SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.4 issue2Habildiades sociaisEntrevista com Dra. Ácácia Aparecida Angeli dos Santos author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Psicologia Escolar e Educacional

Print version ISSN 1413-8557

Psicol. Esc. Educ. (Impr.) vol.4 no.2 Campinas Dec. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85572000000200009 

RESENHAS

 

Ler e escrever: o começar

 

 

Geraldina Porto Witter

Universidade Mogi das Cruzes
Pontifícia Universidade Católica de Campinas

 

 

Strickland, D. S. & Morrow, L. k. (org.) 2000. Beginning reading and writing. New York: Teachers College Press, xii + 206 p.

Dorothy S. Strickland e Lesley M. Morrow lecionam na Graduate School of Education da Rutgers University e contaram com a colaboração de vários docentes para a produção de textos que compõem o livro.

O Prefácio, demasiado breve, foi escrito em tom elogioso por Alan Frastrup, que apenas antecipa tratar-se de fonte útil para professores que trabalham na formação de docentes e para professores experientes que desejem se atualizar em temas sobre instrução e pesquisa na área.

A breve Introdução é apresentada como pré-texto e leva a assinatura de Strickland e Morrow, que justificam a preocupação com a alfabetização precoce face aos avanços que ocorreram nos últimos 10 anos. Consideram que os textos são úteis na formação profissional e nos programas de atualização dos que estão atuando.

O livro compreende 15 capítulos organizados em duas partes. A primeira enfoca os fundamentos para um currículo de alfabetização precoce e é constituída por seis capítulos. A segunda apresenta estratégias a serem usadas com leitores e escritores iniciantes. Além disso, a obra inclui índices de autores, de assunto, de literatura infantil e de "softwares", todos muito úteis.

O primeiro capítulo apresenta algumas perspectivas sobre a instrução na alfabetização precoce e foi escrito por Teale e Yokota que fazem também uma rápida revisão da história e a pesquisa na área que está em contínua mudança. Dos anos 80 para cá passou-se a rejeitar as concepções de maturação e leitura vivencia! para tratar da alfabetização precoce e se passou a usar alfabetização emergente: o processo começa bem antes dos 5 ou 6 anos; forma-se não só o leitor, mas o leitor/escritor; o desenvolvimento ocorre dentro do contexto real de vida; as crianças aprendem por meio de um envolvimento grande com o seu mundo, e não apenas nos exercícios acadêmicos; há uma ampla gama de estratégias, conhecimentos e habilidades que a criança precisa desenvolver, que os programas de prontidão ignoram; embora se possa descrever esta aquisição por estágios, as crianças têm ritmos diferentes e seguem caminhos diferentes do que os programas usam, e estes não levam em conta a variação individual de desenvolvimento. As pesquisas estão mostrando que: a alfabetização emergente tem fundamento; o eixo deve ser a instrução para compreensão; um programa multifacetado é essencial; a escrita é central, quer seja trabalhada integrada ou não com a leitura; é preciso desenvolver a fluência em leitura; as crianças precisam praticar lendo textos, e a alfabetização precoce é desenvolvimento.

O enfoque da leitura como desenvolvimento é visto como apropriado por Neuman e Bredekamp, que apresentam algumas estratégias para se trabalhar com leitura desde a fase do bebê e passando pela pré-escola. As apresentações são muito rápidas, mas as informações podem ser complementadas com as referências.

Os diversos ambientes de origem da criança também precisam ser considerados na instrução precoce de alfabetização como salienta Au, que apresenta sugestões e exemplos para: enriquecimento de material impresso na sala de pré-escola, uso da literatura, uso de jornais e "workshops".

O fortalecimento da relação escola-lar é uma necessidade para o crescimento da alfabetização, devendo-se estabelecer uma estrutura para o desenvolvimento da relação que viabilize criar um ambiente propício e com continuidade entre as instituições, aproveitando-se os conhecimentos dos pais e introduzindo-os na sala de aula. É do que trata mais apropriadamente o texto de Tracey.

O penúltimo capítulo da primeira parte é da autoria de Pellegrini e Galda e enfoca relação brincar e alfabetizar, dando atenção de forma específica ao "pretend-play" ou brincar de representar, que é uma maneira de a criança usar uma coisa para representar algo mais. É também conhecido como brinquedo simbólico. Esta forma de brincar especialmente quando tem um componente social é muito importante na alfabetização precoce nos vários ambientes. Vale destacar o papel dos pares no brinquedo simbólico.

O Capítulo 6 leva a assinatura de Genishi, Yung-Chan e de Stires que enfocam a pintura e a aquisição da língua inglesa na pré-escola, enfocando aspectos como a cooperação, a conferência da produção etc. São apresentados exemplos, mas os temas são vistos superficialmente.

A Segunda Parte trata de aspectos específicos de currículo ligados ao começo da leitura e da escrita e tem base em pesquisas realizadas em salas de aula. O primeiro capítulo desta parte foi elaborado por Morrow e oferece sugestões para organização e administração do ambiente de sala de aula para otimizar o ensino-aprendizagem da alfabetização inicial, oferecendo inclusive propostas de horário para uma variedade de atividades, como e com que materiais organizar centros de leitura. É apresentada uma lista de checagem útil para observação de crianças enquanto estão em atividade no centro de leitura.

Strickland escreve o oitavo capítulo no qual apresenta estratégias úteis para apoiar o desenvolvimento da alfabetização quando se trabalha com crianças de risco, isto é, com grande probabilidade de terem dificuldades com a leitura. Trata da questão do quando ou do tempo em que se faz a intervenção, mas também da organização e administração do ambiente. Propostas de atividades são feitas, lembrando-se sempre da necessidade de documentar e monitorar a aprendizagem.

Como ensinar crianças pequenas a serem escritoras é o tema enfocado por Bromley, que recheia seu texto com histórias de crianças como ilustração. Fornece sugestões diversas como escrita cooperativa e colaborativa, não esquecendo a situação da escrita ao longo do currículo acadêmico.

Moustafa trata da consciência fonológica como um dos aspectos que precisam ser considerados no começo da leitura, apresentando procedimentos e sugestões diversas.

Em um capítulo breve Galda e Cullinan tratam da leitura em voz alta de literatura que atende à diversidade cultural. Conceitua leitura em voz alta como uma experiência produtiva que tem um caráter quase mágico para o jovem aprendiz de leitor, fornecendo muitas oportunidades para as crianças com benefícios comprovados cientificamente.

O desenvolvimento da compreensão da leitura é o tema do Capítulo 12, o qual leva a assinatura de Gambrell e Dromshy, que enfocam o uso da narrativa e do texto expositivo, estratégias para melhorar a compreensão e orientações para instruções efetivas que garantam a compreensão. Apresentam várias fichas para exercícios levantamento e registro da aprendizagem.

Harp e Brewer oferecem sugestões para avaliação da leitura e da escrita, com excelentes listas de checagem e enquadramento conceitual. Não esquecem a relevância da comunicação com os pais, os administradores e o público em geral.

O Capítulo 14 enfoca "os sinais dos tempos", ou seja, o impacto da tecnologia na alfabetização inicial ou precoce. Justifica-se o uso das modernas tecnologias, com ênfase no computador, por ser motivador, oferecer facilitadores para o ensino, independência e velocidade de aprendizagem. Faz recomendações quanto ao uso de três tipos de "software", enfoca os livros eletrônicos e os "softwares" para escrita. Conclui que a "tecnologia nas salas de aula do ensino fundamental é um sinal dos tempos. Ela oferece oportunidades importantes para os leitores e escritores emergentes. Com o advento da World Wide Web e o desenvolvimento dos produtores "software" representando milhões de dólares em pesquisa de desenvolvimento, agora as crianças podem aprender por meios de diversos disponibilizados para elas". (p. 180-1).

O último capítulo leva a assinatura de Lapp, Flood e Roser, que fazem uma síntese das estratégias (muitas já enfocadas no livro) e apresentam idéias úteis para os envolvidos com o processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita. Destacam necessidade de: fornecer mais oportunidades e demonstração do uso/aplicabilidade da leitura e da escrita; de usar leitura e escrita diariamente, como forma colaborativa e como um ato que tem um objetivo; não esquecer o falar e o observar ao ler; aglutinar tudo é a recomendação final.

No começo de cada capítulo o leitor encontra fotos e um destaque de tema para pensar e considerar em relação com o capítulo. Esta sugestão é muito útil como base para trabalhar o tema e o texto em sala de aula nos cursos superiores e em cursos de extensão.

A bibliografia de sustentação dos capítulos é atual e de qualidade. Portanto, trata-se de texto muito útil a profissionais, estudantes e pesquisadores ocupados com a aquisição da leitura/escrita.