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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123On-line version ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2020  Epub Dec 04, 2020

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320202512.29542018 

TEMAS LIVRES

Crianças e adolescentes que consomem alimentos ultraprocessados possuem pior perfil lipídico? Uma revisão sistemática

Do children and adolescents who consume ultra-processed foods have a worse lipid profile? A systematic review

Jéssica Batista Beserra1 
http://orcid.org/0000-0001-9420-0166

Nathanael Ibsen da Silva Soares1 
http://orcid.org/0000-0003-1042-6307

Camila Santos Marreiros1 
http://orcid.org/0000-0001-6225-1698

Cecília Maria Resende Gonçalves de Carvalho1 
http://orcid.org/0000-0002-8707-1447

Maria do Carmo de Carvalho e Martins1 
http://orcid.org/0000-0002-9107-2485

Betânia de Jesus e Silva de Almendra Freitas1 
http://orcid.org/0000-0002-7797-735X

Marize Melo dos Santos1 
http://orcid.org/0000-0003-0699-8062

Karoline de Macêdo Gonçalves Frota2 
http://orcid.org/0000-0002-9202-5672

1Departamento de Nutrição, Universidade Federal do Piauí (UFPI). Teresina PI Brasil.

2 Departamento de Biofísica e Fisiologia, UFPI. Av. Universitária, lado ímpar, Campus Ministro Petrônio Portela, Bairro Ininga. 64049-550 Teresina PI Brasil. karolfrota@ufpi.edu.br


Resumo

O aumento da participação de alimentos ultraprocessados na alimentação de crianças e adolescentes está relacionado ao desenvolvimento de agravos não transmissíveis, como dislipidemia. Objetivou-se realizar uma revisão sistemática da literatura sobre a relação do consumo de alimentos ultraprocessados e o perfil lipídico de crianças e adolescentes. Realizou-se uma busca nas bases de dados PubMed, Scopus, Cochrane e LILACS por estudos com desenhos transversais e longitudinais, com ou sem intervenção; em crianças e/ou adolescentes aparentemente saudáveis, que tivessem a ingestão de alimento ultraprocessado como variável de exposição e o perfil lipídico como desfecho. Após triagem, 14 estudos foram incluídos, destes, nove demonstraram que o consumo de ultraprocessados estava relacionado com o aumento do LDL-c, colesterol total, triglicerídeos e diminuição do HDL-c. Três estudos não encontraram nenhuma relação e dois demonstraram que a maior ingestão de cereais prontos estava relacionada com a diminuição de colesterol total e LDL-c. Observou-se elevado consumo de alimentos ultraprocessados e relação positiva com lipídios sanguíneos em crianças e adolescentes o que chama atenção para a realização de intervenções, como educação nutricional, com vistas a reduzir a ingestão desses alimentos.

Palavras-chave: Alimentos industrializados; Dislipidemia; Adolescente; Criança

Abstract

The increase in the input of ultra-processed ingredients in the food of children and adolescents is related to the development of noncommunicable diseases such as dyslipidemia. The scope of this study was to conduct a systematic review of the literature on the relationship of consumption of ultra-processed foods in the lipid profile of children and adolescents. A search in the PubMed, Scopus, Cochrane and LILACS databases was carried out to locate cross-sectional and longitudinal studies, with or without intervention, in apparently healthy children and/or adolescents, who had the intake of ultra-processed food as an exposure variable and the lipid profile as an outcome. After screening, 14 studies were included, of which nine demonstrated that ultra-processed food consumption was related to increased LDL-c, total cholesterol, triglycerides and a reduction in HDL-c. Three studies found no relationship and two demonstrated that the increased intake of ready-to-eat cereals was related to the decrease in total cholesterol and LDL-c. There was a high consumption of ultra-processed foods and positive relation with blood lipids among children and adolescents, which calls attention to interventions, such as nutritional education, with a view to reducing the intake of these foods.

Key words: Industrialized foods; Dyslipidemias; Adolescent; Child

Introdução

O atual estilo de vida da população mundial e o avanço tecnológico da indústria alimentícia influenciou a transição dos hábitos alimentares de uma dieta baseada em alimentos in natura ou minimamente processados para o alto consumo de alimentos processados e ultraprocessados1. Esses produtos são constituídos de vários ingredientes e passam por uma série de etapas durante sua fabricação. Geralmente estão prontos para consumo e, portanto, exigem pouca ou nenhuma preparação culinária, o que os torna acessíveis e convenientes. No entanto, esses alimentos são nutricionalmente desbalanceados, pois apresentam alto conteúdo de gorduras saturadas e trans, elevado índice glicêmico, enquanto que possuem baixo teor de fibras, minerais e vitaminas. Além disso, o consumo desses produtos alimentícios tende a limitar a ingestão de alimentos não processados ou minimamente processados2,3.

O consumo de produtos alimentícios processados e ultraprocessados aumentou nas últimas décadas tanto em países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento2,4. No Brasil, por exemplo, o seu consumo aumentou de 20,3% para 32,1% entre 1987 e 20095. A mudança no padrão alimentar não ocorreu apenas entre a população adulta, estudos têm mostrado que porção significativa do valor energético consumido por crianças e adolescentes provém de alimentos ultraprocessados6-8.

Essas mudanças alimentares têm sido acompanhadas de correspondentes aumentos na prevalência de agravos não transmissíveis relacionadas à alimentação9-11, a exemplo de distúrbios no perfil lipídico, diretamente associada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares12,13. No entanto, os estudos que avaliam a associação entre o consumo desses produtos por crianças e adolescentes e dislipidemias ainda são escassos e inconclusivos10,11. O objetivo da presente revisão sistemática foi verificar a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o perfil lipídico de crianças e adolescentes.

Métodos

O presente estudo consiste em uma revisão sistemática da literatura. Dois revisores independentes (JBB e NISS) realizaram uma seleção inicial dos artigos localizados na busca eletrônica por meio da leitura dos títulos e resumos no período de 03/06/2018 a 10/06/2018. Os artigos selecionados nessa etapa foram lidos na íntegra e avaliados de acordo com os critérios de elegibilidade. Um terceiro revisor julgou se os artigos deveriam ser mantidos ou excluídos em situações em que os dois revisores discordassem. As recomendações dos Itens de Relatório Preferencial para Revisões Sistemáticas e Meta-Análises (PRISMA) foram seguidas para esta revisão14.

Estratégia de Busca

A busca foi realizada em bancos de dados eletrônicos mundiais (PubMed, Scopus e Cochrane) e em um banco de dados da América Latina e Caribe (LILACS). Termos relacionados ao perfil lipídico e ao consumo de alimentos ultraprocessados foram utilizados. A pesquisa foi composta de combinações dos seguintes termos: (‘ultra processed’ OR ‘ultraprocessed’ OR ‘ultra-processed’ OR ‘ready-to-eat’ OR ‘ready-to-consume’ ORindustrialized’ OR ‘fast-food’ OR ‘fast food’ OR ‘fastfood’ OR ‘junk food’ OR ‘prepared food’ OR ‘candy’ OR ‘ice cream’ OR ‘chocolate’ OR ‘carbonated beverage’ OR ‘soft drink’ OR ‘sweetened beverage’ OR ‘snacks’ OR ‘sausage’ OR ‘hot dog’ OR ‘burger’ OR ‘dietary patterns’ OR ‘dietary behaviors’ OR ‘dietary habits’) AND (lipid metabolism or lipoprotein or triglyceride or cholesterol or dyslipidemia).

Todos os artigos incluídos eram estudos originais realizados em seres humanos. Além da busca eletrônica, os revisores também realizaram uma busca manual na lista de referências de cada estudo incluído, para identificar estudos potencialmente relevantes que não haviam sido alcançados na busca inicial. Os detalhes da seleção dos estudos estão dispostos na Figura 1.

Figura 1 Fluxograma da seleção de artigos. 

Critérios de Elegibilidade

Para ser elegível, os estudos tinham que cumprir os seguintes critérios: avaliar a exposição (consumo de alimentos ultraprocessados) e o desfecho (perfil lipídico) durante a infância (0 a 9 anos) ou adolescência (10 a 19 anos) e não se tratar de estudos envolvendo grupos portadores de doenças ou condições de saúde específicas. Foram elegíveis estudos transversais e longitudinais, com ou sem intervenção, sem limite para o ano de publicação. A variável de exposição foi a ingestão de qualquer alimento ultraprocessado, conforme definido na classificação da NOVA3.

Análise dos dados

Os artigos selecionados foram analisados e desses foram extraídos os seguintes dados: país e ano de publicação, desenho do estudo, tamanho da amostra, sexo dos participantes, faixa etária avaliada, métodos e instrumentos utilizados para medir as variáveis de exposição e desfecho, variáveis utilizadas para controle de confundimento e principais descobertas.

A qualidade geral e metodológica dos estudos observacionais, incluindo avaliação do viés, foi avaliada de acordo com a Declaração STROBE (Fortalecimento do Relatório de Estudos Observacionais em Epidemiologia)15. A declaração CONSORT (Padrões Consolidados de Ensaios de Relatórios)16 foi usada para avaliar os estudos de intervenção. A pontuação máxima que pode ser obtida é de 22 pontos na avaliação do STROBE e 25 pontos no CONSORT; dos quais 9 e 10 pontos, respectivamente, estão relacionados à seção de “métodos” dos estudos. Além disso, foi aplicado o teste Mann-Whitney (dados não paramétricos) para comparar os scores da qualidade geral e metodológica dos estudos, usando o software SPSS, versão 20, com o valor de p estabelecido em 5% (p < 0,05).

Resultados

Foram identificados 6.647 artigos por meio de pesquisa nas seguintes bases de dados: PubMed (n = 3.367), Scopus (n = 1.365), Cochrane (n = 1.763) e LILACS (n = 152). No processo de triagem, os critérios de inclusão foram analisados e os artigos duplicados (n = 14) removidos. Ao final, 14 artigos foram considerados elegíveis para esta revisão sistemática. O Quadro 1 mostra as características dos artigos incluídos.

Quadro 1 Síntese dos estudos selecionados que investigaram a associação entre consumo de grupos de alimentos ultraprocessados e perfil lipídico em crianças e adolescentes. 

Autor, ano, país Qualidade geral e metodológica Desenho População do estudo (n, sexo, idade, tempo de seguimento) Exposição Desfecho Variáveis de ajuste Principais resultados
Petridou et al. (1995)17
Grécia
16a Transversal n = 307
M/F
Idade: 12 -18 anos
QFA semi-quantitativo:
- Grupo de açucares e xaropes
CT, TG, HDL-c e LDL-c Idade, sexo, educação paterna, local de residência, renda. Não houve associação significativa
Rasanen et al. (2002)18
Finlândia
16b Intervenção n = 307;
M/F
Idade: 7 anos
Follow-up: 6 anos e 6 meses
Recomendações dietéticas
Registro alimentar
- Grupo de açúcar e doces e de salgadinhos
CT, HDL-c,
TG e LDL-c
Sexo. Não houve associação significativa
Van Horn et al. (2005)19
Estados Unidos
16b Intervenção n = 663
M/F
Idade: 8-10 anos
Follow-up: 7 anos
Recomendações dietéticas.
- Grupo de sobremesas, salgadinhos, pizzas
CT e HDL-c, TG e LDL Idade, sexo, IMC. Maior consumo de sobremesas, lanches, salgadinhos e pizza associado ao aumento de LDL-c.
Albertson et al. (2009)20
Estados Unidos
16a Longitudinal n = 660
M/F
Idade: 8-10 anos
Follow-up: 7,5 anos
Recomendações dietéticas.
R24h
Grupo de cereais matinais prontos para consumo
CT, HDL-c, TG e LDL-c. Número de visitas, raça, nível de educação parental, presença dos pais no domicílio, atribuição de intervenção, local de estudo, consumo energético total médio, nível de atividade física e maturação puberal. Maior consumo de cereais prontos para consumo associado à redução de CT e LDL-c.
Gibson (2012)21
Reino Unido
16a Transversal n = 1688
M/F
Idade: 12-15 anos
Registro alimentar
Grupo de cereais prontos para consumo ou aveia/muesli
CT, LDL-c, HDL-c e TG Idade e ingestão energética Maior consumo de cereais associado a redução de CT e LDL-c.
Ambrosini et al. (2013)22
Austrália
18a Longitudinal n = 1.433
M/F
Idade: 14-17 anos
Follow-up: 3 anos
QFA
Consumo de bebidas açucaradas.
TG, HDL-c, LDL-c. Idade, sexo, IMC, C.C., estágio puberal, aptidão física, status socioeconômico e principais padrões alimentares. Aumento de TG e redução do HDL-c no maior tercil de consumo de bebidas açucaradas
Eloranta et al. (2013)23
Alemanha
18a Transversal n = 408
M/F
Idade: 6-8 anos
Registro alimentar
- Grupo de salgadinhos, bebidas açucaradas artificialmente, doces e chocolates
CT, TG, HDL-c e LDL-c. Idade, sexo, IMC, atividade física total, tempo de mídia eletrônica, consumo de energia e outros fatores dietéticos. Não houve associação significativa.
Chan et al. (2014)24
Taiwan
19a Transversal n = 2727
M/F
Idade: 12-16 anos
QFA semi-quantitativo
Consumo de bebidas açucaradas.
CT, HDL-c, LDL-c e TG Covariáveis. Maior consumo de bebidas açucaradas associado ao aumento de TG.
Kosova et al. (2014)25
Estados Unidos
18a Transversal n = 4.880
M/F
Idade: 3-11 anos
R24h
Grupo bebida açucarada.
HDL-c, CT, TG,
LDL-c
Idade, sexo, raça, estado de pobreza, atividade física e consumo de energia. Maior consumo de bebidas açucaradas associado à redução de HDL-c.
McCourt et al. (2014)26
Irlanda
18a Longitudinal n = 487
M/F
Idade: 12-15 anos
Follow-up: 10 anos
História alimentar
Grupo 1 (refrigerantes, batatas fritas e chips)
Grupo 2 (pudins, chocolates e confeitos)
CT, LDL-c e
HDL-c
Idade, IMC, sexo, PA, classe social; fumo; energia. Maior consumo de alimentos ultraprocessados associado à redução de HDL-c e aumento de LDL-c.
Rauber et al. (2014)10
Brasil
19a Longitudinal n = 345
M/F
Idade: 3-4 e 7-8 anos
Follow-up: 4 anos
R24h: Grupo 3 - produtos processados e ultraprocessados (NOVA) CT, HDL, TG
LDL
Sexo, status do grupo na fase inicial, peso ao nascer, renda familiar, escolaridade materna, escore z do IMC e consumo energético total aos 7 e 8 anos. Consumo de produtos ultraprocessados na idade pré-escolar foi preditor do aumento do CT e LDL-c.
Van Rompay et al. (2015)27
Estados Unidos
17a Longitudinal com análise transversal n = 613
M/F
Idade: 8 a 15 anos
Follow-up: 12 meses
QFA: Grupo de bebida açucarada HDL-c e TG. Idade, sexo, raça/etnia, estado puberal, escore z do IMC, tempo sedentário, consumo total de energia e consumo de frutas/hortaliças (em porções/dia) e gorduras sólidas discricionárias (em g/dia) Transversal: Maior consumo de bebida açucarada e associado ao aumento de TG.
Longitudinal: Não houve associação significativa.
Asghari et al. (2015)28
Irã
19a Longitudinal n = 424 M/F
Idade: 6-18 anos
Follow-up: 3,5 anos
QFA
Grupo Fast foods
HDL-c e TG Sexo, consumo total de energia, atividade física, fibra alimentar, história familiar de diabetes, grupos de alimentos (carne, aves, peixes, grãos e legumes) e IMC. Razão de chance de 2,82 para a incidência de hipertrigliceridemia no maior quartil de consumo de fast foods.
Moraes et al. (2017)29
Brasil
20b Intervenção n = 478 M/F
Idade: 9-12 anos
Follow-up: 9 meses
Educação nutricional CT Sexo, raça, IMC, idade, valores de glicose e colesterol total. Redução do consumo de bebidas açucaradas associado à redução dos níveis de CT.

aDeclaração STROBE; bDeclaração CONSORT; QFA: Questionário de frequência alimentar; CT: colesterol total; HDL-c: lipoproteínas de alta densidade; IMC: índice de massa corporal; LDL-c: lipoproteínas de baixa densidade; TG: triglicerídeos; CC: circunferência da cintura; DISC: Estudo de Intervenção dietética em Crianças.

Dentre os 14 artigos selecionados, seis avaliaram a associação entre consumo de bebidas açucaradas e perfil lipídico22-25,27,29, cinco exploraram a associação entre grupos de alimentos ultraprocessados e perfil lipídico10,17,18,26,28 e três avaliaram a associação entre consumo de alimentos ultraprocessados específicos (“snacks”, sobremesas, pizza e cereais prontos para consumo) e concentrações lipídicas19-21.

Entre os seis estudos que avaliaram a relação entre o consumo de bebidas açucaradas e gordura corporal, três encontraram associação positiva entre a ingestão deste tipo de bebida e as concentrações de triglicerídeos22,24,27, sendo que dois deles também demonstraram associação positiva entre o consumo de bebidas açucaradas e a concentração de colesterol total10,29. Além disso, dois estudos mostraram associação negativa entre a ingestão da bebida em questão e os níveis de HDL-c22,25. No entanto, em estudo transversal de Eloranta et al.23 realizado com 408 crianças com idade entre 6 e 8 anos, não foi verificada associação entre o consumo de bebidas açucaradas e níveis sanguíneos de lipídios.

Entre os cinco trabalhos que avaliaram a associação entre o consumo de grupos de alimentos ultraprocessados e o perfil lipídico, um estudo longitudinal que envolveu seguimento de crianças e adolescente por 3 anos e meio, encontrou associação positiva entre o consumo de fast foods e as concentrações de triglicerídeos naqueles indivíduos que passaram do menor ao maior quartil de consumo desses alimentos28. Em outro trabalho longitudinal realizado por Rauber et al.10 em crianças com idade inicial entre três e quatro anos, o consumo de produtos ultraprocessados durante a idade pré-escolar foi preditor de aumento do colesterol total e LDL-c na idade escolar.

Por outro lado, os autores McCourt et al.26 observaram em seu estudo, que envolveu o seguimento de 487 adolescentes por 10 anos, associação negativa entre o consumo de dieta sweet tooth, caracterizada pelo alto consumo de pudins, chocolates e confeitos, e concentrações de HDL-c, e associação positiva entre o consumo desses alimentos e níveis de LDL-c. Em contrapartida, o estudo transversal de Petridou et al.17 e a pesquisa longitudinal de intervenção com educação nutricional envolvendo pais de crianças de sete meses realizada por Rasanen et al.18 não demonstraram associação entre o consumo de grupos de alimentos ultraprocessados e concentrações lipídicas sanguíneas.

Entre os três estudos que avaliaram a associação entre consumo de outros alimentos ultraprocessados e perfil lipídico, Van Horn et al.19 em estudo de intervenção com educação nutricional com duração de sete anos envolvendo crianças com idade inicial entre oito e dez anos mostrou associação positiva entre o consumo de snacks, sobremesas e pizzas e as concentrações de LDL-c em garotos. Por outro lado, Albertson et al.20 e Gibson et al.21 observaram em seus estudos associação positiva entre o consumo de cereais prontos para consumo e melhora do perfil lipídico caracterizada pela diminuição dos níveis de colesterol total e LDL-c.

Em relação à qualidade dos estudos selecionados, os scores médios corresponderam a 17,6 e 17,3 pontos, respectivamente, para os estudos observacionais (n = 11) e de intervenção (n = 3). A pontuação média alcançada na seção “Métodos” foi de 7 pontos para estudos avaliados usando a Declaração STROBE e a Declaração CONSORT.

Discussão

Na presente revisão sistemática a maioria dos trabalhos que investigou o efeito do consumo de alimentos ultraprocessados em crianças e adolescentes, encontrou piora nos parâmetros relacionados ao perfil lipídico. Os hábitos alimentares formados na infância e adolescência geralmente persistem na idade adulta, e podem contribuir para anos de exposição aos malefícios do consumo de alimentos ultraprocessados, o que eleva o risco de dislipidemias, conforme demonstrado nos estudos selecionados30.

Em relação aos efeitos do consumo de bebidas açucaradas, a maioria dos trabalhos demonstrou piora nos parâmetros relacionados ao perfil lipídico dos indivíduos avaliados. Estudos têm mostrado que a ingestão de bebidas açucaradas, além de promover desequilíbrio energético, também está ligada a maior risco de dislipidemia por meio do acúmulo de gordura ectópica, adiposidade visceral e hipertrigliceridemia31,32.

Tais distúrbios parecem ocorrer devido à elevada quantidade de hidratos de carbono rapidamente absorvíveis presentes nessas bebidas que elevam a lipogênese de novo hepática resultando no aumento dos níveis de triglicerídeos e LDL-c e diminuição das concentrações de HDL-c. Além disso, os carboidratos simples aumentam a glicemia, promovendo elevação da insulinemia que, por sua vez, ativa os fatores de transcrição que induzem a síntese de ácidos graxos e triglicerídeos33,34.

Os mesmos mecanismos podem ser levados em consideração para explicar as associações encontradas nos estudos avaliados que analisaram os efeitos da ingestão de alimentos ultraprocessados do grupo de açúcares e doces, como chocolates e sobremesas em geral, e distúrbios no perfil lipídico das crianças e adolescentes estudados, já que esses alimentos também são acrescidos de açúcares em seu processamento35.

Além da elevada quantidade de açúcar, as indústrias alimentícias adicionam grandes quantidades de sódio e gorduras como estratégias de melhoramento da formulação de alimentos ultraprocessados36. Esses ingredientes também estão relacionados com distúrbios nos níveis lipídicos no sangue, conforme demonstrado nos estudos encontrados. O sódio, por exemplo, tem sido associado ao aumento das concentrações de cortisol, hormônio que induz a diminuição dos níveis sanguíneos de HDL37.

As gorduras saturadas e trans também estão intimamente relacionadas com as concentrações lipídicas, e estão associadas a um perfil lipídico pró-aterogênico. A gorduras saturadas ocasionam o aumento das concentrações de LDL-c e as gorduras trans, além de induzirem o aumento dessa fração lipídica, causam redução das concentrações de HDL-c38.

Os ácidos graxos trans são formados pela hidrogenação de óleos vegetais, prática bastante comum na produção de produtos alimentícios ultraprocessados. O consumo desse tipo de gordura está relacionado ao aumento de LDL-c e consequente aumento do risco cardiovascular devido à supressão da atividade do receptor dessa fração lipídica, o que resulta na elevação das suas concentrações. As gorduras do tipo trans causam ainda a inibição do funcionamento da paraoxonase, enzima que está associada com a prevenção da oxidação lipídica39,40.

Já a redução das concentrações de HDL-c ocorre porque a gordura trans induz o aumento da atividade da proteína de transferência de éster de colesterol, relacionada à etapa fundamental do transporte reverso desse composto. A gordura trans também aumenta o catabolismo do principal tipo de proteína presente nas moléculas de HDL-c, a Apo A141,42.

Diferente dos outros trabalhos apresentados na presente revisão sistemática, pesquisas realizada por Albertson et al.20 e Gibson et al.21 constataram que a maior ingestão de cereais prontos para consumo estava associado à melhora do perfil lipídico dos indivíduos avaliados, com menores níveis de colesterol total e LDL-c. Uma possível explicação para esse resultado é o fato de que, nos estudos em questão, o termo “cereal pronto para consumo” foi utilizado para todos os tipos de cereais frios, tanto não adoçados quanto adoçados, e tanto refinados quanto integrais. Supõe-se então, que dentre os tipos de cerais estudados, a maioria, mesmo sendo prontos para consumo, possuía boa qualidade nutricional.

Essa evidência é indicada pelos demais resultados do trabalho que demonstraram que a maior frequência de ingestão de cereais prontos para consumo estava associada ao maior consumo de fibras, vitaminas C e D, folato, cálcio, ferro e zinco, nutrientes que estão associados com a melhora do perfil lipídico, além de estar relacionada com redução da ingestão de colesterol, e da porcentagem de energia proveniente de gorduras43,44.

Os estudos de Petridou et al.17, Rasanen et al.18 e Eloranta et al.23, não encontraram associação entre o consumo de produtos ultraprocessados e perfil lipídico, sendo que algumas limitações apontadas abaixo, podem ter comprometido os resultados encontrados.

Petridou et al.17, em estudo transversal realizado na Grécia com 307 adolescentes, não encontraram associação entre o consumo de alimentos do grupo de açúcares e xaropes e as concentrações de colesterol total, triglicerídeos, HDL-c e LDL-c. Os autores relatam a dificuldade inerente de demonstrar associações entre o consumo dietético e os lipídios séricos, principalmente porque os componentes endógenos, como os relacionados ao metabolismo podem sobrepor os componentes exógenos como a dieta, dependendo da quantidade do componente ingerido.

No trabalho de Rasanen et al.18 que objetivou avaliar os padrões alimentares e as concentrações lipídicas de crianças após 6 anos e 5 meses de intervenção realizada com educação nutricional para os pais, quando comparadas ao grupo cujos pais não receberam intervenção, não observou-se associação entre o consumo de alimentos do grupo de açúcares e doces e as concentrações sanguíneas de colesterol total, triglicerídeos, HDL-c e LDL-c. Algumas limitações podem explicar os achados da pesquisa. Primeiramente, os autores não avaliaram os grupos intervenção e controle separadamente em relação aos parâmetros envolvidos no trabalho, realizando a divisão por tipo de “padrão alimentar” segundo a análise de clusters. Além disso, os pesquisadores relataram que o recordatório alimentar era realizado logo após a intervenção, o que pode ter alterado a fidedignidade dos dados.

No estudo de Eloranta et al.23, realizado na Finlândia com 408 crianças, o consumo de salgadinhos, bebidas açucaradas artificialmente, doces e chocolates não estavam associados às concentrações de colesterol total, triglicerídeos, HDL-c e LDL-c. O estudo aponta que o registro alimentar e o nível de atividade física foram relatados pelos pais, o que pode ter causado erros de declaração. Além disso, as ocasiões de alimentação (café da manhã, almoço, jantar e lanches) foram definidas com base nas impressões da nutricionista clínica e dos pais.

Vale ressaltar que os escores referentes à qualidade dos estudos incluídos na presente revisão, avaliados por meio das Declarações STROBE e CONSORT, foram considerados bons, inclusive os referentes aos estudos que não encontraram associação entre os parâmetros estudados (Petridou et al.17 = 16; Rasanen et al.18 = 16; Eloranta et al.23 = 18). Além disso, não houve diferença significativa nos escores médios de qualidade entre os estudos que encontraram ou não uma associação (p > 0,05).

Algumas limitações dificultaram a avaliação e discussão dos dados da presente revisão sistemática. Dentre elas destaca-se a utilização de diferentes tipos de métodos utilizados para investigar o consumo de alimentos, que podem ter resultado em subestimação ou superestimação da ingestão alimentar dos indivíduos estudados. Além disso, a diferença entre os pontos de corte utilizados para avaliar o perfil lipídico dos indivíduos podem ter influenciado a análise dos resultados encontrados pelos autores.

A divergência entre os desenhos dos estudos, já que a revisão envolveu pesquisas transversais e longitudinais, de intervenção ou não, também limitaram a análise e discussão dos dados. Vale ressaltar ainda, que alguns estudos não ajustaram os resultados levando em consideração alterações características da puberdade, o que pode ter comprometido os resultados encontrados, tendo em vista que nessa etapa da vida alterações metabólicas e fisiológicas alteram parâmetros como sensibilidade à insulina e níveis lipídicos45-47. Alguns estudos apontam que essas alterações podem ocorrer por influência das mudanças hormonais durante a maturação sexual, em especial na concentração plasmática de testosterona e estradiol48,49.

Dessa forma, os resultados dos estudos avaliados nesta revisão sistemática fornecem evidências do efeito prejudicial do consumo de alimentos ultraprocessados sobre o perfil lipídico de crianças e adolescentes. No entanto, mais estudos nessa temática e faixa etária são necessários, principalmente aqueles com delineamento longitudinal que podem elucidar a associação entre os dois parâmetros de forma mais eficaz. Existe ainda uma lacuna na avaliação dietética por não considerar a extensão e o nível de processamento dos alimentos, que tem sido relacionado aos diversos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, incluindo as dislipidemias. Além disso, ressalta-se a importância de uma classificação padronizada internacionalmente que considere o nível de processamento do alimento para promover uma melhor comparabilidade dos estudos.

Referências

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Recebido: 18 de Julho de 2018; Aceito: 15 de Abril de 2019; Publicado: 17 de Abril de 2019

Colaboradores

JB Beserra e NIS Soares participaram da concepção e projeto, análise e interpretação dos dados e redação do artigo. CS Marreiros participou da análise e interpretação dos dados e redação do artigo. CMRG Carvalho e MCC Martins participaram da concepção e projeto e revisão do artigo. BJSA Freitas e MM Santos participaram da revisão do artigo. KMG Frota participou da concepção e projeto, revisão do artigo e aprovação final da versão a ser publicada.

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