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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.2 Rio de Janeiro fev. 2020  Epub 03-Fev-2020

https://doi.org/10.1590/1413-81232020252.14692018 

ARTIGO

Utilização de serviços de educação física por adultos e idosos no extremo sul do Brasil: estudo de base populacional

Manoela Maciel Oliz1 
http://orcid.org/0000-0001-7937-9102

Samuel Carvalho Dumith1 
http://orcid.org/0000-0002-5994-735X

Alan Goularte Knuth1 
http://orcid.org/0000-0002-2030-5747

1Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública, Universidade Federal do Rio Grande. R. Visconde de Paranaguá 102, 4º piso, Centro. 96200-190, Rio Grande, RS, Brasil. manoela.oliz@gmail.com


Resumo

Este estudo teve por objetivo descrever a utilização dos serviços de educação física por adultos e idosos e apresentar características de quem não utilizou tais serviços. Além disso, descrever o conhecimento da população sobre a oferta destes serviços nas políticas públicas de saúde. Realizado em Rio Grande/RS com uma amostra de 1300 pessoas entrevistadas por meio de questionário no ano de 2016. Um total de 16,1% (IC95% 13,0:19,3) dos entrevistados utilizou os serviços nos últimos três meses. Destes, 78% o fizeram nos serviços privados, com predomínio nas academias de ginástica (73,2%). Já para os que não utilizaram, a falta de tempo foi o motivo em 31,1%, e para 37,7% a escola foi o último contato com o professor de educação física. Um total de 18,8% da população nunca utilizou serviços de educação física. O conhecimento sobre a educação física nas políticas públicas de saúde foi de 15,4% para Unidades Básicas de Saúde e 13,9% no Hospital Universitário. Há uma baixa utilização dos serviços de educação física na população adulta e idosa, concentrada em espaços privados e mais acessível a grupos de maior renda e escolaridade. Assim há uma ausência de democratização na utilização deste serviço na população adulta e idosa.

Palavras-chave Serviços de saúde; Educação física e Treinamento; Atividade Física; Pesquisa sobre Serviços de Saúde; Promoção da Saúde

Abstract

This study aimed to describe the use of physical education services by adults and elderly and to show characteristics of those who did not use these services, as well as to describe the knowledge of the population on the provision of these services in public health policies. It was conducted in Rio Grande (RS) in 2016 with a sample of 1,300 people interviewed using a questionnaire. A total of 16.1% (CI95% 13.0:19.3) of the respondents had used the services in the last three months. Of these, 78% did so in private services, with a predominance of gyms (73.2%). For those who did not, the lack of time was the reason in 31.1%, and 37.7% reported that school was the last contact with a physical education teacher. A total of 18.8% of the population never used physical education services. Knowledge about physical education in public health policies was 15.4% for basic health facilities (UBS) and 13.9% the University Hospital. A low use of physical education services by adults and elderly has been identified, concentrated in private spaces and more accessible to groups of higher income and schooling. Thus, a lack of democratization has been found in the use of this service by the adult and elderly population.

Key words Health Services; Physical Education and Training; Physical Activity; Research on Health Services; Health Promotion

Introdução

Com as transições epidemiológica, nutricional e demográfica foram necessárias mudanças na estratégia de cuidados em saúde na população brasileira. Desta forma, percebeu-se a importância da participação de diversos profissionais na ampliação do processo saúde-doença. Dentre eles, o profissional de educação física que se articula ao ideário de promoção da saúde e que anteriormente estava associado unicamente às escolas como componente de aprendizagem do currículo1,2.

É comum em epidemiologia, ao buscarmos artigos relacionados ao acesso à saúde, localizarmos a avaliação do alcance populacional a alguns profissionais de saúde como médicos, odontólogos, enfermeiros, especialmente em serviços, ações e programas da atenção básica em saúde3,4. Estes estudos são frequentes no Sistema de Único de Saúde (SUS), de forma a avaliar a cobertura, processo e efetividade dos serviços para com a população. Adota-se aqui o conceito de utilização como o contato direto dos indivíduos com os serviços de saúde, pelo processo resultante do comportamento do indivíduo em procurar primeiramente o serviço e do profissional ou serviço de saúde em atendê-lo e dar sequência quando necessária a essa troca5-7.

Assim, a utilização está relacionada a ter o atendimento clínico no caso de uma consulta médica ou a frequentar uma aula no caso de contato com profissional de educação física. Dada à configuração da presença de profissionais de educação física (oriundos de cursos de licenciatura e/ou bacharelado) em diferentes setores da sociedade, consideraremos a nomenclatura de tal atividade como "serviços de educação física". Este serviço pode se efetivar de distintas maneiras e contextos, desde o setor escolar, as academias e serviços privados ou políticas públicas do setor saúde.

Vários acontecimentos foram importantes para o crescimento da área da saúde que aproxima a educação física do campo da saúde, como em 1997, a denominação pelo Conselho Nacional de Saúde como profissão da saúde. Em 2006, as práticas corporais/atividade física foram inseridas na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), especialmente pela sua relação com as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Ainda que tais relações tenham se dado a partir de um interesse preventivo e econômico, a área aponta crescimento constante nos mais diferentes espaços e políticas, associada à área da epidemiologia, a qual encontramos produção científica no Brasil a partir de 1991, especialmente sob o caráter de epidemiologia da atividade física1,2,8.

Na cidade de Rio Grande, localizada ao extremo sul do Rio Grande do Sul, a inserção do profissional de educação física na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) está sendo ampliada. Este processo se dá por meio dos mais diversos programas e projetos, tais como o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), residências multiprofissionais, projetos envolvendo atividades físicas para portadores de hipertensão e diabetes, entre outras intervenções pontuais. O cenário local de inserção da educação física nas políticas públicas de saúde dialoga com as recentes estratégias que acentuam o tema da atividade física no contexto da promoção da saúde e a ampliação do tema pode ser verificada em publicações ministeriais e de estudos locais pontuais9-11. Somam-se a isso as intervenções profissionais da educação física em outros espaços públicos, como o lazer e a assistência social, além de todo o funcionamento do setor privado que vão desde ginástica laboral em empresas, às academias e clubes de ginástica, esportes, além do treinamento personalizado e outras formas privadas de serviços.

Isto posto, pouco se sabe sobre a utilização pela população dos serviços de EF, já que historicamente este contato se limitou às escolas, em uma faixa-etária bem delimitada. Com a ampliação do conceito de saúde, descentralização dos serviços e também expansão dos cuidados nos setores privados, quais seriam os locais de utilização deste profissional e em que condições este encontro se concretiza?

Portanto, o objetivo deste estudo foi descrever a utilização de serviços de educação física entre adultos e idosos, caracterizando-o a partir de aspectos sociodemográficos. Entre os que não utilizaram o serviço, foram descritos os motivos desta não utilização, o último lugar onde utilizou e onde buscaria tal serviço caso necessitasse. Por último, como um objetivo específico, foi apresentado o conhecimento sobre a educação física nas políticas públicas de saúde.

Métodos

Trata-se de um estudo epidemiológico de delineamento transversal a partir de um consórcio de pesquisa intitulado "Saúde da População Rio Grandina" constituído por estudantes de dois cursos de Pós-Graduação de uma Universidade no sul do Brasil. O objetivo geral dessa pesquisa foi avaliar diversos aspectos da saúde da população adulta e idosa da cidade do Rio Grande.

Rio Grande está situada ao extremo sul do estado do Rio Grande do Sul (RS) e possui aproximadamente 200 mil habitantes. Sua economia se concentra em maior parte na atividade portuária12. Possui dois hospitais: Hospital Universitário Miguel Riet Correa Jr (somente SUS) e Santa Casa de Rio Grande (SUS e privado). A cidade tem uma Universidade Federal, com curso de Licenciatura em Educação Física e dispõe de 32 Unidades Básicas de Saúde (UBS) com uma cobertura da Estratégia da Saúde da Família (ESF) de 45% da população (100% de cobertura na zona rural) além de cinco equipes NASF.

População e amostra

O presente estudo é voltado para a população adulta e idosa da zona urbana de Rio Grande-RS. A amostra foi composta por 1.300 indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos.

Cálculo amostral

O cálculo amostral ocorreu baseando-se nos dados do Censo Demográfico de 2010, que indicava 138.996 pessoas adultas e idosas em Rio Grande12. Para o cálculo deste estudo considerou-se prevalência de 20% de utilização dos serviços de educação física, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de significância de 5%. Ainda, foram adicionados 10% para possíveis perdas e recusas, e realizada uma multiplicação por 1,5 pelo possível efeito de delineamento (clusters). O cálculo final considerando estes aspectos resultou em 1.092 pessoas.

Processo de amostragem

O processo de amostragem ocorreu em duplo estágio. Primeiramente, todos os domicílios da zona urbana do município foram alocados em ordem decrescente, conforme a renda média mensal do chefe da família. Com a seleção aleatória do primeiro domicílio, seguiu-se com seleção sistemática (pulo de 1.080 domicílios), obtendo-se assim 72 setores censitários, resultando em 23.439 domicílios.

Logos após, esses 23.439 domicílios foram organizados também segundo a renda do chefe da família, em seguida foram selecionados sistematicamente 711 domicílios (com um pulo de número 32 entre os domicílios), totalizando os 1.420 indivíduos necessários, visto que segundo o IBGE a estimativa era de dois adultos por domicílio12.

Coleta de dados

Todos os indivíduos dos domicílios (18 anos ou mais) selecionados foram considerados elegíveis e, portanto entrevistados, exceto aqueles que no momento do estudo estavam institucionalizados e aqueles com incapacidade física e/ou mental para responderem ao questionário, segundo seus familiares. A entrevista completa teve durabilidade média de 50 minutos e foi realizada face a face, por meio de entrevistadoras treinadas que visitavam as casas selecionadas.

Instrumento de pesquisa

Para os dados referentes a esta pesquisa (Figura 1), as questões foram elaboradas pelos pesquisadores e o instrumento não é validado. As perguntas foram testadas em um estudo piloto com adultos, residentes da zona urbana de Rio Grande de um setor censitário não incluído na amostra.

Figura 1 Fluxograma das perguntas utilizadas para o questionário de utilização dos serviços de educação física, Rio Grande, 2016. (n = 1.300). 

As perguntas relacionam-se à utilização dos serviços de Educação Física por meio das seguintes questões: Desde <TRÊS MESES ATRÁS> o(a) Sr(a). realizou aula com algum professor de Educação Física? Se a resposta fosse afirmativa, seguia: Em que lugar, no último mês, ocorreu esta aula?, Esta aula foi paga ou de graça?, Qual a frequência semanal desta aula?, Qual o principal motivo que levou o(a) Sr(a). a buscar esta aula de Educação Física?, Há quanto tempo o(a) Sr(a). está frequentando a aula de Educação Física? Dessa forma o estudo avaliou a utilização de serviços de educação física, local de utilização, se foi público ou privado e tempo de utilização.

Entretanto, se na primeira pergunta a resposta fosse negativa, aplicou-se questões sobre a não utilização dos serviços de educação física: O(a) Sr(a). procurou professor de Educação Física nos últimos três meses? Se a resposta desta última pergunta fosse positiva seguia: O(a) Sr(a). lembra qual foi o último lugar onde realizou aula com professor de Educação Física? Esta aula foi paga ou de graça? Se a resposta da procura fosse negativa pulava para a seguinte pergunta: Por qual motivo o(a) Sr(a). não procurou professor de Educação Física? Se o(a) Sr(a). tivesse que procurar um lugar com professor de Educação Física, qual lugar seria? Dessa forma, a não utilização de serviços de educação física foi avaliada pelo questionamento de busca por esse serviço, último lugar de utilização e características desta.

Ainda foram adicionadas duas perguntas que tinham como objetivo identificar se a população tinha conhecimento da existência de professores de educação física na rede pública de saúde, a primeira foi: O(a) Sr(a). já ouviu falar sobre a existência de professor de educação física nos postos de Saúde de Rio Grande? E a segunda: O(a) Sr(a). Já ouviu falar sobre a existência de professor de educação física no hospital da FURG?

As variáveis independentes utilizadas foram sexo (feminino e masculino), idade em grupos de anos (18 a 29; 30 a 39; 40 a 49; 50 a 59; 60 ou mais), escolaridade em anos (0 a 4/5 a 8/9 a 11/12 ou mais) estado civil (casado, solteiro, separado ou viúvo) cor da pele autorreferida (branca e não branca), como indicador de nível socioeconômico, foi usado o índice de bens e nível de atividade física no lazer pelo International Physical Activity Questionnaire – IPAQ13,14 (categorizado como Ativo ou Insuficientemente ativo), considerando ativo quando o adulto/idoso acumulou pelo menos 150 minutos semanais de atividade física no lazer de intensidade moderada ou vigorosa por semana. Para a criação da variável socioeconômica, levou-se em consideração características do domicílio (origem da água utilizada para beber, número de peças usadas para dormir e número de banheiros na casa) e alguns bens domésticos (carro, computador, internet, telefone fixo, micro-ondas, máquina de lavar roupa, máquina de secar roupa e DVD). A partir destes 11 itens, foi realizada uma análise de componentes principais, extraindo-se o primeiro componente, que explicou 30,1% da variabilidade de todos os itens (eigenvalue = 3,31)15.

Análise estatística

Realizou-se o controle de qualidade com repetição parcial do questionário em 10,5% das entrevistas e o valor médio do índice de kappa das perguntas foi de 0,80. Todos os questionários foram codificados, revisados e duplamente tabulados. A digitação foi feita no programa Epi-Data 3.1 e os dados foram posteriormente transferidos para o pacote estatístico Stata 11.2, no qual foi efetuada análise exploratória do banco e transformação e categorização das variáveis.

Para as análises primeiramente foi feita uma descrição de todos os participantes da amostra segundo características sociodemográficas. Em um segundo momento foi descrito dos que utilizaram: os motivos, a frequência da utilização, locais, financiamento (gratuito ou particular) e tempo de utilização. Posteriormente das pessoas que não utilizaram o serviço descreveu-se o motivo, último lugar de utilização do serviço e local onde encontrar o serviço, caso fosse de interesse.

Realizaram-se associações utilizando teste exato de Fisher e regressão de Poisson, respeitando o efeito de delineamento e nível de significância de 5%, entre utilização do serviço de educação física e atividade física de lazer. Esta análise foi controlada para sexo, idade e índice de bens. Por último, foi descrito o conhecimento da população de professores de educação física nas políticas públicas.

Aspectos éticos

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa na Área da Saúde (CEPAS) da FURG, e seguiu os preceitos da Resolução 466/12. Todos os participantes do estudo assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, concordando em participar da pesquisa. Para as pessoas que não sabiam ler e/ou escrever foi realizada a leitura em voz alta e utilizado sua impressão digital no termo de consentimento.

Resultados

Dos 1.429 indivíduos elegíveis para o estudo, 1.300 foram entrevistados (91%). Dentre os 129 não respondentes, houve 99 recusas (77%) e 33 perdas (23%). As perdas e recusas foram mais prevalentes para os indivíduos do sexo masculino (12%, versus 6,5% do sexo feminino, p < 0,001) não havendo diferença conforme a idade. As perdas se deram por não conseguir encontrar as pessoas em suas residências, apesar de inúmeras tentativas, em horários e dias diversos.

Um total de 56,6% dos indivíduos da amostra eram do sexo feminino, 83% se declarou de cor da pele branca e 46,3% são solteiros. Havia 24,2% de indivíduos com 60 anos ou mais, 14,7% estudaram de 0 a 4 anos e 27,4% estudaram 12 anos ou mais (Tabela 1).

Tabela 1 Descrição amostral das variáveis sociodemográficas e comportamentais em adultos e idosos e entre os que utilizaram os serviços de Educação Física. Rio Grande, RS, 2016 (n = 1300). 

Variável Amostra Utilizaram os
Serviços de E.F.
Não Utilizaram
os Serviços de E.F.
Teste Exato de
Fisher
n (%) n (%) n (%) Valor p
Sexo (1.300) 0,054
Feminino 736 (56,6) 131 (17,9) 603 (82,1)
Masculino 564 (43,4) 78 (13,9) 484 (86,1)
Cor da Pele (1.298) 0,012
Branca 1.077 (83,0) 185 (17,2) 888 (82,8)
Não Branca 211 (17,0) 23 (10,4) 198 (89,6)
Estado Civil (1.300) 0,007
Casado 476 (36,6) 69 (14,5) 406 (85,5)
Solteiro 602 (46,3) 116 (19,3) 484 (80,7)
Separado/Viúvo 222 (17,1) 24 (10,9) 197 (89,1)
Escolaridade em anos (1.298) < 0,001
0 a 4 191 (14,7) 6 (3,2) 183 (96,8)
5 a 8 352 (27,1) 20 (5,7) 332 (94,3)
9 a 11 400 (30,8) 63 (15,8) 335 (84,2)
12 ou + 355 (27,4) 120 (33,8) 235 (66,2)
Idade em anos (1.300) < 0,001
18 a 29 283 (21,8) 69 (24,4) 214 (75,6)
30 a 39 225 (17,3) 43 (19,1) 182 (80,9)
40 a 49 240 (18,5) 34 (14,2) 206 (85,8)
50 a 59 237 ( 18,2) 36 (15,2) 201 (84,8)
60 ou mais 315 (24,2) 27 (8,7) 284 (91,3)
Índice de Bens em Quintil (1.299) < 0,001
1º (mais pobre) 260 (20,0) 18 (7,0) 239 (93,0)
260 (20,0) 20 (7,7) 240 (92,3)
261 (20,1) 39 (15,0) 221 (85,0)
266 (20,5) 58 (21,8) 208 (78,2)
5º (mais rico) 252 (19,4) 74 (29,4) 178 (70,6)
Atividade Física no Lazer (1.290) < 0,001
Inativo/Insuficientemente Ativo 1.002 (77,7) 59 (5,9) 943 (94,1)
Ativo 288 (22,3) 148 (51,4) 140 (48,6)
Total 1.300 209 (16,1) 1.087 (83,9)

A utilização dos serviços de educação física nos últimos três meses foi relatada por 16,1% (IC95% 13,0:19,3) dos indivíduos, sem diferença estatisticamente significativa para sexo. Grupos com maior utilização de tais serviços foram: cor da pele branca (17,2%), solteiros (19,3%). A prevalência de utilização nos indivíduos com mais anos de estudo foi de 33,8% e no quintil socioeconômico mais rico foi de 29,4%, bastante superiores à utilização em seus pares com menos anos de estudo e pobres.

De acordo com a Figura 2 observa-se que dos que utilizaram os serviços de educação física, 78% o fez em setor privado, destes, 73,2% em academias de ginástica. Essa utilização aconteceu com maior frequência semanal (4 vezes por semana) em 36,1% da amostra. O principal motivo que levou a procura do serviço foi saúde e qualidade de vida em 47,9% dos casos, emagrecimento (14,4%), definição muscular/força (13,4%), recomendação profissional (7,2%), convívio social (5,3%) e 12% dos indivíduos relataram outros motivos.

Figura 2 Utilização dos serviços de Educação Física em adultos e idosos. Rio Grande, RS, 2016 (n = 1300). 

Dos que não utilizaram o serviço de educação física nos últimos três meses, menos de 5% procuraram o serviço. De acordo com a Figura 3, quando perguntado às pessoas qual lugar elas iriam se tivessem que procurar um serviço de educação física, 40,6% responderam que iriam às academias, além disso, 39,6% não saberiam onde buscar tal serviço. O último lugar onde utilizaram o serviço foi na escola em 37,7% dos casos, ainda assim 18,8% dos entrevistados relataram nunca ter tido contato com aulas de educação física. E os motivos que predominaram como resposta de não procurar o serviço foram falta de tempo (31,1%) e falta de interesse (28%).

Figura 3 Caracterização da amostra da não utilização de serviços de educação física. Rio Grande, 2016 (n = 1300). 

Outros resultados deste estudo não estão apresentados em Tabelas e Figuras e serão aqui descritos. Foi questionado para toda a amostra sobre a existência de professores de educação física na atenção primária (Unidades Básicas de Saúde) e terciária (Hospital Universitário), onde 15,4% (IC95% 12,6:18,2) e 13,9% (IC95%11,5:16,3), respectivamente responderam ter conhecimento sobre tais atividades. Foi também testada a associação entre utilização do serviço de educação física e prática de atividade física no lazer, controlando por sexo, índice de bens e escolaridade. Indivíduos que utilizam serviços de educação física apresentam uma probabilidade 8,73 (IC95% 6,62:11,5) maior de serem ativos no lazer comparados aos pares insuficientemente ativos.

Discussão

A utilização dos serviços de educação física, entre a população adulta e idosa nos últimos três meses, foi referida por apenas 16,1% dos indivíduos entrevistados. Esta utilização tem características sociodemográficas marcantes: predomínio em indivíduos com maior escolaridade e índice de bens. A maior prevalência de contato com os profissionais de educação física foi no setor privado, sendo a academia de ginástica o local mais utilizado em 73,2%. Quase 20% da população estudada nunca frequentou aulas de educação física. Os resultados apontam para uma ausência de democratização na utilização deste serviço, sendo facultado a poucos grupos populacionais e especialmente nos ambientes privados, sendo que a maior prática de atividade física oriunda do contato com profissionais de educação física também é restrita aos indivíduos com melhores condições socioeconômicas16.

Um estudo de natureza similar, ou seja, de base populacional verificou a utilização de aula de Educação Física porém, avaliando restritamente as academias de ginástica, em Pelotas, RS17. Nele foi verificada a prevalência da prática atual e passada de atividade física em academias de ginástica, com prevalências de 7,8% (IC95% 6,2:9,6) e 32,1% (IC95% 29,2:35,1), respectivamente. Entretanto, o estudo citado restringe-se somente ao cenário privado, diferentemente do estudo aqui realizado, onde o recorte temporal também difere, pois esta pesquisa foi de três meses anteriores à entrevista e o estudo anterior avaliou o uso de academias indiferentemente do tempo atual e passado17.

Neste contexto as academias de ginástica são os locais mais estudados, pois a presença da Educação Física nas políticas de saúde pública ainda é recente16. E os principais motivos relatados em Pelotas em um estudo realizado em 2008, para a prática de atividade física nas academias foram emagrecimento (22%), prazer pelo exercício (22%) e necessidade de preparação física (20%). Ademais, o estudo relata que indivíduos do sexo masculino, de cor branca, com idade entre 20 e 29 anos, do nível socioeconômico A/B e não fumantes são os mais frequentes em academias dessa cidade17. Na presente análise, os motivos para utilização dos serviços de educação física foram saúde/qualidade de vida (47,9%), emagrecimento (14,4%), definição muscular/força (13,4%), semelhantes aos motivos relatados pelos frequentadores de academia.

Em relação ao sexo, evidenciaram-se diferenças: houve predomínio de homens nas academias de ginástica de Pelotas distintamente do estudo apresentado, em que não houve diferença significativa para sexo. No presente artigo, 73,2% dos que utilizam serviços de educação física o fazem nas academias de ginástica, por isso, ainda que sejam estudos diferentes, apresentam alguma conexão em função das academias serem uma das principais manifestações dos serviços de educação física atualmente.

Estudos epidemiológicos vêm apontando uma marcante desigualdade no acesso e utilização dos serviços, bem como na qualidade da atenção à saúde no que tange as características socioeconômicas no Brasil18-20. Indivíduos de menor nível econômico tem maior dificuldade de acesso à saúde e maior tempo na fila de espera7,21. Esta desigualdade se apresentou ao estudarmos a utilização de serviços de educação física. A distinção mencionada anteriormente se relaciona ainda mais forte à escolaridade, que é um fator importante no uso dos serviços de saúde, independente da presença ou não de doenças crônicas22. Indivíduos com maior escolaridade frequentam mais estes serviços e detém maior conhecimento, principalmente para consultas preventivas e de rotina19,22.

Dentro desta ótica, o fator socioeconômico é um marco importante para a utilização do serviço de educação física. Nos espaços de academias, afirmada pelo estudo de Pelotas, o nível socioeconômico foi fator decisivo para a utilização daqueles serviços, em favor dos mais ricos17. Atualmente no Brasil, pessoas com maior grau de instrução são três vezes mais ativas no lazer quando comparadas aos seus pares com menor grau de instrução23. Além disso, o nível de atividade física no lazer é mais prevalente em pessoas de maior renda, sendo uma preocupação global diminuir essas desigualdades24-26. Não se trata de uma exclusão pela atividade física e sim de um contexto social em que as práticas de atividade física no lazer estão restritas a certos grupos populacionais e quando as atividades físicas ainda são mais frequentes nos ambientes privados, tais desigualdades se acentuam. As políticas públicas de lazer, esporte, atividade física e saúde recentemente iniciaram uma difusão do tema atividades físicas/práticas corporais e da colocação dos professores/profissionais de educação física, mas a mudança ainda é fraca e a utilização da população em geral a estes serviços parece tímida até o momento8,23,27.

Para indivíduos que não utilizam o serviço de educação física foi questionado onde buscariam o serviço, caso necessitassem. Destaca-se que 39,6% dos indivíduos não souberam descrever nenhum lugar específico. Aparentemente as atividades profissionais da educação física ainda estão muito dispersas e sem comunicação com a população em geral. Além de se concentrarem em ambientes privados, não parece muito clara qual a finalidade, tipo de serviço e inserção destes profissionais. Desde que a educação física ampliou sua atuação para além da escola, há nítidas confusões e conflitos que parecem se refletir na compreensão acerca da profissão entre a população adulta e idosa.

Outro dado relevante são os 18,8% de indivíduos da amostra que relataram nunca ter utilizado o serviço de educação física, isso pode ser justificado porque estas pessoas realmente não tiveram este contato nem mesmo na escola ou as aulas foram irrelevantes a ponto de não haver registro na memória destas pessoas. Sabidamente o debate sobre o papel da educação física escolar no Brasil carece de uma proposta objetiva e posicionamento político claro sobre o desenvolvimento dos conteúdos de educação física escolar25,28. Existem divergências teórico-metodológicas, disputas de poder e de mercado, mas pouco se avança nessa discussão em torno da educação física, a ponto de a área ter se repartido em duas, com formação de bacharelado e licenciatura29.

É fundamental pontuar também que, apesar deste estudo avaliar a utilização do serviço independente de sua origem, há diferenças importantes no perfil do serviço ofertado pelos ambientes privados e públicos. Em teoria os serviços públicos oferecem a educação física a partir de um referencial que a coloca no campo da educação, saúde e lazer, com fins de melhoria de aspectos de vida da população. Já o ambiente privado tem no lucro sua principal origem, ainda que indiretamente também possam se afinar a outros interesses menos mercadológicos10. Os serviços podem ser similares, mas sua existência se baseia em estruturas e objetivos distintos.

Ainda assim, 37,7% relataram o último contato com o professor na escola, dado importante quando de acordo com Mendes et al.30 em um estudo realizado em Pelotas, com pessoas de 20 a 69 anos, onde o mesmo tinha como objetivo investigar as fontes de informação sobre a importância da atividade física em adultos, que revelaram o professor de educação física responsável por ser fonte de informação sobre a prática de atividade física em 22,1% perdendo espaço para a televisão em 27,5%17,30,31.

No presente trabalho também foi avaliado o conhecimento da população referente à existência de professor de educação física nas políticas públicas de saúde, especialmente pela particularidade da cidade em ter algumas iniciativas que vinculam a educação física ao SUS. A cidade de Rio Grande possui inserções de profissionais de educação física, como no Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF), Residências Multiprofissionais (atenção básica e hospitalar) e programa específico de AF na Secretaria Municipal de Saúde para doentes crônicos. Tais iniciativas nascem na perspectiva de reorientação do modelo de saúde da esfera apenas clínica e individual para uma abordagem integral contemplando também atenção, prevenção, promoção e com a atenção para grupos, comunidades e suas realidades. A educação física participa como um dos núcleos profissionais neste cenário do SUS16,32,33. Portanto visando o que já foi descrito, apenas 15,4% e 13,9% da população tem conhecimento da colocação deste serviço na atenção primária e terciária e, respectivamente.

O Setor público é mais um espaço de conquista do profissional da área de educação física que vem atuando em diversos setores como: lazer, esporte, saúde e também no eixo social. Neste eixo político, a prioridade dada pelo Ministério da Saúde à área é considerada inédita no mundo. Por exemplo, a inserção da área na Política Nacional de Promoção à Saúde e o Plano de Enfretamento das Doenças e Agravos Não Transmissíveis é um exemplo das políticas públicas no Brasil para o conhecimento da população sobre atividade física e saúde. No entanto, a simples existência dos documentos não garante sucesso, muitos destes serviços só conseguem lidar com a demanda espontânea16,26,34.

Há diversos programas em que o trabalhador de educação física está inserido, como o programa Academia da Cidade, criado em 2011 pelo MS, com espaços com boa infraestrutura, equipamentos e trabalhadores da área, com o objetivo de contribuir para promover a saúde. A inserção da área também acontece a partir da Estratégia de Saúde da Família, criada em 2008, assim como nas Residências Multiprofissionais, criadas em 2005, com os mais diferentes enfoques: saúde mental, saúde do idoso, cardiometabólicas, ESF, entre outros espalhados por todo o país10.

Há os mais diversos estudos descrevendo a utilização de outros tipos de serviços de saúde, dentre eles o de Tomasi et al.6 que trouxe a relação entre o excesso de peso e o aumento da probabilidade de utilização de consultas médicas nas UBS, nos serviços de urgência e de emergência6. Outro exemplo são estudos que descrevem não somente a utilização do profissional médico, mas sim de outros profissionais (fisioterapeutas) e relatam a prevalência em diferentes locais, possibilitando a comparabilidade: por exemplo, a utilização do serviço de fisioterapia em Pelotas/RS é de 30,2%, e em Guarapuava/PR é de 27,3%35,36. Considerando o cenário de ampliação do SUS e de outras abordagens profissionais que não somente a atenção clínica e centrada em poucas profissões é de se esperar que prosperem novos estudos no âmbito da utilização dos serviços com o intuito de descrever este quadro bem como debater a qualidade destes serviços.

Sobre os resultados encontrados no aumento da probabilidade de atividade física no lazer para as pessoas que utilizaram o serviço de educação física nos últimos três meses, aparentemente esta é uma das proposições das políticas em torno do tema atividade física, difundidas pelo setor saúde. Este é um dos propósitos desde os programas de atividade física estimulados nos municípios pelo Ministério da Saúde até a consolidação da Política de Estado "Academia da Saúde", a qual dialoga com pactos firmados mundialmente na tentativa de diminuir os riscos à saúde atribuídos à inatividade física e colocar este tema no âmbito da saúde pública37,38.

Algumas limitações do estudo devem ser consideradas. Como consequência, pouco pôde ser explorado sobre as características associadas ao uso do serviço, ainda que as variáveis sociodemográficas tenham sido marcantes nesse sentido e que sua natureza descritiva tenha sido sempre sua proposta original. Outro ponto relevante é a limitação do instrumento, já que o mesmo foi criado para este propósito, ainda que não tenhamos localizado instrumento similar na literatura. Sugerimos que novos estudos aprimorem as questões aqui empregadas. De qualquer maneira, é possível que pesquisadores se confrontem com uma possibilidade de erro de recordatório, pois, quando perguntado onde foi o último contato com o professor de educação física, as pessoas tinham dificuldade de lembrar, este erro poderia ser minimizado se tivéssemos acesso ao registro de cada pessoa nas escolas, clubes, academias. Contudo, isso demandaria tempo e custo para a pesquisa, além de serviços com registro de boa qualidade, o que é impensável para o contexto de boa parte das instituições brasileiras até o momento.

Espera-se ainda que estas considerações trazidas pelo presente artigo ajudem na evolução da pesquisa sobre os serviços de saúde, ainda mais precisamente no serviço da educação física, a fim de explorar melhor para quem o serviço está sendo disponibilizado e se o mesmo pode ser mais equitativo. Ainda que o profissional esteja inserido timidamente nos espaços públicos e que estes espaços permitam apenas um atendimento à demanda espontânea, este profissional influencia significativamente na prática de atividade física da população conforme apontado neste estudo. Se esta influência for para o período de lazer e vir acompanhada de elementos culturais, sociais e de lazer, certamente o profissional de educação física terá uma contribuição inequívoca neste cenário das políticas26.

O presente estudo demonstrou de forma descritiva como a população de Rio Grande utiliza os serviços de Educação Física e apontamos para uma desigualdade de utilização, favorecendo sempre os indivíduos de maior escolaridade e renda. Por fim além da necessidade de maiores investimentos na busca de colocar mais profissionais da educação física em contato com a população seria necessário avaliar os locais que se inserem este profissional e como informar a população onde encontrar e como utilizar determinado serviço.

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Recebido: 23 de Outubro de 2017; Aceito: 17 de Julho de 2018; Publicado: 19 de Julho de 2018

Colaboradores

Os autores citados participaram da concepção e revisões que resultaram neste artigo.

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