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Psicologia Escolar e Educacional

On-line version ISSN 2175-3539

Psicol. Esc. Educ. (Impr.) vol.7 no.2 Campinas Dec. 2003

https://doi.org/10.1590/S1413-85572003000200005 

ARTIGOS

 

O que se espera de uma educação criativa no futuro

 

What is expected about a creative education in the future

 

 

Maria Helena Novaes1

Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro

 


RESUMO

Considerando as inovativas abordagens psicológicas, a criatividade, inteligência e talento propostas por J. Gallagher, uma educação criativa é imprescindível para enfrentar as rápidas mudanças na sociedade futura onde predominam a realidade virtual, a linguagem digital e o pensamento visual. São aqui discutidas as dimensões sociais do processo interativo com o meio abordadas por J. Renzulli, habilidades e competências a serem desenvolvidas, novas técnicas de solução de problemas, diversos tipos de currículos e outras estratégias de identificar performances e talentos, destacando-se os modelos de K. Urban e Z. Güenther.

Palavras-chave: Criatividade, Inteligência, Educação.


ABSTRACT

Considering the innovative psychological approaches concerning creativity, intelligence and talent, proposed by J. Gallagher, a creative education is inevitable to face the rapid changes in our society of virtual reality, digital language and visual thinking. We discuss important social dimensions in the process of interaction with the environment suggested by J. Renzulli, new abilities to be developed, techniques of problem solving, other types of curricular, new strategies to evaluate performs of giftedness and different models such as the one of K. Urban and the other of Z. Güenther.

Keywords: Creativity, Intelligence, Education.


 

 

INTRODUÇÃO

Articular o poder criativo da humanidade, através da informação, conhecimento e experiência disponíveis, conectando meios de recursos adequados, considerando a compreensão dos seres humanos no mundo contemporâneo, seria o ponto de partida. Essa foi a mensagem de Todd Siler na sessão plenária da 14a. Conferência do “World Council for Gifted and Talented Children”, realizada em Barcelona de 31/07 a 14/08 de 2001, com 700 participantes, representantes de 60 países. Artista, especialista em comunicação visual, assessora os principais museus norte-americanos como o de Guggenheim, Metropolitan Museum of Art e o Museu de Arte Moderna, fez uma criativa exposição, utilizando conexão entre imagens, sons, conceitos, para comprovar sua tese.

A partir de sugestivas ilustrações apresentadas, discutiu a necessidade de o homem moderno organizar o caos, (computador em francês é ordinateur), de integrar os conhecimentos e descobertas na área da tecnologia, das artes, das ciências exatas e sociais, levando em conta a grande capacidade que tem o cérebro humano. Começar pelo impossível é sempre um bom começo que leva a pensar fora do já visto e do esquema formal, pois desenvolve a capacidade de visualização, de ver através dos fatos e das coisas.

Espaços abertos e tempos diversos levariam, assim, a escola a repensar suas metas e a enfatizar a produção divergente dos alunos, respeitando crenças, mitos, motivações e poderes, mas sempre sabendo usar oportunidades oferecidas pelo contexto para o domínio do conhecimento e da informação, sem a devida dispersão. Explorar e descobrir cenários, pois nunca se sabe o quão longe podemos ir; a interdisciplinaridade já é uma realidade que favorece a descoberta de novas interpretações e múltiplos significados. A questão é como rearrumar os conhecimentos de modo diferente, como comunicar de forma mais autêntica e como experienciar novas emoções e sonhos, distinguindo o que é para mudar, não mudando nada daquilo que muda sem querer até o mudar realmente. Comunicar expressar, interpretar e simbolizar, além de pensar, sentir e conhecer são inevitáveis no mundo atual.

Aliás, durante esse congresso, a grande questão foi o que mudou, o que irá mudar e o que de mais relevante deve ser considerado quando se trata de criatividade, inteligência talento nos diversos países. Nesse sentido, a contribuição de J. Gallagher foi brilhante, além de muito atualizada e concisa, baseando-se na experiência norteamericana, uma vez que é professor da Universidade de North Carolina at Chapel Hill. Discutiu quatro dimensões das mudanças: nos conceitos de inteligência e de criatividade da eqüidade versus excelência nas escolas, no currículo diferenciado para os alunos bem dotados; das novas linhas de acesso ao conhecimento global no processo de aprendizagem ao longo da vida e de uma real possibilidade, modificando os papéis dos professores e dos alunos em relação ao conceito de inteligência desses alunos, embora seja reconhecida a influência do fator genético, além do que é advindo do meio social. O resultado dessa interação constante é que irá facilitar as performances e o desenvolvimento das capacidades e habilidades, tão utilizados nos testes de inteligência, priorizando aqueles desempenhos em situações e tarefas que exijam habilidades e funções, levando em conta o meio sociocultural em que vivem. Afirma que existem teorias rivais: a que enfatiza os aspectos genéticos neuronais e o sistema neurológico que responde pela eficiência, através da maturação neurológica; a teoria experimental que reforça a importância do repertório de experiências e do seu aproveitamento intelectual e a teoria reflexiva que reforça os aspectos intelectuais e desenvolve estratégias para tarefas, podendo utilizar recursos das outras teorias, por constituir-se como um sistema de controle. Quanto aos conceitos de criatividade as mudanças ocorreram no deslocamento da ênfase das características de certas habilidades individuais para mais complexo resultado, proveniente da interação entre a pessoa, os produtos e o meio ambiente.

Novos perfis são produzidos para avaliação e identificação, por exemplo, aumento da performance feminina, as expectativas em lugares não convencionais, busca de soluções científicas, o acoplamento da criatividade com a inteligência e superdotação em grupos específicos, como os de baixo rendimento escolar, autistas, pessoas com outras deficiências e limitações físicas ou sensoriais, dentre outras. Quanto ao currículo diferenciado e procedimentos metodológicos, a ênfase é na flexibilidade do mesmo e numa concepção mais abrangente de articulação entre as diversas disciplinas, a fim de propiciar uma maior independência respeitada pela coordenação dos professores e do sistema educacional, o que implica numa mudança de organização escolar e na distribuição das séries, considerando a diversidade de aptidões, interesses e motivações.

Quanto ao referencial de eqüidade e excelência o importante é fornecer recursos e meios para todas a fim de equalizar o acesso às informações e às fontes de conhecimento, admitindo, porém, a diversidade das performances, o que fará surgir vários tipos de propostas de ensino e de sistemas educacionais, além de oportunidades educativas mais globalizantes, articulando tecnologia com código lingüístico, as ciências, o controle da organização – sempre levando em conta os diferentes códigos culturais sociais e históricos, os diferentes modos de aprender e de adquirir conhecimento, as diferentes linguagens verbais especiais visuais. Outras características desses alunos são admitidas – como a possibilidade de cometer erros em situações complexas, usar intuição, curiosidade sempre ativa, focalização, tanto pontual como global, acrescentar idéias no cotidiano, ter metas, criar alternativas.

Sintetizando, o importante é refletir criticamente sobre tais mudanças e pensar sobre modos de abordagem dos novos problemas, remetendo para a busca de novos recursos de comunidade, mudando atitudes, compreendendo que uma coisa é o que a criança deseja e tem necessidade e outra o que a escola exige dela.

Outra contribuição importante foi a de Joseph Renzulli do Centro Nacional de Pesquisas com Superdotados e Talentosos (USA) sobre um novo olhar em relação à questão no novo século: quais as causas que fazem as pessoas usar suas capacidades intelectuais, motivacionais e criativas, seus talentos, enquanto outros com os mesmas, e até mesmo mais facilidades não conseguem altos níveis de desempenho? Sua proposta foi a de um novo modelo que procure resgatar aquilo que ainda não foi exaustivamente estudado nos talentos. Grande número de fatores como coragem, esperança, otimismo, carisma e o sentido do destino são discutidos por ele e levam a novas pesquisas e instrumentos de avaliação.

Uma maior abertura de todos para um cenário global é importante, a fim de serem previstas múltiplas oportunidades e recursos nas áreas, assumindo-se a diversidade nas formas de domínio do saber, das habilidades, dos desempenhos, das experiências de vida e dos referenciais socioculturais. Tal postura levaria à descoberta de inúmeras possibilidades, nichos de conexões entre as teorias e as práticas, considerandose que são as escolhas que definem a rota das pessoas, mais do que as próprias habilidades.

“Uma boa cabeça”, aliada a um bom coração é combinação ideal que nos leva a valorizar a verdade e beleza, o conhecimento e o poder criativo de todos, nunca duvidando que, mesmo um pequeno grupo pode modificar o mundo. Assim, novas associações, centros, escolas podem ser valorizadas, desde que tenham uma perspectiva global do desenvolvimento de criatividade e do talento e uma visão continuada e dinâmica do processo do ensinar-aprender.

Para ele, o contexto do capital social é importante para tornar as pessoas mais humanas e favorecer novos conhecimentos, pois uma nova liderança é esperada para o Século XXI – nesse novo modelo proposto. Baseado na interação pessoa e meio ambiente propõe as dimensões acima mencionadas como fundamentais – otimismo (sentimentos positivos e esperança no futuro) coragem (independência de ação e de pensamento, convicções morais) sensitiva intuição, capacidade de empatia preocupações e percepção do outro, carisma, capacidade de influenciar e curiosidade, visão do futuro (direção da mudança e das metas de ação) capacidade de fantasia (imaginação e sonho). O que vale é o estilo pessoal a interação com os valores do segmento grupal a harmonia e o equilíbrio reinantes. Renzulli tem escalas para avaliação dos comportamentos criativos _ muito divulgadas e devidamente padronizadas. Foram editadas em espanhol pela Amaru Ediciones de Salamanca, para avaliação dos estudantes superdotados em 2001.

Klaus Urban, atual presidente da World Council e professor da Universidade de Hannover na Alemanha tem modelo próprio interpretativo e um teste muito conhecido e aplicado em vários países. Situa a criatividade como um processo de evolução ou devolução, partindo sua análise dos seguintes aspectos: Problema – ponto de partida; Pessoa – singular; Processo – diferenciado; Produto – variado; Pressão – provinda do meio ambiente – micro e macro.

 

 

Quanto ao problema, parte da questão de quem determina o problema para quem? Quais aqueles que têm que ser solucionados criativamente?

Como reage a criança talentosa na busca das soluções do problema? Quais os desafios dos problemas atuais na educação de talentos?

A discussão da diversidade dos problemas que devem ser bem formulados é importante antes de se partir para a busca desordenada das soluções, considerando a adequação dos problemas para o tipo de situações possíveis. Quanto às pessoas em relação aos problemas, foram considerados os seguintes aspectos: quais são aquelas mais sensíveis aos reais problemas se estão habituadas a formularem bem os problemas, aptas para buscar soluções criativas e se dispõem de habilidades cognitivas para lidar com eles e poder criativo para sair deles.

Em relação ao processo, foram enfatizadas as seguintes dimensões: diferentes maneiras de criar um clima de abertura e tolerância, facilidade, aproveitamento dos eventos e fatos novos e das influências ambientais. Já o produto implica em aceitá-lo em aproveitá-lo, verificando se provoca mudanças ou transformações, quais seus desdobramentos e sua aplicabilidade. No que concerne às pressões do meio, de que modo influi no desenvolvimento das potencialidades, quais os bloqueios e conflitos que ocasionam, como são advindas tanto do meio educacional, social, das condições de vida, familiares da relação aluno-professor?

Interessante a frase de Picasso – “todo ato de criação é um ato de destruição, no início”. Sempre está implícita uma mais nítida percepção da realidade e do existir pessoal em novas combinações de informações e dados que vão ajudar a integrar os elementos, sintetizado e organizado em diferentes níveis.

A eterna questão é “Quais seriam os comportamentos mais criativos? De modo geral, o elenco pode variar, mas privilegia a abertura de percepção, o questionamento permanente, a necessidade de experimentar e manipular a realidade, a capacidade de ter e desenvolver novas idéias, aproveitar oportunidades de reorganizar o seu setting numa atmosfera de cooperação.

O processo criativo contínuo busca novas saídas e pressupõe a capacidade de estabelecer conexões e visualização de perspectiva, de humor, velocidade do pensamento, a originalidade da ação. O importante é a interdependência dos elementos e traços com o pensamento divergente, o conhecimento geral e básico, as habilidades específicas, a abertura para a tolerância, a capacidade de adaptação, tanto em nível individual, grupal ou social, variando de acordo com os patamares evolutivos, o funcionamento das funções metacognitivas, a avaliação,crítica de pensamento e da própria memória.

Perguntas importantes a serem feitas: O que acontece numa escola divergente? É o professor, sensível aos problemas, estimulado a perceber outras soluções? Como é feito o “fócro” aberto, com diferentes cenários? Quais desafios são propostos para acelerar o raciocínio dedutivo e indutivo?

Em relação ao emocional e social, é preciso saber aproveitar situações para a comunicação, desenvolvendo a capacidade de decisão e escolha, de resolução de problemas, nas oportunidades de aprendizagem, utilizando funções cognitivas, relativas à integração dos conhecimentos, com o raciocínio, além de percepção e intuição. Drawin Klaus, atual presidente do World Council tem vários livros e artigos publicados, dentre os quais o Teste de Creative Thinking Drowing Production – T.C.T – D.P. – elaborado com Hans Jallen e publicado pela Swets - Test Services de Frankfurt e artigos como o “Different model in describing, explaining and nurturing creativity in our society”, publicado pelo Europeu Journal of Highabilitos, n. 6, pp. 143-159. No seu teste, com base em quatro elementos, tem uma escala de avaliação completa, analisando os produtos obtidos nos desenhos. Os elementos estão separados mas podem ser conectados pelo desenho.

Três indicadores atuais estão relacionados aos desafios da realidade virtual, da linguagem digital e do pensamento visual, surgindo a eterna questão de como equacionar a vida, a aquisição do conhecimento, a organização cognitiva, a estruturação emocional e o planejamento das ações e decisões nesse contexto. Todos querem mudar, mas como fazê-lo e em qual direção, aproveitando a gigantesca quantidade de informações, conhecimentos e experiências, mas também, reconhecendo possibilidades, limites e necessidades.

Trabalhar no meio educacional, com técnicas de resolução de problemas, tomada de decisões, metacognição e flexibilidade ideativa favoreceria inovar e criar, sobretudo, nos comportamentos cotidianos.

A contribuição dos pesquisadores da Austrália sobre a importância do desenvolvimento da linguagem não-verbal, da inteligência visual e do treinamento do pensamento visual no ensino é fundamental. Questionaram a discriminação então existente entre o hemisfério direito e esquerdo que devem ser entendidos como interativos. A imaginação o imaginal e o imaginário estão sempre presentes na educação, sendo a favor da inteligência visual ativa, enquanto a verbal é mais receptiva, pois faz trabalhar mais rapidamente o cérebro e tem uma visão holística de conjunto importante, sendo assim, desenvolver as habilidades visuais é importante, sobretudo, quando conecta conteúdos e informações, ativando a memória. Por outro lado, representa uma gramática universal que facilita a comunicação entre as pessoas.

Picasso já dizia: pintar é uma maneira de pensar. O Departamento de Educação da Universidade de Adelaide, numa direção da escola do futuro, trabalha com técnicas de visualização para apreciação artística, estimulando o pensamento crítico, visual, criativo tanto no referencial do raciocínio matemático espacial e de resolução de problemas. Como elementos importantes, desenvolve diferentes ângulos e pontos de vista, através das imagens, analogias e metáforas, situações dilemáticas, conceitos percepções, sinergias e pensamentos dialéticos, através de atividades variadas e adequadas aos diversos níveis do ensino.

Parte do princípio que a comunicação verbal única é pouco consistente se não tiver um apoio visual ou sonoro para ajudar a refletir, adequar e acomodar. As mudanças só advirão na medida em que haja direcionamento do que mudar.

A flexibilidade dos conteúdos possíveis podem ajudar. O treinamento da inteligência visual e do pensamento não verbal é importante para o treinamento das professoras, ao desenvolver a capacidade de ver claro, de perceber de uma maneira global de saber usar as imagens e de dar respostas visuais, sendo o desempenho mais importante que o julgamento.

Desenvolvem vários testes perceptivos de percepção visual, de representação espacial e dos múltiplos significados das figuras.

Tipos de Currículo para crianças criativas e talentosas

O modelo do currículo paralelo tem por objetivos expandir os conhecimentos, aproveitando as mudanças ocorridas no conceito de inteligência e de superdotação, e no perfil dos alunos bem dotados, fazendo distinção entre currículos de alta qualidade para todos e interligando diferentes níveis de experiências, conforme observa-se no Quadro 1:

 

 

Está baseado na seguinte indagação “Para que servem as informações?” Para organizar melhor as idéias e podem tais idéias se transformar em habilidades. O currículo deve não só ser baseado em informações, como em idéias, habilidades, fatos, conceitos, princípios, envolvendo capacidades e modos de criar constantemente, envolvendo produção que ajude a resolver problemas.

Currículo de Conexões: Estabelecer e articular conhecimentos particularizando aspectos através da disciplina foco, fazendo a conexão do que já se aprendeu do que falta aprender e como adaptar os contextos ao estabelecer novas direções, sempre indagando quais as perspectivas futuras para visualizar melhor os problemas e quais os pontos positivos e negativos.

Currículo de Prática: Como aproveitar a informação na prática e quais ferramentas e estratégias usar, quais os ganhos, que qualidade alcançar, quais os padrões a serem estabelecidos, através de questões éticas, por exemplo.

Currículo de identidade: Pensar por si mesmo – rever metas do conhecer, o que me instiga e intriga, com quais idéias me identifico, onde encontrei mais dificuldades, que diferenças encontrar. O currículo deve ser, sobretudo, flexível – construtivo, avançando com as dificuldades encontradas – estabelecer a dominância e a justaposição entre eles é que é importante nos diversos períodos e trajetos, como por exemplo, está ilustrado na Figura 2:

 

 

Currículo básico: O fundamental é individualizar e levar o aluno a certa independência ao se apropriar dos diferentes níveis e de habilidades com grau de liberdade e de autonomia, providenciando material importante, adotando uma posição de avaliação crítica.

O currículo diferenciado: Trabalho sobre aquilo que puder aprender – o que trás a tona os aspectos pessoais da educação – partindo do pressuposto que uma boa aprendizagem é aquela que propicia avanços no desenvolvimento. Toda experiência de aprendizagem é pessoal e implica em escolha, desafio, complexidade e cuidado. O conteúdo é importante, assim como o processo e o meio ambiente.

Um currículo apropriado pressupõe nível adequado, complexidade gradativa aprofundamento – na transição e ajustamento às etapas. O currículo integrado – com temas especiais pode pressupor habilidades e interesses, identificando situações diversas. Tipo I - enriquecimento – com exploração geral de atividades; Tipo II – performance contínua; Tipo III – Pequenos grupos com pesquisas específicas, respeitando estilo de aprendizagem.

Modelo personalizado para pessoa talentosa de Z. Guehtner pressupõe um planejamento contínuo. É necessário aproveitamento das habilidades cognitivas, estilos de aprender, efeitos positivos de influências ambientais, como a de família, escola e de sociedade. Na relação pensamento e aprendizagem é preciso estar atento para: Estratégias de auto-regulação; Facilidades para adquirir conhecimento; Melhores atributos para aprender; Diferentes formas de enriquecimento e de aceleração; Performances de alto nível. As influências sofridas pela pessoa podem ser observadas na Figura 3.

 

 

Isso implica em diversas atitudes e procedimentos por parte dos professores, a fim de desenvolver currículos criativos, tais como Usar e disseminar informações; Refinar procedimentos de avaliação; Incentivar técnicas de comunicação; Estimular produção do conhecimento; Assumir lideranças; Reforçar treinamento e aperfeiçoamento profissional.

Ao concluir, diria que uma escola criativa não é nem utopia, nem mero desejo, mas sim uma real possibilidade para a construção de m futuro positivo para a humanidade. As contribuições aqui apontadas tiveram esse objetivo, trazer o que há de mais novo e de promissor que existe, sobretudo quando se trata da educação de pessoas talentosas, criativas e bem dotadas, mas que deve ser extendido a todo processo educativo, pressupondo adaptações necessárias às características do universo educacional de cada país.

A preocupação da sociedade com essa escola deveria ser constante e aguda, ajudando a descobrir novos caminhos, procedimentos e estratégias do ensinar e aprender. Pais, alunos, professores, diretores orientadores, supervisores, enfim todos aqueles que trabalham em educação podem, cada um na sua área, colaborar para que isto aconteça, pensando juntos num país de progresso e de justiça social, conscientes do papel que desempenha tal escola no futuro.

 

REFERÊNCIAS

Resumos de Comunicações Científicas da 14ª Conferência do World Council for Gifted and Talented Children.         [ Links ] (2001). Barcelona.

 

Recebido em: 25/04/03
Revisado em: 03/06/03
Aprovado em: 11/06/03

 

1 PhD em Psicologia e docente da PUC-Rio.

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