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Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science

Print version ISSN 1413-9596

Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci. vol.35 n.3 São Paulo  1998

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-95961998000300007 

Degradabilidade ruminal de alimentos em vacas secas e lactantes, recebendo 70% ou 50% de MS das rações como volumosos*

Ruminal degradability in dry and lactating cows, with 70% or 50% of roughage as dry matter diets

 

Carlos de Sousa LUCCI1; Laércio MELOTTI1; Vanessa KODAIRA2; Ari Luiz de CASTRO1; Paulo Henrique Mazza RODRIGUES2

 

Correspondência para:
Carlos de Sousa Lucci
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP
Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira
Hospital Veterinário – Campus da Capital
a/c Sandra Regina Lucci
Av. Orlando Marques de Paiva, 87
05508-000 – São Paulo – SP
e-mail: sandralucci@fmvz.usp.br

 

 

RESUMO

Oito novilhas holandesas, quatro secas e quatro em lactação, receberam os seguintes tratamentos, visando medir degradabilidade ruminal dos alimentos, farelo de soja, farelo de arroz, feno coast cross e cana-de-açúcar, pelo processo de sacos de nàilon in situ: A - 70% de volumosos; vacas secas; B - 70% de volumosos; vacas em lactação; C - 50% de volumosos, vacas secas e D - 50% de volumosos, vacas em lactação. O delineamento foi em blocos ao acaso e os tratamentos foram aplicados em quatro períodos consecutivos. Vacas secas degradaram melhor farelo de soja, feno coast cross e cana-de-açúcar que as em lactação. As fêmeas lactantes consumiram 40% mais matéria seca que as não- lactantes e apresentaram maior turn-over do líquido ruminal. Os alimentos feno de coast cross e cana-de-açúcar foram melhor degradados nas dietas com 70% de volumosos em relação às com 50%.

UNITERMOS: Volumosos; Bovinos leiteiros.

 

 

INTRODUÇÃO

Em vacas leiteiras, a lactação provoca grande aumento na demanda dos nutrientes, e conseqüentemente na ingestão de alimentos (NRC25; Forbes; France13). A influência da lactação sobre a degradabilidade dos nutrientes contidos na dieta tem sido discutida por muitos autores (ARC4; NRC25; AFRC1), sempre com base nas maiores ingestões de alimentos que ocorrem nessas condições (NRC25, Orskov26; Gonzalez et al.16; Kirkpatrick; Kennelly21).

As proporções concentrados/volumosos provocaram alterações nas taxas de degradabilidade nos trabalhos de Sefrin32; Castrillo et al.8; Lindberg22; Susmel et al.33; Weakley et al.39. Contudo, Flachowsky; Schneider12 e Vilela et al.38 não encontraram variações na degradabilidade, causadas por diferentes proporções de concentrados/volumosos nas dietas. Mais concludentes são os resultados sobre a degradabilidade da fibra no interior do rúmen onde muitos autores detectaram diminuição nas taxas, com emprego de menores proporções de volumosos: Chimwano et al.10; Uden35; Flachowsky; Schneider12; Takahashi et al.34; Inoe et al.19; Lindberg22; Alvir et al.2. Quando não foram encontradas diferenças de degradabilidade nas rações que apresentaram pouco volumoso, provavelmente este fato ocorreu porque a quantidade fornecida deste alimento esteve acima de um nível mínimo, de 32% de fibra na MS da ração (Chappel L.; Fontenot9), ou 22% de fibra (Nishida et al.24), ou 24% de volumoso na dieta (Rode et al.30).

As taxas de passagem de alimentos pelo proventrículo são maiores nas rações ricas em volumosos (Bauman6; Castrillo et al.8), embora alguns autores não tenham registrado alterações nas taxas de passagem líquidas, devido a diferentes proporções de concentrados e volumosos (Kennedy; Bunting20; Poore et al.29). O pH do rúmen diminui com o emprego de rações ricas em concentrados (Poore et al.29; Kennedy; Bunting20), influindo nos processos digestivos do proventrículo.

No caso particular do farelo de soja, a degradabilidade efetiva foi 60,2% (ração com 16,5% PB) e de 64,1% (ração com 19,5% PB) (Kirpatrick; Kennelly21); Loerch et al.23 encontraram em bovinos degradabilidade potencial de 71,3%; Broderick et al.7 determinaram taxas de degradação efetivas da PB de 80% (r = 0,02), 63% (r = 0,05) e 53% (r = 0,02); já Ha; Kennelly17 fornecem 53,6% para a degradabilidade efetiva (r = 0,05) e Coenen; Trenkle11 encontraram 78,9% e 95,9% de degradabilidade potencial de proteína de farelos de soja obtidos respectivamente por prensagem ou por solvente, Orskov25 afirmou que a degradabilidade efetiva da PB do farelo de soja diminuía de 80,8% para 50,4% quando as taxas de passagem aumentavam de 0,02 para 0,08/hora. Valadares Filho et al.36 registraram 66,6% de degradabilidade efetiva de PB do farelo de soja em vacas de leite produzindo 8,4 kg de leite/dia (r = 0,05/h). Em outro experimento, Valadares Filho et al.37 detectaram 67% e 61% para degradabilidade efetiva de proteína em vacas secas e lactantes (r = 0,04 e r = 0,05, respectivamente). Os mesmos autores prosseguiram fornecendo valores de 83,2%; 61,5% e 50,6% de degradabilidade efetiva de proteína do farelo de soja, para r = 0,02; r = 0,05 e r = 0,08 respectivamente. Vilela et al.38 trabalharam com rações tão distintas como 10% e 40% de concentrados na matéria seca, não encontrando alterações nas taxas de degradabilidade obtidas para a proteína do farelo de soja, da mesma forma que Sefrin32 com proporções de zero a 60% de concentrados. Barrio et al.5 e NRC25 acusaram menores taxas de degradabilidade protéica do farelo de soja para rações altas em concentrados.

Os objetivos deste trabalho foram avaliar a degradabilidade ruminal dos concentrados, farelo de soja, farelo de arroz e dos volumosos feno de coast cross e cana-de-açúcar, quando estes alimentos foram submetidos a vacas secas ou em lactação, e quando ministradas com dietas ricas (70%) e pobres (50%) em volumosos.

 

MATERIAL E MÉTODO

Foram utilizadas oito novilhas Holandesas, dotadas de cânulas ruminais, quatro secas e quatro em lactação, para comparar os seguintes tratamentos, em um arranjo fatorial 2 x 2: A - vacas secas com 70% de volumoso na MS da ração; B - vacas em lactação com 70% de volumosos na MS da ração; C - vacas secas com 50% de volumosos na MS da ração; D - vacas em lactação com 50% de volumosos na MS da ração.

O delineamento estatístico utilizado foi o de blocos casualizados (Gomes15), com 8 animais, 4 tratamentos e 4 blocos ou períodos experimentais. Os tratamentos foram aplicados em quatro subperíodos consecutivos de 21 dias cada, sendo as colheitas executadas na última semana do subperíodo sendo em todos estabelecidas as degradabilidades ruminais, pela técnica de sacos de náilon in situ, para matéria seca (MS) do farelo de soja (FS); proteína bruta (PB) do FS; MS do farelo de arroz (FA); PB do FA; MS da cana-de-açúcar (CA); fibra em neutro detergente (FDN) de CA; MS do feno (FE) e NDF do FE. Foi utilizado um saco por repetição, para o caso dos farelos de soja de arroz; e dois por repetição para os alimentos cana-de-açúcar e feno, que exigiam maior quantidade de material para análises de laboratório.

Os concentrados (FS e FA) foram submetidos a incubação ruminal por períodos de 1,5 h; 3 h; 6 h; 12 h; 24 h; e 48 h; e, no que tange aos volumosos (CA e FE), os tempos de incubação foram 6 h; 12 h; 24 h; 48 h; 72 h; e 96 h. Foram calculados também dados referentes aos volumes líquidos ruminais e taxas de turn-over líquido, nos diferentes tratamentos, pelo emprego do polietileno glicol (PEG), com peso molecular 4.000 (Hyden18). As colheitas do fluido ruminal para determinar as concentrações de PEG foram feitas à 1 h; 3 h; 6 h; 12 h; e 24 h após a introdução de 250 g do marcador por animal; nessas coleções também foi medido o pH do fluido ruminal. Amostras do líquido ruminal foram colhidas em outro dia, em vários intervalos de tempo: zero h; 2 h; 4 h; 6 h; e 24 h após refeição matinal, para determinação das concentrações de N amoniacal. Os sacos de náilon foram introduzidos no rúmen sempre no mesmo horário (8 horas) e retirados conforme os tempos de incubação predeterminados. Após retirados, foram lavados em água corrente até o líquido de lavagem fluir incolor. As análises das amostras foram executadas conforme as normas de AOAC3 para MS e PB, e conforme Goering; Van Saest14 para os teores de NDF.

Os dados de degradabilidade foram ajustados pelo método de Orskov et al.27 conforme a equação: p = a + b (I-e-ct); onde p é a quantidade degradada no tempo "t"; "a" é a interseção da curva no tempo zero; "b" é a fração potencialmente degradável; e "c" é a taxa de degradação da fração "b" por hora. A degradabilidade efetiva (DE) foi calculada conforme a fórmula (AFRC1): DE = a + bc/(c+r) onde "a", "b" e "c" são as mesmas constantes propostas por Orskov; McDonald28 e "r" representa a taxa de saída do rúmen por hora, propostos os valores de 0,04 para vacas secas, 0,06 para vacas em lactação e de 0,05 para ambos os casos.

O arraçoamento dos animais obedeceu ao seguinte plano: A - (vacas secas, 70% MS como volumosos) 20,0 kg de cana + 2,0 kg de feno + 2,5 kg de mistura concentrada (MC), o que fornecia 9,05 kg de MS e 0,677 kg de PB por animal, com ingestão de 1,8 kg MS/100 g de peso. A MC tinha 30% de FS, 10% de FA e 60% de milho; B - (vacas lactantes, 70% de MS como volumosos) 20,0 kg de cana + 3,0 kg de feno, 3,5 kg de MC, o que fornecia 10,8 kg MS e 1,264 g PB por animal, com ingestão de 2,1 kg MS/100 kg de peso. A MC continha 55% FS, 7,5% FA e 37,5% de milho; C - (vacas secas, 50% MS como volumosos) 10,0 kg CA + 2,0 kg FE + 7,0 kg de MC, o que fornecia 8,8 kg MS e 0,700 g PB por animal, com ingestão de 1,8 kg MS/100 kg de peso. A MC continha 4% FS, 4% FA e 92% de milho; D - (vacas em lactação, 50% MS como volumosos) 10,0 kg CA, 2,0 kg FE e 7,0 kg MC, o que fornecia 10,6 kg (MS e 1,264 kg PB por animal com 2,1 kg MS/100 g de peso. A MC continha 17,2% FS, 13,8% FA e 69,0% de milho.

Os tratamentos B e D, com vacas em lactação, receberam ainda 1 kg de uma mistura concentrada (com 33,8% FS, 11% FA e 55,2% de milho) para cada 2,5 kg de leite produzidos acima da quantidade diária de 10,0 kg de leite por animal. Essa porção extra de concentrados era fornecida em mistura com 1,0 kg de feno para cada quilograma de acréscimo, visando salvaguardar as proporções preestabelecidas de volumosos/concentrados e atender as exigências apresentadas pelos animais secos e em lactação.

O farelo de soja utilizado neste trabalho continha 53,8% PB e 2,1% de gordura na MS. O FA continha 15,2% PB e 16,1% de gordura na MS. O feno coast cross apresentou 8,8% PB e 75,7% FDN na MS. A cana-de-açúcar continha 6,5% PB e 59,0% NDF, na MS; o teor de MS no momento do corte foi 26,2%.

Os resultados foram analisados através do programa computacional (SAS31), sendo adotado um nível de significância de 5% para todos os testes realizados.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Tab. 1 fornece os resultados obtidos com taxas de degradabilidade da MS e PB do FS, nos diversos tempos de incubação. Fornece também os valores a, b, c e da taxa de degradação potencial (Orskov; MdDonald28) e taxa de degradabilidade efetiva (AFRC1) fazendo r = 0,04 para vacas secas, r = 0,06 para vacas em lactação e r = 0,05 para ambos os casos.

 

Tabela 1

Taxas de degradabilidade de MS e PB do FS. Valores a, b, c, degradabilidade potencial (DP) e degradabilidade efetiva (DE). Coeficientes de variação, em porcentagens. Pirassununga, 1995 (*).

(*) = valores da mesma linha, dentro de cada coluna, sobrescritos por letras diversas, indicam diferenças estatisticamente significativas (p<0,05).

 

Até 12 horas de incubação ruminal, vacas secas degradaram mais a MS e a PB do FS do que as vacas em lactação, provavelmente devido ao consumo mais elevado de matéria seca por parte das fêmeas em lactação (Tab. 2). Para MS, a degradabilidade efetiva foi notavelmente maior para vacas secas (78,9%) que para aquelas em lactação (69,9%), como também para PB, 76,8% (secas) versus 63,9% (lactação). Nos animais lactantes, os dados concordam com os obtidos por Orskov26, autor que encontrou variação de 80% para 50% da PB do FS entre vacas secas e lactantes.

 

Tabela 2

Taxas de degradabilidade da MS e PB do FA (farelo de arroz), valores a, b, c, degradabilidade potencial (DP) e degradabilidade efetiva (DE).Coeficiente de variação, em porcentagens. Pirassununga, 1995 (*).

(*) = valores da mesma linha, dentro de cada coluna, sobrescritos por letras diversas, indicam diferenças estatisticamente significativas (p<0,05).

 

A degradabilidade efetiva da PB do farelo de soja, igual a 77% (vacas secas) e 64% (vacas em lactação), aproxima-se dos dados de 67% de Valadares Filho et al.36 para vacas lactantes e com os resultados de Valadares Filho et al.37 de 67% e 61% para vacas secas e lactantes. Os valores observados de DE de PB do farelo de soja de 64% a 77% são também próximos aos relatados por Kirpatrick; Kennelly21 de 60% a 64%; por Broderick et al.7 de 63% e consideravelmente maiores que os resultados de Ha; Kennelly17 de 54%.

A Tab. 2 fornece as taxas de degradabilidade da MS e PB do FA, nos diversos tempos de incubação. Fornece também os valores a, b, c e taxa de degradação potencial (DP) segundo Orskov et al.27 e taxa de degradabilidade efetiva (DE) conforme AFRC1, com r = 0,04 para vacas secas, r = 0,06 para vacas em lactação e r = 0,05 para ambos os casos.

Os dados de degradabilidade do farelo de arroz mostraram apenas pequenas diferenças, a maioria não significativas, entre os valores encontrados nos diferentes tempos de incubação. Os valores de degradabilidade potencial e efetiva foram muito próximos entre os diversos tratamentos. Observa-se que o farelo de arroz, neste trabalho, foi muito menos sensível às variações dos tratamentos, do que o FS. O fato pode ser atribuído à presença de gordura no farelo de arroz.

A Tab. 3 fornece dados sobre a degradabilidade da MS e NDF do feno, nos diferentes tempos de incubação, também os valores a, b, c e taxa de degradação potencial (DP) conforme AFRC1 com r = 0,04 para vacas secas, r = 0,06 para vacas em lactação e r = 0,05 para ambos os casos.

 

Tabela 3

Taxas de degradabilidade da MS e NDF de feno. Valor a, b, c, degradabilidade potencial (DP) e degradabilidade efetiva (DE). Coeficientes de variação, em porcentagens. Pirassununga, 1995 (*).

(*) = valores da mesma linha, dentro de cada coluna, sobrescritos por letras diversas, indicam diferenças estatisticamente significativas (p<0,05).

 

As taxas de degradabilidade da MS e NDF do feno foram maiores para vacas secas que para as em lactação, em todos os horários de incubação, talvez devido ao maior consumo de alimentos pelas vacas lactantes e portanto menor tempo de permanência do alimento nos seus rumens. As taxas para dietas com 70% de volumosos foram mais altas que para aquelas com 50% de volumosos (p£ 0,05). Os valores de degradabilidade efetiva acusaram os mesmos resultados.

No caso do NDF, vacas secas apresentaram 39% de DE, contra 25% das vacas em lactação.

Comparando-se proporções de volumosos de 70% contra 50% na MS da ração, a degradação do NDF foi 34% contra 29% respectivamente. Essa queda concorda com os valores obtidos por Chimwano et al.10; Uden35; Flachowsky; Schneider12; Takahashi et al.34; Inoe et al.19; Lindberg22; e Alvir et al.2 e só não foram mais patentes talvez devido à menor proporção de volumosos utilizada (50%) no presente experimento ser ainda um valor considerado como razoável.

A Tab. 4 fornece os valores de taxas de degradabilidade obtidas para a cana-de-açúcar, em termos de MS e NDF, e também os valores a, b, c e DP (Orskov et al.27) e DE (AFRC1) com r = 0,04, r = 0,06 e r = 0,05 para vacas secas, vacas lactantes e para ambas as situações, respectivamente.

 

Tabela 4

Taxas de degradabilidade da MS e NDF da cana-de-açúcar. Coeficientes de variação em porcentagens. Pirassununga, 1995 (*).

(*) = valores da mesma linha, dentro de cada coluna, sobrescritos por letras diversas, indicam diferenças estatisticamente significativas (p<0,05).

 

No que concerne à MS da cana-de-açúcar, as vacas secas apresentaram maiores taxas de degradabilidade que as lactantes; também as com dietas, contendo 70% de volumoso, superaram aquelas com 50% de volumoso, em todos os tempos de incubação, repetindo praticamente os resultados obtidos com o outro volumoso utilizado, o feno.

Quanto à NDF, as vacas secas superaram as lactantes em todos os tempos de incubação (p<0,05); as dietas com 70% de volumosos superaram as com 50% nos tempos 24 h, 48 h, 72 h e 96 h (p<0,05), justamente quando a fibra é mais trabalhada, repetindo também os resultados obtidos como outro volumoso (feno).

As degradabilidades efetivas mostram para NDF superioridade patente nas taxas das vacas secas (28%) em relação às lactantes (18%). Também as dietas com maiores proporções de volumosos mostraram maiores DE (24%) que as com baixa proporção de volumosos (21%).

Apesar de as taxas de degradabilidade ruminal do feno de coast cross e de cana-de-açúcar apresentarem as mesmas tendências no que tange às respostas aos tratamentos, a degradabilidade da cana-de-açúcar foi muito inferior à apresentada pelo feno. Para FDN de feno a DP foi de 67% a 72%, mas para a cana foi de 49% a 57%. Com 24 horas de incubação, 43% do NDF de feno haviam sido degradados, e apenas 30% da NDF da cana.

A Fig. 1 compara as degradabilidades efetivas (DE) obtidas para os teores de MS do farelo de soja, farelo de arroz, feno e para a cana-de-açúcar.

 

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Figura 1

Degradabilidades efetivas, em porcentagens, da MS do farelo de soja, farelo de arroz, feno de coast cross e cana-de-açúcar, por vacas secas ou lactantes, ou em dietas com 70% ou 50% de volumosos (base na MS).

 

Com base nas análises efetuadas para cada tempo de incubação, pode-se depreender, para valores de DE da MS, no que tange ao farelo de soja, que as vacas secas apresentaram maiores valores que as em lactação. Quanto aos alimentos volumosos, feno e cana-de-açúcar, as vacas secas também apresentaram maiores valores que as em lactação, enquanto as dietas com 70% de volumosos apresentaram maiores valores de DE comparativamente às dietas com 50%.

A Fig. 2 compara as degradabilidades efetivas (DE) obtidas para os teores de PB do farelo de soja e do farelo de arroz, bem como as DE do NDF do feno e da cana-de-açúcar.

 

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Figura 2

Degradabilidades efetivas, em porcentagens, da PB do farelo de soja, PB do farelo de arroz, FDN do feno de coast cross e FDN da cana-de-açúcar, por vacas secas ou lactantes, ou em dietas com 70% ou 50% de volumosos (base na MS).

 

Com base nas análises efetuadas para cada tempo de incubação, pode-se depreender, para a DE da PB, que as vacas secas apresentaram maiores valores que as lactantes no caso do farelo de soja. Para os alimentos volumosos, as maiores DE aconteceram no caso das vacas secas, em relação às lactantes, e nas dietas com 70% de volumosos, em relação às com 50%.

A Tab. 5 fornece os consumos de alimentos em todos os tratamentos, bem como dados de turn-over e volume do líquido ruminal e também do N amoniacal do conteúdo ruminal.

 

Tabela 5

Consumo de alimentos, turn-over, volume de rúmen e teor de nitrogênio amoniacal no rúmen. Coeficientes de variação em porcentagens. Pirassununga, 1995 (*).

(*) = valores da mesma linha, dentro de cada coluna, sobrescritos por letras diversas, indicam diferenças estatisticamente significativas (p<0,05).

 

Em termos de consumo de MS total, as vacas em lactação consumiram 40% mais que as secas (p<0,05), fato já amplamente constatado na literatura (Forbes; France13; NRC25). Também os valores de turn-over líquido e volume do líquido ruminal foram maiores para as vacas lactantes do que para as secas. Observa-se que o volume do líquido trocado foi maior nas vacas com 70% de volumosos (152, 1 l) em relação àquelas com 50% de volumosos (135, 3 l), o que demonstra que as trocas líquidas foram mais altas nas rações com 70% de volumosos, em concordância com os resultados de Bauman6 e Castrillo et al.8. Os níveis de N-NH3 no conteúdo ruminal foram significativamente mais elevados nas vacas lactantes em relação às secas, mas não ocorreram diferenças entre as dietas com 70% ou 50% de volumosos. Este fato provavelmente ocorreu pelo maior consumo de concentrados por parte das vacas lactantes, apesar do esforço em manter-se as proporções volumoso/concentrados propostos.

 

CONCLUSÕES

Nas condições do presente experimento, foi possível enumerar as seguintes conclusões:

1- vacas secas degradaram melhor a MS e a PB do farelo de soja que as lactantes;

2- o farelo de arroz não sofreu influências do estado fisiológico (secas e lactantes) e da proporção concentrados/volumosos, sobre suas taxas de degradabilidade ruminal, as quais foram bastante inferiores às apresentadas pelo farelo de soja;

3- vacas lactantes apresentaram consumo de MS cerca de 40% maior que as secas, e apresentaram maior turn-over do líquido ruminal;

4- os alimentos volumosos feno de coast cross e a cana-de-açúcar foram melhor degradados, em MS como em NDF, nas dietas com 70% de volumosos, em relação às com 50%;

5- a degradabilidade ruminal da MS e da NDF da cana-de-açúcar foram acentuadamente inferiores às da MS e NDF do feno de coast cross.

 

 

SUMMARY

Four dry and four lactating Holstein heifers, received the following treatments to evaluate rumen degradabilities of soybean meal, rice meal, coast cross hay and sugar cane, through a dacron bag in situ technique: A = 70% roughage diet; dry cows; B = 70% roughage diet, lactating cows; C = 50% roughage diet, dry cows and D = 50% roughage diet, lactating cows. A randomized block design was used and the treatments had four repetitions in different times. Dry cows presented a higher degradability rate for soybean meal, coast cross hay and sugar cane than lactating females. Lactating cows consumed 40% more dry matter than the dry ones and presented higher rumen liquid turn-over. Coast cross hay and sugar cane were better digested with 70% roughage diets, than with the 50% roughage diets.

UNITERMS: Roughage; Dairy cows.

 

 

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Recebido para publicação: 29/04/1996
Aprovado para publicação: 28/05/1997

 

 

* Processo CNPq 520152/93-0.
1 Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Pirassununga - SP
2 Médico Veterinário