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Psicologia Escolar e Educacional

versão On-line ISSN 2175-3539

Psicol. Esc. Educ. vol.21 no.1 Maringá jan./abr. 2017

https://doi.org/10.1590/2175-35392017021101 

Editorial

Editorial 21.1

Silvia Maria Cintra da Silva

Marilene Proença Rebello de Souza

Marilda Gonçalves Dias Facci


2017. Ao encerrarmos 2016, não imaginávamos que o panorama político do país estaria ainda mais sombrio no momento atual: denúncia aos dirigentes do país; políticas educacionais sendo propostas e aprovadas que pouco colaboram para a apropriação dos conhecimentos pelos alunos; acirramento das condições de trabalho, com perda de direitos trabalhistas adquiridos a partir de grandes lutas, entre outros problemas que nos levam a pensar que estamos em tempos de barbárie e cada vez mais distantes da emancipação de todos. Essa situação, com certeza, tem provocado várias reflexões na população e, na nossa área de Psicologia, nos leva a buscar compreender o que está ocorrendo na essência dos fatos, não deixando nos enganar pelas aparências, que teimam em nos convencer de que “as coisas são desta forma mesmo”, podendo nos levar a naturalizar fenômenos que são sociais. As contradições do capital estão postas e escancaradas aos nossos olhos.

Neste momento histórico, em que se acirram as contradições, a busca para uma saída política aos acontecimentos no país é motivo de grande preocupação, visando consolidar a democratização do Estado Brasileiro e de suas instituições. Continuamos defendendo a democracia. Por esse motivo, escolhemos como tema “Pela Democratização da Educação” para fundamentar as discussões a serem realizadas pelos(as) psicólogos(as) escolares, educadores, estudantes no XIII Congresso Nacional de Psicologia Escolar que acontecerá de 27 a 30 de setembro na cidade de Salvador, na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Com certeza as problemáticas que estamos vivenciando tangenciarão as exposições realizadas, demonstrando uma atuação política da Psicologia e Educação; política não no sentido partidário, mas no sentido de pensar na coletividade, na busca de enfrentamentos que possam conduzir a propostas que visem o bem comum.

Temos consciência de que as produções científicas também podem dialogar com as transformações necessárias na sociedade atual, e nosso periódico contempla temas que possibilitam pensar o homem na sua relação com a sociedade e, mais especificamente, com as questões da educação. A Revista Psicologia Escolar e Educacional encontra-se em seu 21o volume, composta por um conjunto de textos que visam aprofundar temáticas na área.

Neste número, especialmente, são apresentados três artigos que têm o processo de aprendizagem em seu escopo: “Autorregulação e situação problema no jogo: estratégias para ensinar multiplicação”, “Rememoração: contribuições para a compreensão do processo de aprendizagem de conceitos científicos” e “Desarrollo del pensamiento crítico mediante la aplicación del Aprendizaje Basado en Problemas”.

A Psicologia Escolar e Educacional propriamente dita aparece no trabalho “Psicologia e escola: análise sobre dificuldades e superações no Brasil e Portugal”, que busca problematizar a maneira como a atuação do psicólogo escolar tem sido representada nos dois países. A temática da violência foi objeto de estudo nos artigos “Violência escolar: percepções de alunos e professores de uma escola pública” e “Incidência do Bullying nos Cursos de Administração e Ciências Contábeis”, abraçando diferentes níveis de ensino em que ela está presente.

“Juventude feminina do meio rural: sentidos sobre educação e perspectivas sobre futuro” lança um olhar sobre a constituição de jovens mulheres no contexto rural interior do Rio Grande do Sul, por meio da realização de entrevistas e composições fotográficas; tal contexto ainda é pouco contemplado nas produções publicadas neste periódico. Por fim, há um artigo que aborda a relação entre estilos de liderança de professores e autoconceito de crianças de 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, de escolas públicas do Paraná e outro que avalia os efeitos de um programa de intervenção em consciência fonológica sobre o desempenho em tarefas de escrita em 15 crianças pré-escolares.

Na Seção História o/a leitor/a encontrará um artigo de Marta Shuare, “Las funciones psíquicas superiores: las operaciones con los sistemas de signos y su papel en el desarrollo de la psiquis infantil”, em que a pesquisadora argentina nos provoca com a importância da aprendizagem da leitura e da escrita no século XXI, afirmando que “es la puerta grande de entrada al conocimiento y el medio privilegiado de desarrollo del individuo, de su pensamiento”.

No Relato de Práticas Profissionais, o trabalho apresentado refere-se a uma experiência de formação considerando possibilidades de articulação entre propostas de intervenção em instituições escolares realizadas por estudantes de Psicologia e a formação acadêmica, ou seja, encontros entre a escola e a universidade.

Finalizamos este primeiro Editorial com um poema de Thiago de Mello, intitulado “Para os que virão”:

Como sei pouco, e sou pouco,

faço o pouco que me cabe

me dando inteiro.

Sabendo que não vou ver

o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente

para não enganar a ninguém:

principalmente aos que sofrem

na própria vida, a garra

da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido

no meu bolso de palavras.

Sou simplesmente um homem

para quem já a primeira

e desolada pessoa

do singular - foi deixando,

devagar, sofridamente

de ser, para transformar-se

- muito mais sofridamente -

na primeira e profunda pessoa

do plural.

Não importa que doa: é tempo

de avançar de mão dada

com quem vai no mesmo rumo,

mesmo que longe ainda esteja

de aprender a conjugar

o verbo amar.

É tempo sobretudo

de deixar de ser apenas

a solitária vanguarda

de nós mesmos.

Se trata de ir ao encontro.

(Dura no peito, arde a límpida

verdade dos nossos erros.)

Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,

e saber serão, lutando.

Ótima leitura!

Editoras

Silvia Maria Cintra da Silva Marilene Proença Rebello de Souza Marilda Gonçalves Dias Facci

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