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Psicologia Escolar e Educacional

versão On-line ISSN 2175-3539

Psicol. Esc. Educ. vol.21 no.1 Maringá jan./abr. 2017

https://doi.org/10.1590/2175-3539201702111079 

Artigo

Incidência do Bullying nos Cursos de Administração e Ciências Contábeis

The incidence of Bullying in Business Administration and Accounting Courses

Incidencia del Bullying en los Cursos de Administración y Ciencias Contables

Kellma Bianca Cardoso Fonseca1 

Marina Dibo Micucci1 

Patrícia de Souza Costa1 

Sirlei Lemes1 

Nálbia de Araújo Santos2 

Jacqueline Veneroso Alves da Cunha3 

1Universidade Federal de Uberlândia - Uberlândia- MG- Brasil

2Universidade Federal de Viçosa - Viçosa- MG- Brasil

3Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte - MG- Brasil


Resumo

O objetivo desta pesquisa é analisar a ocorrência do bullying nos cursos de Ciências Contábeis e Administração de duas universidades públicas mineiras. O procedimento de pesquisa foi um survey e o instrumento de coleta de dados foi respondido por 773 alunos matriculados nesses cursos em 2014. Os resultados desta pesquisa sugerem maior incidência do bullying entre os estudantes do sexo masculino; maior ocorrência dessa prática na sala de aula; que o bullying é confundido com uma brincadeira; que a maioria dos agressores acredita que a prática do bullying é engraçada e a maioria das testemunhas finge não ver as agressões, pois sente medo de passar a ser o alvo delas. Infere-se que a reflexão, a prevenção e o combate do bullying precisam acontecer também no ensino superior, principalmente, com o auxílio de profissionais das áreas de Educação e Psicologia.

Palavras-Chave: bullying; ensino superior; pesquisa.

Abstract

The objective of this research is to analyze the occurrence of bullying in the courses of Accounting and Administration of two public universities in Minas Gerais. The research procedure was a survey and the data collection instrument was answered by 773 students enrolled in these courses in 2014. The results of this research suggest a higher incidence of bullying among male students; greater occurrence of this practice in the classroom; the bullying is mistaken for a joke; the most part of the perpetrators believe that bullying is funny and the most part of the witnesses pretend not to see aggression because they are afraid of becoming their target. It is inferred that the reflection, prevention and combat of bullying must also happen in higher education, especially with the help of professionals in the areas of Education and Psychology.

Keywords: bullying; higher education; aggressor; research.

Resumen

El objetivo de esta investigación es analizar la incidencia del bullying en los cursos de Ciencias Contables y Administración de dos universidades públicas mineras. El procedimiento de investigación fue un survey y el instrumento de recolecta de datos fue respondido por 773 alumnos ingresados en esos cursos en 2014. Los resultados de esta investigación enseñan más incidencia del bullying entre los estudiantes del sexo masculino; más incidencia de esa práctica en la sala de clase; que el bullying es confundido con una broma; que gran número de los agresores cree que la práctica del bullying es graciosa y la mayoría de los testigos finge no ver las agresiones, pues siente miedo de pasar a ser el blanco de ellas. Se deduce que la reflexión, la prevención y el combate del bullying necesitan suceder también en la enseñanza universitaria, principalmente con la ayuda de profesionales de las áreas de Educación y Psicología.

Palabras-Clave: bullying; enseñanza universitaria; investigación.

Introdução

O bullying é considerado um problema de grande proporção, presente nas escolas e na sociedade, independente de raça, religião ou classe social (Leão, 2010). Esse fato está presente nas instituições de ensino há tempos, no entanto, somente a partir da década de 1990, começou a fazer parte dos estudos científicos (Geronasso & Ens, 2012). Os pesquisadores estão atentos para esse fenômeno, preocupados com o seu crescimento e, principalmente, com os danos causados aos estudantes no processo de ensino-aprendizagem (Nogueira, 2007).

As características do bullying são atitudes agressivas, intencionais e repetitivas sem motivo aparente (F. Silva, 2010). Insultar, usar apelidos cruéis, intimidar, hostilizar e ridicularizar são algumas manifestações do comportamento dos bullys (Fante, 2005). Esses atos podem ocorrer de maneira direta ou indireta, por meio de agressões virtuais, verbais, sexuais, psicológicas e físicas (Silva, 2006).

Os envolvidos na prática de bullying podem ser descritos como sendo o agressor, a vítima e a testemunha (Neto, 2005). A. Silva (2010) revela que alguns alunos, denominados de testemunhas, tentam se manter afastados do comprometimento direto, mas participam das práticas de bullying de forma indireta como expectadores. Essa autora afirma que, por distintos motivos, a maioria das testemunhas finge não ver as agressões, pois sente medo de passar a ser o alvo. Já os agressores ou praticantes do bullying protagonizam atitudes que envolvem abuso de poder sem motivo aparente (Lisboa, Braga, & Ebert, 2009).

Caran, Sêcco, Barbosa e Robazzi (2010) apontam que escolas, universidades e institutos, mesmo sendo centros de excelência de ensino e de pesquisa, tendem a ser ambientes em que existem situações perversas entre as pessoas e grupos, podendo ocorrer bullying. Para Fante (2005), o bullying pode interferir no processo de ensino e aprendizado, uma vez que causa medo, angústia, constrangimento e raiva reprimida. Em virtude do crescimento dessas práticas, as instituições de ensino, em todo o mundo, têm formulado ações e medidas para tentar minimizar as consequências dessa conduta (Rigby, 2007).

Para contribuir com a discussão sobre o tema, esta pesquisa tem por objetivo analisar a incidência do bullying nos cursos de Ciências Contábeis e Administração de duas universidades públicas mineiras. Participaram da pesquisa 773 alunos matriculados no segundo semestre letivo de 2014. Realizou-se a coletada de dados por intermédio de questionário elaborado com base nos estudos de Freire, Simão e Ferreira (2006), Fante e Pedra (2008), Rolim (2008) e Raimundo e Seixas (2009).

Pesquisadores, autoridades públicas, instituições de ensino e a sociedade podem, a partir dos resultados desta pesquisa, planejar formas de prevenir e combater o problema. A prática do bullying “traz inúmeros desafios para a escola e, por conseguinte, para a Psicologia Escolar e Educacional, marcada que está pelo interesse por aspectos que se interpõem ao processo de ensino-aprendizagem” (Canavêz, 2015, p. 275). Além disso, são escassas as pesquisas sobre o tema no Brasil (Stelko-Pereira & Williams, 2012), principalmente a ocorrência desse fenômeno no ensino superior (Silva & Mascarenhas, 2010), o que ressalta a relevância desta pesquisa.

O número de vagas para ingresso nos cursos de Ciências Contábeis e Administração tem aumentado por serem cursos de baixo custo de implantação e de operacionalização (Souza, 2009). Por outro lado, a evasão nesses cursos é alta e tem aumentado ao longo dos anos (Cunha, De Luca, Lima, Cornacchione Jr., & Ott, 2015), suscitando pesquisas com a intenção de mapear as variáveis motivadoras dessa evasão (Cunha & cols., 2015; Campos, Machado, Miranda, & Costa, 2015). Uma variável que pode estar associada à evasão escolar e ao baixo rendimento acadêmico, mas que ainda não foi pesquisada para os cursos de Ciências Contábeis e Administração no Brasil, de acordo com a literatura consultada, é o bullying (Silva & Morgado, 2011; Prim & Fávero, 2013). Assim, os resultados deste estudo podem ser úteis para o combate e a prevenção do bullying, o que pode resultar na melhoria do aprendizado dos estudantes e na redução da evasão escolar.

Referencial Teórico

A origem da palavra bullying é o termo inglês bully, cuja tradução literal é valentão, tirano (Gomes & Rezende, 2011). O bullying ocorre quando uma pessoa é exposta a um conjunto de atitudes agressivas, sem motivo aparente, de forma intencional e repetitiva, por um ou mais agressores (Lisboa & cols. 2009). Chutar, empurrar, colocar apelidos e “zoações” são algumas das ações que caracterizam o bullying (Gomes & Rezende, 2011). Há uma relação desigual entre o agressor e a vítima, pois o agressor exerce o poder sobre a vítima, que se sente intimidada e humilhada pelo constrangimento e exposição a que é submetida (Leão, 2010).

O bullying também é conhecido, em países como Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia, como assédio moral ou mobbing (Calhau, 2010). No entanto, Fante e Pedra (2008) argumentam que o assédio moral ou mobbing são formas de violência que acontecem na fase adulta e que, na maioria das vezes, são consequências do envolvimento com o bullying na época escolar. O assédio moral no trabalho também é conhecido como provocação ou assédio psicológico, sendo uma prática antiga, tanto quanto a institucionalização do trabalho (Salvador, 2002).

Neto (2005) define os envolvidos no ato de agressões como autor ou praticante de bullying (agressor), alvo de bullying ou vítima e testemunha. Lima e Lucena (2009) classificam as vítimas como típicas ou provocativas. Para esses autores, as vítimas típicas são tranquilas, tímidas, sensíveis, inseguras, fisicamente frágeis e com baixa autoestima. As vítimas provocativas, normalmente, são hiperativas, inquietas e agressivas. Por outro lado, Neto (2005)distingue as atitudes das testemunhas como auxiliares, quando participam ativamente da agressão; incentivadoras, que estimulam o autor; observadoras, quando somente observam e não tomam a iniciativa de impedir as atitudes do agressor, e defensoras, as que protegem as vítimas.

A prática do bullying pode ser de forma direta ou indireta (Silva, 2010). Exemplos da forma direta são a agressão física e a sexual e, da forma indireta, o bullying verbal. A vítima, geralmente, recebe vários tipos de maus tratos, que podem ser expressos de diferentes maneiras, conforme exposto na Figura 1.

Fonte: Elaborado com base em Silva (2010).

Figura 1 Tipos de prática de Bullying. 

Segundo Belsey (2005), o cyberbullying ou bullying virtual propaga-se por meio do uso de e-mails, telefones, mensagens, fotos tendenciosas expostas na rede, caracterizado por comportamentos repetidos de um indivíduo ou um grupo, com o objetivo de humilhar e expor a pessoa. Assim, essa prática é considerada a forma mais cruel de bullying, pois a circulação das notícias nos meios virtuais é veloz (Azevedo, Miranda, & Souza, 2013). Para esses autores, a internet garante o anonimato dos agressores, tornando-se, portanto, difícil a proteção das vítimas, agravando a relevância dos atos e tornando as consequências do cyberbullying mais difíceis de serem controladas, se comparadas às outras formas de bullying (Silva & Mascarenhas, 2010).

Fante (2005) afirma que o bullying afeta todos os envolvidos, acarretando problemas físicos e emocionais de curto e longo prazo. Por exemplo, a vítima estará propensa a manifestar reações de natureza psicossomática, tais como cefaleia, ansiedade, estresse, depressão, tendências suicidas, reações extrapsíquicas, como agressividade, impulsividade e hiperatividade. As vítimas têm dificuldades de se relacionar com outras pessoas, pois se sentem inferiores e sofrem caladas, na maioria das vezes (Silva, 2006).

Segundo Guimarães e Paula (1992), a atmosfera escolar juntamente com os educadores podem ser considerados como prováveis responsáveis pela disseminação do bullying. Isto pode ocorrer por meio de ações como a imposição de conteúdos, a pressão a partir do poder de conferir notas, a ignorância quanto aos problemas dos alunos, o tratamento pejorativo, incluindo as agressões verbais e a exposição do aluno ao ridículo, no caso de incompreensão a algum conteúdo de ensino.

As crescentes agressões praticadas pelos bullies, no ambiente escolar, que não são punidas podem se estender para fora das escolas, atingindo famílias e a sociedade (Neto, 2005). Portanto, a violência gerada pelo bullying é uma ameaça ao processo educacional, à saúde pública e à vida do indivíduo (Marta, Garcia, & Vecchiatti, 2013). Os relacionamentos interpessoais positivos e o desenvolvimento acadêmico, por sua vez, estabelecem uma relação direta para obtenção de um melhor nível de aprendizado (Neto, 2005). Nesse sentido, cabe à instituição escolar abordar temas que causam desconforto aos seus alunos, principalmente quanto à violência, às possíveis formas de sua prevenção e às prováveis repercussões no desenvolvimento da criança e do adolescente (Marriel, Assis, Avance, & Oliveira, 2006).

As práticas de bullying no ambiente acadêmico são admitidas como naturais, sendo ignorados ou pouco valorizadas (Neto, 2005). De acordo com Miranda e cols. (2012), o bullying nas instituições de ensino superior merece uma atenção especial, embora se acreditasse que estudantes universitários apresentariam maior capacidade de defesa. Para esses autores, um exemplo bem conhecido de bullying é o trote universitário que, mesmo quando ocorre de forma solidária, pode forçar a vítima a tolerar a atividade para não ganhar a antipatia do grupo. Lima e Lucena (2009) afirmam que as universidades vêm tentando diversas alternativas para a recepção dos novos alunos, porém situações de grande violência ainda são vistas. “Um dos casos que ganhou grandes proporções na mídia foi o de um estudante que morreu afogado durante trote realizado na piscina do campus da Faculdade de Medicina da USP em 1999” (Miranda & cols., 2012, p. 115). O ambiente de ensino deve ser propício para a convivência em sociedade, o respeito ao próximo e o respeito aos limites inerentes à vida social (Marta & cols., 2013), o que não se alinha com o trote frequentemente praticado no ensino superior.

A prática do bullying também pode ser motivada pelo racismo (Secundo, 2007). Esse autor descreve o caso ocorrido no Brasil, em 2007, quando supostos vândalos atearam fogo à porta do alojamento de quatro alunos africanos na Casa do Estudante Universitário, na Universidade de Brasília. Miranda e cols. (2012), utilizando uma amostra de 456 alunos da Universidade Federal de Rondônia, identificaram casos envolvendo bullying racial, ofensas com relação à cor/raça dos estudantes, em 4,3% dos entrevistados.

Caran e cols. (2010) revelam que as escolas, universidades e institutos tendem a ser ambientes onde existem situações perversas entre as pessoas e os grupos, podendo ocorrer bullying. A violência no meio acadêmico e suas consequências são cada vez mais comuns entre as pessoas, com rápidas repercussões no mundo virtual. Isto se deve, principalmente, ao aumento da tecnologia, pois, com os meios de comunicação virtuais surge o cyberbullying.

As consequências provocadas pelo bullying à saúde são descritas por Nascimento (2003) como, por exemplo, reações psicopatológicas, ansiedade, problemas de concentração, depressão, pensamentos repetitivos e confusos, esquecimentos constantes, ideias suicidas. As psicossomáticas, ainda segundo o autor, podem ser hipertensão arterial, crise de asma, palpitações cardíacas, taquicardia, doenças do coração, inflamações na pele, perda de cabelo, dores generalizadas no corpo, perda de equilíbrio corporal, enxaquecas, dentre outras. Assim, por seus efeitos físicos e psicológicos é que o tema deve ser mais estudado como meio de se desenvolver políticas públicas.

Procedimentos Metodológicos

Neste estudo exploratório utilizou-se a estratégia de levantamento ou survey. O questionário utilizado contemplou questões que permitiram avaliar o bullying sob a perspectiva das vítimas, dos praticantes e das testemunhas. As questões eram fechadas e estavam divididas nas seguintes seções: 1) caracterização dos respondentes; 2) quadro com caracterização do bullying; 3) questões específicas para as vítimas; 4) questões específicas para os praticantes; e 5) questões específicas para as testemunhas.

Na primeira seção se caracterizaram os respondentes por meio das informações sobre: curso, período, idade, gênero, orientação sexual e etnia. Em seguida, foi apresentado o quadro de caracterização do bullying com situações que qualificam seus tipos, conforme exposto na primeira coluna da Figura 2. Essas circunstâncias foram dispostas em ordem alfabética no questionário. Os estudantes deveriam informar quais dessas situações vivenciaram como praticantes, vítimas ou testemunhas ou se nunca as vivenciaram. Ressalta-se que os respondentes poderiam marcar mais de uma opção, podendo se enquadrar como vítima, praticante e testemunha de bullying, em momentos distintos.

As situações apresentadas na primeira coluna da Figura 2 foram segregadas por tipo de bullying (segunda coluna da Figura 2). Para essa segregação, foi utilizada a classificação sugerida por Silva (2010), exposta na Figura 1. Na terceira coluna da Figura 2, são apresentados os estudos que serviram de base para a elaboração dos questionários desta pesquisa. Esses autores analisaram o bullying no ensino médio ou fundamental. Em decorrência disso, algumas adaptações foram realizadas como, por exemplo, na questão 17, em que a palavra ‘escola’ foi substituída pela palavra ‘faculdade’.

Figura 2 Quadro de caracterização do bullying - classificação por tipo 

As perguntas a serem respondidas estão representadas na Figura 3, sendo separadas pela classificação como vítima, praticante e testemunha. Essas questões foram elaboradas com base nos trabalhos de Freire e cols. (2006), Fante e Pedra (2008) e Rolim (2008).

Figura 3 Questões por grupo de respondente 

Foi realizado um pré-teste do questionário no primeiro semestre letivo de 2014 com o intuito de verificar possíveis melhorias. Participaram do pré-teste doze alunos do curso de graduação em Ciências Contábeis e três docentes desse curso. As sugestões foram incorporadas à versão final do instrumento de pesquisa.

A versão final do questionário foi aplicada em sala de aula no segundo semestre de 2014. Participaram da pesquisa 773 discentes matriculados do 1º ao 10º período dos cursos de Administração e Ciências Contábeis dos períodos integral e noturno de duas universidades públicas mineiras (Tabela 1).

Tabela 1 Amostra da pesquisa 

Premissas do Estudo

Devido ao fato desta pesquisa ser do tipo exploratória, com abordagem qualitativa, o que impossibilita a realização de testes estatísticos e a generalização dos resultados, são apresentadas premissas teóricas ao invés de hipóteses de pesquisa.

Silva e Morgado (2011) constataram que os homens praticam mais bullying do que as mulheres. Silva, Pereira, Mendonça, Nunes e Oliveira (2013) concluíram que o sexo masculino se destaca com o maior número de agressores, manifestando-se por meio de agressões físicas e insultos. De forma similar, Mahmud, Bakar e Djaffri (2014) encontraram que tipos de bullying como físico, verbal e cyberbullying são significativamente diferentes em relação ao gênero masculino e feminino. Dessa forma, são especificadas as seguintes premissas de pesquisa:

P 1 - Os estudantes do sexo masculino praticam mais bullying do que as estudantes do sexo feminino.

P 2 - Os homens praticam mais bullying verbal, físico e material do que as mulheres.

De acordo com Silva e Mascarenhas (2010), uma das principais causas da ausência de estudos sobre bullying no ensino superior é o fato de que este não é visto como um tipo de violência, mas como uma brincadeira entre colegas de curso. Para Lisboa e cols. (2009), bullying e brincadeirinhas são fenômenos distintos: enquanto as brincadeiras são menos graves, o bullying causa sofrimento para qualquer um dos envolvidos. Villaça e Palácios (2010) entrevistaram discentes e docentes de um curso de Medicina e identificaram que, apesar desses participantes relatarem abusos (violência) de caráter tanto verbal, como físico, no trote, eles não percebem tais situações como bullying. Uma possível explicação para alunos e professores perceberem como banal, trivial ou como brincadeira a ocorrência do bullying é a “ausência de reflexão sobre o tema, um certo sentimento de impotência, por um lado, e a negação, por outro” (Villaça & Palácios, 2010, p. 512). Em decorrência disso, é rara a “denúncia de violência, uma vez que esta ameaçaria a lealdade e a coesão do grupo, com ameaças potenciais de ostracismo social e de outras ações reativas de retaliação pelos pares” (Villaça & Palácios, 2010, p. 507).

Segundo Bandeira e Hutz (2012), dos 390 alunos de escolas de Porto Alegre que disseram ter sido testemunhas de bullying, 8% não fizeram nada, 6% pediram aos agressores que parassem e 15,7% ajudaram a vítima e pediram ajuda na escola. Neto (2005) e A. Silva (2010) revelam-nos que, por distintos motivos, a maioria das testemunhas finge não ver as agressões, pois sente medo de passar a ser o alvo. Assim, têm-se as seguintes premissas do estudo:

P 3 - O bullying no ensino superior é visto, pelos estudantes, como uma forma de brincadeira, algo engraçado.

P 4 - A maioria das testemunhas não denuncia as práticas de bullying.

Nogueira (2007) e Toro, Neves, e Rezende (2010) afirmam que a maior incidência do bullying é na sala de aula e no intervalo das aulas. Miranda e cols. (2012) identificaram que as manifestações de bullying na Universidade Federal de Rondônia ocorrem, principalmente, nas salas de aula (6,1%) e corredores e escadas (5,1%), suscitando a quinta premissa:

P 5 - A maior ocorrência de casos de bullying é na sala de aula e no intervalo entre as aulas.

Dentre as várias consequências do bullying, uma delas é o baixo rendimento escolar e aprendizado (Silva & Morgado, 2011). Levandoski (2009), utilizando uma amostra de 337 alunos da 6° série do ensino fundamental de escolas públicas de Santa Catarina, identificou correlação entre o fato de o estudante estar envolvido em bullying e baixo desempenho escolar. Carvalhosa, Lima e Matos (2002) ressaltam que os estudantes que praticam o bullying são muitas vezes hiperativos, têm dificuldades de atenção, menor inteligência e desempenho escolar deficiente. Os professores participantes da pesquisa realizada por Silva e Rosa (2013, p. 334) afirmaram que “o bullying é um fenômeno decisório de influência enorme do processo ensino-aprendizagem do aluno”. Dessa forma, surge a premissa:

P 6 - O bullying sofrido, praticado e testemunhado, na percepção dos estudantes, afeta o rendimento acadêmico.

As práticas do bullying também podem estar relacionadas com a discriminação racial. Secundo (2007), Silva & Morgado (2011) e Miranda e cols. (2012) identificaram casos envolvendo bullying racial, ofensas com relação à cor/raça dos estudantes, principalmente envolvendo vítimas negras. Na pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), envolvendo 501 escolas de 27 estados, os resultados sugerem que 19% dos 18.599 respondentes eram vítimas de bullying por serem negras (Silva & Morgado, 2011). Diante disso, a sétima premissa do estudo é:

P 7 - Os estudantes de cor negra são as principais vítimas do bullying racial.

Discussão dos Resultados

A caracterização dos respondentes é apresentada na Tabela 2. Observa-se que a quantidade dos respondentes, em relação ao período em que se encontram no curso, está pulverizada entre os primeiros e os últimos períodos. Dentre os respondentes, em relação ao gênero, 62% são do sexo feminino e 38% do sexo masculino. Além disso, 96% dos respondentes optaram pela heterossexualidade e a maior parte da amostra (63%) se declarou de cor branca e possui idade média de aproximadamente 21 anos.

Tabela 2 Caracterização da Amostra 

Na Tabela 3 é apresentada a ocorrência do bullying por gênero e tipo. A coluna “Q” representa a quantidade de respondentes que afirmaram ter sido vítima, testemunha ou praticado alguma(s) da(s) de situações de bullying exibidas na Figura 2.

Tabela 3 Tipos de Bullying por Gênero 

Nota. Gên = gênero; Fem = feminino; Masc = masculino; C = cyberbullying; S = sexual; V = verbal; R = racial; MF = material e físico; P = psicológico.

Na coluna “%Q”, linha “C” da Tabela 3, por exemplo, é apresentado o percentual de respondentes que afirmaram ter praticado algumas das situações de cyberbullying mostradas na Figura 2 em relação à quantidade total exposta na coluna “Q”. O percentual na coluna “%T” foi obtido por meio da divisão da quantidade de respondentes “Q” pelo número máximo de observações (MO) apurado na Tabela 4. Assim, por meio do “%T”, é possível comparar os resultados obtidos para os gêneros feminino e masculino.

Tabela 4 Número máximo de observações 

Com base na Tabela 3, os respondentes do gênero masculino (11,0%) praticaram mais bullying do que os estudantes do sexo feminino (4,1%), o que permite confirmar a premissa P1. Esses resultados corroboram os estudos de Silva e Morgado (2011) e Mahmud e cols. (2014), os quais afirmam que os estudantes do sexo masculino praticam mais bullying se comparados com as estudantes do sexo feminino. Além disso, os homens superam na prática de todos os tipos de bullying (cyberbullying, sexual, verbal, racial, material e físico e psicológico) em relação às mulheres, confirmando os achados de Silva e cols. (2013). Assim, a premissa P2 é aceita nesta pesquisa, sugerindo que os homens praticam mais bullying verbal, físico e material do que as mulheres.

Na Tabela 5 são apresentados os resultados por tipo de bullying e perguntas do questionário discriminadas na Figura 2. É possível identificar que as principais situações envolvendo o cyberbylling (para as vítimas, os praticantes e as testemunhas), na percepção dos estudantes, são aquelas apresentadas nas questões 5 (ofender pela internet ou telefone) e 6 (excluir colegas de jogos ou grupos online).

Tabela 5 Tipos de Bullying por Questão 

Observação: C = cyberbullying; S = sexual; V = verbal; R = racial; MF = material e físico; P = psicológico.

Um aspecto interessante é o fato de poucos discentes da amostra declararem terem sido vítimas (apenas 40 alunos) ou praticantes (apenas 26 alunos) de bullying sexual, enquanto 327 alunos terem se declarado testemunhas desse tipo de bullying (Tabela 5). O mesmo ocorreu com relação ao bullying racial, material e físico (maior o número de testemunhas em relação aos praticantes e vítimas). De acordo com Miranda e cols. (2012), o bullying racial não pode ser visto apenas como bullying em si, pois se constitui em crime com penalidade para os agressores. O mesmo ocorre com o bullying sexual e os danos materiais e físicos. Tal fato pode ter inibido os estudantes de se declararem praticantes de bullying sexual, racial, material e físico, sugerindo a necessidade de mais pesquisas sobre o tema.

Quanto ao bullying verbal, a maioria dos estudantes declarou ter sido vítima, praticante e/ou testemunha nas situações evidenciadas nas questões 10 (colocar apelidos vexatórios) e 12 (insultar por causa de alguma característica física). Marta e cols. (2013, p. 266) ressaltam que esses tipos de bullying “podem ser tidos como “normais”, no máximo confundidos com brincadeiras de mau gosto, sem se atentar para as graves seqüelas psicológicas provocadas contra as vítimas”.

No que se refere à percepção dos estudantes sobre a influência do bullying no rendimento acadêmico, 81% das vítimas, 88% dos praticantes e 82% das testemunhas declararam que o bullying sofrido, praticado e testemunhado, respectivamente (Tabela 6), não afeta o rendimento acadêmico, não confirmando a premissa P6.

Tabela 6 Bullying e o Rendimento Acadêmico 

Este resultado difere do que aponta a literatura (Neto, 2005; Silva & Morgado, 2011; Silva & Rosa, 2013). Para esses autores, uma das consequências do bullying é o baixo rendimento escolar. Essa divergência com os resultados encontrados na literatura pode estar relacionada à mudança de cenário (do ensino fundamental e médio na literatura para o ensino superior nesta pesquisa), ou os estudantes que fizeram parte da amostra desta pesquisa não estão percebendo que o bullying afeta o rendimento acadêmico, fazendo-se necessários mais testes que comprovem este fato.

Em relação à etnia dos respondentes, 65% se declaram brancos, 22% pardos, 6% negros (Tabela 2). Das respostas coletadas (Tabela 7), 1% dos respondentes que se declarou branco foi vítima de bullying. Quanto aos que se declararam negros, 20% foram vítimas. Dos que se consideraram pardos, 5% foram vítimas de bullying. De acordo com os resultados, o bullying racial pode estar relacionado com a etnia, pois o maior percentual de vítimas pertence à raça negra. Esses resultados são semelhantes àqueles encontrados na pesquisa realizada pelo MEC em parceria com a FIPE e o INEP (Silva & Morgado, 2011), confirmando a premissa P7 deste estudo.

Tabela 7 Bullying Racial por Etnia 

A maior incidência de bullying (29%) dá-se na sala de aula, na qual 27% foram praticantes e 27% foram testemunhas (Tabela 8). Em seguida, durante os intervalos das aulas nos quais 23% foram vítimas, 26% foram praticantes e 23% foram testemunhas. Esses resultados estão alinhados com aqueles das pesquisas de Nogueira (2007) e Toro e cols. (2010), permitindo aceitar a premissa P5.

Tabela 8 Onde Ocorrem Práticas de Bullying 

Quando perguntados sobre os motivos pelos quais alunos e professores praticam bullying, 49% dos respondentes (Tabela 9) afirmaram que os alunos o fazem por brincadeira, assim como 30% dos respondentes também acreditam que os professores cometem bullying por essa mesma razão.

Tabela 9 Causas da Prática do Bullying 

De acordo com Lisboa e cols. (2009) e Villaça e Palácios (2010), o bullying não pode ser equivocado com brincadeirinhas, nem como uma situação comum e natural, pois causa sofrimento para todos os envolvidos. Bandeira e Hutz (2012) revelam que os possíveis motivos para as práticas de bullying são preconceito, falta de respeito, porque os agressores não são punidos e que os meninos acreditam que o bullying ocorre por brincadeira ou porque o agressor é mais forte.

Foi questionado aos praticantes de bullying qual o sentimento em relação à vítima (Tabela 10). Na opinião dos praticantes, 40% dos respondentes acharam engraçado, fato que pode estar relacionado ao bullying ser visto como uma brincadeira, não se dando conta da gravidade do problema. Esses resultados apontam que o bullying pode estar sendo confundido com uma brincadeira, sendo considerado algo engraçado pelos praticantes, o que permite aceitar a P3.

Tabela 10 Sentimento dos Praticantes de Bullying 

Foi interrogado também para as testemunhas de bullying qual o sentimento e reação em relação às vítimas (Tabela 11).

Tabela 11 Sentimento das Testemunhas de Bullying 

Foi identificado que 58% das testemunhas não fizeram nada ao ver alguém sendo vítima de bullying, confirmando a premissa P4. De acordo com Neto (2005), Silva (2010a) e Bandeira e Hutz (2012) a maioria das testemunhas finge não ver as agressões, pois sente medo de passar a ser o alvo. Villaça e Palácios (2010) asseveram que é rara a denúncia do bullying, uma vez que o delator poderia ser vítima de potenciais ameaças e retaliações.

Considerações Finais

O presente estudo teve como objetivo analisar a incidência do bullying nos cursos de Ciências Contábeis e Administração em duas universidades públicas mineiras. O questionário da pesquisa foi respondido por 773 estudantes matriculados nesses cursos no 2º semestre letivo de 2014.

Os resultados sugerem que: os estudantes do sexo masculino praticam mais bullying do que aqueles do sexo feminino; o bullying racial pode estar relacionado com a etnia, pois o maior percentual de vítimas pertence à raça negra; a maior incidência de bullying dá-se na sala de aula; a maioria dos estudantes pode estar confundido o bullying com brincadeiras; na opinião da maioria dos agressores a prática do bullying é engraçada; a maioria das testemunhas de atos de bullying não fez nada ao presenciá-los, pois sente medo de passar a ser o alvo dos agressores.

O fato de os estudantes considerarem que os agressores praticam o bullying por brincadeira e o fato de os agressores acharem engraçada essa prática pode ressaltar a necessidade de mais reflexões sobre o tema, de mais esclarecimentos e métodos de prevenção e combate desses atos de violência. Além disso, na percepção da maioria dos estudantes desta pesquisa, o bullying não afeta o rendimento acadêmico. Contudo, vale ressaltar que essa percepção pode estar enviesada pelo fato de o bullying estar sendo visto como algo normal, uma brincadeira, pela maioria dos respondentes. Assim, pode ser que os alunos, principalmente as vítimas, não consigam avaliar adequadamente o efeito negativo do bullying sobre o desempenho, necessitando que mais estudos sejam desencadeados no sentido de confrontar os períodos em que os discentes apontam que sofreram bullying com o desempenho escolar.

Esta pesquisa fornece evidências de que o bullying ocorre não apenas no ensino fundamental e médio, mas também atinge os estudantes do ensino superior. O bullying no contexto universitário merece atenção, pois as consequências são graves, seja para crianças ou para jovens. Neste sentido, mais ações e pesquisas sobre a ocorrência desse fenômeno no ensino superior devem ser realizadas por profissionais, principalmente das áreas de Educação e Psicologia. Uma vez que as práticas de bullying podem funcionar como entraves ao processo de ensino-aprendizagem, a Psicologia Escolar e Educacional é convocada pela sociedade para refletir criticamente sobre formas de identificar, prever e combater esse fenômeno no âmbito escolar.

Enfatiza-se a relevância de pesquisas sobre o bullying no contexto universitário, pois investigações nesse ambiente são escassas. Assim, investigações futuras podem testar as premissas elencadas neste estudo em outras universidades e cursos superiores, bem como avaliar se existe relação entre a prática do bullying no ensino superior com a prática desse fenômeno no ensino fundamental e médio. Além disso, seria relevante testar a relação entre a prática do bullying com o desempenho e a evasão no ensino superior.

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Recebido: 02 de Dezembro de 2015; Aceito: 02 de Agosto de 2016

Sobre as autoras - Kellma Bianca Cardoso Fonseca (kell_bianca1994@hotmail.com), Graduanda em Ciências Contábeis. Universidade Federal de Uberlândia - UFU.

Marina Dibo Micucci (marinadibo@gmail.com) - Graduanda em Ciências Contábeis. Universidade Federal de Uberlândia - UFU.

Patrícia de Souza Costa (patricia@facic.ufu.br) - Doutora em Controladoria e Contabilidade pela FEA /USP. Universidade Federal de Uberlândia - UFU

Sirlei Lemes (sirlemes@uol.com.br) - Doutora em Controladoria e Contabilidade pela FEA /USP. Universidade Federal de Uberlândia - UFU

Nálbia de Araújo Santos (nalbiaas@yahoo.com.br) - Doutora em Controladoria e Contabilidade pela FEA /USP Universidade Federal de Viçosa - UFV

Jacqueline Veneroso Alves da Cunha (jvacbr@terra.com.br) - Doutora em Ciências Contábeis pela FEA /USP. Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

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