 – 1,29 0,037*
Indígena 1,00 - -
Idade (anos)
≤ 13 1,00 - -
14 1,15 1,09 – 1,22 < 0,001*
≥ 15 1,41 1,33 – 1,49 < 0,001*
Escolaridade Materna
Ensino Fundamental 1,05 1,01 – 1,11 0,035*
Ensino Médio 1,06 1,01 – 1,11 0,036*
Ensino Superior 1,00 - -
Tipo de escola
Pública 1,06 1,02 - 1,11 0,006*
Privada 1,00 - -

RP: razão de prevalência estimada pelo modelo de regressão de Poisson simples Robusta. IC 95%: Intervalo de confiança de 95%. *: significante ao nível de 5%. **: Prevalências e intervalos de 95% de confiança (IC95%) estimados sob ponderações dos pesos amostrais.

Tabela 3 Variáveis do modelo final e razão de prevalência ajustada por regressão de Poisson Robusta (RP a ) múltipla, associadas à experimentação do álcool, com seus respectivos intervalos de confiança (IC) de 95% e valor p , região Centro-Oeste, Brasil, 2015. 

Variável Categoria RP a *** IC 95% *** Valor p
Sexo Feminino 1,09 1,05 - 1,13 < 0,001*
Masculino 1,00 - -
Raça/cor de pele Parda 1,17 1,05 – 1,29 0,003
Branca 1,41 1,03 – 1,27 0,012
Preta 1,12 0,99 – 1,25 0,054
Amarela 1,15 1,02 – 1,30 0,028
Indígena 1,00 - -
Idade (anos) ≤ 13 1,00 - -
14 1,15 1,09 - 1,22 < 0,001*
≥ 15 1,42 1,34 - 1,51 < 0,001*

RP a: razão de prevalência ajustada pelo modelo de regressão de Poisson Robusta múltipla com seleção de variáveis pelo método de Backward . IC 95%: intervalo de confiança de 95%. *: significante ao nível de 5%. n = 14137. ***: Prevalências e intervalos de 95% de confiança (IC95%) ajustados sob ponderações pelos pesos amostrais.

Na Tabela 4 , mostram-se os resultados ponderados da análise dos modelos de regressão de Poisson simples robusta, com razões de prevalência estimada entre a associação da experimentação do tabaco com as variáveis: sexo, raça/cor da pele, idade, escolaridade materna e tipo de escola; porém, após a análise do modelo múltiplo final de regressão de Poisson , apenas as variáveis: sexo, idade, raça/cor de pele e tipo de escola permaneceram com significância estatística. Os resultados revelam que, entre os adolescentes a experimentarem tabaco, os indivíduos do sexo masculino apresentaram razão de prevalência 15% maior que as meninas ( p < 0,001). Esse comportamento também foi mais frequente na faixa etária de 14 anos ou mais, em relação aos menores ou iguais aos de 13 anos. Indivíduos de cor indígena, preta e parda ostentaram maior prevalência de experimentação do tabaco (30%, 17% e 15%, respectivamente) em comparação com a branca. O tipo de escola classificada como pública revelou razão de prevalência 14% maior que as escolas privadas, na experimentação do tabaco ( Tabela 5 ).

Tabela 4 Prevalência e razão de prevalência de experimentação do tabaco, segundo as variáveis demográficas e socioeconômicas dos adolescentes escolares do 9º ano do Ensino Fundamental da região Centro-Oeste/Brasil. PeNSE 2015. 

Variáveis independentes RP** IC 95%** Valor p
Sexo
Masculino 1,23 1,14 – 1,32 < 0,001*
Feminino 1,00 - -
Raça/cor de pele
Indígena 1,47 1,24 – 1,74 < 0,001*
Preta 1,27 1,12 – 1,43 < 0,001*
Parda 1,16 1,07 – 1,27 0,001
Amarela 1,06 0,88 – 1,28 0,517
Branca 1,00 - -
Idade (anos)
≤ 13 1,00 - -
14 1,29 1,13 – 1,48 < 0,001*
≥ 15 2,30 2,01 – 2,63 < 0,001*
Escolaridade Materna
Ensino Fundamental 1,28 1,15 – 1,43 < 0,001*
Ensino Médio 1,14 1,02 – 1,29 0,025*
Ensino Superior 1,00 - -
Tipo de escola
Pública 1,34 1,21 – 1,48 < 0,001*
Privada 1,00 - -

RP: razão de prevalência estimada pelo modelo de regressão de Poisson simples Robusta. IC 95%: Intervalo de confiança de 95%. *: significante ao nível de 5%. **: Prevalências e intervalos de 95% de confiança (IC95%) estimados sob ponderações dos pesos amostrais.

Tabela 5 Variáveis do modelo final e razão de prevalência ajustada por regressão de Poisson Robusta (RP a ) múltipla, associadas à experimentação do tabaco, com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%) e valor p , região Centro-Oeste, Brasil, 2015. 

Variável Categoria RP a *** IC 95% *** Valor p
Sexo Masculino 1,15 (1,07; 1,24) < 0,001*
Feminino 1,00 - -
Idade (anos) ≤ 13 1,00 - -
14 1,26 1,10 - 1,44 0,001*
≥ 15 2,16 1,90 - 2,50 < 0,001*
Raça/cor de pele Indígena 1,30 1,10 – 1,54 0,003*
Preta 1,17 1,03 – 1,31 0,012*
Parda 1,15 1,05 – 1,25 0,002*
Amarela 1,04 0,87 – 1,26 0,646
Branca 1,00 - -
Tipo de escola Pública 1,14 1,03; 1,27 0,0011*
Privada 1,00 - -

RP a: razão de prevalência ajustada pelo modelo de regressão de Poisson Robusta múltipla com seleção de variáveis pelo método de Backward . IC 95%: intervalo de confiança de 95%. *: significante ao nível de 5%. n = 14141. ***: Prevalências e intervalos de 95% de confiança (IC95%) ajustados sob ponderações pelos pesos amostrais.

Discussão

Os resultados, neste estudo, confirmaram a magnitude desta investigação quanto à experimentação do álcool e tabaco entre escolares da região Centro-Oeste. Dessa forma, pesquisas envolvendo jovens escolares podem fornecer subsídios para a estruturação de políticas públicas de promoção à saúde e prevenção de doenças.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que indivíduos entre 10 e 19 anos de idade possuem problemas de saúde, devido ao consumo de álcool e tabaco, porque isso reduz o autocontrole e aumenta os comportamentos considerados de risco 5 . A análise dos dados de estudos nacionais e internacionais mostra a necessidade de haver monitoramento e enfrentamento quanto ao consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens. No Brasil, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) detectou que 1/5 dos adolescentes entrevistados havia consumido bebida alcoólica nos 30 dias anteriores à entrevista 12 . Nos Estados Unidos, um levantamento sobre o comportamento de risco na população jovem, por meio do estudo Youth Risk Behavior Survey (YRBS), em 2015, apontou a prevalência estimada de 63,2% de experimentação na vida e de 32,8% nos últimos 30 dias 13 .

Em um estudo transversal realizado no Brasil, constatou-se a relação entre problemas escolares e o uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas. Na oportunidade , foi identificado que o consumo de álcool está associado a repetências, falta de concentração, notas baixas, desejo de abandonar a escola e sentimento de tédio no ambiente escolar. Esses adolescentes apresentaram padrões maiores de risco comportamental, gerando prejuízos escolares 14 .

Os dados deste trabalho apontam que a prevalência no sexo feminino é significativamente mais elevada do que no sexo masculino para a experimentação de bebida alcoólica alguma vez na vida cujos resultados estão em concordância com estudos anteriores 15,16 , sendo isso verificado, também, nas amostras nacionais da PeNSE 2009 e 2012 11,17,18 .

O mesmo resultado foi constatado na Argentina 19 e no Reino Unido 20 . Porém, no estudo Health Behavior in School Aged Children (HBSC), observou-se que, entre os adolescentes com idade de 11 e 13 anos, não há diferença no consumo semanal entre os sexos, mas, na idade de 15 anos, o consumo de álcool é maior nos rapazes 21 .

As adolescentes que afirmaram ter usado álcool pelo menos uma vez na vida estão em situação crítica e isso representa fator de risco, pois compromete a saúde física e psíquica das jovens, as quais ficam expostas, constantemente, a episódios de violências, como brigas e acidentes de trânsito, além de aquisição das doenças crônicas, segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância 22 .

Revisão da literatura sobre o tema corrobora os resultados do modelo final, mostrando haver relação entre a experimentação do álcool e as variáveis raça/cor branca 16 . O presente trabalho apontou que a experimentação de bebida alcoólica na idade de 15 anos ou mais é 42% maior em relação àqueles com idade de 13 anos ou menos, revelando haver adesão de novos usuários com o passar do tempo. Tavares et al. 23 , ao estudarem jovens com idades até 21 anos de um distrito de Portugal, constataram que a maioria, cerca de 92%, já havia experimentado bebida alcoólica, destacando o aumento da prevalência de consumo de bebidas alcoólicas ao longo da vida.

O I Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado em 2005-2006, identificou que 14 anos é a idade média da experimentação de bebida alcoólica 24 . Resultados análogos foram localizados em estudos anteriores 15,17,25-27 . Segundo o VI Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre estudantes do Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada, das 26 capitais de Estados brasileiros, a maioria dos adolescentes já havia consumido bebida alcoólica, pelo menos, uma vez na vida nessa faixa etária 28 .

O estudo realizado no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas de Cuiabá com adolescentes na faixa etária entre 14 e 17 anos apontou início precoce do consumo de bebida alcoólica pelos jovens 29 . Isso também foi observado na comunidade europeia e em parte do continente americano, sendo que, aos 11 anos, 1% declarou ser usuário semanal. Nas idades de 13 e 15 anos, constataram-se 3% e 14%, respectivamente, de jovens com consumo semanal de bebida alcoólica 21 .

O consumo do álcool é um comportamento de risco que começa, geralmente, em idades precoces, em níveis perigosos ou prejudiciais, o qual poderá se estender para a fase adulta, gerando doenças e transtornos familiares 30 . Mesmo com a existência da lei proibindo a venda e o consumo de bebida alcoólica para menores de 18 anos, é preocupante a precocidade com que os adolescentes estão ingerindo o álcool. A experimentação do destilado, nessa fase, está associada aos comportamentos de risco e, além de aumentar a chance de envolvimento em acidentes, está fortemente relacionada à morte violenta, queda no desempenho escolar e dificuldades no aprendizado 31,32 .

Outro problema de saúde pública é o tabagismo, cuja experimentação é um fator preponderante para que o adolescente se torne fumante ativo. Realizou-se, no Brasil, um Inquérito sobre Tabagismo em Escolares (Vigescola), constatando-se que a prevalência de experimentação do tabaco entre os adolescentes foi elevada. E isso está associado à busca de identidade e de espaço no mundo adulto, o que ocorre, principalmente, nessa fase da vida 33 .

No Brasil, a prevalência do tabagismo na população em 1997 era de 32,7%, passando em 2011 a ser 14,8%; isso se deve, provavelmente, ao controle do marketing e da comercialização, às atividades educativas nas escolas e à restrição do consumo em locais públicos e de trabalho 34 .

Na análise dos dados do YRBS de 1991 a 2015, nos Estados Unidos, observa-se decréscimo nas prevalências do consumo, tanto de experimentação do tabaco na vida quanto ao uso nos últimos 30 dias; entretanto, os dados encontrados ainda são elevados. Em 2015, a prevalência estimada foi de 32,3% de experimentação na vida e de 10,8% nos últimos 30 dias 35 . Notam-se índices maiores do que do Brasil, onde foi feita uma Pesquisa Especial de Tabagismo, envolvendo estudantes de 15 a 24 anos de idade, mostrando que a experimentação do cigarro entre os adolescentes chegou a 14,8% para ambos os sexos 36 .

A presente investigação salienta que as maiores prevalências de experimentação do tabaco ocorreram nos meninos e esses resultados demonstram o comportamento do adolescente perante o uso do tabaco. E isso aumentou, mundialmente, a partir do século XX, associado à ideia de masculinidade, força e poder, sendo influenciada pelas propagandas que transmitiam imagem de sucesso 37 . Os resultados, em relação ao sexo, corroboram diversos estudos anteriores e apontam que ser do sexo masculino é um fator preponderante para a experimentação do tabaco 20,27,38-41 .

Em análise realizada na Polônia, observou-se que, entre os adolescentes entrevistados, os que eram do sexo masculino tinham mais propensão à experimentação do tabaco em comparação com as mulheres e isso aumentava com o avançar da idade desses indivíduos 42 . Porém, no estudo de Figueiredo et al. 43 e Fernandes et al. 44 , não foram encontradas diferenças significativas quanto à experimentação do tabaco por sexo.

No presente estudo, verificou-se que a prevalência de adolescentes que já experimentaram o tabaco aumentou com o avançar da idade, assim como o observado com a experimentação do álcool. Essa associação significativa entre a experimentação do tabaco com o aumento da idade entre os adolescentes está em concordância com diversos estudos anteriores 41,45-48 e foi verificado também que a supremacia do tabagismo aumenta mundialmente com o avançar da idade entre os adolescentes, principalmente, na faixa de 13 a 15 anos 49 .

A iniciação precoce ao uso de tabaco é um fator prognóstico para o adoecimento e deve ser combatida. Quanto mais cedo se estabelece a dependência ao tabaco, maior o risco de morte prematura e a diferença, em alguns anos, após o início do uso, pode aumentar, em quase o dobro, os riscos de danos à saúde, com grande repercussão em termos de anos de vida perdidos para a sociedade 36,50 .

Na análise nacional dos dados da PeNSE 2012, verificou-se que as chances de experimentação do tabaco cresceram com o aumento da idade e que um em cada cinco adolescentes já havia experimentado tabaco, sendo as chances maiores entre os escolares que trabalham, confirmando que, estar em desvantagens sociais, marcado pelo trabalho infantil, pode oferecer maior chance de experimentar tabaco 51 .

No estudo HBSC, realizado em 43 países, não foram observadas diferenças significativas aos 11 anos entre os sexos; entretanto, nas idades de 13 e 15 anos, essa diferença foi constatada e a prevalência foi maior nos homens ou nas mulheres, de acordo com o país analisado 49 .

Os resultados do modelo final, em relação à raça/cor de pele, corroboram os estudos anteriores e mostram que, ser indígena e ter cor preta e parda, são fatores que aumentam as chances da experimentação do tabaco entre os jovens 40 .

Publicações da literatura sobre o tema corroboram esta afirmação, mostrando que jovens de escolas públicas se relacionam mais facilmente com a experimentação do tabaco 43,52,53 . Estudo de Malta et al. 54 detectou maior risco do uso de tabaco entre os estudantes de escolas públicas, cujo trabalho mostrou, também, que não ter amigos propicia o uso de tabaco.

A OMS considera o tabaco e o consumo de álcool fatores de risco que devem ser combatidos e classificados como de alta prioridade, dado o elevado número de mortes prematuras e incapacidades em todo o mundo 55,56 . O uso do álcool, atualmente, é três vezes mais disseminado que o do tabaco entre os adolescentes, cujos indivíduos estão expostos a diversas situações de riscos para a saúde, tornando-se imprescindível monitorar os fatores de risco e proteção a que os jovens estão submetidos 15 .

O Vigescola também constatou que grande parte dos escolares comprava tabaco livremente 33 . Tais resultados apontam a necessidade de intervenções direcionadas a esse grupo populacional, bem como o empoderamento da população para a desnormatização da venda de cigarros e similares para menores de 18 anos 34 .

Dentre os limites do estudo, citamos as restrições decorrentes do perfil de acesso às escolas dos adolescentes, pois a metodologia não contempla alunos que ingressaram tardiamente na instituição. Além disso, limita-se a estudantes com frequência regular na escola, excluindo, assim, os adolescentes fora do sistema educacional. Por se tratar de estudo transversal, as associações observadas não necessariamente têm relação de causa-efeito, não sendo possível, portanto, identificar os prejuízos do uso dessas substâncias para a população de estudo. No entanto, o aumento do consumo dessas substâncias pode levar a limitações que interferirão na qualidade de vida desses indivíduos 8 .

Conclui-se, assim, que a experimentação do álcool e tabaco entre os adolescentes escolares apresentou-se associada a fatores sociodemográficos. Esses comportamentos na adolescência trazem implicações para o bem-estar e a saúde dos indivíduos ao longo da vida, devido ao maior risco de desenvolverem doenças crônicas não transmissíveis. Sendo a adolescência tão marcada por transformações e exposições a diversas situações de risco à saúde, os resultados deste trabalho mostram a importância da implementação de políticas públicas de saúde e educação, por meio de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, no sentido de se evitar o aumento desses fatores comportamentais que comumente se encontram agregados.

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Recebido: 07 de Janeiro de 2017; Revisado: 26 de Junho de 2017; Aceito: 28 de Junho de 2017

Colaboradores

EAO Freitas participou da concepção do estudo, análise dos dados e redação do artigo. MSAS Martins foi orientadora do estudo, e participou na revisão do artigo. MM Espinosa participou da análise estatística dos dados e revisão do artigo.

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