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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.11 Rio de Janeiro Nov. 2020  Epub Nov 06, 2020

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320202511.31202020 

DESTAQUE

Prevalência da Síndrome Metabólica e seus componentes na população adulta brasileira

Laís Vanessa Assunção Oliveira1 
http://orcid.org/0000-0002-4390-0450

Bruna Nicole Soares dos Santos1 
http://orcid.org/0000-0002-2141-0637

Ísis Eloah Machado2 
http://orcid.org/0000-0002-4678-2074

Deborah Carvalho Malta1 
http://orcid.org/0000-0002-8214-5734

Gustavo Velasquez-Melendez1 
http://orcid.org/0000-0001-8349-5042

Mariana Santos Felisbino-Mendes1 
http://orcid.org/0000-0001-5321-5708

1Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais. Av. Alfredo Balena 190, Santa Efigênia. 30130-100 Belo Horizonte MG Brasil. marianafelisbino@yahoo.com.br

2Escola de Medicina, Universidade Federal de Ouro Preto. Ouro Preto MG Brasil.


Resumo

Estimou-se a prevalência de Síndrome Metabólica (SM) e seus componentes na população brasileira de acordo com fatores sociodemográficos. Estudo transversal, de base populacional, com dados laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde. Estimou-se prevalência da SM e seus componentes com intervalos de 95% de confiança e Razão de Prevalência (RP) não ajustada e ajustada utilizando regressão de Poisson. A prevalência de SM foi de 38,4%. A circunferência da cintura (CC) alta (65,5%) e colesterol HDL baixo (49,4%) foram os componentes mais prevalentes, inclusive nos jovens. A ocorrência de SM foi maior entre mulheres (41,8%), indivíduos com baixa escolaridade (47,5%) e idosos (66,1%). Na análise ajustada, sexo feminino (RP = 1,16; IC95% 1,08-1,24), idade avançada (RP = 3,69; IC95% 3,26-4,17) e baixa escolaridade (RP = 1,32; IC95% 1,17-1,49) associaram-se à ocorrência de SM. A SM foi muito prevalente na população brasileira, principalmente entre mulheres, indivíduos com baixa escolaridade e idosos. A CC alta e o colesterol HDL baixo foram os componentes mais frequentes, com o agravante de prevalências altas em adultos jovens. Esses achados revelam a necessidade de considerar dados laboratoriais para uma análise mais precisa dessa condição, o que em âmbito nacional pode ser um desafio.

Palavras-chave Síndrome metabólica; Circunferência da cintura; Dislipidemias; Fatores de risco; Doença crônica

Abstract

We estimated the prevalence of the Metabolic Syndrome (MetS) and its components in the Brazilian population according to sociodemographic factors. This is a cross-sectional population-based study that used laboratory data from the National Health Survey. We estimated the prevalence of MetS and its components with 95% confidence intervals and the unadjusted and adjusted prevalence ratio (PR) with the Poisson regression. MetS prevalence ratio was 38.4%. High waist circumference (WC) (65.5%) and low HDL cholesterol (49.4%) were the most prevalent components, including in the youngest people. MetS and its components were more frequent among women (41.8%), individuals with low schooling (47.5%), and older adults (66.1%). In the adjusted analysis, females (PR = 1.16; 95% CI 1.08-1.24), older adults (PR = 3.69; 95% CI 3.26-4.17), and low schooling (PR = 1.32; 95% CI 1.17-1.49) were associated with MetS. MetS was prevalent in the Brazilian population, especially among women, individuals with low schooling, and older adults. High WC and low HDL cholesterol were the most prevalent components, with the aggravating high prevalence factor in young adults. These findings reveal the need to consider laboratory data for a more accurate analysis of this condition, which can be challenging at the national level.

Key words Metabolic syndrome; Waist circumference; Dyslipidemias; Risk factors; Chronic disease

Introdução

A Síndrome Metabólica (SM) caracteriza-se por alterações metabólicas complexas e tem sido amplamente estudada no mundo por suas repercussões negativas à saúde dos indivíduos, e também por sua forte associação com as doenças cardiovasculares1 e diabetes tipo 21,2. Esta síndrome envolve a agregação de condições tais como hipertensão arterial, obesidade abdominal, dislipidemias e alteração no metabolismo da glicose3. Em geral, os estudos estimam a prevalência de SM com base no consenso definido pelo Adult Treatment Panel III (ATP III)4, apesar de já existir recomendação para a padronização dos critérios e melhor comparação dos estudos3.

O fenótipo da SM permite identificar facilmente indivíduos em risco para a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis5,6, que no Brasil constituem a maior causa de morbimortalidade da população, sendo responsável por 76% das mortes em 2017 no país7. Além disso, sabe-se que o risco a desfechos negativos relacionado à SM é sinergicamente maior que se estimado seus fatores componentes separadamente6.

No Brasil, foi registrada uma prevalência de SM na população adulta de 29,6%6, podendo alcançar mais de 40% nas faixas etárias maiores que 60 anos8. Uma coorte brasileira também mostrou prevalência de 44% de SM9. A mais baixa prevalência (9%) foi estimada em inquérito com representatividade nacional, muito aquém do observado na maioria das publicações10. Nesses estudos, alguns dos componentes foram autorreferidos, podendo levar a uma subestimação da prevalência da SM e de seus componentes individuais10,11. As medidas da pressão arterial, circunferência da cintura (CC) e três outros fatores (triglicérides, colesterol HDL e glicemia de jejum) requerem medições diretas para a obtenção de estimativas mais precisas e confíáveis. Estudos com medidas diretas foram realizados apenas em populações restritas e com pequenas amostras, com ou sem amostragem aleatória8,12.

Outro aspecto relevante encontrado foi que subgrupos populacionais mais vulneráveis do ponto de vista sociodemográfico e com inadequados estilos de vida apresentaram maior ocorrência da SM10,11,13.

A obteção de estimativas mais confiáveis da prevalência da SM na população adulta brasileira depende da utilização de dados bioquímicos e antropométricos com representatividade nacional. Contudo, são poucos os estudos populacionais que utilizam esses tipos de dados. Além da escassez de estudos, observa-se a utilização de diferentes critérios para a definição da SM encontrada na literatura científica, o que dificulta a comparabilidade entre diferentes populações. Outro aspecto que deve ser considerado nesse contexo é a alta carga global estimada de DCNT no país14, sendo necessário o dimensionamento da magnitude da SM e sua distribuição segundo fatores sociodemográficos, como sexo, idade, escolaridade e situação do domicílio para avaliar possíveis desigualdades da ocorrência desse agravo. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi estimar a prevalência de Síndrome Metabólica na população brasileira de acordo com fatores sociodemográficos, utilizando um consenso padronizado por diversos comitês e aceito internacionalmente3.

Métodos

Desenho e população do estudo

Trata-se de estudo transversal analítico que utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013, incluindo os referentes aos exames laboratoriais coletados entre 2014 e 2015.

A Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2013, foi um inquérito de base domiciliar de âmbito nacional desenvolvido em uma parceria entre o Ministério da Saúde (MS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A amostra da PNS foi selecionada por conglomerados em três estágios por amostragem aleatória simples: setores censitários, número fixo de domicílios particulares e para cada domicílio foi selecionado um morador de 18 anos ou mais de idade, com equiprobabilidade de seleção entre os indivíduos residentes no mesmo domicílio, para responder ao questionário individual15,16. O total de domicílios visitados foi de 81.167, sendo que destes, 69.994 tinham moradores16. Foram realizadas 64.348 entrevistas domiciliares e 60.202 individuais com o morador selecionado no domicílio16,17.

Foi planejada uma subamostra de 25% dos setores censitários pesquisados para a coleta de material biológico dos moradores selecionados no terceiro estágio da PNS, a qual foi constituída de 8.952 pessoas. Para a obtenção de estimativas populacionais essa amostra inclui pesos de pós-estratificação segundo sexo, idade, escolaridade e região, visando estabelecer representatividade da população adulta brasileira17.

Coleta de dados

Em 2013 os adultos selecionados foram informados sobre a realização da coleta de sangue e urina e aferições a serem realizadas. Na primeira fase, procederam-se as aferições de peso, altura, pressão arterial, CC de todos os indivíduos selecionados para entrevista individual. Em 2014 e 2015 foi realizada nova visita nos domicílios dos participantes selecionados para coleta de material biológico. A coleta de material biológico foi realizada por funcionários de laboratórios parceiros do Ministério da Saúde, credenciados no contexto do Proadi-SUS (Programa deApoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde)17.

Variáveis de estudo

A prevalência de Síndrome metabólica foi estimada pela presença simultânea de pelo menos três dos cinco fatores definidos com base em critérios de comitê internacional3. Foram considerados alterados colesterol HDL < 50mg/dl feminino / < 40mg/dl masculino; pressão arterial ≥ 130/85 mmHg, CC ≥ 80cm feminino/ ≥ 90cm masculino3. Neste estudo, utilizamos, em substituição à glicemia jejum, os valores de hemoglobina glicada ≥ 5,6 mmol/L18 e colesterol total ≥ 200mg/dl, em substituição ao triglicérides4, uma vez que não foi exigido jejum para a realização da coleta laboratorial da PNS, condição necessária para a dosagem sérica de glicemia de jejum e triglicérides. Além do diagnóstico da SM, esses componentes foram analisados individualmente, e também a sua ocorrência simultânea.

Pressão arterial

Para a realização da medida da pressão arterial, foi utilizada a braçadeira mais adequada de acordo com a circunferência do braço esquerdo do indivíduo, pela medida do ponto médio entre os ossos acrômio e olecrano19. A pressão arterial foi aferida usando aparelho digital calibrado rotineiramente da marca G-TECH modelo MA 100.

Para proceder a aferição foi necessário que os indivíduos estivessem em repouso, não tivessem fumado ou ingerido qualquer bebida, exceto água, nos 30 minutos anteriores à medição e não tivessem realizado qualquer atividade física durante o período de uma hora antes da medição. Além disso, solicitou-se que esvaziassem a bexiga antes da aferição. As medidas de PA foram feitas com os indivíduos na posição sentada, depois de terem descansado durante pelo menos cinco minutos. Os indivíduos foram instruídos a permanecerem relaxados e apoiados contra o encosto da cadeira, não cruzarem as pernas e deixarem o seu braço esquerdo livre de roupas e apoiado na altura do seu peito ou coração. Foram realizadas três aferições da PA com intervalos de dois minutos entre elas19.

Circunferência da cintura

A CC foi aferida no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca com uma fita métrica, sem roupas, na região da cintura. O entrevistado permaneceu com braços flexionados e cruzados à frente do tórax, pés afastados e abdômen relaxado. Para a aferição, solicitou-se que o entrevistado inspirasse e soltasse completamente o ar dos pulmões, permanecendo assim até que fosse realizada a leitura da medida19.

Coleta de sangue

A técnica para coleta do sangue foi realizada de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica Medicina Laboratorial para a coleta de sangue venoso, a técnica da coleta encontra-se no site da pesquisa, na página de coleta de material biológico20.

Foram realizadas coletas de sangue periférico a qualquer hora do dia, não sendo necessário jejum17. A hemoglobina glicada foi determinada por meio de cromatografia líquida de alta performance (HPLC) de amostra coletada em tubo contendo ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA). As amostras para análises de colesterol total e frações foram coletadas em tubos sorogel, aguardando-se 30 minutos para a retração do coágulo e posterior centrifugação. A avaliação foi realizada por método enzimático colorimétrico automatizado.

Análise de dados

Foram estimadas prevalências da Síndrome Metabólica e de seus componentes de acordo com as características sociodemográficas e calculados os intervalos de 95% de confiança. As variáveis sociodemográficas utilizadas foram sexo (masculino e feminino), idade (18-39, 40-59 e 60 ou mais), escolaridade em anos de estudo (12 ou mais, 9-11 e 0-8), cor da pele/raça (branca, amarelo/indígena e preto/pardo) e local de moradia (urbano e rural).

Estimou-se a Razão de Prevalência de SM não ajustada e ajustada pelas variáveis sociodemográficas utilizando a regressão de Poisson21. Todas as análises foram realizadas utilizando o programa estatístico Stata 14.0, módulo Survey, considerando o peso amostral para estimativas populacionais.

Aspectos éticos

A PNS foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Conselho Nacional de Saúde, Ministério da Saúde16. A participação do adulto na pesquisa foi voluntária e a confidencialidade das informações garantida. Os indivíduos selecionados para a pesquisa forneceram o consentimento informado para todos os procedimentos da pesquisa, incluindo a entrevista e a coleta de sangue e urina17.

Resultados

A idade média da população estudada foi de 45,6 anos (IC95% 45,1-46,0), sendo 52,9% (IC95% 51,5-54,3) do sexo feminino, 49,3% (IC95% 47,9-50,7) relataram 0-8 anos de estudo, seguido de 33,8% (IC95% 32,5-35,2) com 9-11 anos de estudo; enquanto que 21,0% (IC95% 19,9-22,1) viviam em zona rural.

A Tabela 1 mostra a prevalência dos componentes individualmente, do número de fatores simultâneos e da SM de acordo com o sexo. A prevalência de SM na população brasileira foi de 38,4% (IC95% 37,0-39,8). Observou-se que mais de 70% das mulheres apresentaram CC alta (74,1%; IC95%72,4-75,7) e mais da metade tinha colesterol HDL baixo (55,2%; IC95% 53,4-57,1), sendo essas prevalências superiores àquelas encontradas para os homens, 56,0%; IC95% 53,8-58,2 com CC elevada e 42,9%; IC95% 40,7-45,1 com colesterol HDL baixo. As mulheres também apresentaram prevalência mais alta de hipercolesterolemia e hemoglobina glicada ≥ 5,6 mmol/L. Não foi observada diferença na prevalência de pressão arterial ≥ 130/85 mmHg segundo o sexo. As mulheres tiveram maior prevalência (RP = 1,20 IC95% 1,12-1,30) de SM comparado aos homens (Figura 1). Mesmo após asjustes por sexo, idade, escolaridade, cor da pele/raça, zona de moradia, as mulheres tiveram maior prevalência de SM (RP = 1,16 IC95% 1,08-1,24) comparado aos homens (Figura 1).

Tabela 1 Prevalência dos componentes individuais, número de fatores simultâneos e diagnóstico de síndrome metabólica na população adulta brasileira de acordo com o sexo, PNS 2013 e PNS Laboratório 2014-2015. 

Componentes da SM Total Sexo Valor-pb
Feminino Masculino
n %a (IC95%) %a (IC95%) %a (IC95%)
Pressão Arterial ≥ 130/85 mmHg 8.858 32,3 (31,0-33,6) 31,2 (29,6-32,9) 33,6 (31,6-35,6) 0,076
Circunferência da Cintura ≥ 80cm
feminino/ ≥ 90cm masculino
8.854 65,5 (64,1-66,9) 74,1 (72,4-75,7) 56,0 (53,8-58,2) < 0,0001
Colesterol HDL < 50mg/dl
feminino / < 40mg/dl masculino
8.512 49,4 (48,0-50,8) 55,2 (53,4-57,1) 42,9 (40,7-45,1) < 0,0001
Colesterol total ≥ 200mg/dl 8.526 32,8 (31,5-34,1) 35,1 (33,4-36,9) 30,1 (28,1-32,1) 0,0002
Hemoglobina Glicada (≥
5,6mmol/L)
8.552 30,0 (28,7-31,3) 31,5 (29,8-33,2) 28,3 (26,4-30,3) 0,017
Número de fatores simultâneos 8.199 < 0,0001
0 12,1 (11,1-13,2) 7,6 (6,6-8,7) 17,2 (15,4-19,1)
1 22,3 (21,1-23,6) 21,3 (19,7-22,9) 23,5 (21,6-25,5)
2 27,2 (25,9-28,5) 29,4 (27,7-31,1) 24,8 (22,9-26,7)
3 22,2 (21,1-23,4) 22,9 (21,4-24,5) 21,5 (19,7-23,4)
4 13,0 (12,1-13,9) 14,5 (13,2-15,8) 11,3 (10,0-12,7)
5 3,2 (2,8-3,7) 4,4 (3,8-5,2) 1,8 (1,4-2,5)
Síndrome Metabólica 8.199 38,4 (37,0-39,8) 41,8 (40,0-43,6) 34,6 (32,5-36,7) < 0,0001

aEstimativa populacional;

bTeste qui-quadrado de Pearson; IC95%: Intervalo de 95% de confiança; HDL: High Density Lipoprotein.

Figura 1 Razão de Prevalência (RP) não ajustada (preto) e ajustada (cinza) para Síndrome Metabólica de acordo com sexo (A), e escolaridade (B), idade (C), raça/cor (D) e local de moradia (E), PNS 2013 e PNS Laboratório 2014-2015.  

Ao analisar a prevalência da SM segundo a idade, observou-se que quanto maior esta, maior foi a prevalência de SM: 18-39 anos (16,7%; IC95% 15,0-18,6), 40-59 anos (45,7%; IC95% 43,5-48,0), 60 anos ou mais (66,1%; IC95% 63,5-68,6) (Tabela 2). A RP entre os indivíduos de 40 a 59 anos e com 60 anos ou mais anos foi de 2,73 (IC95% 2,42-3,08) e 3,95 (IC95% 3,52-4,44) em relação aos indivíduos mais jovens (18-39 anos), respectivamente. Após ajustes, essa relação permaneceu com pequena atenuação (Figura 1).

Tabela 2 Prevalência dos componentes individuais, número de fatores simultâneos e diagnóstico de síndrome metabólica na população adulta brasileira de acordo com a faixa etária, PNS 2013 e PNS Laboratório 2014-2015. 

Componentes da Síndrome
Metabólica
Idade (em anos) Valor-pb
18-39 40-59 60-110
%a (IC95%) %a (IC95%) %a (IC95%)
Pressão Arterial ≥ 130/85 mmHg 11,7 (10,2-13,4) 38,7 (36,6-41,0) 60,6 (58,0-63,1) < 0,0001
Circunferência da Cintura ≥ 80cm
feminino/ ≥ 90cm masculino)
50,4 (48,0-52,8) 73,7 (71,7-75,6) 80,4 (78,2-82,4) < 0,0001
Colesterol HDL < 50mg/dl
feminino / < 40mg/dl masculino
47,0 (44,6-49,5) 50,3 (48,1-52,6) 52,3 (49,6-55,0) 0,011
Colesterol total ≥ 200mg/dl 21,5 (19,7-23,5) 39,7 (37,5-41,9) 42,7 (40,1-45,4) < 0,0001
Hemoglobina Glicada ≥ 5,6mmol/L 13,5 (11,9-15,2) 33,0 (30,9-35,1) 56,4 (53,8-59,1) < 0,0001
Número de fatores simultâneos < 0,0001
0 21,7 (19,6-23,9) 7,4 (6,3-8,8) 2,3 (1,7-3,2)
1 33,0 (30,7-35,4) 17,4 (15,8-19,2) 10,6 (9,0-12,4)
2 28,6 (26,4-30,8) 29,4 (27,4-31,5) 21,0 (18,9-23,3)
3 12,9 (11,3-14,7) 27,1 (25,2-29,2) 31,4 (28,9-34,0)
4 3,4 (2,7-4,4) 15,1 (13,5-16,8) 27,1 (24,7-29,5)
5 0,4 (0,2-1,0) 3,5 (2,8-4,4) 7,7 (6,4-9,2)
Síndrome Metabólica 16,7 (15,0-18,6) 45,7 (43,5-48,0) 66,1 (63,5-68,6) < 0,0001

aEstimativa populacional;

bTeste qui-quadrado de Pearson; IC95%: Intervalo de 95% de confiança; HDL: High Density Lipoprotein.

Observou-se que quanto menor a escolaridade, maiores as prevalências dos componentes da SM. A prevalência de valores pressóricos ≥ 130/85mmHg foi quase duas vezes em indivíduos com 0-8 anos de estudo (41,9%; IC95% 40,1-43,7), em relação aos com 9-11 anos (23,7%; IC95% 21,7-25,9) e 12 ou mais (21,4%; IC95% 18,6-24,4). O grupo de menor escolaridade apresentou maior prevalência de SM 47,5% (IC95% 45,6-49,4), seguido de 9-11 anos (30,6%; IC95% 28,3-33,1) e 12 ou mais (27,4%; IC95% 24,3-30,7) (Tabela 3). As pessoas com menor escolaridade (0-8 anos de estudo) apresentaram quase o dobro de prevalência de SM em relação àqueles com maior escolaridade (12 anos ou mais de estudo) (RP = 1,73; IC95% 1,53-1,96). No modelo totalmente ajustado, essa relação permaneceu na ordem de 30% de maior ocorrência (RP = 1,32; IC95% 1,17-1,49) (Figura 1).

Tabela 3 Prevalência dos componentes individuais, número de fatores simultâneos e diagnóstico de síndrome metabólica na população adulta brasileira de acordo com a escolaridade, PNS 2013 e PNS Laboratório 2014-2015. 

Componentes da Síndrome Metabólica Escolaridade (em anos) Valor-pb
12 ou mais 9-11 0-8
%a (IC95%) %a (IC95%) %a (IC95%)
Pressão Arterial ≥ 130/85 mmHg 21,4 (18,6-24,4) 23,7 (21,7-25,9) 41,9 (40,1-43,7) < 0,0001
Circunferência da Cintura ≥ 80cm
feminino/ ≥ 90cm masculino)
64,3 (60,6-67,8) 63,0 (60,4-65,5) 67,2 (65,8-69,4) 0,0122
Colesterol HDL < 50mg/dl feminino / <
40mg/dl masculino
42,2 (38,6-45,8) 48,2 (45,6-50,9) 52,7 (50,9-54,6) < 0,0001
Colesterol total ≥ 200mg/dl 29,3 (26,1-32,6) 30,3 (28,0-32,7) 35,7 (33,9-37,4) 0,0002
Hemoglobina Glicada ≥ 5,6mmol/L 21,0 (18,3-24,1) 23,8 (21,7-26,1) 37,3 (35,5-39,1) < 0,0001
Número de fatores simultâneos < 0,0001
0 16,2 (13,3-19,5) 14,0 (12,1-16,2) 9,4 (8,3-10,7)
1 26,9 (23,6-30,5) 26,2 (23,9-28,6) 18,1 (16,6-19,6)
2 29,5 (26,3-33,0) 29,2 (26,9-31,6) 25,0 (23,4-26,7)
3 18,1 (15,4-21,0) 19,5 (17,5-21,6) 25,6 (24,0-27,3)
4 8,1 (6,4-10,0) 9,2 (7,8-10,8) 17,3 (15,9-18,7)
5 1,3 (0,7-2,2) 2,0 (1,4-2,7) 4,8 (4,0-5,5)
Síndrome Metabólica 27,4 (24,3-30,7) 30,6 (28,3-33,1) 47,5 (45,6-49,4) <0,0001

aEstimativa populacional;

bTeste qui-quadrado de Pearson; IC95%: Intervalo de 95% de confiança; HDL: High Density Lipoprotein

Quanto a cor de pele/raça não houve diferença significativa da prevalência de SM entre as categorias branca 39,7% (IC95% 37,5-41,9), preta/parda 37,3% (IC95% 35,5-39,0), amarela/indígena 31,2% (IC95% 20,8-43,8) (p = 0,6515) (Tabela 4). O mesmo foi observado para o local de moradia, sendo que a prevalência de SM foi 38,5% (IC95% 37,0-40,1) na área urbana e 37,7% (IC95% 34,9-40,7) na rural (dados não mostrados, disponíveis sob consulta).

Tabela 4 Prevalência dos componentes individuais, número de fatores simultâneos e diagnóstico de síndrome metabólica na população adulta brasileira de acordo com raça/cor, PNS 2013 e PNS Laboratório 2014-2015. 

Componentes da Síndrome
Metabólica
Raça/Cor Valor-pb
Branca Amarelo/Indígena Preto/Pardo
%a (IC95%) %a (IC95%) %a (IC95%)
Pressão Arterial ≥ 130/85 mmHg 34,4 (32,3-36,4) 27,8 (16,9-42,1) 30,5 (28,9-32,2) 0,0123
Circunferência da Cintura ≥ 80cm
feminino/ ≥ 90cm masculino
69,8 (67,7-71,8) 50,0 (37,2-62,9) 61,8 (60,0-63,6) < 0,0001
Colesterol HDL < 50mg/dl
feminino / < 40mg/dl masculino
48,2 (46,0-50,4) 39,2 (28,0-51,6) 50,7 (48,9-52,6) 0,0591
Colesterol total ≥ 200mg/dl 33,9 (31,9-36,0) 23,3 (14,8-34,6) 31,8 (30,2-33,5) 0,0780
Hemoglobina Glicada ≥ 5,6mmol/L 29,3 (27,4-31,3) 35,5 (23,9-49,1) 30,5 (28,9-32,2) 0,4237
Número de fatores simultâneos 0,1674
0 11,3 (9,8-13) 18,8 (9,0-35,2) 12,8 (11,5-14,3)
1 21,6 (19,8-23,6) 24,1 (15,9-34,8) 23,0 (21,4-24,6)
2 27,4 (25,5-29,5) 25,9 (15,6-39,7) 27,0 (25,4-28,7)
3 22,3 (20,5-24,2) 24,8 (15,3-37,6) 22,1 (20,7-24,7)
4 14,1 (12,7-15,6) 6,1 (3,3-11,2) 12,0 (10,9-13,2)
5 3,3 (2,7-4,1) 0,2 (0,0005-1,2) 3,1 (2,6-3,7)
Síndrome Metabólica 39,7 (37,5-41,9) 31,2 (20,8-43,8) 37,3 (35,5-39,0) 0,1138

aEstimativa populacional;

bTeste qui-quadrado de Pearson; IC95%: Intervalo de 95% de confiança; HDL: High Density Lipoprotein

Discussão

No presente estudo foi estimado que de cada três brasileiros, um apresenta SM, sendo essa proporção ainda maior entre as mulheres, os indivíduos com menor escolaridade e também aqueles com idade mais avançada, mesmo após ajustes por todas as variáveis sociodemográficas estudadas. Destaca-se ainda que o fator mais prevalente foi a CC alta – marcador importante de obesidade abdominal e de deterioração metabólica22,23, comumente utilizado em estudos populacionais1,11,12, seguido do colesterol HDL baixo, um importante preditor de risco cardiovascular4.

A prevalência de SM neste estudo foi maior do que as encontradas em populações de outros países da América Latina, como Colômbia, Venezuela, Peru e México5, e da região Ásia-Pacífico24 , bem como foi superior à encontrada em estudos locais com populações específicas em nível nacional, segundo estudo com adultos do Sul do Brasil (24,3%)25, com população quilombola (25,8%)26 e rural (14,9%)13. Nossos achados também mostram uma magnitude superior a estudos prévios com amostras representativas da população brasileira10,11. Entretanto, a nossa estimativa de SM foi próxima da encontrada pelo estudo ELSA (44%)9 e pelo consenso de harmonização dos componentes da SM (35% e 40%)9.

As diferenças encontradas poderiam ser justificadas pelos diferentes métodos utilizados para definir a SM27, mas principalmente pela utilização de dados aferidos e autorreferidos para estimar os fatores componentes da SM. Sabe-se que os dados autoreferidos estão sujeitos a subestimação das prevalências dos fatores bioquímicos componentes da SM e consequentemente desta. Assim, tal fato poderia explicar a proximidade dos nossos achados com aqueles do estudo ELSA, que também utilizou dados bioquímicos para avaliar o fenótipo.

Um aspecto relevante a se destacar neste estudo foi a coleta de material biológico com representatividade nacional. Consideramos um avanço significativo para a avaliação da saúde em nível nacional, pois muitos distúrbios metabólicos têm prolongada fase subclínica, enquanto que atrasos no diagnóstico podem ser inoportunos na prevenção de eventos mais graves. Por exemplo, destaca-se que as dislipidemias que compõem a SM se relacionam a um maior risco de doenças cardiovasculares (DCV), incluindo acidente vascular encefálico28,29. Estudos com dados laboratoriais permitem estimar a prevalência de agravos à saúde em estágios subclínicos e em populações com menor acesso ao serviço de saúde e, portanto, ainda sem diagnóstico e tratamento. A exemplo, estudos recentes com dados laboratoriais da PNS já demonstaram alta prevalência de insuficiência renal crônica30 e de diabetes15, em comparação ao uso de medidas autorreferidas.

Os componentes mais prevalentes da SM foram a CC alta seguida do colesterol HDL baixo, em ambos os sexos, porém com maiores prevalências entre as mulheres e em qualquer grupo etário. Medidas altas da CC estão associadas a maior risco para doenças cardiovasculares e preditores confiáveis de excesso de gordura visceral, como obesidade geral22. Níveis normais de colesterol HDL podem promover transporte eficiente do excesso de colesterol circulante de forma que seus baixos níveis aumentam o risco cardiovascular31. A prática de atividade física é uma das principais formas de aumentar os níveis plasmáticos de HDL32. Nas mulheres a proporção de CC alta e HDL baixo poderia ser explicado pela redução dos níveis de estrogênio com o avançar da idade, o que influencia o aparecimento das dislipidemias pela redução dos receptores hepáticos, e uma maior deposição de gordura abdominal, com consequentemente aumento do risco cardiovascular33. Uma outra possível explicação para o HDL baixo seria as mulheres serem menos ativas fisicamente que os homens34.

Nosso estudo também encontrou maior ocorrência da SM nas faixas etárias mais avançadas, um resultado esperado, visto que o envelhecimento é um importante fator de deterioração metabólica, com acúmulo de fatores de risco2,6,10. Ressalta-se que neste estudo foi possível observar no grupo mais jovem (18-39 anos) prevalência alta de dois componentes da SM, a CC alta e níveis de HDL baixos. Esse cenário prevê que gerações futuras possam atingir prevalência alta de SM mais precocemente. A promoção de um estilo de vida mais saudável, com dieta rica em frutas, verduras e legumes e prática de atividade física regular em jovens, poderia impactar na redução da prevalência de SM, por retardar o acúmulo dos fatores de risco32,35. Esse achado sinaliza que políticas públicas de prevenção das doenças cardiovasculares e diabetes, quando ainda não se têm agravos estabelecidos, e também entre as mulheres, têm potencial de alcançar melhores resultados no enfrentamento das doenças cardiovasculares e diabetes.

Outro aspecto relevante neste estudo foi a maior prevalência de SM entre as mulheres, corroborando achados de outras pesquisas24,25. Em quatro dos cinco componentes, as mulheres apresentaram prevalências mais altas, excetuando-se a pressão arterial, considerada globalmente como uma condição mais prevalente entre os homens36. A pressão arterial alta se torna mais frequente após a menopausa, o que pode ser parcialmente atribuído ao efeito hormonal protetor que o estrogênio confere durante a fase reprodutiva36.

Além das alterações biológicas que se associam ao maior risco para doenças crônicas não transmissíveis, foi possível observar a partir de resultados de estudos recentes uma mudança nos comportamentos de saúde entre as mulheres. A incoporação de estilo de vida menos saudável, como maior sedentarismo37 e consumo alimentar não saudável38, são comportamentos cada vez mais frequentes e que estão associados a altas prevalências de obesidade entre as mulheres39. Além disso, os papéis sociais do gênero feminino, que acumula as responsabilidades domésticas, e o aumento da jornada de trabalho podem ter uma forte influência no risco de adoecer40, principalmente em relação às doenças crônicas não transmissíveis, o que pode estar relacionado ao fato das mulheres ultrapassarem a ocorrência de SM já elevada entre os homens41.

Neste estudo observamos diferenças de prevalência de SM em relação à escolaridade, em que indivíduos com baixa escolaridade apresentaram piores condições metabólicas o que poderia reforçar a explicação de que as populações vulneráveis têm menos acesso a informações de qualidade e condições de manter hábitos de vida mais saudáveis como uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes, e restrita em alimentos ultraprocessados, bem como a adequada prática de exercícios42. As populações mais vulneráveis socialmente têm apresentado em maior frequência condições crônicas43, tais como diabetes e hipertensão, e também seus fatores de risco44, principalmente em mulheres43, assim como os componentes da SM incluídos no presente estudo e a própria síndrome metabólica42,45, corroborando nossos achados.

Além disso, o ambiente socialmente vulnerável tem sido demonstrado como um importante determinante desses hábitos e condições46. Esses achados reforçam a importância de considerar essas desigualdades ao promover o cuidado em saúde por meio de políticas públicas, uma vez que os comportamentos não saudáveis exercem influência principalmente sobre o perfil lipídico e a glicemia dos indivíduos47.

Nossos achados podem contribuir para a consolidação das políticas públicas de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis e seus fatores de risco no contexto da prestação de serviços públicos de saúde, o que implica no atendimento da vulnerabilidade social e fortalecimento do SUS e seus mais caros princípios. Também demonstra a importância da PNS no monitoramento e na vigilância das doenças e agravos crônicos não transmissíveis, bem como nos seus fatores de risco.

Limitações

Uma potencial limitação deste estudo se refere ao uso de pontos de corte para a CC alta que podem não ser adequados para populações da América Latina48, mesmo com a sua recomendação para comparabilidade internacional3. Em uma análise de sensibilidade, ao comparar a prevalência de CC elevada e de SM utilizando os pontos de corte propostos pela NCEP4 com os pontos de corte do consenso, utilizados nesse estudo, observamos, com o uso do consenso, um aumento de 21,8 % na prevalência de obesidade abdominal entre as mulheres e de 33,4% entre os homens, com aumento total de 27,3%, levando ao aumento de cerca de 5% da prevalência final da SM. Ou seja, a utilização do consenso aumenta consideravelmente a prevalência de CC alta, mas não impacta tanto na prevalência de SM.

Além disso, neste estudo, dois componentes da SM foram usados em substituição à ausência de dosagem de glicose e triglicérides, a hemoglobina glicada e o colesterol, respectivamente. Em relação à opção pelo colesterol total, uma análise de sensibilidade, aferindo à SM, sem esse fator, mostrou uma prevalência pouco menor à encontrada, de 32,4% (IC95% 31,2-33,7), enquanto que outra, utilizando o colesterol LDL como substituto do triglicérides, mostrou prevalência de SM de 38,0% (IC95% 36,7-39,4), muito semelhante ao encontrado. Assim, não houve diferenças significativas em ter usado um ou outro colesterol. Além disso, estudos mostram que a mudança de hábitos de vida resultariam em melhorias das 3 frações (colesterol total, colesterol LDL e triglicérides)35. De outro lado, a utilização da hemoglobina glicada tem a vantagem de estimar a média da concentração de glicose no sangue nos últimos 60 a 90 dias, diferentemente da glicemia de jejum ou do teste de tolerância à glicose, que medem em momentos específicos15,49. A vantagem constitui na simplicidade da coleta e na precisão do diagnóstico. Tanto a Organização Mundial da Saúde, como a American Diabetes Association (ADA), utilizam esta medida para diagnóstico e monitoramento do DM15,49. Além disso, a opção de coleta sem precisar de jejum evita perdas e facilita a coleta em qualquer dia e horário17,19.

Conclusão

A SM neste estudo foi uma condição muito prevalente na população brasileira, sendo a CC alta e o colesterol HDL baixo os fatores componentes com maior prevalência, com o agravante de proprções altas em adultos jovens. As mulheres, os indivíduos com baixa escolaridade e os mais velhos apresentaram prevalências ainda maiores de SM. Esses achados revelam a necessidade de se considerar dados laboratoriais para se obter resultados mais confiáveis da ocorrência dessa condição, o que em âmbito nacional pode ser um desafio. Consolidar e fortalecer políticas públicas que promovem estilos de vida saudáveis e que atuam no combate aos fatores de risco é fundamental para enfrentar esse desafio. Destaca-se ainda que este é o primeiro estudo nacional a utilizar dados laboratoriais representativos da população brasileira para estimar a prevalência de SM como base para apoio a programas de prevenção e promoção a saúde.

Agradecimentos

BNSS agradece a bolsa de iniciação científica PIBIC/CNPq/UFMG. GVM agradece à Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG).

Ao financiamento pelo Ministério da Saúde (Laboratório da Pesquisa Nacional de Saúde).

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Recebido: 15 de Agosto de 2020; Aceito: 17 de Agosto de 2020; Publicado: 19 de Agosto de 2020

Colaboradores

LVA Oliveira apoiou a concepção do estudo, conduziu a análise e interpretação dos dados, liderou a escrita da primeira versão, participou das revisões críticas e preparação da versão final. BNS Santos participou da análise e interpretação dos dados, da escrita da primeira versão e das revisões críticas do artigo. IE Machado, DC Malta e G Velasquez-Melendez apoiaram a concepção do estudo, delineamento, interpretação dos dados e revisão crítica do artigo. MS Felisbino-Mendes realizou a concepção do estudo, delineamento, supervisionou a análise e interpretação dos dados e escrita da primeira versão, e contribuiu na edição e preparação da versão final. Todos os autores aprovaram a versão final do manuscrito.

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