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Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.12 Rio de Janeiro dez. 2020  Epub 04-Dez-2020

https://doi.org/10.1590/1413-812320202512.04692020 

ARTIGO

O campo narrativo na Revista Ciência & Saúde Coletiva

Everardo Duarte Nunes1 
http://orcid.org/0000-0002-2285-7473

1 Departamento de Saúde Coletiva, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas. Cidade Universitária, Barão Geraldo. 13081-887 Campinas SP Brasil. evernunes@uol.com.br


Resumo

O artigo aborda o campo narrativo na Revista “Ciência & Saúde Coletiva”. A noção de “campo narrativo” é construída nas relações das dimensões cognitiva (epistêmica), sócio-politica-pedagógica e aplicada. Trata-se de pesquisa exploratória quantitativo-qualitativa abordando autores, temas, questões teórico-metodológicas, conceitos e disciplinas. A pesquisa na base SciELO tem dois momentos: 1. Contexto - Restrito às publicações na saúde, pesquisa em 29/01/2019, descritor “narrativa + saúde” (sem filtro); 2. Pesquisa bibliométrica - dados coletados em dezembro de 2019, descritor “narrativa + ciência e saúde coletiva”, período 2002-2019; nenhuma referência foi encontrada na revista antes de 2002. Na análise dos 43 textos, os artigos foram agrupados em: análise narrativa, revisões narrativas, textos narrativos, biografia e tradução. Conclui-se pela relevância do tema, apesar de o número de artigos ser pequeno. Sugestões para trabalhos futuros: enfatizar as abordagens teóricas do trabalho narrativo e demarcar suas perspectivas, como uma abordagem ou um objeto, ou como ambos.

Palavras-chave: Campo narrativo; Narrativa; Narração “Ciência & Saúde Coletiva”; Pesquisa narrativa

Abstract

This paper analyzes Journal Ciência & Saúde Coletiva’s approach to the narrative field. The concept of “narrative field” is built on the relationships of three dimensions, namely, the cognitive (epistemic), the socio-political-pedagogical, and the applied. This is an analytical, quantitative, and qualitative research of authors, themes, theoretical and methodological approaches, concepts, and disciplines. The search on the SciELO database was developed in two stages: 1. Context - Restricted to the health publications, research on 29/01/2019, with the Portuguese descriptor “narrativa” + “saúde” (without filter); 2. Bibliometric research - data collected in December 2019 using descriptor “narrative” + “ciência e saúde coletiva”, period 2002-2019. No reference was found in the searched journal before 2002. In the analysis of the 43 texts, the keywords were grouped into narrative analyses, narrative reviews, narrative texts, biography, and translation. We conclude by affirming the relevance of the theme, despite the small number of works, and suggest scholars emphasize in future works the theoretical approaches of narrative work and demarcate their perspectives, as an approach or an object, or both.

Key words: Narrative field; Narrative; Journal Ciência & Saúde Coletiva narrative; Narrative research

Introdução

Em 2008, Stanley e Temple1 ao revisitarem metodologias narrativas apontavam que “os estudos narrativos incluem um número de divergentes teorias, abordagens e metodologias”, mas “[...] permanece um espaço intelectual relativamente aberto, caracterizado pela diversidade, mas também pela fragmentação”. Consequentemente, “várias abordagens diferentes coexistem dentro da estrutura do empreendimento chamado narrativa”, como um conceito pioneiro nos estudos transdisciplinares e uma das “palavras de ordem mais bem-sucedidas na literatura, história, estudos culturais, filosofia e estudos em saúde”2.

As suas inúmeras possibilidades já haviam sido apresentadas quando Barthes3, na segunda metade de 1960, analisou como a narrativa podia ser “sustentada” pelas mais diferentes linguagens (oral ou escrita, pela imagem fixa ou móvel, pelo gesto ou pela mistura ordenada de todas estas substâncias); e pela sua presença em uma multiplicidade de formas de expressões (mito, lenda, fábula, conto, novela, epopeia, história, tragédia, drama, comédia, mímica, pintura, vitrais de janelas, cinema, histórias em quadrinhos, notícias, conversação); em sua “quase infinita diversidade de formas”, “presente em cada idade, em cada lugar, em cada sociedade; ela começa com a própria história da humanidade e nunca existiu, em nenhum lugar e em tempo nenhum, um povo sem narrativa [...] ela está simplesmente ali, como a própria vida”. Adiante-se que a relação vida-narrativa-vida foi central no pensamento do psicólogo Bruner4 - “Narrativa imita a vida, a vida imita a narrativa”. Outras discussões importantes analisaram a narrativa como “metáfora”, ou como um “conceito que viaja” entre diferentes campos5. Como “espaço aberto” expande-se entre as disciplinas6, tornou-se inter e transdisciplinar e extravasou as fronteiras nacionais. Este ponto pode ser observado no detalhado estudo de Meuter7 sobre as narrações nos estudos literários, artes, ciências históricas, psicologia, psicanálise, filosofia, ética, sociologia, teologia, estudos jurídicos, filosofia da ciência, citando o desafio que constitui o campo das ciências naturais para o campo narrativo. Outra noção presente nos estudos é o de “narrative turn”. Segundo Hyvärinen8, a primeira “virada narrativa” ocorreu nos estudos literários (1960) e mais tarde na historiografia (fins dos anos 1980). Para o autor, “A virada narrativa nas ciências sociais começou no início dos anos 1980, e abrangeu questões totalmente diferentes: avaliação positiva das narrativas como tal, uma abordagem antipositivista geral e muitas vezes humanista no estudo da psicologia e cultura humanas”.

Com as ciências da saúde, especialmente, na medicina, o conceito de narrativa começou a aparecer no início dos anos 1980 e se estendeu a outras áreas: enfermagem, educação física, educação médica, saúde e doença mental, cuidado e atenção à saúde, políticas de saúde, etc.. Sem dúvida, as possibilidades narrativas sobre a saúde/doença/cuidado são das mais variadas espécies, das leigas às científicas, às artísticas, às éticas, às literárias, às históricas, às jornalísticas, que se formalizam em relatos orais, escritos, visuais e se apresentam e se difundem em livros, artigos, reportagens, documentários, depoimentos, filmes, programas de rádio e TV, internet, grupos de pacientes, etc.

Embora, como aponta Hyvärinen8, não tenha existido em suas origens “um movimento consciente e unitário de estudiosos” em torno das narrativas, pode-se dizer que, na atualidade, existe nas diferentes áreas, a perspectiva do que denomino de “campo narrativo”, que se expressa por uma dimensão cognitiva (epistêmica), sócio-política-pedagógica e aplicativa ocorrendo uma institucionalização maior ou menor [do campo] na dependência das condições locais e nacionais de sua emergência e desenvolvimento. O conceito apresenta algumas aproximações com a noção de “field of narrative interaction”9, sistematizado por Becker e Quastanoff10 no estudo que possibilita “diferenciar entre diferentes conceitos de narrativa e diferentes interesses de pesquisa”. O esquema proposto cruza dois eixos: o horizontal “representa a narrativa multidimensional” e o vertical a “extensão semiótica cultural, focalizando de um lado, o indivíduo, do outro, a sociedade”, abrindo possibilidades da “open narrative” e da “default narrative” (alguém escolhido como narrador, relativamente separado do contexto, entre outros atributos). O esquema também dimensiona os níveis micro e macroestrutural, assinalando dois tipos de pesquisa: a narrativa básica e sua abordagem aplicativa (incluindo propósitos didáticos).

Muitas são as dimensões que podem ser abordadas em um estudo centralizado em narrativa/s. Este artigo objetiva, a partir de artigos publicados e que se encontram online, como a Revista Ciência & Saúde Coletiva abordou o campo narrativo, a partir de uma pesquisa exploratória quantitativo-qualitativa de autores, temas, abordagens teóricas e metodológicas, conceitos e disciplinas, contextualizando nesta produção o conjunto das publicações sobre saúde coletiva. Embora não se pretenda enfatizar detalhadamente da mesma forma as três dimensões acima apontadas, na medida das necessidades, serão analisadas considerando-se que o campo narrativo assenta-se sobre esse tripé.

Metodologia

A exposição anterior apresentou a complexidade de um estudo tomando como base a narrativa, especialmente porque a ideia é não partir de um conceito prévio, mas como ele se situa em textos teóricos e empíricos. Adiante-se, porém, que há pontos essenciais que não podem ser excluídos: as dimensões que a caracterizam como experiência, a sua relação temporal e o seu contexto sociocultural. Acrescentem-se questões metodológicas, como é mostrado a seguir.

Assim:

categorizar a riqueza da análise narrativa diz respeito à questão de saber se a narrativa é vista, em estudos específicos, principalmente como característica de uma abordagem ou principalmente como um objeto. [...] para alguns, a análise narrativa requer a aplicação de uma abordagem analítica narrativa para examinar dados empíricos [...]. Para outros, a análise narrativa é o campo de pesquisa planejado para analisar narrativas, entendidas, por exemplo, como artefatos que exibem estorias11.

Essa perspectiva de pesquisa não abandona as possibilidades da pesquisa quantitativa do campo narrativo, sendo que a elas se associam os estudos bibliométricos.

A pesquisa empírica na base SciELO foi desenvolvida em dois momentos: 1. Caracterização do contexto - Restringe-se este contexto à sua presença nas publicações nas ciências da saúde, pesquisa em 29/1/2019, com o descritor narrativa+saúde (sem filtro) relacionando periódicos, países, idiomas, áreas do conhecimento; 2. Pesquisa bibliométrica - dados coletados em dezembro de 2019, usando como descritor a palavra narrativa+ciência & saúde coletiva, período 2002-2019. Exaustivas buscas foram feitas diretamente nos textos da própria Revista e no sítio da Revista na pesquisa por “assunto”, mas não se detectou nenhum artigo anterior a 2002 nesta publicação. Observe-se que os cinco primeiros artigos foram publicados de 1995-1999 na revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos. O terceiro momento da pesquisa foi ordenar o material para analisar O que dizem as narrativas. Ressaltou-se a relação autor/texto/narrador, analisando as narrativas a partir do reagrupamento dos artigos, com um ou mais exemplos, em: análises narrativas, revisões narrativas, textos narrativos, biografia e tradução.

Para o período do presente estudo, foram encontradas 96 referências e o primeiro filtro foi retirar todas as repetições, o que resultou em 48 artigos; um segundo filtro foi verificar se todos os textos adequavam-se à proposta do estudo, com a leitura dos resumos e dos artigos; nesse momento verificou-se que cinco artigos, de caráter ensaístico (o que poderia ser uma forma de narrativa, mas não neste projeto) não se enquadravam. Assim, o estudo baseia-se empiricamente em 43 textos.

Contexto

Contextualizar o campo narrativo tornou-se uma tarefa bastante difícil, como mostrado anteriormente. O crescimento geométrico do tema e sua vulgarização exige um espectro maior de informações e não constitui objetivo desta exposição, que se limita a sua presença nas publicações nas ciências da saúde.

Foram encontradas, por países, 416 referências, estando o Brasil em primeiro lugar com 357, seguido de Portugal - 26, Colômbia - 16, e, na sequência, diversos países latino-americanos com menos de cinco referências. A distribuição temporal mostrou, em 535 referências, ser irregular durante 1965-2019, variando de 1-89, sendo este último dado o de 2019.

Em relação aos periódicos, num total de 629 referências, a precedência é para Interface (Botucatu) (112), Ciência & Saúde Coletiva (98), Cadernos de Saúde Pública (50), Physis: Revista de Saúde Coletiva (48), Saúde e Sociedade (36), Revista de Saúde Pública (22). História, Ciências, Saúde-Manguinhos (20), Saúde em Debate (12), Revista Brasileira de Epidemiologia (6). Os três idiomas usados são: Português - 504, Inglês - 228, Espanhol - 66. As Ciências da Saúde lideram como área de conhecimento com 546 referências, seguidas das Ciências Humanas (270), Multidisciplinar (15), Ciências Sociais Aplicadas (14), Engenharias (1) e Linguística, Letras e Artes 1. Interessante que nesse contexto, 259 referências referem-se à Saúde pública, ambiental e ocupacional, vindo a seguir Educação e pesquisa educacional (123), Políticas e serviços de saúde (98), Enfermagem (69). Ciências e serviços da saúde (25), História e filosofia da ciência (20). Nos últimos lugares aparecem Medicina, geral e interna, Ética médica e Ética com menos de 20 citações.

Por um estudo bibliométrico

Como já assinalado, no estudo quantitativo da pesquisa foram aplicados alguns instrumentos que são caracteristicamente da área da bibliometria. Como se sabe, os indicadores bibliométricos dividem-se em: indicadores de qualidade científica (avaliação dos pares); indicadores de atividade científica (desenvolvimento, número e distribuição dos trabalhos publicados, a produtividade dos autores); indicadores de impacto científico e indicadores de associações temáticas12. Nesta pesquisa serão feitas algumas aproximações com esses indicadores; não serão calculados os impactos dos trabalhos (número de citações recebidas) e indicadores de impacto das fontes (trata-se de um estudo temático e não do impacto da revista), mas serão abordadas questões temáticas.

Do ponto de vista da qualidade científica todos os artigos foram avaliados por pares da comunidade científica da Saúde Coletiva, dentro dos critérios da Ciência & Saúde Coletiva.

Analisando o número de artigos produzidos e o número de autores encontrou-se o seguinte: são 122 autores de 43 artigos, sendo que 106 (86,7%) são autores de um único artigo e 15 (12,3%) com mais de um artigo; cinco foi o número máximo de artigos escritos pelo mesmo autor. Somente sete autores assinam os artigos individualmente e 115 pertencem a grupos de autores. Depreende-se que o tema espalha-se por uma multiplicidade de autores, também procedentes de distintas instituições, com alguma concentração em três dessas instituições. São 79 instituições, incluindo universidades, serviços públicos e hospitais. A instituição com maior presença é a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) - 15 artigos (34,8% da produção) e 18 (14,7%) autores; segue-se a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - 7 artigos (16,3% da produção) e 14 autores (11,5%) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - 6 artigos (13,9% da produção) e 6 autores (4,9%). Há somente uma instituição internacional (Universidad del Valle - Colômbia), com dois artigos; no conjunto de artigos há sete autores estrangeiros: um da McGill University e seis da Universidad del Valle.

Interessante verificar que os trabalhos, mesmo no interior das instituições, distribuem-se pelos mais diferentes departamentos e programas de pós-graduação. Assim, sem referências às quantidades, podem ser citados: nutrição, enfermagem, direito, saúde coletiva, informática, comunicação, psiquiatria, entre outros.

Verificou-se um total de 188 palavras-chave e, aqui, cabe lembrar da diferença entre descritor e palavras-chave, pois muitas são “aleatória(s) e retirada(s) de textos de linguagem livre”13. Nesse total de palavras, narrativa e narrativas são citadas 10 vezes (5%); revisão narrativa 13 vezes (7%); pesquisa qualitativa seis vezes (3%); violência quatro vezes (uma contra a mulher e uma contra crianças e adolescentes (2%) e saúde mental, também, em número de quatro (2%). Verificou-se que em 151 (80,3%) palavras-chave havia baixa concentração (presença da mesma palavra) e eram específicas aos conteúdos investigados.

Os 43 artigos foram reagrupados, após a leitura integral dos textos, a fim de se realizar uma análise dos seus conteúdos em: análises narrativas - 19 (44,1%), revisões narrativas - 13 (30,2%), textos teóricos - 9 (20,9%), biografia e tradução do original inglês McGill Entrevista Narrativa do Adoecimento, um artigo (2,3%), respectivamente. Os 43 artigos totalizam 1.651 referências bibliográficas (38,4 referências/artigo). Em relação aos “clássicos da narrativa”, seis citam Paul Ricoeur, quatro Walter Benjamin, dois Jerome Bruner.

O que dizem as narrativas

Os dados anteriores conformam a existência de um campo narrativo, mas não especificam como foram construídas as trajetórias narrativas. Pertence ao autor ou autores, agora como narrador ou narradores revelar(em) personagens, cenários e conteúdos narrativos, e mesmo incluir o próprio campo do conhecimento ou uma figura singular como “personagem”. Na linguagem de Foucault14:

[...] o nome de autor serve para caracterizar um certo modo de ser do discurso [...] indica que esse discurso não é um discurso flutuante e passageiro [...] deve ser recebido de certa maneira [...] receber um certo estatuto. [...] o nome de autor não transita, como nome próprio [...] bordeja os textos, recortando-os, delimitando-os, tornando-lhes manifesto o seu modo de ser ou, pelo menos, caracterizando-os.

As análises serão feitas a partir do reagrupamento dos artigos, com um ou mais exemplos. Os textos apresentam diferentes formas de abordar a teoria narrativa, dependendo de “onde” os autores estão falando, tecnicamente, qual é o “foco narrativo”, que os transformam em narradores. Segundo Ochs e Capps9 a narração pode variar em um continuum de um narrador ativo a múltiplos conarradores ativos. No campo científico os autores/narradores têm normatizado (pelas publicações e pelo viés da ciência) como proceder em sua escrita. Mas, a presença de grupos de pesquisadores e pesquisas multidisciplinares leva a uma divisão interna das tarefas e nesse momento o destaque do autor ou autores.

Os achados mostraram que um elevado número (36) autores agrupou-se na elaboração do texto, mas somente sete são autores individuais. Embora nem todos participantes tenham trabalhado na redação dos textos, aprovaram a apresentada e anteriormente redigida por um, dois ou três membros do grupo. Ressalte-se que em vinte artigos (46,5%) os autores informam que houve participação de todos os membros em todas as etapas do trabalho, incluindo a redação. Portanto, nesses artigos, a narrativa das narrativas - a escrita teve um caráter “coletivo”; não confundir com a questão das “praticas narrativas coletivas” que tem especificidades teóricas e metodológicas próprias.

Análises narrativas

As 19 análises narrativas abordaram uma temática altamente diversificada, incluindo: processos educacionais, violência, telessaúde, medicamentos, saúde mental, idosos, apoio social, empatia, pesquisas qualitativas em saúde, gestão em saúde, trabalho da enfermeira, doença crônica, intersubjetividade, religiosidade, reforma psiquiátrica, sujeito na saúde coletiva, discurso médico, sexualidade, informação científica. Embora os autores não tenham conceituado análise narrativa é importante que se destaque o seu significado. Segundo Figgou e Pavlopoulos14,

A análise narrativa refere-se a um cluster de métodos analíticos para interpretar textos ou dados visuais construídos a patir de estórias. Uma suposição comum de métodos narrativos é que as pessoas contam estórias para ajudar a organizar e dar sentido às suas vidas, e seus relatos estóricos são funcionais e propositais.

Verificou-se que esta proposta pode ser observada nos artigos que se estenderam por diferentes temáticas e abordagens teóricas e metodológicas, com especial referência à hermenêutica dialéctica e a illness narrrative de Kleineman; nas técnicas de pesquisa, principalemnte, as entrevistas em profunidade e os grupos focais.

Para exemplificar, cite-se a análise das narrativas de profissionais de saúde15. Importante a anotação inicial dos autores ao tomarem a narrativa “tanto como objeto do estudo quanto método, bem como uma forma utilizada para organizar a experiência e a memória de acontecimentos humanos”. Os autores/narradores acercaram-se desse tema buscando “as vivências dos profissionais em cursos voltados ao desenvolvimento de saberes e práticas em educação na saúde”, assentados numa complexa trama teórico-conceitual derivada de Ricoeur, Kristeva, Burke e Schütz. Explicitamente escrevem:

Visou-se encontrar elementos que revelassem mediações entre discurso e ação, estrutura e acontecimentos e memória e ação política ‒ que indicassem o deslocamento da representação de uma sabedoria teórica (aquilo que se sabe) para uma sabedoria prática (aquilo que se faz)15.

O contexto foi o denominado “ondas de capacitação” com a construção de narrativas que pudessem captar a “trajetória de cada um no curso, destacando facilidades e dificuldades na aprendizagem e no desenvolvimento do perfil de competência”, revelada pela “narrativa reflexiva da trajetória de aprendizagem para compor um TCC [trabalho de conclusão de curso]”. Na proposta de uma “síntese interpretativa” concluem: “As narrativas analisadas orbitaram em torno das experiências de profissionais de saúde vivenciadas a partir de sua atuação como facilitadores em processos educacionais. Os narradores não tiveram um curso acerca de metodologias ativas, e sim as vivenciaram em curso”. Associo ao artigo o comentário feito pelo sociólogo finlandês Hyvärinen16 pela pertinência sobre o tema:

Um dos locais mais distantes e importantes aos quais a narrativa chegou durante suas inúmeras viagens é constituído pelas práticas profissionais. Professores, profissionais do cuidado à saúde, assistentes sociais e terapeutas têm assumido novas formas de trabalho que enfatizam contar e ouvir estórias.

Revisões narrativas

Os artigos classificados como revisões narrativas também abordaram uma expressiva diversificação temática: alimentação saudável, distúrbio de voz, políticas públicas e saúde mental, medicina tradicional, complementar e integrativa, adolescência, promoção da saúde, ciência, tecnologia e inovação, marginalização social, prática do nutricionista, instrumentos de medida em saúde, redes sociais e drogas, enfrentamento das doenças crônicas, poluição atmosférica.

Interessante que houve um ponto comum; oito artigos definem revisão narrativa e tomam como referência o editorial de Edna Terezinha Rother17, que diferencia revisão sistemática da revisão narrativa. Segundo a autora: “os artigos de revisão narrativa são publicações amplas apropriadas para descrever e discutir o desenvolvimento ou o ‘estado da arte’ de um determinado assunto, sob ponto de vista teórico ou conceitual”. Ela permite, como já foi referido por Foucault, um encontro do autor com o texto. Para Rother, embora a reprodução de sua metodologia seja impossível, “as revisões narrativas podem contribuir no debate de determinadas temáticas, levantando questões e colaborando na aquisição e atualização do conhecimento em curto espaço de tempo”.

O exemplo a seguir ilustra essa possibilidade dentro do campo narrativo. Sorteado de forma aleatória o artigo selecionado18 revisa:

o relato de processos históricos, incluindo os sujeitos sociais, a produção de conhecimento, os fatos que marcaram a trajetória da inclusão do DVRT (Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho) na lista de doenças relacionadas ao trabalho do Ministério da Saúde.

Os autores esclarecem quanto à metodologia: “Trata-se de uma revisão narrativa, de natureza qualitativa, entendida como publicação mais ampla, apropriada para discutir o estado da arte sobre determinado assunto. Apresenta-se como análise crítica e pessoal dos autores, sem a pretensão de generalização, acompanhando o conceito dado por Rother17. Adiantam que, como autores, participaram da busca do reconhecimento do DVRT, são sujeitos-objeto dessa história. As fontes prioritariamente utilizadas foram documentos técnicos, artigos de revistas científicas e anais de eventos, os quais formaram a base para a narrativa histórica, costurada pela legislação vigente, acerca do DVRT. Rápida citação de alguns tópicos abordados revelam a sequência narrativa dada pelos autores: análise técnico-científica - evidências empíricas sobre a relação entre distúrbio de voz e trabalho; análise político-profissional - movimento pelo reconhecimento do DVRT no Brasil; dificuldades no estabelecimento do nexo causal (inclusive pelo caráter multifatorial do distúrbio de voz). Para os autores

“Revelou-se um processo não-linear, marcado por acertos e revezes, momentos de grande otimismo, assim como conflitos, frustrações e iniciativas periféricas que, embora dessem visibilidade à questão, não obtiveram o reconhecimento formal do DVRT” incluindo a “imposição do Ato Médico, com um difícil retorno ao diálogo”.

Relatam que a publicação oficial do Protocolo DVRT ocorreu entre a data de aprovação do artigo e sua efetiva publicação (31/julho/2018).

Textos teóricos

Embora não aprofundem a questão da “teoria narrativa”, como teoria, os artigos classificados como “teóricos”, no seu conjunto, procuraram situar as suas fontes originais.

Em um primeiro exemplo o artigo aborda a “epistemologia narrativa”19 do discurso clínico utilizando os prontuários médicos de portadores da síndrome de Down avançando diversas discussões fundamentais para o campo narrativo, incluindo “leitura semiótica” do discurso médico e as “narrativas de doença”. Com base em Paul Ricoeur os narradores tratam das relações historicidade e narratividade e revisitam a historiografia das relações doença e narrativa (illness narrative) de Kleinman, Hydén, Arthur Frank e ouros estudiosos; destacam as diferenças de abordagem e o papel da biomedicina no afastamento do sujeito do diagnóstico e tratamento em nome de uma “neutralidade eficaz”.

Outro exemplo, no campo da saúde mental (pesquisa avaliativa; pesquisa sobre a experiência de adoecimento; pesquisa sobre a experiência de trabalho em saúde mental), aborda detalhadamente a narratividade em Ricoeur (“retoma a tradição como revelia das histórias oficiais”), a perspectiva histórica de Benjamin e o campo da antropologia médica20.

Um terceiro exemplo pode ser ilustrado com a narrativa sobre uma disciplina21, com o estudo das construções narrativas na sociologia da saúde no qual são analisadas duas obras de dois cientistas sociais (José Carlos M. Pereira e Maria Cecília de S. Minayo) que abordam, respectivamente, a prática social da medicina dentro das perspectivas funcionalistas, compreensivas e do materialismo dialético (Pereira) e a pesquisa qualitativa - (Minayo). Em relação à análise qualitativa firma-se como um tratado de metodologia qualitativa que carrega em suas formulações pragmáticas a densidade teórica que as sustentam”, num relacionamento teoria e método. A fundamentação teórica baseia-se em Maines22 - “uma genuína sociologia narrativa pode ter uma dupla face: ser uma sociologia das narrativas e mais inclusivamente e reflexivamente incluir narrativas da sociologia”.

Dentro do quadro das disciplinas, outro estudo discute a contribuição da psiquiatria para a atualidade, aponta que no “desafio ético e epistemológico de um saber e de uma prática de cuidados que tem como objeto o sofrimento psíquico, [...] se impõe uma articulação dos planos do corpo, da experiência e da narrativa em uma interlocução permanente”; Paul Ricoeur e Kleiman estão entre as referências23.

Um quinto exemplo da aplicação da análise da narrativa para o campo da sociologia da saúde é a pesquisa de onze manuais desse campo produzidos nos Estados Unidos e Inglaterra no período de 1900-2010. Os manuais analisados foram classificados segundo as principais características narrativas: médico-centrados; interdisciplinar; pedagógicos; analíticos; quase-autobiográfico; crítico; sintético-reflexivo. Teoricamente assenta-se em Maines22, quando lembra que a sociologia das narrativas vê os sociólogos como narradores e inquire o que eles fazem com suas próprias histórias e com as de outras pessoas24.

Na perspectiva de uma sociologia do adoecimento foi realizada uma ampla revisão, denominada pelo autor25 de “análise narrativa”, destacando questões teóricas, relação entre estrutura e ação social, experiência e ação na trajetória do processo saúde-doença-cuidado. São referenciados os principais autores: White, Bamberg, Riessman, Atkinson, Kleinman, Bury, Ricoeur, Benjamin, Jovchelovitch, Bauer, entre outros. Procurou-se avaliar no campo da pesquisa qualitativa as narrativas do adoecimento, revisando o campo, mas estabelecendo questões teóricas pertinentes25.

Três26-28 outros artigos incluem-se na categoria de textos teóricos narrativos: sobre os princípios metodológicos da fenomenologia e da antropologia médica para a produção de relatos na primeira pessoa; os desafios da pesquisa etnográfica e o processo de análise na pesquisa qualitativa, este último, referenciado entre outros nos filósofos e sociólogos Gadamer, Adorno, Heidegger, Merleau-Ponty, Habermas.

Biografia

A narrativa biográfica, ou como denomina Zinn29 “biographical research”, que apresenta duas abordagens: uma “enfatiza a reconstrução do caso único e o desenvolvimento da ‘personalidade’ no curso da vida”, a outra, os “modos de ação específicos ao problema e está mais preocupada com a comparação sistemática de diferentes modos de ação do que com as estruturas gerais de personalidade”. Estas duas dimensões, embora não explicitadas dessa maneira, estão presentes no artigo30 que narra a trajetória de Vitor Valla (1937-2009), associando conteúdos biográficos e autobiográficos, destacando não somente o teórico, mas o militante do campo da educação popular.

Tradução

Importante registrar que a Revista publicou a “tradução e adaptação cultural para o português da McGill Illness Narrative Interview - MINI, modelo de entrevista para a pesquisa dos sentidos e dos modos de narrar a experiência do adoecimento, testada no contexto brasileiro para os problemas psiquiátricos e os relacionados ao câncer”30. O cuidadoso trabalho durou um ano para sua elaboração dentro dos processos de tradução e adaptação transcultural usado por especialistas no campo e, como concluem os autores, “satisfizeram os critérios de equivalência semântica e indicaram que este roteiro de entrevista serve em nosso meio para acessar o mesmo tipo de narrativa sobre a experiência de adoecimento a que se propõe na cultura de sua origem”31.

Considerações finais

A exposição evidenciou que a questão da narrativa tem presença importante na Ciência & Saúde Coletiva, mesmo considerando que o número de artigos seja pequeno, menos de 50. O estudo permitiu reafirmar uma conclusão feita há vinte anos por Sheehan e Rode32, que o discurso narrativo e o científico não são gêneros incompatíveis.

Considerando as extensas fronteiras do campo da saúde e a “saudável heterogeidade” das abordagens teóricas do trabalho narrrativo - “do pós-modernismo à análise retórica, teoria da comunicação, pragmatismo, funcionalismo, estruturalismo, e hermenêutica”, futuros trabalhos não podem ignorar esta questão. Lembre-se, ainda, que a narrativa pode ser uma abordagem ou um objeto, ou ambos. Segundo Robert e Shenhav11 a distinção entre essas perspectivas é importante no momento em que o pesquisador delimita “a natureza das fronteiras planejadas para a sua pesquisa, se ela é principalmente pelos métodos ou pricipalmente pelo conteúdo”32.

Percebe-se em Revista Ciência & Saúde Coletiva uma clara perpsectiva em torno da proposta da narrativa, mas há necessidade de não se marginalizar as questões teóricas que contribuam para enriquecer o conhecimento empírico das relações saude/doença/cuidado/instituições de saúde/disciplinas, a exemplo do que ocorreu quando da emergência de questões teóricas fundamentais (1980/1990), com os conceitos de illness narratives, biographical disruption, life trajectories in illness narratives, illness experience, marrative-as-testimony, narrative-as-account.

Afinal, como escreveu Somers33, “através da narratividade é que conhecemos, entendemos e damos significado ao mundo social”.

Agradecimentos

Ao CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Bolsa Produtividade IA.

Referências

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Recebido: 24 de Fevereiro de 2020; Aceito: 31 de Março de 2020; Publicado: 02 de Abril de 2020

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