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Psico-USF

Print version ISSN 1413-8271

Psico-USF (Impr.) vol.9 no.2 Itatiba June/Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-82712004000200001 

EDITORIAL

 

Chegamos ao final do ano de 2004 com a sensação de dever cumprido, pois mais um número da nossa revista está sendo colocado a público. Continuamos com a meta de manter a qualidade do nosso periódico, o que tem sido conseguido com a parceria dos colegas do programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade São Francisco e, em especial, a uma atuação conjunta do Conselho Editorial, que tornou mais leve e eficiente a tarefa de publicar a revista dentro do prazo. Ao lado disso, é importante ressaltar a importante colaboração dos consultores ad hoc, que oportunamente e, com muita competência, têm investido parte preciosa do tempo na análise dos manuscritos a eles encaminhados. A todos, nossos agradecimentos.

Gostaríamos de comentar uma reunião de editores de revistas de psicologia realizada em São Paulo neste segundo semestre. Houve, entre várias outras decisões, uma que, a nosso ver, poderá influenciar bastante a psicologia e a pesquisa psicológica no Brasil. Trata-se da criação de um tipo de publicação eletrônica, a ser batizado de Scielo-Psi. A intenção é disponibilizar nesse site todas as revistas brasileiras com os textos completos.

Essa medida, com certeza, possibilitará a recuperação de informação da produção nacional com grande agilidade, ao mesmo tempo em que favorecerá sua circulação e inspiração para outros estudos. Assim, teremos oportunidade de facilitar a informação do que se está pesquisando no nosso país, o que tem sido bastante difícil devido aos meios de recuperação de informação. Hoje em dia é muito mais fácil (e barato) recuperar textos completos de outros países do que nossos textos produzidos e publicados no Brasil. Essa é uma medida que deverá ser apoiada por todos e devemos parabenizar seus idealizadores, como também os que tornarão realidade a idéia.

Vale lembrar que, em contraste com o ano de 2004, em 2005 teremos muitos congressos. Será uma época de atualização, rever amigos e fazer outros. Muitas vezes, formar parcerias de pesquisa e conhecer pessoas que sequer imaginávamos que estavam pesquisando coisas similares as nossas. Seria bastante salutar que conseguíssemos que grande parte dos estudos apresentados nesses congressos viesse a se transformar em publicações em nossos periódicos, como forma de disponibilizar a informação mais completa.

É necessário realçar o fato de que a procura por nossa revista tem aumentado, acompanhada de uma qualidade que merece ser apontada. Nesse sentido, estamos estudando a possibilidade de diminuir a periodicidade semestral para quadrimestral, com vistas a dar vazão à produção que temos recebido. Neste número apresentaremos uma série de artigos que, sem dúvida alguma, poderão sugerir e contribuir para outras pesquisas. Como sempre, o leque de alternativas metodológicas e teóricas é grande, assegurando sua característica. Passamos, agora, a informar os textos que compõem este número.

Preocupados com a estrutura das dimensões superficial, profunda e de alto rendimento do construto de abordagem à aprendizagem, Pedro Rosário, Leandro S. Almeida, José Carlos Núñez e Julio A. González-Pienda descreveram os resultados de sua pesquisa no texto Abordagem dos alunos à aprendizagem: análise do construto. Problema que tem instigado vários pesquisadores, com essa investigação fica reforçada a proposta de que existem duas orientações fundamentais à aprendizagem, ou seja, a presença ou ausência da intenção para compreender o material a ser aprendido.

Sob o título Tradução, equivalência semântica e adaptação cultural do Marijuana Expectancy Questionnaire (MEQ), Rosemeri Siqueira Pedroso, Margareth da Silva Oliveira, Renata Brasil Araujo e João Feliz Duarte Moraes mostram os primeiros estudos sobre um instrumento para avaliar as crenças em relação ao uso de maconha. O processo descrito e analisado possibilitou chegar a uma versão, considerada por eles como final.

O tema da autopercepção da criança de idade pré-escolar levou Maria Adelina Barbosa Ducharne a pesquisar o instrumento Pictorial scale of perceived competence and social acceptance for young children, com vistas a uma adaptação para Portugal. Seus resultados são descritos no texto Avaliação da auto-percepção de competência: adaptação da PSPCSA numa população portuguesa, o qual indica diferenças fatoriais em relação ao estudo original, mas com condições psicométricas muito satisfatórias.

Os valores humanos relacionados às atitudes preconceituosas e à intenção de contatar-se socialmente com pessoas negras foi o cerne da investigação de Tatiana Cristina Vasconcelos, Valdiney Veloso Gouveia, Marcílio Lira de Souza Filho, Deliane Macedo Farias de Sousa e Girlene Ribeiro de Jesus, relatada no texto Preconceito e intenção em manter contato social: evidências acerca dos valores humanos. Seus resultados sugeriram que atitudes preconceituosas correlacionam-se principalmente com os valores suprapessoais e que esses valores e os de realização foram bons preditores para atitudes preconceituosas.

Um estudo sobre as crenças em fenômenos paranormais foi desenvolvido por Tatiana Severino de Vasconcelos e Bartholomeu Tôrres Tróccoli. No texto Crenças no paranormal e estilos de pensamento racional versus experiencial relatam a construção de um questionário e analisam evidências de validades. Defendem a presença de quatro fatores, como também apresentam a não-correlação com o pensamento racional, ampliando a discussão sobre a racionalidade versus irracionalidade.

Orlanda Cruz, Cecília Aguiar e Sílvia Barros, no texto Escala de Avaliação dos Estilos de Ensino: qualidades psicométricas dos dados, estudam a mensuração da qualidade dos comportamentos interativos maternos. Com o foco nas decisões metodológicas relativas à observação dos comportamentos interativos maternos foram analisadas as dimensões do instrumento, sua consistência interna e temporal, assim como a precisão entre observadores. Concluíram que essa escala é uma medida adequada de comportamentos interativos diádicos em situação de jogo com mães portuguesas.

Os resultados da pesquisa de Maria Cristina Rodrigues Azevedo Joly, descritos em seu estudo Evidências de validade de uma escala de desempenho docente em informática educacional, indicaram uma boa consistência e precisão do instrumento, demonstrando a homogeneidade dos itens. A análise fatorial apontou dois fatores, um relacionado ao desempenho e outro à gestão. Esses resultados sugerem a possibilidade de uso desse instrumento.

Interessados em compreender e analisar a contribuição de distintas organizações dos alunos em sala de aula, Nedio Seminotti, Beatriz Giacomoni Borges e Jamile Londero Cruz relatam seu estudo no texto O pequeno grupo como organizador do ambiente de aprendizagem. Seus resultados mostram que não houve uma separação nítida entre papéis e lideranças na organização do grupo, como também que tanto a organização formal quanto a auto-organização dos alunos são eficazes para resolver os problemas em sala de aula.

O tema percepção de cultura organizacional foi revisado na literatura por Francisco Antonio Coelho Junior e Jairo Eduardo Borges-Andrade. Os resultados, apresentados no texto Percepção de cultura organizacional: uma análise empírica da produção científica brasileira, facilitaram a interpretação de que as pesquisas utilizam, em geral, métodos qualitativos, com ênfase em estudos de caso. Ao lado disso, as temáticas são amplas e não se complementam, há limitações de cunho teórico e metodológico, produzindo lacunas significativas nesse campo de estudo.

Sabrina Kerr Bullamah Correia, Zilda Aparecida Pereira Del Prette e Almir Del Prette avaliaram as habilidades sociais em mulheres obesas mórbidas e discutiram seus resultados no texto Habilidades sociais em mulheres obesas: um estudo exploratório. Seus dados sugeriram déficits em habilidades relacionadas à alimentação e que é necessário levar em conta aspectos cognitivos e motivacionais para esse tipo de estudo.

Com base na literatura psicanalítica que sustenta a idéia de que as vivências de privação geram importantes seqüelas no desenvolvimento emocional, Ana Celina Garcia Albornoz e Maria Lúcia Tiellet Nunes desenvolvem seu estudo denominado A dor e a constituição psíquica. A tônica está em crianças e adolescentes que sofreram abandono, negligência, abuso físico, sexual e psicológico. São discutidas suas dificuldades para investirem em si mesmos e nos outros como sintomas dificultadores da adaptação pessoal, social, escolar, institucional e familiar.

Três resenhas foram incluídas neste número. Maria de Fátima Xavier da Silva indica o livro A intervenção terapêutica breve e a pré-cirurgia infantil para estudantes e profissionais da psicologia interessados na área clínica e da saúde. José Maria Montiel comenta o livro A fenomenologia do cuidar: prática dos horizontes vividos nas áreas da saúde, educacional e organizacional, chamando a atenção para a pertinência do texto à prática relacionada ao cuidar do ser humano, independentemente da área de atuação. Finalizando, Sandra Padilha recomenda a leitura da obra Hospitalização: o impacto na criança, no adolescente e no psicólogo hospitalar.