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Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science

Print version ISSN 1413-9596

Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci. vol.37 n.2 São Paulo  2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-95962000000200005 

Vascularização arterial da bolsa cloacal em Gallus gallus domesticus (Matrizes de corte Avian Farms)

Arterial vascularization of the cloacal bursa in Gallus gallus domesticus (breeding stoch of the Avian Farms linage)

 

Marcelo Ismar Silva SANTANA1; Frederico Ozanam CARNEIRO E SILVA2; Renato Souto SEVERINO2; André Luís Quagliatto SANTOS2; Sérgio Salazar DRUMMOND2; Pedro Primo BOMBONATO3

 

CORRESPONDÊNCIA PARA:
Marcelo Ismar Silva Santana
Universidade de Franca
Setor de Anatomia Veterinária
Av. Dr. Armando de Salles Oliveira, 201
Parque Universitário Franca
14404-600 – Franca – SP
e-mail: msantana@bardot.unifran.br

 

 

RESUMO

Estudou-se em trinta exemplares de Gallus gallus domesticus da linhagem Avian Farms, fêmeas, com idades entre 10 e 12 semanas, a origem, o número e a ordenação dos vasos arteriais da bolsa cloacal, mediante injeção dos sistemas vasculares arteriais das aves com solução aquosa de Neoprene Látex 450 a 50% e posterior dissecação. Os resultados mostraram a participação das artérias bursocloacais direita e esquerda em todos os casos, às quais se associavam as artérias mesentérica caudal e caudal mediana em 13,33% e 3,33% dos casos, respectivamente. O número total de vasos, independentemente da origem, variou de 2 a 5 com maior freqüência de 2 a 3 vasos.

UNITERMOS: Gallus gallus domesticus; Bolsa de Fabricius; Artérias.

 

 

INTRODUÇÃO

Estudos sobre a sistematização de vasos arteriais em aves têm sido objeto de pouca exploração, sendo, portanto, escassa e imprecisa a literatura existente, levando-nos muitas vezes a nos deparar com dificuldades na interpretação de achados anatômicos. Se levarmos também em consideração o grande interesse zootécnico depositado nas espécies avícolas, principalmente o Gallus gallus domesticus, acreditamos ser primordial o conhecimento anatomofuncional destes animais, devido também ao seu uso rotineiro como modelos biológicos.

No concernente à bolsa cloacal, diversas investigações têm sido realizadas para elucidar o papel imunológico deste tão importante órgão. Entre eles encontramos o relato de Mueller et al.6, no qual mencionam a importância de melhor se conhecer os vasos supridores da "Bolsa de Fabrícius", já que através destes dúvidas quanto ao papel imunitário poderão ser esclarecidas, mostrando, portanto, a necessidade da realização de novos estudos, em especial referentes à sua morfologia.

Assim, relativamente à vascularização da bolsa cloacal, Freedman; Sturkie3, relatam que as artérias pudendas internas, ramos das artérias ilíacas internas, são responsáveis por suprirem os músculos cloacais, pele e cloaca.

Callegari; Vegetti2, estudando o sistema arterial das aves, acrescentam ser a artéria ilíaca interna vaso par, que, atingindo a extremidade da "Bolsa de Fabrícius", bifurca-se em um ramo, a artéria pudenda interna, para esta glândula, e outro para a pelve, a artéria caudal lateral.

Pintea et al.9 descrevem, em galinhas, o curso dos vasos arteriais e venosos que chegam até o órgão em estudo onde ramos bursocloacais são originários das artérias pudendas internas comuns e mesentérica caudal.

Schwarze; Schröder12 assinalam a artéria mesentérica caudal suprindo o terço caudal do intestino, cloaca e "Bolsa de Fabrícius". Já Zamojska15 relata a participação de ramos das artérias pudendas internas e sacral mediana na vascularização da bolsa cloacal.

Nickel et al.7 descrevem as artérias pudendas internas originando-se das artérias pudendas comuns, bifurcando-se em ramos musculares e intestinais, dos quais os últimos vascularizam a cloaca e a "Bolsa de Fabrícius".

Getty4 cita que a irrigação da bolsa cloacal é feita por ramos das artérias pudendas internas direita e esquerda, originadas das artérias ilíacas internas correspondentes.

Scala et al.11 descrevem os vasos arteriais que chegam à bolsa cloacal em patos (Anas platyrhyncus) originários das artérias pudendas internas de ambos os antímeros, variando em número e alcançando o órgão por suas margens laterais e face ventral.

Onyeanusi et al.8 relatam que os vasos destinados à bolsa cloacal penetram sob a cápsula do referido órgão, sem no entanto deterem-se na descrição de sua origem.

Silva et al.14, analisando a vascularização arterial da bolsa cloacal em matrizes de corte Hubbard, concluíram ser o órgão irrigado por ramos diretos e indiretos, procedentes das artérias pudendas internas direita e esquerda, além de ramos diretos das artérias caudal mediana, ilíaca interna esquerda e mesentérica caudal, enquanto Silva et al.13 observaram em matrizes da linhagem Ross, ramos diretos e indiretos das artérias pudendas internas direita e esquerda e caudal mediana, sendo que em ambas as linhagens os autores indicam que os vasos penetram no órgão pela margem lateral e face ventral da bolsa cloacal.

Já Santana et al.10, em galos da linhagem Peterson, observaram, além da participação das artérias bursocloacais, mesentérica caudal e caudal mediana na vascularização arterial da bolsa cloacal, a presença das artérias cloacais, oriundas das artérias pudendas internas.

Assim sendo, procuramos com este trabalho analisar a freqüência das apresentações anatômicas relacionadas à origem, ao número e à ordenação das artérias destinadas à bolsa cloacal, com a finalidade de conseguir dados que nos permitirão não só correlacioná-los com os de outras linhagens, como também esclarecer dúvidas na sua apresentação em pesquisas experimentais.

 

MATERIAL E MÉTODO

Foram utilizadas 30 exemplares de matrizes de corte, fêmeas, Avian Farms, procedentes da Granja Planalto S/A, localizada no município de Uberlândia-MG, com idade aproximada de 10 a 12 semanas.

Após a eutanásia, as aves tiveram seus sistemas vasculares arteriais injetados com solução aquosa de 50% de Neoprene Látex 450 (Du Pont do Brasil S.A. Indústrias Químicas), corada com pigmento específico (Globo S.A - Tintas e Pigmentos), via artéria isquiática direita. A seguir, as peças foram fixadas em solução aquosa de formol a 10%, executada mediante aplicação intramuscular profunda, subcutânea e intracavitária, bem como pela imersão em recipientes contendo a mesma solução fixadora, por um período mínimo de 48 horas.

Para a dissecação do sistema vascular arterial da bolsa cloacal, utilizou-se, quando necessário, o campo visual de uma lupa monocular tipo Wild (10x). Realizando duas incisões paramedianas na base da cauda e, divulsionando-se entre esta e a abertura cloacal, foi possível alcançar as artérias da bolsa cloacal, através da retirada dos tecidos adiposo e conjuntivo que os recobriam.

Com o objetivo de determinarmos os territórios de irrigação dos vasos que supriram a bolsa cloacal de todas as aves, dividimo-la em quadrantes, a saber: cranial direito, cranial esquerdo, caudal direito e caudal esquerdo.

Como tratamento estatístico, foi utilizado o teste "t" de Student, com significância de 5%, para comparação do número de ramos destinados à bolsa cloacal em ambos os antímeros.

 

RESULTADOS

A bolsa cloacal acha-se irrigada independentemente do número e do seu território pelas artérias bursocloacais direita e esquerda, mesentérica caudal e caudal mediana (Fig. 1 e 2).

 

Figura 1

Fotografia mostrando a bolsa cloacal (a), desviada lateralmente, evidenciando as artérias caudal mediana (b), pudenda interna esquerda (s) e bursocloacal esquerda (t), bem como o cólon reto (t).

a05fig01.gif (77620 bytes)

Aumento 0,4X

 

Figura 2

Esquema geral da vascularização arterial da bolsa cloacal em Gallus gallus domesticus (matrizes de corte, fêmeas, Avian Farms).

a05fig02.gif (6506 bytes)

AAD - artéria aorta descendente;
ABCD - artéria bursocloacal direita;
ABCE - artéria bursocloacal esquerda;
ACM - artéria caudal mediana;
AMC - artéria mesentérica caudal;
APID - artéria pudenda interna direita;
APIE - artéria pudenda interna esquerda Rd - ramo direto;
1 - quadrante cranial direito;
2 - quadrante cranial esquerdo;
3 - quadrante caudal direito;
4 - quadrante caudal esquerdo.

 

Em todas as peças anatômicas dissecadas, observamos serem as artérias pudendas internas direita e esquerda originárias das artérias ilíacas internas correspondentes, tendo como seus respectivos ramos as artérias bursocloacais direita e esquerda (100% dos casos); por sua vez, as artérias mesentérica caudal e caudal mediana são oriundas da artéria aorta abdominal descendente, e contribuem com ramos para a bolsa cloacal em 4 (13,33% ± 6,2) e 1 (3,33% ± 3,3) casos respectivamente.

Independentemente da origem, os vasos endereçados à bolsa cloacal são vistos em número de 2 a 5. Assim, notamos mais freqüentemente, 2 e 3 vasos em 10 casos (33,33% ± 8,6) cada, 5 vasos em 6 casos (20% ± 7,3) e 4 vasos em 4 casos (13,33% ± 6,2) (Tab. 1).

 

Tabela 1

Número de ramos arteriais destinados à bolsa cloacal em matrizes de corte, fêmeas, Avian Farms, segundo sua origem. Uberlândia, 1998.

a05tab01.gif (13928 bytes)

APIE - artéria pudenda interna esquerda;
APID - artéria pudenda interna direita;
AMC - artéria mesentérica caudal;
ACM - artéria caudal mediana.

 

A artéria pudenda interna direita nos 30 espécimes (100% ± 0,0) colabora com a irrigação da bolsa cloacal, ao emitir de 1 a 4 artérias bursocloacais, sendo observada 1 artéria em 19 casos (63,33% ± 8,8); 2 em 10 casos (33,33% ± 8,6); e 4 em 1 caso (3,33% ± 3,3).

A artéria pudenda interna esquerda também nos 30 casos (100% ± 0,0) emite para a bolsa cloacal de 1 a 3 artérias bursocloacais, onde 1 artéria aparece em 15 casos (50% ± 9,1), 2 em 12 casos (40% ± 8,9) e 3 em 3 casos (10% ± 5,5).

A artéria mesentérica caudal, quando contribui com a irrigação da bolsa cloacal - 4 casos (13,33% ± 6,2), emite um único ramo bursal para o órgão, enquanto a artéria caudal mediana participa uma única vez emitindo 1 ramo direto.

Com relação às associações vasculares arteriais, as artérias pudendas internas direita e esquerda emitem as artérias bursocloacais, concomitantemente em 100% dos casos, os quais apresentam-se associados com as artérias mesentérica caudal e caudal mediana em 4 casos (13,33% ± 6,2) e 1 caso (3,33% ± 3,3), respectivamente.

No concernente à descrição dos territórios de irrigação das artérias que suprem a bolsa cloacal, notamos que (Tab. 2):

 

Tabela 2

Número de ramos arteriais por quadrante, destinados à bolsa cloacal em matrizes de corte, fêmeas, Avian Farms, segundo sua origem. Uberlândia, 1998.

a05tab02.gif (15718 bytes)

APIE - artéria pudenda interna esquerda;
APID - artéria pudenda interna direita;
AMC - artéria mesentérica caudal;
ACM - artéria caudal mediana.

 

O quadrante cranial esquerdo é irrigado pelas artérias bursocloacais (29 casos, 96,66% ± 3,3), oriundas da artéria pudenda interna esquerda, sendo 1 artéria bursocloacal esquerda notada em 19 casos (63,33% ± 8,8), 2 em 8 casos (26,66% ± 8,1) e 3 em 2 casos (6,66% ± 4,5). Ainda observamos para este quadrante 1 ramo bursal da artéria mesentérica caudal em 4 casos (13,33% ± 6,2) e de 1 ramo direto, oriundo da artéria caudal mediana, em 1 caso (3,33% ± 3,3).

O quadrante cranial direito é irrigado pelas artérias bursocloacais (28 casos, 93,33% ± 4,5), oriundas da artéria pudenda interna direita, sendo 1 artéria bursocloacal direita observada em 20 casos (66,66% ± 8,6), 2 em 7 casos (23,33% ± 7,7) e 4 em 1 caso (3,33% ± 3,3).

O quadrante caudal esquerdo é irrigado pelas artérias bursocloacais (6 casos, 20% ± 7,3), oriundas da artéria pudenda interna esquerda, sendo 1 artéria observada em 5 casos (16,66% ± 6,8) e 2 em 1 caso (3,33% ± 3,3).

O quadrante caudal direito é irrigado pelas artérias bursocloacais (5 casos, 16,66% ± 6,8), oriundas da artéria pudenda interna direita, sendo notada 1 artéria bursocloacal direita em cada caso.

Quando consideramos conjuntamente a origem, as associações, o número total de vasos e por quadrante, notamos disposição própria em cada uma das peças examinadas.

Os ramos arteriais sempre penetram no órgão por suas margens laterais e face ventral, sendo sua porção dorsomedial suprida por subdivisões de seus ramos.

Através da comparação do número de ramos diretos destinados à bolsa cloacal em ambos os antímeros, pudemos constatar, pelo teste "t" de Student, não haver diferenças estatisticamente significantes para a = 5%, ou seja: t = 0,1648855.

 

DISCUSSÃO

Quanto à nomenclatura do órgão, encontramos na literatura consultada diferentes denominações, como o epônimo "Bolsa de Fabrícius", adotado por Callegari; Vegetti2; Mueller et al.6; Pintea et al.9; Schwarze; Schröder12, Zamojska15 e Nickel et al.7, bem como o termo bolsa cloacal, utilizado por Getty4; Scala et al.11; Onyeanusi et al.8; Silva et al.13; Silva et al.14 e Santana et al.10, denominação esta também por nós utilizada, estando de acordo com a Nômina Anatômica Aviária1.

Particularizando a origem dos vasos que nutrem a bolsa cloacal, pudemos verificar em todas as peças dissecadas suas origens diretas da artéria aorta descendente, como as artérias mesentérica caudal e caudal mediana, estando este fato de acordo com Pintea et al.9; Schwarze; Schröder12; Zamojska15 e Getty4. Para as artérias pudendas internas direita e esquerda, observamos serem emergentes das respectivas artérias ilíacas internas em todos os casos estudados, como relatado por Freedmann; Sturkie3; Callegari; Vegetti2; Pintea et al.9; Nickel et al.7 e Getty4, ressaltando que Pintea et al.9 e Nickel et al.7 utilizam o sinônimo artéria pudenda comum para as respectivas artérias ilíacas internas, estando esta nomenclatura de acordo com a International Committee on Avian Anatomical Nomenclature5.

Relativamente ao comportamento dos vasos responsáveis pelo suprimento arterial da bolsa cloacal, pudemos verificar que estes se apresentam de maneira direta, ou seja, partem diretamente do tronco arterial para o órgão em questão, sendo o mesmo evidenciado também para matrizes pesadas de corte Hubbard14 e Ross13, com a observação de serem nestas linhagens participantes também, mas em menor número, ramos indiretos, ou seja, oriundos de artérias que também irrigam outras estruturas. Assim, podemos acreditar que o maior número de ramos diretos seja decorrente – por ser a bolsa cloacal órgão primário do sistema imune das aves –, da necessidade de um maior fluxo sangüíneo para que este seja patente, permitido portanto pela chegada de ramos diretos, os quais representam o menor trajeto entre o principal tronco arterial e o órgão.

Silva et al.14 citam ainda, além das artérias pudendas internas, através das artérias bursocloacais e as artérias mesentérica caudal e caudal mediana como responsáveis pela vascularização da bolsa cloacal, ramos emergentes da artéria ilíaca interna esquerda, os quais não encontramos em nosso material, sendo o mesmo observado pelos outros autores consultados. Ainda Santana et al.10 relatam a irrigação da bolsa cloacal feita em adição aos outros vasos (artérias bursocloacais, mesentérica caudal e caudal mediana), por ramos oriundos das artérias cloacais direita e esquerda, não sendo estes encontrados em nossos exemplares. Este fato talvez possa ser justificado pelo maior número de artérias bursocloacais encontrado em matrizes Avian Farms (91) quando comparado ao número encontrado para matrizes Peterson (67). Em adição, podemos também levar em consideração o maior número total de vasos encontrados em nosso material (96), frente àquele encontrado por Santana et al.10 (80).

Também, para Silva et al.14, as artérias mesentérica caudal e caudal mediana aparecem, respectivamente, em 33,33% e 3,33% dos casos estudados, diferentemente de Silva et al.13, que observaram apenas a presença de ramos diretos da artéria caudal mediana, em 13,33% dos casos e Santana et al.10, que verificaram ramos das artérias caudal mediana e mesentérica caudal em 6,66% e 3,33% dos casos, respectivamente. Em nosso material, notamos a emissão de ramos das artérias mesentérica caudal e caudal mediana em 13,33% e 3,33% dos casos, respectivamente, apesar de termos utilizado metodologia semelhante à preconizada por nós em outras oportunidades.

Em seus comentários, Pintea et al.9 consideram a presença de ramos terminais das artérias pudendas internas anastomosando-se com ramos da artéria mesentérica caudal, fato este não identificado em nenhuma das peças por nós dissecadas, apesar de termos utilizado metodologia semelhante à daqueles autores.

Zamojska15 cita em seus relatos a participação de uma artéria ímpar, artéria sacral mediana, emitindo ramos para a bolsa cloacal, mais especificamente em sua porção cranial. Em nosso material, entretanto, não observamos a presença desta artéria, fato este concordante com os relatos dos outros autores consultados. Talvez seja este fato oriundo da confusão em relação à localização da artéria caudal mediana frente à artéria sacral mediana, que nas aves origina-se mais cranialmente, em sintopia com o osso sinsacro, diferentemente da outra que está localizada junto às vértebras caudais.

Ainda, Scala et al.11; Silva et al.13 e Silva et al.14 relatam que os vasos que chegam à bolsa cloacal, originários das artérias pudendas internas, mesentérica caudal, caudal mediana e ilíaca interna esquerda, penetram pelas margens laterais e face ventral do órgão, sendo este padrão observado em todos os nossos exemplares. Este acontecimento, ao nosso ver, é decorrente da disposição sintópica do órgão em relação ao trajeto vascular, o que pode predispor este comportamento.

Finalmente, com relação à comparação do número de ramos diretos observados em ambos os antímeros, não verificamos diferenças estatisticamente significantes para a = 5%, fato este não comentado por nenhum dos autores consultados.

 

CONCLUSÕES

Com base na metodologia empregada, podemos concluir que:

1. a bolsa cloacal de aves (Gallus gallus domesticus) da linhagem Avian Farms foi irrigada por artérias bursocloacais, oriundas das artérias pudendas internas direita e esquerda, exclusivamente ou em associações com ramos bursais da artéria mesentérica caudal e artéria caudal mediana;

2. dos vasos endereçados ao órgão, as artérias pudendas internas direita e esquerda colaboraram, respectivamente, com 1 a 4 e 1 a 3 artérias bursocloacais, enquanto as artérias mesentérica caudal e caudal mediana, com 1 ramo, respectivamente;

3. o quadrante cranial esquerdo foi o que recebeu o maior número de vasos, seguido pelos quadrantes cranial direito, caudal esquerdo e caudal direito;

4. todos os vasos penetraram no parênquima do órgão pelas margens laterais e face ventral;

5. a análise estatística indica não haver significância entre o número de ramos em relação aos antímeros.

 

 

SUMMARY

The cloacal bursa’s arteries of 30 females Gallus gallus domesticus of the Avian Farms linage were injected with 50% Neoprene Latex solution, and submitted to dissection. The age of the birds was from 10 to 12 weeks. The vessel’s origin, number and sequence were studied. The results showed the participation of the left and right bursocloacal arteries in all cases, with the association of the caudal mesenteric artery (13.33%) and median caudal artery (3.33%). The total branches number, without considering its origin, varied in 2 to 5, being 2 to 3 branches the major frequency.

UNITERMS: Gallus gallus domesticus; Bursa fabricci; Arteries.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação: 07/10/1998
Aprovado para publicação: 03/09/1999

 

 

1 Setor de Anatomia da Universidade de Franca – SP
2 Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Uberlândia – MG
3 Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP – SP